segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Batalha dos Capitães- 42km

  Era pra levar novatos pra conhecer a Corrida de Aventura, numa prova voltada para inserção de novos atletas no esporte. Dos mesmos diretores da Noite do Perrengue, Gaia e Arnaldo... Tcharammm!!! A Batalha do Capitães! ☠
   Não parece aquelas chamadas de filme?
   Nossa equipe Aventureiros do Agreste organizou uma edição da Escola de Aventura do Agreste especialmente para preparar quem tivesse vontade de viver essa grande festa de uma forma mais... elaborada, digamos assim. Entraram 18 alunos na Turma 7, ávidos por aventuras!
   As alegrias que a Escola nos traz em cada edição são uma resenha à parte. O brilho nos olhos daquele pessoal depois de cada atividade, bicho, não sei não... Só sei que, dos 18 alunos, 14 se prontificaram a encarar o desafio. E dos demais atletas de outras turmas, perdi até as contas de quantos estavam lá. Além da capacitação que fizemos, conseguimos capitães para levar a galera toda.
   Eu já tinha decidido que correria de Penélopes do Agreste, mas a composição estava incerta. Dea Ulm não pode ir, mas Mônica Farias, aluna da Turma 6, confirmou. Só não imaginei que teria a honra de correr com minha filha (Tila) e minha sobrinha (Shaina), que manifestaram o desejo de ir logo no primeiro dia de aula da Escola. Tipo quando a pessoa levanta o dedo e diz: “Me escolhe!!”.
   Não tive tempo de pensar em nada durante esses dias todos porque participaria de uma seleção de mestrado na sexta e no sábado antes da corrida. Entre uma apostila e outra, fui separando os briefings eletrônicos de Gaia pra ver depois e respondendo às duvidas de Mônica, a mais perguntadeira de todas.
   Bom... A pessoa que encara uma prova de 5 dias, se organiza pra 40km sem muito estresse. Não por isso, mas, no fim das contas, a organização de qualquer coisa ficou pra o sábado a partir das 18h mesmo. Pude contar com meu super marido pra arrumar as bikes e comprar umas comidinhas pra mim e pras minhas meninas. E as três foram super fofas, se viraram direitinho.
   Qualquer evento que a Noite do Perrengue faz no Quintas vira um espetáculo! O lugar é aconchegante, espaçoso, acolhedor, organizado. A largada ficou até com cara de Terra de Gigantes, num campo de futebol, perto da trave... trouxe ótimas lembranças. Inclusive me lembrou de que ainda não terminei minha resenha da TG500. É muita coisa, não tive tempo mesmo!
   Três da manhã já estávamos de pé, fritando ovo pra alimentar nossas meninotas para o debut. Em nosso carro cinco bicicletas, com Moniquita, as meninas, chegando bem cedo pra dar conta do mapa e outros detalhes. Como capitã, dentro do propósito da prova, sentei no chão com as três pupilas pra fazer o planejamento e, juntas, detalhamos o percurso, traçamos a estratégia com a ordem dos PCs. 
      

   Designada a fazer a navegação, minha Tiloca tomou a frente com seu mapa, traçando seus azimutes e marcando distâncias. E Shaina e Moniquita participaram ativamente do planejamento pra gente fazer a prova redondinha.
   Enquanto isso, rolava um café da manhã de responsa, com bolo de banana, aipim cozido, ovos, cuscuz, suco, na mesa perto do campinho. 


   O sol inclemente! Largamos de trekking/corrida, começando a contar passos a partir da saída do condomínio pra fechar 300m até a entrada da trilha de areia fofa. Por mais 700m até o PC1, chegamos junto com muita gente. E se pra mim é uma sensação maravilhosa encontrar PC, imagina pras meninas, na primeira Corrida de Aventura de suas vidas, correndo 42km. Mônica não se contentava com uma só foto, tirava 30 da cada PC.
   Do 1, a gente seguiu pra o 2, que estava numa entrada à esquerda depois da porteira. E o PC4 (pois o 3 foi cancelado), encontramos logo em seguida, no sentido contrário, para depois andar  por uma trilha indefinida a desviar nos galhos, já voltando pro campinho onde estavam as bicicletas. E o sol inclemente!



   Até ali a situação era a seguinte: eu falava pelos cotovelos, Shaina tentava respirar com todas as suas forças, Moniquita gargalhava e fotografava qualquer coisa e Tiloca seguia determinada na navegação.
   Numa transição até rápida, a mudança de modalidade fez bem pra todo mundo e até fortaleceu a amizade!
   Seguimos para o outro lado da Linha Verde em direção ao povoado, firmes no propósito de não pegar corte e chegar até o final da prova. Levei até esporro da navegadora por ter me distraído na hora de zerar a distância na bike.



   Em nossa estratégia de assistência aos necessitados, rolou resfriamento de cabeça, muita hidratação, alimentação e apoio moral. Entre altos e baixos em nosso desempenho, encontramos um equilíbrio que nos levava cada vez mais longe.
   Na sequência escolhida, os PCs 6, 8, Perrengue e 7, as fotos saiam cada vez mais engraçadas. O PC6 foi massa de achar, o 8 estava logo ali naquela esquina, depois de uns 3 km. Na entrada para o PC Perrengue, um Pit Stop só para mulheres. Troca de absorvente, xixi, self pra dar em doido e até retoque de maquiagem rolou, minha gente, rs! Morri! 🙄🤩🤣
   O singletrack pra o PC Perrengue foi massa! As meninas curtiram demais o sobe e desce, e teve gente que perdeu o medo de tudo pelas trilhas de Sauípe. Tiloca na frente, dando as coordenadas, e nós seguíamos curtindo o sombreado. No caminho, muitos Aventureiros, muitos amigos, muitos encontros felizes. Minhas meninas tirando de letra aquela história toda de 42km. Mesmo com o sol inclemente. 



   Depois das fotos na ruína e de muitos encontros, fomos parar do outro lado da estrada. Então seguimos pro PC7... Gente, foi todo mundo pra Batalha! Até Marcelo estava lá!
   Na torre, quando avistamos a ribanceira, paramos as bicicletas e descemos andando pra fotografar o PC. Nossa modalidade era de bike, já fiz até Odisseia em trechos de bike em que tinha que descer pra entrar em algum lugar pra pegar o PC e, sinceramente, não vi nada demais. Mas, depois, tivemos boas conversas regadas a um cafezinho sobre o tema. Sim, nós descemos o ladeirão andando!
   Maravilha mesmo é terminar os PCs de bike e passar na vendinha do vilarejo pra tomar coca-cola! Hora do salame, do queijo parmesão, do xixi descente na privada... da fisgada na coxa. Pois então, Moniquita achou uma fisgada na coxa que nem dei ousadia. 🤣🤣 E tome-lhe foto!



  Depois da coca-cola, a vida se transformou! Atravessamos a estrada e subimos até o mirante, com tempo de sobra pra o PC9. Objetivo número 1 cumprido, nada de corte! Como não tinha mais Guaramix, a transição se resumiu à troca de sapatilha. Tiloca mirou no azimute e caímos pra dentro da trilha que levava ao PC10. Um viva! para a navegação dessa coisa fofa, toda focada, que não errou nada.
   Depois do 10, lá embaixo, ela seguiu na frente em direção ao caminho por cima do junco, enquanto eu titubeava. E fomos lá, até o 11.



   Na volta, aquela ladeira até perto da pista quase matou uma parte da minha equipe, rs! De um jeito que tivemos que sentar um pouco antes de prosseguir. Enquanto uns descansavam, outros foram dar um confere na entrada da trilha para o PC12. E seguimos encontrando algumas equipes pedalando pela trilha. Quê??? Não, perai!! Gente, eu sou tão lerda que fui passando pelas equipes e perguntando o que estavam fazendo pela trilha com a bicicleta. Cheguei até a brincar que o percurso era outro, se estavam fazendo outra prova. E só depois fui perceber (horas depois) que eles estavam vindo do trecho de bike e pegando os PCs 12 e 13 pelo caminho. PCs que era pra pegar no momento do trekking. Sem comentários!
   Então, onde eu estava? O sol... Ah, no trekking! Muitas equipes fofas encontrando e na transição chegando. Só faltavam dois PCs de bike pra fechar nossa farra.
   No saldo: Moniquita falando pelos cotovelos, fotografando e filmando a vida toda, Tiloca seguia determinada, Shai focava respiração... 😃


   Jurei pra Shaina que não teríamos mais nada de ladeira, mas não sei porque cargas d’água elas insistiram em aparecer de surpresa. 😳😬Mas foi pouca coisa e coisa muito leve. Quase nada!
   Descemos, passamos em frente ao condomínio e seguimos até perto da praia pelo estradão. Preferimos ir até o PC16 primeiro e depois encontrar o 15, na guarderia. Um ventinho gostoooso!



   Terminamos a Batalha dos Capitães em quase 6 horas e meia com aquela sensação maravilhosa de dever cumprido. As meninas, felizes da vida! E esse sol?!
   Na chegada, uma mesa de frutas. Eu contei que teve café da manhã na largada? Isso é Vidativa Gourmet!
   Olha, agradeço demais a Arnaldo e Gaia por nos proporcionar um domingo tão massa! A prova foi muito bacana! Que bom que a gente foi!
   Parabéns ao novos atletas de Corrida de Aventura, pela superação de tudo, principalmente à equipe Outside, que veio com Victor patinando aquela bicicleta com a gancheira quebrada desde o PC Perrengue até quase o final da prova. Superou geral!
   Não posso negar o tanto de felicidade sentida ao ver a Batalha cheinha de atletas formados da Escola. Demais!! #somostodosaventureiros
   E por último, e não menos importante, digo que as minhas Penélopes não me deram trabalho algum. Correr com gente assim é fácil!
   Moniquita nasceu pronta, mas ainda não sabe disso. É forte, determinada, conversadeira, bem humorada. Gente que faz!
   Shashai, a minha sobrinha fooofa, vem com o seu lado atleta aflorando aos poucos, depois de um último ano de escola, enfrentando os ENEMs da vida! Ela queria chegar até o fim, mesmo sabendo que não estava tão preparada. Levou à sério nosso lema: não retrocedeu, não desistiu e ainda se divertiu horrores!
   Minha Tiloca, minha gente, morri de orgulho! Não teve cólica certa! Foco total, coragem, navegação com precisão cirúrgica, azimute conferido! Ela até sabe tirar azimute! Coisa linda de mãe! 😍

   Parabéns meninas! Que satisfação passar essas horas intensas com vocês e quanto aprendizado pra mim, essa experiência! O ganho foi muito meu...
   Corrida de Aventura não é de ver, é de sentir. E é por isso que dá tanto trabalho explicar. 😉 Como eu amo esquecer da vida no meio dos matos!