segunda-feira, 24 de março de 2014

Segunda Noite do Perrengue




   É por isso que sempre digo que é mais fácil fazer Corrida de Aventura do que viver nesse mundo doido e véio sem porteira. Minha semana foi uma coisa! Curso, filhos, enteados, marido, sobrinhas, casa, funcionária, consultório, prefeitura... Não tive tempo de fazer resenha. No final da semana ainda bateram no meu carro e já estou começando a semana atolada de babados pra resolver.
   AAAAAAHHHH! Quero voltar pro Perrengue e passar mais umas duas noites por lá!!!
   Bem.. Estou mais calma depois desse grito, rs!

   Fiquei muito feliz ao ver meus Aventureiros do Agreste voltando aos pouquinhos! A cada corrida aparecem mais alguns. Claudio, Mauro, Marcelo, Tadeu, João Maurício, Lucy, Vanderlei, Maurício, Eudes estavam na Noite do Perrengue... João Maurício! Nem acreditei quando ele disse que estava inscrito. E correu com uma Luciana. A Noite do Perrengue continua atraindo novatos e a velharada também.
   Compramos uns sanduíches antes de chegar no local de entrega das bikes. Chovia tanto que deu trabalho de descer do carro até a lanchonete! Na Escola São Vicente, em Diogo, chovia muito também. Deixamos bicicletas, sapatilhas, lanchinho e uma mochila. Revezaríamos uma mochila por todo o trekking.
   Ainda bem que compramos aqueles sanduíches! O restaurante do clube não estava aberto. Mas, isso não é problema para um aventureiro. Já pedimos pizza em pleno ginásio, lá em Juazeiro. Imagina pra o entregador descobrir quem é o dono da pizza como mais de 50 pessoas de roupa igual? Dessa vez, o Subway salvou nossas vidas.
   E a vida de Tiloca também!... Ela foi! Prometi sofá confortável, jantar bem gostoso, amigos por perto, noite animada, beijos de mãe. Tiloca com fome é o terror, rs! Ninguém sabe do meu sofrimento, a metade. Santo Subway!.
   Quinze de março, Quintas Private, QG da Noite do Perrengue, filhota à tiracolo. Quem poderia me fazer a gentileza de cuidar dela? Antes de qualquer coisa tinha que deixar minha mocinha em segurança. Pronto! Kassiele e Glaucia... Ave Maria! Se eu agradecer mil vezes é pouco!
   No briefing teve homenagem ao Xikito (Atleta baiano da equipe Quasar Lontra, que é um dos melhores corredores de aventura do mundo), teve vídeo da Odebrecht pra gente fazer pacote de férias nas casas do Quintas Private, apresentação dos apoiadores e patrocinadores, incluindo a Targa Náutica dos meus amigos Maurício e Ismar, que vende colete, caiaque, saco estanque, remo, além de barcos de todo tamanho. Tinha até repórteres fazendo entrevistas. Arnaldo e Gaia estão ficando “internacionais”! Uma chiquêza só!
   Pré largada até o Apoio de Praia do Condomínio, no trotezinho. Lá, por volta da meia noite, saímos correndo pela Trilha do Côco Seco (batismo meu). Fala sério! Pra um caboclo torcer o pé era daqui pra ali. Eram uns dois quilômetros no caminho de areia fofa e casca de côco seco. 
   Olha gente, tenho uma queixa: Vitor saiu correndo pelo coqueiral e me deixou pra trás. Como comecei carregando a mochila, “bonito” saiu correndo livre, leve, solto e saltitante pela Trilha do Côco Seco. Comi poeira de “bonito”, fiz um esforço enorme para não perdê-lo de vista. Suei loucamente, meu batimento subiu pelos ares, parecia dia de tanto calor. Ele nem olhava pra trás... Senti falta da cordinha de Xikito... Bem que a gente podia arrumar uma daquelas. Só consegui encostar em “bonito”, chegando ao PC1 da moita, quando meus bofes estavam prestes a pular pela boca.
   Naquele momento, encontramos nossos amigos Aventureiros do Agreste, Claudio e Marcelo e seguimos juntos para o PC 2 Perrengue. Aproveitei para dizer ao meu querido amigo como estava feliz em encontrá-lo por ali e fiquei toda feliz quando ouvi:
   - Eu que tô feliz! Você acha que ia pegar o PC Perrengue sem você?
   Meus amigos são ótimos e navegam muito bem! Passamos pelo rio, chegamos até a sua última dobrinha, batemos o azimute e seguimos confiantes. Inclinação de areia de praia, sobe, desce, escorrega na duna, vegetação alta, apareceu um charco. Pra não rasgar mato, contornamos pelo charco, com a água até os joelhos e o mato na cintura, até voltarmos ao azimute, encontrando as dunas... Que lugar lindo! Melhor ainda quando a luz da lua clareia a areia, que contrasta com a vegetação. Lá estava o PC2, numa moita tão pequena que ficava fácil tropeçar nele. Raiai...
   Outro azimute pra sair na pista em direção ao PC3, uma chuvinha pra refrescar do calor... Passamos na Vila de Santo Antônio em direção à praia, onde estava a Barraca do Chico. Era o nome que tínhamos que anotar: Chico. A caneta não servia mais. A água molhou.
   Foi naquela hora que dei a mochila para Vitor. E, naquela hora, rolou uma retrospectiva da correria do começo da prova. Ele correu daquele jeito porque estava sem nada, rs! Tudo bem que que ele corre bem com mochila também mas, aquela lembrança... Deveria ter dado uma mochilada nele, rs!
   Planejamos pegar o PC6 primeiro, depois o 4. O caminho parecia tão tranquilo que decidimos ir primeiro para o 4. Também nem sei que diferença faria. A gente nunca sabe como seria se tivesse feito outra escolha, rs! É o preço das escolhas. É assim na vida também!
   Azimute pelas dunas, sobe ribanceira, desce ribanceira... De esquibunda, na verdade,  que, de tão íngreme, só os galhos nos pararam lá embaixo. Acho que, se os rapazes escorregassem de pernas abertas, danificava os "eggs". Mas, o PC não tava lá, não. Subimos outra vez, escorregamos outra vez... Não tava lá também, não! Pensamos em ir pro 6, depois tentar o 4... Tentamos mais um pouco no 4. Pensa, pensa, anda, anda.
   Nisso, a pessoa perde um tempão até ficar bem confusa e já não saber de onde veio, nem pra onde vai, rs! 
   Ao final, resolvemos pegar o PC6 que estava embaixo da ponte, para depois seguir pela estrada e pegar o PC4 pelo caminho mais longo, porém, mais tranquilo.
   E lá, na escola São Vicente, minha filhota gritava: - “VAI MÃAAE!”. Uma fofa! E Kassie, outra fofa e gentil! 
   Pena que não estávamos tão bem na prova. Passei correndo e me desculpando que tínhamos que ir até o PC4 e voltar pra pegarmos as bikes na quadra da escola.
   Pela estrada ficou muito mais fácil pegar o PC4. Tinha trilha até lá, entre as dunas e o rio. Encontrando um monte de equipes voltando, não nos demoramos.
   Chegando pra pegar as bicicletas, vimos que nem tudo estava perdido. Tinha muita gente saindo ao mesmo tempo. Dava tempo de ficar no meio do bolo. Transição bem rápida, assinamos o PC e fomos embora, enquanto filhota dava tchauzinho. Amei!
   Aproveito para protestar que acabou o Guaramix. Tava sonhando com o Guaramix! Tudo bem que estávamos bem atrasados mas, sem Guaramix?! Putz! Nem acreditei!
   Indignados, sem Guaramix, fomos procurar o PC8. Virei co-navegadora, passando para o posto de marcadora de distância. Pegamos uma estradinha, chegamos numa cerca, nada de PC. Subimos uma trilha, Vitor resolveu voltar para conferir se o 8 não estava escondido em algum buraquinho não visto. Fiquei conferindo azimute, achei que ainda estávamos antes do PC (detalhe que aquela trilha não era a que pensamos que era mas, dava no mesmo lugar), Vitor voltou, continuamos subindo, até encontrarmos meio mundo de gente, indo para o PC Perrengue 9. Decidimos então embolar até o 9, depois voltar para pegar o 8, já que era tudo pertinho. Afinal, Gaia tinha sugerido que ir direto do 9 pro 10 não era boa ideia.
   A descida para o PC9 era toda de areia e nem preciso dizer que as pernas arderam um pouco na volta. Só as pernas de Lene e Maurão que não arderam. A “bicha” passou avionada, fazendo força. Maurão nem se fala porque a batata do homem é mais calibrosa do que minhas coxas.
   Subimos e descemos por perto da cerca. Encontramos Lu, Vande, Maurício e Eudes. Eles estavam procurando PCs também. Eu sei o que eu disse mas, não sei se eles entenderam. Também entendi o que eles disseram mas, fica todo mundo pensando que tô doida nos matos. Não sei porquê pensam isso de mim.
   Começou a chover muito. Muito mesmo!
   O PC8 estava depois de umas quinze cercas, entre umas quinze trilhas e trinta córregos. Tinha uma turma indo pra lá. Então, subimos para o PC10. Nós subíamos e a chuva descia. Descia não, jorrava! Meus novos óculos transparentes mega fashions não serviram de nada nessa prova. Não conseguia enxergar. Aliás, ocuparam minha mente. Ficava toda hora conferindo se já os tinha perdido, rs!
   Depois da longa e molhada subida, apareceu a porteira da fazenda onde estava presa a placa do PC10. 
   Trilhas depois, PC11, que era PC Gente. PC Gente com guaraná gelado, sanitário limpo... Dia querendo amanhecer, sinalizando que o corte de 4:30h da manhã “já era”. Então pegamos uma trilha de estradão, que foi se estreitando, passamos por umas casinhas, seguimos pela esquerda, encontramos o rio, pedalamos mais um pouquinho e PC12...
   E ali que a nossa prova mudou completamente de rumo. Rsrs! É sério, rs! Fomos parar na casa do chapéu! Se vacilasse, já dava até pra voltar pra casa de bicicleta mesmo. Ops! É brincadeira!...
   Depois do PC12, era pra pedalarmos 1km até uma bifurcação para esquerda. Não vimos bifurcação, seguimos para outra estrada sem conferir azimute e pedalamos pelo mundo afora sem lenço e sem documento. Sem eira nem beira, até que encontramos Márcio Perroni e sua tropa da Muriqui, voltando de um ladeirão que quase subimos...
   - Lu, esse azimute não está certo, não! Oriente seu mapa aí!
   Gente, àquela altura eu já estava viajando na maionese. Nem de co-navegadora eu prestava mais. Nem orientei o mapa direito mas, entendi que tinha dado merda. Voltamos um pouco, chegamos à um Vilarejo e perguntamos pra que lado ficava a Linha Verde.
   Pronto, tudo certo?! Não, tudo errado! Ao invés de nos localizarmos, buscamos o caminho mais fácil, perguntando. Só que o “informante” ensinou um caminho que chegava em Curralinho. Alguém aí conhece Curralinho?? Pois é! Se olhássemos o mapa direito, daria para perceber que ainda era tempo de retomar a rota e sair no lugar certo da Linha Verde para o PC13.
   Tive vontade de gritar quando a Linha Verde apareceu. Como uma boa navegadora, olhei para a direita, depois para a esquerda e perguntei:
   - E agora? Pra que merda de lado a gente vai?
   RS! Não precisamos pensar muito. Vitor lembrou que passamos por lá para chegarmos ao local da prova. A única coisa que eu lembrava era que Curralinho era longe do nosso destino. Então pegamos a estrada de asfalto, botamos no coroão e pedalamos mais de 5km (que é até pouco pra que faz corrida de Aventura mas, não pra quem tá puto da vida, rs!) até o PC13, no viveiro.
   Cortados do trekking do mangue (PC14), continuamos pedalando com nossas bundas doloridas. Só que, dessa vez, não fomos bestas de pegar o corte de caminho cheio de areia, não. Preferimos ir por um caminho um pouco mais longo, porém mais tranquilo. Aquele areal não é de Deus, não!
   Olha, não sabia se preferia descansar minhas pernas no remo ou se preferia ir logo pra chegada. Enquanto pedalava naquele paraíso de manhã cedo, pensava no perrengue da Noite do Perrengue. Choveu muito, as bicicletas estavam abarrotadas de lama, nossas roupas, meu cabelo, meus dentes... Até nos meus olhos tinha lama.
   No PC15, a notícia do corte no remo resolveu meu dilema. Sem direito de escolha, pedalamos direto para chegada sem remar.
   Chegamos ao final de mais uma Noite do Perrengue, com direito ao tradicional café da manhã, cheio de guloseimas gostosas, frios, pão com manteiga, frutas, café com leite quentinho. Vitor preferiu tomar uma chuveirada, eu preferi atacar a mesa do café. Do jeito que estava, se entrasse naquele chuveiro, certamente teria uma hipotermia. Fome dá frio.
   Minha filhinha dormia como um anjo, nem nos viu chegar. Deu uma tranquilidade danada de sofrer no Perrengue, rs!! Tipo assim: A pessoa passa a noite toda acordada, no mato, se acabando toda, tomando chuva, correndo por charco, duna, trilha, etc, sem se preocupar que deixou a filha com uma mochilinha, um travesseiro e um cobertor, aos cuidados de duas amigas. Às minhas amigas fofas, Kassiele e Glaucia, um brinde por darem conta da minha filhota! Ela curtiu muito!
   Valeu Gaia e Arnaldo! Mesmo quando Gaia está em outro estado, ele consegue ser malvado. E Arnaldo é o comparsa perfeito!
   Parabéns pra todos nós que corremos o Perrengue! Pros novatos e pros dinossauros, pros vencedores das primeiras posições e os vencedores das últimas também. Todo aventureiro sabe o significado de chegar ao final de uma prova de aventura: VITÓRIA!
   Beijo pra todo mundo do mundo todo que curte uma aventura, um PERRENGUE!
   OBS: Querem saber mais sobre a Noite do Perrengue?
   https://www.facebook.com/noitedoperrengue