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Desafio dos Sertões 2023- 140km

 


Que o Sertão é um dos lugares mais inóspitos à sobrevivência humana, a gente já sabe! Que você precisa ser forte pra enfrentar a caatinga, ter resiliência, coragem, foco, determinação, também. Que o Rio São Francisco é um gigante que impõe, acima de tudo, reverência, sabemos. Querer ir lá pra experimentar tudo isso e ainda gostar, é outra história! E lá estávamos nós, no Desafio dos Sertões, nos 140km de aventura, entre mountain bike, trekking, natação, canoagem, tudo com navegação com mapa e bússola. 

Nos últimos tempos, temos alternado bastante os atletas da equipe, menos eu e Mamau, que somos fominhas de prova. Mas, brincadeiras à parte, Vitor e João estão afastados por questões pessoais. Então, Lucas, nosso novinho da Turma 12 da Escola de Aventura, continuou com a gente, depois da Carrasco. Além disso, Arnaldo, da Olhando Aventura, veio fechar o quarteto, reforçando nosso time com sua experiência.

Reunimos, alinhamos objetivos, organizamos a tralhas e partimos pra Juazeiro um dia antes da largada. Porque a viagem pra Juazeiro dura uma vida! Então, ir com calma, descansar, parar pelo caminho, acaba sendo um bom relaxamento. Deu tempo de organizar todas as pendências, dormir direitinho, comer bem durante o dia, passear, encontrar os amigos.

Viajamos com motorista, porque Vitor nos acompanhou. Foi ótimo, principalmente na volta! Outro ponto positivo foi a dormida no alojamento da polícia, que nos gerou uma boa economia!

Chegamos na fazenda, local da largada, no meio da tarde. Lugar lindo, na beira do Rio São Francisco! Lá, uma mega arena, com pórtico, backdrop, churrasco, DJ e toda estrutura, foi montada com tudo que o atleta gosta pra se sentir importante, acolhido e tirar muitas fotos pra se exibir nas redes sociais.

Ganhamos de Dany, da Tecmalhas, aquela que faz as nossas lindas camisas da Escola, bandanas com nossa logomarca! Ganhei um boné também! Itens que nem sabíamos que, literalmente, salvariam as nossas peles debaixo do sol escaldante que pegaríamos. Mas ela, certamente, sabia! 😀

Recebemos os mapas umas 2 horas antes da largada, marcada pra 20:30.


Largamos na muvuca total, carregando nossos pés de pato numa sacolinha, sendo que acrescentei um palmar, por 4.3km de corrida. Vai que precisava, né?! Para uma exímia nadadora, SQN, acessórios podem salvar a pátria!

O PC 1 foi encontrado sem grandes dificuldades. Logo, chegamos na beira do Rio pra nadar os 2.6km. Uma distância considerável pra uma prova de Corrida de Aventura, mas os organizadores fazem parte do Povo do Rio. Lá, a mães devem jogar as crianças no Rio São Francisco logo quando nascem, pra aprenderem logo a nadar.   

Àquela altura já tinha um monte de equipes na água. Colocamos nossos pés de pato e começamos a aventura. Inicialmente, separados, depois, Arnaldo segurou em Maurício, eu segurei em Arnaldo, Lucas me deu a mão. Assim, imprimimos uma velocidade de cruzeiro. Nadamos como peixes, com Maurício rebocando todo mundo! Ali, nem o jacaré nos alcançava... Mentira, alcançava sim! Mas a verdade é que ultrapassamos todo mundo e chegamos cheios de alegria na transição pra canoagem de 5,9km.

A canoagem também foi épica! Combinamos de alcançar os PCs 2, B e A. E seguimos o que planejamos! Subimos o rio contra a correnteza, num discreto sofrimento, achamos o PC 2. Em seguida, descemos a favor da correnteza, aproveitando a velô. Quando chegamos na pontinha da ilha onde estava o PC 2, viramos pra esquerda pra passar entre duas ilhas e alcançar o B, em outra ilha logo à frente. Daí, a correnteza ficou indócil de uma maneira que, por mais que remássemos, não progredíamos. Quando vimos a equipe com Jobson e seu parceiro subindo numa pedra grande, decidimos fazer o mesmo. Subimos na pedra para atravessar segurando o barco até uma outra, de forma a alcançar a área calma, mais próxima da ilha do PC. Só que entre uma pedra e outra também tinha correnteza, aliás, corredeira. Embora fosse mais raso e acessível para os mais altinhos, para mim não seria tão simples. Ainda assim, confiei e fui. Pisei no chão com água até a cintura, pra atravessar entre uma pedra e a outra, dei dois passos e o Rio São Francisco me levou como se fosse uma folha. Estava com o remo na mão, colete bem afivelado, lanterna de cabeça acesa. Não tenho ideia de quantos minutos durou. O Rio me levava numa velocidade enorme! Tentava a todo custo encostar na beira, segurar um galho, catar alguma coisa com o remo. Os galhos quebravam na minha mão, o remo não alcançava, o pé não tocava em lugar algum, as marolas (ou seriam riolas?) me faziam engolir água... Depois de umas 4 ou 5 tentativas, consegui me agarrar a um galho. Foi quando me lembrei de olhar se o socorro estava à caminho... 😅

Maurício veio remando, parou o barco do meu lado. Tentei subir mas escorregava. Por fim, uma pedra apareceu embaixo do meu pé, o que ajudou bastante.

Dentro do barco, uma descarga de adrenalina de bater os dentes veio com força! Comecei a tremer proporcionalmente ao tanto que passei a remar. Remamos com tanta força que subimos o rio na marra, atravessando a correnteza, sem subir em pedra nenhuma. Remamos tão rápido que, quando olhamos pra trás, Arnaldo e Lucas ainda tentavam passar pelas pedras.

Pois é! O Velho Chico me deu uma boa rasteira! 😏

De lá, seguimos até o PC A, contra a correnteza. Esse nos custou uns 5 minutos de busca, mas encontramos, junto com outras equipes. Em seguida, foi só remar um pouquinho contra a correnteza, pra depois descer descansando até a transição pra bike, no mesmo local da largada.

Terminamos a canoagem numa posição legal! Eu vi na planilha que o povo liberou depois da prova, mas não lembro qual. Sem perder tempo na transição, seguimos pros 35km de bike, começando pelo PC 3. Alguns kms até um cruzamento, atravessamos, entramos 400m pra direita, passamos por umas plantações, não fizemos a conta certa e não encontramos o PC. 😕

Essa foi ótima! Essas agonias não levam ninguém a lugar nenhum. Entramos por outro lugar... O mapa tinha o fundo com referências do Google, onde dava pra ver a quantidade de trilhas de plantações que não foram mapeadas. A sorte que Waltinho avisou e que estava de óculos. Sorte também que Arnaldinho olhou pra cima e apontou pra linha de alta tensão. Pronto! Nos localizamos imediatamente e a partir daí, meus olhos enxergavam em todas as direções e dimensões. O PC 3 estava exatamente onde deveria estar!

Pra achar o PC 4, seguimos pra sul, até o asfalto, alinhamos e seguimos por pouco mais de 5km até a entradinha onde ele estava. Dali, voltamos outra vez pelo asfalto, que a gente não é besta de ficar rodando por estrada de terra sem necessidade. PC 5, belezinha!

Pro 6 também foi pouquinha coisa. Seguimos por estradão até uma trilha. Lembro que o dia amanhecia. Tinha uns rios no mapa, tudo seco na vida real. Aliás, a gente só se deparava com rios secos, até então. Encontramos Dany com sua dupla/marido. Dali em diante, seguimos por trilha até a transição. Mudança rápida de modalidade! Acredito que, naquele ponto, estávamos entre as 4 primeiras equipes. Os meninos sempre procuram saber ou alguém diz.

No Sertão, o sol de 7h da manhã queima como se fosse meio-dia. A vegetação tem uma cor cinza, com árvores sem folhas ou com folhas secas. Não há um lugarzinho de sombra. Todas as árvores, absolutamente todas, tem espinhos. Não dá pra segurar em nada. Ainda tem uma poeira no ar, que deixa sua garganta seca, com gosto de areia o tempo todo. Parece tudo filme de faroeste, naquele momento em que os cavalos acabaram de passar, deixando aquela poeira que “anuvia” as vistas. Teve um Desafio dos Sertões que fiquei "cegueta" temporariamente. Não consegui abrir um olho por horas.

O PC 7 estava numa barragem na beira da estrada, que achamos sem grandes problemas. Por acaso, essa barragem tinha água, coisa rara de ver.

Seguimos no trekking pro PC 8, naquele sol de lascar o cano! Dany estava perto da gente mais uma vez. Compartilhamos uma Coca-Cola quente. No caminho, dava pra ver o PC lá em cima do morro, balançando a fitinha cor de abóbora. À medida que fomos nos aproximando, várias equipes foram chegando, passando por porteiras, pulando as cercas. A subida era bastante íngreme e com pedras grandes.

Descemos junto com o bolo de gente, coisa que me dá um pouco de agonia, porque a correria nos desconcentra e, algumas vezes, vamos pra onde não devemos ir. Mas até que não foi complicado. Muitos espinhos depois, encontramos o PC 9.

O caminho pro PC G também foi bem de boa! Encontramos com a Caatinga Sempre Viva no caminho de ida e com a Limonamour no caminho de volta.

Não planejamos cortar caminho do G para o C, portanto, descemos pela trilha, encontramos a bifurcação e seguimos por pouco mais de 1,5km até o C. Mesmo assim, a trilha oferecia resistência, porque, segundo Waltinho, por onde passamos, é lugar que ninguém vai faz anos. A graça foi depois do C!

Seria uma volta enorme seguir por uma estrada melhor pra alcançar o PC D, por isso, seguimos pela linha vermelha no mapa, onde tinha escrito na legenda “caminho de bode”, mas eu não li. Interpretei que era trilha sugerida, embora acredite que não mudaria de ideia se tivesse lido. Então, descemos pelo vale até a linha de transmissão, que, primeiro, nunca achávamos, depois que achamos, nunca chegava. Era mato, pedra, espinho, cerca de sete fios de arame farpado... Sem contar que o bode é baixinho e tínhamos que andar agachados por vários momentos. Só Jesus na causa! Alguns começavam a questionar a escolha, querendo saber se não tinha nada melhor. Eu sabia que era ali mas dava certa razão às queixas. E nessa hora a gente pensa que deu tempo até de acabar a corrida e só faltava a gente. 

Enfim, depois de muita luta e algum indício de desânimo por parte dos meninos, encontramos o diacho da estrada e a trilha pro PC D. Uma trilha que nem tinha ladeira mas que nos exigia a resistência, resiliência e perseverança, em percorrer um lugar igual, com paisagem cinza, no sol escaldante, de trilha infinita. Ainda tinha o detalhe da abordagem pro E, para encontrar mais um caminho de bode, mirar no morro e seguir na direção correta. 

Mas fomos certeiros! Chegamos na casa de Sr. Manoel, onde tinha um balde de água da cisterna, gentilmente separado pra os Aventureiros. Então, ponderei sobre minha cautela em beber água em qualquer lugar, na Corrida de Aventura, e a quantidade de água que tínhamos até concluirmos aquele trecho. Olhei se tinha cabeça de prego dentro do balde, cuja água serviria pra jogar na cabeça e pra beber. Ouvi Sr. Manoel dizendo que ele bebia dessa mesma água. E foi a molhada de cabeça mais aliviante de todos os tempos! Ainda bebi sem nem lembrar que tinha Clorin na mochila.

Subimos o morro na casa de Sr. Manoel, pulando mais uma cerca cheia de fios de arame farpado, nos guiando pelos fios da antena de internet. Passamos por um bode morto bem no alto, que deve ter subido e não conseguiu achar o caminho de volta, por muitos espinhos e bromelhas, até alcançarmos o PC.

Maurício, que desceu bem mais rápido na volta, começou a gritar, pedindo ajuda. Arnaldo desceu correndo pra socorrer e se deparou com a criatura pendurada na cerca, que nem roupa no varal. Foi atravessar a cerca, pisou no mesmo fio de arame pelos dois lados. O fio quebrou e ele ficou pendurado, com as costas voltadas pra nós. Que sorte a dele ter uma equipe tão legal! Podia ter ficado lá pra sempre, penduradinho! Choramos de rir! 😂

Começamos mais um programa da série: “Falta muito pra chegar?”

Na verdade, a gente estava fazendo um trekking sensacional, numa velocidade interessantíssima, de um jeito que eu realmente precisava dar umas corridinhas pra emparelhar com a equipe. O sol do meio-dia tornou-se inclemente. E tudo que sonhávamos era chegar até o PC F, onde tinha uma casa, com promessa de água gelada, Coca-Cola e comida pra vender.

Quando acontecem essas coisas, fico só pensando que, se está difícil pra gente, está pra todo mundo. Mas, eu realmente achava que éramos os últimos entre os quartetos. Não que isso me deixasse abatida, mas achava.

Enfim, o PC F, realmente, prometeu tudo e entregou tudo. Um oásis no meio do Sertão, com Coca geladíssima! O sanduiche natural com frango, cenoura e passas desceu como a primeira refeição do dia, me dando a energia necessária pra ressurgir das cinzas. Sentamos um pouco. Aproveitei pra conferir se a dor no pé era por causa de uma bolha ou tinha uma pedra dentro no tênis. Conferido! Era uma bolha enorme, mas faltava muito pouco!

Bom! A conversa estava boa, mas tínhamos que sair daquela sombra gostosa! Pegamos a estrada novamente, caminhamos por uns 5km, até encontrar o PC 10, numa barragem. Logo depois, 2km até a transição.

Acredito que já eram umas 4 da tarde porque nosso trekking durou 10horas. Foram 32.5km por esse Sertaozão véio sem porteira, mas entupido de cercas com sete fios de arrame farpado, sem um buraquinho pra pessoa passar. Não passa bode nem gente!

Chegando na transição, fomos informados sobre o cancelamento do último trecho de canoagem e que o PC 18 estava deixando todas as equipes de cabelo em pé. Ou seja, só faltavam 42km de bike e teríamos que prestar atenção na navegação pro PC 18. 😁

Seguimos!

Pra achar o PC 11, Mamau sugeriu o corte de caminho. Só que entramos pelo lado esquerdo do rio, onde a vegetação estava bem fechada. Percebendo que não seria possível transpor, porque o PC era do outro lado, chamei Mamau. Gente, Maurício quando some, nossos gritos ecoam pelo ar. Até a Caipora responde, menos ele. Mas assim que nos reagrupamos, voltamos um tantinho, entramos numa trilha antes da cerca, seguimos pelo outro lado e achamos o PC, junto com outras equipes que deram a volta.

Beleza, então! Seguimos pro PC 12, depois pro 15. Dali, começamos a beirar plantações outra vez, onde começava a ter trezentas trilhas, além das que precisávamos encontrar. No caminho pro PC 16, havia um rio com correnteza pra atravessar. Tem horas que fico pensando... Todo canto foi com rio sem um pingo de água, chega na bike, quando a gente já tá de perna mole, aparece um rio com correnteza. Pra completar, mosquito entrando por todos os buracos que temos no rosto. Um ataque digno de filme alienígena, com direito a engasgo e tudo mais. E não foi aquele negócio de ser rápido de passar, não. Foi ruim, escorregava, tivemos que ir passando cada bicicleta... Pra uma pessoa que tinha acabado de ser levada pelo Velho Chico umas horas atrás, todo cuidado era pouco.

Passados o perrengues maiores, seguimos pro PC 17, de boa! De lá, PC18. Pedalamos, fazendo uma curvinha, achamos uma entradinha, seguimos pelo caminho que encontramos e a estrada acabou. Recuamos pra executar o plano B.

Entretanto, o pneu de Maurício furou e ficamos parados por um tempo, pra resolver a situação. Enquanto resolvia, eu namorava o mapa, contando cada entradinha que estava bem no fundo da imagem do Google, sombreando o mapa. Não deu outra! Achamos o PC no “BeABá” da navegação, contando as distâncias meticulosamente, azimutando as trifurcações, tudo direitinho até chegar lá.

Tudo certo na Bahia, nenhum PC ficou pra trás! Daniel, que estava por aquela região, disse que a Limonamour tinha 10 minutos que saíra dali. Caatinga deveria estar bem adiante. Nós, despretensiosos, seguimos na maior velocidade que podíamos até a chegada. Coisa de, no máximo, 8km, total. Pegamos um retão e vimos umas luzes vindo da esquerda, como se fosse cruzar em nossa frente. Hummm! Aquelas luzes nos fizeram pedalar o mais rápido que pudemos de verdade! Assim como apareceram, sumiram, mas nós, que não queríamos mais vê-las, continuamos pedalando como se não houvesse amanhã.

Ai, gente! E essa navegação nessa correria? Parecia tão simples, tudo contadinho direitinho, entramos à esquerda antes da hora, pedalamos muito, aumentando em uns 3 km nosso percurso. Depois, vendo o mapa, sei exatamente onde entramos. Mas o fato é que caímos bem em frente à entrada da Fazenda onde era a chegada. Sorte retada!


Chegamos, comemorando nosso desempenho, a prova redondinha que fizemos, apesar das adversidades. E, para a nossa surpresa, a Limonamour não tinha chegado e a Caatinga não encontrou o PC 18.

Conquistamos o terceiro lugar no Desafio dos Sertões, uma das provas mais duras da Bahia!


Finalizo parabenizando a todo mundo, incluindo atletas, amigos, familiares, apoiadores, FBCA, CBCA, Sudesb! Unidos, a Corrida de Aventura acontece! Especialmente, à Waltinho, Daniel e a todos que realizaram esse grande evento, essa festa linda e dura, onde o filho chora e mãe não tem a menor ideia do que está acontecendo!

Agradeço demais aos meus parceiros Maurício, Arnaldinho e Lucas! Juntos, formamos uma equipe massa, sintonizada e forte! Fizemos nosso dever de casa muito bem, superamos todas as dificuldades e ainda pegamos pódio! Prometemos nada e entregamos tudo! Mau está em plena forma, Arnaldinho ainda dá pro gasto e Lucas só está começando sua carreira de sucesso! Enfim, estamos óootimos!😊

Aos amigos queridos Aventureiros, Jana, João, Fred e Vande, que foram em quarteto OPEN, fica o registro do quanto é maravilhoso quando estamos juntos!

Minha treinadora, Fernanda Piedade... essa nem é a minha prova alvo mas já sinto tudo melhorar nesse corpitcho! Valeu, mesmo!

Foi um fim de semana maravilhoso! 

Até a Expedição Mandacaru, onde estarei no outro lado da força! 😜




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