segunda-feira, 1 de maio de 2017

Pelejar é preciso...

Peleja, 125 km. Por Vitor Hugo Moreau

    Pela primeira vez fui correr uma prova sem fazer absolutamente nada. Por conta da rotina de trabalho, Luciana teve que preparar todo o material. Nem na minha mochila, eu sabia o que tinha. A sorte é que nossa sintonia já é tanta que ela sabe exatamente do que eu gosto e do que eu não gosto. Quais comidas vão na bike, quais na barrigueira da mochila. Tudo. Eu ainda só ia poder chegar em Cachoeira depois de 14:00, quando o briefing já teria terminado. Sem marcação de mapa, sem ouvir o briefing. Ficaria tudo por conta da Lu. Eu ia ser atleta de percurso.
    Saímos, de Salvador 12:30, eu e Mauroba – outro que iria cair de paraquedas em cima do trem andando. Lu, Gabi, Scavuzzi e Vande – nosso estreante no quarteto – seriam responsáveis pelo planejamento da prova. Cheguei em Cachoeira uma hora antes da largada. Ainda tinha que me arrumar e terminar de preparar tudo, mas o desafio maior foi estacionar o carro perto da pousada para tirar o equipamento. Ôh cidadezinha complicada que é Cachoeira, pra não dizer caótica. Lu, já azuada, berrou meio dúzia de “vamos lás” nos meus ouvidos para apressar as coisas e fomos para a praça do coreto, onde não tive tempo nem de cumprimentar os amigos. Foi só cinco minutos para relaxar a mente e partir.
     A corrida começou como uma natação no rio Paraguaçu. Um rio lindo e gracioso na Chapada, mas que chega podre à sua foz. É uma pena que ainda sejamos responsáveis por uma degradação desse tamanho aos nossos rios. Enfim, atravessamos os 400 m do Paraguaçu tentando não abrir a boca para não entrar água. Foi um alívio quando pisei na lama do outro lado do rio. Ainda voltei para ajudar Lu no fim da travessia. Chegamos a São Félix, do outro lado e voltamos para o ponto de largada correndo pela ponte, onde pegamos as bikes, mochilas, capacete e partirmos após a primeira transição.
    Saímos da cidade pela orla do rio até o PC1 sem muita dificuldade. Do PC1 para o PC2 a primeira ladeira. Aquela região é famosa pelas ladeiras. Cachoeira fica num buraco e pra sair de lá pra qualquer lado, toma-lhe ladeira! Pegamos o PC2 e seguimos para a primeira transição, no PC3, onde haveria um rogaining. Encontramos o quarteto Aventureiros do Agreste – Scavuzzi, Mauro, Gabi e Vande – e seguimos juntos. Pegamos os PCVs 1 e 2 sem dificuldades. Indo pro 3, encontramos uma galera fazendo o percurso ao contrário. Com eles, Marcelo e Cláudio que fazia a dupla masculina de Aventureiros do Agreste. Estavam voltando pensando que já tinham passado do PCV 3, mas não. Então seguimos juntos, em octeto. Pegamos os PCVs 3, 4 e 5 também muito rápido e, quando chegamos de volta à transição, tínhamos deixado algumas equipes para trás.
    Pegamos as bikes novamente e seguimos para subir mais ladeiras. Pegamos o PCs 5 e 6, após o qual haveria a cabulosa ladeira de pedra. O pessoal tinha alertado para uma ladeira muito íngreme, com paralelepípedo que teríamos que ter cuidado para descer. E realmente, que ladeira miserável! Ainda bem que era descida e pra descer, todo santo ajuda. Ao pé da ladeira, o grupo parou para descançar e Eu e Lu abrimos uma distância do grupo, aproveitamos o pedal mais fluido para ganhar tempo. Após o ladeirão, um retão. A essa hora, o sono começa a bater mas os caramujos na estrada nos ajudavam a ficar alertas. Lu preocupada em desviar dos bichinhos e eu em mirar neles, kkkk. Lu me repreendeu, mas ouvir o ploft me ajudava a ficar acordado. Principalmente depois que me disseram que esses bichos são praga nessa região. Aí, era sem dó (risos). Pensávamos que o quarteto e a dupla tinham ficado para trás, mas eles estavam na nossa cola. Foi só darmos um vacilo no bate-e-volta do PC7 que nos alcançaram. Pegamos o 7 em uma igrejinha linda no meio do pasto e fomos por dez quilômetros de asfalto até o PC8. O asfalto dá um alívio, mas as ladeiras não deixam nada a dever pro barro. Que miséria era aquela!

PCV C
    Chegamos no PC8 – que também seria a transição de volta do rogaining para o remo (PC 9) na sexta posição geral. Como haviam oito barcos, se ninguém nos ultrapassasse, ainda poderíamos remar. Melhor ainda, poderíamos todos remar, pois éramos sexta, sétimo e oitavos gerais.
    Saímos em octeto do PC8 para outro rogaining, o que seria o trecho mais miserável da corrida. “Os PCs todos juntinho, ta mole!”. Sabe de nada, inocente! Subimos para pegar o PCV C. Achamos a boca da trilha, em um barranco. Mauro e Vande subiram para checar. Não acharam. Eu e Sacavuzzi subimos. Nada... Resolvemos atacar o PCV pelo outro lado. Talvez aquela não fosse a entrada correta. Subimos mais para pegar o PCV B – tranquilo. Entramos pela trilha ao lado para atacar o PCV C por trás. Aí começou a nossa odisséia. Distância marcada, azimute milimetricamente ajustado. Era só rasgar 30 metros de mato. Ficamos duas horas rodando até batermos em um matagal da altura de Mauroba – e olha que ele tem 1,90 m de altura! Ameaça de abelha, rasga mato, lama, tiririca e tudo que um bom e velho corredor de aventura tem direito – não tão velho, no meu caso, hehehe. Foi muito bater de cabeça para tirar a gente de lá. Olha que a Aventureiros do Agreste tem mais navegador do que gente, a essa altura éramos Eu, Mauro, Lu, Marcelo, Vande e Cláudio navegando e Scavuzzi e Gabi dando pitacos. Graças a esse Conselho Superior de Navegação, sob a batuta de Mauroba, conseguimos achar a trilha principal. Alguém ainda verbalizou: “mas a essa altura, vamos desistir”, mas foi rapidamente abafado pelos protestos do grupo.

PC I
    Resolvemos medir a entrada da trilha de cima pra baixo. Medimos cuidadosamente a distância do PCV B para trás e chegamos à mesma entrada da trilha para o PCV C. Entramos e achamos o PCV. O diabo estava fora do local indicado no mapa, mas estava tão perto que se tivéssemos varrido a região, teríamos achado. A essa altura, o cansaço começava a dar seus ares e o grupo teve uma queda de motivação. Aí surgiu a liderança da Lu. Assumiu a navegação e o comando do grupo, dando, inclusive uns berros malucos, daqueles que quem a conhece sabe bem como é. Berro de meio de mato! Aquelas maluquices que a gente faz pra se divertir na Peleja da corrida. Pra se motivar quando a merda toda estanca! KKKKK Sob a liderança da nossa Penélope, pegamos rapidamente os PCVs D, E, F, G, H e I. O PCV J era no alto do morro, uma ladeira miserável – como aliás, é o que mais tem na região. Para os PCVs K e L foi só uma questão de distância. Andamos até o pé cortar, mas pegamos todos os PCVs. Só que ainda não tinha acabado. Para voltar para a transição ainda tinha uma ladeira – já estou até cansado de falar isso – miserável! Kkkkk.
     Chegamos acabados na cidadezinha onde estava o PC 9. Depois de uma Schin limão – é ruim mas é bão – verificamos, felizes que ainda havia um barco. Uma de nossas equipes ainda poderia remar. Mesmo depois de tudo, de estrupiados e acabados, todos nós queríamos remar. Êta gente masoquista esse povo da corrida de aventura! Decidimos no zerinho-ou-um quem iria e Scavuzzi ganhou. Seguimos de bike mesmo. A essa altura, o quarteto já não tinha nada a perder. Qualquer quarteto depois deles pegaria o corte e a dupla masculina já não pegaria pódio. Eu e Lu, não: se houvesse alguma dupla mista atrás da gente, poderia nos pegar nos 30 km de bike que ainda havia até a chegada. Por isso, fomos rápido para que ninguém nos alcançasse, o que não seria difícil, pois já estávamos totalmente acabados pelas ladeiras, e ainda havia um obstáculo pela frente: lembram daquela ladeira de pedra miserável de descer que eu falei? Imagina subir! Imaginou? Então foi isso, tivemos que subir aquela ladeira de volta. O único consolo foi uma água gelada num bar no pé da ladeira e um banho de bica no meio. Devemos ter demorado uma meia hora para vencer o 1,5 km da ladeira. Ôh, miséria que foi aquela ladeira... Quando finalmente acabou, não acabou, porque tinha outra, mas vou resumir porque já estou ficando cansado de novo.
    Seguimos o mais rápido que pudemos de volta a Cachoeira, onde, depois de descer outra ladeira miserável – afinal lembram que cidade fica no buraco? Chegamos. Recebemos a feliz notícia – pra gente, claro, não pra eles – de que a BB Brindes tinha furado o caiaque e optou por sacrificar a dupla mista em prol da dupla masculina, e que, por isso, nós terminamos em primeiro lugar. A cena mais inusitada que vi em corridas nos últimos tempos foi Mauro e Scavuzzi chegando do remo, ou melhor, da vela. Mauro fez uma vela com plástico e gravetos que pegaram na beira do rio e os dois vieram trazidos pelo vento Paraguaçu acima, economizando as remadas. Sensacional!

Chegada de Mauro e Scavuzzi do remo (vela)
    Foi uma corrida ótima! Corremos como uma família de oito Aventureiros do Agreste. Ficam os meus parabéns a todos: Mauro pela última palavra em navegação, Lu, pela liderança, Gabi, pela força, apoio e estímulo nos momentos difíceis, Marcelo, pela serenidade e decisão, Cláudio, pela perspicácia e resiliência, Scavuzzi pela assertividade e bom senso e, finalmente, Vande – estreante no quarteto e em corridas longas - pela coragem, serenidade e resistência. Parabéns a Bruno, Luiz Célio e Down pela prova. Corrida de aventura de raiz, pra quem gosta de perrengue, mato, perdida e ladeira. Tudo que o esporte pode propiciar. Valeu a frase que disse pra Down quando chegamos do segundo rogaining e estendo aqui a Bruno e Luiz Célio: “você é o organizador de provas mais escroto da Bahia, e o melhor de todos também!”.

Nós no primeiro lugar!
Pódio da Peleja






quinta-feira, 16 de março de 2017

NP5- 100km


   A Noite do Perrengue continua na categoria “Festa Imperdível” da Corrida de Aventura. Novidades como o Spot, carro de apoio de primeira, COE (Comando de Operações Especiais da Polícia), medalha de Finisher e o tradicional café da manhã fizeram parte da lista de mimos para os atletas mais exigentes que praticam o esporte... Esse ano foi ainda mais especial por abrir o Campeonato Baiano de Corrida de Aventura 2018.
   Nossa equipe estava em peso por lá, distribuída entre quarteto, duplas mistas, masculinas, sem contar com nossos queridos ex-alunos da Escola de Aventura do Agreste. Foram 17 ex-alunos da Escola na NP5. Muitos deles já estão “infiltrados” entre os Aventureiros do Agreste, outros montaram suas próprias equipes e são atletas super fortes, que entram em briga de “cachorro grande”. E tudo é lucro para o esporte! Viva essa festa maravilhosa, a diversidade e as equipes de todas as idades!
   Pra começar o ano, mexemos um pouco na composição das equipes. Fiquei na dupla mista com Tadeu, e Vitor, que tem feito dupla comigo há uns 4 anos, foi pra o quarteto com Gabi, Mauro e Scavuzzi. As outras duplas foram formadas conforme suas afinidades e muitas camisas da Aventureiros e da Escola se espalharam por tudo que foi canto em Sauípe.
   O briefing virou uma confraternização cheia de amigos queridos. Os novos, os antigos e os do meio. A pessoa fica até na dúvida sobre quem vai abraçar primeiro, os sorrisos se misturam no meio de tanta adrenalina pré-prova.

   Das pequenas surpresas da prova:
1. Mapa, só depois da largada, no Rogaine (Pista de Orientação);
2. Enquanto um atleta corresse o Rogaine (no caso, eu), o outro faria o planejamento da prova (no caso, Tadeu).
   O detalhe é que nunca fiz uma prova de Corrida de Aventura com Tadeu. Já corremos em dupla Trail Run e Mountain Bike. Aventura, nunca! Nem treinamos juntos nos últimos tempos, por conta das agendas atribuladas. Viva as experiências novas também!!!
   Quando ele me olhou fingindo calma, explicando que nossa navegação era diferente, que ele escrevia pouco no mapa, não colocava azimutes e contava as entradas, blá, blá, blá... Fingi tranquilidade e disse que escrevesse o que achasse importante e plastificasse o mapa. Qualquer detalhe ajustaríamos no caminho. Nada de pânico, não restava outra coisa a fazer.
   Largamos de bicicleta por volta de 22:40h do sábado. A distância até o Rogaine era tão curtinha que foi melhor guardar as sapatilhas na mochila e pedalar de tênis pra facilitar a transição. Tadeu preferiu correr a prova toda de tênis.
   Quando entrei na pista de orientação e vi aquele mundo de lanternas dançando pra lá e pra cá, esqueci completamente que sou uma Orientista também. Meio atordoada, terminei o balizamento e corri para o prisma 90, meio que pra o lado errado, rs! E só depois do encontro com o primeiro prisma que me aprumei na vida.
   Corri para o prisma 91, onde encontrei Fábio, Maurão e depois Eber. Um encontro feliz! Trabalhamos em equipe até o fim, contando distâncias, correndo juntos, achando prismas. Entre moitas, árvores, fios de alta tensão, breu, buraco, areia e espinhos, o mais difícil de alcançar mesmo foi o tal 92, que estava em cima de um pequeno morro e só conseguimos alcançá-lo na terceira tentativa porque a mata fechava. Mas, nada que um azimute correto não resolvesse.
   Não tenho a menor ideia de quanto tempo passei na orientação. Talvez a metade das bicicletas ainda estivessem lá, talvez não.
   Tadeu esperava com o mapa plastificado nas mãos, contendo três setas apontadas para trilhas e três distâncias anotadas em letras muito miúdas para a minha idade. Preocupado em escrever demais, não escreveu nada. Pelo menos ele plastificou porque eu levei o contact na mochila pra fazer o Rogaine, mas até o final da temporada a gente equilibra essa “co-navegação”. Até o mapa extra ele esqueceu de pegar, rs!! Falha nossa!
   Passei o zóio no mapa e fomos navegando “a granel”. Pedalamos até a saída de serviço do Complexo Costa do Sauípe, onde o Grupamento do COE estava a orientar na travessia da BA 099. Aquele pessoal de preto, todo trabalhado na elegância, deu a maior moral pra corrida. Pressão retada!

   Até o PC 3 foi estradão. Até o 4, idem. Mas muitas ladeiras nos separavam entre um ponto e outro. Tadeu, que estava bem mais condicionado do que a “fofa” aqui, em sinal de solidariedade à minha pessoa, olhava pra trás de vez em quando ou esperava lá na frente quando eu demorava de aparecer. Decorei boa parte das referências, conferia o mapa quando podia e seguia em frente, evitando paradinhas, já que a navegação estava tranquila.
   Acho que foram 24 km até o PC 4, no Bar do Lourenço (será que era esse o nome?). Até lá, ultrapassamos algumas equipes e fomos ultrapassados por muitas outras, incluindo nossos queridos Luana e Gabriel. Luana, praticamente, assoviava enquanto passava e eu acho isso a maior sacanagem, kkkk! Brincadeira! Esses dois têm o meu respeito e fazem jus aos seus treinos e todas as qualidades que têm como atletas de Corrida de Aventura.
   Sei que chegamos no tal do bar para a transição de bike para uns 12km de trekking.  Optamos pelo sentido contrário, do 9 para o PC 5, até dar a volta e chegar ao bar outra vez. Seguimos pelo estradão por quase 2 km até a entrada da trilha. Acabamos na companhia de David e seus amigos. Quem tem amigo tem tudo, melhor ainda se for um Insano. Estivemos próximos por bastante tempo.

   Fomos felizes com a escolha. Nosso quarteto passou por nós e todos estranhavam que caminhávamos no sentido contrário. Teve até um engraçadinho que fez piada achando que estávamos perdidos.
   Aquele trekking foi bem legal! A lua em algum lugar, entre nuvens ou não, clareava as copas dos eucaliptos, que formavam um corredor imenso, exalando aquele velho cheiro descongestionante. Também atravessamos alguns pequenos rios. Aproveitei pra comer bastante por saber que a bike não seria brincadeira. Tadeu manteve-se por perto, estimulando a corridinha, coletando informações de distâncias e referências, ajudando a encontrar os PCs e fazendo as selfies. A co-navegação funcionou muito bem no trekking.
   Massa que chegando no PC 6, aquele de cima do morro, subimos no azimute e caímos bem no lugar. Como não procuramos direito, uma distração nos custou cinco minutos de prova, que não comprometeu muita coisa. Do 5 para a transição tinha bem mais trilhas do que estava no mapa, mas o azimute nos garantiu o caminho certo.

   Enfim, a transição para bike novamente! Depois de atravessar tanto rio, não foi uma surpresa encontrar companhia no tênis. Uma sanguessuga aguardava seu momento de encher a barriga. Ô bicho horroroso e grudento. Não queria sair não.. Só um “peteleco” mesmo! Que nojo!!
   Ali estávamos em terceiro entre as duplas mistas de 100km.  O PC 11 estava localizado lá em cima, no norte, quase saindo do mapa. Muita ladeira, minha gente! Muita mesmo! E a gente não queria ser ultrapassado.. Na verdade, a gente queria mesmo era encontrar equipes pela frente. Meu corpo variava nas sensações. Tinha hora que a perna ardia, outra hora a garganta secava, na outra os bofes queriam sair... E eu ia administrando.
   O PC 11, na igreja em ruína estava fofo para uma selfie. Já era dia, a vila acordava. Entramos na estrada à direita e seguimos para encontrar as três pontes que teríamos como referência. Para nossa felicidade, numa dessas ladeiras monstruosas encontramos uma dupla mista. Foi nesse momento em que Tadeu colocou a faca entre os dentes e carregou minha bicicleta até o topo. Foi massa e teve BIS!
   Eu não estava com esse treino todo não, mas fiz tudo o que pude. Aqueles 46km pareciam sem fim. Não acabava nunca! A comida caía, o mapa escorregava.. Sem contar que, quando você está cansado, acha logo que o pneu da bicicleta está furado.. kkkkk!


   No PC 12, a outra ruína, a selfie e uma pequena trilha para cortar o caminho. Atravessamos o rio e subimos uma ladeirinha até um cruzamento de trilhas. Como sempre, o velho e bom azimute nos direcionava para a subida. Mas a rebelde Lulu resolveu seguir pra outra direção. A razão só Jesus Cristo sabe... Perdemos uns 15 minutos nessa brincadeira sem graça e pedalamos ao máximo para recuperar o tempo perdido, sem saber se a dupla estava atrás ou na frente. 


   Sorte que não tenho câimbra, porque seria o dia. Pedalamos loucamente!! Eu aproveitava cada descida no embalo. De dia fica mais fácil!
   Quase certos de que a dupla mista tinha ficado pra trás, que surpresa a nossa! Pegamos um retão, uns 5 km antes do asfalto e olha quem está saindo do toalete?? A dupla! Cada um de um matinho.. rs! Nossa!! Meu gás voltou todo de novo. Faltava muito pouco...
   Chegamos no PC da canoagem depois do corte, bipamos o Sicard e partimos pra chegada. Tentava nem olhar pra trás pra nem saber se estavam perto ou longe..  Confesso que não curto pegas de fim de prova. Faltava muito pouco!! O asfalto apareceu de novo, depois a entrada de serviço para o estradão do Quintas, mais uns 2 km até a portaria, a casa... O coração na boca até o pórtico de chegada!
   Ufa, que prova!!! Conseguimos ficar em segundo na dupla mista e ficamos sabendo que as duplas femininas pontuavam na nossa categoria também. Resultou que umas monstrinhas do sul (mãe e filha- a filha com 15 anos) ficaram no lugar mais alto do pódio, depois a Kaaporas do querido Luis Célio. E nós, em terceiro lugar!!
   Querido amigo, Tadeu, muito obrigada pela companhia e parabéns pelo seu condicionamento físico! Foi uma ótima corrida!
   Como sempre, sou grata!! Pelos amigos, pelas escolhas, pelos lugares, pelos encontros, pelos sorrisos e abraços! Foi uma prova diferente para mim. Estive mais calada.. rs! Juro!!... Sério! Kkk! ...

   E as histórias de 2018 só estão começando...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

NOS BASTIDORES DO ESQUENTA FBCA 2017

   Nunca quis me meter nessas coisas de Federação por diversos motivos, entre eles que a gente precisa de dedicação... e lá estava eu, mais do que envolvida, fazendo parte dela. O Diretor Administrativo, Cleverson, estava sobrecarregado com seus projetos pessoais e fui convidada a substituí-lo. Ou seja, entrei pela janela. Mas só aceitei depois de saber o que um Diretor Administrativo faz. Nossa, é muita coisa! E sei que estou muito aquém do ideal nas minhas tarefas. Queria fazer muito mais.

   Dentro dos projetos a serem realizados em 2017, incluímos uma prova da Federação para começar o ano. Curta, objetiva, gastando pouco e ganhando o necessário para pagar os impostos de início de ano. Sim, a Federação paga impostos. A documentação dá um trabalho danado pra ser organizada e nem precisa dizer que recurso de convênios são mais fáceis de conseguir se estiver tudo em dia.
   O detalhe é que todo mundo tem seus “quifazê”. O tempo é curto e urge. Sorte que nós temos uma líder retada! Diana, mesmo de Mucugê, distribuiu as funções e organizou nossa vida.
   Estrelando:
. Fernando Severino no mapeamento;
 Aléssia na divulgação;
. Hugo, o rapaz do financeiro, das inscrições, da conferência de percurso, da impressão dos mapas;
. Diana com troféus, as frutas e mais coisas;
. Luciana com planilhas de PCs, brindes e arrumar um lugar pra largada e chegada.

   Foi isso e muito mais pra todo mundo. Perdi minha anotação no meio dessa longa história e já estava me metendo na tarefa de todo mundo. Incontrolável, faço um esforço danado pra não ser intrometida. Fiquei cutucando todo mundo, perguntando se estava tudo certo, numa ansiedade danada. Teve uma semana que Diana sumiu porque estava levando uns turistas pelo Vale do Pati. Trabalhando!! A pessoa tem que trabalhar! Eu quase pari um filho!! Rs! A gente enviava mensagem para o grupo e ficava falando sem Diana. Fernando escrevia assim: “Dianaaaaaa!”. E nada de resposta. Quando ela apareceu, disse: “Gente, está tudo bem, vai dar tudo certo!”, e todo mundo ficou aliviado. No caso, eu. Rs! 
   Tenho certeza de que as coisas dariam tão certo quanto deu sem a minha ansiedade, mas se não fosse assim não seria eu, rs!!
   Diana descobriu o Hotel Arembepe Beach pela internet e me orientou a ir lá. Tivemos muita sorte! A receptividade foi tão grande que não dava pra resistir. Fui atendida pelo dono, Sr. Walter, que disponibilizou todos os recursos necessários para que nos sentíssemos em casa. Pedi estrutura, água, som, utensílios. Fiquei com vergonha de tanta coisa que pedi. E ele ainda perguntava se precisávamos de mais alguma coisa. Também encontrei com uma figura super simpática chamada Shah, que tem canal no youtube e página no Facebook, o Café com Shah. Na página dele pronuncia "Shah" sussurrando igual a "Ecomotion".. rs! Ele também curtiu nosso projeto, divulgou a corrida e abraçou o esporte. E todas as vezes que fui lá uma coisa boa acontecia. As portas se abriam de tal maneira que dava mais segurança no que estávamos realizando.
   Ofício pra tudo que é lado! Polícia Rodoviária, Polícia Militar... Fiquei super assustada porque o Tenente meteu tanto medo. Disse que não tinha efetivo, não tinha carro, que era muito perigoso, que a gente precisava de segurança particular para fazer qualquer evento em local ermo. Se começasse a escrever aqui minha opinião sobre isso, faria um texto enorme mas só me resumo a dizer que se a gente se entregar ao medo não sai de casa. Tenho preguiça de abordar assuntos polêmicos. Mas talvez tanta conversa tenha sido por preocupação mesmo.
   E mais uma pitada de sorte me colocou frente a frente com três policiais numa das visitas ao Hotel que, ao contrário do tenente, foram extremamente solícitos, disseram que tinham viatura, quadricículo, moto... E garantiram que os que estivessem de plantão naquele dia fariam ronda no percurso no dia do evento, já que passavam pelos locais em situações normais. Pediram até mapa pra saber onde as pessoas estariam.
   Além disso, passei no vilarejo pra envolver a comunidade na história. Conseguimos até um puxadinho no bar do Sr. Prego pra colocar as bicicletas, que aumentou o estoque de água mineral e Coca-Cola pra incrementar seus lucros dia do evento.
   Como Fernando, nosso Diretor Técnico e mapeador, estaria viajando no dia da prova, precisamos conhecer o percurso. Fui um dia com ele e Hugo foi sozinho com o mapa pra checar distâncias. Fiquei preocupada porque o mapa ainda estava em preto e branco, kkkk! E faltavam poucos dias para a prova. Mais um parto pra mim! Mas, também não precisava me preocupar porque ele é muito caprichoso! A prova ficou digna de um Selvagem. Embora fossem trilhas conhecidas, o percurso estava super variado, com umas pirambeiras de arrepiar, subidas de tirar o fôlego, matinha, charco, areia, paisagens lindas e tudo que um aventureiro tem direito de viver e de sofrer. Vocês sabem que o mapeador sofre vários tipos de agressão verbal quando a prova é boa? Sorte que ele não estava aqui.. Viva Fernando Severino!
   Fizemos uma reunião de fechamento na quinta-feira antes da prova e decidimos modificar algumas coisas para a logística da prova ficar melhor. Reduzimos as transições, principalmente, por motivos de segurança. Conferimos ponto por ponto, resolvemos todas as pendências, deixamos tudo ajustado.
   E os PCs, minha gente?? Nada mais bacana do que fazer coisas com gente quer fazer coisas com você!! Gabriel!! Gente, que menino bacana! Pediu pra ir porque queria ficar na bagunça, já que estava se recuperando de uma lesão. Passou pra o Lado Negro da Força, rs! A irmã de Alan passou o dia no Hotel com Diana, ajudando em tudo. E Tai, aquela fofa, a namorada de Hugo, toda disposta e resolutiva, deu conta de tudo junto com a gente.
   Plínio!! O que esse cara faz pela Corrida de Aventura não está na conta!! A empresa dele, a BBBrindes, apoia tudo: Federação, Corridas e até a Escola de Aventura do Agreste. Os squezzes ficaram lindos, super de bom gosto!

   Então chegou o grande dia! Seis da manhã estava com tudo no carro, pronta pra partir. No caminho passei no Posto da Polícia Rodoviária toda animada.. Levei o maior sabão do Capitão. Na verdade, eu nem gravo nome de ninguém, principalmente se a pessoa quiser me deixar pra baixo. Só fiquei com meu sorriso nos lábios, aquele de “ser simpática”, aguardando o discurso acabar pra ir embora. Afinal tinha muito o que fazer e se o governador resolvesse passar na hora em que os atletas estivessem atravessando, já sabe?! Prova cancelada! 
   Os atletas começaram a chegar, concentrando no bar da piscina, bem em frente à praia. Um lugar bem bacana, com uma estrutura legal. Diana já estava lá descarregando o carro. Um clima bom, energia boa! Queria ficar por lá mas Coqueiro de Arembepe me aguardava. Eu e Hugo teríamos que dar conta dos PCs. Fui pra o bar do Sr. Prego pra colocar a fita zebrada no puxadinho das bicicletas. E a gente vai tropeçando em gente boa pelo caminho...
   Gabriel chegou, já joguei a responsabilidade do PC na “Caixa dos Peito” dele. Daqui a pouco Hugo chega que ainda ia colocar o PC 12 no lugar. Só que ele chegou com um tio de Cleverson chamado Marcos. Catei o cara pra ficar no PC 15. kkk! Fiquei até com dó mas não contei conversa.




   O visual entre os PCs 14 e 15 era bem bacana! Arrumei uma palhoça, me misturei com a comunidade e fiquei conversando com as crianças. A primeira equipe a aparecer foi a Bravus. Esses meninos estão num momento físico excelente e navegando horrores. Tem tudo pra fazer um ótimo campeonato. Depois apareceram os Gantuá Macaco Véi, com Alanzinho e Augusto. E a turma foi chegando aos poucos, fazendo transição, contando história, entrando na água e voltando cheios de energia pra recomeçar. A única queixa que ouvi foi que a água estava muito quente. Então combinei de colocar umas pedras de gelo da próxima vez.
   No meio da tarde, saí do PC 14 pra devolver o Marcos. Acho que ele cansou de ficar do outro lado do rio com fome e sede, rs! Deixei no Hotel e voltei com acarajés pra Hugo, Tai e Gabriel. O bar  do Sr. Prego acabou estoque de tudo, inclusive água. Hugo, coitado, nem viu rastro de acarajé. O cara se virou em mil! Colocou todos os PCs, fotografou, resgatou.. Nossa! 
   Voltei para a beira do rio, onde eu e Gabriel ficamos até quase noite, quando tudo acabou, todos já haviam passado, a comunidade começou a se recolher e os gatos pardos começaram a aparecer. Batemos em retirada mais que depressa! E essa história dá muita resenha também.
   As últimas equipes chegaram no hotel de noite, com oito horas de prova. E não é que os atletas passaram várias vezes por carros da polícia... Todos comentaram que se sentiram muito seguros.
   Ao final de tudo, aquela sensação incrível de dever cumprido, de trabalho em equipe. Feliz por fazer parte de uma equipe tão competente e madura. Hugo, refletindo da beira do rio, me falou que se a gente tivesse feito uma vaquinha, teria conseguido o dinheiro sem esse trabalho todo. E é verdade. Mas nós todos concordamos que fazer uma festa pra os atletas, ouvir tantas resenhas, curtir cada momento, envolvê-los nos projetos da FBCA... Isso compensa tudo!
   Foi muito bom e só contei a minha parte! Sou grata por tudo que a vida joga pra cima de mim. É tudo presente!
   Senti muito orgulho do nosso esporte e de todos os atletas, especialmente, nossos queridos alunos da Escola de Aventura do Agreste. Lindos, vibrantes, perseverantes e fortes!
   Obrigada, Di, pelo convite pra participar da Federação! Fernando, Hugo e Aléssia, muito obrigada! Tá massa essa equipe! 
   Todas as fotos estão no Facebook da FBCA. Vão lá!  



quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Corrida do CT 2016


   Mucugê é uma cidade linda, um dia vou morar lá. Vou ser Dentista ou Fiscal de Vigilância Sanitária ou Cozinheira ou Garçonete ou Ajudante de Pedreiro. Topo qualquer parada pra voltar pra lá para sempre. Sei costurar também! Um dia eu vou embora e só volto aqui pra ver o mar.
   Foi a primeira vez que apareci na Corrida do CT de  Mucugê. Na cabeça do meu treinador eu sou “boca de zero nove”, como dizia o meu pai. E isso aí é coisa boa, tá? Ele dizia que eu tirava leite em cabra correndo! Gente que bota os bofes pra fora e sangra o nariz, mas não para de correr.
   Eu não sabia se conseguiria, mas aceitei o convite de Tadeu. Não sou se recusar essas coisas, não. Principalmente se tudo estiver favorável. Tipo: Todo mundo vai pra lá, eu posso ser Mega Power e meus meninos vão ficar bem sem mim.
   A proposta era fazer Corrida de Aventura no primeiro dia, Corrida em Trilha no segundo dia e, se entrássemos no percurso Mega Power numa das duas, fazer o Desafio do Cruzeirão. SIM, se minhas unhas permitissem. Fiz um monte de provas esse ano. As unhas estavam uma tragédia. Já tinha perdido cinco.
   Eu preciso falar dos meus amigos. Só um pouquinho... Esse pessoal é gente boa, tem boas maneiras, sorriso no rosto e bom humor. O que tem menos riso no rosto é o que mais faz a gente rir. Scavuzzi é uma figura impar! Perto dele, a gente fica com as bochechas doloridas de rir. Somos todos irmãos! Essa frase eu digo desde o começo e, embora nossas vidas dêem muitas voltas, o ponto de encontro é o mesmo. E a gente sempre dá risada das piores histórias, faz piada das nossas vitórias e derrotas. Aliás, nunca fomos derrotados! Nunca seremos!

Primeiro Dia- Corrida de Aventura
   Eu queria brincar tudo porque pagamos pra brincar tudo, mas Corrida de Aventura é um jogo de estratégia, força, coragem e determinação. Como todo jogo precisa de regras pra não virar “cachorrada” , aceitamos as regras e fomos pra largada.
   Eu e Vitor na dupla mista, Mauro, Gabi, Scavuzzi e Tadeu no quarteto misto.
   O primeiro Desafio da prova era fazer o trecho de orientação em menos de duas horas pra não ficar na Categoria Light. Definitivamente, nosso objetivo de prova não era esse. Falando por mim, sou sempre disposta a assumir a situação que vier, mas ser Light eu não queria não.  
   Largamos em sexteto e nos separamos no primeiro desentendimento. Muita gente navegando é uma merda! Péssima idéia, que foi resolvida na primeira bifurcação. Mauro pegou o bando dele e foi pra um lado, eu peguei minha “banda” e levei pro outro.
   Minha banda começou a espernear quando dei a referência do PC em dose homeopática. Aproveitei para “soltar os cachorros” e xingar os melhores palavrões de um vocabulário que só pode ser pronunciado assim, sem ninguém por perto. Tão inusitado que tivemos uma crise de riso. Impus respeito porque navegador não merece ficar ouvindo desaforos, não, minha gente! Que é isso!?
   Então!? ... Primeiro pegamos os PCs mais difíceis, no meio das pedras, dentro das valas, depois saímos “desbandeirados” pela cidade, achando PCs nos becos de Mucugê. Até no esgoto tinha PC. Ainda teve a parte de bike com orientação. Enfim, conseguimos pegar os PCs num tempo menor do que o programado.
   Ufa, somos Power!
   Fomos pedalar em outro mapa, com outra escala! Depois de um bom trecho de asfalto, chegamos por terra. A fazenda de café tinha pivôs de irrigação com diâmetro do mesmo tamanho da área urbana de Mucugê. Uma imensidão. O PC2 era  virtual, o 3 era gente. De lá, um pouco de trilha pra dar uma balanceada. E seguimos para o PC4, que estava escondidinho naquela outra trilha do lado esquerdo do estradão. A estrada empoeirada parecia não ter fim, as subidas pareciam planos. O caminho nos levava para um singletrack  até o rio, que batia direto num paredão enorme. Pronto! Bastava pedalar, sentir o ventinho no rosto e chegar até o PC5. Junto com nosso quarteto outra vez. Inúmeras vezes nos encontramos. E acabamos chegando no PC6 quase na mesma hora.
   O mapa do trekking até o PC7 já era com outra escala. Vitor desceu no rapel e eu na tiroleza, pela primeira vez na vida. Pegamos uma fila, que deve ter durado mais de meia hora. O que sei é que estava com medo de bater minha bunda naqueles galhos mas precisava descer logo pra fazer um xixi. Então pedi pra o Bombeiro me descer bem devagar, porque tenho certeza de que faria xixi nas calças antes de bater na água. O povo já faz piada com minhas maluquices, imaginem a cena?
   Descemos por dentro do rio pra achar o PC8. Estivesse chovendo mais um pouco, o PC seria dentro de uma cachoeira. Dali, entramos na primeira trilha que apareceu para sairmos das pedras em direção ao PC9.
   Uma pena que não conseguimos passar para o percurso Mega Power! Embora estivéssemos no tempo, já tinha passado uma porrada de gente, excedendo o limite de gente pra se perder na serra. Teve gente que não curtiu, mas eu me contentei em ser Power numa boa! Estava amarradona, curtindo horrores!
   Descemos o ladeirão de asfalto e seguimos para a trilha do museu do garimpo. Merda de trilha com tanta pedra! Sou péssima pra pedalar em pedra! Paciência! Pegamos o PC14 e seguimos para a chegada.
   Resultado: Segundo Lugar Dupla Mista na Categoria Power.



Segundo Dia- Corrida em Trilha
   A parada agora era comigo e Tadeu.
   Mesmo esquema: Categorias Light, Power e Mega Power. A gente tinha que correr pra ver o que ia rolar. Eu estava bem direitinha pra quem tinha corrido quase 60km no dia anterior. As cinco unhas que me incomodaram não estavam nos meus pés desde a Odisséia de Pernambuco. Assim, sem outras unhas pra incomodar, ficou bem tranqüilo. Das pernas e do fôlego, só saberíamos após a largada.
   Tadeu, animado e confiante, queria resolver seus problemas com as trilhas de Mucugê, reduzir seu tempo de prova em relação ao ano passado. No mínimo, ser Mega Power. Eu acredito muito nas minhas canelas secas, mas nunca se sabe o que pode acontecer. Ser Mega Power é massa! Fechou!! Objetivos bem alinhados! Queremos o Mega Power!
   Largamos!
   Os primeiros cinco km foram ofegantes pra mim, como sempre. A adrenalina do começo dá um pouco de cansaço mas estávamos muito tranquilos. A natureza ajuda quando você sabe quando e como aproveitar.
   Corremos pela cidade, pegamos a trilha pra o Ecoville Mucugê, entramos no rio, molhamos os pés, corremos pelo lajedo e nos tornamos uma dupla Power.
   Dali, começamos uma subida de lascar o cano, arrepiar os cabelos do corpo e doer o quadríceps magoado do dia anterior. Ah, mas passou rapidinho... O corpo começou a acostumar, ficamos de couro quente. Sem contar que entramos numa trilha toda plana com a vegetação de arbustos que chegavam até a altura do suvaco. E que coisa boa que é correr com aquelas fitinhas. Abri meus braços de felicidade! Corrida balizada é massa pra relaxar! Recomendo para Corredores de Aventura! Não tem coisa melhor do que passar um dia na adrenalina do mapa, da bússola, dos equipamentos, estratégias, dos downhills, de todos os apetrechos de uma Corrida de Aventura... E depois fazer uma corrida toda balizada. Pensei que se a turma toda tivesse ido pra soltar as pernas seria muito legal.
   Tadeu estava tão bem que só respeitava os 20m de distância. Chegamos ao km 11 animados e viramos Mega Power! Que bom que viramos Mega Power, 21km! O percurso é ainda mais gratificante. As cachoeiras são gratificantes! Os rios, as pedras, os barrancos, as flores são gratificantes! Os gritos dos amigos são gratificantes! Todo e qualquer desconforto ficou pra trás, bem lá atrás.
   Depois de 15km fiquei animadíssima. Aproveitei a presença de possíveis alunos da Escola de Aventura para explicar tudo que aquelas pessoas precisavam fazer para começar uma nova vida. Falei tudo! Dos cinco encontros, do primeiro dia de aula teórica, do rapel com Josemar, do treino noturno, do treino de mountain bike e da corrida de Formatura. Tadeu não se meteu muito na conversa não... Não sei porquê... Rs!
   Então, depois de pular muita pedra e correr pelos matos de Mucugê, entramos na cidade, passamos por trás da igrejinha e seguimos para a chegada com as três pulseiras nos braço. Duas horas e quarenta de oito minutos de fitinhas coloridas! Adorei!

Terceiro Dia- Desafio Uphill do Cruzeiro
   Preguiça infeliz! Má vontade de viver, imagine de subir o Cruzeirão. Uma chuva fininha, um friozinho gostoso pra colocar um agasalho e tomar um café da tarde. Mas a pessoa, ao invés de tomar um café com os amigos, vai pro Cemitério Bizantino pra subir o Cruzeirão. Tadeu? Ah, ele estava animado, queria muito se acabar naqueles 700m com 48 graus de inclinação. Onde mesmo que tinha essa informação?
   Antes de subir, pegamos nosso número de peito e ficamos na maior resenha. As gargalhadas que eu dei já valeram o sacrifício.
   Cada atleta saia num tempo, a cada 2 minutos. Os homens primeiro, depois as meninas. Do lugar de onde a gente ficava esperando a vez, dava pra ver a galera escalaminhando o morro em alguns pontos. Para os meninos, o tempo precisava ser abaixo de 12 minutos para ganhar a camisa. Já as meninas precisavam subir em menos de 14 minutos.
   Sim!!! Resolvi subir o mais rápido que pudesse. Tinha horas em que era paredão, que só dava pra subir com as mãos no chão, de quatro. Em outros momentos, dava pra andar muito rápido. Correr, nem pensar! Minha garganta ardia, o ar parecia rarefeito. Um pouco antes de chegar lá em cima, passei a mão no nariz pra ver se estava sangrando. Foi só sensação... Subi em 13minutos e alguns poucos segundos. Acabada!! Devo ter demorado mais de 14 minutos pra me recuperar, RS!!!
   A camisa foi pra o meu treinador como sinal de gratidão! Ele quem inventou essa história de fazer três competições num mesmo fim de semana. Pra mim, foi muito divertido, muito mesmo!
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   Pra finalizar, desejo VIDA LONGA à Corrida de Aventura, à nossa equipe, à nossa Escola de Aventura, aos amigos queridos. VIDA LONGA à Corrida do CT Gantuá. Tivesse que descrever com uma palavra, diria: IMPECÁVEL!

   Foi um ótimo fim de semana!!!