sábado, 24 de julho de 2010

CNA de Alagoas- 12 a 14 Março 2010













Fomos então para o CNA(Circuito Nordestino de Aventura) de Alagoas, uma prova de 160km cheia de ladeiras íngremes e muita aventura.

Eu, Saroca e Gabi estávamos super dispostas a encarar o desafio. Só que Taty estava em São Paulo e Lucy, nossa nova Penélope, ainda não estava preparada para uma prova tão longa. Então convidamos nossa querida amiga Thays! O detalhe é que, além de amiga, Thays é uma excelente atleta e só ganhamos com a escolha.

Viajamos com camisas rosas e unhas da mesma cor. Uma farra! Um caminhão do exército nos levou do aeroporto até o local da prova. Parecia uma batedeira! Não sei como aquele caminhão tremia tanto! Mas foi uma grande gentileza!

Briefing às 22h da sexta. Largada meia noite. A organização foi cruelmente pontual! Não deu tempo de fazer tudo, foi uma confusão danada pra plastificar os mapas.

Largamos fazendo um trecho de corrida, cada uma numa direção diferente, para pegar uma fita, voltar ao local da largada e sair com as bikes. Comecei a correr dentro da cidade. À medida em que fui me afastando, junto com os outros corredores, a escuridão ficou de uma maneira que não enxergava absolutamente nada! Cruel! As lanternas ficaram na bike. Foi horrível! Tinha que diminuir com medo de cair em algum buraco.

Nos reencontramos na largada, saindo de bike em última posição em direção ao PC1. As meninas reclamaram muito dos seus trecho, dizendo que tinha muita areia e ladeiras bem íngremes. Mas a coisa só estava no começo.

Para mim, como navegadora, toda a tensão da prova se resume ao PC1. Parece brincadeira! Só pego o ritmo depois! Deu trabalho, o morro tinha tanta vala que era impossível para um atleta de elite de mountain bike pedalar. Imaginem nós!? Fomos empurrando as bikes. Thays já começou a mostrar serviço, carregando a bike de Saroca. Subimos muito, passamos na beira de um precipício e chegamos numa porteira, onde encontramos os meninos da Aventureiros. Ufa! PC1! Pronto! Acabou a tensão!

Thays controlava a alimentação, eu navegava, Gabi botava pressão e Saroca suava feito uma condenada. Atravessamos a cidade, subimos outro morro, batemos o PC2 e seguimos para o 3.

Para o PC4, mais subidas! Nunca vi tanta subida na mesma prova! Em compensação os downhills eram de arrepiar! Descemos todos em alta, curtindo o vento no rosto e driblando as pedras.

O caminho para o PC5 foi um trecho mais tranqüilo, pegamos uma reta e fomos embora. Chegamos na praça, na transição para o trekking.

Trekking muito pesado! Subida de morro, batimento em alta. Thays puxava Saroca pelas mãos. O PC6 estava escondido numa moita. Que maldade! Mais subida! O sol estava de enlouquecer, a sensação térmica era de mais de 40oC e ainda não era meio dia! Os pés ferviam, o suor não resfriava o corpo. Tivemos que reduzir o ritmo para ficarmos juntas. Aproveitamos a sombra de uma árvore para passar protetor solar, comer, fazer xixi e descansar, é claro! O resto foi só desculpa!

Cortamos um trecho do caminho na subida, já saindo dentro da fazenda onde estaria o PC7. Pedimos água numa casinha e molhamos o corpo. Foi um alívio! Cada uma ficou uns minutinhos embaixo da torneira.

Do PC7, descemos muito rápido para tentar pegar os meninos da Aventureiros. Paramos num bar para a velha coca cola gelada. Gabi e Thay tomaram uma cerveja (Essas Penélopes são muito Agrestes!), enquanto eu e Saroca olhávamos o mapa.

Voltamos à praça, compramos picolé, água gelada e seguimos para a segunda perna de bike, rumo ao PC9. Na estrada, Thay parou para comprar óculos escuros. “Ficou uma figura de óculos brancos!” Continuamos com formação em linha para aproveitar o vácuo porque ventava muito. Deu uma sensação gostosa de espírito de equipe as 4 camisas rosas sempre juntas.

Entramos na estradinha e nem acreditamos no morro que teríamos de subir. Ora pedalando, ora empurrando a bike, ora descansando mesmo.

Mas o sol tava de lascar o cano! Dei uma de louca, mandei todo mundo tirar aqueles coletes de prova para cortá-los. Peguei meu canivete e mandei ver! Transformei as camisas da prova em micro blusinhas. Nem preciso falar como tudo melhorou!

Olha! Foi muita subida! Eu fazia de conta que tava esperando Saroca e descansava. Thays subia e voltava para pegar a bicicleta de Saroca. Pegamos o PC9 em 6º lugar.

O PC10, já em 5º, era a transição de bike para remo. Cada uma deu uma volta, separadamente, de caiaque, depois fomos fazer o trecho de bote para pegar o PC da árvore.

Essa parte foi boa! Nunca remamos em bote inflado! Saroca nunca fez leme em bote! Eu ainda fiz o favor de pegar o azimute fornecido pela organização e declinar. Resultado: Fomos no lugar errado! O interessante foi que Thays confiou tanto em mim que pulou na água como uma louca e saiu procurando o PC em todas as árvores sem encontrar. Basta dizer que a Carbono Zero veio logo depois de nós, pegou o PC, que estava do outro lado do rio e foi embora. Aí fomos lá e pronto! RS!

Pausa para comer um frango assado com arroz.

Já escurecia quando seguimos para o PC11. Demos uma volta porque o caminho escolhido não tinha trilha e preferimos não arriscar o rasga-mato. E tome mais ladeiras. Eu sempre dizia: “gente, essa é a última viu?” Não dava 20 metros e começávamos a subir novamente. Chegamos num povoado completamente isolado e sem uma alma viva, chamamos e ninguém respondeu. Só os cachorros se manifestaram, correndo e latindo. Latimos de volta pra eles. Super Agrestes essas Penélopes!

No estradinha do PC11 encontramos a Carbono Zero já voltando. Paramos para dormir 15minutos porque Tico e Teco não estavam se entendendo mais. Comecei a titubear na navegação. Deitamos no meio da estrada como pessoas Agreste que somos.

O caminho para o 12 não era diferente. Aquela ladeira parecia que daria no céu! Ultrapassamos a Carbono Zero, a prova terminou lá no alto e ficamos em 4ª posição no CNA. Grande virada! Que emoção!

Agora era pedalar até a cidade próxima e esperar o carro da organização nos levar pra a escola onde foi feita a largada. Márcio e Manu Véio do Agreste vieram nos buscar. As Penélopes foram dormindo no banco de trás do carro, uma por cima da outra com um fedor tão insuportável que os meninos tiveram que desligar o ar condicionado e abrir as janelas.

Nada Penélope! Todas Agrestes!

Por onde andamos...



Muita coisa rolou depois da primeira prova. Ser Penélope e ser Agreste ao mesmo tempo é uma tarefa árdua.

É claro que queríamos mais mas, o destino nos pregou uma peça! Gabi, que estava com um filho de 5 meses, competiu grávida. Até passou mal na prova, embora tenha resistido bravamente. Teve que passar um tempo sendo mais Penélope do que Agreste. Ou será que foi o contrário?? A vida de mãe é uma dureza! Depois conversaremos sobre esse assunto!

Taty acabou indo morar em São Paulo. Eu e Saroca continuamos fazendo Corrida de Aventura nos quartetos mistos da Aventureiros do Agreste. Falando por mim, não perdi nem batizado de boneca, corri muuuita prova! CNA, Ecomotion, Campeonato Bahiano e tudo o que apareceu. Meu treinador, Navarro, vivia dizendo pra eu selecionar as provas, não correr tanto.

Enfim, a terra teve que dar duas voltas até que a gente pudesse voltar. Só dois anos depois, nos organizamos para o retorno das Penélopes.

Voltamos!

domingo, 18 de julho de 2010

A PRIMEIRA CORRIDA A GENTE NUNCA ESQUECE

Tudo começou quando resolvemos formar o quarteto feminino, Penélopes do Agreste, para Corridas de Aventura. A primeira prova foi a corrida Bahia ao Xtremo, em Salvador, 11 de outubro de 2008. Luciana Freitas(pessoa que vos escreve), Tatiana Paiva, Sara Santos e Gabriela Carvalho.


O briefing foi na noite anterior nos deu uma prévia de como seria a corrida. Tudo bem organizado e voltamos pra casa com o mapa nas mãos. Nossa! Só consegui dormir às 2 da manhã, namorando o mapa e tensa para o dia seguinte.

Largada com uns 200m de corrida até os barcos. O trecho de remo foi muito rápido! As equipes estavam bem emboladas. Gabi e Saroca remaram muito bem e eu e Taty sofremos um pouco para acompanhar e alinhar nosso caiaque. Encontramos os PC1 e PC2 sem grandes proPegamos as bikes no PC3! Fomos para o PC4 gritando para o povo sair da frente. O Parque de Pituaçu tem bastante movimento no fim de semana! Voltamos pelo mesmo caminho para pegar o PC5. Entramos na trilha logo atrás da Atlas Brasil. “Que bom! Não estávamos sozinhas!” Naveguei afobada! Entramos na trilha errada mas, não desanimamos. Lugar maravilhoso, lagoa imensa, muito verde! Conhecemos outro Parque de Pituaçu. Fizemos a prova curtindo cada momento. Cada ladeirona!! O porta-mapas preso na bike tremia junto com meus olhos! Tive que diminuir a velocidade para enxergar! PC5 uhuuuu, finalmente! Deixamos a bike no 6, ainda dentro do Parque. PC7 de trekking em trilhas cheias de bifurcações, prestando bastante atenção no mapa. Seguimos para o 8, despencando ladeira abaixo, nos embrenhando em cansanção e tiririca, chegamos perto da lagoa, andamos pra esquerda e tivemos que subir um pouco para pegar o PC.

Ficamos famosas! Cada chegada nos PCs era uma alegria! O pessoal sempre fazia festa, incentivava! Tinha muita trilha para o PC9, por isso Gabi precisou usar suas habilidades na contagem de passos e mostrou uma precisão impressionante. Chegamos certinho ao PC9.

Decididas a cortar caminho para o 10, guardamos algumas coisas para os procedimentos de travessia da lagoa. Saroca(nossa super nadadora) nos orientava o tempo todo sobre como era melhor nadar, posição da cabeça, dos braços, etc. Lá fomos nós, Penélopes do Agreste, nos deliciando com aquela água suja do Parque de Pituaçu, nos refrescando, falando da beleza daquele lugar, do prazer de estarmos ali juntas.. Já chegou na beira!! Taty mandou super-bem!! Nadou rápido, superou o medo e curtiu o momento junto com a gente! Batemos o azimute-PC10 na cara! O 11 foi beleza e lá fomos nós escalar. Saroca e Taty ficaram nas tentativas enquanto eu e Gabi fomos pegar as bikes. A parede era totalmente diferente dos treinos de escalada que fizemos, tava todo mundo se acabando pra subir, inclusive os que nos humilharam terrivelmente nos treinos da AABB, subindo muito rápido.

Ops!! Pneu furado!! Êta diacho! Enquanto Gabi foi encontrar com as meninas, quando iniciava a cirurgia de troca mas, o meu anjo da guarda, Zé, mandou O Gordo e o Magro(não tão magro..) do Agreste para ajudar. Valeu meninos!

Vamos lá pessoal! Falta pouco pra gente sair desse Parque! PC14 e preferimos não atravessar o rio com as bikes, apesar de termos nos preparado amarrando garrafinhas vazias nas bicicletas. Fomos para o 15 pela trilha, a contragosto de Saroca. Destemida, esta figura citada anteriormente, resolveu descer aquela pirambeira do meio do caminho pedalando, caiu com tudo e precisou de ajuda no processo de separação:”bikeXpessoa”. Ganhou um tornozelo inchado e uma meia lascada de presente.

Bastava fazermos o trekking pela areia da praia até a chegada. Fomos o mais rápido que pudemos, buscando reduzir o nosso tempo de prova. Uma puxava a outra, seguimos alternando corrida com trekking por todo o trecho até o Jardim dos Namorados. A união fez a maior diferença e a nossa chegada em quinta posição aconteceu com festa.

A prova foi linda! Divertida! Nos sentimos muito confiantes com as palavras de estímulo que recebemos dos amigos.

SHOOOOW!!

Taty: Mulher retada! Sempre concentrada, poderosa, preparada, vitaminada!! Ninguém ouvia a respiração dela. Tenho que treinar mais pra acompanhar esta moça!

Saroca: Uma fofa! Caaalma! Tranquila, atenta, forte, prestativa, corajosa! Parece que nasceu fazendo Corrida de Aventura.

Gabi: Nossa!! Essa daí nem se fala! Não teve tempo para se dedicar aos treinos como gostaria. Mas Gabriella ri na cara do perigo! Não tem palavrão que ela não saiba pronunciar! Não tem sofrimento que a faça parar! É força bruta mesmo! E o passo dela dá a conta fechada! Nunca vi um negócio daquele!!

Vivendo e aprendendo, correndo e aprendendo. Navegar com equipe é bem diferente de uma prova solo ou de orientação. Se lenhar sozinha é diferente de botar todo mundo pra se lenhar. O desgaste é maior, a responsabilidade também! Nesse dia, cheguei em casa exausta, com sono e preguiça! Mas o sentimento era de êxtase, de felicidade plena e absoluta!! Não cabia em mim de alegria!

Nossa primeira prova foi um sucesso!

Ser ou não ser!?



Ser Penélope é ser bonita, arrumada, organizada, delicada, cuidadosa, alegre, meiga, doce e gentil.
Ser Agreste é ser corajosa, arrojada, determinada, decidida, firme, ter atitude, é verdadeiramente, tomar as rédeas da sua vida na maioria das situações.
Os adjetivos não estão todos aí. Mas, o grande desafio da vida de uma mulher é dosar o lado Penélope e o Agreste. Na verdade esse é o desafio do ser humano: ter noção do limite do comportamento. Saber como se comportar diante do que a vida lhe impõe. Vovó dizia sabiamente: "tudo demais são sobras!". É verdade! Saber o limite, até onde podemos ir, é uma atitude, no mínimo sábia. O segredo é ser tudo, sem passar dos limites. Que difícil!