quinta-feira, 31 de março de 2011

Onde dormir no Ecomotion!?

   O Ecomotion é uma etapa do Mundial de Corrida de Aventura. A prova mais importante do Brasil! Super reconhecida no mundo! Estamos realizando um sonho de participar dessa festa! Vem gente de tudo que é canto do mundo para participar. Nesse ano, serão aproximadamente 600km. Só de bike tem 300. De trekking, 145km. Canoagem, mais 155. Natação, mais um pouquinho. Fora a parte de técnicas verticais, que envolve escalada, montanhismo, ascensão, rappel. Soube que a parte de verticais está super técnica!
   Deu frio na barriga de novo! A pessoa tem que fazer os 600km em, no máximo, 5 dias. Tem dormida obrigatória de 8 horas no percurso da prova em pontos pré-determinados. Isso é o obrigatório! Foi assim no último ano. Se a equipe quiser dormir mais, pode. No chão, no relento, na transição. Só lembrando que dormir também é tempo de prova gasto. Ou pode ser um descanso pra melhorar o desempenho. Isso é bem difícil de decidir!
   Outro dia meus colegas de trabalho me perguntaram se levava barraca durante a "caminhada". Não gente! Não tem barraca nenhuma! É no chão mesmo! No meio da estrada, no meio da trilha. Onde achar! Se enrola num saco de alumínio, no caso de frio. Com cuidado pra não se deitar em cima de formigueiro ou perto de moitas! Só! E dorme!
   Lembro da última prova que fiz! A que fui com a Makaíra... Foi engraçado! Eu, "crente que tava abafando" (esse palavriado é lá de Catu!), que teria alguma estrutura. Cheguei morta de cansada, já na segunda noite no mato, sem dormir. Então perguntei ao PC (que é uma pessoa que fica no Posto de Controle):
   - Onde é que nós vamos dormir?
   Ele respondeu gentilmente:
   - Ali, no curral!
   Fui para o curral, onde tinha uma lona com atletas espalhados, roncando, gastando suas horas de sono. A princípio, pensei nos carrapatos que podiam grudar em mim. Depois, procurei um lugarzinho pra me espichar e cai no meu sono reparador no meio do estrume, sem nem sonhar que carrapato poderia existir na face da terra.
   Nem preciso dizer que, se quisesse mole, ficaria em casa no quentinho da minha cama! Mas, foi uma situação hilária! Eu estava viajando que teria uma barraca para cada equipe. Ai! Ai! Só rindo!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Tensão Pré Ecomotion



Nossa! Dá um frio na barriga só de lembrar que está chegando a hora! Quando paro pra pensar na quantidade de coisas que ainda tenho pra resolver. Meu Deus! Vai dar tempo! Vai sim! E vai ter dinheiro! Vai sim! Parece que os dias vão ficando mais curtos. E cada vez que explico a alguém como é correr uma prova dessas, fico ansiosa pra chegar logo o dia. Ao mesmo tempo, me preocupo com a quantidade de coisas que falta resolver. Que doido!

Passei o dia trabalhando e tentando vender as camisas. Todos os amigos estão se mobilizando pra comprar! Ficaram lindas! Vejam aí! Estão quase esgotadas! Tive que botar a foto de Fred pra vocês verem a camisa. Não sei onde foi parar a foto com o layout que estava nessa postagem. Com a perda de todas as fotos, vai a foto desse componente da equipe.

Estamos vendendo por R$50,00 para ajudar nos custos da prova. É uma grana doida!

Só pra não deixar de falar em treino, ontem, fui direto do trabalho para a rua K. Remamos uma hora. Vim pra casa sem muita conversa pra pegar filhota na escola. Pois é! Deixar de ser mãe nem pensar! Então alimentei minhas crias e fui fazer o treino de corrida. Voltei cansadona! Ainda bem que falta pouco! Não aguento mais essa rotina de treino! Quando acabar, vou ficar duas semanas sem pensar em treino. Só duas!? Vou ficar um mês!

terça-feira, 29 de março de 2011

Teste da coluna

   Treinar em trilha no meio da semana é o "Ó do Borogodó"! Pode acontecer de tudo! Um pneu furado atrasa trabalho, atrasa tudo! Por conta do meu vexame do fim de semana, topei a parada com Fred. Fui treinar na trilha na segunda-feira. Só tinha uma prova de Inglês às 10h. Era quase impossível perder a hora.
   Saímos daqui às 7h para 40km. Estava tudo às mil maravilhas! Ritmo bacana! Não senti nem uma dorzinha de coluna! Meu corpo se comportou muito bem! Mas, a bicicleta de Fred não foi muito legal com a gente. O pneu furou depois do quilômetro 20! É brincadeira!? E foi daqueles furos que não baixa o pneu de vez. Dá pra encher com a bomba e andar 5km. Depois enche de novo e anda 5km.
   Insisti pra fazer a troca. O tempo tava passando! Procurei manter a calma! O máximo que aconteceria era uma segunda chamada de Inglês. Nada de muito grave se eu não fosse uma "CDF" depois de velha. Tome-lhe encher pneu! E Fred saía igual a uma "piaba doida", correndo para não perder tempo!
   Que coisa! Cheguei em casa 9:35h, subi doida pra tomar banho, vesti o vestido mais fácil de encaixar no corpo, comi o que pude e saí correndo pra fazer a minha prova.
   A coluna se comportou muito bem! Mesmo assim, vou fazer a troca da suspensão! Preciso fazer a troca! Numa prova como a Ecomotion, não dá pra arriscar com uma suspensão "meia boca". Já basta a bicicleta, a Judite, que não é nenhuma Brastemp.
   Sobre fazer trilha no meio da semana? Hum!! Continuo achando uma furada! Peço desculpas aos amantes de trilhas de todos os dias da semana! Só vou se tiver de férias!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Dia de mãe.

   O Ecomotion exige sacrifícios que deixam a pessoa com a consciência pesada. Tem horas em que tenho vontade de ser mãe! Só mãe! Poderia ser assim, não é?! Escolhermos o papel do dia. O que quiséssemos ser naquele dia. Mas, a gente já sabe que se fosse fácil não teria graça!
   Então, no domingo, fui fazer o treino de remo. Só remo! Acordei 5 da matina e fui até a rua K, onde a turma já me esperava para treinar. Remei uma hora e voltei pra casa. Tinha compromisso com as crianças. Passeio de bicicleta da escola no domingo pela mahã.
   Tiago não se animou muito! Mas, a filhota tava me esperando toda serelepe, na porta de casa, pronta! Acordou bem cedo! Então, arrumamos tudo pra sair. Mas, choveu tanto que a frustração aconteceu na mesma proporção da chuva. Uma pena! Aproveitei pra dormir um pouco. Ainda tava cansada do treio do sábado, não vou mentir. Sou atleta! Não tem jeito!
   Mas, rolou um cineminha à tarde! Com direito a muita pipoca, refrigerante e sanduíche na saída. As crianças se esbaldaram! Aproveitamos pra dormir bem cedinho, todo mundo junto! A chuva estava convidativa! Dormimos todos juntinhos e bem cansadinhos! Na mesma caminha! Eu amo meus filhinhos!

sábado, 26 de março de 2011

Que treino, viu?!!!

Parecia que a gente tava de "mau olhado". Sabia que a minha suspensão dianteira não tava lá essas coisas todas, até sonhei que não deveria treinar com a bike assim. Acho que já era Zé, o meu anjo da guarda, tentando me avisar. De manhã, nem queria sair da cama. Nunca tenho vontade mesmo! Os meninos chegaram e saímos da minha casa para a trilha.

Eu, Mauro, Fred e Scavuzzi fomos para a trilha de Abrantes com o objetivo de deixar a bicicleta numa casa conhecida no caminho para fazer o trekking/corrida pelo barro também. Queríamos sair do asfalto de qualquer jeito!

Mauro e Fred estão se acostumando com sapatilhas e pedal clip. Caem por nada. Param e esquecem de destravar a sapatilha do pedal. Mauro já começou caindo na portaria do meu condomínio. O porteiro não entendeu nada! A gente se pipocou de rir! Dessa e de outras tantas quedas deles dois.

Meu Deus! Não sabia que uma suspensão em bom estado fazia tanta diferença. Pelo asfalto, o negócio foi beleza. Do estradão de barro em diante, a coisa começou a ficar preta! Primeiro a suspensão travou no ponto mais baixo. Parei para destravar e tudo voltou ao normal. Aliás, mais ou menos. Não tão boa não. No meio da trilha já estava com o corpo todo dolorido! A coluna não prestava mais pra nada! Pensei que era falta de condicionamento e comecei a ficar deprê. Não só a coluna, como os braços, o tórax, o quadril. Nossa! Fiquei arrasada! Nunca pensei que fosse ficar tão dolorida numa trilhinha tão básica! Ficava pensando que, se estava sentindo tanto ali, imagine no Ecomotion. E a cabeça também começou a doer! Fiquei desesperada! Parei várias vezes pra ver se me sentia melhor.

Dos meninos, Mauro estava melhor! E Fred, não sei o que deu nele, tava todo acabado! Sentindo bastante! Nem acreditei quando subiu a ladeira empurrando a bike. Mas todo mundo tem dia ruim de treino. Nesse caso, fomos todos empurrando mesmo!

Continuando... Chegou um momento em que as minhas costas doíam tanto que comecei a respirar com dificuldade. As lágrimas começaram a descer. E olhe que não sou nem um pouco fresca! Tava quase no fim da trilha, faltando dois quilômetros mas, não conseguia pedalar nem mais um metro. Saí da bicicleta quando a falta de ar ficou insuportável. Deitei no chão, Scavuzzi levantou minhas pernas e tentou me acalmar. Foi quando fui melhorando e saí pedalando devagar até o Sítio onde deixaríamos as bicicletas. Pensei em desistir daquele treino várias vezes! Mas, sou bem teimosa, embora acreditasse que meu problema era por falta de condicionamento.

Ao contrário do que pensei, o trekking foi super tranquilo! Só precisava mesmo me livrar da bicicleta com suspensão problemática para esquecer completamente todas as dores! E para perceber que realmente, a suspensão não servia mais. Acreditem! Tive poucas caruaras em treinos. E esse não merecia todo o drama pelo qual passei.

Resultado! Acabou todo mundo sequelado mesmo! Tinha que arrumar umas coisas da corrida mas, só consegui fazer tudo depois de comer e descansar um pouco. Tava "Mortinha da Silva". Para completar, vou ter que comprar uma suspensão nova para Judite, a minha bicicleta. Todavia, pior seria se descobrisse isso no meio da prova. Imaginem!? Tive sorte então!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Faltam duas semanas para o Ecomotion!



Tadeu, nosso preparador físico, já disse que agora não adianta treinar para aumentar condicionamento. Ou seja, quem treinou, treinou, quem não treinou, não adianta mais. O que precisamos fazer é manutenção até o dia da prova, além de alongamentos.

A turma da Millenium já confirmou que vai chegar junto, junto com a gente. Vai acompanhar a prova de perto! Vai todo mundo pra Porto Seguro! A Millenium dá um apoio absurdo ao nosso esporte. Todas as cinco equipes da Bahia que vão para o Ecomotion estarão com o nome da Empresa. Além de nós, vai a Insanos, a Makaíra, a Gantuá e a Olhando Aventura. E estão todos se empenhando em treinar e fazer o melhor dentro da prova.

Os preparativos vão bem, obrigada! Mas tem muita coisa pra resolver! Nesse fim de semana, tem reunião para conferir o checklist de tudo para evitar surpresas em cima da hora. Mesmo assim, ainda rolam as surpresas. Fiquei com a alimentação e os kits de primeiros socorros para providenciar. Eu e Fred vamos resolver isso. Mauro e Scavuzzi estão vendo os equipamentos coletivos. Pedi muito para os meninos se empenharem para fazer tudo sem mim. Eu sou muito chata mesmo! Quem disse que eles não conseguem fazer as coisas sem mim? Só eu penso isso!

As camisas promocionais ficarão prontas amanhã. Vamos vender camisas para fazer o dinheiro render. Estará escrito "Eu patricinei essa aventura!" e tem umas imagens bem legais! Será um sucesso de vendas! Daqueles sucessos que demandem a confecção de mais camisas para arrumarmos mais dinheiro para cobrir todas as nossas necessidades.

E os treinos continuam! Hoje teve remo de fim de tarde na rua K. Pensem num mar mexido! Já entrei enjoando! Ainda achei um diacho de uma caravela pra me queimar. Minha mão está toda vermelha! E tinha uma linda tartaruga marinha por lá! As ondas estavam imensas! Colossais! Fizemos umas voltas por ali mesmo para evitar problemas. Foi um bom treino! Só faltam duas semanas para a largada! Já está dando um frio na barriga!

terça-feira, 22 de março de 2011

Um dia daqueles!

Combinei comigo mesma que faria um treino de corrida na segunda de manhã, antes de ir trabalhar. Segunda é folga de treino! Resolvi boicotar a mim e ao meu treinador.

Amanheceu! A chuva da madrugada ainda caia! Missão abortada! Levei meu filhote à escola pro bichinho não chegar ensopado na aula e voltei pra casa pra me arrumar pro trabalho.

O dia foi difícil! Lauro de Freitas é uma cidade totalmente despreparada para a chuva! Não há lugar que não alague. O comércio fica prejudicado, as pessoas ficam ilhadas em suas casas, os carros quebram no meio da rua, os congestionamentos crescem e algumas escolas cancelam as aulas.

Prefiro ver o lado bom das coisas. Mas, tem horas em que fica complicado! Por conta da chuva, todos os meus pacientes desmarcaram suas consultas. Todos mesmo! Às vésperas do Ecomotion, preciso trabalhar bastante para deixar todas as contas em dia. Acabei levando mesmo na esportiva! Fui ao mercado, resolvi pendências domésticas pela manhã. Passei por duas poças d'água inacreditáveis com o meu jipinho, vendo a água bater em minha porta. As pernas tremeram loucamente! Meu carrinho chegou a patinar mas, resistiu.

Depois do almoço, saí correndo pra ver se conseguia relaxar. Corri pensando em minha vida! No sacrifício para realizar o sonho de participar do Ecomotion com a minha equipe, a Aventureiros do Agreste. Pensei em minhas crianças, que são super compreensivas, me dão a maior força. Pensei que passaria uma semana sem trabalhar, consequentemente, sem ganhar um centavo. Totó vai pro hotel de cachorro, tadinho!! Ou será que devo ter pena de quem vai tomar conta dele?! Totó é um caozinho danado!! Ainda tem coisa pra caramba pra resolver da prova!

Nesses momentos de agonia, corro fazendo oração, conversando com meu anjo da guarda, mentalizando coisas e notícias boas. A chuva lavou a minha alma, tirando, em parte, as minhas preocupações.

Esse foi apenas mais um dia antes da chegada do grande dia! Correr o Ecomotion significa para nós, mortais, um sacrifício que vai além de treinar para a prova. É sacrifício coletivo, familiar, social, financeiro! Vale a pena tudo isso, não há dúvida!

domingo, 20 de março de 2011

Treino com chuva

   Às vésperas do Ecomotion, nem preciso dizer que sábado tem treino. Chova ou faça sol! O serviço de meteorologia e o surfista Fred avisaram que a chuva cairia! Vocês viram que agora é vento sul?? Nem eu! Mas o Fred sabe! Coisas de surfista!
   Mauro me ligou cedinho pra avisar que foram muitos relâmpagos à noite, arrumando desculpa pra não treinar. Tava doida pra continuar a minha soneca, não posso mentir! Ligou pra Scavuzzi, que já estava dentro do carro, irredutível. Treinaria mesmo que chovesse canivetes! O Fred mandou uma mensagem, dizendo que tava chovendo muito, logo, não iria.
   Marcamos então na rua K. O pedal estava certo! Remo, só se o mar não estivesse muito nervoso.
   Quando cheguei lá, Scavuzzi estava montando sua bicicleta embaixo de um guarda-chuva verde "lusqui-fusqui". Mauro tava embaixo da chuva mesmo, tentando trocar o pedal simples para pedal de clip. Só choviscava. Montei a minha bike no chovisco mesmo e fui dividir o guarda-chuva com Scavuzzi. Mauro ainda insistia em tirar o pedal, embora nem soubesse se a rotação que estava fazendo apertava ou folgava o pedal.
   Assim que a chuva virou um "toró" (em baianês significa chuva muito forte), corremos pro meu carro. Ficou tudo do lado de fora mesmo! Se o ladrão resolvesse aparecer às 7 da manhã na rua K, estava feito. Que pessoal sem noção! Em reunião extraordinária dentro do carro, conversamos sobre marketing, logística, uniformes, equipamentos e todos os detalhes da prova. Tinha até caneta e papel para ata!
   A chuva melhorou um pouco. Não dava mais pra enrolar. Pedalamos até o terminal de cargas do aeroporto, onde fica mais seguro dar umas voltas. Mas, até lá não tem nada seguro! É selvageria pura! A água que estava no chão vinha toda pra nossa cara! Os motoristas não tem nenhuma pena de jogar o carro na poça d'água e nos dar um banho de água suja. Quando não jogam o carro em cima da gente! O movimento de carros começa a aumentar depois das 7h por essas bandas. E poucos respeitam os ciclistas aqui na Bahia.
   Fizemos umas voltas pelo terminal de cargas e voltamos para a consulta com a nossa nutricionista, Ana Leiro. Só que a pessoa não pode chegar na casa dos outros daquela maneira! Toda molhada, suja de areia, graxa de bicicleta, cabelo embolado. Levei um kit de emergência e troquei de roupa dentro do carro. Ainda ficou areia em vários lugares. O cabelo não teve jeito não! Ficou embolado. Os meninos também se trocaram! Tá pensando!? Eu que não levasse uma muda de roupa! Ainda passamos na padaria pra tomar café com leite.
   Chegamos em Ana, Fred já estava lá, todo limpinho. Conversamos bastante! Scavuzzi precisava ser avaliado, e sua alma também. Já contei que Ana avalia a alma da pessoa?? Pois é! Ela olha até a alma! E a conversa acabou depois de meio-dia, ao som de Pepeu Gomes, comendo passas, castanhas e ameixas. Então, cada um foi cuidar de suas vidas, de suas famílias, de suas casas. E a chuva continuou!

sexta-feira, 18 de março de 2011

O desafio!

Sabem aquela postagem do fim de semana? Aquela entitulada "No mato sem cachorro"?! O pessoal da Caatinga Trekkers fez um pequeno release e publicou as fotos no site deles.
















Só pra vocês terem uma idéia da pessoa com frio.

As fotos ficaram ótimas! Tem a turma toda. Tem foto da Dona Amália, da casa dela, do rio Paraguassu, de todo mundo enrolado no saco de lixo! Do morro, da fogueira.. Vale à pena conferir!

quinta-feira, 17 de março de 2011

Vale de tudo pra treinar!

    Combinei com Fred de treinar remo em Itapuã, no fim da tarde, depois do trabalho. Terça e quinta é dia de ir trabalhar em Salvador e a gente se vira nos trinta pra treinar. Só que esqueci minha roupa em casa! Não dava pra remar de vestido e saltinho! Nem dava pra voltar em Vilas pra me trocar, depois ir pra rua K. Ficava tarde! Então botei a cabeça pra funcionar. Pensa, pensa, pensa, pensa! 
   Acertei tudo com meu amigo de treino. Foi um tal de ir e vir, de leva e traz! Sei que peguei uma roupa emprestada com ele, botamos a sua bike em meu carro, fizemos um balacobaco retado mas, conseguimos chegar cedo na rua K para o nosso treino. 
   Frederico das Cavernas até comentou que o mar estava a coisa mais linda do mundo! Lisinho! Também achei mas, sempre soube que tem um lado negro no mar de Itapuã. Ele fica nervoso no meio do treino. Não comentei porque o rapaz é um exímio conhecedor de mar. Melhor não ficar cutucando, muito menos agorando o mar!
   Vesti a roupa dentro do carro. Estou expert nisso! Mas o modelito foi inovador, dessa vez! Na roupa, cabiam duas de mim! E, aqui pra nós, não me importo nem um pouquinho com esse pequeno detalhe. Queria treinar e fiz o que tinha que fazer! Só não dava pra ser de calçola e sutiã. Então ficou ótimo!
   Entramos na água felizes e contentes às 16:30h, em direção a Piatã! A coisa começou a perder a lisura com 5 minutos de treino. O vento se retou e começou a chacoalhar tudo. Parecia até que tava chovendo. Então achei que era melhor a gente voltar e ficar dando umas voltas na parte lisinha. Alguém aqui conhece Fred?! Não?! Fred achou que era melhor a gente viver todas as adversidades de um treino. Porque treino bom tem adversidades! E continuamos até dar meia hora de treino.
   Paramos, bebemos uma aguinha, voltamos. Vocês nem acreditam! O vento, que estava contra na ida, ficou totalmente contra na volta. A gente não conseguia nem remar direito! Fred se controlava pra não reclamar, dava pra perceber. Eu, por minha vez, devo ter começado a irritar com meu bom humor insuportável. Tô tão acostumada com perrengue que um mar revolto nem me abala. Fico só arquitetando o plano B. Mas, sem esculhambação, nem ligo. A não ser que a coisa fique muito punk. E demora pra eu achar isso! 
   Sei que a gente demorou pra caramba de chegar em terra firme! Sabe quando você rema e não sai do lugar? Aquela referência que você olhou há 10 minutos ainda está no mesmo lugar?? Meu amigo ficou puto da vida com aquele treino nervoso! O treino acabou 18:15h. Era pra durar só uma hora! Então, Fred voltou para a Barra de bicicleta e eu fui pra casa com meu carro. 
   Hoje (quinta-feira) montamos um esquema parecido com o da terça. Peguei Fred e sua inseparável bike, e encontramos com Scavuzzi na rua K. O comentário do mar lisinho rolou outra vez e dei muita risada! Por sorte, tava muito legal mesmo! A lua apareceu, a tarde caiu e a noite em Itapuã ficou uma beleza com o mar lisinho. Só que, dessa vez, esqueci de pedir a minha vizinha pra pegar minha filha na escola. Fui lembrar disso no meio do mar! Dei um grito como se isso fosse adiantar alguma coisa. A gente tava longe pra caramba! Não dava tempo! Remei forte pra chegar logo! Seria um atraso sem precedentes! E Fred ainda tinha que tirar sua bicicleta do meu rack, vestir a sua roupa de ciclista, calçar sapatilhas, colocar o fone do mp3. Sem contar com o tradicional banho de mangueira pra tirar o sal do corpo. 
   Gente! Vou dizer uma coisa pra vocês! Além de ter muita sorte, tenho um anjo da guarda muito bacana! Zé (é como eu o chamo) me ajuda sem que precise pedir. Ou será que ele ouviu meu grito? Pois, a mãe da amiga da minha filha me ligou, perguntando se eu queria que ela levasse Tila em nossa casa. Ohoooh! Eu quase desmaiei de felicidade e fui pra casa traquilex. Deu tempo de passar na padaria. Jantei com as crianças e fui terminar meu treino na minha bicicleta. 
   Parece até que o treino da semana se resumiu nisso!? Não! Ainda corri na terça, pedalei na quarta... cansei!

terça-feira, 15 de março de 2011

No mato sem cachorro



A organização da Carrasco propôs retornarmos àquela serra perto do rio Paraguassu para atingirmos uns pontos que não foram alcançados pela maioria das equipes na última etapa. Desafio de orientação! Mauro se candidatou de imediato, mas esqueceu de avisar que eu iria com ele. Tava sem tempo de acompanhar os emails. Alegou que precisávamos afinar a navegação para o Ecomotion.

Foi tudo de última hora! Conclui, na minha cabeça doida, que ele se encarregaria dos detalhes. Só esqueci que todos pensam que sempre me lembro de todos os detalhes. Na verdade, já fui muito boa nisso! Atualmente, deixo o mar pegar fogo pra comer peixe frito.

Fizemos o treino de trilha de bicicleta do sábado de manhã, voltei pra casa corrida, comprei a comida de Totó pra ele não morrer de fome, as crianças viajaram com o papai Xuxu, dei as coordenadas a Neusinha, pedi pra vizinha alimentar Totó à noite, joguei comida numa sacola. E peguei a estrada crente e abafando que voltaria pra casa até o amanhecer do domingo.

Na estrada, já fomos percebendo que não tínhamos tudo o que precisávamos para passar a noite na serra, no meio do mato. Nem achei que passaria a noite. Mauro checou os faróis remendados. Fomos lembrando das coisas que esquecemos durante o trajeto de carro. Esquecemos de quase tudo. Então Mauro comprou uns sacos de lixo de cem litros e papel alunínio em rolo num posto de gasolina para qualquer urgência. Vocês vão rir depois!

A concentração foi na casa da Dona Amália, uma senhora muito distinta, educada, conversadeira e hospitaleira que mora numa fazenda lindíssima, antiguíssima, na beira do rio Paraguassu. Que casa aconchegante! Portas e janelas gigantes! Piso de tijolo cru, móveis de madeira coloridos com tecidos de florzinha, fotos dos netos, dos filhos, antiguidades. Fiquei encantada! Lembrei da minha terra, dos meus pais.

A serra detrás da casa da Dona Amália era o nosso objetivo. O tempo avisava que a noite seria de aventura. E eu ficava ali pensando porque que não estava no cinema com as minha amigas em pleno sábado à noite, como qualquer pessoa normal. Ai... ai!

A turma que compareceu era das melhores! Só gente bacana, engraçada, de alto astral. Éramos uns dezesseis para subir a serra, contando com a organização. O objetivo era atingir três pontos durante a madrugada, o que dava um trekking de uns 20km para quem fizesse pelo caminho certo. Nos deram rádios e monitoraram a área durante todo o tempo. Navegação casca grossa! Não era corrida, apenas um desafio.Todos poderiam ir juntos, se quisessem.

Partimos às 19h, num pequeno trecho de trekking até a beira do rio. Lá, o Sr. Antônio nos atravessou de 5 em 5 até o outro lado numa canoa caiçara que balançava horrores, como toda canoa caiçara que se preze. Enquanto esperávamos pelos outros, as nuvens negras iam se aproximando cheias de raios e trovões. Pro lado da serra era tudo preto! Dava medo de olhar. Cada raio que clareava o breu da noite todinho. Fiquei ali, deitada na beira do rio, pensando na probabilidade de um raio cair em minha cabeça. Onde deveria ficar para não ser atingida? O que tinha que fazer? Acho que nada! Rimos, eu e Mauro, dizendo que faríamos tudo rastejando porque o raio só pega nos pontos mais altos.

Depois de juntar todo mundo, Paulinho, da Caatinga Trekkers, fez um rápido briefing com recomendações de ataque aos pontos e deu a "largada". Resolvemos fazer o melhor trekking que pudéssemos para valer a pena o treinamento. Lila, nossa amiga da Bike Rei, se juntou a nós desde o começo. Ficamos em três.

A parte de baixo foi bem fácil de resolver! Pegamos o PC14 na subida da serra, junto com todos os outros, bem como os prismas virtuais. Então começamos a subir com faróis em punho e passos rápidos. Nos afastamos e encontramos os outros atletas muitas vezes. Entramos e saímos em algumas trilhas até acharmos a subida certa. Lila aprendeu rapidinho a contar passos, o que ajudou demais em todo o desafio, pois falo tanto que perco as contas toda hora.

Subimos a serra noite adentro, passando por pedras e galhos, desviando de teias de aranha, suando e respirando fundo. Lá em cima apareceu o primeiro lajedo que levava a um emaranhado de trilhas. Fomos tateando trilha por trilha e conferindo o azimute com a bússola. Demoramos um pouco, encontramos a organização. Evinho, o PC, apareceu dizendo que a mochila dele era a referência. Então partimos em busca da mochila. Foi engraçado que, depois de algum tempo procurando, cheguei perto dele e falei "agressivamente": "ONDE ESTÁ A SUA MOCHILA!! DIGA AGORA!". Tivemos que procurar mesmo, pois ele não disse.

Depois de uma meia hora de busca, lá estava a mochila de Evinho. E a organização pediu que ficássemos todos juntos, esperando o grupo inteiro reunir para partirmos novamente. Só que a chuva começou a cair, o frio bateu forte naquele lajedo em cima do morro. Lembram dos sacos de lixo de 100litros?? Pois! Abrimos buracos para a cabeça e os braços nos sacos de lixo azuis. Ainda cobrimos Evinho todinho com o papel alumínio. Ficamos todos embalados. Sentamos no chão. Era quase 1h da manhã. Fazia muito frio e eu só pensava no meu cachorro que ia morrer de fome. Pensava também porque que eu era tão maluca! Como é que a pessoa se desembesta pelo mato em pleno sábado à noite, numa chuva retada, um frio de lascar!? Porque não pegar um cineminha e ir pra casa dormir? Só que também lembrava que escreveria tudo isso, e diria o quanto amo fazer essas maluquices. Na verdade nem acho maluquice. Sinto-me muito à vontade no meio do mato! E a coisa nem tinha chegado à metade.

A chuva passou. O frio não! Tive a idéia de fazer uma foqueira mas, só foi a idéia. Lila, Betinho, Mauro e Evinho foram procurar gravetos e organizar as pedras para a fogueira. Marcinha achou um isqueiro na mochila. Tentei pegar uns gravetos enquanto batia os dentes. Deve ter demorado uns 15 minutos pro fogo pegar, o que pareceu uma espera sem fim. Tive vontade de entrar na fogueira. Parecia aqueles frangos de televisão de cachorro, girando perto da fogueira. Com todo cuidado para meu anorak de saco de lixo azul não queimar.

Junto com a fogueira, os ânimos também se acenderam. Apareceu até farofa de frango de posto de gasolina pra gente comer. Fruta, chocolate, biscoito. Começamos a ouvir as vozes, até que, enfim, apareceram os outros. E teve mais comida e mais conversa.

Paulinho deu as instruções para atacarmos o último ponto. Partimos novamente. Eu, Mauro e Lila continuamos juntos. Encontramos e desencontramos a turma muitas vezes, até que sumiram todos para sempre. Eternamente! O tempo passava! Nos embrenhávamos cada vez mais pela mata! A gente subia, descia, subia descia, caia, subia, comia mosquito, tropeçava em cipó, pulava árvore caída. Era teia de aranha pelo meio da cara toda hora. A região era muito íngreme! Eu dava pitaco toda hora na navegação. Atrapalhei com tanto pitaco.

O pessoal começou a gritar para nos localizar. A brincadeira estava encerrada! Só que a gente não sabia direito de onde vinham as vozes. Ora parecia que estava de um lado, ora de outro. Eu, Lila e Mauro estávamos numa ribanceira, presos, sem saber como paramos ali, muito menos como sairíamos.

Abrimos o rádio! Evinho dizia para irmos para o sul. Mauro respondia que não tinha como sair de onde estávamos. Eu me acabava de rir, imaginando Lila, coitada, que foi com a gente confiando em nossa navegação. Mauro disse umas quatro vezes que não dava pra sair dali e parado ficava. Só rindo mesmo! Se Mauro que é Mauro, que já escalou até o Pão de Açúcar, não sabia como sair dali, imagine a gente!? Então o desafiei, perguntando se estava esperando um helicóptero descer naquele fim de mundo para nos resgatar. E a figura, finalmente, lembrou que aventureiro, que é aventureiro, sabe sair do meio do mato, mesmo que não saiba onde vai parar. Saiu rasgando mato e comendo mosquito a três por quatro!

O dia estava claro quando conseguimos achar o resto do pessoal. Quase todos dormiam dentro de sacos de alumínio. Outros tremiam de frio. Comemos um pouco e nos preparamos para a volta guiada, graças a Deus. Lembrava que meu "au-au" poderia morrer de fome. E era muito chão pra voltar! Eram 6h da manhã. O trekking duraria mais de 2h. Ainda tinha estrada. Meu cachorro ia ficar com fome por muito tempo.

Fizemos o trekking em 2:30h. Enquanto descíamos, pensei que não deveria me sentir nem um pouco decepcionada por não ter conseguido chegar até o último ponto sem uns gritinhos pra ajudar. Fizemos o que pudemos e chegamos bem perto. O pessoal da organização desceu de GPS, só pra vocês terem uma idéia. E se perdia um pouco na trilha. Vi que era muito difícil mesmo! Muito mesmo! A descida foi cansativa, as minhas pernas estavam cansadinhas. Sentia fome. Foi um alívio atravessar o rio na canoa de Sr. Antônio. A casa da Dona Amália nunca pareceu tão longe.

Dona Amália mais uma vez deu um show de hospitalidade! Tinha banho quente, toalha limpa, café com cuscuz e muita conversa boa.

Cheguei em casa umas 3 da tarde! Totó nem morreu nem nada! Tava todo serelepe e contente, como sempre. E acho que comeu folhas enquanto a comida não aparecia, porque peidou muito fedorento enquanto jantávamos. Bati uma feijoada deliciosa e fui dormir feliz da vida com mais uma aventura inesquecível no meu curriculum, que vou contar para os meus filhos e para os meus netos.

quinta-feira, 10 de março de 2011

De volta ao batente!




Pois é! Depois de uma semana de Carnaval, trabalhando pesado, ao contrário do que muitos pensam(rs!), estou de volta ao batente. Mas, que a Timbalaba traz axé, isso traz! E essa vida de Penélope tá um sufoco! E, se a Penélope for pro Ecomotion, é que a coisa fica preta!

O treino ficou pra noite. Um soninho gostoso me seduziu até o último minuto. Então a minha nutricionista nem pode ler que meu café da manhã ficou pela metade, pendente para o lanche das 10h. Corri para o médico às 8h, consegui chegar no trabalho às 9h. Perto do almoço fui direto para a barraquinha de frutas da beira da Estrada do Côco pra abastecer a casa. Não encontrei tudo! Que chato! Mas aproveitei pra tomar a velha e deliciosa água de côco. Então passei no mercado pra concluir as compras, afinal, na barraca de Sr. Roni não vende frango, muito menos peixe! Chegando em casa, almoço de 15minutos com minha filha pedindo pra fazer o penteado. Ainda deu tempo de comer a jaca dura de sobremesa e lavar bem as mãos para o penteado não ficar com cheiro de jaca! O penteado não caiu no gosto da freguêza. Tive que concluir na porta da escola. Fazer o quê!? Mas ficou bonita!

Corri para o trabalho do outro lado da cidade, lá em Salvador! Sinceramente, meu anjo da guarda me dá uma forcinha! Não conseguiria sem ele. Parece que o trânsito fica melhor! Cheguei na hora certinha, às 14h. Ainda deu pra mandar uns emails e resolver uns babados da corrida.

De volta para casa, bati uma papo cabeça com o meu mais velho que está naquela fase de adolescência. Aquela que irrita a gente um pouco mas, se a gente desistir é pior! A figura fica no mundo da lua! Você acaba de pedir uma coisa e, bastam dois segundos para ele esquecer até da sua existência, imagine do que foi pedido! RS!! Mas eu não desito dele! Tomamos um lanche bem gostoso ao som do seu inseparável violão. Lembrando a ele que a pessoa tem que cortar os cabelos do suvaco, que o bigode cresce mesmo, que aquela foto da mulher da revista tem fotoshop e silicone. Pensem aí?!

Então fui buscar Tiloca com o nosso au-au, o Totó. Peguei a mocinha já com outro penteado!! (Não! Acho que não agradei mesmo!) Arrumei seu jantar e montei o rolo pra fechar o dia com chave de ouro. Pedalando! Treinando! E treinando, ainda rola (do verbo rolar, por favor!) uma ajudinha na pesquisa de geografia da pequenina.

E vamos nessa que amanhã é outro dia! Que loucura! Preciso dormir! Tô cansadona!

quarta-feira, 9 de março de 2011

Trekking do Carnaval





















"Tanto tempo longe de vocês... quero ao menos lhes falar.."

Tinha certeza absoluta de que daria para treinar no carnaval! .. "A Timbalada traz axé pra você!".. Essas músicas não saem da minha cabeça. Tadeu mandou a minha planilha e comecei bonitinho na terça. O detalhe é que trabalharia de 8 às 20h de quinta à terça dentro do circuito. Como é que eu poderia achar que daria tempo pra treinar? E ainda nem contei pra vocês que "sooooou timbaleeira!" Olha! O negócio foi uma verdadeira loucura! Trabalhei todos os dias do carnaval de Salvador nesse sol quente no meio da cara, só no trekking. No sábado teve Timbalada.

Minha amiga e colega de trabalho Nirlene levou maquiagem pra eu não ficar dismilinguida no meio do bloco. Ou seja, assim que acabasse meu turno de trabalho teria que correr pra pegar o bloco na Barra, que estava marcado pra sair 18h, onde quer que ele estivesse. Tava combinado de encontrar Lucy na muvuca toda! Mas nem imaginava que a muvuca fosse tanta.

Ao final do expediente, desci do carro no Garcia, depois da maquiagem e do penteado, e saí correndo feito louca pelo Campo Grande em direção à Vitória. Corri o Corredor da Vitória todo e cheguei esbaforida no prédio onde estava hospedada. Radipamente, fui até o apartamento, joguei uma água no corpo com todo cuidado pra não borrar a sombra dos olhos, vesti minha roupa de Timbaleira e fui embora.

Como estava sem treinar esses dias, decidi não pegar táxi nem motoboy. Também imaginei que, contando com o congestionamento, chegaria primeiro se fosse correndo. E foi o que fiz! Ficava todo mundo me olhando. Uns fazendo gracinha, outros incentivando e eu me sentindo a própria Forest Gump. Corri do Corredor da Vitória para Graça, desci a Princesa Isabel, a ladeira no Hospital Português, passei pelo Shopping Barra e corri pelas ruas paralelas à orla até o Farol da Barra, sempre conferindo se meu bloco tava passando.

Ufa! Cheguei to-da, to-da, eu disse to-da suada! E a Timbalada nem tinha saído. Procurei a minha amiga Penélope a morrer, e nada! Rodei horrores, e nada! Nunca vi uma concentração tão grande de gente desconhecida! Sabe quando você se sente um ser de outro planeta?? Me senti assim! De outro planeta! Foi então que aquele garoto do Parangolé, o Léo Santana, passou quebrando horrores e a mulherada foi ao delírio. Então eu pensei: "Já que estou aqui, vou aproveitar!" E aí ele cantava: "Sou eu negro lindo!" E eu confesso que concordei e dancei muito pra descontrair.

Lucy só apareceu quando o bloco já virava a curva do Farol para começar na Avenida. Pulamos, cantamos e dançamos o percurso inteiro. Como eu só pensava que estava treinando, aproveitava pra pular muito mesmo e beber bastante água. Até encontramos o nosso treinador Tadeu com a sua namorada linda. E pulamos horrores! Nem vimos o tempo passar.

Quase no fim da farra, perguntei as horas a uma figura. Foi quando percebemos que eram quase 2h da manhã e Lucy tinha um voo para o Rio de Janeiro às 4h. Então o treino continuou. Corremos da Avenida Oceânica pela Ademar de Barros até a Garibaldi. Lucy pegou seu carro pro aeroporto e eu peguei um táxi até a Vitória! Até pensei em voltar correndo, mas tava mortinha da silva!

Só pude dormir depois do banho, de desembolar meu cabelo e de dar um jeito no tênis encardido que usaria pra trabalhar no dia seguinte. Eram 3h da madruga. Estava moída! Minha camisa do bloco fedia tanto que preferi nem confiar que água e sabão dariam um jeito. Joguei no lixo mesmo!

Foi um grande sacrifício trabalhar de manhã! Fiquei abatida de tão cansada, mas consegui fazer o meu trekking obrigatório de 12h pelo circuito do Carnaval. Finalmente, a terça-feira chegou e tudo acabou! Contei os dias para sair do circuito, literalmente. Hoje é quarta e tudo está muito bem! Sobrevivi! Volto a treinar bike, remo e corrida, conforme a planilha do meu querido treinador. E fico muito feliz em voltar pra casa, pegar meu cachorro no hotelzinho e encontrar com as minhas crianças queridas.

"A Timbalada traz axé pra você..."

terça-feira, 1 de março de 2011

Treino do fim de semana

Tive que pedalar tudo que tinha que pedalar no meio da semana em função da viagem ao Capão no fim de semana. Foi trekking de sexta a domingo!
Na boa galera! Eu ia fazer um release mas, Lucy escreveu tão bem sobre a viagem/treino do fim de semana que nem preciso falar mais nada. Vejam lá!
http://www.historiasparalernocafe.blogspot.com/