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Bahia Adventure Race 2022- 130km

 

Foto @wtogumi

 EM-PO-DE-RA-MEN-TO

“Empoderar-se é o ato de tomar poder sobre si. Consiste no processo de tomar consciência e poder. Empoderar é o verbo, a ação, o momento em que isso acontece.”

Eis uma versão de empoderamento, a minha versão da ação.

Existimos desde 2008. Acho que antes disso. Nossa última aparição em Quarteto numa prova de mais de 100km foi na Odisseia de Natal em 2018. Fizemos lindo lá! Segundo lugar, última perna de canoagem super punk, quase perdendo voo, chegamos até o fim, uma das três equipes sem corte, chegamos fazendo a maior festa como vice-campeãs dos quartetos! 

Apesar da grande vontade de voltar, a pandemia deu uma atrapalhada, acabei seguindo no Quarteto Misto e muita coisa aconteceu. 

Pra juntar as quatro mulheres, buscamos nossas origens... Primeiro éramos eu (Luciana), Gabi, Thays e Lucy. Daí, Lucy teve um imprevisto, acabamos convidando Fernanda Piê, que não deixou a desejar com todo o seu poder.

Deixa eu falar um pouco de nós...

Foto @wtogumi

Gabi é nossa capitã. Participou da primeira prova de Corrida de Aventura da Bahia, em 2003, e até hoje vive a Corrida de Aventura em sua essência! Bichinha braba, com a cabeça boa, experiência de sobra, dois filhos pendurados, terapeuta. Melhor pessoa pra ser nossa capitã. Cheia de juízo!

Fernanda Piedade é uma atleta que faz de tudo muito bem, já fez Corrida de Aventura até na Costa Rica. Nada, corre, pedala, rema, dá pirueta... Minha treinadora retada, cheia de disposição e alegria. Toda resolvida, determinada, aceitou nosso convite faltando um mês pra prova. Deu o maior gás no treinos e ainda levou a gente junto.

Thays deve ter começado lá por 2004. Lembro que eu nem era atleta, só assistia a bagaceira e me impressionei com o porte dela, chegando numa transição, correndo na Makaíra. Mulherão forte, cheia de disposição, sua última Corrida de Aventura foi de Penélopes, faz 12 anos, em Alagoas. Depois disso vieram as 2 filhas e muito MTB. Corrida de Aventura mesmo, nada.

Eu sou Luciana, tô na área desde 2005. Uma hora me cansei de não saber pra onde estava indo e puxei o mapa da mão do navegador do quarteto. Passei a navegar cedo. Levei muitos amigos pra correr comigo em muitos lugares. Juntos, já vivemos muitas emoções nessas loucas aventuras, muitas vezes nos perdemos, outras tantas nos encontramos. Já desisti, já insisti, persisti também. Senti muito medo, encarei os perigos de frente, e muitas vezes percebi que o perigo não era um perigo, quando cheguei bem pertinho pra conferir.

Das mazelas, Gabi trazia uma tendinite, Thay uma dor no quadril, Fê alegava falta de treino depois da COVID (essa mulher nunca tá sem treino, gente!) e eu tinha uma anemia que só descobri depois de 3 provas com muita dor nas pernas e coração na boca. Achava que era menopausa... 😁

Os treinos denunciavam que nossa aventura seria inesquecível. Não tinha como dar errado com aquela sintonia. Como não tivemos muito tempo, treinamos separadas durante essas 4 semanas e nos encontramos nos fins de semana pra fazermos a canoagem e um pouco de bike. Enquanto isso, cada uma foi cuidando de seus "quiprocós".

Por falar em idade, prometo usar óculos na minha próxima corrida. 😎

Seguimos para a Bahia Adventure Race, primeira prova do Campeonato Baiano 2022 e também etapa do Circuito Brasileiro. Pressão total, muitas equipes de fora da Bahia e muitos conterrâneos inscritos, todos em Quarteto Misto, com três homens e uma mulher. Só nós de gaiatas no meio do bolo!

Morro de São Paulo é imperdível! O tanto de vezes que estive naquela ilha, nem sei dizer. E que lugar mágico pra se escolher pra uma Corrida de Aventura! Voltar como atleta, depois de ter feito tanta farra lá, foi épico! 😉

A logística pra chegar até Morro é um tanto quanto complexa. O apoio do Hotel Morro da Saudade, do nosso amigo Pugli foi fundamental pra todo o resto ficar mais que simples. Aproveito pra agradecer mais uma vez por tanta gentileza e hospitalidade. Pugli, você sempre será um querido! 😍

Chegamos na sexta, pegamos kits, vimos o briefing (boa parte dele, o resto eu fiz cola), voltamos pro hotel, comemos pizza, fizemos alguns ajustes e fomos dormir. Nem foi ruim não receber o mapa na sexta, mas também não adiantou nada porque não consegui dormir de jeito nenhum. Choveu a noite toda. Revirei na cama até umas horas. Parecia minha primeira corrida de tanto pensamento profundo dentro da minha cabeça. Fiquei ansiosa, refletia sobre a confiança que as meninas estavam depositando em mim. Ao mesmo tempo, sabia que aquela tensão ia acabar na largada, como sempre acaba.

Ninguém pode negar que fizemos o maior sucesso! Fomos fotografadas, filmadas, tínhamos torcida, cada sorriso era um flash. 

Foto @paulo_trex

LARGADA- ROGAINE

Foto @wtogumi

Os mapas ficaram penduradinhos numa rede de vôlei de praia, pra gente pegar quando passasse. Corremos pela praia pra fazer um charme pros fotógrafos, em seguida pegamos o mapa e partimos pros 6,5km de Rogaine. Aí acabou o nervoso, acabaram os pensamentos profundos, esqueci que passei a noite inteira rolando na cama. 

Encontramos os PCs da beira da praia, subimos pra Vila pra chegar ao 3, dando a volta... Engraçado que depois a gente fica refletindo se foi uma boa estratégia. Acabou que ouvi o relato de outra equipe, que teve dúvida se valeu a pena seguir pelas pedras. Enfim... Quando vi o povo já voltando, achei nossa estratégia meio sem vergonha. Mas agora já foi!

Foto nossa

Foto nossa

Subimos, alcançamos o PC 4, os PCs lá do alto, o do cais. Ai gente, quem disse que vi aquele 7 no Cais?! Tivemos que descer a ladeira duas vezes. E as meninas estavam tão animadas que nem perceberam que fiz besteira. Nem precisei me explicar, elas só vão saber agora. Era só dizer BORA que elas corriam.

Foto @wtogumi

Foto nossa

Fomos pro 9, na pracinha. Uma correria de fazer graça, passando por vários amigos, sem ninguém saber quem tava na frente de quem. A Vila toda observava e perguntava o que a gente fazia ali. O PC da escadaria de trocentos degraus me fez lembrar da anemia, quando meu coração quase pulou pra fora do corpo. Subimos e descemos um horror de ladeiras, saímos perto da segunda praia de novo. A chuva caiu torrencialmente umas duas vezes. Àquela altura já estávamos na praia, alcançando os últimos PCs naquela ilhota linda de Morro, na Segunda Praia.

Foto @wtogumi

Sucesso total, fotos adoidado, chuva pra não acabar mais, mapa nas mãos e nenhuma oportunidade de sentar pra planejar nada. Uma espiadinha na escala, seguimos junthienhas pra outra fase da Corrida de Aventura.

O TREKKING

Foto Glauco Menezes

Que animação! O PC 18 ficava num lugar tão íngreme, que o caminho pro PC 19 era um precipício à nossa frente ou uma volta a fazer. E o legal de chegar perto do precipício é perceber que pode haver uma saída. Descemos com Deborah Franca, criatura mais doida do que eu, que fotografa e filma a corrida toda, toma banho de rio e ainda consegue chegar na frente. Foi uma descida louca!! 

Foto Deborah Franca

Foto nossa

Os PCs 19 e 20 estavam bem pertinho um do outro. Fê identificou a entrada do 19 mas tive dúvida por não estarmos tão ligadas na contagem de passos, devia ter confiado. Fê tem um faro bom! Perdemos pouco tempo com isso, mas perdemos. E cada minutinho que você perde, vai ficando pra trás.


Nossas fotos!

Logo seguimos pro 21 e pro PC 22, na Fonte do Céu. Ali, estávamos embolados com várias equipes. Xixarros, Aventureiros 1, Aventureiros 2 e outras equipes que não me lembro. De lá, descemos até a Vila de Gamboa, onde ainda tinha o PC 23 e depois a transição. No caminho, um barzinho nos convidou a tomar uma Coca-Cola bem geladinha. Aproveitamos pra comprar água, nos alimentar e hidratar, antes de começarmos o trecho de canoagem.

Chegando na transição, estava todo mundo indo embora. Mudamos de mapa, plotamos os PCs Papa e fizemos um ligeiro planejamento, que foi filmado e comprovado que não foi tão ligeiro assim.😂😂😂 Ri muito quando vi tanta conversa pra explicar pras meninas o que precisariam fazer quando nos deixasse na praia, a uns 2km dali. Elas remariam mais 10km sozinhas, puxando nosso barco.

CANOAGEM

Ai gente, que barquinhos fofos! Nosso último treino tinha sido de 20km em caiaque rígido, carregando peso pra tirá-los do rio. Foi uma delícia levar aquelas gostosuras pro mar, e foi uma delícia remar com as meninas.

A mesma coisa não podemos dizer quando saímos do barco. Thay e Fê nos deixaram a uns 50 metros da areia da praia, prenderam um barquinho no outro e saíram remando até o Galeão, contentes e serelepes.😎😎

TREKKING

Enquanto isso, eu e Gabi seguimos andando até a beira. Não imaginávamos que a água até o joelho escondia um mangue que afundava até as panturrilhas. Gabi conseguiu chegar logo, enquanto eu me acabava toda pra alcançar algum lugar onde pudesse me segurar. Danilo, da equipe Azimute, chegou a segurar na minha mão por um tempo. Cheguei a cair, sem conseguir me segurar. E minha última cartada foi tentar nadar. Outro desastre! Minha luva ficou tão podre que nem consegui usá-las quando precisei. A frente do meu corpo era mangue.

Seguimos pela trilha, passamos por mais mangue, titubeamos um pouco mas, logo em seguida, nos alinhamos. Encontramos Plínio também.

Subimos na direção correta, contando a distância, chegamos a catar o PC um pouco antes da hora, até que alcançamos a bendita bifurcação que nos levava ao famigerado PC Papa. Entretanto, subimos e descemos tantas vezes que resolvi entrar sozinha numa trilha que não estava no mapa. Caminhei por alguns metros e voltei. Foram 3 horas de busca, já percebendo que precisávamos encontrar o PC antes que escurecesse porque, aí sim, a coisa ficaria feia! Enfim, graças a Plínio, graças a um grito, graças ao fato de estarmos juntos, o PC foi encontrado. E, pasmem, ele estava bem naquela trilha que não estava no mapa. Ai! Quando penso no tempo que perdemos, dá tristeza pela demora e alívio por termos achado.


Nossas fotos!

O PC 25 foi o rio que cruzava a estrada, de fora a fora. Naquele “breu” não teve uma foto que prestasse. De lá, seguimos pro PC 26, na Igreja, onde a vista era linda mas eu tava meio de saco cheio de subir ladeira, catando a animação em algum canto do meu ser. Minhas unhas já estavam destruídas com aquele pingo de kms de trekking. Só sentei em frente à igreja e esperei Gabi tirar a foto.

Foto nossa. Animaaada. 😄

Descendo, ouvimos uma gritaria danada! Thay e Fê subiam ao nosso encontro, chorando e rindo. Nos abraçamos numa emoção danada, como se tivéssemos passado anos sem nos encontrar. Foi uma cena muito marcante pra mim! Meu ânimo, se é que ele estava indo embora, voltou todo. Se alguém dormia naquela Vila, perdeu o sono com tanto grito. Demoramos tanto que os atletas que chegavam, além de não terem notícias nossas, contavam horrores do PC trekking. Deu tempo delas pensarem de tudo, inclusive de acharem que precisaríamos de resgate.

Enfim... As meninas, àquela altura, já sabiam onde estava o PC 26, foram lá rapidinho, enquanto fomos comer um feijão com frango e tomar coca-cola. E seguimos pra outro trecho de canoagem.

CANOAGEM

Àquela altura, algumas equipes já tinha equipe desistindo da prova. Já era noite, a maré vazava, apontei o azimute pra uma direção um pouco antes da AT, por causa da correnteza. Remamos tão bem que ultrapassamos Plínio e Maurão, que tinham saído um pouco antes. E se esse barquinho voou em nossas mãos, imagina as equipes que estavam liderando. Remamos comemorando nosso reencontro, a energia no mar, a sintonia e o céu estrelado. Contando da nossa odisseia pra achar o tal do PC Papa... As meninas contaram sobre a canoagem delas... Mas nem deu tempo pra tanta prosa. Atravessamos tão rápido que, logo a AT estava à nossa frente. Keu deu logo as coordenadas pra estacionar, que seguiríamos direto pra bike, sem PCs no caminho.

TREKKING.

Fizemos o trekking todinho com Gabi culpando o feijão por seus problemas médico intestinais. E por todo o resto da prova, o feijão causou problemas que nos levavam a muitas gargalhadas. Praticamente um orquestra sinfônica. 😅 Não posso dizer que fiquei triste por terem me tirado a honra de encontrar os PCs PAPA 3 e 4. Nossa caminhada foi a mais rápida que pudemos! Seguimos por caminhos diferentes dos meninos da BBBrindes e nos alcançamos quando as trilhas se encontraram novamente. Mais uma vez, chegamos na transição embolados com outras equipes.

Na transição, Walmir, o autor dos PCs Papa, veio perguntar como foi, o que achei, e parabenizar pelo feito. Bom... Welll... O PC estava lá, isso ninguém pode negar! O problema foi meu, isso não posso negar. Eu só não ia desistir dele. Por isso, atrasamos tanto. Quanto mais a gente navega, mais a gente percebe o quanto ainda tem a aprender, o quanto os PCs Papas, Perrengues, Hards, podem nos surpreender e fazer a gente calçar as sandálias da humildade. Quando o cara diz que colocou um PC mais difícil pra incrementar a prova, coloque suas madeixas de molho.

MOUNTAIN BIKE

Nos avisaram que faríamos um percurso menor. Alguém da organização me chamou numa mesa improvisada entre as madeiras da Serraria, pra passar as coordenadas dos PCs, que foram selecionados especialmente pra nós, do percurso encurtado. Várias equipes ensaiavam sair naquela hora. Com o corte de percurso, preferi me debruçar sobre o mapa rapidamente pra fazer algumas marcações. Afinal, navegar de bike sem medir algumas distâncias não é coisa muito boa.

As estrelas fizeram um revezamento sério com as nuvens. Cada um a seu tempo, ora chovia pro mundo acabar, formando córregos pelas valas das trilhas, ora o céu ficava todo estrelado como se nada tivesse acontecido. 

Pegamos um trechinho de asfalto só pra chegar até a trilha do 27, mas decidimos seguir um pouquinho mais pra encontrar a estrada, já que a trilha tinha lama magnética pra não acabar mais.

Logo no começo da trilha, a bike de Thay deu uma encrencada na marcha mas a gente deu um jeito rapidinho. O pedal estava bem bacana, a via láctea apareceu todinha pra gente. Só que a nossa felicidade durou pouco. De uma hora pra outra, veio o dilúvio. A lama magnética, que achei que tinha evitado, deixou nossas bikes com o dobro do peso e as rodas travadas. A de Gabi deve ter ficado com o triplo do peso. 😓😓

O PC 27 estava numa antena. Ficamos a refletir sobre a escolha da organização desse percurso todo escorregadio. Será que o pessoal de 70km foi contemplado com essa delícia? A trilha realmente era toda pedalável mas, com chuva, parecia que jogaram caldo de quiabo. A gente escorregava demais! E nem Thays, que é nossa Iron Biker, conseguia pedalar o tempo todo.

A bike de Fê, em algum momento, folgou a roda, acho que de tanta terra grudada. Deve ter prendido a blocagem em algum galho. Nem queria fechar de novo de tanta lama. Tivemos que parar várias vezes pra destravar as rodas. 

Gabi nem conseguia mais empurrar a dela, de tanto peso. E Thays foi o anjo que trocou de bike com ela, ao menos na hora de empurrar. E que figura, Tathay!! Saiu distribuindo lanche e antiinflamatório pra todo mundo no caminho. Ah! E Gabi também! Elas não cuidaram só da gente não. Quem aparecia, elas iam ajudando. 😍

Ali sim foi sofrimento garantido ou nosso dinheiro de volta. Fomos revezando as tarefas. Ora as bikes nos carregavam, ora carregávamos elas. Indo pro PC 36 encontramos várias equipes que faziam o trecho maior. Paramos na estrada, entramos por uma gretinha de mato, achamos a trilha da cachoeira. Fê até cantou a pedra que não podia ser descendo porque ali já era barulho de corredeira. Segunda vez que Fê deu um toque legal e não segui. De água, Fê entende, e muito! Resultado: descemos a trilha por uns 200 metros, encontramos a estrada e subimos de volta, pelo mesmo caminho, e lá estava a cachoeira. Ainda bem que não perdemos muito tempo, mas cabe muita reflexão nessa hora.

As ladeiras não davam trégua! Numa dessas, ouvi um grito:

- Luuuu, espera a gente!!

Eu e Fê terminamos de subir a ladeira e esperamos as meninas chegarem. Thay, cansada de tanto sofrimento, deu uma estressada. Na verdade, ela esperava descansar na bike, que é a sua melhor modalidade. Ao invés disso, quase não conseguia pedalar. Mas juro que não percebi o quão chateada ela estava porque Thays é fofa demais! Aí não dá pra notar que a pessoa tá com raiva. Ela só falou assim:

- Olha, eu só não desisto dessa prova por causa de vocês!

Eu pensei:

- UFA! Que bom que somos NÓS! Esse é o espírito da coisa!

Foto nossaaa

Sentamos um pouco, comemos e seguimos. Que pausa necessária! Acho que a gente só precisava disso. 

Tentava ficar concentrada na navegação. Até da contagem de distância comecei a dar conta. Quando a equipe está desgastada, os erros desanimam demais. Então, procurei não errar. Fisicamente, estávamos muito bem! Tinha plena certeza de que quando voltássemos a pedalar, as coisas melhorariam.

No caminho pro PC 37 apareceu uma ladeira que todo mundo quis que não fosse por ali. Alguém disse:

- Não tem condições de ser por ali!

Ah que ótimo, hein! Fui conferir o pouco de curvas de nível que conseguia enxergar, ora com certeza, ora sem. Ao final, acabei notando que não tinha chegado na virada que esperava que acontecesse e era pra subir aquela ladeira mesmo.😂😂😃 

E o medinho de não ser aquele caminho?? Mas era! Logo chegamos na capela, tiramos nossa foto com a força do ódio, fazendo gestos obscenos, já com o dia raiando, e seguimos pra fechar nossa luta com as bicicletas que, por muitas vezes, tiveram rodas parecidas com moto e pesaram como tal, só que sem motor. 


Nossas fotos!

Dali em diante, só mais uma foto numa árvore, o PC 38. As quatro lindas, sorridentes, sujas, sonhando com o final da prova, doidas pra fechar trekking e canoagem. Aliás, só falávamos nisso. Já tínhamos até esquecido do sofrimento, do empurra bike, das quedas, dos escorregões. Tínhamos esquecido que passamos 5 horas tentando pedalar, passando em poças, comendo nossos lanches temperados com lama e os pingos de chuva que caiam do capacete.

Na AT 6, transição pro trekking, tomamos aquele banho de água fria! A prova acabou! A prova acabou! A chuva? O tempo de prova? Nem lembro que horas eram, talvez 6:30... 7h da manhã. Terminaria às 8h, não daria tempo de fazer 7km de trekking e 14km de canoagem. Embora não estivéssemos tão dispostas a entender a razão, o organizador pode parar a prova a qualquer momento. Pensei na única equipe que tinha conseguido completar. Tentei imaginar em quanto tempo eles fizeram dali até o final. Lembrei do quanto as pessoas alertavam sobre aquela chegada em Morro, remando, e como poderia ser conosco. A conta do nosso tempo não fechava. Todos chegariam no almoço ao final da corrida. 

Aquele monte de atletas se mobilizava pra arrumar seus equipamentos. Nós ficamos um pouco atordoadas mas começamos a nos movimentar também. Vitor, João, Mau e Rose chegaram pouco tempo depois. João já deu logo a ideia de irmos pedalando pro Atracadouro. Pegamos tudo que tínhamos, nos organizamos e fomos embora, num pedalzinho maroto de 15km, depois de 24 horas de prova. No estacionamento, colocamos nossas bikes no carro, pegamos o barco e entramos em Morro com nossas caras de pessoas que passaram a noite inteira no mato.

Minha sapatilha só entrou no pé porque tirei as meias, não conseguia mais andar, quase dormi no barco, e o pior; meu desodorante venceu completamente.😅😂😁

Então foi isso que aconteceu com a gente! Essa foi a nossa Bahia Adventure Race. Nossa prova cheia de superação, que desafiou nossa força, nossa coragem, nossa sintonia, nossa resiliência, nosso poder.

Vencemos! Parabéns, meninas! Que honra correr com mulheres tão fortes, física e mentalmente.

Thays continua exatamente como sempre foi! Que se passem mais 12 anos, ela volta triunfante, com a gentileza e a mesma brutalidade de sempre! Não tem nada que lhe derrube! 

Fê é outra pessoa cheia de disposição para vencer, pra seguir em frente, enfrentar tudo! Que astral inabalável e quanta força essa criatura tem!

Gabi, nossa capitã, guerreira por natureza, destemida, contadora de passos, administradora da nossa sintonia. A gente nem precisa se falar na prova. Ela sabe o que eu pensei, eu entendi o que ela pensou de volta e tá tudo acertado.

Qualquer coisa que eu falar vai ser pouco pra definir essas mulheres. Então, finalizo esse texto gigante agradecendo por esse encontro. Afinal, “Empoderar é o verbo, a ação, o momento em que isso acontece.”.

Valeu Arnaldo e a toda sua equipe, pela grande aventura que vivemos! Parabéns pela prova!

Parabéns, Aventureiros! Parabéns a todos os atletas! Que bom que veio tanta gente pra cá!

Vamos em frente, Penélopes!


@wtogumi

Comentários

Anônimo disse…
Parabéns! Consegui visualizar toda a prova com o excelente texto! Aventura é isso mesmo, é o que vier! Prova dura, mas foi divertido!

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