terça-feira, 20 de março de 2012

Uns perdem, outros ganham, outros nem saem de casa..

  Quando pequena, tinha sérios problemas em competir. Ficava preocupada com as amigas que perdiam e também não gostava muito do sentimento da “derrota”. Isso é normal, sem dúvida! Ver jogo de futebol era uma droga! Morria de pena do goleiro e do time derrotado, RS! Quem já viu isso?! Depois acabei me acostumando, mas prefiro nem assistir a jogos de futebol, RS!
   Em Corrida de Aventura, era habitual que um dos integrantes das equipes que ficassem bem na fita fazia um release cheio de “gabulice”. Mas, só quando tinha vitórias. Se esse mesmo time não tivesse um bom desempenho, ninguém escrevia nada. Ficava todo mundo curioso para saber como tinha sido a prova, mas ninguém escrevia nada. Sem vitórias, sem releases!
   Sempre fui meio abestalhada mesmo! Escrevia release toda vez que voltava de uma aventura, independente do resultado. Não dá para escrever quantas vezes chegamos em último lugar.. RS! Foram muitas! Então deixaria de escrever releases, se dependesse do resultado...
   Ôpa! Desculpem pelo atraso! Tava tão atarefada que só consegui terminar o release do CAMBO (Campeonato Baiano de Orientação) agora.
   Não queria perder a primeira etapa da Corrida de Orientação por nada! Tem um monte de feras competindo em minha categoria e a festa seria boa demais pra eu perder. Só que minha semana antes dessa etapa foi um caos e isso acabou me deixando muitíssimo desanimada. Sabe daqueles dias que a gente poderia retirar da memória?? Parecia que uma nuvem negra tinha se posicionado no topo da nossa casa vermelha. Estou dando conta de três empregos, duas crianças, um cachorro, uma funcionária, pilates, pedal às quartas-feiras, corrida, inglês, contas para pagar, mercado pra fazer e o que ocorrer. Dar conta, sempre dei. O problema é como a gente encara as atividades diárias. Pessoal! Na sexta-feira, a galera lá de casa estava de péssimo humor, incluindo a engraçadinha aqui, que todo mundo pensa que é eternamente bem humorada. Pois é! Eu sou uma farsa, RS! Minha pequena chorando pelos cantos, meu filhote mais calado do que nunca, Neusinha sofrendo o pão que o diabo amassou com minhas implicâncias e até Totó parecia ter voltado a perder os pêlos. Nem o jardineiro tava colaborando! Putz!
   Acendi um incenso e umas velinhas coloridas pra ver se criava um clima mais ameno aquela noite. Mas, na verdade acho que ninguém nem percebeu as velinhas, RS!
   Fomos pra Feira de Santana no sábado à tarde numa correria danada! No fundo, acho que a correria era interior. Uma afobação interna residual da semana. Sério! Mesmo lá, pensei em não ir umas 5 vezes. Então o capitão do grupo que tô correndo, Luis Agnaldo, me ligou pra saber se precisava de carona até o loval da prova. Como poderia deixar de ir?? O cara nem sabia meu telefone! Só poderia acreditar que era a Providência Divina insistindo em mim.
   Acordei cedinho, comi uma besteira e fui. Aliás, antes de ir, tranquei a porta e deixei os tênis dentro de casa. Comecei a pensar que a Providência Divina estava querendo que eu não fosse. Como sou teimosíssima e lembrei-me do telefonema da noite anterior, acordei meu cunhadinho querido pra ele abrir a porta e pegar meus tênis. Rs!
   Cheguei ao local da prova bem cedo. Abracei os amigos, conversei um pouco, olhei por onde sairia e fiquei aguardando minha hora de partir. Pra variar, era a primeira a largar da minha categoria. Mas, na boa, tava tão desanimada que nem fiz aquelas mentalizações de “vou correr até cair e dar muito trabalho às meninas”. Mas, a esperança é a última que morre e a gente sempre acha que vai levar alguma coisa, mesmo sem tanto ânimo. Pensa até que o desânimo é porque vai ter alguma surpresa boa. Eu nunca perco esperança de nada e não sei se isso é qualidade ou defeito.
   Tava querendo fazer a prova pra relaxar e esquecer a correria da semana. Mas, por favor, não deixem de me achar competitiva! Perder a competitividade jamais!
   Saí toda desorientada pra pegar o primeiro prisma! Ainda arrumava bússola, mapa, cartão... Uma confusão! Então fui afastando-me do povoado, pegando uma trilha entre duas cercas. Trilhas entre as cercas, tudo bem mas, duas cercas grudadas! Pra que diacho as pessoas fazem duas cercas agarradas, paralelas!? Um rente na outra! A pessoa tem que pular duas cercas ao mesmo tempo. Como é isso? Que doidisse é essa??
   O prisma 1 estava numa moita! Aliás, poucos prismas não estavam. O pessoal escondeu tudo bem escondidinho. Só que fui achando tudo certinho. Fiz uma força danada pra me concentrar mas, a coisa estava fluindo sem problemas. No terceiro prisma, já tinha esquecido qualquer problema. Lembrava de pular a cerca, ter cuidado pra não cair nos buracos, procurar os prismas, gravar o número do prisma pra não marcar errado, desviar do cansanção, passar longe dos bois, correr dos cachorros. Eu tava até indo bem, mesmo lenta, com um raciocínio digno de uma tartaruga.
   Eram 15 prismas. No 14, tive a impressão de que não seria alcançada. Pensei que as outras meninas pudessem ter alguma dificuldade com aqueles esconderijos secretos. Só que o miserável do 14 estava numa posição abaixo das minhas vistas e eu o procurava no meu campo visual alto. Alguém entende o que é isso? Olhava pra frente e ele estava embaixo. Então, passei pelo lugar algumas vezes. Voltava, fazia as contas, media meus passos, entrava no mato de novo. Repeti o ritual umas 4 vezes. Daí as minhas "amigas" apareceram todas juntas, me cumprimentando, RS!
   Tudo bem! Provavelmente, se elas não tivessem aparecido, estaria procurando o prisma até hoje. Podem rir de mim! Não to nem aí! RS! Até eu rio de mim!
   A prova acabou e eu tive que voltar logo pra minha família. Precisava deles e eles de mim! Não deu pra prestigiar o pódium! Mas, posso dizer que estou correndo um campeonato no meio de um monte de gente competente e competitiva. Marcinha, Dêja e Tatye estão jogando duríssimo e, se eu quiser correr de igual pra igual, vou ter que me esforçar muito. Isso é ótimo!
   No fim das contas, aquela prova realmente me fez bem! Fiquei mais um pouco em Feira com minha irmã, depois, eu, as crianças e Tótis voltamos pra casa conversando sobre o que poderíamos mudar para que nossa semana fosse muito melhor do que a anterior. Refletimos sobre a viagem, a prova, o fim de semana e decidimos fazer tudo diferente. Discutimos a relação e recomeçamos!
   Que bom que quando a gente ama e é amado de verdade, a gente pode conversar, considerar, recomeçar e perdoar! E nada como uma Corrida de Orientação para lhe fazer zerar os problemas, zerar os pensamentos... A natureza é uma mãe mesmo! Que bom que saí de casa!

sexta-feira, 2 de março de 2012

CICA- Campeonato do Interior de Corridas de Aventura


   Cangaço! Adorei o nome! Uma prova em dupla e curta era tudo o que eu precisava para começar o ano esportivo. Vamos Fred?! Os dois sem treinar. Aliás, treinando pouco! Ele na natação e eu correndo e nadando.
   Antes da inscrição, só para garantir a paz no mato, um juramento. Nada de dizer desaforos ou qualquer stress. Corrida light, mesmo que sejamos os últimos. Pensei num termo de compromisso, mas seria muito exagero, rs! Ele prometeu um controle emocional supremo! Disse que estava querendo relaxar, recomeçar, que seu objetivo era apenas diversão. Parecia de uma competitividade racional, rs! Eu acreditei! ... E assim começa a estória da minha primeira prova depois da tão falada lesão do tornozelo. E a primeira prova de Fred depois do Ecomotion.
   Como a minha irmã mora em Feira de Santana, levei junto filharada e cachorro. E Fred acabou fazendo toda a programação familiar embutida na viagem, sem direito de reclamar. Essa parte seria colocada no contrato em letras miúdas, rs!
   O check-in foi naquele posto de gasolina já perto do começo da BR 116. Passamos lá às 11h pra checar os documentos e voltar pra almoçar com as crianças. Só que o tempo ficou curto e acabamos trocando de roupa dentro do carro, comendo um pão delícia no almoço, botando os equipamentos no chão, navegando o mapa... Não deu tempo de fazer melhor. Ficou tudo esculhambado!
   Fred achou melhor a gente pedalar sem sapatilhas. Tinha muita transição de trekking pra bike numa prova curta. Perderíamos tempo. Particularmente, prefiro as minhas sapatilhas e nunca tive problemas em carregar os tênis na mochila enquanto pedalo. Depois que passei a usá-las, foi a primeira vez que abri mão delas numa prova. Pior ainda! Não trocamos os pedais. Então pedalamos de tênis com pedal de clip. Só pra lembrar do juramento, quem não está nem aí não monta essas estratégias. Ai, aaai!
   A largada foi 13h e alguns minutinhos, com sol “lascando o cano”! Alinhamos nossas bicicletas lá no fundão, atrás do pódio. Outra sugestão do meu amigo. Deu vontade de perguntar: “Quem é você!? O que você fez com Fred??”. Fingi que não reparei, mas aquele rapaz estava meio esquisito. Sair no fim da fila não funciona muito bem numa prova de 33 km, se o objetivo for ficar entre os melhores. A coisa é veloz! Mas, como seria uma prova light, melhor assim. Então era sério! Ele queria ir devagar mesmo. Será!?
   Até o PC1, pedalamos num trecho da perigosíssima BR116, onde os caminhões descem a toda velocidade! Sorte que entramos numa trilha na beira do asfalto, perto do Rio Jacuípe. Naquele PC, percebi que ficamos bem pra trás por causa da estratégia da largada.
   As ladeirinhas chatas começaram a aparecer e as sapatilhas a fazer falta. Subimos uma bem íngreme, pedalamos por um pasto com umas vaquinhas muito fofinhas, passamos por onde mais tarde seria o PC10, numa fazenda bem linda, e descemos pela trilha para o PC2. O emaranhado de trilhas me confundiu um pouco. Não! Confundiu muito! Acabei desconcentrando nas bifurcações e decidimos voltar para o PC10 quando notei que estava apenas seguindo outras equipes. Não sei trabalhar assim, sem saber onde estou. Olhava pro mapa e não conseguia me localizar. Então voltamos e começamos outra vez. Mesmo assim, deu merda! Caímos numa estrada que levava à fazenda. Dos males o menor! Sabia onde estávamos e, ali, resolvemos pegar o estradão para chegar ao PC2, sem trilhas, nem rodeios. Só precisamos pular a cerca e a porteira com bicicleta e tudo. Nada que não tenhamos feito umas trezentas vezes! Na verdade, deveríamos ter pegado o estradão como primeira opção. Seria bem mais rápido! Perdemos muito tempo procurando trilha. Mas, tudo bem!
   Quando chegamos ao PC2, a turma que estava lá veio logo dizendo: “Só faltava vocês!” Ou seja, éramos os últimos da classificação geral, no meio de umas 20 equipes. Nem olhei pra cara de decepção do meu amiguinho! Dali em diante, esforcei-me para ficar mais atenta na navegação, contando passos e medindo distância, sem perder o controle do mapa.
   Um belo downhill nos levava ao PC3. Fred descia na frente “avionado”, como sempre, e eu o acompanhava sem muita demora. Ali, deixamos as bicicletas para um trecho com navegação mais afinada. Quem saísse de lá mais rápido, provavelmente, ganharia algumas posições. Era a parte mais difícil da prova! O desafio era encontrar o PC4 em cima de um morro, com uma vegetação meio densa. Não parei de contar passos naquelas trilhas, sempre atenta às entradas. Fred saía na frente, correndo feito um doido todo vez que eu indicava o caminho (nada competitivo esse rapaz!)! Mais ainda quando encontrávamos as equipes voltando. Sempre gesticulando pra eu andar mais rápido e falar baixo pra não chamar atenção.
   Fizemos a volta na base do morro por uma trilha bem marcada. Depois de conferir as distâncias, parei bem na direção onde poderia estar o PC. Àquela altura, meu amigo Frederico ia bem longe. (Gente! Ele corre muito! E vai embora sem olhar pra trás! Até pensei naquelas coleiras de cachorro brabo!) Gritei pra ele voltar e apontei para onde achava que estava o PC. (Ele volta com tudo também, pra minha sorte!) Fred subiu correndo! O PC tava numa moita e ouviu uns desaforos (tadinho) do meu amigo, indignado com o rapaz escondido. E fez questão de lembrar que ele continuasse ali quietinho, pra ser difícil pra todo mundo!
   Detalhe! Me lenhei toda pra fazer o melhor e meu parceiro saiu falando que demos a maior “cagada” por termos encontrado de cara o PC4. Tanto sacrifício sem o devido valor, rs! Sei não, viu! Se a gente não se valorizar, esse pessoal não reconhece. E a planilha oficial da prova mostrou que batemos recorde de tempo entre todas as equipes do PC3 para o PC4 e do PC4 para o PC5. Sucesso!
   No PC5, pelas mímicas de Fred (parecia um miquinho adestrado, rs!), entre os outros atletas que se arrumavam pra sair, estávamos em 7º lugar. Ele quem assinava o PC e acompanhava nosso progresso. Eu fazia tanta coisa que nem pensava nisso! Navegava, contava passo, conferia odômetro, aferia distâncias, lembrava de comer e beber água, além de ter que respirar para acompanhar o meu coleguinha. Ele corria, gesticulava pra eu andar rápido e reclamava, com toda educação e fineza, por qualquer sinal de insegurança na navegação, RS! Se errar ele se "reta"!
   Ah! Lembram daquele downhill?? A volta era por ali mesmo! Então virou um subidão miserável! Sem sapatilhas, a subida fica mais sofrida.. Lá em cima, quase na porteira, (putz!) o pneu de Fred furou. Agora pergunte quem trocou?? Eu também faço isso! Só que a câmera dele estava com um problema no pito. O pneu não enchia de jeito nenhum. Frederico começou aquele lenga-lenga de que a prova tinha acabado pra nós e... Tcharaaam! Saquei a minha câmera reserva e trocamos tudo outra vez. Dessa vez ele ajudou e parece que aprendeu!
   Mesmo perdendo um tempão trocando pneu, nenhuma equipe passou por nós. Deixamos as bikes no PC6 pra começar o trekking até a beira do rio. O pessoal que estava no PC, dessa vez, elogiou nossa performance dentro da prova e ainda profetizou: "Do jeito que vocês estão correndo, vão pegar umas 3 equipes que desceram pro rio." Então cumprimos a profecia: Fizemos todo o trekking correndo e ultrapassamos 3 equipes. Graças a Fred! Ele corria o tempo todo e acabava me estimulando a ir junto. Eu não tinha outra alternativa mesmo! Do PC7, a gente atravessou o rio pelas pedras, pegou uma trilha por mais ou menos 1 km e atravessou de volta pelas pedras para o PC8, numa casinha linda de beira de rio.
   Que sede! Nem acreditei que lá tinha água para vender! Nossa água tinha acabado havia tempo. Fred pagou uma “rodada” de água mineral pra galera que chegara conosco naquele PC. Confesso que já sentia as conseqüências do pouco treino, da falta do almoço, da falta de água. Estava bem cansada. Arrepiando, com dor de barriga, dor de cabeça e corpo dolorido, embora estivesse caprichando nas barrinhas de cereal. "Certa pessoa" nem me deixou fazer xixi quando viu que estávamos em quarto lugar no geral. Imaginem que absurdo!! A pessoa nem pode fazer um xixi!
   Graças a Deus! A prova estava quase no fim! Fred avisava, antes de pegarmos as bikes, que não queria ser ultrapassado até a prova acabar. Eu, cá com os meus botões, lembrava do juramento pré prova. Mas, também não queria que isso acontecesse. A coisa sobe pra cabeça mesmo! Corremos então! Corremos muito! Botei meus bofes pra fora!
   No PC 9 pegamos as bikes outra vez, sem fazer o diacho do xixi, para chegar ao PC10 e cruzar o pórtico de chegada. (E a turma do PC se impressionou novamente, rs! Uhuuu! Assim eu vou pra galera!) Voltamos pelo estradão outra vez, já que era o caminho melhor. Acabei até conversando um pouco com uns meninos ciclistas que passavam. Meu amigo não gostou muito da conversa. Diz que fico gastando energia. Tomei uns esporros de leve! De leve! Mesmo assim, batemos outro recorde de tempo na prova, do PC9 ao PC10, na Fazenda.
   Dali em diante, foi só seguir para a chegada. No fim das contas, ficamos em segundo em nossa categoria e em quarto no geral. Belo resultado!
   E viva Fred, que manteve a calma sem perder o foco! (Só precisa parar de mentir, que vai correr só pra se divertir! RS! Muitas amizades acabam assim, sabia?!! RS!) Não perdeu o senso de competição e atitude dentro da prova. Amadureceu durante esse tempo de Corridas de Aventura e continua um ótimo atleta! Entre os melhores que já corri! Sua energia dentro da prova chega a ser engraçada! Parece que deram corda! Parabéns pra nós!
   Parabéns à Caatinga Trekkers, que pode fazer prova de qualquer tamanho. P, M ou G. Qualquer prova da Caatinga Trekkers tem excelência! Não posso mais perder essas festas!
   Não posso esquecer de dar os parabéns à minha fisioterapêuta, Lorena Almeida! Que trabalho brilhante, minha amiga! Contrariando a todos que dizem que lesão de tornozelo é para sempre! Estou recuperada mesmo! E com mais um troféu pra minha coleção!