terça-feira, 28 de junho de 2011

Viva São João!




Todo ano é uma "renca" de gente que aparece lá na roça. A casa só tem dois quartos e um puxadinho lá embaixo, colado com a cozinha de fogão à lenha, logo depois da jaqueira de 200 anos. Nunca deu pra quantidade de gente que aparece nos feriados. Aliás, sempre deu! Os colchões ficam espalhados por todos os cômodos. Já dormi até em cima da mesa. Outra vez, levei barraca. De outra, dormi na cozinha, antes mesmo da casa de verdade ficar pronta. ( Meus pais passaram mais de 3 anos dormindo no puxadinho até a casa principal ter telhado e ser rebocada. Mudaram sem pintura mesmo.)


As três irmãs (incluindo eu, please!), Gabi(Penélope) e Mauro com as crianças, todos os sobrinhos, os primos, Tia Flor, Alzerina. Ao todo, dezenove pessoas dormiram lá! E deu pra todo mundo.


Cheguei na quarta mas, a festa já tinha começado no fim de semana anterior porque a minha irmazinha do Rio estava lá, dando todas as gargalhadas que uma pessoa puder imaginar. E bem altas! Inclusive, é impossível assistir à TV num volume de gente normal. As gargalhadas dela são acima dos decibéis permitidos pela lei, se a lei do silêncio da roça não fosse a nossa própria lei.


No outro dia, já véspera de São João, eu e Marcílio (meu querido cunhadinho) fizemos um pedal de 20km até o Tabuleiro, onde minha avó tem casa. É um pedal bem legal porque tem uma ladeira monstruosa bem no meio do caminho. (Até já fui lá sozinha, lembram?!) O pneu da bike de Cílio furou no meio do caminho. Pedi pra trocar só pra me amostrar. Fiquei toda orgulhosa de mim mesma! E a divulgação aqui no blog é apenas um detalhe obrigatório.


Depois da pedalada, tinha pressa de ir à cidade. Precisava comprar aquelas botas de R$ 50,00 que Lila (minha irmã mais nova) garimpou na Casa do Fazendeiro. De couro mesmo! Estava mais barata por causa dos solados quase soltos. Aproveitamos para pegar mais comida na cidade. Era muita gente pra alimentar. Fomos cruzando com todas as visitas que estavam se dirigindo para o São João na roça.


Amo rever as minhas amigas de infância! Morei e estudei em Catu até os 15 anos. Tenho ótimos e inesquecíveis amigos por lá. Sendo assim, minhas idas à cidade são sempre recheadas de belos reencontros. Melhor ainda quando vejo que elas estão lindas e felizes. Pena que tenho tanta dificuldade em ficar mais tempo. O mato me chama!


A casa encheu mesmo! Só pra vocês terem ideia, lavei os pratos do almoço por mais de uma hora sem parar. Conversando e lavando. Essa é a parte boa!


Naquela noite, as botas com solados quase soltos não resistiram às minhas palhaçadas e sapateados. Estava previsto a visita ao sapateiro, antes mesmo de usá-las mas, já sabem não é?! Não resisti! As crianças soltaram fogos até tarde. Assamos milho e churrasquinho naquela fogueira enorme que meu pai faz todo ano. Ouvimos e dançamos forró. Tinha milho cozido, amendoim, bolo de todos os sabores do São João. Não faltou licor. E fomos dormir entalados de tanta comida, já programando o pedal da manhã seguinte.


Eu, Mauro, Gabi e Marcílio pedalamos até a venda de João, de lá pegamos aquela estrada do oleoduto. Bem retinha, com subidas e descidas leves, parecendo um tobogã. Exceto por uma ladeira cavernosa que nem dá pra ver o final se você não chegar bem pertinho. Depois pegamos um trecho de asfalto até o Veadinho. Paramos por causa de outro pneu furado, depois seguimos até Bela Flor.


Bela Flor é um Distrito de Catu onde trabalhei como Dentista por muito tempo. O Posto de Saúde fica na pracinha, assim como a Igreja, o Posto de Correio, o telefone público, o mercadinho. Uma gracinha! Toda vez que passo lá, toda suja de lama, os moradores me reconhecem. A gente sempre para na mesma vendinha. A mãe de Marcílio (Au- é o apelido de Alzerina) nasceu lá. Todo mundo conhece Marcílio também. É uma parada obrigatória!


De lá, foram uns 4km de estrada de asfalto até Pedras, para começarmos os 20km finais de barro. Esse trecho é aquele que tem a ladeira (1,5km) que sempre sonhei subir, quando tivesse uma bicicleta. Já tô craque em chegar ao topo! Dessa vez, apostei um pega com Mauro. Ganhei! Uhuuuu! Já fui pegando distância desde os primeiros metros, nas primeiras curvas. E esperei o perdedor lá em cima quase botando os bofes pra fora. Dali foi só descidão pra gente soltar os freios e se divertir.


Todos os dias, as crianças aproveitavam nossas bicicletas para pedalar na estrada. A cena da minha sobrinha entrando em casa, me perguntando se ia morrer não sai da minha cabeça. Foi um escândalo por causa de um machucado num arame farpado. E a pessoa só lembra de gritar a Tia Lulu. Pensem num escândalo e multipliquem por 95. Foi isso aí! Tem que ter essas coisas em festas de família.


Nesse dia do São João recebemos visitas de vários parentes queridos. Rimos e comemos o resto do dia inteiro. E à noite, fez até um friozinho para o vinho ficar com um sabor mais especial.


O piquenique com as crianças no sábado de manhã foi uma aventura para eles. Saímos todos com chapéus de palha, parecendo uns retirantes, pela estrada. Mauro colocou uma mochila-cadeira nas costas para levar um dos filhos. E seguimos para a Sapucaia. Entramos pela porteira, seguimos por um charco terrível que, segundo Marcílio, era o melhor caminho. As meninas se divertiam com tudo e tagarelavam horrores. Sei que a gente acabou o passeio no meio do caminho da Sapucaia. Paramos numa árvore frondosa, logo depois da cerca. Sentamos e mandamos ver na comida. Tinha pipoca de microondas, suco, biscoito, laranja, lima, tangerina. Pensem na mochila pesada que carreguei? As crianças amaram! E ainda encontramos Sr. Freitas (trabalhando, só pra variar) no caminho, que fez a maior onda porque escomlhemos o pior caminho pra subir o morro. Tava todo mundo podre de lama!


No fim de tudo, a casa recebeu a visita ilustre de uma amiga de infância que foi até lá perguntando pelo caminho. No melhor estilo: "Quem tem boca chega até os Varões!" Uma figura a Jay! Vivemos muitas aventuras juntas! Fizemos muito piquenique, corremos de boi brabo, roubamos frutas no quintal do vizinho. Uma vez, o pai dela até me prometeu uma surra porque cheguei dando muita gargalhada na casa deles. Ele falava assim: "Essas meninas de Conceição são muito escandalosas!"


O bom de tudo isso é que a gente tem muita estória pra contar pros nossos filhos e netos. Pros amigos queridos também!




Viva São João!

sábado, 25 de junho de 2011

Vida de Penélope (resistente)

Uma semana se passou! Minha funcionária só volta no dia 4 de julho.. O desafio continua, embora já possa garantir que não farei mais isso. (Ou será que já terei esquecido do sofrimento!?) Ainda estou bem! Antes de ter um troço, dei aquela providencial parada que precedeu o ataque de nervos. No outro dia, levantei cheia de vontade de jogar duro na faxina. A casa estava um desastre! Tinha pêlos de cachorro por todos os lados e poeira que não acabava mais. Estava sem varrer o chão havia dias e dias e dias! Não reparem, por favor! Mas foi ótimo! Acho que até o lixo da minha alma foi varrido. Que dia produtivo! Aproveitei pra lavar roupas, arrumar camas, separar roupas para doar e jogar fora muita coisa que já não usava. É bom tomar pé das coisas! Parece que tudo se renova. E as crianças me deram uma boa ajuda.

Meu filho diz que não conhece nenhuma mãe que coloque o filho de doze anos para fazer serviços de casa. Respondo, sempre rindo, que sinto muito pelas outras mães. São escravas dos filhos quando não tem quem as ajudem. Nunca ouvi falar de ninguém que morreu ou ficou com problemas psicológicos porque lavou pratos quando "pequeno". É um diálogo interessante porque ainda faço uma relação de benefícios que ele recebe. Coisas do tipo: "quando for morar sozinho, já vai saber se virar", "vai se sentir útil para a família". Mas, nada disso é muito convincente! Sei que depois ele vai entender.

De lá pra cá, ainda rolaram alguns momentos de stress mas, nada igual aqueles dias fatídicos! Para a felicidade de todos os moradores dessa casa vermelha, as férias das crianças chegaram. Tudo ficou menos difícil. Ao menos diminuem as obrigações.

Confesso que a comida está ruim mesmo, e daí!?! Stress e inspiração culinária não combinam. Aí fica todo mundo comendo pouco e dizendo que a comida está muito boa mas, estão todos sem muita fome. Se não comessem tanto nos dias de almoço fora de casa, acreditaria, rs!

Ufa! Feriado do São João e tudo ficou lindo e maravilhoso! Fomos passar os dias na roça com a família buscapé inteira. Mas, isso aí já vai ser outra estória pra contar pra vocês. Depois a gente conversa...

sábado, 18 de junho de 2011

Vida de Penélope (a beira de um ataque de nervos)




"Quando você cair e achar que não aguenta mais, lembre-se: ainda restam 30% de suas forças!"

"Retroceder Nunca, Render-se Jamais, Divertir-se Sempre"

"O sofrimento é passageiro, desistir é para sempre!"

Lembram do desafio de passar um mês sem funcionária em casa? Ainda estou viva! Não me rendi, embora tenha pensado bastante no assunto. Ensaiei arrumar uma faxineira várias vezes. Até esqueci porque foi que inventei essa história. Acho que foi pra tomar pé das coisas, pra cuidar da casa um pouco. Trabalhar na rua e em casa é um caso sério! Tô me lenhando quando chego do trabalho. Quinta, fui dormir quase meia-noite, esperando a máquina de lavar roupas concluir seu ciclo. Enquanto isso, arrumava as compras de mercado que acabara de fazer. As crianças até colaboraram, mas precisavam dormir cedo por causa da escola.

Basta dizer que adoeci. Foram três dias com dores de cabeça, ouvido e garganta. E isso me tirou dos treinos. Da casa, não. Então vem as cobranças internas do desejo de um mundo perfeito. A preocupação com as crianças, a alimentação que não tá lá essas coisas todas (estou longe de ser mestre cuca), o dinheiro do lanche que esqueci de dar, a ausência do pai que mora em São Paulo, a culpa. Olha! Se há uma pessoa que ainda não tem controle de culpa, essa pessoa sou eu. E quando todos os culpados forem exterminados da face da terra, restará eu. Sempre acho que deixei de fazer alguma coisa. Hiii! Acho que vou ter que fazer terapia. Na corrida, até criei um slogan: "Ninguém tem culpa sozinho." Tenho que repetir isso pra mim umas 300 vezes quando estou assim. Juntou com a TPM e meu mundo desabou por três dias. Até a luz do sol me fazia chorar. Rs!

Como meu mundo já desabou inúmeras vezes (ainda bem que demora entre um desabamento e outro!), já tenho a manha. Primeiro preciso falar com algum amigo pra não ficar entalada, senão a garganta dói. É sério! Minha garganta dói. Segundo: as crianças ficam cientes de que vão ter que colaborar mais do que o normal. Por último, faço qualquer coisa para me sentir melhor! Vou na manicure (não tenho saco para limpeza de pele, hidratação de cabelo, massagem, nada que demore muito), arrumo uma distração e espero o tempo passar. Sempre passa! O tempo passa! A dor também, a angustia e tudo mais.

No meio dessa estória toda, tava lendo sobre a cobrança que as mulheres impoem a si mesmas em relação à perfeição. O texto falava sobre a vontade que as mulheres tem de viver o conto de fadas em todos os aspectos da vida. A mídia está aí pra acabar com a gente. Bota um monte de mulher gostosona na TV, na internet, nas revistas. Todas vivendo lindamente! Têm filhos, cuidam deles pessoalmente (devem fechar o velcro da fralda), cuidam da casa, do trabalho, de absolutamente tudo e ainda mantêm a pele linda e aquele sorriso de clareamento. As fotos são maravilhosas, as casas são arrumadas impecavelmente. Sempre vejo tudo aquilo com um senso crítico impressionante.

Acabei fazendo um misturado de informações e resolvi mandar parar tudo. Adiei a faxina, não fui trabalhar, descansei o dia todo, levei as crianças na escola, aproveitei o dia pra cuidar de mim e escrever um pouco. Peguei até um cineminha no final da tarde, curtindo a minha solidão aliviada. Comi minha pipoquinha, tomei meu guaraná. Voltei pra casa pronta para continuar todas as minhas lutas. Reiniciei minha programação. Aquela da felicidade independente de qualquer coisa. Da felicidade de dentro pra fora. Então!? Se até a máquina de lavar tem um ciclo, porque que eu preciso fazer tudo de uma vez? Tem mais! Se o ciclo da máquina de lavar não for respeitado sai tudo mal lavado, lembram? Assim é a vida! Tem regras básicas de sobrevivência.

Agora, até a sinusite está fugindo de mim. Sou guerreira! Penélope Aventureira do Agreste! Não retrocedo, não desisto e me divirto sempre! Tenho muito mais do que 30% das minhas forças e o meu sofrimento passa rapidinho! Nunca posso esquecer disso. Ninguém pode esquecer de que é forte e capaz. Culpa? De quê!? Vamos reiniciar minha gente!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Domingão na Cachoeira do Urubu











No sábado, depois da Festa de São João da escola das crianças, arrumei a bagagem de todos, incluindo Totó, e fui despachando em Salvador. A vida sem Neusinha fica um tantinho mais agitada. Primeiro ficou o cachorro, depois despachei os filhos e fui me alojar na casa da titia para não ter que voltar pra casa.

Titia queria dormir na sala, alegando que seu ronco incomodava. Como sou uma sobrinha muito legal, me recusei a deixá-la ir. Afinal, raramente durmo em sua casa. Resultado: Titia virou um dinossauro ao adormecer e eu nem imaginava que passaria a noite inteira acordada, rolando na cama com aquele som estrondoso em meus ouvidos. Bom! Pelo menos ela dormiu bem e ainda ficou feliz com a minha companhia.

Levantei bem cedinho (nem dormi mesmo!) e peguei Ni em sua casa. Estacionamos ao fundo do Iguatemi e ficamos um tempo ali, esperando a chuva passar, jogando conversa fora. Aproveitei para dizer, sem querer assustá-la, que nenhuma aventura comigo é sem emoção. Sempre acontece uma coisinha.

Minha amiga Nirlene é uma figura única! Vive dando gargalhadas, fazendo palhaçadas e sempre cumprimenta todo mundo com um abraço bem gostoso. Conheceu o pessoal do passeio por um anúncio na internet. Viajou pela primeira vez sem conhecer ninguém. Não posso esconder minha admiração por essa atitude. Sou aventureira de carteirinha mas, essa coragem não tenho. Consigo até imaginar minha cara de extra-terrestre, entrando numa van com um monte de gente que não conheço. Seria trágico e cômico!

Já atrasadas, resolvemos ir até o ponto de encontro debaixo de chuva mesmo. Foi a corrida mais engraçada que já fiz! Em quatro passos estávamos ensopadas. Erramos o caminho e a chuva judiou da gente, sem um abrigo pra uma trégua. Nirlene lamentava de forma cômica que o creme dos seus cabelos escorria. Tinha pingos brancos nas pontas. RS!! Perdeu o creme todo. RS!! Depois de molhar tudo o que tínhamos, encontramos o pessoal. E pasmem! Não era uma van com poucas pessoas, era um ônibus com 40 pessoas.
Lembrei dos passeios que fazia com meus amigos lá em Catu. A gente acordava 5h da manhã, pegava um ônibus fretado e passava o dia em alguma praia. Era farofa de galinha assada e sambão a viagem toda. Dançava aquelas lambadas de Beto Barbosa nas barracas com meus amigos e me acabava de dar risada o dia todo. Que lembrança boa! Viajei agora!

Confesso que me senti meio estranha, no começo. Estava de calça, camisa de mangas compridas e meus tênis de aventureira. Com mochila de camelback nas costas, contendo aquelas comidas de corredor, um kit de primeiros socorros e equipamentos obrigatórios. Não dá pra entrar numa trilha sem canivete, bússola e lanterna! Foi mal aí viu pessoal! E a galera tava de shorts, camisetas e tênis mais do que brancos. Alguns gatos pingados estavam de calça.

Nirlene cumprimentou a todos como se fossem amigos de longa data. Tentamos nos secar um pouco pra sofrer menos com o ar condicionado do buzú. Conversamos tanto que nem sentimos o tempo passar. Já estávamos em Santo Amaro, na beira da trilha, no acampamento do guia chamado Matias!

Matias! (Bonito nome!) Um homem singular de meia idade que mora num terreno sem nenhuma infra-estrutura, de uma simplicidade interessante e peculiar. Não havia sanitário. Seu telhado era uma lona bem conservada com uma foto de um militar. O terreno, todo cercado de vegetação bonita e densa, dava-lhe bastante privacidade. E lá, funciona um camping também. Dava pra perceber a simplicidade de um homem nada digno de pena. Muito rico! Rico por dentro. De felicidade contagiosa e engraçada! Jeito de menino danado, energia de atleta. Com roupa de rambo! Camuflado para entrar na mata.

Ni levara uma singela cesta básica para Matias, que também já era seu amigo. Discretamente, passou a cesta para o guia, que recebeu de forma muito natural, como se já esperasse por aquela gentileza naquele dia de chuva.

Chegamos, conversamos, nos apresentamos em círculo e fizemos uma oração. Descemos para a Cachoeira do Véu da Noiva, eu, Ni e aquele mundaréu de gente. Nunca fiz uma trilha com tanta gente! Quando entro na trilha com 100 pessoas, sobram apenas 3 pessoas comigo. Os outros correm para bem longe de nós. Assim funciona a Corrida de Aventura. Mas ali, era uma equipe de 40 com ritmos totalmente diferente uns dos outros. Fui com Marcus, Rita, Tiago, Renata, Vanessa, etc, etc, etc.

Queria ir na frente, ouvindo tudo o que Matias tinha pra contar. Nem sempre dava! De vez em quando ficava com Nirlene, andando devagar, outras vezes saia puxando-a pelo braço. A figura anda pela trilha parecendo que tá desfilando. Disse que sou toda dura fazendo trekking. Ela anda rebolando e ainda cruza os braços. Então eu falava que ela tinha que parar de rebolar e ela dizia que eu precisava me soltar. E assim, gargalhamos no meio do mato!

Matias ajudou a mapear algumas provas das quais participei naquele lugar. Logo na primeira parte, fizemos canionismo, subindo um rio para encontrar a cachoeira. Fiz aquele mesmo trecho numa madrugada com a Aventureiros numa Corrida na Paletada. A largada foi meia-noite. Bons tempos aqueles! Meu primeiro Canionismo. Me acabei toda! Escorregava pelas pedras, feria minhas pernas, atrasava a equipe. Naquela corrida, pegamos vantagem sobre as outras equipes, por termos optado pelo caminho do rio. Nesse passeio, junto com meus 40 novos amigos, a coisa fluiu numa boa, lentamente, tranquilamente.

A trilha estava bem escorregadia. Os tenis brancos começaram a mudar de cor. A progressão era lenta e paciente. Tinha gente reclamando nos primeiros 500m. Outros curtiam, se jogavam na água, aproveitavam. Paramos algumas vezes para reagrupar a galera. Depois, na cachoeira, por mais tempo.

A segunda parte da trilha passava por aquela ponte da linha do trem, indo pra Cachoeira do Urubu. Matias preferiu que passássemos em grupos de 5 para evitar pânico, no caso de vir um trem.

Fiquei assustada com a quantidade de lixo que havia na Cachoeira do Urubu. O lugar é muito lindo mas, dá dó em ver a sujeira que os visitantes deixam. Matias disse que recolhe sempre vai até lá. As pessoas não tem noção de Ecologia. Tinha até pratos de barro com macumba. Um absurdo!

Ficamos ali, a conversar, olhando o movimento daquela galera toda. Alguns davam uns pulos corajosos de lá do alto (eu rezando pra nada de grave acontecer), outros tiveram coragem de ficar naquela água geladíssima por um tempão. Prefiro apreciar, ouvir, fotografar, sentir o cheiro da natureza. As fotos ficaram engraçadas! Cheias de gente! Nem dava pra ver a paisagem. Então conversamos, rimos e comemos bastante.

Depois, fomos todos para o local da falsa-baiana. Os monitores montaram um pequeno circuito entre árvores. Alguns fizeram, outros assistiram, outros estavam apressados pra voltar pra casa. Então Matias levou os apressados, incluindo a mim, de volta para o ônibus. A chuva voltou mais forte! Depois de reagrupar todos os passageiros, partimos de volta pra Salvador. O ônibus ensaiou quebrar 5 vezes pra viagem ficar emocionante. Eu e Ni voltamos conversando e rindo durante a viagem, enquanto os outros tentavam dormir. Acho que fizemos muito barulho.
Só cheguei em casa depois das 22h, depois de pegar bicho e gente, cada um em uma casa diferente. Ainda tinha visita em casa me esperando. Fui fazer um café, comer alguma coisa, conversar com a minha irmã que não via há algum tempo. Dormi a-ca-ba-da, só pensando que no outro dia teria mil coisas de casa pra fazer, além das minhas coisas de trabalho.
Foi um ótimo dia! Fiz novos amigos! E, da próxima vez, vou cumprimentar a todos como Nirlene fez. Como se nos conhecêssemos de longa data.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Vida de Penélope.. Sexta dia 10. Uhuuu!

Êta diacho! Perdemos a hora de acordar! Levanta todo mundo na maior pressa. Mantenho a calma. A Corrida de Aventura fez esse efeito em mim. Fico, geralmente, insuportavelmente, calma nas situações de stress. Paciência! E isso é uma bobagem diante das adversidades da vida, concordam? Claro que é melhor não atrasar! Penso que primeiro tenho que resolver o problema das crianças porque a escola não permite a entrada fora do horário. Não daria pra levar filho pro trabalho.

Programei a vida da filhota pra passar o dia na escola e isso me quebrou um galhão. E ela teve um ótimo e diferente dia! Ainda bem que falta pouco para as férias.

Ufa! Tudo o que eu precisava era que chegasse a sexta-feira. Final de semana fica mais fácil de administrar a falta da minha funcionária. O desafio de passar o mês fazendo tudo o que faço e ainda os afazeres domésticos está bem interessante. Tirei de letra a primeira semana.

Fui pra o trabalho pensando na vida, durante meu habitual congestionamento da manhã. Salvador está um caos! Tem carro pra todo lado e as pistas continuam as mesmas. A Paralela congestiona a qualquer hora. Quero só ver o que vão fazer até a Copa de 2014. Falta tão pouco tempo. Se contar pra vocês que a construção do Metrô começou quando estava grávida do meu filho mais velho, vocês acreditam? Ele faz 13 anos esse ano. Pensem aí!

Continuando.. Fiquei pensando no que fazer no fim de semana. Tô sentindo falta de um movimento diferente. Minha avó dizia que "mente parada é oficina do diabo". E ela estava certa! Se você ficar na inércia diante das situações que acontecem em sua vida, a sua vida fica inerte também e os pensamentos ruins povoam a sua mente. Daí vem a depressão e tudo que a acompanha. Por isso, gente, movimento por favor!

O trabalho foi muito light! Deu tempo de jogar conversa fora com a amiga da sala vizinha. Então ela veio com uma estória de fazer uma trilha na Cachoeira do Urubu em Santo Amaro, no Dia dos Namorados. Ainda me disse que não me convidou porque isso era coisa de gente normal, sem saber que tudo o que eu estava precisando era fazer uma coisa de gente normal. Topei na hora! Só precisava de um tempo pra organizar a vida das minhas crianças.

Na verdade, sou bicho daquele mato de Santo Amaro. Já fiz umas 5 provas de Corrida de Aventura naquelas bandas. E sei de uma coisa: "Sempre é diferente, mesmo que eu passe nos mesmos lugares. Inserida em outro contexto é que será melhor ainda." Então tá combinado! Domingo é dia de trekking na Cachoeira do Urubu. E as crianças ficam bem acolhidas com a vovozinha. Como foi??...

http://penelopeagreste.blogspot.com.br/2011/06/domingao-na-cachoeira-do-urubu.html

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Vida de Penélope- Terça 07

Não sei como vai ser não viu?! Nem se vou conseguir escrever todos os dias! O negócio é brabo!

Café do filhote às 6:30h. Não pode esquecer da comida de Totó. Deixa a pequena dormir mais um pouco.

O pedaço da aula de reposição com o "teacher" presente foi cancelado na hora em que eu já estava lá. Ótimo! Encontrei Fernanda e a levei para uma entrevista de emprego. Fui pra academia me arrastando. Academia é um saco! Me bote pra correr 15km na rua que é melhor. Putz! Fazer o quê!?

Periquitinha já estava ansiosa sem a mamãe. Fui organizar papeis do Consultório. Meu escritório está uma bagunça! Tem ficha de paciente pra todo lado! Minha nova instalação é a sala de uma amiga e não dá pra invadir tanto o espaço dela. Precisei trazer o que não usava muito pra casa e me livrar do supérfluo. Mas a arrumação vai até o fim de semana! Ainda não acabou!

Almoçando, grandão chega, lava as mãos e manda ver no prato de comida! Mas hoje teve menos carne. Neusinha fez a conta errada. Não há problema! Vamos comer menos carne! Olha que legal! Tem sorvete de sobremesa! Levei a mocinha na escola e compartilhamos a sobremesa, como sempre!

Deu tempo de fazer uma breve leitura no horário do almoço. Um artigo antigo da Go Outside, revista de Aventura, que falava de "Vida Boa". Dicas de experiências inesquecíveis para você realizar. Dentre as dicas de fazer qualquer amante de aventura babar, tinha uma foto de um cara deitado num rio raso, refrescando a cabeça ainda com capacete. Tinha cara de quem tava com calor, a bicicleta ficou recostada em seus joelhos dobrados. Me vi ali, deitada... só pensando na água refrescando minha cabeça. Isso me faz feliz! Muito feliz!

Dia de terça tem trabalho à tarde! Tiago tem lavado os pratos divinamente bem! Jogue duro filho! E não esqueça de colocar o lixo pra fora! Haja lixo! Resultado da mudança de sala e da faxina da casa! Faxina de renovação de ares! Daquelas que servem para abrir espaço para o novo, conhecem?

Ôpa! Sala nova! Como é que liga o refletor? E o encosto da cadeira? Vamos com calma! Ainda bem que a outra Dentista não quis Fernanda, que foi minha atendente até semana passada! Olha só que sorte! Agora ela consegue ver que era para melhor! E será!? Será! Com certeza será! E a minha tarde na sala nova foi muito mais tranquila do que pensei! Aliás, nem pensei que seria ruim. Inclusive, resolvi um caso complicadíssimo! Daqueles que a gente passa o ano tratando sem resposta e, daqui a pouco, o paciente aparece sem dor, sem nada incomodando. Conclui o caso. Que dia maravilhoso!

Só tive que pedir pra minha vizinha pegar filhota na escola. Não deu tempo. Mas deu pra levar o pão, a manteiga que faltou e um bolinho de tapioca de padaria mesmo pra gente tomar um café gostoso. Falando nisso, fiz o café igualzinho ao da minha mãe. Daqueles que você ferve o pó com água. Conça vai ficar orgulhosa de mim!

Tomei um bolo de Lucy Penélope do Agreste e fui correr meus 10km sozinha, enquanto as crianças assistiam ao programa de TV predileto. Voltei feliz da vida e botei a criançada pra correr pra cama. E o cachorro pra casinha!

Ainda recebi dois emails maravilhosos de dois amigos queridos e de ciclos de amizades diferentes. Um deles dizia assim: "Lu! Você tem talento para ser feliz! E se algum dia esquecer disso pode me ligar que repito dez mil vezes para te lembrar!"

Tenho mesmo! Mas, como qualquer ser humano, sofro com muitas coisas. Embora não pareça, em alguns momentos da minha vida, preciso ler um email desses pra lembrar do quanto sou forte. Todos nós somos! Só precisamos lembrar mais vezes disso!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Vida de Penélope- segunda-feira 06/06



Quem disse que Penélope não trabalha em casa!?
Neusinha, minha funcionária, está gozando de suas merecidas férias. Optei por não contratar ninguém para substituí-la. Quando a pessoa aprende a "manha" da casa já acabou o mês. Também coincidiu com umas mudanças em meus horários de trabalho. E isso caiu bem, como tudo mais em minha vida! Acreditem! Até quando alguma coisa dá errado pondero, porque sei que é para alguma coisa melhor que vem depois. Vocês já repararam nisso em suas vidas? Prestem atenção!

Nesse mês de junho vou fazer série de postagens sobre os meus dias sem funcionária. Sei que meus leitores dos Estados Unidos, do Canadá, da Alemanha e de outros países poderão estranhar porque estão acostumados a uma cultura diferente e fazem suas tarefas, muitas vezes, sem auxílio. Mas acho que vamos nos divertir juntos!

A primeira atitude foi a reunião no sofá! Domingo mesmo! Coloco os dois filhotes sentados para reunião de combinados. Em resumo: "Vamos nos virar sem Neusinha e a ajuda de vocês será muito importante!"

-Segunda-feira-

Café da manhã do filhote às 6:30h. Com a chuva que caía não dava pra deixar o bichinho ir andando! Aroveitei pra passar na padaria.

Tava muito fácil! A pequena estava acordando. Depois do chocolate quente, fez a atividade da escola. Putz! Esqueci de levá-la ao médico! Deixa pra lá! Depois ligo pra remarcar! Puxa! Que chato!

Fui pro inglês às 10h e levei minha pequena à tira-colo. Ela adora ficar na loja de vídeos, comendo pão de queijo enquanto faço qualquer coisa no shopping. Quanto a mim, tenho duas aulas atrasadas. Dei meus pulos para acompanhar tudo. Marquei a reposição, fui ao banco fazer uns pagamentos e fui resgatar a pequena na loja e vídeos.

Meu telefone toca desesperadamente! A mudança de sala está dando um pouco de trabalho, mas nada que não seja passível de resolução. Vamos resolver tudo direitinho! Calma Fernanda! Tudo vai dar certo para todas nós! Lembram que disse que acontece coisa melhor?! Mas, deixa eu ir pra casa que está na hora do almoço e preciso esquentar a comida. Ainda bem que Neusinha deixou dois almoços prontos! Ufa!

Enquanto preparava tudo, filhota tomava banho e se aprontava. (Vixe! Totó precisa de comida!)

Nossa! Já escrevi tanto e ainda estou no almoço.. rs!

Tive que fazer uma trança bem bonita pra filhota ir à escola. Como que ela não ia aproveitar a oportunidade da mamãe habilidosa fazer o penteado?! E ainda conta para todos quem fez. Uma figura rara!

O filho grande chega sempre durante o almoço, lava as mãos e começa a se servir. Levei pequena até a escola e ainda deu tempo de compartilhar a sobremesa.

Então vamos combinar: precisamos remarcar seu Dentista, eu lavo os pratos e você arruma a mesa. Tudo bem! Fiz a minha parte e fui para a reposição de inglês. Meu Deus! Aquela aula com fone de ouvido dá um sono miserável! Ninguém merece fazer duas aulas seguidas! Feito!

Volta pra casa, joga o lixo fora (Pô velho! Só pode botar o lixo 15:30h! E quem não está em casa nessa hora?), arruma a mesa do café, cozinha umas bananas da terra. Putz! Vai ficar sem manteiga mesmo! É tanta coisa! Pega pequena na escola, serve a refeição, lava os pratos. Ops! Nove horas tem Evangelho no Lar! Vamos todos para a mesa fazer o Evangelho e agradecer a Deus por tudo o que temos, tudo o que somos e por todos os dias das nossas vidas! Bora gente! E isso inclui Totó!

Hora de dormir crianças! Já são 21:30h, amanhã tem aula cedo e eu ainda tenho que estudar, olhar os meus emails e os blog. Cansadona! Ploft!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Penélopes do Agreste e a Running Daventura



By Lucy do Agreste

Running D’Aventura - Viva a sua essência. Não poderia haver slogan melhor. O que eu mais gosto nos esportes de aventura é o poder de ser eu mesma. No mato, descabelada, suja de lama, xingando, gritando, rindo e cantando. Ali estou em casa!
Foi assim nessa corrida, como em todas as outras. Só que esta foi melhor! Corri de Penélope pela primeira vez! E não é só isso, corri com uma Penélope Ecomotion!! Inoxidável e Internacional!!! Toda hora alguém passava e cumprimentava. Oi Lu! E aí Lu? Boa sorte Lu!!! E haja fotos. Demos até entrevista!!! Correr com celebridade dá nisso!
Lulu Freitas do Agreste e eu... Lulu do Agreste também! Somos quase homônimas. Sendo que eu tenho metade do nome dela e ela tem metade do meu tamanho e... o dobro da minha capacidade de falar! Que figura. Teve uma hora que me chateei... Pôxa, Lu... Deixa eu falar também... Só um pouquinho...Mas não adianta não, gente. Ela fala mesmo pelos cotovelos. Pelos dois, e ao mesmo tempo!

A prova, como sempre, linda. O local, maravilhoso. Castelo Garcia D’Ávila. Às vezes vou lá para fazer nada. Só para espiar a vista e tirar sempre a mesma foto. Aquela em que o mar fica emoldurado pela janela do castelo.
Mas aquele 29 de maio não era para contemplação. Era para ralação, emoção, suação... Quer dizer, deixe-me corrigir!! Penélopes não suam. Transpiram. Não pedem arrego, não perdem o rebolado e não desistem... NUNCA!! Também não jogam lixo no chão! O lixo das Penélopes vai para a sacola, não para a trilha. Acho que a organização das provas de aventura deveria considerar descontar pontos de equipes que sujam as trilhas. É uma vergonha ver a quantidade de resíduos que as pessoas largam pelo chão!
Penélopes são charmosas, bonitas, cheirosas... e sangue quente!!. Xingam, falam alto, gritam e quebram o maior pau se necessário! Mas tudo sempre com muito charme!
Agora deixemos de lero-lero e vamos para a corrida. Quando encontrei Lu ela já tinha tudo arrumado. Gosta de chegar cedo, para curtir mais a festa. Pelo seu gosto já estaríamos lá. Levamos nossa torcida organizada – Tiloca do agreste. Estava lá, emboladinha no banco de trás do carro, no maior soninho.
No caminho, logo antes do pedágio, um telefonema de última hora nos faz voltar. Como dizer não a um amigo? Impossível!! A consciência não permite!! Voltamos para emprestar uma bike a uma outra equipe. Sugeri a minha ex-magrela que estava lá em casa abandonada e morrendo de vontade de correr a Running também.
Finalmente, chegamos na Praia do Forte lá pelas 6:30. Acho que nunca havia visto tanta gente numa corrida de aventura antes. Um astral maravilhoso, um dia lindo. Abraços gostosos em pessoas que eu não via desde o ano passado. Já estava com saudades.
Largada. Por termos sido as primeiras a nos posicionar na largada, acabamos ficando para trás, ou seja, bem no fundo mesmo. A bíblia ali foi seguida ao pé da letra invertida: Os primeiros serão os últimos!! E a turma da corrida rústica atrás, na maior farra.
Passado o bololô da largada, foi comer trilha. Downhill, cascalho, areia. Em menos de 10 km já tinha gente quebrando. Corrente, freio, gancheira, pneu,... Lu na frente e eu felicíssima comendo as ladeiras com farinha e lembrando das aulas do mestre Xuxu do Agreste. Deu certo, professor!! Não caí nenhuma vez!!!
Na última ladeira antes da transição eu me empolguei e desci sem freio. Passei em cima de alguma coisa que não sei o que foi e senti que algo deu errado. Achei que algum pedaço de madeira estava preso na roda, mas continuei pedalando. Mais a frente, ia Lu falando como sempre. Eu já tinha desligado o receptor e não entendia mais nada que ela dizia. Ela falava qualquer coisa e eu só entendia ‘petetê petetê petetê petetê ....’ Limitava-me a concordar e acenar com a cabeça. Ao sentir o problema no pneu, resolvi pedir para ela verificar porque não queria parar de pedalar. – Lu, dá uma olhada no meu pn.... – (Lu falando sem parar) petetê petetê petetê petetê...
- Lu... olha o meu pneu!!! Luuuuuuuuuu!!!!!! Me escuta, criatura!!!.
- Hein! O quê? petetê petetê petetê petetê.
- Olha aí, tem alguma coisa errada com meu pneu...... Luuuuuuuu!!!!!! Ah, quer saber, deixa pra lá... E segui pedalando. Sentindo a roda presa e sem saber por quê.
Lá na frente, Já na transição, Lu finalmente tomou fôlego e olhou pra mim: Ih!!! Lucy!! Seu pneu está furado!!! ....
-Ah, então é isso! Desmontei e fiquei lá. Olhando pro pneu vazio e me perguntando.. Como não percebi isso antes?
Engraçado como não me dou conta dessas coisas. É a segunda vez que fico pedalando sem perceber que o pneu está vazio. Oh pessoa distraída!! Decidimos deixar pra trocar depois. Larguei a bike lá e fomos pro trekking. Nossa fiel escudeira nos esperava na transição, sempre muito orgulhosa da mãe e com um guaraná geladinho pra compartilhar com a gente! Valeu, Tiloca!
O trekking foi uma delícia. Encontramos Mauro e Gabi no caminho e rolou uma saudável competição aventureira. Mauro com aquele pernão de garça é difícil de acompanhar. Gabi, como boa Penélope, não deixava por menos. Mas a gente não fez feio não!! Lu brocou na navegação! Parecia um GPS ambulante... e falante...Eu costumo pensar para falar. Quanto a Lu, acho que ela fala para pensar! Achamos todos os prismas rapidinho, atravessamos o rio e pegamos nosso lindo caiaque Aventureiro!
Trecho de remo – 7 km rio acima com a maré enchendo. Achei que ia demorar horrores!! Esse momento foi muito interessante. Lu ficou quase 2 minutos quieta!! Muito estranho! Pensei que algo estava errado! Luquilda... Está tudo bem? Estava! Lu navegava e planejava a próxima estratégia. Logo, logo estava falante de novo. Conversamos, cantamos, gritamos - ou melhor - eu gritei - É uma forma de expelir a dor que dá no ombro quando a pessoa está há um mês sem remar e se mete numa corrida de aventura! Lucy – assim você espanta os peixes! – Avisou Luciana, preocupada com o almoço dos pescadores.
Quando pensei que não... Tínhamos chegado. Fizemos o trecho em menos de uma hora. Nova transição. Mais abraços em Tiloca! Mais guaraná geladinho! Aí, lembramos do pneu. Vamos ter que trocar esse pneu AGORA!! - disse Lu, que não conhecia minha bike e não sabia se aquela troca ia dar certo. Zé e Luiza (nossos respectivos anjos da guarda) trabalharam juntos e Lulu trocou o pneu muito rápido!! Fiquei impressionada. Minha contribuição foi só dar as três últimas bombadas para garantir que o pneu estava cheio.
Daí foi mais um pedalzinho rápido...na areia.... fofa e seca.... Sempre difícil. Sempre me lembra que preciso treinar mais. Deixamos as bikes e nos jogamos no rio. O segundo trecho de remo foi um tapa!! Nem deu pra cansar. Era até divertido ver o pessoal ainda subindo o rio, na primeira perna de remo! E a gente lá.. quase chegando no final. Até esqueci que o ombro estava doendo.
O trekking carregando os remos foi cruel. Só ali é que o cansaço bateu. Lu ia pilhada na frente. Parecia que a prova tinha acabado de começar, e eu me acabando de correr. A neura era ninguém mais passar a gente. Conseguimos. Pelo menos ali, não perdemos nenhuma posição.
Chegamos em 15º. Pela falta de outras duplas femininas, acabamos competindo com homens. Eram 32 duplas masculinas e dois pontinhos cor-de-rosa atrevidos e falantes metidos no meio. Passamos um monte de marmanjos. Outros tantos conseguiram nos passar. Mas nos aguardem! A brincadeira está apenas começando.
Concluimos mais uma prova. Completamos muito bem, considerando as circunstâncias. Como todas as outras, essa prova não começou na largada. Começou muito antes. Com tudo o que nós temos que fazer. É carro que quebra, pais que pedem ajuda, filhos que precisam de atenção, namorado que fica de olho comprido perguntando por que vai ser abandonado em pleno domingo. Quem vai cuidar do cachorro? Que horas vou fazer as unhas? Xii! Esqueci de pagar aquela conta. E se alguém ligar do trabalho?
Nosso cotidiano é bem intenso. Nossa vida não é fácil. Mas, por isso mesmo, é maravilhosa. Ser mulher, ser mãe, ser profissional, ser atleta de aventura. Ser Penélope! Ser do Agreste! É tudo isso que somos e é só o que queremos ser!
Parabéns a galera Daventura! Vocês se superaram! Dá gosto correr com suas provas. Virei fã de carteirinha!
Tiloca – Obrigada pela torcida. E pelo guaraná também!
Mauro e Gabi – vai ter revanche! Vocês não perdem por esperar!
Lu – não mude nunca. É assim que todos nós te adoramos. Falante, vibrante, valente e corajosa!!! Você é a alma das Penélopes.
Até a próxima, pessoal!




quarta-feira, 1 de junho de 2011

É mais fácil fazer Corrida de Aventura!



Esporte de luta não é a minha praia. Já fiz capoeira e amava! Os outros me parecem violentos, provavelmente por ter quase nenhum conhecimento. Me dá aflição quando vejo o pessoal se pegando.

Então vem a sofrida experiência de mãe...

Tiago ficou animado em participar da competição de Judô! Vale ressaltar que a animação de dele se resume em "-Mãe, acho que vou competir no Judô. Você me dá R$30,00?" Sem exclamações por favor! Aí sou eu quem tem que procurar saber quando, como e onde. Senão o assunto morre ali mesmo! De morte súbita.

A competição era no sábado. Na sexta, nada estava definido. O professor não foi na quarta, não confirmou a inscrição. Mas, no fim das contas, quem teve problemas no sábado fui eu! Meu carro quebrou e nem poderia levá-lo se não tivesse uma vizinha e amiga que me empresta o carro todas as vezes que preciso.

Pessoal! Tenho que confessar uma coisa. Morrrro!!! de aflição!!!! em assitir campeonatos de luta!!! Fico com dó de quem tá perdendo. Tenho vontade de ir lá separar o pessoal e mandar parar tudo! Começo a me espremer na cadeira! Agora imaginem a luta do meu filho?! Queria que ele vencesse, é claro! Mas, queria que ninguém saísse muito machucado.

E lá estava eu, sentada na primeira fila, quando Tiago se posicionou diante de um menino do tamanho dele com uma faixa acima da dele. Fiquei ali pensando que era melhor se ele não se impressionasse com a cor da faixa do adversário como me impressionei. Se eu fosse lutar, fingiria que não tinha visto. Mas, era meu filho! Tive medo da reação dele, embora conheça muito bem aquele garoto que saiu da minha barriga.

Tiago esteve bem tranquilo durante todas as lutas até chegar a sua hora. Ficou ali, conversando com os amigos, comentando alguma coisa, atento a alguns detalhes. Mas, na dele. Na sua hora, levantou, ficou em frente ao adversário, cumprimentou-o e partiu para a luta de forma muito tranquila. Parecia que tinha planejado tudo! E eu ali, sofrendo, sem entender nada. Sequer sabia quem estava ganhando! Nunca vi nenhum treino. Os treinos da escola são fechados e fazem parte da aula de esporte. Aflita, perguntei para a minha vizinha como se ganhava a luta. Então não pode tocar as costas no chão!? E torci pra Tico não tocar as costas no chão, mesmo sabendo que tem outras regrinhas.

Vi outras lutas! Vi crianças saindo chorando do tatame! Fiquei aflita com tudo o que via! Nem parecia a mulher retada que adora uma aventura. Quando se trata de filho, o negócio é bem diferente.

Tico ganhou as duas lutas, vencendo sua categoria! Fiquei toda orgulhosa! Tirei um monte de fotos e dei uma de mãe coruja naquele dia. Se contar que, toda festinha que tem, esqueço de levar a câmera, vocês acreditam? Pois é! Esqueço! Mas, agora, com meu celular que manda fax, email, faz cafezinho, me pergunta como estou me sentindo e ainda tira fotos... cada golpe é um flash!

Mas, aqui pra nós, esse negócio de ser mãe é mais sofrido do que fazer Corrida de Aventura! O coração fica apertado!