quinta-feira, 16 de março de 2017

NP5- 100km


   A Noite do Perrengue continua na categoria “Festa Imperdível” da Corrida de Aventura. Novidades como o Spot, carro de apoio de primeira, COE (Comando de Operações Especiais da Polícia), medalha de Finisher e o tradicional café da manhã fizeram parte da lista de mimos para os atletas mais exigentes que praticam o esporte... Esse ano foi ainda mais especial por abrir o Campeonato Baiano de Corrida de Aventura 2018.
   Nossa equipe estava em peso por lá, distribuída entre quarteto, duplas mistas, masculinas, sem contar com nossos queridos ex-alunos da Escola de Aventura do Agreste. Foram 17 ex-alunos da Escola na NP5. Muitos deles já estão “infiltrados” entre os Aventureiros do Agreste, outros montaram suas próprias equipes e são atletas super fortes, que entram em briga de “cachorro grande”. E tudo é lucro para o esporte! Viva essa festa maravilhosa, a diversidade e as equipes de todas as idades!
   Pra começar o ano, mexemos um pouco na composição das equipes. Fiquei na dupla mista com Tadeu, e Vitor, que tem feito dupla comigo há uns 4 anos, foi pra o quarteto com Gabi, Mauro e Scavuzzi. As outras duplas foram formadas conforme suas afinidades e muitas camisas da Aventureiros e da Escola se espalharam por tudo que foi canto em Sauípe.
   O briefing virou uma confraternização cheia de amigos queridos. Os novos, os antigos e os do meio. A pessoa fica até na dúvida sobre quem vai abraçar primeiro, os sorrisos se misturam no meio de tanta adrenalina pré-prova.

   Das pequenas surpresas da prova:
1. Mapa, só depois da largada, no Rogaine (Pista de Orientação);
2. Enquanto um atleta corresse o Rogaine (no caso, eu), o outro faria o planejamento da prova (no caso, Tadeu).
   O detalhe é que nunca fiz uma prova de Corrida de Aventura com Tadeu. Já corremos em dupla Trail Run e Mountain Bike. Aventura, nunca! Nem treinamos juntos nos últimos tempos, por conta das agendas atribuladas. Viva as experiências novas também!!!
   Quando ele me olhou fingindo calma, explicando que nossa navegação era diferente, que ele escrevia pouco no mapa, não colocava azimutes e contava as entradas, blá, blá, blá... Fingi tranquilidade e disse que escrevesse o que achasse importante e plastificasse o mapa. Qualquer detalhe ajustaríamos no caminho. Nada de pânico, não restava outra coisa a fazer.
   Largamos de bicicleta por volta de 22:40h do sábado. A distância até o Rogaine era tão curtinha que foi melhor guardar as sapatilhas na mochila e pedalar de tênis pra facilitar a transição. Tadeu preferiu correr a prova toda de tênis.
   Quando entrei na pista de orientação e vi aquele mundo de lanternas dançando pra lá e pra cá, esqueci completamente que sou uma Orientista também. Meio atordoada, terminei o balizamento e corri para o prisma 90, meio que pra o lado errado, rs! E só depois do encontro com o primeiro prisma que me aprumei na vida.
   Corri para o prisma 91, onde encontrei Fábio, Maurão e depois Eber. Um encontro feliz! Trabalhamos em equipe até o fim, contando distâncias, correndo juntos, achando prismas. Entre moitas, árvores, fios de alta tensão, breu, buraco, areia e espinhos, o mais difícil de alcançar mesmo foi o tal 92, que estava em cima de um pequeno morro e só conseguimos alcançá-lo na terceira tentativa porque a mata fechava. Mas, nada que um azimute correto não resolvesse.
   Não tenho a menor ideia de quanto tempo passei na orientação. Talvez a metade das bicicletas ainda estivessem lá, talvez não.
   Tadeu esperava com o mapa plastificado nas mãos, contendo três setas apontadas para trilhas e três distâncias anotadas em letras muito miúdas para a minha idade. Preocupado em escrever demais, não escreveu nada. Pelo menos ele plastificou porque eu levei o contact na mochila pra fazer o Rogaine, mas até o final da temporada a gente equilibra essa “co-navegação”. Até o mapa extra ele esqueceu de pegar, rs!! Falha nossa!
   Passei o zóio no mapa e fomos navegando “a granel”. Pedalamos até a saída de serviço do Complexo Costa do Sauípe, onde o Grupamento do COE estava a orientar na travessia da BA 099. Aquele pessoal de preto, todo trabalhado na elegância, deu a maior moral pra corrida. Pressão retada!

   Até o PC 3 foi estradão. Até o 4, idem. Mas muitas ladeiras nos separavam entre um ponto e outro. Tadeu, que estava bem mais condicionado do que a “fofa” aqui, em sinal de solidariedade à minha pessoa, olhava pra trás de vez em quando ou esperava lá na frente quando eu demorava de aparecer. Decorei boa parte das referências, conferia o mapa quando podia e seguia em frente, evitando paradinhas, já que a navegação estava tranquila.
   Acho que foram 24 km até o PC 4, no Bar do Lourenço (será que era esse o nome?). Até lá, ultrapassamos algumas equipes e fomos ultrapassados por muitas outras, incluindo nossos queridos Luana e Gabriel. Luana, praticamente, assoviava enquanto passava e eu acho isso a maior sacanagem, kkkk! Brincadeira! Esses dois têm o meu respeito e fazem jus aos seus treinos e todas as qualidades que têm como atletas de Corrida de Aventura.
   Sei que chegamos no tal do bar para a transição de bike para uns 12km de trekking.  Optamos pelo sentido contrário, do 9 para o PC 5, até dar a volta e chegar ao bar outra vez. Seguimos pelo estradão por quase 2 km até a entrada da trilha. Acabamos na companhia de David e seus amigos. Quem tem amigo tem tudo, melhor ainda se for um Insano. Estivemos próximos por bastante tempo.

   Fomos felizes com a escolha. Nosso quarteto passou por nós e todos estranhavam que caminhávamos no sentido contrário. Teve até um engraçadinho que fez piada achando que estávamos perdidos.
   Aquele trekking foi bem legal! A lua em algum lugar, entre nuvens ou não, clareava as copas dos eucaliptos, que formavam um corredor imenso, exalando aquele velho cheiro descongestionante. Também atravessamos alguns pequenos rios. Aproveitei pra comer bastante por saber que a bike não seria brincadeira. Tadeu manteve-se por perto, estimulando a corridinha, coletando informações de distâncias e referências, ajudando a encontrar os PCs e fazendo as selfies. A co-navegação funcionou muito bem no trekking.
   Massa que chegando no PC 6, aquele de cima do morro, subimos no azimute e caímos bem no lugar. Como não procuramos direito, uma distração nos custou cinco minutos de prova, que não comprometeu muita coisa. Do 5 para a transição tinha bem mais trilhas do que estava no mapa, mas o azimute nos garantiu o caminho certo.

   Enfim, a transição para bike novamente! Depois de atravessar tanto rio, não foi uma surpresa encontrar companhia no tênis. Uma sanguessuga aguardava seu momento de encher a barriga. Ô bicho horroroso e grudento. Não queria sair não.. Só um “peteleco” mesmo! Que nojo!!
   Ali estávamos em terceiro entre as duplas mistas de 100km.  O PC 11 estava localizado lá em cima, no norte, quase saindo do mapa. Muita ladeira, minha gente! Muita mesmo! E a gente não queria ser ultrapassado.. Na verdade, a gente queria mesmo era encontrar equipes pela frente. Meu corpo variava nas sensações. Tinha hora que a perna ardia, outra hora a garganta secava, na outra os bofes queriam sair... E eu ia administrando.
   O PC 11, na igreja em ruína estava fofo para uma selfie. Já era dia, a vila acordava. Entramos na estrada à direita e seguimos para encontrar as três pontes que teríamos como referência. Para nossa felicidade, numa dessas ladeiras monstruosas encontramos uma dupla mista. Foi nesse momento em que Tadeu colocou a faca entre os dentes e carregou minha bicicleta até o topo. Foi massa e teve BIS!
   Eu não estava com esse treino todo não, mas fiz tudo o que pude. Aqueles 46km pareciam sem fim. Não acabava nunca! A comida caía, o mapa escorregava.. Sem contar que, quando você está cansado, acha logo que o pneu da bicicleta está furado.. kkkkk!


   No PC 12, a outra ruína, a selfie e uma pequena trilha para cortar o caminho. Atravessamos o rio e subimos uma ladeirinha até um cruzamento de trilhas. Como sempre, o velho e bom azimute nos direcionava para a subida. Mas a rebelde Lulu resolveu seguir pra outra direção. A razão só Jesus Cristo sabe... Perdemos uns 15 minutos nessa brincadeira sem graça e pedalamos ao máximo para recuperar o tempo perdido, sem saber se a dupla estava atrás ou na frente. 


   Sorte que não tenho câimbra, porque seria o dia. Pedalamos loucamente!! Eu aproveitava cada descida no embalo. De dia fica mais fácil!
   Quase certos de que a dupla mista tinha ficado pra trás, que surpresa a nossa! Pegamos um retão, uns 5 km antes do asfalto e olha quem está saindo do toalete?? A dupla! Cada um de um matinho.. rs! Nossa!! Meu gás voltou todo de novo. Faltava muito pouco...
   Chegamos no PC da canoagem depois do corte, bipamos o Sicard e partimos pra chegada. Tentava nem olhar pra trás pra nem saber se estavam perto ou longe..  Confesso que não curto pegas de fim de prova. Faltava muito pouco!! O asfalto apareceu de novo, depois a entrada de serviço para o estradão do Quintas, mais uns 2 km até a portaria, a casa... O coração na boca até o pórtico de chegada!
   Ufa, que prova!!! Conseguimos ficar em segundo na dupla mista e ficamos sabendo que as duplas femininas pontuavam na nossa categoria também. Resultou que umas monstrinhas do sul (mãe e filha- a filha com 15 anos) ficaram no lugar mais alto do pódio, depois a Kaaporas do querido Luis Célio. E nós, em terceiro lugar!!
   Querido amigo, Tadeu, muito obrigada pela companhia e parabéns pelo seu condicionamento físico! Foi uma ótima corrida!
   Como sempre, sou grata!! Pelos amigos, pelas escolhas, pelos lugares, pelos encontros, pelos sorrisos e abraços! Foi uma prova diferente para mim. Estive mais calada.. rs! Juro!!... Sério! Kkk! ...

   E as histórias de 2018 só estão começando...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

NOS BASTIDORES DO ESQUENTA FBCA 2017

   Nunca quis me meter nessas coisas de Federação por diversos motivos, entre eles que a gente precisa de dedicação... e lá estava eu, mais do que envolvida, fazendo parte dela. O Diretor Administrativo, Cleverson, estava sobrecarregado com seus projetos pessoais e fui convidada a substituí-lo. Ou seja, entrei pela janela. Mas só aceitei depois de saber o que um Diretor Administrativo faz. Nossa, é muita coisa! E sei que estou muito aquém do ideal nas minhas tarefas. Queria fazer muito mais.

   Dentro dos projetos a serem realizados em 2017, incluímos uma prova da Federação para começar o ano. Curta, objetiva, gastando pouco e ganhando o necessário para pagar os impostos de início de ano. Sim, a Federação paga impostos. A documentação dá um trabalho danado pra ser organizada e nem precisa dizer que recurso de convênios são mais fáceis de conseguir se estiver tudo em dia.
   O detalhe é que todo mundo tem seus “quifazê”. O tempo é curto e urge. Sorte que nós temos uma líder retada! Diana, mesmo de Mucugê, distribuiu as funções e organizou nossa vida.
   Estrelando:
. Fernando Severino no mapeamento;
 Aléssia na divulgação;
. Hugo, o rapaz do financeiro, das inscrições, da conferência de percurso, da impressão dos mapas;
. Diana com troféus, as frutas e mais coisas;
. Luciana com planilhas de PCs, brindes e arrumar um lugar pra largada e chegada.

   Foi isso e muito mais pra todo mundo. Perdi minha anotação no meio dessa longa história e já estava me metendo na tarefa de todo mundo. Incontrolável, faço um esforço danado pra não ser intrometida. Fiquei cutucando todo mundo, perguntando se estava tudo certo, numa ansiedade danada. Teve uma semana que Diana sumiu porque estava levando uns turistas pelo Vale do Pati. Trabalhando!! A pessoa tem que trabalhar! Eu quase pari um filho!! Rs! A gente enviava mensagem para o grupo e ficava falando sem Diana. Fernando escrevia assim: “Dianaaaaaa!”. E nada de resposta. Quando ela apareceu, disse: “Gente, está tudo bem, vai dar tudo certo!”, e todo mundo ficou aliviado. No caso, eu. Rs! 
   Tenho certeza de que as coisas dariam tão certo quanto deu sem a minha ansiedade, mas se não fosse assim não seria eu, rs!!
   Diana descobriu o Hotel Arembepe Beach pela internet e me orientou a ir lá. Tivemos muita sorte! A receptividade foi tão grande que não dava pra resistir. Fui atendida pelo dono, Sr. Walter, que disponibilizou todos os recursos necessários para que nos sentíssemos em casa. Pedi estrutura, água, som, utensílios. Fiquei com vergonha de tanta coisa que pedi. E ele ainda perguntava se precisávamos de mais alguma coisa. Também encontrei com uma figura super simpática chamada Shah, que tem canal no youtube e página no Facebook, o Café com Shah. Na página dele pronuncia "Shah" sussurrando igual a "Ecomotion".. rs! Ele também curtiu nosso projeto, divulgou a corrida e abraçou o esporte. E todas as vezes que fui lá uma coisa boa acontecia. As portas se abriam de tal maneira que dava mais segurança no que estávamos realizando.
   Ofício pra tudo que é lado! Polícia Rodoviária, Polícia Militar... Fiquei super assustada porque o Tenente meteu tanto medo. Disse que não tinha efetivo, não tinha carro, que era muito perigoso, que a gente precisava de segurança particular para fazer qualquer evento em local ermo. Se começasse a escrever aqui minha opinião sobre isso, faria um texto enorme mas só me resumo a dizer que se a gente se entregar ao medo não sai de casa. Tenho preguiça de abordar assuntos polêmicos. Mas talvez tanta conversa tenha sido por preocupação mesmo.
   E mais uma pitada de sorte me colocou frente a frente com três policiais numa das visitas ao Hotel que, ao contrário do tenente, foram extremamente solícitos, disseram que tinham viatura, quadricículo, moto... E garantiram que os que estivessem de plantão naquele dia fariam ronda no percurso no dia do evento, já que passavam pelos locais em situações normais. Pediram até mapa pra saber onde as pessoas estariam.
   Além disso, passei no vilarejo pra envolver a comunidade na história. Conseguimos até um puxadinho no bar do Sr. Prego pra colocar as bicicletas, que aumentou o estoque de água mineral e Coca-Cola pra incrementar seus lucros dia do evento.
   Como Fernando, nosso Diretor Técnico e mapeador, estaria viajando no dia da prova, precisamos conhecer o percurso. Fui um dia com ele e Hugo foi sozinho com o mapa pra checar distâncias. Fiquei preocupada porque o mapa ainda estava em preto e branco, kkkk! E faltavam poucos dias para a prova. Mais um parto pra mim! Mas, também não precisava me preocupar porque ele é muito caprichoso! A prova ficou digna de um Selvagem. Embora fossem trilhas conhecidas, o percurso estava super variado, com umas pirambeiras de arrepiar, subidas de tirar o fôlego, matinha, charco, areia, paisagens lindas e tudo que um aventureiro tem direito de viver e de sofrer. Vocês sabem que o mapeador sofre vários tipos de agressão verbal quando a prova é boa? Sorte que ele não estava aqui.. Viva Fernando Severino!
   Fizemos uma reunião de fechamento na quinta-feira antes da prova e decidimos modificar algumas coisas para a logística da prova ficar melhor. Reduzimos as transições, principalmente, por motivos de segurança. Conferimos ponto por ponto, resolvemos todas as pendências, deixamos tudo ajustado.
   E os PCs, minha gente?? Nada mais bacana do que fazer coisas com gente quer fazer coisas com você!! Gabriel!! Gente, que menino bacana! Pediu pra ir porque queria ficar na bagunça, já que estava se recuperando de uma lesão. Passou pra o Lado Negro da Força, rs! A irmã de Alan passou o dia no Hotel com Diana, ajudando em tudo. E Tai, aquela fofa, a namorada de Hugo, toda disposta e resolutiva, deu conta de tudo junto com a gente.
   Plínio!! O que esse cara faz pela Corrida de Aventura não está na conta!! A empresa dele, a BBBrindes, apoia tudo: Federação, Corridas e até a Escola de Aventura do Agreste. Os squezzes ficaram lindos, super de bom gosto!

   Então chegou o grande dia! Seis da manhã estava com tudo no carro, pronta pra partir. No caminho passei no Posto da Polícia Rodoviária toda animada.. Levei o maior sabão do Capitão. Na verdade, eu nem gravo nome de ninguém, principalmente se a pessoa quiser me deixar pra baixo. Só fiquei com meu sorriso nos lábios, aquele de “ser simpática”, aguardando o discurso acabar pra ir embora. Afinal tinha muito o que fazer e se o governador resolvesse passar na hora em que os atletas estivessem atravessando, já sabe?! Prova cancelada! 
   Os atletas começaram a chegar, concentrando no bar da piscina, bem em frente à praia. Um lugar bem bacana, com uma estrutura legal. Diana já estava lá descarregando o carro. Um clima bom, energia boa! Queria ficar por lá mas Coqueiro de Arembepe me aguardava. Eu e Hugo teríamos que dar conta dos PCs. Fui pra o bar do Sr. Prego pra colocar a fita zebrada no puxadinho das bicicletas. E a gente vai tropeçando em gente boa pelo caminho...
   Gabriel chegou, já joguei a responsabilidade do PC na “Caixa dos Peito” dele. Daqui a pouco Hugo chega que ainda ia colocar o PC 12 no lugar. Só que ele chegou com um tio de Cleverson chamado Marcos. Catei o cara pra ficar no PC 15. kkk! Fiquei até com dó mas não contei conversa.




   O visual entre os PCs 14 e 15 era bem bacana! Arrumei uma palhoça, me misturei com a comunidade e fiquei conversando com as crianças. A primeira equipe a aparecer foi a Bravus. Esses meninos estão num momento físico excelente e navegando horrores. Tem tudo pra fazer um ótimo campeonato. Depois apareceram os Gantuá Macaco Véi, com Alanzinho e Augusto. E a turma foi chegando aos poucos, fazendo transição, contando história, entrando na água e voltando cheios de energia pra recomeçar. A única queixa que ouvi foi que a água estava muito quente. Então combinei de colocar umas pedras de gelo da próxima vez.
   No meio da tarde, saí do PC 14 pra devolver o Marcos. Acho que ele cansou de ficar do outro lado do rio com fome e sede, rs! Deixei no Hotel e voltei com acarajés pra Hugo, Tai e Gabriel. O bar  do Sr. Prego acabou estoque de tudo, inclusive água. Hugo, coitado, nem viu rastro de acarajé. O cara se virou em mil! Colocou todos os PCs, fotografou, resgatou.. Nossa! 
   Voltei para a beira do rio, onde eu e Gabriel ficamos até quase noite, quando tudo acabou, todos já haviam passado, a comunidade começou a se recolher e os gatos pardos começaram a aparecer. Batemos em retirada mais que depressa! E essa história dá muita resenha também.
   As últimas equipes chegaram no hotel de noite, com oito horas de prova. E não é que os atletas passaram várias vezes por carros da polícia... Todos comentaram que se sentiram muito seguros.
   Ao final de tudo, aquela sensação incrível de dever cumprido, de trabalho em equipe. Feliz por fazer parte de uma equipe tão competente e madura. Hugo, refletindo da beira do rio, me falou que se a gente tivesse feito uma vaquinha, teria conseguido o dinheiro sem esse trabalho todo. E é verdade. Mas nós todos concordamos que fazer uma festa pra os atletas, ouvir tantas resenhas, curtir cada momento, envolvê-los nos projetos da FBCA... Isso compensa tudo!
   Foi muito bom e só contei a minha parte! Sou grata por tudo que a vida joga pra cima de mim. É tudo presente!
   Senti muito orgulho do nosso esporte e de todos os atletas, especialmente, nossos queridos alunos da Escola de Aventura do Agreste. Lindos, vibrantes, perseverantes e fortes!
   Obrigada, Di, pelo convite pra participar da Federação! Fernando, Hugo e Aléssia, muito obrigada! Tá massa essa equipe! 
   Todas as fotos estão no Facebook da FBCA. Vão lá!  



quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Corrida do CT 2016


   Mucugê é uma cidade linda, um dia vou morar lá. Vou ser Dentista ou Fiscal de Vigilância Sanitária ou Cozinheira ou Garçonete ou Ajudante de Pedreiro. Topo qualquer parada pra voltar pra lá para sempre. Sei costurar também! Um dia eu vou embora e só volto aqui pra ver o mar.
   Foi a primeira vez que apareci na Corrida do CT de  Mucugê. Na cabeça do meu treinador eu sou “boca de zero nove”, como dizia o meu pai. E isso aí é coisa boa, tá? Ele dizia que eu tirava leite em cabra correndo! Gente que bota os bofes pra fora e sangra o nariz, mas não para de correr.
   Eu não sabia se conseguiria, mas aceitei o convite de Tadeu. Não sou se recusar essas coisas, não. Principalmente se tudo estiver favorável. Tipo: Todo mundo vai pra lá, eu posso ser Mega Power e meus meninos vão ficar bem sem mim.
   A proposta era fazer Corrida de Aventura no primeiro dia, Corrida em Trilha no segundo dia e, se entrássemos no percurso Mega Power numa das duas, fazer o Desafio do Cruzeirão. SIM, se minhas unhas permitissem. Fiz um monte de provas esse ano. As unhas estavam uma tragédia. Já tinha perdido cinco.
   Eu preciso falar dos meus amigos. Só um pouquinho... Esse pessoal é gente boa, tem boas maneiras, sorriso no rosto e bom humor. O que tem menos riso no rosto é o que mais faz a gente rir. Scavuzzi é uma figura impar! Perto dele, a gente fica com as bochechas doloridas de rir. Somos todos irmãos! Essa frase eu digo desde o começo e, embora nossas vidas dêem muitas voltas, o ponto de encontro é o mesmo. E a gente sempre dá risada das piores histórias, faz piada das nossas vitórias e derrotas. Aliás, nunca fomos derrotados! Nunca seremos!

Primeiro Dia- Corrida de Aventura
   Eu queria brincar tudo porque pagamos pra brincar tudo, mas Corrida de Aventura é um jogo de estratégia, força, coragem e determinação. Como todo jogo precisa de regras pra não virar “cachorrada” , aceitamos as regras e fomos pra largada.
   Eu e Vitor na dupla mista, Mauro, Gabi, Scavuzzi e Tadeu no quarteto misto.
   O primeiro Desafio da prova era fazer o trecho de orientação em menos de duas horas pra não ficar na Categoria Light. Definitivamente, nosso objetivo de prova não era esse. Falando por mim, sou sempre disposta a assumir a situação que vier, mas ser Light eu não queria não.  
   Largamos em sexteto e nos separamos no primeiro desentendimento. Muita gente navegando é uma merda! Péssima idéia, que foi resolvida na primeira bifurcação. Mauro pegou o bando dele e foi pra um lado, eu peguei minha “banda” e levei pro outro.
   Minha banda começou a espernear quando dei a referência do PC em dose homeopática. Aproveitei para “soltar os cachorros” e xingar os melhores palavrões de um vocabulário que só pode ser pronunciado assim, sem ninguém por perto. Tão inusitado que tivemos uma crise de riso. Impus respeito porque navegador não merece ficar ouvindo desaforos, não, minha gente! Que é isso!?
   Então!? ... Primeiro pegamos os PCs mais difíceis, no meio das pedras, dentro das valas, depois saímos “desbandeirados” pela cidade, achando PCs nos becos de Mucugê. Até no esgoto tinha PC. Ainda teve a parte de bike com orientação. Enfim, conseguimos pegar os PCs num tempo menor do que o programado.
   Ufa, somos Power!
   Fomos pedalar em outro mapa, com outra escala! Depois de um bom trecho de asfalto, chegamos por terra. A fazenda de café tinha pivôs de irrigação com diâmetro do mesmo tamanho da área urbana de Mucugê. Uma imensidão. O PC2 era  virtual, o 3 era gente. De lá, um pouco de trilha pra dar uma balanceada. E seguimos para o PC4, que estava escondidinho naquela outra trilha do lado esquerdo do estradão. A estrada empoeirada parecia não ter fim, as subidas pareciam planos. O caminho nos levava para um singletrack  até o rio, que batia direto num paredão enorme. Pronto! Bastava pedalar, sentir o ventinho no rosto e chegar até o PC5. Junto com nosso quarteto outra vez. Inúmeras vezes nos encontramos. E acabamos chegando no PC6 quase na mesma hora.
   O mapa do trekking até o PC7 já era com outra escala. Vitor desceu no rapel e eu na tiroleza, pela primeira vez na vida. Pegamos uma fila, que deve ter durado mais de meia hora. O que sei é que estava com medo de bater minha bunda naqueles galhos mas precisava descer logo pra fazer um xixi. Então pedi pra o Bombeiro me descer bem devagar, porque tenho certeza de que faria xixi nas calças antes de bater na água. O povo já faz piada com minhas maluquices, imaginem a cena?
   Descemos por dentro do rio pra achar o PC8. Estivesse chovendo mais um pouco, o PC seria dentro de uma cachoeira. Dali, entramos na primeira trilha que apareceu para sairmos das pedras em direção ao PC9.
   Uma pena que não conseguimos passar para o percurso Mega Power! Embora estivéssemos no tempo, já tinha passado uma porrada de gente, excedendo o limite de gente pra se perder na serra. Teve gente que não curtiu, mas eu me contentei em ser Power numa boa! Estava amarradona, curtindo horrores!
   Descemos o ladeirão de asfalto e seguimos para a trilha do museu do garimpo. Merda de trilha com tanta pedra! Sou péssima pra pedalar em pedra! Paciência! Pegamos o PC14 e seguimos para a chegada.
   Resultado: Segundo Lugar Dupla Mista na Categoria Power.



Segundo Dia- Corrida em Trilha
   A parada agora era comigo e Tadeu.
   Mesmo esquema: Categorias Light, Power e Mega Power. A gente tinha que correr pra ver o que ia rolar. Eu estava bem direitinha pra quem tinha corrido quase 60km no dia anterior. As cinco unhas que me incomodaram não estavam nos meus pés desde a Odisséia de Pernambuco. Assim, sem outras unhas pra incomodar, ficou bem tranqüilo. Das pernas e do fôlego, só saberíamos após a largada.
   Tadeu, animado e confiante, queria resolver seus problemas com as trilhas de Mucugê, reduzir seu tempo de prova em relação ao ano passado. No mínimo, ser Mega Power. Eu acredito muito nas minhas canelas secas, mas nunca se sabe o que pode acontecer. Ser Mega Power é massa! Fechou!! Objetivos bem alinhados! Queremos o Mega Power!
   Largamos!
   Os primeiros cinco km foram ofegantes pra mim, como sempre. A adrenalina do começo dá um pouco de cansaço mas estávamos muito tranquilos. A natureza ajuda quando você sabe quando e como aproveitar.
   Corremos pela cidade, pegamos a trilha pra o Ecoville Mucugê, entramos no rio, molhamos os pés, corremos pelo lajedo e nos tornamos uma dupla Power.
   Dali, começamos uma subida de lascar o cano, arrepiar os cabelos do corpo e doer o quadríceps magoado do dia anterior. Ah, mas passou rapidinho... O corpo começou a acostumar, ficamos de couro quente. Sem contar que entramos numa trilha toda plana com a vegetação de arbustos que chegavam até a altura do suvaco. E que coisa boa que é correr com aquelas fitinhas. Abri meus braços de felicidade! Corrida balizada é massa pra relaxar! Recomendo para Corredores de Aventura! Não tem coisa melhor do que passar um dia na adrenalina do mapa, da bússola, dos equipamentos, estratégias, dos downhills, de todos os apetrechos de uma Corrida de Aventura... E depois fazer uma corrida toda balizada. Pensei que se a turma toda tivesse ido pra soltar as pernas seria muito legal.
   Tadeu estava tão bem que só respeitava os 20m de distância. Chegamos ao km 11 animados e viramos Mega Power! Que bom que viramos Mega Power, 21km! O percurso é ainda mais gratificante. As cachoeiras são gratificantes! Os rios, as pedras, os barrancos, as flores são gratificantes! Os gritos dos amigos são gratificantes! Todo e qualquer desconforto ficou pra trás, bem lá atrás.
   Depois de 15km fiquei animadíssima. Aproveitei a presença de possíveis alunos da Escola de Aventura para explicar tudo que aquelas pessoas precisavam fazer para começar uma nova vida. Falei tudo! Dos cinco encontros, do primeiro dia de aula teórica, do rapel com Josemar, do treino noturno, do treino de mountain bike e da corrida de Formatura. Tadeu não se meteu muito na conversa não... Não sei porquê... Rs!
   Então, depois de pular muita pedra e correr pelos matos de Mucugê, entramos na cidade, passamos por trás da igrejinha e seguimos para a chegada com as três pulseiras nos braço. Duas horas e quarenta de oito minutos de fitinhas coloridas! Adorei!

Terceiro Dia- Desafio Uphill do Cruzeiro
   Preguiça infeliz! Má vontade de viver, imagine de subir o Cruzeirão. Uma chuva fininha, um friozinho gostoso pra colocar um agasalho e tomar um café da tarde. Mas a pessoa, ao invés de tomar um café com os amigos, vai pro Cemitério Bizantino pra subir o Cruzeirão. Tadeu? Ah, ele estava animado, queria muito se acabar naqueles 700m com 48 graus de inclinação. Onde mesmo que tinha essa informação?
   Antes de subir, pegamos nosso número de peito e ficamos na maior resenha. As gargalhadas que eu dei já valeram o sacrifício.
   Cada atleta saia num tempo, a cada 2 minutos. Os homens primeiro, depois as meninas. Do lugar de onde a gente ficava esperando a vez, dava pra ver a galera escalaminhando o morro em alguns pontos. Para os meninos, o tempo precisava ser abaixo de 12 minutos para ganhar a camisa. Já as meninas precisavam subir em menos de 14 minutos.
   Sim!!! Resolvi subir o mais rápido que pudesse. Tinha horas em que era paredão, que só dava pra subir com as mãos no chão, de quatro. Em outros momentos, dava pra andar muito rápido. Correr, nem pensar! Minha garganta ardia, o ar parecia rarefeito. Um pouco antes de chegar lá em cima, passei a mão no nariz pra ver se estava sangrando. Foi só sensação... Subi em 13minutos e alguns poucos segundos. Acabada!! Devo ter demorado mais de 14 minutos pra me recuperar, RS!!!
   A camisa foi pra o meu treinador como sinal de gratidão! Ele quem inventou essa história de fazer três competições num mesmo fim de semana. Pra mim, foi muito divertido, muito mesmo!
..............
   Pra finalizar, desejo VIDA LONGA à Corrida de Aventura, à nossa equipe, à nossa Escola de Aventura, aos amigos queridos. VIDA LONGA à Corrida do CT Gantuá. Tivesse que descrever com uma palavra, diria: IMPECÁVEL!

   Foi um ótimo fim de semana!!! 

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Odisseia Pernambuco 2016- 100Km

   É uma longa história!
   Não lembro em que ano participei da última Odisseia mas sei que cada postagem dos amigos em alguma delas sempre me causou inveja de doer! Tem Odisseia na Paraíba, em Alagoas, Sergipe, Pernambuco... A coisa aconteceu “no susto”! Decidimos, nos inscrevemos, compramos passagens e pronto, acabou! Dali em diante era só organizar as coisas e a vida.
   Chegamos em Cabo de Santo Agostinho na sexta à noite, junto com o quarteto do Ceará, Bichos Escrotos, com o qual compartilhamos o tranfer aeroporto/hotel/aeroporto. Tinha equipe de um monte de lugar. Chegando lá, fomos nos misturando, organizando as coisas, montando as bicicletas.
   Por falar em montar bicicletas, ainda estou pra conhecer um cara que saiba fazer mais coisas do que Vitor. E se ele não souber, aprende. O bicho é virado no “istopô”! Montou e desmontou as bicicletas numa categoria que o avião poderia dar piruetas no céu que não mexia nada.
   Inscrição com hospedagem inclusa é tudo de bom! Largada e chegada no hotel, melhor ainda! Sérgio Bandeira é um cara Jurássico em Corrida de Aventura, tanto como atleta, quanto como organizador. Pensa em tudo! O Briefing é tão detalhado que você precisa ficar atento pra não perder nada. Mapa de lona, Racebook com informações de ouro. Sem contar que a corrida tinha pista de 25, 50 e 100km. Atletas com objetivos de tamanhos diversos.

Com nossos amigos BBBrindes

   Pelo briefing já dava pra saber onde a gente tinha se metido. O mapa com escala de 1:25.000 só tinha dois PCs. Pasmem! Eram quatro mapas. Os outros três seriam entregues no percurso, durante a prova. Lembrei muito das provas da Paletada e fiquei muito feliz com isso. Adoro quando é muito ruim!
   Na linha de largada, também estavam os amigos da BBBrindes com sua nova formação em quarteto e seu apoio Master, Ana Paula. Eles são fofos e a gente sempre ponga na “genteboísse” deles! Rs! As fotos lindas são garantidas! Sem contar que, vira e mexe, trocamos figurinhas pelos matos.
   Vamos à prova, então! Que emaranhado de trilha retado! Se todos o outros mapas estivessem iguais, não seria brincadeira! Imagina planejar tudo no meio da prova? A cabeça já doida! Será que Tico e Teco se entenderiam?


   Às 9 da manhã partimos ladeirão acima pra o primeiro trecho de trekking de 17km. Fizemos a estratégia de pegar o PC na sequência sugerida no mapa. Sobe, desce, trilhos de trem, canavial pra dentro, trilha como a zorra e sol no meio da cara! Conseguimos alcançar o planejado estradão. Daquele tipo que o vento não pode bater que sobe uma poeira fina que nunca mais vai sair dos pulmões.
   O PC1 sempre é uma experiência tensa pra mim mas Sérgio colocou tudo no lugar certo, não tinha como errar. Depois de muito subir e descer, achamos o dito cujo numa árvore pintada de amarelo com um picotador amarrado fortemente.
   Alcançamos a tal estrada de poeira fina novamente, depois nos jogamos pelo canavial pra cair em outro estradão. O legal desse pedaço da história foi que pegamos uma hipotenusa de uma trilha que formava um triângulo, e já saímos lá embaixo, quase no final da pista. Cortamos um caminho massa! Indo, indo, indo, encontramos um riacho pra refrescar a cuca. Riacho é tudo de bom!
   Encontramos o PC2, dentro de uma mata, numa árvore pintada de amarelo. O dono da casa no início da trilha estava muito chateado porque alguma equipe saiu de lá com os côcos dele. Não gostou da invasão nem da abordagem. Foram muitos argumentos até que ele tivesse certeza que só íamos entrar pra picotar a pulseira. Nada de pegar côco! No final das contas, depois de um bom papo, rolou até um banho de mangueira. Rs! Banho de mangueira no meio da corrida também é massa!
   Quase chegando ao PC3, havia a opção de seguir o caminho pela linha do trem mas apareceu uma boiada do nada, pelos trilhos, que nos demoveu imediatamente da ideia. E foi até bom porque o outro caminho tinha um barzinho com água bem geladinha. Além disso, o barulho do trem passando nos deu a certeza de que fizemos a melhor escolha.


   O PC3 era no Hotel mesmo. Lá entregamos nossas pulseiras picotadas e recebemos outro mapa da prova. Mas presta atenção porque esse mapa já tinha escala diferente! Agora era pra pensar em escala de 1:50.000. Coisa de Odisseia mesmo! Mapa na hora de sair, com escala diferente.
   Atravessamos a BR empurrando a bikes. E quem quisesse que desobedecesse pra tomar uma penalidade de “horas” de castigo.


   Tínhamos muito chão pela frente, começando por 3,5km de asfalto, até entrar no canavial. Aliás, Odisseia sem canavial, não tem graça. A poeira subia loucamente. Teve uma hora em que ouvi um barulho alto de carro grande se aproximando. Até comentei: “Aqui tem alguma estrada com carro grande!”. Quando olhei pra trás, vi aquele treminhão gigante, cheio de cana balançando, vindo em nossa direção. Oh Jesus!! Só deu tempo de ir pra o canto da estrada e prender o nariz! A poeira subiu que não dava pra enxergar nada. Que delícia de vida!!! Era tudo que eu precisava! Nariz cheio de meleca, sombrancelhas vermelhas e roupa incrustada de barro.
   Treze quilômetros depois, encontramos a casa na beira do lago com 11 degraus na frente. Bem que podíamos passar uns dias ali. Que casa fofa! Parecia abandonada. Só a trilha pra chegar até lá já era um refresco e tanto. Toda sombreada. E o lago, ah, o lago! Que lindo! Mas nem deu tempo de contemplar muito. Seguimos empoeirados em direção ao PC5.
   No caminho, nossos amigos, Maurão e Omar. Sempre uns queridos, navegando muito bem, fortes, cochudos e batatudos! Encontramos uma trilha depois de um rio, descemos, procuramos. Nada de PC5. Embolamos com outras equipes e nada. Até que descobrimos que aquela não era a trilha do 5, e sim a do 6. Putz! Que merda! Era muito pertinho!
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   Pausa para operação de salvamento! Omar começou a tossir tão alto que parecia morte certa. (Ria não que foi sério!) O cabra se jogou no paredão, começou a se sacudir... Maurão já estava prestes a começar sua subida quando gritamos pra que voltasse pra socorrer seu parceiro. Ele aspirou gel de carboidrato e assustou a gente. Era cada grito!!!
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   Hum! PC5, finalmente! E aquele outro era mesmo o caminho para o PC6. Ok! Bom que foi mais rápido chegar lá. Deixamos as bicicletas pra começar o trekking rumo à natação. Final de tarde, uma hora gostosa quando o sol vai embora e a temperatura fica mais amena em Pernambuco. Também é a hora em que o pessoal da roça solta os cachorros. E os cachorros de lá não são magrinhos iguais aos daqui não. Eles são grandes, fortes, tem dentes grandes e latido alto, imponente! Fomos escarrerados por, no mínimo, uns quinze cachorros. Era um tal de chutar, espirrar água, latir mais alto, assoviar... Todos os recursos possíveis para evitar uma mordidinha nas canelas. Só pra se ter uma ideia, um dos organizadores da prova foi derrubado da moto por um cachorro. Já pensou, que miséria?! Né pra rir não, minha gente!
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   Ah, sim! Voltemos ao PC6... 
   Fomos embora pra nadar no açude. A gente só precisava caminhar/correr 4 km, levar umas carreiras de cachorro, subir e descer muita ladeira, chegar na beira do açude, atravessar nadando até a ilha pra alcançar o PC7 que, pra variar, estava preso a uma árvore pintada de amarelo... E voltar! 
   O ponto de ataque ficava logo ali, depois daquele bar onde tocava um arrocha de arrepiar os cabelos. Era noite! Os dois pescadores que estavam numa barraca montada na beira do açude fizeram cara de espanto. Disseram que todo mundo já tinha nadado e ido embora, de dia. Estávamos nós e duas duplas masculinas da categoria 50km. Um pescador acabou se oferecendo pra ficar por ali no barco, enquanto nadávamos. Isso a gente não podia negar! Que ótima ideia! Traçamos um azimute, pegamos os obrigatórios e entramos. Mas na ilha não tinha uma luz, nem um lightstik, nadinha de nada pra pessoa se guiar! Era #azimutepartiu! #nobreu!
   A água estava uma delícia! Fui nadando na surdina! O barquinho lá na frente, os rapazes espalhados por ali e Vitor se adiantando. Parecia que aquela natação não acabava nunca. Tinha sensação de que estava parada. Depois de variar muito entre o nado em estilos perereca e cachorrinho, consegui pisar no chão, aliás, na lama. Daí, subimos pra procurar a árvore até encontrá-la.
   Antes de iniciarmos os procedimentos de retorno, o pescador fez a gentileza de dizer que não entraria naquela água de noite nem que recebesse em dinheiro. Querem saber o porquê? Ora bolas, o açude era cheio de jacaré e sucuri. Céus! Precisava aquela criatura dizer aquilo naquela hora? Mas, ainda assim, eu preferi correr o risco virar comida de sucuri a ser desclassificada da Odisseia. Foi um bom estímulo pra nadar mais rápido, dando aquelas olhadelas pra o lado de vez em quando.
   Chegando do outro lado, lá estava Sérgio Bandeira e uma equipe de resgate. Nós que resolvêssemos pegar carona de canoa! A prova estaria perdida mesmo. 
   No tranquilo caminho de volta, compramos a melhor Coca-Cola do mundo no bar do arrocha. E também, mais adiante, avistamos a dupla masculina de 100km seguindo para natação. Estávamos duas horas na frente deles. Tempo de sobra pra concluir a prova em primeiro, não acham? Então eu vou contar um pedaço da história que eu não queria que acontecesse. Na verdade, seria muito legal se só escrevesse resenha com sucesso.
   Saímos do PC8, depois de comer, pegar o mapa e planejar, pedalando, felizes da vida. Vale ressaltar que o mapa estava em escala de 1:25.000. O percurso era quase todo de estradão até a entrada do Vilarejo. Chegando lá, seguiríamos direto até o fim da rua, que emendava com uma trilha com uma descida íngreme. Tudo verificado em medidas e azimute. Lá embaixo, 200m por um córrego em direção a uma pequena nascente. Muito simples! O PC 9 estaria numa árvore pintada de amarelo às margens do córrego. "'Taquipariu", tinha muita árvore! Grandes e pequenas. Nada de árvore pintada de amarelo. Entramos na mata uma vez. Repetimos a operação com um farol de bike, vasculhamos tudo, nada de árvore. Subimos até a Vila pra fazer a conta toda de novo. Descemos, entramos na mata por dentro do córrego, quando era possível caminhar por dentro dele. Passávamos embaixo de tronco, subíamos pedras. Era buraco, aranha, cansanção, plantação de carrapicho. Chegamos a subir um pouco o vale pra ver se não estava no alto. Nada de PC.
   Decidimos ir de novo até perto da Vila pra ver se não tinha outra entrada. Descemos por outro caminho e voltamos porque o azimute era completamente diferente.
   Daí, chegou aquela dupla que estava duas horas depois de nós. Quando eles fizeram a primeira tentativa, até entramos novamente. Voltamos outra vez sem o PC. Eles também. Então, os rapazes, simplesmente, pegaram o farol de bike, entraram outra vez na mata, saíram e foram embora. Sorrateiros como deve ser. Nada de procurar conversa com a gente, rs! Enquanto isso, refletíamos nossa derrota sentados num barranco. Estávamos ali, à 200m do PC, tinha quase 5 horas. Vitor já falava em desistir.
   Pegamos as bicicletas e subimos em direção à Vila. Inconformada, eu fazia mil reflexões. Estava desolada com a possibilidade de ter que ir embora sem achar o PC9. Seria o fim da nossa prova. Nem dava pra acreditar! Lembrei do nosso último Desafio dos Sertões, quando fomos desistindo de pegar os PCs, um a um, até o desânimo nos abater completamente. Desistências são sempre inesquecíveis.
   Antes de irmos embora de uma vez, Vitor me convidou para um lanche embaixo de um poste. Passava da meia-noite. Peguei o mapa e comecei a falar:
-          "-Vitor, saímos da Bahia pra fazer essa Odisseia pra terminar a prova não, foi? Você sabe que se a gente for embora é desclassificação, não é? Não é possível que todo mundo tenha vindo aqui e saído sem achar o PC. Aqueles caras desceram, entraram no mato apenas duas vezes e foram embora. Se eles não tivessem achado não teriam ido embora, sem dúvida. Já perdemos a nossa primeira posição, eles foram embora faz tempo. Não temos nada a perder. Por mim, eu ficava aqui até o dia amanhecer pra achar esse PC. Não queria ir sem tentar de novo."
   Vitor pareceu convencido de que deveríamos tentar mais uma vez. Só queria saber o que fazer de diferente pra dar certo. Eu não sabia exatamente. Só achei que, com um perímetro tão pequeno, não seria impossível. Pronto! Descemos outra vez, entramos pelo córrego, dessa vez com as duas lanternas de bike na mão, subimos duzentos metros por dentro de água, lama, pedra e vegetação. Ficamos mais do que estropiados, cheios de carrapichos. Quando chegamos nos duzentos metros, começamos a varredura. Virei o farol para o meu lado direito e olha só quem estava lá! Um pé de pau! Aquele pelo qual, provavelmente, passamos e não demos atenção, porque ele era bem fininho... A gente não sabia se ria ou se chorava. Mais de cinco horas ali.
   Depois de muita coisa de pensamento profundo dentro da minha cabeça, não quero nem escrever reflexões. Fiquem à vontade para fazer isso porque minha cabeça gira até hoje. Como sempre digo, por mais experiente que você se ache, cada prova tem situações diferentes. E não vale a pena ficar culpando os outros mas, de repente, o SACI.. rs! Sei lá! 
   Felizes e remoçados, seguimos para o PC10, que ficava na "casa do chapéu". Era bastante chão de estradão e muita poeira de traminhão. O bicho é grande, tem três pedaços e anda numa velocidade danada canavial adentro. Vale a pena usar toda sua iluminação para evitar acidentes. Muita estradinha emaranhada para o PC mas o combinado era parar em qualquer situação de dúvida pra não fazer mais nenhuma merda.
   O PC11 estava numa casa na beira de uma estrada, no alto, num lugar cheio de muriçoca. Podia se chamar “Alto da Muriçoca”. Bem apropriado! Nossa comida reserva estava toda lá. Embora nem precisássemos mais dela, aproveitamos pra reabastecer antes de ir para a chegada, já que a parte do remo foi cortada.
   Cruzamos a linha de chegada às 4 da manhã, com aquela boa e conhecida sensação de dever cumprido. E porque não dizer, de vitória. Vitória é exatamente isso: Retroceder Nunca, Render-se Jamais e Divertir-se Sempre. 
   Eu tiro o meu chapéu para Sérgio Bandeira, que tem uma equipe de trabalho super confiável e dedicada! Sem dúvida, merecimento! O cara quebrou a clavícula um dia antes da prova, durante a marcação do percurso, não conseguia nem respirar direito. Morri de dó! Acompanhou a prova toda e sua equipe deu um show de sintonia durante todo o tempo. Parabéns pela prova! Eu curti cada momento intensamente!
   Agradeço muito à nossa equipe Aventureiros do Agreste. Afinal, quando saímos pra correr uma prova dessas, levamos conosco um pouco de Mauro, Gabi, Scavuzzi, Marcelo, Tadeu, Claudio, Lucy, Vande, Eudes, Igor, Herbert, Maurício, Fábio, Gilson... Um pedacinho que cada experiência que vivemos juntos pra saber o que fazer nos piores perrengues!
   Ao nosso treinador, Fernando Tadeu e Infinity Academia, muita gratidão. Graças ao Desafio que você me propôs para a Corrida do CT, corri sem sofrer, embora ainda não esteja na melhor forma. Nem sei se estarei algum dia, kkk! Vamos em frente que, muita coisa boa vai rolar por essas corridas afora!
   Ah! Vitor, você é O CARA!



   Até logo pra vocês! Mês que vem tem mais resenha pra gente escrever.