Na Batalha de fevereiro desse ano estávamos num retiro de meditação Vipássana de 10 dias. Dez dias sem falar absolutamente nada, nem olhar pra ninguém, que me custaram reflexões profundas sobre minha vida, meu comportamento e sobre o que importa pra mim. Foram 10 dias olhando pra dentro e conversando com meus botões. Sinceramente, não acredito em mudanças com uma viagem, muito menos em transformação milagrosa, mas posso afirmar que aqueles dias foram tão intensos quanto uma Corrida de Aventura de 5 dias. De lá, saí transformando, mudando o que considero importante pra mim. Talvez essa mudança demore tanto de acontecer que não dê tempo nessa vida, talvez não. O fato é que sou a pessoa mais importante da minha existência, preciso estar equilibrada e cuidar da minha vida. Por tabela, as pessoas que amo profundamente, estarão equilibradas e se sentirão seguras para seguirem suas vidas compreendendo seu tanto de importância em suas próprias vidas. Cada ser é senhor do seu próprio destino. Vixe!! Que profundidade de pensamento! 🧘🏽♀️
...
A Pandemia nos obrigou a fazer ginástica em casa, na frente da
televisão, tirando os móveis do meio da sala. Nos forçou a cuidar melhor das
nossas vidas e uns dos outros. Entre a cozinha, a faxina, a lavagem dos
banheiros, das roupas, o mercado, as aulas online, o trabalho em casa e na rua,
o confinamento, as máscaras... o tempo foi passando e a gente nem
percebeu. Tem sido um tempo bom pra
nossa família! Estamos aproveitando muito bem esse momento de serenidade em
grupo.
Tanta saudade de fazer Corrida de Aventura que começamos a fazer
grandes planos antes da trégua da Pandemia. Retomamos os treinos com a Tia
Fê, nossa treinadora mega power, logo que pudemos, e decidimos continuar vivendo
intensamente, enquanto a saúde está em dia e as coisas parecem sob controle.
Parecem! 🤩
Sobre a Batalha Contra Relógio...
Arnaldo sempre inovando, ousando. Lançou a Batalha Contra Relógio, trazendo a ideia da Haka (prova tradicional de São Paulo), fomentando a retomada do esporte na Bahia, com a segurança que
precisávamos no momento. Graças a isso, a Federação se animou e outros
organizadores também. Das inovações, poder escolher a data pra correr e
ter categoria Solo me encheram os olhos. A última vez que fiz uma prova Solo foi em 2007. Lembro
que meu coração quase saiu pela boca num pega com Sana (Airasana Busato), uma das melhores
atletas que já tive oportunidade de ver em ação. Ela é artista plástica, parecia que via o mapa em 3D. Nessa ocasião, largamos todos juntos, não tinha pandemia.
A melhor data? Não pensei duas vezes! Meu aniversário. Ainda
inscrevi minha Tiloca em dupla com sua melhor amiga (Duda) para correr de
Penélopes. Consegui a bike de Babi pra uma, a bike de Hugo (filho de Arnaldo)
pra outra e providenciei dar conta de levar tanta bicicleta pra corrida, já que
tinha vendido o carro. Como plano B, reservei 4 vagas na carretinha de João, que
tem lugar pra 12 bicicletas. No fim das contas, ainda sem carro, o plano B
virou o único plano. Mão de obra retada! Fizemos várias viagens pedalando,
dirigindo, revisando bikes, subindo e descendo até resolver tudo. As bicicletas
ficaram com Arnaldo em Imbassaí, que deu conta de cuidar pra que estivéssemos
com elas na hora da largada. E nós aqui agradecemos!
Embora a logística de uma Corrida de Aventura de 40km seja bem
simples pra mim atualmente, precisei considerar que o que organizasse tinha
que ser pra 3 pessoas. Até largar, eu não era Solo, era trio.
Minha tranquilidade se esvaiu quando recebi o mapa, dois dias antes da corrida. Ainda sem os PCs plotados (exceto o PC4), tivemos um Briefing bem objetivo com Arnaldo. A preocupação não foi tanto por mim... Passou de tudo nessa minha cabeça de vento doida. Que ideia louca fazer corrida no meu aniversário! E se eu me machucasse bem no meu aniversário? E se as meninas se machucassem? E se ficassem perdidas até de noite? E se...? Que invenção? Onde eu estava com a cabeça? 🤯
Só parei de ficar agoniada quando procurei o que fazer. Como minha avó dizia: “mente vazia é oficina do diabo”. Bastou começar a pensar em tudo que precisava
fazer pra deixar as meninas seguras, dentro das incertezas que uma CA oferece,
que a coisa fluiu melhor.
Domingo, 25 de outubro de 2020...
Eu podia escolher acordar mais tarde no dia do meu aniversário, blá,
blá, blá...
Levantei às 4h pra me embrenhar pelos matos, sem poder receber
parabéns de ninguém, sem me pendurar no celular pra ver nada. Uma escolha acertadíssima!
Chegamos em Imbassaí um pouco antes das 7h. Tempo suficiente pros
vinte minutos antes da largada, ter acesso ao mapa, plotar os PCs, plastificar
e partir. O planejamento ficou pelo caminho mesmo.
Mesmo largando no mesmo horário das meninas, fui embora olhando pra trás. Elas ficaram na esquina, navegando, parecendo tranquilas pra seguir sem que eu interferisse.
Corri muito tempo olhando pra trás. Saí da Vila, alcancei a praia e
corri a praia inteira olhando pra trás. Acabei subindo pra o PC1 um pouco antes
da hora e isso me custou um perdidão ridículo. Ao cair no lugar errado, subi de
volta pra praia, fiz a conta errada e acabei subindo nas dunas 1km depois. Do alto, à minha frente, obviamente, a ponte estava bem longe de mim. Só que
dessa vez, voltei pelo coqueiral pra não correr o risco de fazer mais merda.
Logo, PC1, ok!
Atravessar a ponte requeria elegância e leveza. Tudo desmoronando, algumas madeiras escorregadias, outras sequer existiam. Aí a
pessoa tem que botar tudo pra cima pra não molhar e torcer pra não cair num
buraco. Meu lado feminino aflorava, a menstruação parecia um rio e, claro que a
travessia causaria transtornos.
Escolhi atacar o PC4 por cima, embora já tivesse planejado
mentalmente ir por baixo. Nem sei se era mais longe. O fato é que,
intuitivamente, segui, desci pela trilha, passei por um charco e subi
novamente. Lá em cima, pulei uma porteira, localizei a bifurcação, joguei no
azimute e seguir. Aí me deu uma ziguizira meio esquisita porque minha bússola tem
uma bolha enorme. Desconfiada por uns instantes, indecisa por segundos,
entretanto, bastou olhar pra frente. PC4, super ok!
Eu ia voltar pela estrada logo ali. Não queira pegar mais areia mas
segui por mais um trecho até a segunda saída. Correndo pelo asfalto, entrei na
Vila novamente até encontrar o PC5, depois a transição.
A primeira coisa que fiz foi perguntar pelas minhas meninas, que
ninguém tinha visto. A segunda coisa foi perguntar pelo banheiro pra trocar o
absorvente. O banheiro foi interditado por algum tempo, justo enquanto estive
na transição. Não tinha banheiro, nem achei o absorvente. Quem disse que lembrava onde tinha colocado? E não sei dizer pra
vocês porque não fiquei preocupada com isso. O banco da bicicleta é preto.
Vergonha, vergonha mesmo, eu não ia passar.
Pronto! Partiu pedal, plotei o PC6 na esquina errada. Afff! Muita
lerdeza num ser humaninho só! Depois de perder uns minutos, achei o PC na
esquina seguinte. E também encontrei meus Aventureiros, Gabi e Marcelo, que só
chama Gabi de Lu (e o contrário também). Acho uma viagem porque ele conhece a
gente demais! Não dá pra entender a razão da troca de nomes.
A primeira coisa que fiz quando entrei na Vila foi procurar um
banheiro pra avaliar minha situação. Como não tinha absorvente, liguei o
FODA-SE! Tomei até uma coca-cola bem geladinha e fui! Corri o resto da prova
toda sem nada pra segurar o rio que saia de mim. Só pensava que, se aparecesse
um bicho que sentisse cheiro de sangue, a coisa ficaria feia. 😂😂😂
Arnaldo e Togumi, o fotógrafo mais fofo das galáxias, passaram por mim pela terceira vez, monitorando bem
a prova, tanto com fotos, quanto perguntando se estava tudo bem. Sem
dificuldade alguma, encontrei o PC7. Chegando lá, Rafa (da Tarzans Adventure)
sacudia o braço, dizendo que estava com câimbra. Nem sei se era câimbra no
suvaco mas entendi isso. Morri de rir! 😆😆
Tinha certeza de que precisava entrar naquele sítio pra achar a trilha
do outro lado. Chegamos a ir em outra direção, até entrar numa propriedade,
cujo dono ficou muitíssimo furioso por estarmos ali. Isso nos custou um
tempinho que o GPS Trekking vai dar conta de nos denunciar sobre nossas
escolhas. Todavia, voltamos ao "meu" sítio, achando a bendita trilha.
Seguimos juntos e separados. Confesso que ir com outros me deixa meio atrapalhada. Essa sensação de navega não navega é meio esquisita. Acabava
dando umas paradas pra conferir meu mapa... O fato é que do PC 8 até o 10,
foram tantas puladas de cercas e porteiras que não sei o que seria de mim sem
os Caatingueiros. Além do mais, não posso negar que me diverti muito! No
caminho pro PC9 rolou um refresco no rio, até protetor solar Débora passou em
mim, sem contar com as “tiradas” de Evinho.
A natação do PC10, além de refrescante, foi questão de necessidade
mesmo, pra eu não chegar toda “breada” na chegada. Chegando ao PC11, a umidade da natação no meu
celular prejudicou a leitura do código. Meus amiguinhos foram embora, acabei
tirando uma foto e seguindo agradecida aos Caatingueiros pela companhia, alegria
e disposição! Fofos demais!
Acabei chegando solo, assim como saí, depois de 7h de prova. E minhas meninas chegaram poucos
minutos depois de mim, para o bem de todos e a felicidade geral da nação. Lindas,
felizes, sorridentes e limpinhas! Parecia que nem tinham feito nada.
Arnaldinho, parabéns pela prova e pela iniciativa! Esse intercâmbio de ótimas ideias nos favorece demais! Curti a aventura do início ao fim, inclusive o uso da tecnologia! Mapa bem feito, PCs bem posicionados, trechos técnicos nas modalidades, ladeiras pra todos os gostos na bike. Foi uma Corrida de Aventura com um novo normal que espero que não vire habitual, mas que não perdeu seu brilho por causa disso. Dava pra sentir o acolhimento da equipe mesmo sem os abraços e a vibração dos atletas no brilho nos olhos e nas fotos. Proporcionar prova com qualidade técnica e plástica atrativa não é pra qualquer organizador. Parabéns e obrigada por tudo, inclusive e principalmente, pela sua amizade!
Só pra lembrar, amo meus Aventureiros! Citar nomes é complicado mas
preciso agradecer especialmente a Jana, que é aquela pessoa agregadora, que arruma
a vida dos dela e dos outros, e chama todo mundo pra correr. Valeu pelo bolo
lindo, gostoso e colorido!
Um beijo pra quem é de longe, um beijo pra quem é daqui! Meu desejo
é que todos estejam bem, felizes, equilibrados e cuidando de suas vidas, para
que logo possamos desfrutar de muitas aventuras, com uma largada cheia de
gente, aglomerada, naquela vibe de contagem regressiva e aquela buzina “FOOOOMMMMM”.
E que na chegada a resenha seja permitida até qualquer hora... Só alegria!
Até breve!
Luciana
**As fotos identificadas foram tiradas por Togumi do site www.adventuremag.com.br onde tem muito mais de outras equipes. Vão lá nas fotos da Batalha que vocês vão amar!
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