quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Especial de Natal ou Natal Especial?


A vó mais linda do universo!

   Honestamente, não tava dando nada por esse Natal! Aliás, seria quase igual ao ano passado. As crianças ficariam com o papai Xuxu e eu iria pra casa dos meus pais ou da vovó, seguindo a sequência dos abraços de 'Feliz Natal', da ceia com a família, dos presentes até a despedida. Só que a viagem dos meus pais tirou um pouco meu rumo. Pôxa! Eles fazem falta! Sempre estão ali, na roça, de braços abertos para a nossa chegada a qualquer hora do dia ou da noite. Dessa vez seria diferente.
   De repente, Vó Sinhá, hoje com 97 anos, implicou em passar o Natal no Tabuleiro, sítio onde ela passou a infância que fica a 10km dos Varões (a casa dos meus pais). Acabou seguida pela tropa de filhos e netos. As filhas desgarradas (eu e minha irmã- Mone) também marcaram presença. Snif! Sem 'binha bãbãe' e o meu papai! Rs!...
   O caminho até os Varões é relativamente longo! Tenho que ir até Catu, a 90km de onde moro, depois pegar a estrada de barro de 20km por mais ou menos 1h. Resolvi mudar um pouco, parando na cidade para fazer uma visita ilustre à rua onde morei para rever amigas de infância e adolescência. Pessoas com as quais tive muitos dos momentos mais intensos e felizes da minha vida. Que até tenho contato por facebook, e-mail e outros meios de comunicação mas, nada é igual ao encontro. Nada substitui encostar o coração no outro na hora do abraço.
   A rua está quase igual, a casa que morei também, a casa da amiga também, a mãe das meninas igualzinha (Dona Joana), tudo quase igual! Saí do carro e gritei os apelidos como fazia há mais de 20 anos atrás, quando queria que elas fossem em minha casa. Foi massa, rs! Nos abraçamos, falamos de muitas estórias engraçadas, lembramos de nossa essência, das nossas 'artes', das viagens malucas. Precisava de uma pauta se fosse falar de tudo mesmo.. e de uns 4 dias falando sem parar. Cheguei cheia de fome, quase 2 da tarde. Comi o resto do cozido delicioso de Dona Joana. E, depois de muita conversa, ainda tive o prazer de encontrar a doidinha da rua... Gente! Até a doida está igual! Não envelheceu! Kekeu continua a mesma figura sorridente e engraçada de sempre. Ela me viu saindo da casa das meninas e gritou meu nome como fazia nos velhos tempos. Pensem na minha felicidade em ser reconhecida pela 'doida' da 'minha' rua! Rs! Alguém pode imaginar o que isso significa?? Nem eu entendo muito bem. Mas, tive a sensação de ter a minha essência de volta, minha infância, minha adolescência.
   De lá, peguei o resto da estrada até a roça, toda feliz e radiante! Aliás, pegamos! Totó estava comigo. Os cachorros lá da roça odeiam Totó com todas as suas forças. Os gatos também! Totó tem que ficar recolhido, confinado dentro de casa pra não ser detonado pelos outros bichos. Fazer o quê?? E ainda volta cheio de carrapatos. Mas, não tive escolha.
   Mesmo sem Conça e Freitas, a roça está linda, continua um paraíso. O verde, as montanhas, o gado, os sete cachorros, os gatos, os cavalos, as galinhas, o pomar entupido de frutas, o trator, a reforma do 'puxadinho'. Tava tudo lá!
   Então nos arrumamos para a noite de Natal e fomos pra casa da vovozinha, no Tabuleiro...
   Na minha opinião, a melhor coisa que poderia acontecer no Natal era faltar energia na roça! Eu e minha sobrinha ficamos no terreiro, vendo as estrelas naquele breu. Tio Antônio Macgyver fez uma pequena gambiarra, puxando uma luzinha direto do carro, só pra gente enxergar melhor a comida. De resto tivemos um jantar à luz de velas mesmo! Alguns vizinhos fizeram a oração conosco e participaram da ceia.
   A energia voltou depois da meia noite e eu nem imaginava o que mais aconteceria naquela noite... Meu primo Vinny levou seus equipamentos de música pra animar a festa. Então entendi o motivo da sua chateação pela falta de energia. Nós todos cantamos e dançamos horrores! Toda hora aparecia uma revelação musical para dar uma canja, rs! Também não faltou dançarino! Me acabei! Voltei pra casa rouca..
   Era madrugada quando chegamos nos Varões. Apenas para tirarmos o cochilo e voltarmos pra casa da vovó pro almoço... Mais festa! E o 'ponto alto' foi a mesa de 4 lugares ser ocupada por 12 pessoas. Não sei o que deu naquele povo! Deve ter sido o sentimento fraterno do Natal. E nem preciso dizer que amo essas maluquices! Pensei que aquele banco não aguentaria tantas bundas.. Mas, aguentou! E eu tive um dos Natais mais animados de todos os tempos!
   Hummm! Esse 2012 será, sem dúvida, surpreendente, como sempre foi a minha vida! Do jeito que gosto! Surpreendente!
  
  
  

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Nós 5 no Capão

    "Luciana adora inventar arte com esses meninos!" Todos da minha família dizem isso e eu não me conserto nunca, rs!
   Férias de verão... Uma viagem ao Capão seria um ótimo começo! Minhas crianças adoraram a idéia e resolvemos apimentar a festa convidando duas primas- Jamile, de 13 anos, e Shaina, de 11. As sobrinhas vibraram com o convite! Viajamos de galera!
   Ninguém conseguia conter a ansiedade até o grande dia. Na quarta-feira, resolvemos os últimos detalhes pré-viagem, deixamos totó no hotel, pegamos Shaina em casa e seguimos para Feira de Santana, onde mora a outra prima. A dormida por lá já encurtava caminho até o nosso destino na Chapada Diamantina.
   Já em Feira, lá pelas tantas da noite, as crianças resolveram pegar o biquini no carro para tomar banho de piscina. Parecia que eu estava advinhando que alguma coisa aconteceria. Inicialmente, disse que não, depois acabei liberando o tal banho de piscina. Vou contar, viu!! Não é que essas meninas fecharam o carro com a chave dentro. Putz! Pensem numa pessoa chateada e multipliquem por centos mil! No primeiro momento, já me imaginei voltando pra pegar a chave reserva em Salvador. Rs! Graça foi ligar pro ex-marido (o Xuxu), perguntando onde EU guardava as chaves reserva. E claro que ele, com a cabeça mais fria, lembrou  à jegulina aqui, que o seguro tinha serviço de chaveiro 24h. Rs! Com apenas um telefonema, o chaveiro apareceu, abriu o carro e tudo estava resolvido. Tudo bem! Isso só aconteceu pra deixar as coisas mais emocionantes antes de partirmos.
   A turma dormiu em boa parte da estrada e tagarelou sem parar na outra boa parte. Paramos em Itaberaba pra abastecer e comer alguma coisa. Na parada seguinte, subimos o Morro do Pai Inácio. As crianças, numa animação só, fotografavam tudo o que aparecia pela frente. A subida do Pai Inácio é bastante íngreme, embora tenha só um pouquinho do grau de dificuldade que se encontra pelas trilhas da Chapada. E a vista é muito linda!
   Chegamos ao Vale do Capão no começo da tarde. As crianças estavam felizes da vida e eu, mais ainda, por vê-los tão animados! A Pousada, a estrada barrenta, as montanhas imensas... tudo novidade! Então deixamos as bagagens no quarto, vestimos os trajes de banho de cachoeira, almoçamos feijão, arroz e carne. E seguimos de carro para a Cachoeira da Rodas por uma estrada bem acidentada, emocionante e muito empoeirada.
   O trecho de trilha à pé era leve, bem arborizado e cheio de pedras. As crianças, sempre muito animadas, observavam e fotografavam tudo. Os comentários eram os mais engraçados. A Cachoeira das Rodas tem um paredão de pedras bem íngreme. Precisa ter cuidado ao transitar. A água desce com mais força em alguns lugares do que em outros. Por causa da seca, característica da época, dava para caminhar em lugares onde, provavelmente, passa água. Toda hora eu dava um grito, com medo dessas crianças escorregarem. Contudo, elas transitavam pra lá e pra cá com uma habilidade surpreendente.
   Voltamos à Pousada para um banhinho gostoso e seguimos para a famosa Pizzaria Capão. Aquela que só tem dois sabores.. A de banana e a integral cheia de cenoura! Essas crianças comeram e ainda ficaram se gabando por comer pizza de cenoura. Ficava admirada com a fome da turma!
   Fazia tempo que dormira tão bem! De tão exausta da viagem de 500km, da subida do Pai Inácio, da trilha da Cachoeira das Rodas e de tudo o mais, não dormi, capotei! As crianças ficaram jogando baralho até tarde, fazendo barulho, todos no mesmo quarto.. Nem me incomodei com nada. Nada perturbou meu sono.  
   Pela manhã, as crianças, estavam animadíssimas e com um apetite absurdo. Decidimos, em comum acordo, fazer a trilha para Águas Claras acompanhados de uma guia chamada Raíssa e de dois casais.  Uma parte do percurso é feita de carro, a outra por quase 3h de trekking até um rio de águas transparentes com várias pequenas quedas d'água ao lado do Morrão. As crianças ficaram sempre perto da guia para saber todos os detalhes da região. Minha Tiloca ficou bem cansadinha com a caminhada mas, aguentou firme. Mas, valeu muito a caminhada! As crianças curtiram de uma maneira que ficava admirada, vendo a bagunça e ouvindo os gritos e risadas. Desciam e subiam pelas pedras, explorando tudo o que podiam alcançar.
   Teve um momento bem engraçado nesse sobe e desce todo. Tiloca ficou tão animada com sua liberdade de ir e vir, que atravessou um trecho do rio e não conseguiu voltar, por medo de umas aranhas que estavam quietinhas num cantinho, sem incomodar ninguém. Deu trabalho para a mocinha tomar coragem. Levou tempo, rs! Os outros três ficavam parados em cima de uma pedra, do outro lado do rio, tentando convencê-la a atravessar! A coisa durou um tempo e também fiquei parada, esperando o desenrolar da estória, até que ela respirou fundo e enfrentou o medo.
   Então voltamos naquele trekking de duas horas e 'cachorro lascou a boca'. Reboquei minha pequena por quase todo o caminho. Cheguei a carregá-la nas costas. Foi um retorno árduo! Mas, nada pior do que o dia seguinte, quando resolvemos subir a Cachoeira da Fumaça, mesmo sabendo que a seca tirara o brilho do lugar. Todos vestidos de Aventureiros do Agreste, providenciei camisas de mangas compridas e calças de Corrida de Aventura. Entupi suas respectivas caras 'de pau' de protetor solar, coloquei kit de primeiros socorros, lanterna, canivete, lanche e água em minha mochila e me transformei em guia da Chapada por um dia. 
   Muita pedra e sol quente. Uma hora só de subida pela trilha de pedras que mais parece uma escadaria. Mile e Tiago viram uma cobra logo no começo e já ficaram meio ressabiados em seguir. Tiloca sentia cansaço. Dona Shaina tagarelava sem parar nem por um segundo. (Nada faz essa menina parar de falar, meu Deus!) A água acabou na metade do percurso de ida. Tive que começar a administrar o cansaço das crianças, a falta de água, as mutucas, o sol quente. Jamile sentia falta de ar. Pior, que o rapaz que vende água no mirante da cachoeira não deu o ar da sua graça. Ou seja, voltaríamos por mais duas horas até a Vila, sem uma gota d'água...
   As crianças nem curtiram tanto o visual de tão cansadas. Curtiram mas, não curtiiiiiram! Também recusaram-se a beber aquela água ferruginosa do riachinho lá de cima. Acabei enchendo as garrafas assim mesmo e me preparei psicologicamente para as queixas durante a volta. Preferi não beber a água para sobrar pra eles. Foi um perrengue doido! Descemos administrando o cansaço, parando a cada sombra, respirando, jogando água no rosto e na cabeça, rebocando quando dava. Inventei umas brincadeiras para distrair, elas começaram a cantar e conversar. Parecia um caminho sem fim. Até eu cansei e pensei que morreria de sede umas duas vezes. Mas, no fim das contas, pensando agora, até que passou rápido. Se fosse muito fácil, nenhuma graça teria.
   Na Vila, a criançada comeu que dava gosto de ver! Demos em tempinho no quarto e fomos ao Mirante Café para comer uma torta de chocolate e ver o por do sol. Naquele dia, tinha um casal de malabares fazendo um show e cantando. Os colibris apareceram para enfeitar o ambiente. À noite, teve circo na pracinha e as crianças estavam encantadas com tanta festa. Embora a subida da Fumaça não tenha sido o melhor acontecimento do dia, não desistimos de colocar a cara na rua e vimos muita coisa legal. Foi um dia lindo!
   No outro dia, acordamos cedinho, tomamos um café da menhã bem gostoso e voltamos para casa devagarzinho. Cantando, tagarelando, gritando, fazendo mais farra ainda do que na ida e cheios de belas estórias pra contar. E isso foi só o começo das férias! Nem quero imaginar o que mais vamos inventar.. rs!

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Melhor a cada dia!

   Que bom que o tempo passa! Depois do meu aniversário, tive que parar tudo mesmo. Tinha mil planos de resolver mil coisas até o final do ano. Agora tenho mil planos de resolver o que der até o final do ano. Seria ótimo se tivesse uma secretária particular por uns 30 dias, só pra concluir as pendências que me acompanham, rs! Seria tão legal! Documentos, identidade das crianças, exames de sangue, raios x, dermatologista, tudo terceirizado. Coisas de quem tem filho, casa que precisa de manutenção, que quebra os eletrodomésticos, funcionária, cachorro que destrói o jardim e ninguém pra ajudar. Bom! Definitivamente, vida corrida não tem nada a ver comigo. Mesmo que esteja corrida, vou levando e resolvendo as coisas, como se não fosse comigo. Acho um saco viver correndo contra o tempo, fazer tudo cronometrado. Até escrevo as tarefas do dia numa agenda como uma alternativa para reduzir o estresse do "contra-relógio". No fim do dia, reprogramo o que não deu certo.
   Meus amigos me deram uma força danada quando estive impossibilitada, não posso reclamar. Mas, agora já ando e eles têm seus "quifazê". (Minha avó falava assim, rs!) Chega de exploração!
   Semana passada fui liberada pra nadar. E, diga-se de passagem, é a minha pior modalidade de todas as atividades esportivas que me atrevo a fazer. Sou péssima! Não é pouco péssima; é muito péssima! Sem habilidade. Bêbo uns três litros de água em cada aula e, muitas vezes, falta sintonia entre pernas e braços. Além de faltar fôlego, é claro! Mas, precisava mesmo fazer algo diferente. Tem sido bem divertido, admito. O treino dá o tom em tudo na vida para qualquer atividade que se faça. Basta a pessoa treinar que melhora. Bem sei disso! Há pouco mais de 5 anos, nem sabia passar marcha de biciccleta e quinhentos metros de corrida me deixavam com os bofes pra fora. Acho que melhorei daqueles dias pra cá.
   A fisioterapia continua. O tornozelo melhora a cada dia, embora esteja com limitação de movimento. Além da natação, começamos a remar. Eu e Gabi resolvemos nos inscrever na Brasilwild Maratona de Canoagem. Uma prova de 55km pelo Velho Chico. De Penélopes do Agreste. E isso é só o começo para as Penélopes em 2012. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Carrasco Cravo e Canela- Direto do Apoio

   Tarde de sexta-feira com previsão do tempo confirmada! Ilhéus não tinha "teto" para aterrissagem. O vôo da Avianca estava cancelado! Putz! Lá estávamos nós, no aeroporto, tentando decidir a melhor opção para chegar ao local da prova na sexta mesmo. Da Aventureiros, eu, Mauro, Gabi e Scavuzzi, além de Naru e Gaia da Makaíra, Diana Gomes da Gantuá e Raissa, para apoiar a Makaíra 2. Ou seja, caso não "voássemos" até Ilhéus, seria um desfalque de 3 equipes na Carrasco.
   Pegamos os carros, socamos os equipamentos e as bicicletas e partimos para mais de 6 horas de viagem até Ilheus. Meu carro com metade da turma e o de Mauro com a outra metade.
   Chegamos à Terra do Cacau quase onze na noite. Só deu tempo de instalar os equipamentos nas bicicletas para entregar à organização. Minha idéia de ir só pra dar uma força, virou uma programação de apoio. De carro em Ilhéus ficou mais fácil. Dava pra levar as caixas, arrumar a comida e chegar em todos as áreas de transição sem precisar de carona. Virei apoio em tempo integral.
   Apresentandooo! O quarteto: Ígor (tirando minha licença médica), Scavuzzi, Mauro e Gabi.
   Mesmo assim,  fiz tudo como se fosse largar junto com eles. Navegamos no mapa, marcamos distâncias, colocamos azimutes, discutimos os caminhos a percorrer. Tudo isso, regado a pizza, guaraná e gargalhadas. A gente ganha pouco (literalmente), mas se diverte horrores! Naquela noite, chorei de rir, como já fiz várias vezes com essa turma. Só nos separamos na hora de dormir, quase três da manhã para acordar às seis.
   O Hotel era mesmo bem gostoso! Café da manhã delicioso e farto, apropriado para aquela turma de famintos que só veria "comida de verdade" dali a umas 26 horas, no mínimo. A manhã tinha cara de aventura! O "cacau tava caindo" em Ilhéus! Pensem numa prova molhada e multipliquem por 200! Conforme prometido pela organização e pela previsão do tempo. 
   O pórtico da largada ficava a uns 300m do hotel. Fiquei na maior adrenalina, parecendo que ia correr também, embora soubesse que a hora do desgrude era aquela. Então fui pegar água de côco, que a barraca de praia estava servindo como cortesia (Muito chique!), e levei para a equipe. E senti muito por não ter conseguido correr para abraçá-los antes da largada, por causa do tornozelo machucado. Meu grito não fez diferença em meio àquele barulho todo. Tava chovendo muito! Saíram correndo pela praia e nosso próximo encontro era no PC3, onde pegariam os remos e as mochilas
   Pouco tempo depois que cheguei nessa área, as primeiras equipes já apareciam, fazendo a transição e indo embora. Fiquei impressionada com a rapidez do pelotão da frente! Como conheço bem minha turma, sabia que eles demorariam um pouco e, confesso, isso não me causou impaciência, nem angústia. A demora nem foi tanta assim. Outra coisa que não fiz, foi procurar saber a posição deles. Quem tá na "rabada" não gosta que ninguém fique passando na cara. Experiência própria, rs! Dei uma ajuda e os vi partir sem demora para o trecho de remo no mar. Nem sei o quanto eles estavam confiantes mas, eu estava o bastante por todos eles. Conheço cada um com a palma da mão e sei do que são capazes.
   No caminho para a AT (Área de Transição) seguinte, Glaucia (Apoio da Papaventuras), Raissa (Apoio da Makaíra 2) e Marcus (Apoio da dupla de Clóvis) e eu passamos em alguns lugares para comprar pão, queijo, água e gelo. Quando vi aqueles frangos de "televisão de cachorro" num mercadinho, lembrei do quanto é delicioso comer "comida de verdade" no encontro com o apoio. Todos aderiram ao meu apelo do frango assado e compraram para suas equipes também.
   A segunda área de transição, PC6, foi num vilarejo ribeirinho de casinhas pequenas, pracinha com banquinhos de cimento e música muito alta de gosto bastante duvidoso. Os atletas apareciam de uma trilha do outro lado do rio e atravessavam nadando até o píer de onde podíamos vê-los chegar. Organizei comida e água, enquanto esperava as bicicletas chegarem no caminhão. A chuva vinha e voltava, sem se decidir. Gal até tentou montar uma estrutura de apoio mais "profissional", colocando as coisas numa lona bonita ao ar livre mas, a chuva vinha e esculhambava tudo. Não deu certo de jeito nenhum!
   Tava gostoso ver as equipes chegando na briga pela liderança. As transições eram tão rápidas que nem parecia que eles comiam alguma coisa antes de sair. De vez em quando, ia até o píer pra ver se minha equipe dava o ar da graça. Nada de Aventureiros do Agreste! Mas acabava vendo outros amigos chegando, sempre fazendo a maior festa. Tiloca, outra grande amiga, fotografava cada mergulho da galera, sem perder nenhum detalhe.
   Finalmente, reconheci aquela pessoa com pernas de garça, saindo da trilha do outro lado do rio, preparando-se para a travessia. Confirmei que eram eles, quando todos afastaram-se mais do ponto de chegada para vencer a correnteza e cair no lugar certo. Isso é coisa de aventureiro experiente! Sem falar da inconfundível camisa rosa-penélope de Gabi! Uuui! Dei um pulo de alegria, seguido de um grito de dor. Esqueci do tornozelo machucado, rs!
   Chegaram, comeram, beberam, uns trocaram meias, outros colocaram as sapatilhas. O frango assado fez o maior sucesso, inclusive com o cachorro, que levou quase tudo na boca, enquanto estávamos entretidos nas arrumações. Não teve quem não risse da situação! Fiquei com cara de bocó, vendo o meu almoço indo embora. Planejava comer o que sobrasse quando liberasse meus atletas. Tudo bem! Nem tava com tanta fome mesmo! Acabei distribuindo as coxas que restaram para os outros cachorros que estavam por ali, morrendo de inveja. Não gosto de coxas de frango com baba de cachorro!
   "Pronto gente! Chega de conversa que tá na hora de ir embora!" Era assim que me despedia deles. Êta pessoalzinho folgado! Nem perguntava muita coisa da prova pra não aumentar conversa. Era um tal de pedir coisas, que não sei não! Na verdade, eles são tranquilos demais mesmo! A barulhenta e agoniada da equipe sou eu.
   Meus companheiros de comboio só esperavam por mim para seguirmos até a Lagoa Encantada, uma área de proteção ambiental cercada de Mata Atlântica, cheia de encanto mesmo, entre Ilhéus e Itacaré. A estrada de barro até lá é que não tinha nenhum encantamento, exceto para quem apareceu de carro 4x4. Com um Spacefox, cheguei a boiar numa poça d'água e nem sei se foi Zé (meu anjo da guarda) ou se foi Jesus mesmo quem resolveu intervir diretamente. O carro fez 'glub glub glub', diminuiu a velocidade e ensaiou ficar por ali mesmo. Pisei fundo no acelerador e nem sei como me salvei daquele riacho fundo. Além disso, as ladeiras eram impressionantemente íngremes, escorregadias e longas! Ficava imaginando como seria a volta naquela chuva.
   Não fosse pela música, a Lagoa Encantada realmente seria um paraíso. Linda! Linda! Linda! Linda de viver! Mas, gente, que som alto! Num bar tocava arrocha e no outro pagode. Muuuuito alto! Acho que chegamos pela hora do almoço do sábado e saímos ao amanhecer do domingo. O som deve ter parado umas 4 na manhã. Minha cabeça tava doendo, batucando, pulsando.
   Pra compensar o frango perdido, providenciamos logo uma moqueca de peixe com camarão que serviu a 3 pessoas, e para mais umas 3 que chegaram famintas.
   Depois começamos a organizar as coisas para a turma que chegaria em algumas horas! A chuva vinha, parava, vinha, parava. Nem arrisquei colocar nada do lado de fora. Ficou tudo arrumado dentro do carro mesmo. Os meninos chegariam de bicicleta, sairiam remando para o outro lado da Lagoa, onde alternariam modalidades de canoagem com trekking, voltando pro lugar onde estávamos. Ou seja, eram duas áreas de transição no mesmo lugar.
   A Aventureiros chegou na primeira vez (PC10) ainda de dia. As bicicletas estavam abarrotadas de lama. Soube que o trecho foi bastante travado e tiveram que empurrar bike muitas vezes. Comeram churrasquinho, repuseram a água e saíram para remar. Eu só faltava empurrá-los dentro do barco e dar impulso pra esse povo parar de conversar e levantar do chão.
   Como ali também era o PC16, ficamos por mais de 12 horas no mesmo lugar, esperando. O PC do rappel na cachoeira foi cancelado porque a chuva deixou as pedras escorregadias, ficando perigoso além da conta. Soubemos que percorrer os PCs até voltar para o 16 não estava nada fácil. Muitas equipes se perderam pela mata e já tínhamos notícias de desistentes.
   Aproveitei a "gentileza" de alguns moradores e paguei a faxina em todas as bikes. Infelizmente, não tive condições físicas de carregá-las e lavá-las. Então dei as coordenadas prévias, os rapazes seguiram direitinho e só precisei lubrificar a corrente no final.
   Ok! Devo ter dormido, no máximo 1 hora por todo esse tempo que estive por lá. Tomamos café com leite na lanchonete de Sr. Jairo e ficamos todos batendo papo pela madrugada afora. Minha equipe voltou quatro e tanta na madruga, quando tinha pregado os olhos pela primeira vez. Bateram no vidro do carro. Tava chovendo horrores e acabei fazendo a transição debaixo de chuva mesmo pra adiantar, com uma capa de chuva que Glaucia havia me emprestado. Ali, tive a curiosidade de saber a posição deles: 5º lugar.
   Mesmo prontos, queriam esperar o dia amanhecer para sair. Só que não deixei porque o ponto mais difícil de navegação era longe de onde estávamos. Então eles poderiam embarcar, seguir o azimute e chegariam à parte complicada, na entrada do rio com o dia claro, ganhando tempo em relação a quem viesse atrás. Nem preciso dizer que expulsei aqueles meninos de lá! Pô! Ficar parado esperando o dia amanhecer! Rs! Nada disso!
   Naquela hora, a chuva deu uma trégua... Subimos a ladeira em comboio para o PC20, na estrada entre Ilhéus e Uruçuca. O PC ficava numa fazenda de cacau, onde tive a cara de concreto de pedir pra tomar banho. Foi o banho de balde dos mais valiosos que já tomei. E olhe que estou super acostumada a tomar banho de fonte, de balde, essas coisas. Até lavei meus cabelos e sentei na mesa dos donos da casa para um cafezinho, só pra variar minha vida de artista. Não tem jeito, sempre acabo tomando um cafezinho e conversando muito, rs!
   Engraçado que a chuva brincava com o pessoal da fazenda. O sol aparecia, eles abriam o teto pra pisar no cacau. Não dava 10 minutos, vinha uma chuva danada e eles fechavam o teto. E isso se repetiu umas 4 vezes, rs! Quando estava me divertindo com a rotina da fazenda, meus amigos apareceram correndo pelo asfalto, pegaram o PC20 e vieram pegar as bikes na fazenda.
   Dali, era só bike até a chegada em Ilhéus, na Igreja Matriz. Lindos, maravilhosos, sujos e felizes! Chorei de felicidade ao ver a minha equipe no pórtico de chegada em 5º lugar. Orgulhosa deles e feliz por estar ali, compartilhando a felicidade da chegada. Mais ainda, por ter acompanhado tudo e contribuído para que as coisas ficassem mais confortáveis para eles. Se é que alguma coisa fica confortável em Corrida de Aventura.
   Queria mesmo era correr. Perder a Carrasco pra mim é como perder uma festa de arromba. Daquelas que só acontecem uma vez ao ano e todo mundo quer marcar presença. A organização mais uma vez se dedicou efetivamente para fazer uma prova carrasca, sofrida, dolorida, com leves toques de perversidade. Daquelas provas em que todas as gerações do organizador são xingadas pelos atletas e ele ainda fica muito contente com isso. Na próxima, com certeza, estarei lá, na festa, sofrendo!
   Parabéns, meus atletas preferidos! Tenho muito orgulho do meu sobrenome Agreste!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

As Férias de Zé...

   Humm.. Quem sabe a minha pausa de licença médica não tenha sido provocada por Zé, o meu anjo da guarda. Cansado de tantas aventuras, resolveu tirar férias de mim. Trinta dias, certinho, hoje! Imagino ele dizendo: "Meu Deus! Alguém precisa parar essa mulher!"
   Bom! Depois que decidi ir para a Carrasco para ajudar meus atletas preferidos da Aventureiros do Agreste, confesso que facilitei bastante a vida de todos eles. Amo cuidar desses meninos e meninas! Adoro ser "mãezona" deles! Providenciei o kit de primeiros socorros, dei pitaco na alimentação, arrumei os equipamentos que faltavam, levei os remos ali, peguei os óculos aqui. Na bagagem, além das minhas coisas, tem um par de meias sequinhas para aquele mais precisado e uma muda de roupa para Gabi. Ou seja, tem uma bagagem extra com aquelas coisas que alguém pode esquecer de levar.
   Estarei sem carro. Impossível fazer apoio integral e posso ter limitações de mobilidade durante algum trecho da prova. Mesmo assim, pretendo pegar carona com os amigos que estiverem por lá e estar presente em todas as transições. Sou assim mesmo! Me envolvo até o pescoço. 
   Desculpe Zé! O médico já me liberou para andar, me apresentei ao RH e suas férias acabaram. Pode chamar seus amigos para mais uma aventura no mato, porque mesmo que eu não esteja correndo na equipe, estaremos (eu e Você) junto com eles dia e noite, até a Carrasco acabar. Sinta-se convocado! Não posso perder essa festa!
   Atenção Senhoras e Senhores! As férias de Zé acabaram! Vamos para a Carrasco Cravo e Canela!

domingo, 20 de novembro de 2011

Carrasco Cravo e Canela

   Os atletas de Corrida de Aventura preparam-se para a última Etapa do Campeonato Baiano- A Carrasco, uma das mais duras do Brasil. Serão 150km de adrenalina pelas terras da Gabriela. Mas, não é a nossa Gabi não! É a Gabriela do Jorge Amado. A prova será de 25 a 27 de novembro em Ilhéus, a terra do Cacau e da Gabriela.
   Pra variar, sinto aquele gostinho de quem vai perder uma festa de arromba. A Carrasco está em sua oitava edição. Foi uma prova que marcou profundamente minha iniciação no esporte. Numa hora dessas, vou parar para escrever o que me aconteceu naquela prova de Santa Terezinha. Lembro de tudo! Principalmente, do sacrifício de subir e descer as escadas da minha casa depois da prova, rs! Até a minha alma doía.
   Serão 68km de mountain bike divididos em duas pernas. O trekking de 40km vai ser dividido em 3 pernas (é assim que se chama cada pedaço da prova). Já a canoagem será feita em rios, lagos e mar por deliciosos 34km. E não acaba por aí não! Tem um trekking de 8km na praia, cujo nome é costeira, além dos 2km de natação e da atividade de técnicas verticais num desnível de 60m.
   A organização avisa:
   "O levantamento do percurso da Carrasco foi  feito sob boas condições climáticas, clima agradável, com sol e pouca chuva. A conferência da prova está sendo feita nos horários prováveis da competição o que revela o tamanho do desafio que aguardam os homens e as mulheres que resolveram encarar o Carrasco. Chuva, frio, escuridão, Mata Atlântica, umidade, calor, sol, praia, rios e lagos.
   O percurso pode sofrer alguma alteração após a sua conferência."
   Além da categoria mais tradicional- o quarteto-, tem a categoria dupla com dois percursos diferentes: um de 150km, e outro menor, de 74km, para quem quiser enfrentar uma aventura mais compacta.
   Como minhas passagens estavam compradas mesmo, decidi viajar com a equipe. Na verdade, estava em dúvida, rs, mas rolou uma pressão emocional fortíssima para que eu fosse. E, não vou mentir, que fico lisonjeada por ter um papel importante dentro do grupo. Ficar de fora estava me deixando meio deprimida. Tentarei ajudá-los no que for possível nos preparativos antes da largada e durante a prova. Quero fazer uma transmissão dos acontecimentos enquanto estiver lá e se houver sinal de internet.
   Para saber mais sobre a prova acesse: 

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O RECOMEÇO!

   A vida nos prega ótimas peças! Tentei fazer umas reflexões sobre minha vida antes do meu aniversário e tomar algumas iniciativas de mudança. Achava que fazer 40 anos era tão mágico, maduro e diferente que algo mudaria radicalmente. No grande dia, uma grande amiga perguntou como me sentia. Respondi que nada de diferente estava acontecendo.
   Naquele dia, abasteci a casa com comida para mais de uma semana. Parecia um preparo para a pausa reflexiva! Pulava numa cama elástica com meus queridos amigos, no auge da felicidade. Lembro que cheguei a me bater com Mauro num daqueles pulos. Senti uma dor de cabeça repentina que me fez pensar em sair. Acho que fui avisada mas, não dei atenção ao sinal. Dois minutos depois, lá estava eu, jogada na cama elástica de tornozelo luxado. Um acontecimento, que parece bobo, me deixou de muletas por muitos dias. A felicidade distrai a gente.
   Treino, só em janeiro. "Repouso, paciência e gelo" foram as recomendações médicas para a cura. A cortical óssea avantajada, devido às provas de Corrida de Aventura, evitou que quebrasse a perna. Sorte a minha! Viva a Corrida de Aventura! 
  O primeiro desafio foi colocar o pé no chão, depois vieram os passinhos logo após cada sessão de fisioterapia. E cada dia era um tantinho melhor do que o outro. A muletas me seguravam nos meus pequenos passos, na minha suave evolução. O humor foi se aquietando, meu coração também. Qualquer evolução era comemorada com um grito, um viva ou uma dança das muletas, rs! 
   Também comemorava a maturidade dos meus filhos e a dedicação da minha querida funcionária. Vibrava com cada atitude deles! Os cafés na cama, os transportes das muletas enquanto descia as escadas, o abrir da porta do carro para eu entrar, o lanche da tarde, o cachorro levado para fora todas as noites, as portas que foram fechadas antes de dormir, o copo d'água. E ainda comemoro porque não acabou. 
   Meus amigos foram extremamente solicitos. Além das inúmeras mensagens e telefonemas, teve os que me levaram ao médico, à pizzaria, ao trabalho, ao banco, à fisioterapia.. (Os táxis também, é claro!) Não sei se algum dia vou ter oportunidade de retribuir tamanha dedicação e lealdade. Tenho a impressão de que OBRIGADA é pouquíssimo! Mas, vou fazer um juramento.. "Prometo abraçá-los e beijá-los todas as vezes que nos encontrarmos e ser uma amiga carinhosa e leal pelo resto da minha vida... até que a morte nos separe."
   A fisioterapia virou um divã para todos os participantes, incluindo os outros pacientes. Lorena é uma criatura  ímpar e esse encontro também não foi por acaso. O que eu tenho rido e conversado nas minhas sessões de fisioterapia "não está no gibi"! É praticamente uma sessão de cura interior.. Um viva ao tornozelo luxado!
   Hoje, dezesseis dias depois, ainda tenho um edema bem localizado. Andei sem muletas pelo quarto, desci as escadas devagar e chorei de emoção quando pisei no chão da sala. Liguei para Lorena, pedindo permissão para ficar sem muletas. Ela foi mais ousada do que eu, me permitindo dirigir pequenos trechos, com recomendações de atenção e que deixasse as muletas dentro do carro para qualquer necessidade. Mas, o dia terminou sem que precisasse delas. Andando como uma velhinha; devagar e sempre. Mas, evoluindo.
   Embora sempre ache que aprendo muito com qualquer sofrimento, o meu dia de hoje foi o "clarear das vistas". A pausa está me proporcionando a verdadeira reflexão dos 40 anos. Aquela que comentei lá em cima e que nunca faria se não tivesse realmente parado. Possivelmente, estaria na minha vida de afazeres de sempre, sem prestar tanta atenção em mim e nem nos meus sentimentos. Muitos afazeres nos deixa desatentos também!
   Entendi que zerei a quilometragem para iniciar um novo ciclo, uma nova caminhada e isso ficará marcado para todo o sempre!
   Agora estou aqui, planejando o feriadão com cinema, pipoquinha, guaraná, pá, pá, pá! Pausa para tomar um café e descansar as pernocas. Se o sol der o ar da graça, arrisco uma chegadinha na praia, com direito a sombra e água de côco. Com as pernas para cima, por favor! E a passos de tartaruga. Mas, tá valendo!
   Amigos! Perdoem se parecer desfeita! Mas, de todos os presentes que recebi de aniversário, sem sombra de dúvidas, esse foi o meu melhor: O recomeço...

sábado, 5 de novembro de 2011

"O sofrimento é passageiro, desistir é para sempre!"

   Conheci essa frase em Corrida de Aventura.. Tá valendo agora!
   Já dá pra apostar uma corrida com a minha Vó Sinhá, de 97 anos. Correndo o risco dela ganhar, é claro! Nada que mais uns dias de treino não resolvam. A fase aguda está passando.. Sabe aquele passinho "um na frente do outro", bem devagarinho?! Tô reaprendendo a andar, fazendo reabilitação de tornozelo com fisioterapia. Cama elástica é, praticamente, um brinquedo assassino! Corrida de Aventura é muito mais seguro, rs!
   Resolver minhas dores com medicação natural e homeopatia foi uma escolha muito feliz! Até floral está rolando pra ver se fico menos elétrica e controlo a vontade de sair correndo. Na verdade, nem sei se estou tranquila mesmo ou o floral está funcionando. Não há muita opção mesmo. Cada dia é melhor do que o outro, embora tenha tido noites terríveis no começo. O caminho, sem dúvida, é de paz!
   As sessões de fisioterapia parecem milagrosas. Será que aquela Lorena, fisioterapêuta, é uma bruxa?! Não.. não! Uma fada! Será que ela tem poderes?? Sempre termino as consultas muito animada.
   A pausa está bastante reflexiva (Como se eu já não fosse reflexiva..). Tá sobrando tempo para ouvir música, estudar inglês, estudar a minha disciplina preferida- a Endodontia-, ver filmes, organizar a vida das crianças, relaxar. Os treinos foram substituídos por aulas de alongamento e relaxamento. Devo começar a remar assim que estiver andando, já que não posso fazer nada que force meu tornozelo até o final do ano.
   Olha! Táxis são ótimos meios de transportes, além de pontuais! A portaria do meu condomínio é um ótimo lugar para deixar documentos. Pelo telefone, quase tudo se resolve. Meus filhos são ainda mais capazes do que eu pensava. Minha funcionária é muito sabida, além de dedicada. E meus amigos são muito leais! Massa!
   Enquanto isso, na sala de justiça.., está rolando o Mundial de Corrida de Aventura lá na Tasmânia. A única Equipe brasileira é a Oskalunga. O quarteto levou a vaga quando venceu o Ecomotion de abril. Aquela prova de 600km que corri com a Aventureiros do Agreste! Foi uma classificatória para o Mundial. Agora eles estão lá, correndo 730km, entre os melhores do mundo, entre os 20 primeiros (de 80 equipes), mandando muito bem. E toda a comunidade aventureira está online, acompanhando essa galera pelo Spot, que localiza a equipe via satélite em 3 tipos de mapa diferentes! O negócio é tão interessante que só indo lá para pra conferir todos os artifícios.

http://www.trackmelive.com.au/xpd2011/Course.aspx

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Um dia daqueles!

   Espero que tenha sido o meu pior dia no meio dessas intercorrências! Gabi se despencou cedo da Pituba para me pegar em Lauro de Freitas e me deixar no Hospital em Pau da Lima. Alguém tem idéia da viagem?? ... Amigos são pra todas as horas mesmo! 
   A simpática recepcionista adiantou-se dizendo para eu não reparar na demora. Esclareci que não estava preocupada pois, precisava daquela consulta do super médico do esporte. Era um Ortopedista de confiança indicado por outra querida amiga, Caíssa.
   Aquela enchente de gente na sala de espera me assustou um pouco. Gabi ficou comigo o tempo que deu, foi embora depois das 10h. Sozinha, me acomodei num cantinho e comecei a contar as pessoas. Eram 42 sentados, mais um punhado de gente em cadeiras de rodas e muletas pra todo lado... para diversos médicos.
   É muito mais fácil fazer uma corrida de 600km do que ficar de muletas pra cima e pra baixo. Preferi nem sair pra comer. Corria o risco de ser chamada. Meu deslocamento de tartaruga complicaria qualquer coisa, rs! Pude ter uma noção, mesmo que pequena, de como um deficiente sofre! Aliás, finalmente, experimentei a fundamental importância daquelas barras de apoio nos sanitários para deficientes. O que seria de mim se elas não estivessem ali para eu não me sapecar toda naquele banheiro sujo. Nem queiram imaginar o desconsertante malabarismo para se fazer um simples e básico xixi. E o banheiro estava muito sujo mesmo! Meio vergonhoso para um Hospital daquele porte.
  Naquela espera interminável de mais de 3 horas, via gente entrando e saindo em cadeiras de rodas e de muletas. E de macas também! À propósito, não sei se é uma boa idéia que o trânsito de pacientes com macas seja feito pela recepção de um ambulatório. Deprime os pacientes que esperam. O choque maior veio quando entrou um menino sem pernas de uns 16 anos numa cadeira de rodas, empurrado pela mãe. Ele me olhava meio de lado, como se não quisesse a retribuição do olhar. Preferi desviar o olhar.. Aquilo me doeu o coração profundamente e não tenho dúvidas de que precisava muito estar ali naquele momento para sentir aquela dor emocional. Pensei em mim, nos meus filhos, em minha família.
   Na recepção, só sobramos eu e uma sorridente e traiçoeira senhora. RS! Desculpem pelo 'traiçoeira' mas, ela invadiu o consultório do médico na minha vez. Podia andar livremente, eu não! Quando minha senha apareceu no visor, saiu muito rápido. Só entendi a correria quando cheguei à porta do consultório e lá estava a criatura sorrindo pra mim. Procurei disfarçar a minha indignação porque o médico gentilmente a pôs no corredor, sentadinha, aguardando a seu momento. Sem comentários!
   No fim das contas, está confirmado que ficarei de molho por dois meses. Vou precisar de fisioterapia para tomar coragem de colocar o meu pezinho no chão. Talvez consiga andar daqui a duas semanas, três, não sei. O médico só disse que eu esquecesse qualquer corrida e tivesse paciência.
   Resolvi ir até a junta médica para terminar o dia com chave de ouro. Aproveitei que o motorista da minha querida ex-sogra estava levando Tiago ao dentista e passaria por ali. Aliás, o cara virou meu motorista por um dia. Resolvi um monte de coisas. Mas, a junta médica estava com o sistema fora do ar. Bom.. não entendi muito bem porque um médico não pode fazer uma consulta devido ao sistema fora do ar mas, tudo bem! Vejam o que a tecnologia tem feito! Nesse caso, atrapalhou.
   Ao final do dia, em casa! Fui almoçar e jantar.. Cansadona, com uma dor de cabeça danada e o pé mais inchado do que todos os dias mas, refletindo sobre tudo o que me aconteceu. Planejando como vou administrar a minha vida sem poder andar com as minhas próprias pernas. Sem dúvida serão dois meses de grande aprendizado e só tenho a agradecer pelos amigos que tenho, pela família (a de Xuxu também!), pelos filhos, pela minha funcionária (a Neusinha, lembram!?) e pela Providência Divina.

   Boa Sorte Luciana!
Eu e Taty no pedal da Cachoeira do Urubu. Ótima lembrança!

domingo, 30 de outubro de 2011

Que treino que nada!!

   Aí Deus disse:
   - Minha filha, você está fazendo 40 anos. Já pintou o sete nesses anos todos! Você não para quieta! Capoeira, teatro, natação, dança, corrida, remo, rappel, mountain bike... Tá na hora de dar uma pausa de alguns dias pra relaxar, repensar, recapitular e recomeçar. Já mandei recado várias vezes, dizendo para você descansar um pouco. Mandei uma gripe de 10 dias, mandei aviso pelos seus amigos, pelos seus filhos.. sua mãe também deu o recado. Mas, você continua trabalhando, inventando coisa pra fazer, treinando.. e não pára. Agora vai ter que descansar um pouco!
   Muitas vezes, os amigos questionaram minha vida de corredora.. Dias antes do meu aniversário, estava no auge dessas reflexões. Aquelas reflexões de mudança de primavera.. Das mais importantes, diga-se de passagem! E as justificativas que eles encontram para minha dedicação ao esporte são bem interessantes! É claro que tem muitos que admiram, e só. Alguns dizem que faço para fugir dos problemas, outros dizem que quero me aparecer e ainda há os mais pessimistas que afirmam que vou envelhecer mais cedo do que qualquer pessoa. Pô bicho! Acho a maior graça de quem acha que não fazer nada é que é normal, fazer muita farra é que é normal. Embora também saiba que qualquer coisa em excesso sai do padrão de normalidade e esse negócio de ser equilibrado é um troço pra lá de complicado, meu lado reflexivo fica ligado.
   Sim! Já corri para esquecer meus problemas! Tem coisa mais saudável do que fugir dos problemas dando uma corridinha de 10km?? Não, de 15km.. Já treinei por um monte de motivos! E demoro horrores para achar uma explicação exata para tudo o que faço. Possivelmente, fazer análise tornaria tudo isso mais rápido. Mas, não tem dinheiro que pague a companhia dos amigos, o contato com a natureza, a adrenalina de uma boa trilha, o cheiro da terra, a lama na cara, o espírito de equipe, o pensar no outro, o cuidar do outro. São tantos os ganhos, que as perdas viram meros detalhes. Todo mundo vai ficar velho.. não adianta não! Além de tudo, simplismente, amo contar estórias! Adoro escrever as maluquices que faço, e as que penso também! Imagino que estimulo alguém a se mexer, a tomar atitudes, a mudar seus padrões.
   Adoro fazer aniversário e nem sabia porque aquele dia não estava tão interessante para mim. Achava que era uma crise dos 40 anos quando, na verdade, nem estava me incomodando com a idade que fazia. Se eu não fizesse 40, teria morrido. Dá pra entender isso? Mas, acredito que tive vários sinais para não entrar naquela cama elástica.
   Já pensei, nesses dias de repouso, que enlouqueceria de tédio. Por que cargas d'água isso aconteceu comigo?? Tá um 'saco'! Tenho feito o possível pra manter o bom humor. Tadinhos dos meus filhotes! São uns amores! Amores mesmo! Fazem de tudo para ajudar. Sei que isso faz parte da minha condição de provisoriamente impossibilitada de resolver minhas coisas. E eles são só crianças que se esforçam e dão o máximo de si.. Tenho que dar graças a Deus! Se eu não tivesse filhos, meu bicho de estimação não conseguiria fazer nada por mim. Os amigos não podem se mudar pra minha casa e nem ninguém da minha família, embora estejam todos se empenhando no que podem.
   Isso é bom! Do que é mesmo que estou reclamando?! Todos os dias tenho visitas dos meus amigos queridos, já fui comer pizza de muletas, fui ver a peça de teatro da minha filha, trabalhei um dia no consultório e estou aproveitando para estudar e ouvir muita música. A turma compra medicamentos pra mim, traz o pão pra gente tomar café, liga. Até dança das muletas já inventei! Meus braços estão ficando malhados com as descidas e subidas das escadas. Ou seja, estou fazendo bom proveito desse momento que parece difícil. Sei que tem gente em situações muito piores e não posso reclamar de jeito nenhum. Basta usar a criatividade e ter senso de humor que o tempo passa mais depressa. A palavra chave do momento é PACIÊNCIA. É isso! PACIÊNCIA!
   Então, lembrei de uma frase que li um dia desses que dizia assim: "Recuar?? Só se for para dar impulso!"
   Paciência Luluzinha!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Penélope Quarentona

   A idéia não foi de Mauro! Dessa vez, ele não teve nada a ver com isso!
   Queria comemorar meus quarenta anos em grande estilo! De preferência, sentindo-me jovem (Detalhe: sinto-me jovem!). Seriam duas farras. A primeira com bolo, brigadeiro e pãozinho para o dia 25 de outubro não passar 'batido'. A outra seria o "grande baile", o "regabofe" da roça, com direito a dormida, pedalada e caruru. Como aconteceu no ano passado, reunindo amigos de várias fases da minha vida.
   A idéia 'brilhante' foi minha! Aluguei uma cama elástica para a brincadeira do dia 25 ficar mais emocionante. No fim das contas, poucos amigos estavam disponíveis em plena terça-feira, pois fui avisando em cima da hora mesmo. Quem ligava pra dar os parabéns, era convidado para comparecer à noite.
   As crianças estavam numa farra só! Mariana, filha da minha amiga Ytana, só queria entrar comigo na cama elástica, rs! Eu era uma palhaça na cama elástica! Jogava as pernas pro ar, pulava alto, ria, gritava... Uma verdadeira farra!
   Depois de um brinde, no meio da bricadeira, convidei mais adultos pra pular comigo. Só Mauro e Fred se animaram. Mauro é enorme e cada salto seu fazia a gente voar. Num desses movimentos, torci o tornozelo e não deu para levantar. Nem consegui sair da cama elástica sem ajuda. Fiquei paralisada de dor. O pé começou a inchar de imediato..
   Que situação! Já fiz tanta coisa doida nessa vida! Subi em morro de mais de 2000m de altitude, escalei pedras vendo a cachoeira descendo ao meu lado, pedalei 300mil vezes à noite, atravessei rios de madrugada, nadei em lagos congelantes, perdi noites dentro de mangue sem achar o caminho pra ir embora. Tenho 3 provas de mais de 500km nas costas, todas feitas em cinco dias, dormindo no chão, no meio da estrada, em praças, tomando banho em rio pra tirar metade do "budum". Foram incontáveis riscos iminentes e, chego numa inocente cama elástica, me machuco. Qualquer um pode imaginar o tamanho da minha angústia! Como cuidaria da minha vida e dos meus filhos?!
   Continuando a estória..
   As crianças ficaram muito preocupadas, inclusive e, principalmente, as minhas. Elas me olhavam com aquela cara de 'E agora? O que será de nós sem a mamãe para dar conta de tudo!?'. Tentei não chorar mas, não deu não! A dor me fez até sentir enjoo. Em algum momento, tive vontade de dormir para ver se a coisa ficava mais amena.
   No momento complicado ficou todo mundo meio embaratinado. A dúvida estava entre ir logo à emergência ortopédica ou colocar gelo pra resolver no dia seguinte. Mauroba Magaiver do Agreste encontrou um papelão para improvisar uma tala. Improviso é com ele mesmo! Gabi, Ytana e Catarina ficaram no apoio moral. Lucy e Tiago foram à farmácia comprar o antiinflamatório.
   Enquanto trocavam minha compressa de gelo e recolocavam a tala de papelão, ligamos para o especialista em torcer tornozelo.. Scavuzzi! Ele já torceu tanto o tornozelo que sabe todos os procedimentos, incluindo o que o médico vai fazer e receitar. Pelo telefone mesmo, esclareceu que a lição disso tudo era que eu estava muito velha para ficar pulando em cama elástica. De um senso de humor perfeito o meu amigo!
   As crianças presentes só queriam ir embora do aniversário da Tia Lulu depois dos parabéns! Improvisamos o bolo num banquinho ao lado do sofá pra eu poder apagar as velinhas, já que não conseguia levantar. Os poucos convidados ajudaram meus filhos a arrumar a casa e guardar as coisas de geladeira. Mauro me carregou de 'macaquinho' até meu quarto, todos vieram me abraçar e se foram. Minhas crianças terminaram de fechar a casa, pegaram seus colchões e vieram para o meu quarto. Tiveram medo de dormir comigo e me machucar mais mas, ficaram ali pertinho em seus colchões.
   Antes de adormecer, tentei planejar o dia seguinte. Precisava desmarcar os pacientes, arrumar um jeito de ir ao hospital para saber se foi grave, tinha uns filmes pra devolver.. Mas, como resolver tudo sem poder andar, muito menos dirigir? E sabem o que a pessoa faz quando não sabe o que fazer?? Acertou! Nada! Então fui dormir..
   Acordei com meu filhote se arrumando pra ir à escola em meio àquela chuva do começo da manhã. Não pude descer para arrumar seu café da manhã, nem levá-lo à escola. Mais tarde, às 8 em ponto, meu amigo Mauroba ligou para saber o que estava pensando em fazer.. Na verdade, já acordei sabendo o que faria! Só não sabia como! Então posso dizer que meu anjo da guarda (o Zé, lembram?!) avisou aos meus amigos que precisava de ajuda. Bom! Mauro organizou tudo! Ligou para Marcelo, contando o ocorrido, que já me ligou combinando a hora que me pegaria para ir ao Ortopedista.. Pôxa! Eu tenho tanta sorte que qualquer apuro parece só coisa da minha cabeça. A Providência Divina resolve tudo!
   Voltei pra casa com o pé engessado, e assim será por 8 longos e perpétuos dias! As pendências de hoje estão OK. As crianças estão me dando uma força danada! Neusinha tomou o maior susto quando me viu detonada. Amanhã devo alugar umas muletas para dar uma passadinha no Consultório com uma carona que consegui. Além do mais, vou a um esperadíssimo evento da escola da filhota no sábado, capengando mesmo. Não posso perder a peça de teatro da pessoa! Fora isso, estarei de molho mesmo. Quietinha.. O aniversário com pedal do fim de semana foi cancelado. Esqueçamos essa parte, por enquanto. Tem a Carrasco no fim de novembro.. Vamos parar com essa conversa pra eu não chorar! Esperemos tirar o gesso pra ver como estarei.
   Agora, com a cabeça fria e a perna pra cima, estou aqui a avaliar todas as lições que posso tirar de tudo o que aconteceu em pleno festejo de 40 anos. Esperei 40 anos para comemorar e acontece uma coisa dessas!.. Paciência! Não posso ser tudo, nem fazer tudo! Não sou super! Poderia ter sido pior! E tenho pessoas maravilhosas por perto com as quais posso contar a qualquer hora! Que bom que estou aqui, nessa caminhada, nesses encontros felizes! Quarentona! Esperando calmamente a semana passar, vivendo um dia após o outro, uma pendência depois da outra, pacientemente. Quero ficar boa logo! Colocar o pé no chão e comemorar a minha saúde! Correr, pedalar, remar, pular! Blá, blá, blá!
   "Feliz aniversário Luluzinha! Viva a sua vontade de se mexer!!" Talvez a lição seja bem essa.. Será??

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Encontros e Reencontros

   Ótimo  fazer coisas diferentes! Dá uma sensação de versatilidade, de independência. Se sua vida está parecendo parada (Fale sério, nunca está parada!), mude de ares! Faça coisas diferentes com pessoas diferentes. Pode ser com namorado(a), companheiro(a), amigos novos ou antigos mas, mude alguma coisa. Chacoalhe sua vida como se pegasse alguém pelos pelos ombros e sacodisse forte até balançar a cabeça!
   Pensando nisso, fui à Feira de Santana para o Jubileu de Prata da minha Faculdade, que acabou caindo num dia antes do meu aniversário de 18 anos de formada. Ótima pedida!
   Como uma Penélope que sou, a primeira preocupação foi a roupa que usaria numa festa onde encontraria meus ex-colegas de faculdade e grandes amigos que não via havia anos. Você acaba querendo causar uma boa impressão. Há algum jeito de não ter dúvida?? Alguém por aí não gosta de causar uma boa impressão? Acho que não! Faz parte da natureza feminina perguntar-se 'com que roupa eu vou para o samba que você me convidou??'.
   Bom! Ter quase quarenta ajuda em muito nessa hora. As dúvidas duram apenas alguns minutos. Num instante lembro de que devo ser apenas Luciana. Vestir uma roupa bonita e confortável, de preferência, alguma que já tenha rendido muitos elogios. Nada de maquiagem pesada, muito menos, escovar os cabelos! Não gosto de fazer escova no cabelo e espero que não tenha deixado ninguém decepcionado com essa confissão, rs! Sandálias altas demais acabariam com os meus pés e não posso viver sem pedalar ou correr. Outra declaração que pode acabar com os meus sonhos de princesa.. rs! Mas acabei usando umas sandálias bem altinhas, sim!
   Então tá! Cheguei em Feira super tarde e um pouco ansiosa! Pensando se encontraria mesmo os meus amigos ou seria uma daquelas solenidades chatinhas de Faculdade. Deu vontade de inventar uma desculpa pra mim mesma e não aparecer. Hummm! Isso nem combina comigo! O máximo que aconteceria era chegar, não encontrar ninguém e voltar pra casa. E é claro que essa possibilidade era quase nula.
   O resultado foi uma grande noite! Voltei pra casa feliz da vida e agradecendo a Deus pelo lindo encontro com o meu passado. Abracei amigos queridíssimos e me diverti muito! Que bom que eu fui!
   Claro que a gente treinou no domingo! Mas, quem inventou um pedal às 6h da manhã depois de uma noite de festa?? Putz!! Fui eu mesma! Essas foram as palavras que disse a Gabi quando falei com eles de manhã cedo. Só eu para inventar uma maluquice dessas!
   Mauro, para não mudar sua história pregressa, esqueceu de levar os capacetes de bike para Feira de Santana e acabou conseguindo outros emprestados. Meu amigo não tem jeito mesmo! Gabi tem razão em dar uns corretivos nele.. Homens precisam de corretivos de vez em quando. RS!
   O 'bom dia' do meu cunhado foi substituído por 'Lu! Pedale porque eu falei com meus amigos que você pedalava muito!'. Não sei não, viu! Quanta responsabilidade! A pessoa vai pedalar com o outro e ainda exige um bom desempenho. Pior ainda é quando a notícia é dada depois de uma noite de festa. Que figura!!
   Eu, Marcílio e seus amigos- Beto e Márcio- nos encontramos com Mauro e Gabi no viaduto da av. Maria Quitéria e seguimos para a trilha, comandada pelos anfitriões. Uma trilha super bem escolhida! Tranquila no começo, bem ágil, de estradão de barro e muitas descidas e subidas legais! Depois a coisa foi ficando animada e emocionante. Meu filho diria que foi um pedal irado! 
   Dona Gabriella está pedalando horrores! Toda vez que volta a treinar, fica o cão de calçolão com 15 dias de treino. Ainda tive que ouvir que ela está melhor do que eu. Ou seja, tenho que treinar mais ainda, rs!
   As trilhas de Feira de Santana são maravilhosas! Depois desse trecho de estradão, encontramos a turma de ciclistas, Lobo Guará, que nos convidou a seguir com eles. O downhill foi alucinante! Lembro que fiz aquele trecho numa outra época, quando estava começando a pedalar, e meu desempenho foi bem diferente. Acho que melhorei, perdi mais o medo. Parecia um tobogã dentro da mata. Acabando esse trecho, ainda descemos uma outra parte com pedras, que também foi bem bacana! Tão bacana que saímos de lá, prometendo voltar no fim de semana seguinte. E rindo pelas tabelas.
   Pôxa! Que beleza de vida! Paramos para tomar a velha coca-cola gelada com direito a caldinho de sururu e a zorra! Aqui em Lauro de Freitas não tem trilha com vendinha que tem caldinho de sururu, tem?? Tá vendo!!?? Lá em Feira tem. E dos bons!
   De lá, nos despedimos dos Lobos Guarás e voltamos para casa cheios de energia para começar a semana!
   Que bom que eu fui! Quantos encontros felizes! Quanta energia boa!

sábado, 24 de setembro de 2011

Felicidade é dizer SIM para você!


   A trilha de bike foi quase uma sessão de terapia. Falei pelos cotovelos! Rs! Como os meninos estão voltando a treinar (Isso mesmo! Só treino com meninos!) e estou um pouco à frente no quesito fôlego, soltei o verbo, literalmente. Foi um ótimo treino! Até o nosso treinador marcou presença. 
   Rolou papo sobre casa, carro, trabalho, finanças. Coisas que, muitas vezes, homens tem um traquejo melhor. Gosto de saber a opinião dos amigos (homens ou mulheres) quando quero tomar decisões importantes. Embora a última palavra seja minha e as consequências dos meus atos venham para mim, quem está de fora enxerga qualquer problema de uma maneira diferente. Enxerga de fora! Além de tudo, tem gente que é mais entendido de algumas coisas do que de outras. Quando preciso resolver meus problemas com carro, por exemplo, converso bastante com pessoas que entendem de carro, e por aí vai.. Então faço um "reboculejo" com as idéias e organizo as minhas escolhas.
   Semana de reflexão..
   Um texto do Curso de Inglês falava sobre os momentos em que a gente precisa dizer 'não' para as pessoas. Todos os alunos filosofaram horrores! O facebook estava repleto de mensagens sobre o sentido da vida, sobre seguir seus sonhos, sobre felicidade, viver intensamente, etc, etc, etc. Como sou reflexiva por natureza, os miolos começaram a fervilhar.
   Seguir nossos sonhos requer destreza, cuidado e coragem. Destreza para lidar com os problemas que vão aparecer ao longo do caminho, cuidado com as pessoas e coragem de dizer não. A idéia do 'tudo tem limite' que aprendi com a minha avó nunca sai da minha cabeça. Ninguém sabe, na verdade, o que é certo ou errado. A vida é feita de escolhas e as pessoas cruzam o seu caminho para lhe 'favorecer' de alguma maneira nos seus aprendizados, sejam eles pequenos ou grandes. A vida é uma caminhada! E o limite está em você saber que não pode ser ou ter tudo. Infelizmente, ou felizmente!?
   Comecei a fazer vários questionamentos a respeito dos meus quereres.
   -Onde foi mesmo que parei nos meus sonhos?? O que é que quero? O que eu queria? E como será a minha vida daqui a mais uns anos? Isso pira a cabeça de qualquer caboclo! Se você não tem foco, se perde no caminho.
   Meu querido ex-marido acabou me inspirando nessa postagem. Lembrou de mim porque viu o texto da minha última postagem em algum canto. Fiquei pensando naquilo..
   Aproveito para dizer que é querido mesmo! E espero que continue assim para todo o sempre, pois tivemos uma bela estória de amor e aprendizado. Nossa caminhada juntos foi uma grande lição de vida! Nossas crianças são pessoas lindas! Nos ensinamos a dizer 'Não" e 'Sim' um para o outro, independente de qualquer coisa, mesmo doendo. E isso é mais um valor que quero levar para qualquer relacionamento que vier pela frente. Incluindo, amizades, trabalho e qualquer coisa.
   Então vem aquela estória de dizer 'não' para as pessoas e situações. Já sofri muito por causa disso e não poderei dizer que desse mal estou curada. Quem sabe da vida?! Só que outra coisa que aprendi diretinho com a minha maravilhosa mamãe é que preciso ser forte e decidida. Não posso ficar em cima do muro. Já tentei mas, nem consigo. Fui criada para ser guerreira, para assumir a responsabilidade dos meus atos. Gosto da vida clara, franca e direta! Adoro verdade! Coisa de gente AGRESTE mesmo!
   Viver a vida, preocupado em não magoar os outros, é viver a vida dos outros. É viver a vida que os outros querem para você. É viver os sonhos dos outros. Se alguma coisa não está bem, se seu coração não está tranquilo em alguma situação, seja no trabalho, no amor, nas finanças, ou qualquer outra coisa, pense no que pode ser mudado. E mude logo! A vida pode ser muito mais curta do que você pensa. Quando você menos espera, os 40 anos chegam, os 50 também e muito mais. E fique muito feliz em chegar lá com saúde! São tantas tragédias e tantas doenças que acometem o homem, que é melhor não reclamar. Sem queixas com o resfriado, por favor!
   Hummmm! Acho que isso é crise dos quarenta! Não sei, não!
   Mas, de qualquer forma, vamos lá! Se é pra pedalar numa trilha, pedale com vontade, curta cada momento, sinta o cheiro da natureza, o cheiro da vida. Se é para correr, aproveite para refletir e corra com vontade. No trabalho?! Faça o seu melhor, se entregue quando estiver lá, faça bem feito! Com seus filhos? Aproveite cada fase da vida deles. Qualquer dia eles se despedem para as suas caminhadas individuais. Ligue para os seus amigos para saber como eles estão! Não tem dinheiro que pague a felicidade de ouvir a sua amiga de infância dizer que nunca vai te esquecer, independente da distância e do tempo! Vai chorar?! Se descabele mesmo! Gaste suas lágrimas! Só lembre de se hidratar bastante. No amor!? Ame de verdade, com vontade, com intensidade, com vida! A coisa tá fria? Esquente! A coisa só vive fria? Vá embora! Se você não ama o seu par, limpe a área. Liberte essa pessoa para ela receber o amor que você nunca vai conseguir dar (não vai mesmo!) e se permita encontrar alguém que você ame efetivamente. Diga 'não' à mediocridade! Viver é permitir-se ser feliz! E ser feliz é ser compatível com as suas verdades, suas razões e o seu coração.
   Cada NÃO que você diz para alguém ou alguma coisa, certamente, será um SIM que você diz para você! Ser feliz é o mínimo que se deve fazer nessa vida!
   PALAVRA DE PENÉLOPE!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Para refletir..

Essa eu copiei sem saber quem escreveu. Foi um momento de identificação profunda, plena e absoluta. Acredito, inclusive que qualquer pensamento assim vem de alguém que tem vontade de fazer tudo isso. Talvez, ainda não tenha chegado lá! Mas, chegará, sem dúvida!
Seguramente, são conselhos imperdíveis!
"Essa é a sua vida. Faça o que você ama e o faça frequentemente. Se você não gosta de algo, mude-o. Se você não gosta do seu emprego, peça demissão. Se você não tem tempo suficiente, pare de assitir tv. Se você está a procura do amor da sua vida, pare; ele estará esperando por você quando você começar a fazer o que ama. Pare de analisar demais, todas as emoções são belas. Quando comer, aprecie cada última mordida. A vida é simples. Abra sua mente, braços e coração para coisas e pessoas novas, somos todos unidos por nossas diferenças. Pergunte à próxima pessoa que vir qual é a sua paixão, e compartilhe seu sonho com ela. Viaje frequentemente; se perder o ajudará a encontrar-se. Algumas oportunidades aparecem somente uma vez, agarre-as. A vida são as pessoas que você encontra, e as coisas que cria com elas. então saia de casa e comece a criar. Viva seu sonho e vista sua paixão. A vida é curta.”

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Release no Mural




Gente! Vejam o release do pedal da Cachoeira do Urubu no blog do Mural! As fotos e os comentários estão imperdíveis! O vídeo, melhor ainda! Rs! Acho que o relato também... rs!


www.muraldeaventuras.blogspot.com

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O GRANDE DESAFIO DO SERTÃO

Esse relato é do meu amigo Américo Sam em sua primeira experiência em Corrida de Aventura no Desafio dos Sertões 140km. Achei tão criativo que resolvi compartilhar essa graça.


O GRANDE DESAFIO DO SERTÃO

Meus amigos e companheiros,
caros colegas e prezados cidadãos;
Vou lhes contar um fato interessante,
por isso, careço de vossa atenção.

Trata-se de uma peleja
que se sucedeu no sertão;
O desafio foi tão grande
que abalou e comoveu todo e qualquer coração!

Estava eu tranqüilo
desfrutando da vida de ocasional corrredor;
Quando em cima da bucha,
Seu Paulo, o caatingueiro, um convite me lançou.

“Venha conosco até o norte do estado
para o 4º integrante da minha equipe se tornar;
Será uma corrida ‘boba’ (boba o que moço)
e nós não teremos o compromisso de ganhar;
mas se derem trela,
a gente chega pra biliscar”.

Fiquei em cima do muro
e fui com algumas pessoas conversar;
Falei com o Véio do Mato
e ele disse que lascado eu iria ficar;
Pois, corrida de aventura é uma coisa
que apaixona e bota o cabra pra piar.

Conversei com minha família
e a autorização recebí;
Minhas filhas ficaram temerosas
mas, oraram pra eu conseguir;
Minha esposa disse:
volte inteiro, pois te queremos aqui.

Avisei ao pessoal do Caatinga
que eu nada possuía pra levar;
Malmente um par de calça e camisa, juntamente com uma bússola,
e todo o resto, eles tinham que providenciar.

Avisei também que estava com receio da minha resistência,
pois, fazia tempo que não pedalava;
Vez ou outra eu corria,
mexia com bússolas e nunca remava.

Em juazeiro, a recepção foi muito boa
me fazendo esquecer do perrengue que estava pra vim;
Mas tudo foi embora,
quando chegou a hora de partir.

A partida foi dada
e nos pusemos a correr;
Foram 8 km de corrida e caminhada,
com um sol de fazer o juízo arder.

No PC1 encontrei uma coisa
que eu sabia fazer;
Uma pista de orientação
que nos colocou a vencer.

Mas no PC2 encontrei algo
que me colocaria em “depressão”
Rema, remava, rema, remava,
porém, achei que o “barco” não saia do lugar, não.

Marcinha tinha me ensinado uma cantiga
que no lago me pus a cantar;
Eu amo remo – eu amo remo,
mas aí, meu parceiro começou a enjoar.

Pensei que a noite iria cair
e no lago estaria a remar;
Mas, hei! Que surge uma dupla
e sugere nos rebocar.

Foi à salvação da lavoura
e ao ADVOGADO AVENTUREIRO tenho que agradecer;
Paulinho e Márcia já estavam quase dormindo
quando “resolvemos” aparecer.

Ufa! Chegamos ao PC3
e juntos com outras equipes fomos o PC4 atacar;
O ataque foi bonito,
pois logo-logo chegamos lá.

A ida pra o PC5
foi um tal de trek corrido que me fez cansar;
Mas, a canseira que tava pra vir,
eu não sabia mensurar.

Por favor, registre aí uma coisa
que esqueceram de me avisar;
Pedalar, sem treino, é muito ruim
e com selim pequeno, tende a piorar.

Alcançando o PC6
fomos para o PC 7 rapelar;
Rapelamos rapidinho
e de volta, começamos a pedalar.

O pedal ficou pesado
porque tinha muita areia pra travar;
Eu clamava por uma banguela
mas aí, a equipe se pôs a me empurrar.

Batemos o PC9, o PC10
e o PC11 demorou a chegar;
E quando chegamos
faltavam duas horas pro corte começar.

Meio que receoso, fomos ao lago
para a 2ª perna de remo encarar;
A coisa tava feia,
parecia praia deserta com ondas a se quebrar.

Ventava tanto, que nem o pensamento eu mexia
com medo de o caiaque virar;
Rapaz! Ventava muito mesmo,
só estando lá, pra assuntar.

As marolas voltaram a entrar em ação
Sendo assim,
cabava ali a nossa participação;
Uma coisa eu digo,
e digo com emoção:
“Foi uma honra participar dessa prova,
que é bem chamada de DESAFIO DO SERTÃO”.

Na oportunidade, agradeço ao meu DEUS
que a todo tempo nos sustentou;
Aos caatingueiros fortes e determinados
que a todo momento minha moral elevou;
A todos, MUITO OBRIGADO,
e até a próxima com a benção do NOSSO SENHOR.

Grande Abraço,

Américo Sam