segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Bastidores do Treinão 25 de novembro

 
Foto Fred Barboza

   Vim contar sobre uma prova que não corri. Sobre a resenha dos bastidores do Treinão, só pra gente poder voltar aqui um dia e lembrar dessa experiência incrível, sem vestir a roupa de atleta. 
   Down tava doido pra levar uma edição da Escola pra Feira de Santana. Eu queria muito ter tempo e disposição pra nunca dizer não pra ninguém mas não tem como... Um dia a gente se encontrou e rolou aquela conversa, que pareceu papo de bar, onde a pessoa bebe e combina, depois que pensa no trabalho que arrumou. Mas isso foi só o começo, porque quando rola (do verbo rolar) um sim, a coisa flui.
   Juntar os velhos, os novos, os dispostos, os sumidos, os preguiçosos, os desanimados, os desenganados, os desencanados... Confraternizar, atrair gente que nunca viu aquilo, gente que só ouviu falar, gente que tava doido pra entrar. Um treino como uma Corrida de Aventura, com inscrição bem baratinha, mensagens de boas vindas, informativos, sequência de modalidades, tudo igualzinho a uma corrida "à vera".
   Ele é organizador da Corrida de Aventura Mandacaru, entrou na função de Diretor Técnico. Um cara técnico mesmo, com experiência como atleta e como organizador, comprometido com aquele lado bem “braçal”- o percurso-, que a pessoa precisa ir no local da prova inúmeras vezes, se debruçar sobre o mapa, trabalhar duro até o apagar das luzes do evento. Nós, Aventureiros do Agreste, temos organizado a Escola de Aventura, tentando manter padrão top das galáxias, ficamos envolvidos com as inscrições, divulgação, textos, apoiadores.
   Lançamos as inscrições lá pelo mês de agosto, depois de um parto danado até achar data, porque fim do ano é uma loucura! Eu, pessoalmente, estava comprometida até o pescoço com filho, casa, corrida, vida. Num resumo bem resumido, seriam dois fins de semana de ENEM e uma prova de proficiência em francês da filhota, uma final de Campeonato Baiano de Orientação pra mim, Desafio dos Sertões e várias mudanças de vida, só pra variar.  Foi um ano corrido! Um sufoco para participar de todas as provas do Campeonato Baiano de Corrida de Aventura, imagina participar de dois campeonatos? E tudo conciliado com dois trabalhos.
   O Treinão de Aventura tomou forma, criou vida própria. As inscrições fluíram de uma maneira que começamos a nos preocupar com tanta gente pra administrar. Salvador, Lauro de Freitas, Feira de Santana. Kaaporas, Mandacarus, Carcarás, Aventureiros (lindos de camisas coloridas, vivem inventando moda!), Companheiros, Novos Azimutes. Paulinho e Marcinha entraram em cena, trazendo Caatingueiros do mundo inteiro, aos montes. E em meio a 44 duplas, juntos (Aventureiros e Mandacaru), administramos informativos, ação social, empréstimos de equipamentos, como bússolas, mochilas, coletes (só de coletes, foram 19), frutas para os atletas, staffs, parceiros, local de prova.
   Admirando ainda mais o trabalho de um organizador, viu?! Down foi tão criterioso! Como seus amigos estariam correndo, acabou fazendo sozinho, absolutamente tudo que dependia dele. É muito babado pra arrumar antes da coisa acontecer! Um dia antes, ele foi na Xavante sozinho e colocou os PCs no lugar. Mauro, que seria seu apoio, passou vários dias internado, foi submetido a uma cirurgia...
   Fizemos apenas um treino de reconhecimento com ele e só fomos nos encontrar na noite anterior ao Treino, pra fechar os combinados. Vinho, pizza e muita resenha pra acordar às 4h da manhã no outro dia. Às 5h do domingo já estávamos batendo no portão do Bar da Xavante. A escolha do local foi muito feliz! O dono do bar providenciou um espaço pra gente arrumar uma secretaria. Down levou equipamento de som, providenciou os PCs em lona, mapas do mesmo material, banner, pódio, medalhas, backdrop improvisado.

Foto Fred Barboza

Foto Fred Barboza


   Que maravilha que é ver tanta gente animada! Que energia boa que o esporte trás pra gente! Quando os atletas começaram a chegar, estava tudo prontinho!
   Até pórtico tivemos! Paulinho nos apoiou com um pórtico e a JPEG Impressões apoiou com vários adesivos, que foram colados. Foi tanta coisa que aconteceu nesse Treinão... kkkk!.. Quando olhei pro pórtico, num momento de tranquilidade da secretaria, vi uma coisa murcha na minha frente. Evinho apareceu todo molhado de suor, explicando que a bomba de ar quebrou, aí eles subiram nas árvores e penduraram como puderam. Não é que ficou bom?! E achei tão bacana a postura deles! Ainda bem que não se machucaram!


Foto Fred Barboza

   As frutas ficaram por conta da Tac Comercial de Alimentos, que mandou até uva sem caroço, pra jogar o glamour da festa lá pra cima. Que delícia, viu?! Enquanto se serviam, os atletas se arrumavam, estudavam o mapa, iam e viam com suas bicicletas e equipamentos, naquele movimento que a gente conhece e gosta.
   No Staff: Lízia, Lula, eu, Down, Vítor, Mauro (todo costurado na barriga), Gabi, Cléo, Lúcia, Marcílio e Fred. Uma galera comprometidíssima e querida! Um pessoal que sabe o que precisa fazer e faz!


Foto Fred Barboza

   A largada aconteceu às 8:35h da manhã, com natação sob sol escaldante, digno do Sertão. Deu vontade de me jogar na água junto com eles, de fazer a prova toda. Víamos o movimento do outro lado, Fred fotografando tudo, Vitor administrando os nadadores com um caiaque, Down já seguindo pra colocar os Staffs seguintes em posição.


Foto Fred Barboza

Foto Fred Barboza

Foto Fred Barboza


Foto Fred Barboza

   Eu sei que nossos atletas sofreram de um tudo nessa prova! No primeiro trekking teve de mandacaru e cansanção pra todo mundo e ainda sobrou um monte por lá. Teve aqueles que voltaram em 40 minutos e os que levaram 3 horas pra voltar pra transição. Separamos a canoagem em dois blocos, pra melhorar a logística da prova e evitar fila na modalidade. Então as duplas masculinas remaram quando chegaram do primeiro trekking e as duplas mistas e femininas remaram no final da prova. Como tivemos algumas transições no mesmo local de largada, a galera passava pela mesa pra comer frutas e Fred aproveitava pra tirar cada foto mais linda que a outra.


Foto Fred Barboza

Foto Fred Barboza

Foto Fred Barboza

   Gente, os rádios da Canal10 Promo fizeram toda diferença! De moto, Down subia e descia. Mauro seguia de carro. Ambos monitorando todo o percurso.
   Tirando a modalidade de canoagem, todos os outros trechos tinham mesma sequência para as três categorias, mista, feminina e masculina. Depois do trekking, as equipes enfrentaram um trecho de bike, outro trekking e mais um de bike. Foram 14 Pontos de Controle (PC) nas diversas modalidades, sem contar com os PCs Hard, pra quem quisesse ousar um pouco mais.


Foto Fred Barboza

Foto Fred Barboza

   No fim das contas, tivemos equipes que terminaram o Treinão em poucas horas e aquelas que passaram quase o dia todo no mato. Alguns precisaram parar um pouco antes da hora e outros não viam a hora de parar. Uns deixaram seus pares e foram encontrando os amigos no caminho pra não perder a festa. 


Foto Fred Barboza

   Vale lembrar que encarar a linha de largada é o grande desafio. Precisa montar dupla, arrumar equipamento, organizar logística, alinhar objetivos, ler informativos... Desafio mesmo! Por essa razão, ao invés de uma medalha finisher pro Treinão, fizemos uma caneca Starter com nosso mega apoiador, Grupo BBBrindes, pra lembrar a todos aqueles atletas que suas histórias estão apenas começando. Aquela coisa de “Começar uma nova vida” é sério mesmo!

Foto Fred Barboza

Foto Fred Barboza

   Que festa linda! Além de ter sido marcada pelo encontro de grandes amigos, pudemos conquistar mais apaixonados pelo esporte. Sem sombra de dúvidas, as provas da Bahia ganharam novos atletas! Sem atletas não tem prova...
   Nossos sinceros agradecimentos à Mandacaru Aventuras, pelo convite que nos trouxe tanta alegria e aprendizado. Trabalhamos com harmonia, respeito, confiança e maturidade. 
   Aos nossos apoiadores, um VIVA!! Aos novos atletas, muitos VIVAS! Sejam todos muito bem vindos!


Foto Fred Barboza

Foto Fred Barboza

Foto Fred Barboza

Foto Fred Barboza





quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Italia- Parte 5- Veneza

   De volta à Florença, devolvemos as bicicletas e ficamos sentados numa pracinha, à espera do melhor momento de chegar ao Hotel.
   Após mais uma noite, lá estávamos nós, na estação de trem, seguindo para Veneza.
   Sempre impressionada com tanta grandiosidade e beleza do Velho Mundo, Veneza superou ainda mais. Você sai da estação de cara com canais, pontes e edificações belíssimas. Veneza fervilhava, tanto de calor quanto de turistas. Tinha gente pra não acabar nunca mais! Acho que tinha até extraterrestres em Veneza.  Parecia carnaval na Bahia.



   Nos hospedamos pelo Airbnb no bairro Cannaregio, perto de tudo. Paleteiros que somos, as caminhadas foram constantes. Conhecemos todos os lugares à pé. Foram 3 noites explorando Veneza, entrando em todas as igrejas possíveis e imaginárias, dos pontos turísticos manjados aos museus inusitados, escondidos nas ruelas da cidade.





   De tudo o que vi, a vista da Praça San Marco mais impressionou. Do outro lado do canal está a Igreja San Giorgio Maggiore, que me hipnotizou de tal maneira, que não sosseguei enquanto não fui lá. Deu vontade de pular na água. Navios de cruzeiros chegavam pelo canal, fechando completamente aquela vista linda, cheios de pessoas em cima, parecendo um formigueiro. E eu pensava naquele mundo de gente que ia descer em Veneza, pra lotar ainda mais a cidade.
   Decidimos pegar o vaporeto, que é igualzinho a um ônibus. Detalhe é que compramos o ingresso errado (mais barato), entramos no vaporeto e rodamos Veneza inteirinha sem saber que não descia na Igreja. Depois compramos outro, atravessamos e ficamos lá, curtindo a vista para a Praça San Marco, sentindo um alívio danado por não fazermos parte daquele carnaval de gente pra lá e pra cá.





   Outra coisa bacana que fizemos foi ir até o bairro Santa Elena, perto da Marina. As praças e jardins são mais vazias, as ruas mais tranquilas, as roupas ficam penduradas na rua, como bandeirolas coloridas. Na verdade, as roupas penduradas você encontra pra todo lado, atravessando de um lado ao outro das ruas.
   Da comida, aproveitamos o mercado da esquina e compramos comida para café e jantar dos três dias. Uma economia que nos permitiu também comer fora de casa, tomar muito sorvete e tornar nossos custos mais suaves. O detalhe é que o meu mestre cuca compra ingredientes do lugar e faz receitas do lugar. Então as massas italianas frequentaram nossas mesas durante toda a viagem. Sem contar que é uma delícia a sensação de "morar".


   Uma pena que a viagem estava acabando...
   Pegamos o trem para Roma, dormindo lá por uma noite, pra sair bem cedo pro aeroporto. Vale comentar que do lado da estação de trem sai ônibus, que custa 6 euros até o aeroporto. Fizemos aquela economia!!
   E como ainda teríamos 12 horas em Paris, compramos ingressos para o Atelier Lumier de Van Gogh, podendo desfrutar mais um pouco dos ares europeus. Sem contar que tivemos a "sorte" de chegar num dia em que o nível de poluição na cidade estava alto e, por conta disso, o ingresso do metrô é único para o dia inteiro. Pense na coisa maravilhosa!!


   Enfim, foram 14 dias de viagem, sendo turistas e aventureiros, pelas cidades da europa. Uma delícia de viagem, que recomendamos demais àqueles que têm disposição.
   Beijos e até a próxima!


quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Itália- Parte 4- San Giminignano

   Essa parte da viagem foi uma experiência bem interessante! Desprendidos de grande parte da bagagem, com uma pequena mochila nas costas, pegamos a estrada com bicicletas alugadas em Florença.  Na bagagem, duas mudas de roupas, produtos de higiene pessoal, papeis do seguro de viagem e passaportes. Sem internet, "printamos" telas dos mapas pra termos ideia do percurso, que já estava quase decorado na cabeça.


   Atravessamos a Ponte Vecchio, em direção à Porta Romana para o sul (ou seria sudoeste?) da Toscana. A Porta Romana é uma porta enorme mesmo, por onde passam carros, gente e bicicleta. Tudo ali era murado, antes.
   Evitando as vias mais movimentadas, seguimos por Certoza em direção à Tavarnuzze. Num cruzamento, com dúvidas, sentimos dificuldade pra pegar informação com alguém. No interior, é mais complicado encontrar alguém que fale inglês, além disso, o italiano é mais difícil de entender. Por dedução, intuição ou sei lá o quê, escolhemos a estrada da esquerda, por uma subida de 6km. Tiramos foto, sofremos um pouco, curtimos a paisagem e chegamos num lugar chamado Bagnolo-Cantagallo (que só soubemos o nome depois). Bem charmoso com uma pracinha linda, aquela igreja de praxe, sorveteria, café... Cheios de dúvidas, decidimos saber onde estávamos e pra onde iríamos. Depois de meia hora de conversa, percebemos que tomamos a via errada, tendo que voltar quase tudo. Mas havemos de convir que na descida todo Santo ajuda. Na Itália deve ter mais Santos do que em qualquer canto.
   Pra relaxar, tomamos um delicioso sorvete, antes de retornar. Descemos até perder a vontade de descer, pegamos um desvio à esquerda e caímos direitinho na Via Scopeti, onde deveríamos estar a mais tempo.


   Na Itália, a todo momento a gente se encontra com ciclistas. Os motoristas tem um bom nível de respeito por quem pedala, inclusive, mantêm aquela sonhada distância de 1,5m que a gente queria que acontecesse aqui no Brasil. Apesar de achar que já melhoramos bastante, tem uma evolução danada pela frente!
   No caminho, os cipestres, os rios, a vegetação encantadora e muitas ladeiras. Como não pegamos bicicletas elétricas, as subidas foram na base dos “cambitos” mesmo. Subidas sem fim, cidades pequenas com belezas também sem fim.
   Depois do perdidão, boa parte do percurso pela via Scopeti, passamos por San Andrea In Percussina, San Cassiano Val di Pesa e várias outras pequenas cidades. Apesar das inúmeras ladeiras, a viagem de bicicleta foi extremamente agradável. Lembro que cortamos um caminho, por indicação do Google Maps, entrando numa área rural, com placa de sinalização contendo nome da rua e tudo. As casas de campo lindíssimas chamavam atenção a todo momento!




   Numa dessas ladeiras sem fim, dessa vez descendo, fui à frente numa boa velocidade. Antes de entrar numa curva, olhei rapidamente pra trás e não vi Vitor. A rua estava vazia... Depois de alguns minutos, que me pareceram horas, vi um caminhão enorme descendo. Nossa! Aquilo me assustou tanto! Continuei descendo um pouco mais devagar, nada de Vitor, até que parei. Eita que o pensamento divagou negativamente na velocidade da luz! Nem sei quanto tempo durou mas deu tempo até de pensar no funeral. Ufa! Ele apareceu, contando que o caminhão atrapalhou a descida, que precisou recuar, mas deu tudo certo. Ô susto!


   Em San Giminignano mesmo, só fomos chegar no final da tarde, depois de subirmos uma serra sem fim. Um sacrifício totalmente recompensado com a chegada naquela cidade medieval incrível! Pelo Airbnb, alugamos um apartamento num prédio que um dia foi um Castelo cheio de história. A dona do apartamento arrumou um lugar para as bicicletas  e nos acomodou confortavelmente. Ao abrirmos a janela, uma vista de cair o queixo!


   Nem vou contar sobre os pontos turísticos porque isso vocês encontram em todo canto na internet. Foram duas noites em San Giminignano, caminhando pelas ruas, visitando museus e igrejas, subindo torres, tomando sorvete (não só o considerado melhor do mundo) e comendo comida gostosa, tanto de restaurante, quanto feitas por nós mesmos. Como gostamos de provar as delícias do lugar, no mercado, compramos carne de caças e fizemos assados deliciosos. Nossas viagens ficam com um custo menor com as visitas aos supermercados. Algumas vezes, nem precisamos ir a restaurantes e comemos muito bem.









   Então foi isso! No dia 23 de junho, nos despedimos da cidade Medieval, de bicicleta, com as mochilas minimalistas, bem cedinho, ladeira abaixo. Tão cedo chegamos em Florença, que tivemos que ficar sentados numa praça, tomando sorvete, até chegar perto da hora do check-in do hotel.
   Na próxima postagem eu conto como foi em Veneza.
   Até loguinho!