terça-feira, 9 de agosto de 2016

Resenha Mandacaru 2016


   Era exatamente disso que eu estava precisando para o fim de semana! Uma loucura, um rasga mato miserável, tudo que é bicho, incluindo cobra de todo tamanho (com veneno e sem veneno), mandacaru, cansanção, espinhos, superação, chegar no limite entre o senso de preservação e a coragem. Muita coisa nós vivemos na Mandacaru. Do tipo que dá resenha de umas seis folhas... Mas vou tentar resumir, rs!
   No começo eu passava uma semana me organizando pra corrida. Hoje em dia, quando é uma prova curta, tipo 90km na categoria Brutus, passo o zóio nos briefings eletrônicos, organizo as coisas na sexta-feira pra correr no sábado e está tudo certo. Claro que está quase tudo pronto ali no armário, a alimentação está planejada na cabeça e o parceiro cuida dos equipamentos... Não esqueço um detalhe e ainda levo artigos reserva pra emprestar aos meus amigos caras de pau.
   Anguera, Bahia, 06 de agosto de 2016. Os ex-alunos da nossa Escola de Aventura do Agreste marcaram presença na corrida. Contamos 19 presentes, logo de cara., e ficamos muito contentes com isso! São todos fofos, correram super bem e têm o nosso respeito e admiração.
   O quarteto Aventureiros foi composto por Mauro, Scavuzzi, Tadeu e Gabi. A história deles foi massa mas só eles pra contar. Claudio e Herbert formaram uma dupla masculina. Eu e Vitor ficamos na dupla mista, que não tem categoria no Campeonato Baiano. Compete com os meninos mesmo.


   Às 4 da manhã já estávamos na estrada. Deixamos as bicicletas no vilarejo indicado e seguimos para o local da largada e briefing. O mapa estava ótimo! Muita curva de nível, referências, trilhas, uma beleza!


   Largamos às 9h, descendo 1,5km de ladeira em direção à estrada de asfalto. Atravessamos a pista e começamos a subida íngreme de doer. Conseguimos ficar na trilha até quase no topo do morro, depois a coisa começou a fechar. E essa foi a subida mais leve de todos os morros que enfrentamos na Mandacaru. Perdemos um tempo para encontrar a trilha para o PC1 por pura falta de atenção às curvas de nível do mapa. Agora, olhando com calma, vejo que dava pra sermos mais objetivos no que fizemos. Não precisávamos andar muito, bastava atravessar para o outro lado do morro como fizemos e achar a trilha. O negócio não é só fazer a coisa certa, é fazer a coisa de forma mais rápida e objetiva. Deu certo! Um alívio danado encontrar o PC1! E aquele pouco de rasga mato tomou um tempo danado.
   Da casa até o PC2 tinha trilha bem marcada e até uns moradores transitando por ali. Ou seja, tinha trilha pra subir até o PC, sem dúvida. Aprendizados sempre! 
   De lá, descemos nossa primeira ribanceira do jeito que deu e chegamos no PC3 entre os últimos colocados. Começamos o Bike Run como combinamos: eu corri, Vitor pedalou. Quase voei! Parecia uma pipa, segurando na mochila de Vitor. A média de velocidade era 12km/h, fácil. Minha cara ficou toda vermelha. E pegamos os PCs 4 e 5 nessa “velô”. Do PC5 para o 6, experimentei a carona sentada no quadro mas a minha coluna doía tanto que não deu gostoso, aquele negócio. Então fizemos alguns trechos assim, outra maioria nas pernocas mesmo.
   No PC6, começamos o Mountain Bike à dois. Com o corte de prova no PC13 marcado para 17h e, mesmo com 4 horas para chegar até lá, tentamos pedalar o melhor possível para evitar surpresas. Estava quente! Precisei jogar água na cabeça algumas vezes. Depois de correr tanto, as pernas não estavam tão bem. E meu parceiro retribuiu a ajudinha que lhe dei pra subir o morro, me dando uns empurrõezinhos nas ladeiras. Todos os PCs até lá eram no pedal. Um pedal fluido, tranquilo, técnico apenas o necessário. Navegação com detalhes que requeriam atenção. Muito bom!


   Chegar ao PC13 mais de uma hora antes do corte foi um conforto e tanto! Tivemos o apoio moral das nossas queridas amigas, Ana Paula, Diana e Lene. Fofas! Ofereceram comida e água. Lene queria que a gente sentasse em cadeiras mas o chão estava ótimo mesmo. Nos aprontamos, comemos, bebemos e fomos encarar mais um morro de arrepiar os cabelos. Acho que começamos a trilha umas 16:10h. Uma unha minha já estava solta. Mas, a dor é passageira quando a estrada é longa e se tem foco. A navegação ajuda a esquecer, muda o rumo da prosa. Andar mais rápido também ajuda bastante!
   O PC 14 da ruina foi super tranquilo de achar. Nosso objetivo era encontrar o PC15 antes de anoitecer. Antes mesmo de achar a trilha para começar a subir, Vitor encontrou a primeira cobra da corrida. Uma cascavel enorme, passando, vendo seu mundo invadido por um monte de malucos! Ficamos assustados, quietos, esperando que ela fosse embora.
   Subimos com dois rapazes até uns 200m de trilha. Dali em diante, sumiram a trilha e os rapazes. E nós começamos nosso trabalho de rasgar mato. Todo mérito para meu companheiro de prova, Vitor! O cabra rasga mato como vi poucos fazendo. Não sei de alguém subiu por trilha mas estamos certos de que ali onde passamos, ninguém nunca passou. Nos embrenhamos ladeira acima, transpondo todas as barreiras que se puder imaginar. Só quem esteve na Mandacaru sabe do que estou falando. Uma subida íngreme, com uma plantação de mandacaru, cansanção, espinhos e bromélias só pra nós. Pedras enormes para apimentar a escalada, buracos. Os galhos que pareciam legais pra segurar, se soltavam como palhas. Os cipós e os espinhos insistiam em nos prender. Tinha horas em que olhávamos pra todos os lados e nem lembrávamos de onde tínhamos vindo, nem sabíamos como sair do buraco onde entramos. A única coisa que tínhamos certeza era de que o PCDudu estava no ponto mais alto do morro e era pra lá que tínhamos que ir. Rs! Isso bastava para nos impulsionar para o alto e avante, no azimute!


   Bem sabemos como demorou... De repente, sentimos aquela brisa de topo. O ventinho uivante que só se ouve quando se chega perto do céu. O chão ficou mais fácil de pisar e uma trilha apareceu bem debaixo dos nossos pés, no azimute certinho. E agora? Pra esquerda ou pra direita? Oh, dúvida cruel! Vitor decidiu que seguiríamos pra direita. Caso encontrássemos o 16, voltaríamos pra pegar o 15.
   Naquele breu, pelo barulho das folhas, um bicho grande caminhava por perto. Andamos mais rápido pra nos afastar. Quando o PC15 apareceu na trilha, a felicidade foi tanta que esquecemos as “folhas”. Como assim?? E o muro de pedra? Aquilo me fez até duvidar se pegamos o PC 15 ou 16...
   Ninguém sai da trilha!! Pela trilha, sempre pela trilha, encontramos o PC16. E, dali em diante, juramos caminhar sempre pela trilha. Descendo, todo santo ajuda, principalmente se tiver trilha. Pô velho, perdemos a trilha! Mas tateamos até achar um buraco na cerca que nos permitisse passar e continuar nossa descida. Encontramos uma passagem “segura” e descemos no azimute até chegar na estrada.
   Apesar das pilhas novas dos faróis, decidimos passar pelo PC13, que ficava ali perto, antes de subirmos o outro morro, pra pegar as lanternas de bike. Já pensou, ficar sem luz na mata? Teríamos que sentar na pedra até amanhecer o dia.
   Com certeza, a trilha pra subir para o 17 não era aquela. Mas as luzes que desciam de lá nos confundiram na contagem da distância. Algumas pessoas desistiam de subir o morro, alegando não ter encontrado o caminho. Subimos por ali mesmo! A cerca nos guiava. O caminho começou tranquilo, apesar de muitíssimo íngreme. Eu estava "Mortinha da Silva". Precisei parar pra “fingir que estava olhando a Vila do alto” várias vezes. Vitor, que estava mais adiante, só parou quando o caminho começou a ficar difícil de progredir.
   Nosso perrengue de rasgar mato recomeçou. Talvez esse tenha sido o pior! Encontramos de tudo que já escrevi e um pouco mais. Tinha horas em que parecia impossível passar. As cercas nos balizavam no azimute. Nosso destino, o topo! Ninguém desce, só sobe! Foi o que fizemos sem sair do foco. As cobras continuavam aparecendo. Dessa vez, Vitor quase se arrastou até uma delas. Demos meia volta e escolhemos outro caminho. De todas as cobras que encontramos, aquela acendeu forte o nosso instinto de preservação. Certamente, atravessamos a cerca por umas quatro vezes. Mas, teve uma última vez. Aquela que nos levou até um trecho de arbustos de galhos mais finos, sem pedras, com poucos espinhos. O vento que vinha do céu começou a uivar outra vez, os caminhos se abriram e o PC17 quase pulou em cima da gente, logo ali, no tanque. É certo que subimos pelo lugar errado mas nos batemos de cara no PC. Então seguimos para o 18, para depois nos embolar ribanceira abaixo. Talvez a parte mais íngreme do morro, a mais difícil de descer. Down poderia anunciar a modalidade "esquibunda", que cabia perfeitamente.
   As minhas unhas já saltavam dos dedos. Loucos para chegar ao final da corrida, fizemos uma transição rápida, até porque, nada mais entrava na garganta a não ser suco. Bebemos tudo que pudemos, nos aprontamos e fomos embora. Ainda bem que esse resto de prova não foi tão sacrificado. Embora cansados, cumprimos nossa proposta de prova. Relaxar, sumir pelos matos, esquecer o mundo lá fora e fazer a prova sem cortes. Já passava das dez da noite, quando pedalávamos pelas trilhas de Anguera, pelos PCs 20, 21 e 22, todos virtuais, rumo à chegada.
   Down, Manoela, Nevton e toda equipe da organização, vocês foram muito felizes na escolha do lugar, dos morros, dos matos, dos PCs. Uma prova simples, objetiva nas informações e muito bem organizada! Além de garantir a aventura “Brutalidade máxima” do nosso fim de semana, ainda agradecemos pela hospitalidade na pousada. Quando chegamos na praça da cidade, nos vimos ali, mais de meia-noite, sem lenço e sem documento, como na música de Caetano. Não tínhamos lugar pra dormir, nem toalha, nem forro de cama, nem nada.. RS!!! Dormir no sofá da sala da pousada foi um conforto e tanto! O banho quente no banheiro do quarto de Hugo e Gabriel, que luxo! Os amigos nos salvaram! Muita gratidão!



   E que bom encontrar tantos amigos queridos! Que bom encontrar a galera jurássica nas corridas! Estamos trilhando novos caminhos na Corrida de Aventura na Bahia, mas sempre lembrando da nossa essência e o melhor: Estamos todos juntos torcendo pelo crescimento do esporte que alimenta nossas histórias, nossos sorrisos, nossa vontade de expandir os limites.
   Resultado: Quinto entre as duplas no geral e segunda dupla mista. Quem sabe não ficamos entre os dez melhores do RBCA? Nosso treinador vai ficar contente!
   Parabéns a todos que participaram desse sofrimento coletivo que foi a Mandacaru. Amamos!
   Na prova do CT, o desafio pessoal será maior! Espero que minhas unhas resistam...
   Até lá!
   Luciana
   Aventureiros do Agreste
   Retroceder Nunca, Render-se Jamais e Divertir-se Sempre! Nunca mesmo... jamais... sempre!




sexta-feira, 8 de abril de 2016

Desafio do Côco 2016

   Fosse uma corrida de 1km, estaria lá! Pelo organizador, Luciano Show, que tem minha admiração. Pelas amigas queridas, nem preciso comentar. Sabe daqueles encontros em que seu coração sai abastecido de amor? Minhas amigas de infância são fofas, queridas, amorosas, inesquecíveis... E atletas!
Lycinha e Lândia (campeã dos 5km)
   Nos inscrevemos no Cross Duatlhon, 3km de corrida, 14km de bike e mais 3 de corrida. Tudo no mato, do jeito que eu gosto. Largada e chegada no Restaurante Jeitim Mineiro, que fica na estrada entre Catu e Alagoinhas. Como sempre, aproveitamos pra dormir na roça, só pra comer o aipim com carne de sertão de Dona Conça.
   Cedinho estávamos lá. E encontramos nossos amigos de Aventura de Feira de Santana, Down, Manoela e Cleo. As meninas estavam em minha categoria e o menino, na de Vitor. Ygor também estava lá, aquele nosso ex-aluno que gosta de “apertar a mente” das pessoas nas  corridas. Também na categoria de Vitor.
   Corrida curta, coisa rápida mas ofegante, sem dúvida! Já largamos correndo pela areia fofa, entramos por uma trilha mais fechada e começamos a corrida descendo. Ultrapassei Su logo no começo da prova... As descidas eram bem acidentadas, cheias de buracos e valas. Ofegante!


   Fizemos um trecho mais plano em meio a vacas, porteiras, cercas, “cocôres” de vacas e cavalos. Então todo mundo sabe que quem desce tem que subir. Meu coração já saia pela boca, enquanto Su só me monitorava, ali, logo atrás, na surdina.
   Na transição, enquanto eu calçava as sapatilhas, Su saia em disparada e sua torcida organizada de Camaçari ia ao delírio... Parti logo em seguida aos gritos dazamiga tudo, não menos animadas. Foi lindo!
   Eu pedalava, pedalava! Areia fofa, descidas, singletracks super arborizados. Marido, que não corre tão bem mas pedala que é uma beleza, me alcançou logo no começo da parte de bike. Compensou a corrida. Mas Su, minha gente, foi se distanciando a cada minuto. Seu rastro foi visto só no começo. Aquela camisa azul foi desaparecendo do meu campo de visão até sumir completamente.
   Quando achei que tinha pedalado muito, olhei o meu odômetro. AAAAAHHHH! Cinco quilômetros! A competição ficou entre eu, Lulu, Luluzinha e eu mesma. O sol começou a esquentar um pouco mais, o estradão parecia infinito. AAAAAHHHHH! Oito quilômetros! Mas eu deixei Vitor pra trás! Não sei o que deu no meu ciclista preferido. Rolou uma caruara por ali. Ultrapassei numa ladeira e me mandei. Azamiga foram ao delírio quando cheguei na frente dele!!!
   Su desapareceu de uma maneira que até pensei que ela tivesse se perdido. Olha só que miséria pra pessoa pensar! Quanta maldade num ser humano só! 
   Estava me sentindo como numa Corrida de Aventura Solo: sozinha. Até que um dia, em algum momento, em alguma situação... Deus me ajudou... cheguei em 13km, só faltando uma descida pro restaurante. Que bom! Mas, enquanto chegava de bike, Su passava correndo pra finalizar a corrida. Fiz a transição mais rápido e parti pra corrida. Mesmo percurso com mais cansaço. Subidas no trekking forte pra aliviar, descidas no embalo pra compensar.



   Cheguei em segundo sem reclamar. Os campeões são campeões por merecimento, por competência, não há como duvidar. Su arrasou! E Cleo chegou em terceiro, super guerreira!
   Foi um evento super bacana, bem organizado, uma aventura balizada gostosa de fazer. Ainda aproveitamos pra almoçar em família no restaurante e aproveitar um pouco mais os encontros felizes. Parabéns pra você, Show, que mesmo hospitalizado, deixou tudo tão arrumadinho que seus amigos e família conseguiram fazer um evento redondo. São muito competentes também! Muito obrigada pelo convite! Corrida boa a gente quer ir sempre e convida os amigos! 
   Até a próxima!

domingo, 27 de março de 2016

Resenha da NP4- ano 2016




   Vou pular a parte dos elogios e descrição do evento porque essa é a quarta resenha de Noite do Perrengue que faço. Vai ficar repetitivo e eu tô com preguiça. Só digo uma coisa: Daqui a pouco a Noite do Perrengue vira mundial, de tanta gente de fora. Vixe Maria, quanta gente! Teve alguns amigos que nem sabia que estavam lá, só encontrei no outro dia no café da manhã.

Uma penca de Aventureiros do Agreste na NP4
   Fomos pra fazer os 60km. Nem sempre a gente consegue o que quer mas tem que ter objetivo. O que mudar no caminho, administra-se.
   Do emaranhado de trilhas e PCs que estavam no mapa, ainda faltavam os do trekking, que só seriam plotados no PC13. Sentamos, planejamos, guardamos uma caneta em cada mochila pra plotar os PCs de trekking. Levei tanta caneta que ainda emprestei uma pra Claudio, nosso, da Aventureiros do Agreste.
   Morro de medo de largada de bike! Imagina se caio e/ou quebro a bicicleta logo na largada? Gente frouxa tem sair um pouco mais atrás pra não atrapalhar quem é corajoso. E naquela muvuca toda, Vitor sumiu, minha lanterna desconectou e apagou, todo mundo gritava todo mundo.

Cada foto linda de Togumi!
   Ygor, ex-aluno da Escola de Aventura do Agreste (atleta, amigo, competidor) já veio logo me dando esporro numa ladeira:
   - Pesa marcha, pesa marcha!!!
   Foi mal Ygor! Tentava me acalmar com minha lanterna apagada, passei a marcha errada! Ainda bem que essa aula foi de Vitor. Tem que ensinar e aplicar. Esse é o barato da Corrida de Aventura. Na hora do “vamo vê”, todo mundo se atrapalha, erra, cai, tropeça, passa marcha errada, escorrega na navegação. Somos alunos uns dos outros.
   No PC1, no meio do bolo de gente, consegui ajustar minha lanterna da bike. Quando começou o eucalipto ficou gostoso. Lembro sempre das provas da Paletada. Aquele cheirinho é bom demais! Estava me sentindo ótima, achando que estava pedalando horrores! O GPS Track pode acabar com a reputação de qualquer caboclo. Brocamos em baixa, rs!
   A partir dali, cada PC era um flash. As luzes das câmeras brilhavam pelos matos. Quem tivesse perdido se achava, desde que não fosse pra muito longe ou se perdesse de manhã.
   Na saída do PC3, antes da descida pra o charco, a trilha dava uma sumida mas foi só seguir o azimute pra ela aparecer de novo. Lá embaixo, encontramos Fábio e Taty Pinheiro (Rasodacata). Ele perdeu o odômetro e questionou se estávamos indo pegar o 10 e o 11 antes de continuar na sequência. Senti por não termos planejado isso, não fomos. Mas teve um monte de equipes que foi. Possivelmente, ganharíamos tempo com essa estratégia mas nunca se sabe o que pode acontecer. E como diz o meu amigo Gaia, “SE” não ganha prova. Seguimos para o PC4, o 5, o PC6. Fizemos um bate e volta no 6 por achar a trilha mais fácil pra subir pra o 7. Batemos o PC8 bem rapidinho e fizemos um corte de caminho pra o 9. Tudo pelos eucaliptos. Foi lindo nosso corte de caminho!
   Pôxa, eu estava me sentindo uma navegadora de primeira qualidade. Não distrai nem um segundo. Nem Vitor. Com dois mapas e sintonia na navegação fica mais difícil perder o controle.
   Clicamos o PC10. E as trilhas para o 11 estavam quase congestionadas de tanta gente perdida. Passamos sem alarde, chegamos na equina, subimos a ladeira, lá estava o PC. Sim! Estava tudo no lugar certo! Gaia não perdeu nenhum detalhe, as medidas batiam certas. 
   Descemos de volta, seguimos para direita, entramos pela estradinha à esquerda, achamos a bifurcação, descemos pra esquerda. Muito mato, voltamos rapidinho, pegamos a outra trilha, que estava bem melhor. Sinceramente, não sei se precisávamos voltar mesmo...
   Entramos numa trilha um pouco antes para o PC12. Eram uns 250m até a porteira. Não achamos, voltamos. Objetivos na busca, retornamos, não demoramos muito de encontrar a outra trilha uns 20 metros adiante. Fininha, ela se abriu logo em seguida. A porteira! Muitas vozes por perto, muita gente procurando.
O Perrengue da Plotagem
   PC13! Transição para o trekking, plotagem do mapa. As canetas desapareceram. Pôxa vida, levei tanta caneta! Ainda me dei ao luxo de emprestar. Perdemos um tempão esperando alguém terminar pra emprestar. Maurão (Companheiros/R2), sempre gente boa, emprestou pra Vitor plotar o dele. Em seguida chegou o nosso casalzinho preferido do Vale (Thunder Adventure) com minha caneta na mão. Que alívio, estava pelo chão. Sei que perdemos tempo. Vitor até já tinha plotado o mapa dele mas, desculpe parceiro, jamais sairia dali sem marcar o meu. Chegou na hora de sair e eu ainda estava de sapatilhas. Putz! Essa aula da Escola de Aventura do Agreste foi minha, rs!
   O PC14 foi um bom refresco pra nós. Subimos a ladeira em direção ao 15, enquanto algumas equipes desciam de bike, inclusive Mauro e Gabi. Vitor começou a reclamar que eu estava muito devagar na navegação. Só que, antes de ir pra o 15, queria passar no 17... Estava pensando... Precisei explicar que tinha acabado de plotar o mapa e precisava navegar com calma. Do que adianta andar rápido sem saber pra onde está indo? O bom de tudo é que ele já sabe disso, só precisava lembrar. E fomos! Subimos a ladeira e chegamos lá no 17. Numa rápida tentativa frustrada de cortar caminho por uma trilha que nos levava ao PC15, preferimos correr por um trechinho maior pra não perder tempo procurando tanto.
   Direto toda vida, o dia já amanhecia quando caminhávamos pela trilha do PC15. Do fundo da casa, um azimute, e lá estavam as ruínas. E tome-lhe foto! E Mauro e Gabi outra vez. Ali, Vitor questionou se valeu a pena termos pegado o 17 primeiro... Bom... Respostas só na chegada.
   Voltamos para a casa rápido, encontramos a trilha de cerca que nos levava ao PC16. Mais fotos, muita gente perdida de bicicleta por lá. Até passamos pela entrada do 17. Depois, alguns amigos comentaram que quem foi pro 17 por ali demorou mais. Dispensado o PC17!
   Tudo certo, todo mundo no azimute. Encontramos Helinho e Gabi da Makaíra. Por uns dois segundos pensei que estávamos muito bem, rs! Helinho contou que tinham se perdido.  Compartilhamos um lanchinho, enquanto eu me distraía do mapa. A trilha acabou e o mapa virou um emaranhado de linhas na minha frente. Putz! A melhor navegadora do mundo desapareceu! Vou parar de cumprimentar as pessoas no meio da prova... kkkkk! Fiquei confusa. Não fosse Vitor navegando... Por isso que é bom que os dois naveguem. Pode atrapalhar se a equipe não se entender mas também pode ser um trunfo se houver sintonia na conduta. Vitor arrasou no PC 18!
   Cortamos o caminho que planejamos para o PC 19, passamos pelo charco que estava no mapa, Vitor viu a entrada à esquerda mas passamos um pouco porque a contagem de passos estava um pouco à frente. Ali, tivemos um encontro extremamente favorável com Davi e Cássio (da Insanos). Eles voltavam das bandas de lá, dizendo que tinham varrido tudo e não encontraram a trilha. Acreditamos. Indicamos a trilha que encontramos antes, e que eles também já tinham visto, e seguimos por lá, onde estava o PC 19, no meio da mata.
   Chegamos no PC20 às 6:15h da manhã. Uma pena que não deu pra remar. Paciência... Fomos pra transição pegar as bikes pra ir direto pra chegada. Rapaz, que pressa! Tinha uma equipe logo atrás de nós. Uma louca, desvairada, fazendo transição! Vitor se apressou também e quando percebeu, eu já subia a ladeira, cheia de gás. Como se estivesse tudo no começo. 
   O percurso, os erros e até o resultado dessa estória, o GPS Track conta tudo. Dá pra comparar com o desempenho de outras equipes, fazer mil conjecturas e até saber o que a gente estava pensando naquela hora. Embora saibamos que temos muito a melhorar, fizemos nosso trabalho direitinho.
   Quero dizer da nossa satisfação ao encontrar tantos atletas que participaram da primeira turma da Escola de Aventura do Agreste. Dos que contei, estavam presente 11 atletas distribuídos pelas equipes. Eber, Ygor, Luana, Gabriel, Samuel, Angeloni, Adriano, Anderson, Adriano Mello, Branca, Bruno... Além desses, mais as meninas que foram assistir: Deja, Luciana e Jamile. Todos fofos, sorridentes, maravilhosos!
   Obrigada, Ygor, pelo apoio no caminho para o PC 1! Obrigada, Luana e Gabriel, pelo apoio moral no PC13. Obrigada a todos pelo apoio! Vocês fazem parte da nossa história e do nosso aprendizado. Aprendemos muito com a Escola, revivemos nosso começo, nossa essência, nossos valores. Reacendemos a nossa chama. Torcemos por vocês, tenham certeza!
   Terceira das 40 duplas mistas. Segunda equipe do percurso .40. E esse nosso lugar no pódio dedico a vocês, que nos impulsionaram a começar o ano com essa energia tão boa, com a nossa essência em dia!
   Parabéns para Equipe NP4! Que nunca subestimemos a navegação das provas de Corrida de Aventura! Se não tiver navegação vira prova balizada. 
   
A alegria do pódio.
   Ao nosso treinador, Fernando Tadeu, obrigada pelo incentivo de sempre! À nossa Aventureiros do Agreste, todo nosso respeito e bem querer! 
   Vejam todas as fotos no site da Adventuremag. Estão lindas!
   


sexta-feira, 18 de março de 2016

Bastidores da Corrida da Escola

   Todo mundo do mundo inteiro na expectativa! Quatro dias de aula de sucesso, o encerramento precisava ser do mesmo jeito: com sucesso. Com o tempo mais do que curto, tudo mais ou menos organizado, só faltava conferir e marcar o percurso da prova de formatura.
   Com o apoio da Equipe Gantuá, usamos o CT como base e o mapa da corrida de 2013. Ou seja, embora a corrida fosse pequena em distância, era uma Corrida de Aventura de verdade, que foi feita por muitos atletas naquela época. Usamos todos os PCs. Até o que cancelamos, acrescentamos outro pra não faltar nem uma gota de emoção pra nossa turma.
   Eu, Tadeu e Vitor seguimos pra Praia do Forte na sexta tarde, logo depois do almoço. Pelo caminho, alguns amigos, que ajudariam como PCs na prova, enviavam mensagem pra dizer que não poderiam comparecer, e outros enviavam mensagens se oferecendo pra ir pra festa. Deus é bom, minha gente! E quem tem amigo não fica na mão. Nem uma gota de chateação com os que não puderam ir, tá? Sei que queriam estar lá. No stress!

Marcação do percurso.
   Quanto à marcação da prova, toda preocupação com o percurso foi embora quando pedalamos tudo. Começando pelo trecho que eles fariam de bicicleta, curtimos cada quilômetro. Oh, que delícia! Bem sombreado, verde, ventilado, com areia fofa, ladeiras, beira de lagoa. Coisa boa mesmo de pedalar! Também percorremos o trecho de trekking com bicicleta. E foi ali que lapiei minhas pernas nas tiriricas e cansanções que estavam pelo caminho. Fiquei preocupada com aquela trilha fechada. A árvore caiu, os galhos atrapalhavam a visão. Será que eles achariam a trilha? Seria emocionante ou decepcionante? Enfim, terminamos de marcar o percurso e só saberíamos depois que eles contassem.
Em todos os Postos de Controle, amarrei uma fita rosa pra nossos amigos PCs terem certeza de que estariam no lugar correto. 
   No sábado, acordamos às 4 da matina, depois do café reforçado, seguimos pra o CT Gantuá. 
Nossos atletas começaram a chegar às 6h. Inscrições, mapas, formação das duplas. Alguns já chegaram com duplas, outros se formaram por lá mesmo. Também teve um trio. Tentei organizar os desgarrados de acordo com os perfis de cada um. Parece que deu certo. Eles se entenderam muito bem!

Alinhados para largada. Lindos!
   Como um atraso de meia hora, demos a largada da prova.
   Lição de casa: Nossos meninos tem que sair mais cedo de casa porque a organização das provas oficiais não esperam os atletas chegarem. 
   Cada PC com seu lugar, cada PC com seu mapa, cada qual no seu cada qual. Teve gente que levou até cadeira pra sentar. Tadeu saiu antes da largada pra posicionar todos os PCs da bike. Mauro e Tadeu fariam transição do seus PCs para outros, durante a prova. Vitor levaria os PCs do trekking logo depois da largada e eu e Marcelinha fomos no PC5, o primeiro do trekking. Conversando tanto que me distrai na navegação, rs! Quem aguenta? Passamos da entrada, tivemos que voltar... E conseguimos chegar. Marcelinha sentou-se num bloco, eu sentei no chão mesmo. Conversamos horrores até ouvir os gritos: 
   - PC!!! PC!!!

Equipe Lost com o "aperto de mente" de Ygor
   Começaram a aparecer. Em primeiro, a Lost, que trazia mais três equipes coladas. Ali, naquele cruzamento, paravam pra navegar. E ficavam concentrados, discutindo, conjecturando... Demoravam mas percebi que fizeram exatamente o que orientamos: Não ficar preocupado com as outras equipes e navegar pra saber pra onde ir. Em nosso PC, ninguém foi pra o lado errado!

Equipe Tartarugas, o trio.
   Passaram as dez equipes, nove duplas e o trio parada dura. Então fomos pra o CT pra saber das novidades. Quando descíamos a ladeira, ouvi o rangido inconfundível da bicicleta de Renato. Nossa, eles já tinham terminado o trekking, remado e já estavam na última perna de bike! Estavam voando! No dia em que Renato tiver uma bicicleta melhor (Essa era emprestada.), só Deus sabe o que pode acontecer! Vixe, se botar sapatilha nesse menino... Ave Maria! 
   Na verdade, já tinha passado outra equipe, os Carcarás Tenebrosos, mais uma dupla que vai dar muito trabalho aos veteranos de Corrida de Aventura. E na porta do CT estava a Lost, com Paulo com a língua toda pra fora, parecendo um cachorro arfando de cansaço, mas todo feliz! E Ygor todo disposto. Começaram a navegar, apontaram pro lado errado, guardaram o mapa e saíram pedalando... Pra o lado errado... Nãaaaao! Eu não podia dizer nada! Fiquei ali desolada. Foram pra Praia do Forte ou será que foram pra Sapiranga? Só depois pra saber.. KKKKK!
   Entramos, fotografamos, rimos muito. A dupla Avante chegou com o PC do remo nas mãos. Eles levaram tão à sério essa história de pegar o PC que trouxeram pra nós. Não teve quem não achasse engraçado. Alan teve que remar até o local do PC para colocar a placa de volta. Imaginem se todos entendessem a mesma coisa? Seria um bom treino pra Gantuá. rs!
   O tempo estava acabando, o horário do corte se aproximava.
   Carcarás Tenebrosos concluíram a prova cheios de energia, por volta das 10:30h. Animadíssimos, contando histórias, tirando fotos. Demorou um tempo, chegam os meninos da Última Hora, com Renato de sua bike sem óleo. Comemoraram muito! Pareciam crianças, felizes da vida.

Foto do Pódio

   Avante chegou em terceiro... Quarto e quinto lugar chegaram quase juntos, se perderam juntos, fizeram um passeio pela Sapiranga juntos, se acharam juntos, tomaram a melhor coca-cola da vida deles juntos. Pagariam R$ 100,00 por aquela coca-cola, conforme depoimento. Rs! Eu ri muito desses quatro.

O pessoal da Coca-Cola
   Os outros, não menos importantes, foram chegando com suas histórias, seus risos, suas euforias. Muitas fotos, muita alegria, muita diversão. 
   As Luluzinhas chegaram do trekking, correndo feito loucas, três minutos antes do corte. Últimas antes do corte, e dispostas a terminar a prova. Navegando muito bem!
   Só faltou um trechinho de bike pras três últimas equipes que pegaram corte. Chegaram com tantas outras histórias engraçadas que não dávamos conta de ouvir tudo.
   Pena que acabou! O café da manhã, que delícia! Confraternizamos, brindamos os primeiros colocados, entregamos os certificados...

Entrega dos Certificados

   Não escondo o orgulho que tenho da minha equipe, a Aventureiros do Agreste. Nossa sintonia dispensa a palavra, basta um olhar pra cada um saber o que fazer. E não importa quem parece estar no comando, ninguém liga pra isso. Quando o projeto foi concebido, nem imaginávamos o quanto isso nos faria bem, o quanto aprenderíamos. Eles nem sabem o bem que nos fizeram. Essa turma vai muito longe! Tão surpreendente quanto o nosso curso, aprenderam tudo que se pode fazer para começar uma nova vida. E começaram! Cada depoimento lindo, cada foto mais linda do que a outra! Eles brilharam no CT Gantuá e vão brilhar em muitos lugares, vão frequentar pódios pelas provas por aí.
   Parabéns aos atletas da primeira turma da Escola de Aventura do Agreste! Uma saudade danada de vocês!

Todos!