quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Corrida do CT 2016


   Mucugê é uma cidade linda, um dia vou morar lá. Vou ser Dentista ou Fiscal de Vigilância Sanitária ou Cozinheira ou Garçonete ou Ajudante de Pedreiro. Topo qualquer parada pra voltar pra lá para sempre. Sei costurar também! Um dia eu vou embora e só volto aqui pra ver o mar.
   Foi a primeira vez que apareci na Corrida do CT de  Mucugê. Na cabeça do meu treinador eu sou “boca de zero nove”, como dizia o meu pai. E isso aí é coisa boa, tá? Ele dizia que eu tirava leite em cabra correndo! Gente que bota os bofes pra fora e sangra o nariz, mas não para de correr.
   Eu não sabia se conseguiria, mas aceitei o convite de Tadeu. Não sou se recusar essas coisas, não. Principalmente se tudo estiver favorável. Tipo: Todo mundo vai pra lá, eu posso ser Mega Power e meus meninos vão ficar bem sem mim.
   A proposta era fazer Corrida de Aventura no primeiro dia, Corrida em Trilha no segundo dia e, se entrássemos no percurso Mega Power numa das duas, fazer o Desafio do Cruzeirão. SIM, se minhas unhas permitissem. Fiz um monte de provas esse ano. As unhas estavam uma tragédia. Já tinha perdido cinco.
   Eu preciso falar dos meus amigos. Só um pouquinho... Esse pessoal é gente boa, tem boas maneiras, sorriso no rosto e bom humor. O que tem menos riso no rosto é o que mais faz a gente rir. Scavuzzi é uma figura impar! Perto dele, a gente fica com as bochechas doloridas de rir. Somos todos irmãos! Essa frase eu digo desde o começo e, embora nossas vidas dêem muitas voltas, o ponto de encontro é o mesmo. E a gente sempre dá risada das piores histórias, faz piada das nossas vitórias e derrotas. Aliás, nunca fomos derrotados! Nunca seremos!

Primeiro Dia- Corrida de Aventura
   Eu queria brincar tudo porque pagamos pra brincar tudo, mas Corrida de Aventura é um jogo de estratégia, força, coragem e determinação. Como todo jogo precisa de regras pra não virar “cachorrada” , aceitamos as regras e fomos pra largada.
   Eu e Vitor na dupla mista, Mauro, Gabi, Scavuzzi e Tadeu no quarteto misto.
   O primeiro Desafio da prova era fazer o trecho de orientação em menos de duas horas pra não ficar na Categoria Light. Definitivamente, nosso objetivo de prova não era esse. Falando por mim, sou sempre disposta a assumir a situação que vier, mas ser Light eu não queria não.  
   Largamos em sexteto e nos separamos no primeiro desentendimento. Muita gente navegando é uma merda! Péssima idéia, que foi resolvida na primeira bifurcação. Mauro pegou o bando dele e foi pra um lado, eu peguei minha “banda” e levei pro outro.
   Minha banda começou a espernear quando dei a referência do PC em dose homeopática. Aproveitei para “soltar os cachorros” e xingar os melhores palavrões de um vocabulário que só pode ser pronunciado assim, sem ninguém por perto. Tão inusitado que tivemos uma crise de riso. Impus respeito porque navegador não merece ficar ouvindo desaforos, não, minha gente! Que é isso!?
   Então!? ... Primeiro pegamos os PCs mais difíceis, no meio das pedras, dentro das valas, depois saímos “desbandeirados” pela cidade, achando PCs nos becos de Mucugê. Até no esgoto tinha PC. Ainda teve a parte de bike com orientação. Enfim, conseguimos pegar os PCs num tempo menor do que o programado.
   Ufa, somos Power!
   Fomos pedalar em outro mapa, com outra escala! Depois de um bom trecho de asfalto, chegamos por terra. A fazenda de café tinha pivôs de irrigação com diâmetro do mesmo tamanho da área urbana de Mucugê. Uma imensidão. O PC2 era  virtual, o 3 era gente. De lá, um pouco de trilha pra dar uma balanceada. E seguimos para o PC4, que estava escondidinho naquela outra trilha do lado esquerdo do estradão. A estrada empoeirada parecia não ter fim, as subidas pareciam planos. O caminho nos levava para um singletrack  até o rio, que batia direto num paredão enorme. Pronto! Bastava pedalar, sentir o ventinho no rosto e chegar até o PC5. Junto com nosso quarteto outra vez. Inúmeras vezes nos encontramos. E acabamos chegando no PC6 quase na mesma hora.
   O mapa do trekking até o PC7 já era com outra escala. Vitor desceu no rapel e eu na tiroleza, pela primeira vez na vida. Pegamos uma fila, que deve ter durado mais de meia hora. O que sei é que estava com medo de bater minha bunda naqueles galhos mas precisava descer logo pra fazer um xixi. Então pedi pra o Bombeiro me descer bem devagar, porque tenho certeza de que faria xixi nas calças antes de bater na água. O povo já faz piada com minhas maluquices, imaginem a cena?
   Descemos por dentro do rio pra achar o PC8. Estivesse chovendo mais um pouco, o PC seria dentro de uma cachoeira. Dali, entramos na primeira trilha que apareceu para sairmos das pedras em direção ao PC9.
   Uma pena que não conseguimos passar para o percurso Mega Power! Embora estivéssemos no tempo, já tinha passado uma porrada de gente, excedendo o limite de gente pra se perder na serra. Teve gente que não curtiu, mas eu me contentei em ser Power numa boa! Estava amarradona, curtindo horrores!
   Descemos o ladeirão de asfalto e seguimos para a trilha do museu do garimpo. Merda de trilha com tanta pedra! Sou péssima pra pedalar em pedra! Paciência! Pegamos o PC14 e seguimos para a chegada.
   Resultado: Segundo Lugar Dupla Mista na Categoria Power.



Segundo Dia- Corrida em Trilha
   A parada agora era comigo e Tadeu.
   Mesmo esquema: Categorias Light, Power e Mega Power. A gente tinha que correr pra ver o que ia rolar. Eu estava bem direitinha pra quem tinha corrido quase 60km no dia anterior. As cinco unhas que me incomodaram não estavam nos meus pés desde a Odisséia de Pernambuco. Assim, sem outras unhas pra incomodar, ficou bem tranqüilo. Das pernas e do fôlego, só saberíamos após a largada.
   Tadeu, animado e confiante, queria resolver seus problemas com as trilhas de Mucugê, reduzir seu tempo de prova em relação ao ano passado. No mínimo, ser Mega Power. Eu acredito muito nas minhas canelas secas, mas nunca se sabe o que pode acontecer. Ser Mega Power é massa! Fechou!! Objetivos bem alinhados! Queremos o Mega Power!
   Largamos!
   Os primeiros cinco km foram ofegantes pra mim, como sempre. A adrenalina do começo dá um pouco de cansaço mas estávamos muito tranquilos. A natureza ajuda quando você sabe quando e como aproveitar.
   Corremos pela cidade, pegamos a trilha pra o Ecoville Mucugê, entramos no rio, molhamos os pés, corremos pelo lajedo e nos tornamos uma dupla Power.
   Dali, começamos uma subida de lascar o cano, arrepiar os cabelos do corpo e doer o quadríceps magoado do dia anterior. Ah, mas passou rapidinho... O corpo começou a acostumar, ficamos de couro quente. Sem contar que entramos numa trilha toda plana com a vegetação de arbustos que chegavam até a altura do suvaco. E que coisa boa que é correr com aquelas fitinhas. Abri meus braços de felicidade! Corrida balizada é massa pra relaxar! Recomendo para Corredores de Aventura! Não tem coisa melhor do que passar um dia na adrenalina do mapa, da bússola, dos equipamentos, estratégias, dos downhills, de todos os apetrechos de uma Corrida de Aventura... E depois fazer uma corrida toda balizada. Pensei que se a turma toda tivesse ido pra soltar as pernas seria muito legal.
   Tadeu estava tão bem que só respeitava os 20m de distância. Chegamos ao km 11 animados e viramos Mega Power! Que bom que viramos Mega Power, 21km! O percurso é ainda mais gratificante. As cachoeiras são gratificantes! Os rios, as pedras, os barrancos, as flores são gratificantes! Os gritos dos amigos são gratificantes! Todo e qualquer desconforto ficou pra trás, bem lá atrás.
   Depois de 15km fiquei animadíssima. Aproveitei a presença de possíveis alunos da Escola de Aventura para explicar tudo que aquelas pessoas precisavam fazer para começar uma nova vida. Falei tudo! Dos cinco encontros, do primeiro dia de aula teórica, do rapel com Josemar, do treino noturno, do treino de mountain bike e da corrida de Formatura. Tadeu não se meteu muito na conversa não... Não sei porquê... Rs!
   Então, depois de pular muita pedra e correr pelos matos de Mucugê, entramos na cidade, passamos por trás da igrejinha e seguimos para a chegada com as três pulseiras nos braço. Duas horas e quarenta de oito minutos de fitinhas coloridas! Adorei!

Terceiro Dia- Desafio Uphill do Cruzeiro
   Preguiça infeliz! Má vontade de viver, imagine de subir o Cruzeirão. Uma chuva fininha, um friozinho gostoso pra colocar um agasalho e tomar um café da tarde. Mas a pessoa, ao invés de tomar um café com os amigos, vai pro Cemitério Bizantino pra subir o Cruzeirão. Tadeu? Ah, ele estava animado, queria muito se acabar naqueles 700m com 48 graus de inclinação. Onde mesmo que tinha essa informação?
   Antes de subir, pegamos nosso número de peito e ficamos na maior resenha. As gargalhadas que eu dei já valeram o sacrifício.
   Cada atleta saia num tempo, a cada 2 minutos. Os homens primeiro, depois as meninas. Do lugar de onde a gente ficava esperando a vez, dava pra ver a galera escalaminhando o morro em alguns pontos. Para os meninos, o tempo precisava ser abaixo de 12 minutos para ganhar a camisa. Já as meninas precisavam subir em menos de 14 minutos.
   Sim!!! Resolvi subir o mais rápido que pudesse. Tinha horas em que era paredão, que só dava pra subir com as mãos no chão, de quatro. Em outros momentos, dava pra andar muito rápido. Correr, nem pensar! Minha garganta ardia, o ar parecia rarefeito. Um pouco antes de chegar lá em cima, passei a mão no nariz pra ver se estava sangrando. Foi só sensação... Subi em 13minutos e alguns poucos segundos. Acabada!! Devo ter demorado mais de 14 minutos pra me recuperar, RS!!!
   A camisa foi pra o meu treinador como sinal de gratidão! Ele quem inventou essa história de fazer três competições num mesmo fim de semana. Pra mim, foi muito divertido, muito mesmo!
..............
   Pra finalizar, desejo VIDA LONGA à Corrida de Aventura, à nossa equipe, à nossa Escola de Aventura, aos amigos queridos. VIDA LONGA à Corrida do CT Gantuá. Tivesse que descrever com uma palavra, diria: IMPECÁVEL!

   Foi um ótimo fim de semana!!! 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Odisseia Pernambuco 2016- 100Km

   É uma longa história!
   Não lembro em que ano participei da última Odisseia mas sei que cada postagem dos amigos em alguma delas sempre me causou inveja de doer! Tem Odisseia na Paraíba, em Alagoas, Sergipe, Pernambuco... A coisa aconteceu “no susto”! Decidimos, nos inscrevemos, compramos passagens e pronto, acabou! Dali em diante era só organizar as coisas e a vida.
   Chegamos em Cabo de Santo Agostinho na sexta à noite, junto com o quarteto do Ceará, Bichos Escrotos, com o qual compartilhamos o tranfer aeroporto/hotel/aeroporto. Tinha equipe de um monte de lugar. Chegando lá, fomos nos misturando, organizando as coisas, montando as bicicletas.
   Por falar em montar bicicletas, ainda estou pra conhecer um cara que saiba fazer mais coisas do que Vitor. E se ele não souber, aprende. O bicho é virado no “istopô”! Montou e desmontou as bicicletas numa categoria que o avião poderia dar piruetas no céu que não mexia nada.
   Inscrição com hospedagem inclusa é tudo de bom! Largada e chegada no hotel, melhor ainda! Sérgio Bandeira é um cara Jurássico em Corrida de Aventura, tanto como atleta, quanto como organizador. Pensa em tudo! O Briefing é tão detalhado que você precisa ficar atento pra não perder nada. Mapa de lona, Racebook com informações de ouro. Sem contar que a corrida tinha pista de 25, 50 e 100km. Atletas com objetivos de tamanhos diversos.

Com nossos amigos BBBrindes

   Pelo briefing já dava pra saber onde a gente tinha se metido. O mapa com escala de 1:25.000 só tinha dois PCs. Pasmem! Eram quatro mapas. Os outros três seriam entregues no percurso, durante a prova. Lembrei muito das provas da Paletada e fiquei muito feliz com isso. Adoro quando é muito ruim!
   Na linha de largada, também estavam os amigos da BBBrindes com sua nova formação em quarteto e seu apoio Master, Ana Paula. Eles são fofos e a gente sempre ponga na “genteboísse” deles! Rs! As fotos lindas são garantidas! Sem contar que, vira e mexe, trocamos figurinhas pelos matos.
   Vamos à prova, então! Que emaranhado de trilha retado! Se todos o outros mapas estivessem iguais, não seria brincadeira! Imagina planejar tudo no meio da prova? A cabeça já doida! Será que Tico e Teco se entenderiam?


   Às 9 da manhã partimos ladeirão acima pra o primeiro trecho de trekking de 17km. Fizemos a estratégia de pegar o PC na sequência sugerida no mapa. Sobe, desce, trilhos de trem, canavial pra dentro, trilha como a zorra e sol no meio da cara! Conseguimos alcançar o planejado estradão. Daquele tipo que o vento não pode bater que sobe uma poeira fina que nunca mais vai sair dos pulmões.
   O PC1 sempre é uma experiência tensa pra mim mas Sérgio colocou tudo no lugar certo, não tinha como errar. Depois de muito subir e descer, achamos o dito cujo numa árvore pintada de amarelo com um picotador amarrado fortemente.
   Alcançamos a tal estrada de poeira fina novamente, depois nos jogamos pelo canavial pra cair em outro estradão. O legal desse pedaço da história foi que pegamos uma hipotenusa de uma trilha que formava um triângulo, e já saímos lá embaixo, quase no final da pista. Cortamos um caminho massa! Indo, indo, indo, encontramos um riacho pra refrescar a cuca. Riacho é tudo de bom!
   Encontramos o PC2, dentro de uma mata, numa árvore pintada de amarelo. O dono da casa no início da trilha estava muito chateado porque alguma equipe saiu de lá com os côcos dele. Não gostou da invasão nem da abordagem. Foram muitos argumentos até que ele tivesse certeza que só íamos entrar pra picotar a pulseira. Nada de pegar côco! No final das contas, depois de um bom papo, rolou até um banho de mangueira. Rs! Banho de mangueira no meio da corrida também é massa!
   Quase chegando ao PC3, havia a opção de seguir o caminho pela linha do trem mas apareceu uma boiada do nada, pelos trilhos, que nos demoveu imediatamente da ideia. E foi até bom porque o outro caminho tinha um barzinho com água bem geladinha. Além disso, o barulho do trem passando nos deu a certeza de que fizemos a melhor escolha.


   O PC3 era no Hotel mesmo. Lá entregamos nossas pulseiras picotadas e recebemos outro mapa da prova. Mas presta atenção porque esse mapa já tinha escala diferente! Agora era pra pensar em escala de 1:50.000. Coisa de Odisseia mesmo! Mapa na hora de sair, com escala diferente.
   Atravessamos a BR empurrando a bikes. E quem quisesse que desobedecesse pra tomar uma penalidade de “horas” de castigo.


   Tínhamos muito chão pela frente, começando por 3,5km de asfalto, até entrar no canavial. Aliás, Odisseia sem canavial, não tem graça. A poeira subia loucamente. Teve uma hora em que ouvi um barulho alto de carro grande se aproximando. Até comentei: “Aqui tem alguma estrada com carro grande!”. Quando olhei pra trás, vi aquele treminhão gigante, cheio de cana balançando, vindo em nossa direção. Oh Jesus!! Só deu tempo de ir pra o canto da estrada e prender o nariz! A poeira subiu que não dava pra enxergar nada. Que delícia de vida!!! Era tudo que eu precisava! Nariz cheio de meleca, sombrancelhas vermelhas e roupa incrustada de barro.
   Treze quilômetros depois, encontramos a casa na beira do lago com 11 degraus na frente. Bem que podíamos passar uns dias ali. Que casa fofa! Parecia abandonada. Só a trilha pra chegar até lá já era um refresco e tanto. Toda sombreada. E o lago, ah, o lago! Que lindo! Mas nem deu tempo de contemplar muito. Seguimos empoeirados em direção ao PC5.
   No caminho, nossos amigos, Maurão e Omar. Sempre uns queridos, navegando muito bem, fortes, cochudos e batatudos! Encontramos uma trilha depois de um rio, descemos, procuramos. Nada de PC5. Embolamos com outras equipes e nada. Até que descobrimos que aquela não era a trilha do 5, e sim a do 6. Putz! Que merda! Era muito pertinho!
....
   Pausa para operação de salvamento! Omar começou a tossir tão alto que parecia morte certa. (Ria não que foi sério!) O cabra se jogou no paredão, começou a se sacudir... Maurão já estava prestes a começar sua subida quando gritamos pra que voltasse pra socorrer seu parceiro. Ele aspirou gel de carboidrato e assustou a gente. Era cada grito!!!
....
   Hum! PC5, finalmente! E aquele outro era mesmo o caminho para o PC6. Ok! Bom que foi mais rápido chegar lá. Deixamos as bicicletas pra começar o trekking rumo à natação. Final de tarde, uma hora gostosa quando o sol vai embora e a temperatura fica mais amena em Pernambuco. Também é a hora em que o pessoal da roça solta os cachorros. E os cachorros de lá não são magrinhos iguais aos daqui não. Eles são grandes, fortes, tem dentes grandes e latido alto, imponente! Fomos escarrerados por, no mínimo, uns quinze cachorros. Era um tal de chutar, espirrar água, latir mais alto, assoviar... Todos os recursos possíveis para evitar uma mordidinha nas canelas. Só pra se ter uma ideia, um dos organizadores da prova foi derrubado da moto por um cachorro. Já pensou, que miséria?! Né pra rir não, minha gente!
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   Ah, sim! Voltemos ao PC6... 
   Fomos embora pra nadar no açude. A gente só precisava caminhar/correr 4 km, levar umas carreiras de cachorro, subir e descer muita ladeira, chegar na beira do açude, atravessar nadando até a ilha pra alcançar o PC7 que, pra variar, estava preso a uma árvore pintada de amarelo... E voltar! 
   O ponto de ataque ficava logo ali, depois daquele bar onde tocava um arrocha de arrepiar os cabelos. Era noite! Os dois pescadores que estavam numa barraca montada na beira do açude fizeram cara de espanto. Disseram que todo mundo já tinha nadado e ido embora, de dia. Estávamos nós e duas duplas masculinas da categoria 50km. Um pescador acabou se oferecendo pra ficar por ali no barco, enquanto nadávamos. Isso a gente não podia negar! Que ótima ideia! Traçamos um azimute, pegamos os obrigatórios e entramos. Mas na ilha não tinha uma luz, nem um lightstik, nadinha de nada pra pessoa se guiar! Era #azimutepartiu! #nobreu!
   A água estava uma delícia! Fui nadando na surdina! O barquinho lá na frente, os rapazes espalhados por ali e Vitor se adiantando. Parecia que aquela natação não acabava nunca. Tinha sensação de que estava parada. Depois de variar muito entre o nado em estilos perereca e cachorrinho, consegui pisar no chão, aliás, na lama. Daí, subimos pra procurar a árvore até encontrá-la.
   Antes de iniciarmos os procedimentos de retorno, o pescador fez a gentileza de dizer que não entraria naquela água de noite nem que recebesse em dinheiro. Querem saber o porquê? Ora bolas, o açude era cheio de jacaré e sucuri. Céus! Precisava aquela criatura dizer aquilo naquela hora? Mas, ainda assim, eu preferi correr o risco virar comida de sucuri a ser desclassificada da Odisseia. Foi um bom estímulo pra nadar mais rápido, dando aquelas olhadelas pra o lado de vez em quando.
   Chegando do outro lado, lá estava Sérgio Bandeira e uma equipe de resgate. Nós que resolvêssemos pegar carona de canoa! A prova estaria perdida mesmo. 
   No tranquilo caminho de volta, compramos a melhor Coca-Cola do mundo no bar do arrocha. E também, mais adiante, avistamos a dupla masculina de 100km seguindo para natação. Estávamos duas horas na frente deles. Tempo de sobra pra concluir a prova em primeiro, não acham? Então eu vou contar um pedaço da história que eu não queria que acontecesse. Na verdade, seria muito legal se só escrevesse resenha com sucesso.
   Saímos do PC8, depois de comer, pegar o mapa e planejar, pedalando, felizes da vida. Vale ressaltar que o mapa estava em escala de 1:25.000. O percurso era quase todo de estradão até a entrada do Vilarejo. Chegando lá, seguiríamos direto até o fim da rua, que emendava com uma trilha com uma descida íngreme. Tudo verificado em medidas e azimute. Lá embaixo, 200m por um córrego em direção a uma pequena nascente. Muito simples! O PC 9 estaria numa árvore pintada de amarelo às margens do córrego. "'Taquipariu", tinha muita árvore! Grandes e pequenas. Nada de árvore pintada de amarelo. Entramos na mata uma vez. Repetimos a operação com um farol de bike, vasculhamos tudo, nada de árvore. Subimos até a Vila pra fazer a conta toda de novo. Descemos, entramos na mata por dentro do córrego, quando era possível caminhar por dentro dele. Passávamos embaixo de tronco, subíamos pedras. Era buraco, aranha, cansanção, plantação de carrapicho. Chegamos a subir um pouco o vale pra ver se não estava no alto. Nada de PC.
   Decidimos ir de novo até perto da Vila pra ver se não tinha outra entrada. Descemos por outro caminho e voltamos porque o azimute era completamente diferente.
   Daí, chegou aquela dupla que estava duas horas depois de nós. Quando eles fizeram a primeira tentativa, até entramos novamente. Voltamos outra vez sem o PC. Eles também. Então, os rapazes, simplesmente, pegaram o farol de bike, entraram outra vez na mata, saíram e foram embora. Sorrateiros como deve ser. Nada de procurar conversa com a gente, rs! Enquanto isso, refletíamos nossa derrota sentados num barranco. Estávamos ali, à 200m do PC, tinha quase 5 horas. Vitor já falava em desistir.
   Pegamos as bicicletas e subimos em direção à Vila. Inconformada, eu fazia mil reflexões. Estava desolada com a possibilidade de ter que ir embora sem achar o PC9. Seria o fim da nossa prova. Nem dava pra acreditar! Lembrei do nosso último Desafio dos Sertões, quando fomos desistindo de pegar os PCs, um a um, até o desânimo nos abater completamente. Desistências são sempre inesquecíveis.
   Antes de irmos embora de uma vez, Vitor me convidou para um lanche embaixo de um poste. Passava da meia-noite. Peguei o mapa e comecei a falar:
-          "-Vitor, saímos da Bahia pra fazer essa Odisseia pra terminar a prova não, foi? Você sabe que se a gente for embora é desclassificação, não é? Não é possível que todo mundo tenha vindo aqui e saído sem achar o PC. Aqueles caras desceram, entraram no mato apenas duas vezes e foram embora. Se eles não tivessem achado não teriam ido embora, sem dúvida. Já perdemos a nossa primeira posição, eles foram embora faz tempo. Não temos nada a perder. Por mim, eu ficava aqui até o dia amanhecer pra achar esse PC. Não queria ir sem tentar de novo."
   Vitor pareceu convencido de que deveríamos tentar mais uma vez. Só queria saber o que fazer de diferente pra dar certo. Eu não sabia exatamente. Só achei que, com um perímetro tão pequeno, não seria impossível. Pronto! Descemos outra vez, entramos pelo córrego, dessa vez com as duas lanternas de bike na mão, subimos duzentos metros por dentro de água, lama, pedra e vegetação. Ficamos mais do que estropiados, cheios de carrapichos. Quando chegamos nos duzentos metros, começamos a varredura. Virei o farol para o meu lado direito e olha só quem estava lá! Um pé de pau! Aquele pelo qual, provavelmente, passamos e não demos atenção, porque ele era bem fininho... A gente não sabia se ria ou se chorava. Mais de cinco horas ali.
   Depois de muita coisa de pensamento profundo dentro da minha cabeça, não quero nem escrever reflexões. Fiquem à vontade para fazer isso porque minha cabeça gira até hoje. Como sempre digo, por mais experiente que você se ache, cada prova tem situações diferentes. E não vale a pena ficar culpando os outros mas, de repente, o SACI.. rs! Sei lá! 
   Felizes e remoçados, seguimos para o PC10, que ficava na "casa do chapéu". Era bastante chão de estradão e muita poeira de traminhão. O bicho é grande, tem três pedaços e anda numa velocidade danada canavial adentro. Vale a pena usar toda sua iluminação para evitar acidentes. Muita estradinha emaranhada para o PC mas o combinado era parar em qualquer situação de dúvida pra não fazer mais nenhuma merda.
   O PC11 estava numa casa na beira de uma estrada, no alto, num lugar cheio de muriçoca. Podia se chamar “Alto da Muriçoca”. Bem apropriado! Nossa comida reserva estava toda lá. Embora nem precisássemos mais dela, aproveitamos pra reabastecer antes de ir para a chegada, já que a parte do remo foi cortada.
   Cruzamos a linha de chegada às 4 da manhã, com aquela boa e conhecida sensação de dever cumprido. E porque não dizer, de vitória. Vitória é exatamente isso: Retroceder Nunca, Render-se Jamais e Divertir-se Sempre. 
   Eu tiro o meu chapéu para Sérgio Bandeira, que tem uma equipe de trabalho super confiável e dedicada! Sem dúvida, merecimento! O cara quebrou a clavícula um dia antes da prova, durante a marcação do percurso, não conseguia nem respirar direito. Morri de dó! Acompanhou a prova toda e sua equipe deu um show de sintonia durante todo o tempo. Parabéns pela prova! Eu curti cada momento intensamente!
   Agradeço muito à nossa equipe Aventureiros do Agreste. Afinal, quando saímos pra correr uma prova dessas, levamos conosco um pouco de Mauro, Gabi, Scavuzzi, Marcelo, Tadeu, Claudio, Lucy, Vande, Eudes, Igor, Herbert, Maurício, Fábio, Gilson... Um pedacinho que cada experiência que vivemos juntos pra saber o que fazer nos piores perrengues!
   Ao nosso treinador, Fernando Tadeu e Infinity Academia, muita gratidão. Graças ao Desafio que você me propôs para a Corrida do CT, corri sem sofrer, embora ainda não esteja na melhor forma. Nem sei se estarei algum dia, kkk! Vamos em frente que, muita coisa boa vai rolar por essas corridas afora!
   Ah! Vitor, você é O CARA!



   Até logo pra vocês! Mês que vem tem mais resenha pra gente escrever.

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Resenha Mandacaru 2016


   Era exatamente disso que eu estava precisando para o fim de semana! Uma loucura, um rasga mato miserável, tudo que é bicho, incluindo cobra de todo tamanho (com veneno e sem veneno), mandacaru, cansanção, espinhos, superação, chegar no limite entre o senso de preservação e a coragem. Muita coisa nós vivemos na Mandacaru. Do tipo que dá resenha de umas seis folhas... Mas vou tentar resumir, rs!
   No começo eu passava uma semana me organizando pra corrida. Hoje em dia, quando é uma prova curta, tipo 90km na categoria Brutus, passo o zóio nos briefings eletrônicos, organizo as coisas na sexta-feira pra correr no sábado e está tudo certo. Claro que está quase tudo pronto ali no armário, a alimentação está planejada na cabeça e o parceiro cuida dos equipamentos... Não esqueço um detalhe e ainda levo artigos reserva pra emprestar aos meus amigos caras de pau.
   Anguera, Bahia, 06 de agosto de 2016. Os ex-alunos da nossa Escola de Aventura do Agreste marcaram presença na corrida. Contamos 19 presentes, logo de cara., e ficamos muito contentes com isso! São todos fofos, correram super bem e têm o nosso respeito e admiração.
   O quarteto Aventureiros foi composto por Mauro, Scavuzzi, Tadeu e Gabi. A história deles foi massa mas só eles pra contar. Claudio e Herbert formaram uma dupla masculina. Eu e Vitor ficamos na dupla mista, que não tem categoria no Campeonato Baiano. Compete com os meninos mesmo.


   Às 4 da manhã já estávamos na estrada. Deixamos as bicicletas no vilarejo indicado e seguimos para o local da largada e briefing. O mapa estava ótimo! Muita curva de nível, referências, trilhas, uma beleza!


   Largamos às 9h, descendo 1,5km de ladeira em direção à estrada de asfalto. Atravessamos a pista e começamos a subida íngreme de doer. Conseguimos ficar na trilha até quase no topo do morro, depois a coisa começou a fechar. E essa foi a subida mais leve de todos os morros que enfrentamos na Mandacaru. Perdemos um tempo para encontrar a trilha para o PC1 por pura falta de atenção às curvas de nível do mapa. Agora, olhando com calma, vejo que dava pra sermos mais objetivos no que fizemos. Não precisávamos andar muito, bastava atravessar para o outro lado do morro como fizemos e achar a trilha. O negócio não é só fazer a coisa certa, é fazer a coisa de forma mais rápida e objetiva. Deu certo! Um alívio danado encontrar o PC1! E aquele pouco de rasga mato tomou um tempo danado.
   Da casa até o PC2 tinha trilha bem marcada e até uns moradores transitando por ali. Ou seja, tinha trilha pra subir até o PC, sem dúvida. Aprendizados sempre! 
   De lá, descemos nossa primeira ribanceira do jeito que deu e chegamos no PC3 entre os últimos colocados. Começamos o Bike Run como combinamos: eu corri, Vitor pedalou. Quase voei! Parecia uma pipa, segurando na mochila de Vitor. A média de velocidade era 12km/h, fácil. Minha cara ficou toda vermelha. E pegamos os PCs 4 e 5 nessa “velô”. Do PC5 para o 6, experimentei a carona sentada no quadro mas a minha coluna doía tanto que não deu gostoso, aquele negócio. Então fizemos alguns trechos assim, outra maioria nas pernocas mesmo.
   No PC6, começamos o Mountain Bike à dois. Com o corte de prova no PC13 marcado para 17h e, mesmo com 4 horas para chegar até lá, tentamos pedalar o melhor possível para evitar surpresas. Estava quente! Precisei jogar água na cabeça algumas vezes. Depois de correr tanto, as pernas não estavam tão bem. E meu parceiro retribuiu a ajudinha que lhe dei pra subir o morro, me dando uns empurrõezinhos nas ladeiras. Todos os PCs até lá eram no pedal. Um pedal fluido, tranquilo, técnico apenas o necessário. Navegação com detalhes que requeriam atenção. Muito bom!


   Chegar ao PC13 mais de uma hora antes do corte foi um conforto e tanto! Tivemos o apoio moral das nossas queridas amigas, Ana Paula, Diana e Lene. Fofas! Ofereceram comida e água. Lene queria que a gente sentasse em cadeiras mas o chão estava ótimo mesmo. Nos aprontamos, comemos, bebemos e fomos encarar mais um morro de arrepiar os cabelos. Acho que começamos a trilha umas 16:10h. Uma unha minha já estava solta. Mas, a dor é passageira quando a estrada é longa e se tem foco. A navegação ajuda a esquecer, muda o rumo da prosa. Andar mais rápido também ajuda bastante!
   O PC 14 da ruina foi super tranquilo de achar. Nosso objetivo era encontrar o PC15 antes de anoitecer. Antes mesmo de achar a trilha para começar a subir, Vitor encontrou a primeira cobra da corrida. Uma cascavel enorme, passando, vendo seu mundo invadido por um monte de malucos! Ficamos assustados, quietos, esperando que ela fosse embora.
   Subimos com dois rapazes até uns 200m de trilha. Dali em diante, sumiram a trilha e os rapazes. E nós começamos nosso trabalho de rasgar mato. Todo mérito para meu companheiro de prova, Vitor! O cabra rasga mato como vi poucos fazendo. Não sei de alguém subiu por trilha mas estamos certos de que ali onde passamos, ninguém nunca passou. Nos embrenhamos ladeira acima, transpondo todas as barreiras que se puder imaginar. Só quem esteve na Mandacaru sabe do que estou falando. Uma subida íngreme, com uma plantação de mandacaru, cansanção, espinhos e bromélias só pra nós. Pedras enormes para apimentar a escalada, buracos. Os galhos que pareciam legais pra segurar, se soltavam como palhas. Os cipós e os espinhos insistiam em nos prender. Tinha horas em que olhávamos pra todos os lados e nem lembrávamos de onde tínhamos vindo, nem sabíamos como sair do buraco onde entramos. A única coisa que tínhamos certeza era de que o PCDudu estava no ponto mais alto do morro e era pra lá que tínhamos que ir. Rs! Isso bastava para nos impulsionar para o alto e avante, no azimute!


   Bem sabemos como demorou... De repente, sentimos aquela brisa de topo. O ventinho uivante que só se ouve quando se chega perto do céu. O chão ficou mais fácil de pisar e uma trilha apareceu bem debaixo dos nossos pés, no azimute certinho. E agora? Pra esquerda ou pra direita? Oh, dúvida cruel! Vitor decidiu que seguiríamos pra direita. Caso encontrássemos o 16, voltaríamos pra pegar o 15.
   Naquele breu, pelo barulho das folhas, um bicho grande caminhava por perto. Andamos mais rápido pra nos afastar. Quando o PC15 apareceu na trilha, a felicidade foi tanta que esquecemos as “folhas”. Como assim?? E o muro de pedra? Aquilo me fez até duvidar se pegamos o PC 15 ou 16...
   Ninguém sai da trilha!! Pela trilha, sempre pela trilha, encontramos o PC16. E, dali em diante, juramos caminhar sempre pela trilha. Descendo, todo santo ajuda, principalmente se tiver trilha. Pô velho, perdemos a trilha! Mas tateamos até achar um buraco na cerca que nos permitisse passar e continuar nossa descida. Encontramos uma passagem “segura” e descemos no azimute até chegar na estrada.
   Apesar das pilhas novas dos faróis, decidimos passar pelo PC13, que ficava ali perto, antes de subirmos o outro morro, pra pegar as lanternas de bike. Já pensou, ficar sem luz na mata? Teríamos que sentar na pedra até amanhecer o dia.
   Com certeza, a trilha pra subir para o 17 não era aquela. Mas as luzes que desciam de lá nos confundiram na contagem da distância. Algumas pessoas desistiam de subir o morro, alegando não ter encontrado o caminho. Subimos por ali mesmo! A cerca nos guiava. O caminho começou tranquilo, apesar de muitíssimo íngreme. Eu estava "Mortinha da Silva". Precisei parar pra “fingir que estava olhando a Vila do alto” várias vezes. Vitor, que estava mais adiante, só parou quando o caminho começou a ficar difícil de progredir.
   Nosso perrengue de rasgar mato recomeçou. Talvez esse tenha sido o pior! Encontramos de tudo que já escrevi e um pouco mais. Tinha horas em que parecia impossível passar. As cercas nos balizavam no azimute. Nosso destino, o topo! Ninguém desce, só sobe! Foi o que fizemos sem sair do foco. As cobras continuavam aparecendo. Dessa vez, Vitor quase se arrastou até uma delas. Demos meia volta e escolhemos outro caminho. De todas as cobras que encontramos, aquela acendeu forte o nosso instinto de preservação. Certamente, atravessamos a cerca por umas quatro vezes. Mas, teve uma última vez. Aquela que nos levou até um trecho de arbustos de galhos mais finos, sem pedras, com poucos espinhos. O vento que vinha do céu começou a uivar outra vez, os caminhos se abriram e o PC17 quase pulou em cima da gente, logo ali, no tanque. É certo que subimos pelo lugar errado mas nos batemos de cara no PC. Então seguimos para o 18, para depois nos embolar ribanceira abaixo. Talvez a parte mais íngreme do morro, a mais difícil de descer. Down poderia anunciar a modalidade "esquibunda", que cabia perfeitamente.
   As minhas unhas já saltavam dos dedos. Loucos para chegar ao final da corrida, fizemos uma transição rápida, até porque, nada mais entrava na garganta a não ser suco. Bebemos tudo que pudemos, nos aprontamos e fomos embora. Ainda bem que esse resto de prova não foi tão sacrificado. Embora cansados, cumprimos nossa proposta de prova. Relaxar, sumir pelos matos, esquecer o mundo lá fora e fazer a prova sem cortes. Já passava das dez da noite, quando pedalávamos pelas trilhas de Anguera, pelos PCs 20, 21 e 22, todos virtuais, rumo à chegada.
   Down, Manoela, Nevton e toda equipe da organização, vocês foram muito felizes na escolha do lugar, dos morros, dos matos, dos PCs. Uma prova simples, objetiva nas informações e muito bem organizada! Além de garantir a aventura “Brutalidade máxima” do nosso fim de semana, ainda agradecemos pela hospitalidade na pousada. Quando chegamos na praça da cidade, nos vimos ali, mais de meia-noite, sem lenço e sem documento, como na música de Caetano. Não tínhamos lugar pra dormir, nem toalha, nem forro de cama, nem nada.. RS!!! Dormir no sofá da sala da pousada foi um conforto e tanto! O banho quente no banheiro do quarto de Hugo e Gabriel, que luxo! Os amigos nos salvaram! Muita gratidão!



   E que bom encontrar tantos amigos queridos! Que bom encontrar a galera jurássica nas corridas! Estamos trilhando novos caminhos na Corrida de Aventura na Bahia, mas sempre lembrando da nossa essência e o melhor: Estamos todos juntos torcendo pelo crescimento do esporte que alimenta nossas histórias, nossos sorrisos, nossa vontade de expandir os limites.
   Resultado: Quinto entre as duplas no geral e segunda dupla mista. Quem sabe não ficamos entre os dez melhores do RBCA? Nosso treinador vai ficar contente!
   Parabéns a todos que participaram desse sofrimento coletivo que foi a Mandacaru. Amamos!
   Na prova do CT, o desafio pessoal será maior! Espero que minhas unhas resistam...
   Até lá!
   Luciana
   Aventureiros do Agreste
   Retroceder Nunca, Render-se Jamais e Divertir-se Sempre! Nunca mesmo... jamais... sempre!




sexta-feira, 8 de abril de 2016

Desafio do Côco 2016

   Fosse uma corrida de 1km, estaria lá! Pelo organizador, Luciano Show, que tem minha admiração. Pelas amigas queridas, nem preciso comentar. Sabe daqueles encontros em que seu coração sai abastecido de amor? Minhas amigas de infância são fofas, queridas, amorosas, inesquecíveis... E atletas!
Lycinha e Lândia (campeã dos 5km)
   Nos inscrevemos no Cross Duatlhon, 3km de corrida, 14km de bike e mais 3 de corrida. Tudo no mato, do jeito que eu gosto. Largada e chegada no Restaurante Jeitim Mineiro, que fica na estrada entre Catu e Alagoinhas. Como sempre, aproveitamos pra dormir na roça, só pra comer o aipim com carne de sertão de Dona Conça.
   Cedinho estávamos lá. E encontramos nossos amigos de Aventura de Feira de Santana, Down, Manoela e Cleo. As meninas estavam em minha categoria e o menino, na de Vitor. Ygor também estava lá, aquele nosso ex-aluno que gosta de “apertar a mente” das pessoas nas  corridas. Também na categoria de Vitor.
   Corrida curta, coisa rápida mas ofegante, sem dúvida! Já largamos correndo pela areia fofa, entramos por uma trilha mais fechada e começamos a corrida descendo. Ultrapassei Su logo no começo da prova... As descidas eram bem acidentadas, cheias de buracos e valas. Ofegante!


   Fizemos um trecho mais plano em meio a vacas, porteiras, cercas, “cocôres” de vacas e cavalos. Então todo mundo sabe que quem desce tem que subir. Meu coração já saia pela boca, enquanto Su só me monitorava, ali, logo atrás, na surdina.
   Na transição, enquanto eu calçava as sapatilhas, Su saia em disparada e sua torcida organizada de Camaçari ia ao delírio... Parti logo em seguida aos gritos dazamiga tudo, não menos animadas. Foi lindo!
   Eu pedalava, pedalava! Areia fofa, descidas, singletracks super arborizados. Marido, que não corre tão bem mas pedala que é uma beleza, me alcançou logo no começo da parte de bike. Compensou a corrida. Mas Su, minha gente, foi se distanciando a cada minuto. Seu rastro foi visto só no começo. Aquela camisa azul foi desaparecendo do meu campo de visão até sumir completamente.
   Quando achei que tinha pedalado muito, olhei o meu odômetro. AAAAAHHHH! Cinco quilômetros! A competição ficou entre eu, Lulu, Luluzinha e eu mesma. O sol começou a esquentar um pouco mais, o estradão parecia infinito. AAAAAHHHHH! Oito quilômetros! Mas eu deixei Vitor pra trás! Não sei o que deu no meu ciclista preferido. Rolou uma caruara por ali. Ultrapassei numa ladeira e me mandei. Azamiga foram ao delírio quando cheguei na frente dele!!!
   Su desapareceu de uma maneira que até pensei que ela tivesse se perdido. Olha só que miséria pra pessoa pensar! Quanta maldade num ser humano só! 
   Estava me sentindo como numa Corrida de Aventura Solo: sozinha. Até que um dia, em algum momento, em alguma situação... Deus me ajudou... cheguei em 13km, só faltando uma descida pro restaurante. Que bom! Mas, enquanto chegava de bike, Su passava correndo pra finalizar a corrida. Fiz a transição mais rápido e parti pra corrida. Mesmo percurso com mais cansaço. Subidas no trekking forte pra aliviar, descidas no embalo pra compensar.



   Cheguei em segundo sem reclamar. Os campeões são campeões por merecimento, por competência, não há como duvidar. Su arrasou! E Cleo chegou em terceiro, super guerreira!
   Foi um evento super bacana, bem organizado, uma aventura balizada gostosa de fazer. Ainda aproveitamos pra almoçar em família no restaurante e aproveitar um pouco mais os encontros felizes. Parabéns pra você, Show, que mesmo hospitalizado, deixou tudo tão arrumadinho que seus amigos e família conseguiram fazer um evento redondo. São muito competentes também! Muito obrigada pelo convite! Corrida boa a gente quer ir sempre e convida os amigos! 
   Até a próxima!