quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Corrida do CT 2016


   Mucugê é uma cidade linda, um dia vou morar lá. Vou ser Dentista ou Fiscal de Vigilância Sanitária ou Cozinheira ou Garçonete ou Ajudante de Pedreiro. Topo qualquer parada pra voltar pra lá para sempre. Sei costurar também! Um dia eu vou embora e só volto aqui pra ver o mar.
   Foi a primeira vez que apareci na Corrida do CT de  Mucugê. Na cabeça do meu treinador eu sou “boca de zero nove”, como dizia o meu pai. E isso aí é coisa boa, tá? Ele dizia que eu tirava leite em cabra correndo! Gente que bota os bofes pra fora e sangra o nariz, mas não para de correr.
   Eu não sabia se conseguiria, mas aceitei o convite de Tadeu. Não sou se recusar essas coisas, não. Principalmente se tudo estiver favorável. Tipo: Todo mundo vai pra lá, eu posso ser Mega Power e meus meninos vão ficar bem sem mim.
   A proposta era fazer Corrida de Aventura no primeiro dia, Corrida em Trilha no segundo dia e, se entrássemos no percurso Mega Power numa das duas, fazer o Desafio do Cruzeirão. SIM, se minhas unhas permitissem. Fiz um monte de provas esse ano. As unhas estavam uma tragédia. Já tinha perdido cinco.
   Eu preciso falar dos meus amigos. Só um pouquinho... Esse pessoal é gente boa, tem boas maneiras, sorriso no rosto e bom humor. O que tem menos riso no rosto é o que mais faz a gente rir. Scavuzzi é uma figura impar! Perto dele, a gente fica com as bochechas doloridas de rir. Somos todos irmãos! Essa frase eu digo desde o começo e, embora nossas vidas dêem muitas voltas, o ponto de encontro é o mesmo. E a gente sempre dá risada das piores histórias, faz piada das nossas vitórias e derrotas. Aliás, nunca fomos derrotados! Nunca seremos!

Primeiro Dia- Corrida de Aventura
   Eu queria brincar tudo porque pagamos pra brincar tudo, mas Corrida de Aventura é um jogo de estratégia, força, coragem e determinação. Como todo jogo precisa de regras pra não virar “cachorrada” , aceitamos as regras e fomos pra largada.
   Eu e Vitor na dupla mista, Mauro, Gabi, Scavuzzi e Tadeu no quarteto misto.
   O primeiro Desafio da prova era fazer o trecho de orientação em menos de duas horas pra não ficar na Categoria Light. Definitivamente, nosso objetivo de prova não era esse. Falando por mim, sou sempre disposta a assumir a situação que vier, mas ser Light eu não queria não.  
   Largamos em sexteto e nos separamos no primeiro desentendimento. Muita gente navegando é uma merda! Péssima idéia, que foi resolvida na primeira bifurcação. Mauro pegou o bando dele e foi pra um lado, eu peguei minha “banda” e levei pro outro.
   Minha banda começou a espernear quando dei a referência do PC em dose homeopática. Aproveitei para “soltar os cachorros” e xingar os melhores palavrões de um vocabulário que só pode ser pronunciado assim, sem ninguém por perto. Tão inusitado que tivemos uma crise de riso. Impus respeito porque navegador não merece ficar ouvindo desaforos, não, minha gente! Que é isso!?
   Então!? ... Primeiro pegamos os PCs mais difíceis, no meio das pedras, dentro das valas, depois saímos “desbandeirados” pela cidade, achando PCs nos becos de Mucugê. Até no esgoto tinha PC. Ainda teve a parte de bike com orientação. Enfim, conseguimos pegar os PCs num tempo menor do que o programado.
   Ufa, somos Power!
   Fomos pedalar em outro mapa, com outra escala! Depois de um bom trecho de asfalto, chegamos por terra. A fazenda de café tinha pivôs de irrigação com diâmetro do mesmo tamanho da área urbana de Mucugê. Uma imensidão. O PC2 era  virtual, o 3 era gente. De lá, um pouco de trilha pra dar uma balanceada. E seguimos para o PC4, que estava escondidinho naquela outra trilha do lado esquerdo do estradão. A estrada empoeirada parecia não ter fim, as subidas pareciam planos. O caminho nos levava para um singletrack  até o rio, que batia direto num paredão enorme. Pronto! Bastava pedalar, sentir o ventinho no rosto e chegar até o PC5. Junto com nosso quarteto outra vez. Inúmeras vezes nos encontramos. E acabamos chegando no PC6 quase na mesma hora.
   O mapa do trekking até o PC7 já era com outra escala. Vitor desceu no rapel e eu na tiroleza, pela primeira vez na vida. Pegamos uma fila, que deve ter durado mais de meia hora. O que sei é que estava com medo de bater minha bunda naqueles galhos mas precisava descer logo pra fazer um xixi. Então pedi pra o Bombeiro me descer bem devagar, porque tenho certeza de que faria xixi nas calças antes de bater na água. O povo já faz piada com minhas maluquices, imaginem a cena?
   Descemos por dentro do rio pra achar o PC8. Estivesse chovendo mais um pouco, o PC seria dentro de uma cachoeira. Dali, entramos na primeira trilha que apareceu para sairmos das pedras em direção ao PC9.
   Uma pena que não conseguimos passar para o percurso Mega Power! Embora estivéssemos no tempo, já tinha passado uma porrada de gente, excedendo o limite de gente pra se perder na serra. Teve gente que não curtiu, mas eu me contentei em ser Power numa boa! Estava amarradona, curtindo horrores!
   Descemos o ladeirão de asfalto e seguimos para a trilha do museu do garimpo. Merda de trilha com tanta pedra! Sou péssima pra pedalar em pedra! Paciência! Pegamos o PC14 e seguimos para a chegada.
   Resultado: Segundo Lugar Dupla Mista na Categoria Power.



Segundo Dia- Corrida em Trilha
   A parada agora era comigo e Tadeu.
   Mesmo esquema: Categorias Light, Power e Mega Power. A gente tinha que correr pra ver o que ia rolar. Eu estava bem direitinha pra quem tinha corrido quase 60km no dia anterior. As cinco unhas que me incomodaram não estavam nos meus pés desde a Odisséia de Pernambuco. Assim, sem outras unhas pra incomodar, ficou bem tranqüilo. Das pernas e do fôlego, só saberíamos após a largada.
   Tadeu, animado e confiante, queria resolver seus problemas com as trilhas de Mucugê, reduzir seu tempo de prova em relação ao ano passado. No mínimo, ser Mega Power. Eu acredito muito nas minhas canelas secas, mas nunca se sabe o que pode acontecer. Ser Mega Power é massa! Fechou!! Objetivos bem alinhados! Queremos o Mega Power!
   Largamos!
   Os primeiros cinco km foram ofegantes pra mim, como sempre. A adrenalina do começo dá um pouco de cansaço mas estávamos muito tranquilos. A natureza ajuda quando você sabe quando e como aproveitar.
   Corremos pela cidade, pegamos a trilha pra o Ecoville Mucugê, entramos no rio, molhamos os pés, corremos pelo lajedo e nos tornamos uma dupla Power.
   Dali, começamos uma subida de lascar o cano, arrepiar os cabelos do corpo e doer o quadríceps magoado do dia anterior. Ah, mas passou rapidinho... O corpo começou a acostumar, ficamos de couro quente. Sem contar que entramos numa trilha toda plana com a vegetação de arbustos que chegavam até a altura do suvaco. E que coisa boa que é correr com aquelas fitinhas. Abri meus braços de felicidade! Corrida balizada é massa pra relaxar! Recomendo para Corredores de Aventura! Não tem coisa melhor do que passar um dia na adrenalina do mapa, da bússola, dos equipamentos, estratégias, dos downhills, de todos os apetrechos de uma Corrida de Aventura... E depois fazer uma corrida toda balizada. Pensei que se a turma toda tivesse ido pra soltar as pernas seria muito legal.
   Tadeu estava tão bem que só respeitava os 20m de distância. Chegamos ao km 11 animados e viramos Mega Power! Que bom que viramos Mega Power, 21km! O percurso é ainda mais gratificante. As cachoeiras são gratificantes! Os rios, as pedras, os barrancos, as flores são gratificantes! Os gritos dos amigos são gratificantes! Todo e qualquer desconforto ficou pra trás, bem lá atrás.
   Depois de 15km fiquei animadíssima. Aproveitei a presença de possíveis alunos da Escola de Aventura para explicar tudo que aquelas pessoas precisavam fazer para começar uma nova vida. Falei tudo! Dos cinco encontros, do primeiro dia de aula teórica, do rapel com Josemar, do treino noturno, do treino de mountain bike e da corrida de Formatura. Tadeu não se meteu muito na conversa não... Não sei porquê... Rs!
   Então, depois de pular muita pedra e correr pelos matos de Mucugê, entramos na cidade, passamos por trás da igrejinha e seguimos para a chegada com as três pulseiras nos braço. Duas horas e quarenta de oito minutos de fitinhas coloridas! Adorei!

Terceiro Dia- Desafio Uphill do Cruzeiro
   Preguiça infeliz! Má vontade de viver, imagine de subir o Cruzeirão. Uma chuva fininha, um friozinho gostoso pra colocar um agasalho e tomar um café da tarde. Mas a pessoa, ao invés de tomar um café com os amigos, vai pro Cemitério Bizantino pra subir o Cruzeirão. Tadeu? Ah, ele estava animado, queria muito se acabar naqueles 700m com 48 graus de inclinação. Onde mesmo que tinha essa informação?
   Antes de subir, pegamos nosso número de peito e ficamos na maior resenha. As gargalhadas que eu dei já valeram o sacrifício.
   Cada atleta saia num tempo, a cada 2 minutos. Os homens primeiro, depois as meninas. Do lugar de onde a gente ficava esperando a vez, dava pra ver a galera escalaminhando o morro em alguns pontos. Para os meninos, o tempo precisava ser abaixo de 12 minutos para ganhar a camisa. Já as meninas precisavam subir em menos de 14 minutos.
   Sim!!! Resolvi subir o mais rápido que pudesse. Tinha horas em que era paredão, que só dava pra subir com as mãos no chão, de quatro. Em outros momentos, dava pra andar muito rápido. Correr, nem pensar! Minha garganta ardia, o ar parecia rarefeito. Um pouco antes de chegar lá em cima, passei a mão no nariz pra ver se estava sangrando. Foi só sensação... Subi em 13minutos e alguns poucos segundos. Acabada!! Devo ter demorado mais de 14 minutos pra me recuperar, RS!!!
   A camisa foi pra o meu treinador como sinal de gratidão! Ele quem inventou essa história de fazer três competições num mesmo fim de semana. Pra mim, foi muito divertido, muito mesmo!
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   Pra finalizar, desejo VIDA LONGA à Corrida de Aventura, à nossa equipe, à nossa Escola de Aventura, aos amigos queridos. VIDA LONGA à Corrida do CT Gantuá. Tivesse que descrever com uma palavra, diria: IMPECÁVEL!

   Foi um ótimo fim de semana!!!