domingo, 27 de março de 2016

Resenha da NP4- ano 2016




   Vou pular a parte dos elogios e descrição do evento porque essa é a quarta resenha de Noite do Perrengue que faço. Vai ficar repetitivo e eu tô com preguiça. Só digo uma coisa: Daqui a pouco a Noite do Perrengue vira mundial, de tanta gente de fora. Vixe Maria, quanta gente! Teve alguns amigos que nem sabia que estavam lá, só encontrei no outro dia no café da manhã.

Uma penca de Aventureiros do Agreste na NP4
   Fomos pra fazer os 60km. Nem sempre a gente consegue o que quer mas tem que ter objetivo. O que mudar no caminho, administra-se.
   Do emaranhado de trilhas e PCs que estavam no mapa, ainda faltavam os do trekking, que só seriam plotados no PC13. Sentamos, planejamos, guardamos uma caneta em cada mochila pra plotar os PCs de trekking. Levei tanta caneta que ainda emprestei uma pra Claudio, nosso, da Aventureiros do Agreste.
   Morro de medo de largada de bike! Imagina se caio e/ou quebro a bicicleta logo na largada? Gente frouxa tem sair um pouco mais atrás pra não atrapalhar quem é corajoso. E naquela muvuca toda, Vitor sumiu, minha lanterna desconectou e apagou, todo mundo gritava todo mundo.

Cada foto linda de Togumi!
   Ygor, ex-aluno da Escola de Aventura do Agreste (atleta, amigo, competidor) já veio logo me dando esporro numa ladeira:
   - Pesa marcha, pesa marcha!!!
   Foi mal Ygor! Tentava me acalmar com minha lanterna apagada, passei a marcha errada! Ainda bem que essa aula foi de Vitor. Tem que ensinar e aplicar. Esse é o barato da Corrida de Aventura. Na hora do “vamo vê”, todo mundo se atrapalha, erra, cai, tropeça, passa marcha errada, escorrega na navegação. Somos alunos uns dos outros.
   No PC1, no meio do bolo de gente, consegui ajustar minha lanterna da bike. Quando começou o eucalipto ficou gostoso. Lembro sempre das provas da Paletada. Aquele cheirinho é bom demais! Estava me sentindo ótima, achando que estava pedalando horrores! O GPS Track pode acabar com a reputação de qualquer caboclo. Brocamos em baixa, rs!
   A partir dali, cada PC era um flash. As luzes das câmeras brilhavam pelos matos. Quem tivesse perdido se achava, desde que não fosse pra muito longe ou se perdesse de manhã.
   Na saída do PC3, antes da descida pra o charco, a trilha dava uma sumida mas foi só seguir o azimute pra ela aparecer de novo. Lá embaixo, encontramos Fábio e Taty Pinheiro (Rasodacata). Ele perdeu o odômetro e questionou se estávamos indo pegar o 10 e o 11 antes de continuar na sequência. Senti por não termos planejado isso, não fomos. Mas teve um monte de equipes que foi. Possivelmente, ganharíamos tempo com essa estratégia mas nunca se sabe o que pode acontecer. E como diz o meu amigo Gaia, “SE” não ganha prova. Seguimos para o PC4, o 5, o PC6. Fizemos um bate e volta no 6 por achar a trilha mais fácil pra subir pra o 7. Batemos o PC8 bem rapidinho e fizemos um corte de caminho pra o 9. Tudo pelos eucaliptos. Foi lindo nosso corte de caminho!
   Pôxa, eu estava me sentindo uma navegadora de primeira qualidade. Não distrai nem um segundo. Nem Vitor. Com dois mapas e sintonia na navegação fica mais difícil perder o controle.
   Clicamos o PC10. E as trilhas para o 11 estavam quase congestionadas de tanta gente perdida. Passamos sem alarde, chegamos na equina, subimos a ladeira, lá estava o PC. Sim! Estava tudo no lugar certo! Gaia não perdeu nenhum detalhe, as medidas batiam certas. 
   Descemos de volta, seguimos para direita, entramos pela estradinha à esquerda, achamos a bifurcação, descemos pra esquerda. Muito mato, voltamos rapidinho, pegamos a outra trilha, que estava bem melhor. Sinceramente, não sei se precisávamos voltar mesmo...
   Entramos numa trilha um pouco antes para o PC12. Eram uns 250m até a porteira. Não achamos, voltamos. Objetivos na busca, retornamos, não demoramos muito de encontrar a outra trilha uns 20 metros adiante. Fininha, ela se abriu logo em seguida. A porteira! Muitas vozes por perto, muita gente procurando.
O Perrengue da Plotagem
   PC13! Transição para o trekking, plotagem do mapa. As canetas desapareceram. Pôxa vida, levei tanta caneta! Ainda me dei ao luxo de emprestar. Perdemos um tempão esperando alguém terminar pra emprestar. Maurão (Companheiros/R2), sempre gente boa, emprestou pra Vitor plotar o dele. Em seguida chegou o nosso casalzinho preferido do Vale (Thunder Adventure) com minha caneta na mão. Que alívio, estava pelo chão. Sei que perdemos tempo. Vitor até já tinha plotado o mapa dele mas, desculpe parceiro, jamais sairia dali sem marcar o meu. Chegou na hora de sair e eu ainda estava de sapatilhas. Putz! Essa aula da Escola de Aventura do Agreste foi minha, rs!
   O PC14 foi um bom refresco pra nós. Subimos a ladeira em direção ao 15, enquanto algumas equipes desciam de bike, inclusive Mauro e Gabi. Vitor começou a reclamar que eu estava muito devagar na navegação. Só que, antes de ir pra o 15, queria passar no 17... Estava pensando... Precisei explicar que tinha acabado de plotar o mapa e precisava navegar com calma. Do que adianta andar rápido sem saber pra onde está indo? O bom de tudo é que ele já sabe disso, só precisava lembrar. E fomos! Subimos a ladeira e chegamos lá no 17. Numa rápida tentativa frustrada de cortar caminho por uma trilha que nos levava ao PC15, preferimos correr por um trechinho maior pra não perder tempo procurando tanto.
   Direto toda vida, o dia já amanhecia quando caminhávamos pela trilha do PC15. Do fundo da casa, um azimute, e lá estavam as ruínas. E tome-lhe foto! E Mauro e Gabi outra vez. Ali, Vitor questionou se valeu a pena termos pegado o 17 primeiro... Bom... Respostas só na chegada.
   Voltamos para a casa rápido, encontramos a trilha de cerca que nos levava ao PC16. Mais fotos, muita gente perdida de bicicleta por lá. Até passamos pela entrada do 17. Depois, alguns amigos comentaram que quem foi pro 17 por ali demorou mais. Dispensado o PC17!
   Tudo certo, todo mundo no azimute. Encontramos Helinho e Gabi da Makaíra. Por uns dois segundos pensei que estávamos muito bem, rs! Helinho contou que tinham se perdido.  Compartilhamos um lanchinho, enquanto eu me distraía do mapa. A trilha acabou e o mapa virou um emaranhado de linhas na minha frente. Putz! A melhor navegadora do mundo desapareceu! Vou parar de cumprimentar as pessoas no meio da prova... kkkkk! Fiquei confusa. Não fosse Vitor navegando... Por isso que é bom que os dois naveguem. Pode atrapalhar se a equipe não se entender mas também pode ser um trunfo se houver sintonia na conduta. Vitor arrasou no PC 18!
   Cortamos o caminho que planejamos para o PC 19, passamos pelo charco que estava no mapa, Vitor viu a entrada à esquerda mas passamos um pouco porque a contagem de passos estava um pouco à frente. Ali, tivemos um encontro extremamente favorável com Davi e Cássio (da Insanos). Eles voltavam das bandas de lá, dizendo que tinham varrido tudo e não encontraram a trilha. Acreditamos. Indicamos a trilha que encontramos antes, e que eles também já tinham visto, e seguimos por lá, onde estava o PC 19, no meio da mata.
   Chegamos no PC20 às 6:15h da manhã. Uma pena que não deu pra remar. Paciência... Fomos pra transição pegar as bikes pra ir direto pra chegada. Rapaz, que pressa! Tinha uma equipe logo atrás de nós. Uma louca, desvairada, fazendo transição! Vitor se apressou também e quando percebeu, eu já subia a ladeira, cheia de gás. Como se estivesse tudo no começo. 
   O percurso, os erros e até o resultado dessa estória, o GPS Track conta tudo. Dá pra comparar com o desempenho de outras equipes, fazer mil conjecturas e até saber o que a gente estava pensando naquela hora. Embora saibamos que temos muito a melhorar, fizemos nosso trabalho direitinho.
   Quero dizer da nossa satisfação ao encontrar tantos atletas que participaram da primeira turma da Escola de Aventura do Agreste. Dos que contei, estavam presente 11 atletas distribuídos pelas equipes. Eber, Ygor, Luana, Gabriel, Samuel, Angeloni, Adriano, Anderson, Adriano Mello, Branca, Bruno... Além desses, mais as meninas que foram assistir: Deja, Luciana e Jamile. Todos fofos, sorridentes, maravilhosos!
   Obrigada, Ygor, pelo apoio no caminho para o PC 1! Obrigada, Luana e Gabriel, pelo apoio moral no PC13. Obrigada a todos pelo apoio! Vocês fazem parte da nossa história e do nosso aprendizado. Aprendemos muito com a Escola, revivemos nosso começo, nossa essência, nossos valores. Reacendemos a nossa chama. Torcemos por vocês, tenham certeza!
   Terceira das 40 duplas mistas. Segunda equipe do percurso .40. E esse nosso lugar no pódio dedico a vocês, que nos impulsionaram a começar o ano com essa energia tão boa, com a nossa essência em dia!
   Parabéns para Equipe NP4! Que nunca subestimemos a navegação das provas de Corrida de Aventura! Se não tiver navegação vira prova balizada. 
   
A alegria do pódio.
   Ao nosso treinador, Fernando Tadeu, obrigada pelo incentivo de sempre! À nossa Aventureiros do Agreste, todo nosso respeito e bem querer! 
   Vejam todas as fotos no site da Adventuremag. Estão lindas!
   


sexta-feira, 18 de março de 2016

Bastidores da Corrida da Escola

   Todo mundo do mundo inteiro na expectativa! Quatro dias de aula de sucesso, o encerramento precisava ser do mesmo jeito: com sucesso. Com o tempo mais do que curto, tudo mais ou menos organizado, só faltava conferir e marcar o percurso da prova de formatura.
   Com o apoio da Equipe Gantuá, usamos o CT como base e o mapa da corrida de 2013. Ou seja, embora a corrida fosse pequena em distância, era uma Corrida de Aventura de verdade, que foi feita por muitos atletas naquela época. Usamos todos os PCs. Até o que cancelamos, acrescentamos outro pra não faltar nem uma gota de emoção pra nossa turma.
   Eu, Tadeu e Vitor seguimos pra Praia do Forte na sexta tarde, logo depois do almoço. Pelo caminho, alguns amigos, que ajudariam como PCs na prova, enviavam mensagem pra dizer que não poderiam comparecer, e outros enviavam mensagens se oferecendo pra ir pra festa. Deus é bom, minha gente! E quem tem amigo não fica na mão. Nem uma gota de chateação com os que não puderam ir, tá? Sei que queriam estar lá. No stress!

Marcação do percurso.
   Quanto à marcação da prova, toda preocupação com o percurso foi embora quando pedalamos tudo. Começando pelo trecho que eles fariam de bicicleta, curtimos cada quilômetro. Oh, que delícia! Bem sombreado, verde, ventilado, com areia fofa, ladeiras, beira de lagoa. Coisa boa mesmo de pedalar! Também percorremos o trecho de trekking com bicicleta. E foi ali que lapiei minhas pernas nas tiriricas e cansanções que estavam pelo caminho. Fiquei preocupada com aquela trilha fechada. A árvore caiu, os galhos atrapalhavam a visão. Será que eles achariam a trilha? Seria emocionante ou decepcionante? Enfim, terminamos de marcar o percurso e só saberíamos depois que eles contassem.
Em todos os Postos de Controle, amarrei uma fita rosa pra nossos amigos PCs terem certeza de que estariam no lugar correto. 
   No sábado, acordamos às 4 da matina, depois do café reforçado, seguimos pra o CT Gantuá. 
Nossos atletas começaram a chegar às 6h. Inscrições, mapas, formação das duplas. Alguns já chegaram com duplas, outros se formaram por lá mesmo. Também teve um trio. Tentei organizar os desgarrados de acordo com os perfis de cada um. Parece que deu certo. Eles se entenderam muito bem!

Alinhados para largada. Lindos!
   Como um atraso de meia hora, demos a largada da prova.
   Lição de casa: Nossos meninos tem que sair mais cedo de casa porque a organização das provas oficiais não esperam os atletas chegarem. 
   Cada PC com seu lugar, cada PC com seu mapa, cada qual no seu cada qual. Teve gente que levou até cadeira pra sentar. Tadeu saiu antes da largada pra posicionar todos os PCs da bike. Mauro e Tadeu fariam transição do seus PCs para outros, durante a prova. Vitor levaria os PCs do trekking logo depois da largada e eu e Marcelinha fomos no PC5, o primeiro do trekking. Conversando tanto que me distrai na navegação, rs! Quem aguenta? Passamos da entrada, tivemos que voltar... E conseguimos chegar. Marcelinha sentou-se num bloco, eu sentei no chão mesmo. Conversamos horrores até ouvir os gritos: 
   - PC!!! PC!!!

Equipe Lost com o "aperto de mente" de Ygor
   Começaram a aparecer. Em primeiro, a Lost, que trazia mais três equipes coladas. Ali, naquele cruzamento, paravam pra navegar. E ficavam concentrados, discutindo, conjecturando... Demoravam mas percebi que fizeram exatamente o que orientamos: Não ficar preocupado com as outras equipes e navegar pra saber pra onde ir. Em nosso PC, ninguém foi pra o lado errado!

Equipe Tartarugas, o trio.
   Passaram as dez equipes, nove duplas e o trio parada dura. Então fomos pra o CT pra saber das novidades. Quando descíamos a ladeira, ouvi o rangido inconfundível da bicicleta de Renato. Nossa, eles já tinham terminado o trekking, remado e já estavam na última perna de bike! Estavam voando! No dia em que Renato tiver uma bicicleta melhor (Essa era emprestada.), só Deus sabe o que pode acontecer! Vixe, se botar sapatilha nesse menino... Ave Maria! 
   Na verdade, já tinha passado outra equipe, os Carcarás Tenebrosos, mais uma dupla que vai dar muito trabalho aos veteranos de Corrida de Aventura. E na porta do CT estava a Lost, com Paulo com a língua toda pra fora, parecendo um cachorro arfando de cansaço, mas todo feliz! E Ygor todo disposto. Começaram a navegar, apontaram pro lado errado, guardaram o mapa e saíram pedalando... Pra o lado errado... Nãaaaao! Eu não podia dizer nada! Fiquei ali desolada. Foram pra Praia do Forte ou será que foram pra Sapiranga? Só depois pra saber.. KKKKK!
   Entramos, fotografamos, rimos muito. A dupla Avante chegou com o PC do remo nas mãos. Eles levaram tão à sério essa história de pegar o PC que trouxeram pra nós. Não teve quem não achasse engraçado. Alan teve que remar até o local do PC para colocar a placa de volta. Imaginem se todos entendessem a mesma coisa? Seria um bom treino pra Gantuá. rs!
   O tempo estava acabando, o horário do corte se aproximava.
   Carcarás Tenebrosos concluíram a prova cheios de energia, por volta das 10:30h. Animadíssimos, contando histórias, tirando fotos. Demorou um tempo, chegam os meninos da Última Hora, com Renato de sua bike sem óleo. Comemoraram muito! Pareciam crianças, felizes da vida.

Foto do Pódio

   Avante chegou em terceiro... Quarto e quinto lugar chegaram quase juntos, se perderam juntos, fizeram um passeio pela Sapiranga juntos, se acharam juntos, tomaram a melhor coca-cola da vida deles juntos. Pagariam R$ 100,00 por aquela coca-cola, conforme depoimento. Rs! Eu ri muito desses quatro.

O pessoal da Coca-Cola
   Os outros, não menos importantes, foram chegando com suas histórias, seus risos, suas euforias. Muitas fotos, muita alegria, muita diversão. 
   As Luluzinhas chegaram do trekking, correndo feito loucas, três minutos antes do corte. Últimas antes do corte, e dispostas a terminar a prova. Navegando muito bem!
   Só faltou um trechinho de bike pras três últimas equipes que pegaram corte. Chegaram com tantas outras histórias engraçadas que não dávamos conta de ouvir tudo.
   Pena que acabou! O café da manhã, que delícia! Confraternizamos, brindamos os primeiros colocados, entregamos os certificados...

Entrega dos Certificados

   Não escondo o orgulho que tenho da minha equipe, a Aventureiros do Agreste. Nossa sintonia dispensa a palavra, basta um olhar pra cada um saber o que fazer. E não importa quem parece estar no comando, ninguém liga pra isso. Quando o projeto foi concebido, nem imaginávamos o quanto isso nos faria bem, o quanto aprenderíamos. Eles nem sabem o bem que nos fizeram. Essa turma vai muito longe! Tão surpreendente quanto o nosso curso, aprenderam tudo que se pode fazer para começar uma nova vida. E começaram! Cada depoimento lindo, cada foto mais linda do que a outra! Eles brilharam no CT Gantuá e vão brilhar em muitos lugares, vão frequentar pódios pelas provas por aí.
   Parabéns aos atletas da primeira turma da Escola de Aventura do Agreste! Uma saudade danada de vocês!

Todos!



domingo, 6 de março de 2016

Bastidores: O trekking virou corrida!

   A cada dia a Escola de Aventura  do Agreste nos proporciona mais vontade de fazer mais e melhor.
   Hoje eu vou contar do segundo dia- O trekking noturno.
   Era pra ser um treino noturno, aquela coisa de testar a iluminação pra ver se presta. Corredor de aventura gosta de se desafiar e de colocar os outros no mau caminho. No bom sentido, é claro!
   Nosso tempo pra fazer essas coisas é muito pequeno! A Escola é por amor mesmo, senão não dava não. Queremos muito que nosso esporte cresça, tenha muitos atletas e seja cada vez mais reconhecido. Quanto mais gente melhor!
   Esse tempo curto fez com que só pudéssemos resolver tudo do treino noturno naquele dia. Quase tudo, porque tudo de papel estava pronto, faltava ir lá pra ver se o mapa era compatível com a realidade e marcar os PCs com GPS. Então, depois do almoço, corri com Vitor pra tomar aquele sol na praia... e marcar uns PCs pra nossos atletas. Eram dois PCs pra eles encontrarem rapidinho mas pensamos bem e resolvemos marcar mais quatro pra brincadeira ficar mais gostosa. Daí tivemos outra ideia: formar duplas, fazer uma largada, hum... Corremos pra casa pra conferir o mapa com os pontos do GPS.
   Tadeu chegou! Checamos tudo, imprimimos os mapas e já estava na hora de voltar pra colocar as placas, meu Deus! Que correria! Já não dava tempo de Vitor ir junto (alguém tinha que esperar os atletas), então fui eu e Tadeu pra colocarmos os prismas e já ficar por lá mesmo, nos PCs 1 e 5. Putz! Fiz o percurso duas vezes, suei loucamente pra terminar antes de escurecer e ficar no meu ponto antes de 18h, que era o horário combinado.
Enquanto isso...
   Levei lanche e água. A noite caiu, junto com uma chuva leve. O vento resolveu assanhar meus cabelos e me matar de frio. Pois é! Não levei o anorak, e essa largada não começava nunca. A turma pegou o engarrafamento de sexta-feira, o briefing demorou, rolou uma aula de plastificação de mapa "na tora", e esse povo não queria desgrudar do mapa pra largar. Que povo é esse!? Enquanto isso, eu e Tadeu tremíamos de frio.
E eles lá.
   Um segurança do Condomínio próximo tentou me ajudar. Disse que eu poderia ficar no abrigo deles até a chuva passar. Mas todo mundo sabe que, se o PC é ali, não poderia ir pra outro lugar. Então já sabe, fiquei lá. Só pedi um saquinho de supermercado pra não dissolver minha planilha na chuva.
   Umas 19:20h, vem uma luzinha balançando. Uma só! Era Mauro com um saco plástico de 100 litros pra eu me vestir. Coisa de Aventureiro do Agreste. Já fizemos muito isso nas provas. A gente sempre ri muito dessas maluquices mas funciona que é uma beleza! Basta abrir três buraquinhos para braços e pescoço e está pronto o anorak super estiloso!
   E nossos atletas só começaram a aparecer pelo PC 1, lá pelas 7:40h. Todo mundo embolado, correndo com a faca entre os dentes, numa animação danada! Àquela altura, minhas letras apareciam irreconhecíveis na planilha, de tanta tremedeira. Mas, com a passagem de cada um deles, meu sangue começou a esquentar nas veias. Sentia uma animação que parecia que estava correndo junto com eles. Quando passou a última dupla, corri em direção ao PC5 pra encontrar Tadeu e tentar ajudar a quem porventura precisasse de ajuda. Liguei pra saber o que Vitor achava... Ele me disse que não precisava.  A primeira dupla já saía do PC 5. Eles estavam voando, não precisavam de mim, sem dúvida alguma!
   Fui pra o PC 6, perto da chegada, onde Gabi já se posicionava. Que corrida emocionante!!! A galera estava levando à sério mesmo!
   A primeira dupla chegou em menos de 45 minutos, no percurso de quase 6 km com navegação. Precisavam ver a cara deles. Pareciam crianças que acabavam de chegar do parquinho. Eufóricos, sorridentes, olhos brilhando junto com as lanternas. 
   Tem sido pra nós uma experiência muito rica, um aprendizado constante, uma felicidade grande compartilhar com essa turma tanta coisa boa.
   Depois eu vou contar do nosso treino de bike também.
   Um beijo grande!