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Especial de Natal ou Natal Especial?


A vó mais linda do universo!

   Honestamente, não tava dando nada por esse Natal! Aliás, seria quase igual ao ano passado. As crianças ficariam com o papai Xuxu e eu iria pra casa dos meus pais ou da vovó, seguindo a sequência dos abraços de 'Feliz Natal', da ceia com a família, dos presentes até a despedida. Só que a viagem dos meus pais tirou um pouco meu rumo. Pôxa! Eles fazem falta! Sempre estão ali, na roça, de braços abertos para a nossa chegada a qualquer hora do dia ou da noite. Dessa vez seria diferente.
   De repente, Vó Sinhá, hoje com 97 anos, implicou em passar o Natal no Tabuleiro, sítio onde ela passou a infância que fica a 10km dos Varões (a casa dos meus pais). Acabou seguida pela tropa de filhos e netos. As filhas desgarradas (eu e minha irmã- Mone) também marcaram presença. Snif! Sem 'binha bãbãe' e o meu papai! Rs!...
   O caminho até os Varões é relativamente longo! Tenho que ir até Catu, a 90km de onde moro, depois pegar a estrada de barro de 20km por mais ou menos 1h. Resolvi mudar um pouco, parando na cidade para fazer uma visita ilustre à rua onde morei para rever amigas de infância e adolescência. Pessoas com as quais tive muitos dos momentos mais intensos e felizes da minha vida. Que até tenho contato por facebook, e-mail e outros meios de comunicação mas, nada é igual ao encontro. Nada substitui encostar o coração no outro na hora do abraço.
   A rua está quase igual, a casa que morei também, a casa da amiga também, a mãe das meninas igualzinha (Dona Joana), tudo quase igual! Saí do carro e gritei os apelidos como fazia há mais de 20 anos atrás, quando queria que elas fossem em minha casa. Foi massa, rs! Nos abraçamos, falamos de muitas estórias engraçadas, lembramos de nossa essência, das nossas 'artes', das viagens malucas. Precisava de uma pauta se fosse falar de tudo mesmo.. e de uns 4 dias falando sem parar. Cheguei cheia de fome, quase 2 da tarde. Comi o resto do cozido delicioso de Dona Joana. E, depois de muita conversa, ainda tive o prazer de encontrar a doidinha da rua... Gente! Até a doida está igual! Não envelheceu! Kekeu continua a mesma figura sorridente e engraçada de sempre. Ela me viu saindo da casa das meninas e gritou meu nome como fazia nos velhos tempos. Pensem na minha felicidade em ser reconhecida pela 'doida' da 'minha' rua! Rs! Alguém pode imaginar o que isso significa?? Nem eu entendo muito bem. Mas, tive a sensação de ter a minha essência de volta, minha infância, minha adolescência.
   De lá, peguei o resto da estrada até a roça, toda feliz e radiante! Aliás, pegamos! Totó estava comigo. Os cachorros lá da roça odeiam Totó com todas as suas forças. Os gatos também! Totó tem que ficar recolhido, confinado dentro de casa pra não ser detonado pelos outros bichos. Fazer o quê?? E ainda volta cheio de carrapatos. Mas, não tive escolha.
   Mesmo sem Conça e Freitas, a roça está linda, continua um paraíso. O verde, as montanhas, o gado, os sete cachorros, os gatos, os cavalos, as galinhas, o pomar entupido de frutas, o trator, a reforma do 'puxadinho'. Tava tudo lá!
   Então nos arrumamos para a noite de Natal e fomos pra casa da vovozinha, no Tabuleiro...
   Na minha opinião, a melhor coisa que poderia acontecer no Natal era faltar energia na roça! Eu e minha sobrinha ficamos no terreiro, vendo as estrelas naquele breu. Tio Antônio Macgyver fez uma pequena gambiarra, puxando uma luzinha direto do carro, só pra gente enxergar melhor a comida. De resto tivemos um jantar à luz de velas mesmo! Alguns vizinhos fizeram a oração conosco e participaram da ceia.
   A energia voltou depois da meia noite e eu nem imaginava o que mais aconteceria naquela noite... Meu primo Vinny levou seus equipamentos de música pra animar a festa. Então entendi o motivo da sua chateação pela falta de energia. Nós todos cantamos e dançamos horrores! Toda hora aparecia uma revelação musical para dar uma canja, rs! Também não faltou dançarino! Me acabei! Voltei pra casa rouca..
   Era madrugada quando chegamos nos Varões. Apenas para tirarmos o cochilo e voltarmos pra casa da vovó pro almoço... Mais festa! E o 'ponto alto' foi a mesa de 4 lugares ser ocupada por 12 pessoas. Não sei o que deu naquele povo! Deve ter sido o sentimento fraterno do Natal. E nem preciso dizer que amo essas maluquices! Pensei que aquele banco não aguentaria tantas bundas.. Mas, aguentou! E eu tive um dos Natais mais animados de todos os tempos!
   Hummm! Esse 2012 será, sem dúvida, surpreendente, como sempre foi a minha vida! Do jeito que gosto! Surpreendente!
  
  
  

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