domingo, 28 de julho de 2019

Itália- Parte 1

   Nossa viagem de férias durou 14 dias por Paris, Roma, Florença, San Gimingano e Veneza. 
   Decidi compartilhar nossa trip pra dar ideia pra vocês. Vai que, de repente, as histórias ajudam na viagem de outra pessoa.
   Tem 2 anos que fomos ao Peru e fizemos a trilha Salkantay sem guia, saindo de Cusco até Machu Picchu. Foi muito interessante! Encontrei blogs que ajudaram muito em nosso planejamento. Dessa viagem, também escrevi um pouco pra ajudar outras pessoas a viajarem. Nossa jornada dos 3 dias de trilha pela Cordilheira do Andes estão aqui no Blog.


   Uma viagem mais barata começa na compra das passagens com antecedência. Dá pra pagar em suaves parcelas até perto da partida. Outra coisa que funciona bem com a gente é a hospedagem pelo Airbnb. Precisa ter muito cuidado com localização e ler as avaliações do site, assim como se faz em outros sites de hospedagem, mas vale muito a pena ficar num apartamento ou casa, pela possibilidade de economizar com alimentação. O custo cai bastante quando cozinhar não é um sacrifício.
   Nesse relato, vou contar do começo da viagem, no dia 14 de junho de 2019. O voo “barato” saindo do Rio de Janeiro (cerca de 2.500 reais, ida e volta), teve conexão em Paris de um dia inteiro, na ida e na volta. O fato de sermos atletas de Corrida de Aventura fez muita diferença nesse pedaço da viagem. Olha só o balaio de gato:
- Salvador - Rio às 6:20h. Do Rio de Janeiro pegamos o voo pra Paris às 15:25h, chegando 7:40 da manhã de 15 de junho. 
   Como a conexão pra Roma seria 20:45h, tivemos uma lacuna enorme para aproveitar Paris. Com a ansiedade da viagem, não dormimos no vôo. De virote, pra curtir Paris sem peso, deixamos as mochilas no Depósito de Bagagem que fica perto da escada que próxima ao terminal de trem, por um custo de 10 euros/cada. O trem custou 10 euros também. Fez a conta? Gastamos 30 pra cada, para sair e voltar pro aeroporto.
   Fomos direto comer o melhor croissant do universo na pequena padaria da rua Marcadet, uma parada de metrô num bairro singelo de Paris, onde ficamos na última viagem. O croissant só com manteiga derrete na boca. Recordar é viver! Lembrando que é possível encontrar padaria em todo canto de Paris com delícias incríveis pra saborear, e ainda achar seu almoço bem em conta pra comer pelos bancos dos jardins da cidade.
   Da Marcadet seguimos caminhando pra Montmatre, tiramos umas fotos na Basílica de Sacré-Couer, descemos pra Torre Eiffel. Detalhe que esquecemos de comprar o mapa no aeroporto e não fomos pelo caminho de sempre. Então a descida até a Torre foi um pouco conturbada, mas nada que causasse grandes problemas.


   Anote aí: compre o mapa no aeroporto que fica bem tranquilo.
   O Trocadero estava com gente demais, idiomas demais, vendedores aos montes! Bom ficar ligado em seus pertences pra evitar surpresas. Da grama, a vista da Torre e uma pausa pra descansar. 


   Depois do momento relax, caminhamos pelas margens do Rio Siena até o Jardim de Tuileries, que fica entre o Louvre e a Praça da Concórdia. Por ali mesmo, já demos uma volta, passamos pela Igreja de Madelene, compramos o almoço e voltamos pra comer no Jardim.



   Nos fim das contas, voltamos pro aeroporto pelo metrô da Madelene mesmo, pra dar aquela passadinha básica na Decathlon, loja de artigos esportivos que nos hipinotiza profundamente.
   Só pra ressaltar, o metrô de Paris no horário do rush é bem cheio. Cuidado com seus pertences em qualquer lugar do mundo!


   No aeroporto, tudo muito simples! Pegamos nossos mochilões, entramos na área de embarque e aguardamos o voo pra Roma.
   Àquela altura, já estávamos sem dormir por uma noite, além de termos acordado muito cedo o trajeto Salvador x Rio de Janeiro. Como pegamos o voo de Paris à noite, chegamos lá perto de meia noite em Roma, sabendo que teríamos que esperar o dia amanhecer pra começar os “trabalhos”. Não reservamos hospedagem para aquela noite. 

   Na próxima resenha vou contar como foram os nossos dias em Roma, na casa de Gio, pelo Airbnb.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Desafio Ecotrail 80km em 20/07


   A Corrida de Aventura é dona do meu coração, meu esporte preferido!  E nesse Desafio, eu e Gabi decidimos ir de Penélopes.


   O encontro com os amigos é sempre mais caloroso, cheio de afeto e abraços apertados. Bem diferente de grupo de whatsapp. Por isso que saio de grupo, gente.  Não reparem! Por lá, todo mundo (podem me botar no meio do bolo) fica corajoso, forte, agressivo, irônico, metido a arrochado... Tem amor também, mas em menor quantidade do que agressividade. Todo mundo se sente à vontade pra ser o que quiser porque depois, basta dizer que a pessoa entendeu errado ou que não aconteceu nada. Não gosto dessa cachorrada! 😉
   Dentro das inovações colocadas na prova, Tadeu, Diretor Técnico da prova, decidiu fazer o briefing em forma de Live no Instagram. Com duração de quase duas horas, alguns atletas assistiram e outros compareceram à Vidativa Gourmet para assistir ao vivo e à cores. Ou seja, uma Live da Live. E quem não pôde ver, teve como acessar o arquivo baixado. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos!
   Meu colete de prova ficou um vestido, mas Lu Kroger se solidarizou com minha feiura, dizendo que eu não estava digna de uma Penélope. Acabou trocando a dela comigo e fiquei chuchu beleza! Amigo é para essas coisas! E amiga de verdade avisa quando a gente tá muito feia.  🤗
   Xixarros e Aventureiros se juntaram em 2 apartamentos, com família e tudo, pra festa ficar ainda melhor. Felicidade mesmo é encontrar tanta gente boa pela frente, que deixa a gente comer, beber, dormir e não pagar. Duas loucas desvairadas e desprogramadas.😂 Pensando que quando chegássemos, poderíamos nos jogar em qualquer chão e dormir até a hora de ir pra casa.



   Antes de largar, ainda teve entrevista com Patrícia Abreu, aquela repórter que está colada em tudo que é aventura e agora tem um canal super bacana no Youtube. Foi muito legal, não só porque me senti na calçada da fama, mas porque tudo que a gente faz, pensa no que pode ser revertido para a Escola de Aventura e consequente captação de novos atletas. Vamos caminhando devagar e chamando gente pra caminhar junto.
   Largamos de bicicleta do Tree Bies, aquele resort porreta de Subaúma. Demos uma volta pela Vila pra fazer o promocional, em seguida, cada um seguiu seu caminho logo depois do sinal de largada do organizador da prova.
   Nós, por falta de categoria feminina, competimos com as duplas mistas. A graça foi dizer pra Down e Marayza que queríamos ganhar deles, que comeram a maior pilha. Como qualquer equipe em qualquer corrida, o melhor resultado era nosso propósito. Pra quem pensa que sou competitiva não tem idéia de quem é aquela moça chamada Gabriella Carvalho. Rapaz! ☠☠☠
   Logo no começo da prova, formou-se um congestionamento numa porteira fechada, por conta da quantidade de atletas entalados. Gabi se jogou por debaixo da cerca numa rapidez tão grande que, quando vi, estava do outro lado pedindo pra eu passar as bicicletas. É o bom de ser pequena! E mesmo pequenas, não tivemos problema algum pra transpor as bikes por cima da cerca e seguir caminho pra os 15km inicias da prova. Pequenas e fortes!
   Pro PC1, seguimos a trilha por alguns metros, depois viramos à direita, passamos por meio mundo de areia fofa, contornando o charco por uns 600m até a ruina. Lá estava todo mundo embolado pra tirar foto.


   Encontrar o PC1 rápido faz um bem danado! Tenho problemas com PCs 1. Não tenho maturidade pra ficar procurando PCs 1 sem ficar puta da vida quando não acho. 🤪
   A trilha pro PC2 era, digamos, pedalável. Os atletas se dissiparam um pouco, pudemos até desfrutar da companhia das equipes do trekking que passavam por ali. Angeloni e Samuca transitavam, conferindo percurso. Resultado: mais gente boa pra encontrar no caminho!
   PC2, chuchu beleza! Nossa navegação estava boa, sendo que aos poucos fui ganhando confiança nas distâncias do mapa. Para o PC3, boas ladeiras com boas valas e alguns trechos de areia. Vegetação mais densa, mais verde. Descemos um downhill, viramos a direita, medimos a distância e atacamos o PC sem demora. Ali notamos que as equipes passaram direto. Na saída, contamos para uns atletas que estavam por perto, resultando num aglomerado de gente, que vinha de tudo que era lado. Fomos embora na maior alegria por termos encontrado o PC primeiro que todos!


   O resultado disso é que quase fomos atropeladas pela tropa que veio atrás de nós. Só isso! Então anote aí: Não basta achar o PC em primeiro, tem que ter perna pra pedalar na subida que vem pela frente. Alegria de pobre dura pouco! 😂😂😂
   Depois de muito subir e descer, ora pedalando, ora empurrando, nos deparamos com bikes paradas na entrada da trilha para o PC4. Foi só entrar pela trilha, passar direto pelo PC... não péra! 😶... voltar e tirar a bendita foto. É isso então! Tem que olhar pra tudo que é lado quando for procurar o PC. Vamos aprendendo!
   Por falar em foto, treinei a selfie com câmera fotográfica e fiquei craque! Aproveito pra fazer um agradecimento especial à Janaína, da Turma 7 (Que turma!), que emprestou sua super máquina fotográfica à prova d’água pra gente sair bem na fita, aliás, na foto. 😍😍Uma fofa, querida, maravilhosa, que amo! Leva a família toda pra correr tudo, leva os amigos... não para quieta um fim de semana. Doida que nem nós!
   Hora de voltar pra transição no Tree Bies! Pegamos um retão, caímos numa duna miserável e tivemos que empurrar a bicicleta até não querer mais. Um mundo inteiro de areia, por mais de 1km não teve pedalada certa! Mas, quem já fez prova da Paletada sabe exatamente o que significa um empurra bike. Lembram daquele massapê do recôncavo? Lembram daqueles 7km de empurra bike até Santiago do Iguape? Eu realmente não me importo! Só gosto! ☠
   Depois da rápida transição, seguimos o plano de ir pelo asfalto. Nada de trilha sem necessidade, já que não agregaria. Bateu a distância, subimos à esquerda por um barranco enorme até cair no descampado com formato de campo de futebol. Se eu tivesse ido pro lugar onde o mapa indicava,  no cantinho, no começo da trilha, teria achado o PC na bucha. Mas não! Começamos a varrer o lugar um pouco antes, o que nos fez perder tempo. Umas voltas depois, Rafa e João apareceram, também procurando e nos presentearam com o PC.
   Gabi confia em mim! Isso faz uma diferença danada porque, independente do que aconteça, ela tem posicionamento maduro, objetivo, colaborativo, questiona o que precisa ser questionado, sem cobrança e corre atrás do PC. Parceria das galáxias!👌
   O PC6 não estava muito longe. A questão era contar distâncias, conferir azimute e achar aquele bololô de gente, saindo pelas tabelas, procurando o famigerado. Encontramos o PC e voltamos. Foi quando tive um transe mediúnico, pra não dizer um branco total.😳🤯 Não entendi nada! Quando olhei pro lado esquerdo, vi uma estrada, que não localizei no mapa. Kikuti apareceu de lá de baixo, do nada, fez uma pergunta e foi embora. E fiquei uns 5 minutos tentando entender que estrada era aquela, quando a única coisa que precisava fazer era seguir a trilha. Não tinha nada que olhar estrada.
   Saindo do transe, descemos a trilha que nos levava ao PC7 sem dificuldade alguma, exceto pela vegetação um pouco mais fechada. Lá embaixo, já anoitecendo, na bifurcação para a direita, beirando o charco, contornando... o caminho por dentro do charco indicava a passagem no local correto. Atravessamos, enquanto duas equipes voltavam, incluindo os meninos da Outside, Vitor e André.


   Para o PC8, num trekking de mais ou menos 1,5km, contornamos o morro, sempre beirando o charco à nossa esquerda. A trilha desaparecia algumas vezes, só que Gabi é super farejadora, parece cachorro perdigueiro, encontra rápido. Eu, sempre caminhando atrás, além de observar a trilha, monitorava o charco pelo barulho dos bichos na água. A gente só precisou ter cuidado pra não perder a trilha de tanto conversar, mas o PC estava lá nos esperando, bonitinho!
   Começamos a subir um pouco, encontramos um cruzamento de trilhas, seguimos uns 80m e lá estava o PC9. Lá encontramos nossos amigos Rafa e João, da Tarzans, e Mara e Down. Aliás, nossos caminhos se cruzaram demais!


   Gente, João foi da Turma 5 (tomara que eu tenha acertado a turma!) da Escola de Aventura do Agreste. É um exemplo do que desejamos fazer com as pessoas que entram no curso. Apresentar o esporte, na teoria e na prática, e fazer com que o aluno seja capaz de montar a sua equipe, independente de querer ficar em nosso grupo ou não. Queremos que o cara voe, mesmo que ele nos atropele! Enfim, João é gente que faz! E arrumou um parceiro que navega muito, enxerga bem os detalhes do mapa. Não vai demorar pra aparecer pelos pódios das corridas.
   Eu e Gabi estávamos amando encontrar Mara e Down (Mandacaru). Como eles são fortes e competitivos, além de ficarmos felizes, eles comiam uma pilha danada, deixando nossa prova animadíssima. Parabéns pra vocês! Nos sentíamos fortes também. 💪💪
   Corremos pelo asfalto até as bicicletas, numa rápida transição. Já pedalando, depois da ponte, entramos para a direita, ainda por dentro da vila, pra encontrar outra ponte. Nosso planejamento não incluía a trilha à esquerda, que caía direto na estrada que nos levava ao PC10. O fato é que localizei a trilha como referência, notando que o caminho seria mais curto. Afinal de contas, receber o mapa na hora da prova faz com que seu planejamento seja no caminho mesmo. Faz parte do jogo também! E viva quem não passou nos 40 e consegue enxergar tudo nessa vida!
   Depois de uma breve conversa, decidimos seguir pelo caminho mais longo. No fim das contas, nos encontramos de novo com João e Rafa uns 300m depois, voltando pra achar a trilha do caminho mais curto, alegando que já se depararam com muita areia. Então tá! Retornamos para a trilha, o que pareceu ter sido uma ótima escolha, afinal, mais adiante, estava nossa dupla mista Madacaru querida, que pensávamos estar bem mais à frente.


   Uma característica interessante do percurso da prova foi que a equipe tinha mais de uma opção para encontrar o PC. Pudemos explorar bem isso. Chegando no local do PC10, sinalizei pra Gabi que o PC estaria na parte de baixo de uma erosão. Logo achamos e seguimos caminho, fazendo mais uma mudança de estratégia. Decidimos contornar pelo charco, passando pelo que parecia uma ponte e virar à direita por uma trilhinha molhada. Esse foi mais um ponto onde encontramos algumas equipes, que acabaram seguindo para a esquerda à nossa frente. Quando parei pra conferir o azimute (que estava errado), Rafa sinalizou que a entrada pra direita tinha ficado uns metros atrás. Opa! Já voltandooo...
   Então passamos por uma área bem molhada, morro acima por uma fazenda e pegamos a estrada. Sei que, do cruzamento até o PC11 não demoramos muito. E para o 12, foi só pegar a estrada, atravessar o asfalto, passar pelo campo de futebol... Gente, tem necessidade disso? Eram 3 trilhas ao invés de uma. O que fazer? Pra isso serve a bússola! Oh equipamento que eu gosto! Azimute e pimba, PC12!


   Fizemos força no asfalto, já pensando na possibilidade de prorrogação do horário de corte. Entretanto, nem sabíamos que horas eram. Trabalhando em equipe, o vácuo da bike foi essencial pra manter o ritmo até a pracinha. Entramos na rua que levava até a beira do rio, passamos por uma ponte e percebemos que bastava seguir as marcas de bike. Olha, que merda, viu?! Não tenho direito de me distrair por nada em nenhum momento. Que marca de bike coisa nenhuma!! Quando percebi, não conseguia reconhecer onde estava. E logo passaram uns caras de moto... Pra quê perguntamos? Pra ficar pior ainda! Devemos ter perdido uns 15 minutos nessa brincadeira. Então fizemos exatamente o que deveríamos ter feito: voltamos até o lugar conhecido.
   Da ponte, medi a porra toda, contei as merdas da entradas, puta da vida e, obviamente, claaaro, chegamos ao PC do rio. Lá chegando, quem estava com a gente no PC12, tinha chegado, mas também não conseguiu escapar do corte. Belo consolo! 😐😄
   Tadeu informou que havia estendido o corte para 22h, que poucas equipes conseguiram passar. Achei muito bom pois, mesmo aumentado em uma hora, não atrapalhava o tempo final de prova, que também havia sido estendido para 6h. Tudo isso, respeitando o grau de dificuldade da prova e as necessidades da organização.
   Cortadas no trecho de canoagem, teríamos que atravessar o rio, fazer um trekking de 12km, se fizéssemos boas escolhas, atravessar o rio de novo e depois seguir pra chegada. Aquilo pra mim estava tão claro como o sol do meio dia sem nuvens no céu. Entretanto, Tadeu veio explicar como funcionaria nosso tempo limite de prova. Nosso tempo não seria 6h, como o de todas as equipes da prova, e sim, 2h da manhã. Minha cabeça, que já estava com problema, depois de tantas horas de prova e do perdido ridículo, deu o nó. Uma desclassificação especial por tempo limite de prova para as equipes que pegassem apenas o primeiro corte. Ou seja, se fossemos piores do que fomos, e pegássemos os dois cortes, e fôssemos direto para a chegada até 6h, não seríamos desclassificadas. Deu pra entender? Ele argumentava que esse tempo estava sendo aplicado para nivelar as equipes. Por minha vez, não entendia que tipo de nivelamento estava sendo aplicado. Que tipo de justiça era aquela?
   Olha, preferi realmente não perder tempo com mais conversas. Não era hora de debater regulamento de prova. Nunca corri com regulamento debaixo do braço. Nós queríamos cair pra dentro daquele rio, atravessar e ganhar o mundo, mesmo sabendo que a possibilidade de chegarmos às 2 da manhã era remotíssima.
   O rio estava completamente neurótico! Guardei tudo, pensei na câmera e no meu celular, rezei para Nossa Senhora dos Prejuízos e entrei. Não fosse pela corda que Tadeu colocou pra nos ajudar na travessia, a África era o nosso limite. Na minha incrível insensatez, coloquei o mapa entre os dentes pra atravessar. Gabi seguiu tão rápido que, quando vi, já estava pisando na areia do outro lado. Enquanto isso, minhas pernas balançavam loucamente no sentido do mar. Em vão, tentava ficar numa posição mais alta pra não molhar minhas coisas. O mapa entre os dentes me fez beber água pelo nariz. Quando passei pelo pescador que estava no barco, bem no meio do caminho, com meus dentes cerrados no mapa, fingi naturalidade, ainda conseguindo dizer que estava tudo bem. A mucosa nasal que o diga! Vou te contar: é cada coisa que ainda faço, depois de tanto tempo, que só rindo! Entrou 5 litros de água pelo nariz.
   Passado o sufoco, nos recompomos rapidinho, cumprimentamos João e Rafa, seguindo pro trekking, que foi muito massa! A sensação de leveza é indescritível ao vencer um desafio. Caminhávamos em ritmo forte pela trilha toda arborizada. Nesse trecho da prova, era vegetação mais densa ou duna. Depois de alguns quilômetros, localizamos a trilha que seguia para o PC17, só lembrando que os 13, 14, 15 e 16 da canoagem ficaram pra trás, no corte. Da trilha, abriu-se aquele mundo de dunas, do tipo que se piscar os dois olhos, você já não sabe mais pra que lado vai.
   Caminhamos no azimute por tantos metros e viramos para a esquerda em outro azimute para encontrar o PC. Nada! Começamos a entrar um pouco na vegetação, saímos, entramos, subimos, descemos, voltamos, giramos, saltamos, cambaleamos, rebolamos. Daqui a pouco vem João e Rafa, para fecharmos aquele quarteto que insistia em se formar. Refizemos todo o caminho, entramos, saímos...  Gabi começou a cogitar que fôssemos procurar outros PCs, quando Rafa gritou:
- Gente, olha o PC aquiiiie!!!
   

   No lugar onde entramos de primeira, onde passamos umas 5 vezes, estava o PC. O vento enrolou a lona na fita. Nem sei como ele enxergou. Oxe!!!
   Voltamos para encontrar a trilha principal, seguindo para o cruzamento com a tal placa tripla do PC18. Esse foi bem tranquilinho de achar. Batendo o maior papo, os meninos disseram que também seriam desclassificados se não chegassem até 2h. Aproveitamos a caminhada pra ler o Racebook inteiro pra tentar entender a lógica da desclassificação antecipada por um tempo limite de prova diferenciado. Não fomos felizes no entendimento.
   Voltando à prova, quando você não tem tempo de planejar, planeja no caminho mesmo. Então, cogitamos descer do 18 pra o 19 pela praia. Mesmo com as curvas de nível e vegetação, achamos que, de repente, uma ribanceira aberta, uma brecha, podia nos trazer alguma vantagem. Quando subimos pela trilha pra tentar, o mar bem à nossa frente fazia aquele barulho de onda com ventania. A  vista deve ser incrível de dia! Parecia point de quadriciclo, prossivelmente, para contemplar a vista e retornar. Infelizmente, com todo o otimismo, não encontramos uma passagem. Do tempo que perdemos, perderíamos ainda mais, se tentássemos mais. Deu nossa hora, voltamos pela trilha mesmo.
   Passamos pela Lagoa Verde (sei porque estava escrito 😉), entramos na trilha pela sua lateral direita em direção ao mar, seguimos por perto de um charco na direção do PC. Quando a trilha começava a virar pra direita, tínhamos que passar pra uma outra, na beira de outro charco, em outra quina... Eis o PC19!


   Pronto gente, dali foi só botar sebo nas canelas e caminhar alegremente pela praia até o PC20, no coqueiro, na beira da praia, quase se jogando em cima da gente.


   Na beira do rio outra vez, colocamos nossos coletes pra travessia, que estava um pouco mais tranquila. A câmera, eu saberia se era mesmo à prova d’água assim que chegasse do outro lado. Já o celular, só na reza mesmo.
   Gabi me pediu pra ir na frente, não sei por qual motivo. Voou de novo pela corda e me largou lá atrás. Será que foi medo? Esqueci de perguntar. 
   Mostramos as fotos, pegamos as bikes em direção à chegada mas, dessa vez, bem atenta ao que estava fazendo. Até dei aquela navegada básica pra não me cagar toda outra vez. Gabi diz que preciso confiar em mim, mas quando confio em mim sempre dá merda. Tenho que olhar o mapa, isso sim! 😅😂😂
   Chegamos no Triee Bies perto das 4 da manhã, felizes por completar uma prova tão exigente, tanto na parte física, quanto técnica. 
   Parabéns aos organizadores, pelo evento feito com tanto zêlo! Independente do nosso resultado, desejamos vida longa ao Desafio Ecotrail, e que todas as reflexões geradas em torno da prova sejam revertidas em cada vez mais benefícios! E que novos e antigos organizadores agreguem todo o valor que puderem ao esporte que tanto amamos!
   Parabéns a todos os atletas! Fizemos uma festa linda! Bem sabemos o trabalho que dá pisar naquela linha de largada. Já somos vencedores a partir dali.
   Aquele “congratulations” super especial aos meus Aventureiros do Agreste, Xixarros e Xixarretes. Nós somos muito foda! Que essa energia nunca acabe!
   Minha amigaaa Gabi, minha Bibi, suamos a camisa pra transpor aquele mundão de areia, pra dar conta de andar depressa, de achar PC fora da trilha (não fora do lugar, mas fora da trilha), de pular cerca com bicicleta. Só nós duas, no nosso desafio individual, duplo e coletivo. Quanta maturidade e sintonia! Quanto empenho e cuidado! De todas as corridas que faço, as mais marcantes são de Penélope!
   Para finalizar, uma sugestão de reflexão pra todos nós:
   Enquanto estivermos no “Eu Eu Eu” e não passarmos para o “Nós Nós Nós”, nosso esporte continuará incipiente.
   Vamos em frente, Corrida de Aventura!
   Eu amo vocês e não vejo a hora do próximo encontro!
   Beijos!