terça-feira, 11 de agosto de 2015

Desafio Ladeira de Pedra

   Sou de Catu. Morei na rua atrás da igreja, no pé da Ladeira de Pedra. Todo mundo sabia qual era a igreja e onde ficava a Ladeira de Pedra. Hoje em dia não tem pedra e tem igreja pra todo lado.
   Subir a Ladeira de Pedra era uma coisa incrível! Só chegávamos até o comecinho e só subíamos de carro ou ônibus com nossos pais. Depois dos 10 anos, nossa família mudou pra parte de cima da cidade. Como a escola era na parte de baixo, subir e descer a Ladeira de Pedra virou rotina. Depois da escola, o ônibus subia tão cheio que até parava no meio do caminho... Já teve situação do ônibus voltar de ré com o povo gritando. Entretanto, minha cidade natal não tem só a Ladeira de Pedra, tem muitas outras. E no Desafio Ladeira de Pedra, ao invés da dita cuja, subimos a Ladeira do Gogó da Ema. 
   Aproveitamos pra ir pra roça logo de manhã pra dar tempo de almoçar com Conça, minha mamãe. Seguimos pra cidade só no fim da tarde. Comemos um acarajé na Aruanha, visitamos Norminha, pegamos meu kit de corrida cheio de brindes no coreto da praça da igreja e deixamos Conça num local estratégico de passagem da corrida, a casa de tia Dirce.
   Então vamos à corrida...

   Feliz por ver aquela turma toda na largada, mesmo com o tempo frio e chuvoso, convidando pra ficar em casa debaixo dos lençóis. Eu estava comprometida a correr tranquila, sem botar os bofes pra fora, despretensiosamente. Difícil é correr cinco quilômetros sem botar os bofes pra fora, principalmente quando o primeiro trecho da prova já é a subida mais íngreme e longa, a do Gogó. Todo mundo parecia comprometido em não lesionar, inclusive dava pra ver todos à minha frente. Tem umas corridas em que a gente não vê o rastro dos que vão na frente. Vi uma menina ao meu lado e duas cabeleiras esvoaçantes na frente. Deixei a menina e fui atrás da primeira cabeleira. Ela dosava, eu também. Passei, ela passou, passei de novo... Pareceu interessante mas eu bem sei que a prova estava no começo. Sem querer me gabar, subo bem!

   A chuva já caia pelas ruas da Aruanha. Vitor, que pedalava pra me acompanhar, passou por mim quando liderava a prova, que eu não sabia que estava liderando. Então a menina da cabeleira bonita (bonita mesmo!) me ultrapassou e nunca mais olhou pra trás. Na verdade, ela quem liderava, rs! Ainda assim, consegui manter uma distância controlada. Quando chegamos perto da rodoviária fui saber que a cabeleira mais esvoaçante era de um rapaz que corria loucamente. 
   Na volta pela ladeira do Gogó, fiquei preocupada em levar um tombo porque meus tênis escorregavam bastante. Foi ali que perdi a menina do cabelo bonito de vista. Sem querer me esculhambar, desço muito mal! Sou péssima! É segredo... Mesmo assim não desisti de fazer o melhor que pudesse. Afinal, tinha muita gente atrás de mim e não desisto jamais. 

   Assim, descemos em direção à antiga estação de trem, onde agora é museu. Bonitinho! Catu tem até museu. Passei em frente à casa da tia Dirce, gritei a mãe desnaturada, que nem estava na porta esperando a filha passar. 
   Seguimos em direção ao comércio, viramos na garagem da Catuense e subimos na rua onde tinha o bar do meu Tio Vadu, onde comia o melhor pãozinho delícia quando era pequena. Deu até água na boca só de falar!
   Finalmente, a igreja matriz. Linda, iluminada... e distante. O paralelepípedo escorregava como quiabo. Subi tentando manter o ritmo mais forte que podia e até ultrapassei um cansadinho. Minha amiga Andréa estava na chegada no "bora Lu!", numa animação danada.

   Cheguei em segundo lugar com gostinho de hemácias na boca, toda feliz por fazer essa prova, correndo pelas ruas da minha cidade! Ruas tão conhecidas na minha infância e adolescência, que o tanto de estórias não cabe aqui. Amei, embora tenha cada vez mais certeza de que meu negócio é longa distância. Cinco quilômetros é coração na boca o tempo todo. Isso mata, minha gente! Prefiro resistência à velocidade. E, do jeito que sou louca, pra não ter um custipio, melhor fazer provas longas. Vou viver mais!

   Depois da premiação pegamos Conça pra comer na pizzaria da minha amiga Rosana, a Dagas.  Outro reencontro delicioso, caloroso, amoroso! 
   Não vi várias amigas queridas que achei que estariam lá. Deixo aqui um abraço especial pra cada uma.

   Agradeço muito a Show por me proporcionar o grande prazer de correr em minha cidade natal. Uma prova super bacana, bem organizada e acolhedora! Vou sempre que puder.
   Gratidão também a marido lindo pelo apoio de primeira qualidade e à minha mamãe que, pela primeira vez, teve a intenção de assistir a uma corrida minha.. KKKK! Intenção já conta!
   Até breve!





segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Marathon Bike Alagoinhas

   Vixe! Tanto tempo sem escrever! Também, sem resenha de corrida fica difícil. Na boa, as resenhas da vida não estão merecendo registro. Quem sabe um livro...
   Formamos a duplinha e fomos pedalar no Marathon Bike Alagoinhas. Pena que o percurso é menor para duplas! Porém, não menos lindo! Até melhor pra essa dupla sem tanto treino e sem peso na consciência, porque a dedicação à família tem sido nossa prioridade. Como não dá pra ser super, e ainda bem que ninguém é, temos treinado menos, até que nossos pequenos problemas sejam ajustados e se possa caminhar com mais tranquilidade.
   Adoro ir pra o Marathon Bike porque vejo uma parte muito querida da minha família. Vamos sempre um dia antes pra aproveitar a companhia dos nossos, que acabo só vendo de Marathon Bike em Marathon Bike. Taí um grande motivo pra eu não faltar. O detalhe é que a família sempre acha que somos mais do que somos como atletas, e pensam que somos super modestos. Rs!


   A largada foi pertíssimo da casa da minha prima, Silvana, então acordamos, tomamos um café reforçado e fomos... O outro detalhe engraçado é o que o pessoal acha que a gente só come comida integral, barras de cereal, carnes grelhadas, energéticos e ovos. Minha tia fritou quatro ovos pra gente. Como eu comi um e caí fora, Vitor foi intimado a comer os três.. KKKK! Claro que ele não comeu mas achei uma graça danada nessa história.
   A largada oficial, como sempre, foi do outro lado da cidade, depois de um pedal em comboio. Primeiro saiu a Elite, depois nós mortais, que fomos chamados de cicloturistas pelo presidente da Federação Baiana de Ciclismo. O que não acho nada demais, mas tinha um monte de gente com a faca entre os dentes ali, rs!


   Na largada a gente já pega um estradão muito legal, só pra aquecer. Uns dois quilômetros depois aparece uma curva acentuada pra começar as trilhas dentro dos eucaliptos. Uma maravilha! Cada paisagem de tirar o fôlego, sem contar com o cheiro! Os singletracks nos eucaliptos eram até fáceis de percorrer, outros nem tanto. Dei caruara numas duas ribanceiras, dessas curtas. Como cagona que sou, parei e desci segurando a bicicleta, sem vergonha nenhuma nessa minha cara descarada. Rs! 
   Também tive meus momentos de glória... Sei que a gente estava na vibe de pedalar o que pudesse. Descemos os downhills a todo vapor, sem triscar nos freios, fizemos os estradões com velocidade. Encontramos uma dupla no caminho. Até tentamos ficar perto deles mas penso que ganhar de alguém é merecimento. Quem treina mais pedala mais, não há dúvida. Nesse momento, pedalamos o que pudemos, estávamos bem perto quando meu odômetro caiu. Bastou parar pra pegar pra dupla desaparecer. Talvez nem precisasse o odômetro cair. Até que apareceu novamente, mas foi por pouco tempo. Meu odômetro não caiu de novo. Rs!
   Vitor nunca tinha corrido essa prova. Senti-me como uma anfitriã, mostrando aquela beleza toda. Ele parecia vibrar por estar ali, eu ainda mais. É um momento de conexão com Deus sem interferências externas. 


   Faltando uns quinze quilômetros pra chegada, apareceu um rio pra gente atravessar. Quando subi de volta na bicicleta, senti dor na lombar. Coisa rara na minha vida. A dor era forte, acabei reduzindo um pouco o ritmo. Escolhi não comentar e procurei me equilibrar pra dor passar. Passou quando entramos em Alagoinhas pedalando já num ritmo bacana. Subimos a ladeira até o Carneirão e comemoramos nossa chegada com minha prima linda, que nos esperava com ar de paparazzi, toda animada. 
Foi massa! 


   Com nossa cara de pau, fomos comer um churrasquinho em casa e voltamos pra ver se tinha rolado um pódio. Não rolou, não. Ficamos em sétimo lugar. Do quarto pra baixo, a diferença de tempo foi bem pequena mas, quem treina pouco tem menos chances. É isso aí!
   Terminamos essa prova super satisfeitos, animados, felizes e com a mente arejada. Esporte, amor e família dão uma combinação perfeita!
   Beijo pra todo mundo e até a próxima resenha!