segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Notícias do Paraíso


   
   Agora que o inferno astral passou, estou com tempo para viver outras coisas! Abrindo o livro com páginas em branco e escrevendo outras estórias... Uma mais bacana do que a outra! Dando chances para mim mesma! Até mais do que aos outros, porque tenho a sensação de que qualquer sofrimento pelo qual passo é culpa minha, não dos outros. Por isso, vivo a me perdoar... Apertando o "botão" reiniciar... Sempre aperto quando precisa.
   No fim de semana, minha "babãe" fez 70 anos... E fomos todos pra roça lhe abraçar. Fomos pro paraíso!
   Na roça é sempre muito legal! Melhor a cada dia! Principalmente, quando as bicicletas vão junto. E, desta vez, decidimos fazer um pedal no fim da tarde. Daqueles que entram pela noite.
   Em sua primeira trilha nos Varões, Vítor foi batizado com a "Volta da Pampulha". A que a gente vai até a venda de João, volta pelo gasoduto, pega aquela sinuosa estrada de asfalto, sobe o ladeirão, passa pelo Sangradouro e retorna pra os Varões. 
   Tô me sentindo uma moleza no pedal! Numa lezeira danada! Os meninos estão pedalando muito com essas bicicletas de aro 29. Só eu que tenho 26 e parece que fico em desvantagem em algumas situações. A trilha, toda de estradão, já começa com muitas ladeiras e os rapazes ficam muito eufóricos, subindo na frente, disputando a frente, como se estivessem numa corrida. Meninos são assim: Competitivos! Sempre se comportam como crianças, rs! Eu não! Sou uma mocinha, rs!
   A paisagem dá o tom do passeio, junto com o cair da tarde. Por lá está tudo verdinho! As montanhas são modestas mas, elegantes, o gado se junta para dormir pertinho (parece!), a temperatura fica mais amena. As subidas começam a dar canseira nos meninos e tem muita coisa pela frente. Tava na hora! Avisei que eram mais de 20 km. Se afobaram! 
   Ali no meio do caminho, caiu o chapéu do cavaleiro. Passando de bicicleta, fui pegar pra ajudar. Ele me reconheceu, dizendo:
    "- É a filha de Freitas?? A dentista?"
   Acho sempre tão bonitinho quando alguém me reconhece na roça! Trabalhei por lá durante anos... Fui Dentista da região, além de ser filha de Freitas e neta de Manoel Gregório, é claro! Mas, minha memória não permite lembrar de todos os rostos. Eles lembram de mim, mesmo coberta no meu disfarce de ciclista maluquinha. 
    Na metade do pedal, os meninos já estavam caindo pelas tabelas. Menos Vítor, que parece estar treinando escondido de mim. Melhora visivelmente a cada dia... Talvez tenha tomado umas vitaminas pra sair pedalando rápido daquele jeito. Será?? Eu não vi!
   A subida de mais de 1km é sempre o grande desafio! O famoso ladeirão! Uns  apostam chegar primeiro, outros só apostam que  chegam. Paramos um pouco para tomar fôlego e comer umas bananinhas antes de encarar o desafio. Ainda era dia. 
    Queria bater meu próprio recorde de subir em menos de 9 minutos. Comecei primeiro a brincadeira. Parece não ter fim... Depois da curva, continua. Da outra curva, também. O ladeirão sempre foi meu desafio pessoal. Nossa relação vem da promessa de anos atrás de que, quando tivesse uma bicicleta, subiria sem parar para descansar. E assim foi! Desde a primeira bicicleta, nunca parei para descansar no meio da ladeira. 
   Cheguei, finalmente, ofegante, sem recorde... Vítor, logo em seguida. Depois Márcio (amigo de Marcílio)... Logo atrás, Marcílio. E ainda ficamos ali um pouquinho... Descansando e jogando conversa fora.
   Não deu tempo de pegar o por do sol na descida do vale. Mas, a descida do vale é mais uma aventura singular do passeio. Uma ladeira cheia de cascalho, curvas e algumas valas para compensar tanta subida. Tem que tomar cuidado para não sair pela tangente. Dali ainda faltavam uns 8 quilômetros. E a água tinha acabado! Sou ruim de bike noturna, se não estiver bem iluminada. Nossa velocidade diminuiu bastante e ainda resolvemos parar para tomar uma coca-cola super gelada, já perto de casa.
   Fechamos o treino, descendo da bicicleta com um intuito natureba. Com os faróis desligados, paramos a uns 200 metros de casa para apreciar as estrelas e ouvir o silêncio da noite. Coisa de gente doida mesmo!
   Dentre as coisas maravilhosas que o fim de semana na roça nos proporciona, andar de bicicleta, certamente, é das mais! Sempre muito bom! 
   Definitivamente, não consigo viver a vida sem uma aventura! E isso me dá uma energia danada para começar a semana.

domingo, 2 de dezembro de 2012

24 HORAS- 41 PRIMAVERAS

   Vida de mãe solteira é muito mais difícil do que fazer uma Corrida de Aventura. Aliás, a Corrida de Aventura fica no "chulé" da vida de mãe solteira no quesito correria! Só para vocês terem uma noção do corre-corre, vou contar das vinte e quatro horas do dia do meu aniversário.
  A prioridade era passar meu aniversário com minhas crianças! Como tive duas viagens na semana, minha passagem em casa foi praticamente uma transição. Para viajar à trabalho para Brasília, São Paulo ou qualquer outra parte do universo, preciso deixar casa organizada, comida na geladeira, funcionária orientada, fazer as unhas, deixar dinheiro, pagar as contas, arrumar a vida das crianças, a vida de totó, etc, etc, etc.. Imagina só a loucura que foi!?
   Meu aniversário foi uma transição na Bahia de menos de vinte e quatro horas. Que sorte que ainda deu para ir em casa! Cheguei na quarta à noite e fui dormir super tarde por causa de todas as novidades que envolvem uma viagem, rs! Acabei comprando uns presentinhos e, conversa vai, conversa vem... Fui dormir muuuito tarde!
  Para começar bem o dia, fiz uma listinha de "quifazê", antes de entrar no avião novamente, pois viajaria outra vez no dia seguinte. Em minhas reflexões de travesseiro, entristeci ligeiramente por ter tanta coisa pra fazer bem no dia do meu aniversário. Entretanto, lembrei do ano passado, quando torci o tornozelo e passei 16 dias sem andar e dois meses sem treinar. Aquilo sim era ruim! Então agradeci a Deus por ter o que fazer e poder fazer.
   Na quinta-feira acordei com 41 anos!! Viva!
  Levantei cedo para arrumar o café da manhã do meu filhote lindo e grandão, já que a escola é pela manhã. Conversamos um pouco  e  já fui ao Pilates com o biquini por baixo da roupa e uma bolsa de praia no carro. Minha aula foi especial, relaxante, conversativa e comemorativa. Minha professora é uma criatura linda! Aliás, tenho conhecido tantas pessoas especiais que, muitas vezes fico admirada com a bondade Divina para comigo. Zé, o meu anjo da guarda, só me aproxima de pessoas bacanas! Além de tudo, resolve todos os problemas que não consigo resolver. Olha só que coisa boa!!!
   Pois é! Não se pode comemorar aniversário sem dar um mergulho no mar! Um banho de sal grosso natural! Você aproveita e agradece  à Mãe Natureza por tudo o que se passou e faz uma oração pedindo para que a primavera seguinte seja ainda mais especial. Posso afirmar que foi um banho de mar significativo, contemplativo e todos os "ivos"...
   Quase na entrada do meu Condomínio, minha funcionária liga para pedir uma lista de compras. Putz! Já estava tão atarefada! Tinha hora no salão... Mas, tudo bem! Nem doeu tanto e fui rápida, dinâmica e objetiva! Deixei as compras, tomei um café da manhã com minha titia Flor e filhotita Tiloca e corri pro salão. Não dava para ficar com aqueles cabelos rebeldes no dia do aniversário, muito menos de unhas descascando! Putz! Faço unhas em outro salão. OMG! Paciência para essa louca desvairada! Dois salões!
  Volto pra casa na agonia! Uma paciente ligara com dor de dente, meu voo foi adiantado em uma hora e precisava almoçar, levar a filha na escola, ir ao consultório... Quanta coisa! Pensava que em algum momento o dia acabaria e eu teria que deitar numa cama e ficar bem quietinha. Que no fim de semana comemoraria minha primavera com os "meus". 
  Então, tia Flor, Neusinha e as crianças fizeram um almoço com minha comida preferida, bolinho confeitado com frutas e cobertura de chocolate e sobremesa de maracujá. Cantamos os parabéns com direito a presentes e muito carinho. Talvez a festa mais rápida que já tive! E, provavelmente, das mais importantes.
  Levei pequena na escola e parti para o consultório. A paciente esperava ansiosamente! Enquanto fazia o atendimento, não conseguia atender aos telefonemas do amigos, nem retornar mensagens, nem responder facebook. Nada!
  Dali mesmo, corri pro salão das unhas! De lá, voltei em casa, peguei a bolsa que ganhei e levei no Shopping pra trocar. Êta corre-corre retado!
  Minha mala foi desarrumada e arrumada ao mesmo tempo. Enquanto dava os últimos ajustes, ligava pra São Paulo... Tinha uma lista enorme de material pra comprar e combinara um encontro com o vendedor na sexta bem cedinho, na porta da Faculdade em Campinas. 
  Paramos por aí?? Não!! Lá vou eu pro aeroporto! Um engarrafamento tão grande que pensei que perderia o voo. Affff! A viagem acabou sendo um momento de descanso, porque ainda saí para jantar em Campinas para comemorar o meu aniversário, chegando em casa lá pelas tantas.
  Foi a maior correria mas, deu tudo certo! Lembrando de que a minha vida é cheia de coisas boas e ruins, igualzinha a de todo mundo mas, nunca deixo de dizer que é maravilhosa. Qualquer um que fizer um balanço sobre a própria vida vai encontrar uma quantidade de  bons acontecimentos. Então, já que é para viver, vamos falar bem da vida!
   No final, deu tudo certo, bem na conta mesmo! Ufa! Vamos relaxar, fazendo Corrida de Aventura!
   

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Etapa 5 da Corrida de Orientação 2012



   “Quero ganhar esta prova!”
   Foi o que disse no dia anterior à última Etapa do Campeonato Baiano de Orientação (CAMBO). Como faltei na penúltima e não tive bons resultados nas outras, não havia possibilidade de disputar posição no ranking final com as outras atletas da categoria. O primeiro lugar estava garantido, o segundo, o terceiro, rs! Então, achava que poderia levar vantagem por correr despretensiosamente. Gosto de correr despretensiosamente! Mas, não é só isso que faz a gente ganhar prova.
   Foi uma luta convencer o namorado a competir! Acionei Mauro para que formassem uma dupla, já que estava comprometida com a Carcará a correr em minha categoria. Mesmo assim, a criatura insistia em não ir. Queria pedalar, não, correr! Pensei que curtiria se embrenhar pelos matos, embora não tivesse mais argumentos para convencê-lo. Enfim, só no sábado à noite, no fechar do zíper da mochila, recebi um “Sim, eu vou!”. Uhuuuuuu!
   Chegamos à casa de Mauro e Gabi, em Feira de Santana, lá pelas 22h. Enquanto rolava um vinho, Vítor era apresentado ao mapa e à bússola, fazendo um treinamento intensivo de navegação, rs! No calor da conversa, recebemos a notícia de que ele correria sozinho, e não em dupla com Mauro. Vixe Maria! Mauro é doido!
   Percebia seu olhar atento, interessado e um tanto preocupado. Até lembrei da minha primeira vez na Orientação. Cobras, lagartos e aranhas não me preocupavam. Meu medo era de ficar perdida por muito tempo... Será mesmo que tinha medo? Rs! Acho que sim!
   Bem cedinho, depois do café da manhã, organizamos tudo e seguimos, pedalando até o local da prova, num Distrito de São Gonçalo, cidadezinha perto de Feira de Santana. Num asfalto sem acostamento, cheio de motoristas malucos.
   Meu amigo Mauroba vive dizendo que não treina mas, nunca o vejo pedalando mal. Vítor está melhor a cada dia! Todo mundo “cobra criada”! Num instante chegamos ao destino!
   Aproveitamos o atraso da largada para dar mais umas dicas ao nosso novato todo paramentado de uniforme emprestado da Aventureiros do Agreste. Como uma apaixonada por aventura, sempre acho que não há possibilidade de uma pessoa não gostar de uma farra dessas. Mesmo assim, confesso preocupação! Planejamos um resgate cautelar pós prova, caso algo desse errado.
   “Então tá! Aquilo ali é um prisma! Tenha cuidado para não marcar o prisma errado ou na sequência errada! Vou partir!”
   Larguei no minuto 2, primeiro que todas a minhas coleguinhas, rs!, com o objetivo de fazer o melhor e dar trabalho às meninas. O mapa estava ótimo, aventura garantida! Do prisma 1 ao 4, não tive muita dificuldade, embora já percebesse minha resistência à concentração. Daria trabalho a mim mesma, isso sim, rs!
   O cinco era o primeiro de uma série de prismas dentro do eucaliptal. E, só pra vocês terem uma ideia, dentro de um eucaliptal tudinho é igual! Ao norte tem eucalipto, ao sul, ao leste... e ao oeste também, rsrsrs! Minha concentração para contar passos estava uma coisa doida! Segui pela estrada reta, tentando manter a contagem e atacar o ponto certo. Bati azimute, entrei no eucaliptal... Nada! Encontrei Dudu, me amigo da Kaaporas, que estava procurando o mesmo prisma que eu. Decidi voltar ao ponto de ataque, contar passo outra vez, bater azimute... Nada de prisma! E por aí, fui errando pelos matos afora!
   As atletas que estavam competindo comigo logo me alcançaram e foram embora nem sei quando. Mesmo sabendo que a corrida só termina quando acaba, percebi que a competição seria interna mesmo. Precisei me concentrar para sair de lá, pegar os outros prismas e fazer o melhor que pudesse dentro da minha limitação momentânea (Assim espero, rs!!). Prisma 5, ok!
   O 6 ficava perto de um lago. Do eucalipto para a mata, encontrei algumas trilhas. Não... Muitas trilhas! Diante delas, bastou me localizar para seguir na direção correta. Ainda bem que tinha água mineral por ali! A boca tava seca!
   O prisma 7 também ficava dentro do eucaliptal, que nem foi tão ruim de achar... O 8 ficava numa moita coberta de vegetação. Coisa de gente doida, ficar procurando prisma em moita! O prisma 9 também estava bem tranquilo. Já o 10 não era tão bonzinho assim... Aquela impiedosa plantação de eucaliptos! E ainda empurrei meu namorado na “barca furada”! Rs!! Esperava que não se machucasse muito!
   Por falar nele, quando saio do prisma 10, quem encontro, descendo todo animado pela estrada??? Vítor! Se achando O NAVEGADOR... Passou por mim gritando: “Corre Lu!”. E sumiu, correndo pela estrada, rs! Ai.. ai! Se mostrando... (Diz ele que teve que voltar tudo, porque se empolgou com a corrida e passou direto, rs!).
   Ainda bem que estava bem!
   E lá fui eu para o inferno de eucaliptos! Estava só na metade do caminho dos 20 prismas! E nem podia correr. Sem saber para onde, não corro de jeito nenhum, rs!
   Quem souber o que significa aquela referência do pontinho marrom, morre! Tinha cinco deles em meu mapa! Rs! Não conseguia lembrar de jeito nenhum!
   Lá estava Luluzinha se embrenhando pelos eucaliptos outra vez! Pô véio! Que coisa! Sempre procurava umas duas vezes o mesmo prisma, até encontrá-lo. Quando não demorava mais. E percebia que encontrava cada vez menos atletas pelos matos. Ou seja, ou as pessoas estavam muito perdidas, ou a perdida era eu. Estava sem relógio e nem sabia a quantas horas estava por ali.
   “Cadê todo mundo??”.
   De eucalipto em eucalipto, fui caminhando sem parar. Pelo prisma 13 encontrei  alguns atletas aglomerados. Dava pra perceber que estavam perdidinhos "da Silva" e precisavam de algum apoio. Acabamos nos aproximando rapidamente e nos ajudando na navegação. Tinha um cara por ali que falava o tempo todo que cada um tinha que fazer a sua prova e que não era permitido ajuda! Me desculpe cara muito chato que não sei quem é, mas acima da competição deve haver solidariedade e bom senso. Além disso, não é admissível entrar no paraíso com tanto mau humor. Como você conseguiu, não sei! Faz mal à saúde!
   Os prismas 13 e 14 estavam na moita, no eucaliptal, só pra variar! Putz! E o 15 gente??! Na moita também! E demorei uma vida para encontrá-lo. Mais de 30 minutos! Difícil controlar a falta de concentração! Parecia filme de terror! Sozinha, tentando andar rápido, me batendo com teias de aranhas enormes (as teias e as aranhas) no meio dos eucaliptos. Aranhas enormes mesmo! E acabavam presas em mim, junto com as teias. Fazia de tudo para não estragar a casinha delas e não bater com força no meu corpo, tentando não machucá-las. Teve uma hora em que tive que tirar boné e óculos rapidamente para me livrar das teias e das aranhas. Pra completar, encontrei aquele rapaz de péssimo humor outra vez. Estava de cara fechada e resmungou quando tentei algum contato, rs! Mudei de rumo, pensando que só faltava encontrar a bruxa numa casa de chocolate e um caldeirão de água fervente... Rs!
   Ali, ainda passei um bom tempo... Subi e desci umas 3 vezes. E me bati com as aranhas mais 300 vezes. Voltava para uma referência, batia azimute, contava passos e nem entendia como não encontrava. Então resolvi mudar a estratégia. Segui por uma trilha para atacar o prisma por fora. No caminho, encontrei Paulinho, que confirmou minha suspeita de que seria mais fácil dar a volta. Enfim, o famigerado prisma 15! E tive que enfrentar as aranhas outra vez para não dar a volta toda. Adoro isso!
Graças a Deus, apareceu um filho de Deus numa moto, oferecendo água. Parecia um milagre! Estava saindo do prisma 16, passando a cerca, quando o vi. O sol de São Gonçalo é bem forte. A quentura sai do chão, de baixo pra cima! A boca estava seca demais... Agradeci e continuei.  
   Embora desconfiasse que poderia ter surpresas, os últimos prismas (eram 20) não estavam difíceis de achar. Estava muito ressabiada com tudo o que Sam, o organizador da prova, me fez passar. Que rapaz malvado!! Parece tão gente boa! Ninguém diz que é capaz de fazer tantas maldades, rs!
Terminei a prova em 2:45h. Nem eu sei como demorei tanto! Cheguei mais de uma hora depois da última atleta da minha categoria. Acho que só consegui esse feito na minha primeira prova de orientação em 2005.
   E corri para as melancias, pensando em como estaria o meu namorado lindo. Fiquei ali a me hidratar, na adrenalina da minha aventura! Como amo fazer tudo isso!! Estava tão feliz por concluir o desafio que me perdi nas melancias. Detalhe: Não como melancia em nenhuma outra ocasião, rs! Não gosto de melancia.
   Quando acabei minha sessão hidratação, fui contemplada com a imagem daquela figura feliz da vida, com um sorrisão de orelha a orelha, vindo em minha direção, com o abraço pronto. Ufa! Ele ficou bem! Ficou muito bem! Tão bem que ganhou a prova com quase 30 minutos à frente do segundo colocado! Subiu no pódio, recebeu troféu, posou para fotos. Espero que tenha entendido que tem muita aventura pela frente se se misturar com a gente, rs!
   Mauro também ficou em primeiro na categoria dele. Nossa! Que maravilha! Tomamos até um copinho de cerveja para comemorar!
   Sempre agradeço por ter ido e me divirto muito! Agradeço por encontrar tanta gente boa! Pelo acolhimento do Clube Carcará nesse ano. Tenho certeza de que esse compromisso com o Clube (Na direção de Luiz Agnaldo) me tornou mais assídua, trazendo, sem dúvida, mais benefícios para mim do que para eles. Agradeço às amigas/atletas da minha categoria, pela competitividade saudável, pelos nossos encontros no mato e fora deles.
   Agradeço mais ainda, de joelhos se ela quiser, a minha amiga Gabi, que achou a chave do meu carro e foi nos resgatar naquele "inferno" pra gente não ter que voltar de bicicleta, com aquele sol queimando nossas moleiras. Rs!!!!
   Que bom que fui! Obrigada Sam, pela aventura feita para de acordo com a minha necessidade.
   GANHEI!
   Até ano que vem!

domingo, 21 de outubro de 2012

FAXINA DA ALMA!


   Quantas reflexões vem aí! 


   Aniversário chegando, mais um ano de vida (Ufa, que bom que tenho mais tempo de felicidade!) e muitos aprendizados. Muitos mesmo! Ano passado, estava animadíssima com a chegada do meu aniversário! Cheia de expectativas para a chegada dos meus 40. Nossa! A chegada dos 40 é um acontecimento! E aconteceram tantas coisas que nem conto. Aliás, não conto outra vez! Está em alguma postagem dessas por aí. Torci o tornozelo no meu aniversário de 40 anos e minha vida virou de pernas pro ar, literalmente! Bom! Talvez seja até mais legal de pernas pro ar! Quem sabe? Até que não foi tão ruim...
   Agora estou aqui, perto do meu aniversário de 41, sem expectativas. Meu mês de outubro foi tenebroso! Cheio de atividades, de trabalho, de doenças de filho, de notícias ruins.. Um verdadeiro pesadelo, rs!... Aiai! Eu rio na cara do pesadelo! Tenho que rir!
  E dizem que é o inferno astral! Que quando chega o mês do aniversário, a pessoa se atrapalha toda e acontecem muitas coisas ruins. Putz! Tomara que acabe logo esse negócio de inferno astral! Estou sem tempo pra viver outras coisas. O inferno astral está me consumindo...
   Talvez seja até melhor ter menos expectativas porque a vida acaba lhe surpreendendo...
   Passarei 3 dias da semana em Brasília e 3 em São Paulo. Tudo à trabalho! E só vou em casa para não deixar de receber o abraço dos meus filhos no dia do meu aniversário. Talvez isso não seja tão ruim! São oportunidades de trabalho que podem me trazer aprendizados importantes. E ainda vai dar tempo de abraçar as crianças!! Ahhhh! Tá bom demais! 
   Tenho tantas coisas pra escrever... Parei de escrever! Tem tanto tempo da última vez!
   Voltarei em breve, com mais frequencia. 
   Enquanto isso, colo um texto do Carlos Drumond de Andrade só para lembrar de que tudo na vida passa! Principalmente, o sofrimento. Que é passageiro, lembram?! Que a vida é feita de escolhas e ser feliz nunca pode deixar de ser prioridade.
   Já tô começando a faxina!!!

FAXINA DA ALMA



Não importa onde você parou, em que momento da vida você cansou.



Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida e, o mais importante, acreditar em você de novo. Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado. Chorou muito? Foi limpeza da alma. Ficou com raiva das pessoas?

Foi para perdoá-las um dia. Sentiu-se só por diversas vezes? É porque fechaste a porta até para os anjos.

Acreditou que tudo estava perdido? Era o início da tua melhora.

Pois é... agora é hora de reiniciar, de pensar na luz, de encontrar prazer nas coisas simples de novo.

Um corte de cabelo arrojado diferente, um novo curso, ou aquele velho desejo de aprender a pintar, desenhar, dominar o computador, ou qualquer outra coisa. Olha quanto desafio, quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando... Tá se sentindo sozinho? Besteira, tem tanta gente que você afastou com o seu "período de isolamento".

Tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu para "chegar" perto de você. Quando nos trancamos na tristeza, nem nós mesmos nos suportamos, ficamos horríveis. O mau humor vai comendo nosso fígado, até a boca fica amarga. Recomeçar...

Hoje é um bom dia para começar novos desafios.

Onde você quer chegar? Alto? Sonhe alto! Queira o melhor do melhor. Queira coisas boas para a vida. Pensando assim, trazemos prá nós aquilo que desejamos.

Se pensamos pequeno, coisas pequenas teremos. Já se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente lutarmos pelo melhor, o melhor vai se instalar na nossa vida. E é hoje o dia da faxina mental.

Jogue fora tudo que te prende ao passado, ao mundinho de coisas tristes. Fotos, peças de roupa, papel de bala, ingressos de cinema, bilhetes de viagens e toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados.

Jogue tudo fora, mas principalmente esvazie seu coração. Fique pronto para a vida, para um novo amor.

Lembre-se, somos apaixonáveis, somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes, afinal de contas, nós somos o "Amor".

Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 16 de setembro de 2012

Desafio dos Sertões em setembro de 2012- 140km


   Chegar a Juazeiro e Petrolina sem lembrar a música de autoria do saudoso Luiz Gonzaga é quase um crime!
   “Todas duas eu acho uma coisa linda. Eu gosto de Juazeiro e adoro Petrolina!”.
   Estivemos nas duas durante o Desafio dos Sertões! Gosto do nome! DESAFIO DOS SERTÕES! É desafiador!
   Pra começar a conversa, tivemos dúvida se caberíamos os quatro e toda aquela tralha no carro de Marcelo. Deu certo, na medida do possível! Viramos sardinhas enlatadas, mas deu! Filomena, a minha bicicleta, viajou sem os pneus dentro do carro e as outras ficaram no rack do lado de fora. Os remos também foram por cima do carro... E fizemos uma ótima e divertida viagem!
   Feliz por relembrar nossos velhos tempos de Aventureiros do Agreste! Sempre nos revezamos nas corridas e fazia tempo que tinha corrido com essa formação: eu, Marcelo, Scavuzzi e Mauro. Fazia anos! A última vez foi numa prova cheia de lama em Saubara... Sim, acho que foi! Os meninos são muito tranquilos e aguentam muito bem o tranco de correr com uma mulher que fala o tempo todo e se mete em tudo. Eu, definitivamente, não sou uma mulher igual! Aliás, ninguém é!
   Pegamos Mauro bem cedinho em Feira de Santana e seguimos para Juazeiro...
   As bicicletas foram deixadas em Petrolina, no lugar indicado pela organização, com mais umas coisinhas pra comer e beber quando passássemos durante corrida. Depois fomos à casa dos amigos de Marcelo, que nos deram um suporte em Petrolina. Um agradecimento especial aos amigos dele que, agora, são nossos também.
   Tudo aconteceu no Centro de Cultura de Juazeiro, onde havia fotógrafos, repórteres, atletas, amigos e curiosos. E nós agradecemos ao Organizador do Desafio dos Sertões, Walter Guerra, que sugeriu o rango e emprestou seu nome pra gente pedir uma pizza muito gostosa e comer em plena plateia, com as mãos mesmo e a coca-cola no “gargalo”. Desculpem, mas é assim mesmo! A gente de despe de qualquer padrão quando vai fazer uma corrida! Desde que sai de casa, qualquer tipo de exigência pode parecer frescura. Se der pra lavar as mãos, ótimo! Se não der, ótimo também!
   Largamos às 21h da sexta-feira, numa corrida paralela de 5km que encheu as ruas de Juazeiro de atletas. Misturados, corremos os 5km e seguimos pela noite afora, remando pelo “Velho Chico”, já conhecido nosso de outros carnavais.
   Nosso remo de 16km até que não foi dos piores, tendo em vista que não treinamos a modalidade. Só que eu e Marcelo não acompanhamos muito bem o ritmo de Mauro e Scavuzzi. De qualquer forma, a previsão de tempo foi superada e não ficamos muito atrás das outras equipes.
   A lua veio nos acompanhar por toda a noite estrelada naquele Rio São Francisco que mais parece o mar. Linda lua amarelada, com uma estrelinha pendurada! Parecia diferente do habitual. O Velho Chico tem ondas em alguns lugares e um vento contra que aparece de vez em quando. Mas, ele estava até calmo!
   Em Petrolina, nossa transição no PC4 (chegada do remo para começar a bike) lembrei do meu perrengue no Desafio de 2010, quando tive uma hipotermia em plena natação. Dessa vez, eu e Marcelo sentimos muito frio. Numa tremedeira daquelas que os dentes não param de bater e o corpo fica descontrolado, a gente andava de um lado pro outro e se mexia como podia. Acabei tendo que ajudar Marcelo primeiro, agindo como uma pessoa experiente em hipotermias, RS! E isso até me fez melhorar. Colocamos o anorak e a situação aos poucos foi controlada.
   O trecho de bike para os PCs 5 e 6 foi desconcertante! Um pedal super travado, cheio de areia fofa, onde as equipes se misturaram e tinha gente caindo pra todo lado. Não conseguia acompanhar meus amigos e muitas vezes nem sabia onde estavam. Talvez esteja precisando de óculos, mas, mesmo com uma iluminação boa, era difícil controlar e entender onde começavam e terminavam as caixas de areia. Talvez esteja precisando de técnica... Fiquei pra trás mesmo...
   Com toda lerdeza, não cai nem abracei mandacarus. Mauro quem gosta de abraçar mandacarus, rs! Ninguém nem viu os mandacarus que margeavam a trilha. Ele os abraçou. E cai parecendo uma jaca pra todo lado que vai! A gente acha graça!
   Muitas bicicletas já estavam estacionadas pela fazenda quando chegamos ao PC6, onde deixamos nossas coisas e começamos o trekking. Que, por sinal, foi uma brincadeira de subir morros. Enquanto o pedal era plano e travado de areia, pedrinhas e costela de vaca, o trekking era só subida de morro. Eu gosto de subir!
Modéstia à parte, fizemos um trekking muito bom! Muitas equipes estavam espalhadas no pé do morro, sem encontrar a entrada da trilha. Dava pra ver o mundo de luzes espalhadas na escuridão. Nós chegamos ao ponto de ataque, simplesmente, nos espalhamos os quatro, encontramos a trilha, nos juntamos e subimos sem demora. E lá em cima foi a mesma coisa. Toda vez que a trilha sumia pelos lajedos, nos espalhávamos rapidamente. Assim, fomos o primeiro quarteto a pegar o PC7B.
   Preferimos dar a volta pelo estradão pra pegar o PC8. Essa prova deveria se chamar Desafio dos Setecentos Morros, de tanto morro! Então, chegamos à frente do Morro da Santa ainda de madrugada. Mauro sacou logo que era ali a subida! Descreveu o costume da região e comentou que os fiéis deveriam fazer algum tipo de penitência ao subir até o topo. Confiamos e subimos a escadaria como os devotos. No fim das escadas tinha um começo de trilha com toda sinalização necessária para uma subida segura, indicando distância, altitude, direções, conforme descrição do nosso capitão. Eu subia, imaginando as beatas pagando promessas, coitadinhas, subindo de joelhos, cansadas, parando para respirar. Viajei mesmo! E o PC 8 estava lá, depois da penitência toda, com a cara de descarada dele, RS!
   O sol deslumbrante, lindo de viver e de ver, já começava a aparecer enquanto descíamos do Morro da Santa e atravessávamos a pista de asfalto, em direção ao desafio de número 9... Outro morro. Dessa vez a gente não teve tanta facilidade de encontrar a trilha e, para adiantar, resolvemos bater um azimute e rasgar pelo mato naquela paisagem empoeirada. Os arbustos do sertão se curvavam à nossa passagem. Os galhos, de tão secos, pareciam queimados, enfraquecidos com a falta de chuva. Os mandacarus eram o que havia de mais verde e o que defendia a vegetação de nós, invasores. Machucamos-nos um pouco, só um pouco! Nós também somos agrestes como a vegetação. Somos Aventureiros do Agreste!
   Caímos na estrada que descia para o PC 10, no encontro da trilha para o PC9. A Kaaporas passou em nossa frente e seguiu (Luis Célio e Eduardo estão jogando duro nas Corridas de Aventura!). Depois de nos desvencilhar de toda aquela vegetação, passar por pedras, gravetos secos, espinhos e mandacarus, e subir bastante, é claro, encontramos o PC escondido atrás de uma pedra enorme. (Esse pessoal se esconde mesmo!).
   Dali em diante, a coisa seria mais fácil se o sol não castigasse tanto e a poeira não estivesse entranhada pelos nossos poros. No final de tudo sairia um caldo de caranguejo na hora do banho mas, isso é só um detalhe pós-prova.
   O PC10 era único posto de controle de trekking localizado num lugar plano. Encontramos a pessoa do PC sofrendo com o calor, sem camisa, rodeado de copinhos vazios de água mineral, numa situação tão difícil quanto a nossa, RS! Soube que teve PC pedindo resgate!
   De lá, pegamos a estrada, passamos numa vendinha pra comprar suprimentos e seguimos para o PC11. O sol estava escaldante e fizemos uma estratégia de cortar caminho pelo morro para alcançar o PC mais rápido. Só que acabamos passando da entrada e a coisa demorou mais do que o esperado. Bom que Mauro fez umas triangulações e acabou nos colocando no ponto certo de mapa. E isso nos pôs no caminho certo outra vez. 
   Nosso amigo Paulo Neves estava no PC11 com umas bebidas ultra geladas. E biscoitos também! Outras pessoas também estavam por lá e nos deram um incentivo bem bacana! A fofa da Vanessa veio falar comigo que era minha fã por eu navegar em Corrida de Aventura. Achei tão bonitinho! Mas, Vanessa, pode ter certeza de que, além de ter conquistado espaço e confiança dentro da equipe, corro com pessoas muito especiais, que valorizam e também me chamam atenção quando titubeio. Foi uma conquista lenta! É muito difícil ter segurança no meio de tanto macho, onde já há o paradigma que os homens que navegam e ditam os caminhos da equipe. A gente, hoje em dia, consegue dividir as tarefas e todos sabem o que fazer. De vez em quando a gente faz um monte de besteira, mas, pro tanto de treino, nossos resultados são muito bem vindos! Além disso, acho muito legal quando um deles solta um “E agora Lu? Pra qual lado a gente vai?”.
   Demoramos pra caramba na transição! Tempo suficiente pra chegar um monte de equipes. E ainda ficamos um tempo, decidindo qual trilha seria a opção com menos areia pra gente se lenhar.
   Sei que no caminho para o PC 12, a bicicleta de Scavuzzi estourou o pneu dianteiro. Ninguém entendeu nada! Um pneu de Notubes, sem câmara, um rasgo enorme, longitudinal. A princípio pensamos que a prova terminaria ali. Marcelo esfregou as mãos e agradeceu a Deus, enquanto eu imaginava os quatro chegando ao último PC de bike, empurrando as bicicletas. Só que cada um teve uma ideia para resolver o problema. Colocamos uma câmara normal, forramos o rasgo com a lona da plaquinha da bike (igual a do mapa), tiramos o pito. Depois de encher o pneu, ainda enrolamos a parte rasgada com silvertape, só pra garantir que o rasgo não aumentaria. E continuamos a prova como se nada tivesse acontecido. Criatividade é o que não falta nessa equipe!
   O PC 12 e o 13 foram bem tranquilos de achar. Foram 30km do 11 ao 13. Como nosso pedal já não estava essas coisas todas, o pneu estourado nos atrasou um pouco mais. Também passamos num posto de gasolina depois do PCV 12 para comer misto quente. Aproveitamos pra chupar picolé de uva e ficamos por ali a papear um pouco pra não perder a essência das "viagens" que essa equipe doida faz no meio da prova. 
   As bicicletas ficaram estacionadas no PC13, enquanto subimos mais um morro para fazer o trekking até o 14 e voltar. Era uma subida boa e longa, mas o PC estava depois da subida, no final da descida. Ou seja, do outro lado da montanha. Mas, foi só andar muito, muito mesmo, só 3km, e chegar lá!
   Mauro reclamava que não estava bem desde os dois últimos PCs. Na volta do 14, a coisa começou a piorar. O PC era num restaurante do vilarejo, onde tinha gente da organização, atletas e pessoas comuns. Mauro começou a tossir, o vômito veio e encheu sua boca. Conseguiu prender e correu pra um lugar melhor. Enquanto ele vomitava, as pessoas nos olhavam sem entender porque continuamos fazendo o que estávamos fazendo, sem acudir nosso amigo. Mauro fazia um barulho terrível, vomitando, enquanto eu e Scavuzzi falávamos do conteúdo do vômito (rsrsrs!) e refletíamos que botar pra fora aquelas porcarias todas faria um bem danado pra ele.
   E fez! Sei que, quando o rapaz terminou de vomitar, passou a mão na boca e disse que tínhamos que ir, pois estávamos demorando muito! Obedecemos!
   Nosso pedal de mais 30km do 15 ao 16 entrou pela noite e não me lembro de ter sentido tanto sono nas corridas que fiz, quanto neste dia. Aliás, nesta noite. Chegamos ao PC 16, deixamos as bicicletas, comemos um pouco e fomos remar até a chegada.
   Vixe! Que sono! Dormi remando várias vezes! Coitado de Marcelo! Minha contribuição nessa perna de remo foi medíocre! Tive alucinações e, só pra dar uma ideia da situação, vi um caminhão baú metálico no meio do rio, com uns homens colocando carregamentos. Também passou um homem andando sobre a água em minha frente usando uma túnica branca. E, se tivesse alguma equipe por perto, seríamos ultrapassados, sem dúvida!
   Parecia interminável aquele sofrimento, que não era dor. Era uma luta para manter a postura, para manter os olhos abertos, para remar e ajudar meu amigo a chegar ao final da prova. Mas, terminou, como sempre! Quem faz Corrida de Aventura sabe que uma hora acaba, basta ter paciência.
   Nossa chegada foi comemorada por nós mesmos! O PC dormia naquela madrugada fria. Fiquei imaginando o sofrimento deles. Marcelo e Scavuzzi foram se esconder do vento frio, atrás do balcão do restaurante, enquanto tentávamos achar o PC da chegada em algum daqueles carros, no décimo segundo sono, RS! Achamos, registramos nossa chegada e fomos pra casa dos amigos tomar banho e dormir, com direito a uma paradinha pra comprar um sanduba bem gostoso pra rebater a bagaceira!
   Só para finalizar a conversa, quero dizer umas poucas palavras! Mapa impecável, prova brilhante, glamourosa e elegante. Também agressiva, desgastante, dolorosa e empoeirada do jeito que a gente gosta! E que bom que tem gente nova e tem dinossauros! Que bom ter amigos tão queridos, com os quais posso correr e me divertir muito! Que bom que pude viver mais essa grande aventura! O Grande Desafio dos Sertões! Melhor! No "frigir dos ovos", pegamos um pódium de terceiro lugar, só para compensar o sofrimento. Viva nóis!
   Beijos e até tantas outras!
   Luciana do Agreste
   Retroceder Nunca, Render-se Jamais e Divertir-se Sempre- Esse é o nosso eterno lema! Pode até doer, mas a gente não desiste e dá risada pra caramba!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Orientação- Terceira Etapa


Mais um capítulo da orientação aconteceu no fim de semana de 15 de julho, lá no Distrito de Ipuaçu, perto de Feira de Santana. Nem sonhava pra que lado ficava o Distrito de Ipuaçu e sequer teria acesso à internet naquela tarde de sábado. Só no apagar das luzes, consegui entender como chegar ao local da prova. Ainda bem! E Mauro foi comigo... Ótimo!
A Equipe Caatinga Trekkers que organizou aquela terceira etapa cheia de novidades. Teve o Sicard, um método eletrônico de apuração da prova, que dá seu resultado na hora com todas as parciais de cada passagem nos prismas. Para isso, a pessoa corre com um chip preso no dedo e passa esse chip em todos os dispositivos de checagem colocados nos prismas da pista de orientação. Quem corre as provas do brasileiro já está habituado com a inovação. Eu, ainda não!
Meus resultados, como disse em outras postagens, não foram dos melhores nas últimas provas. Um quarto lugar na primeira etapa, um terceiro na segunda etapa e a gripe me pegou novamente. Brincadeira! Mais uma vez, antes da prova. Que coisa mais desagradável! Parece até que fico nervosa pra correr orientação. Eu, doida pra correr, cheia de energia, ficando doente antes de prova. Mas, dessa vez, a coisa melhorou dois dias antes do grande dia.
Ótimo! Coloquei meu chip no dedinho indicador, fiz um teste para ver se funcionava e fiquei esperando a minha hora de partir. Como sempre, estava largando entre as primeiras. Paciência!
O prisma zero me atrapalhou toda! Como o padrão da corrida era de brasileiro, o zero estava super longe do local da largada. Bem longe! Tão longe que tive dificuldade para entender o que estava acontecendo por falta de costume. Achei que a direção de largada poderia estar errada. Mas, como só eu estaria certa? Então segui o fluxo que não sou tão besta assim..
Reparei que eram apenas 11 prismas, só que bem distantes uns dos outros. Com um relevo bem apetitoso, cheio de ladeiras. A brincadeira prometia!
O primeiro prisma estava bem tranquilo de encontrar. Localizado na pista, só para facilitar as coisas! Então começamos a festa, pulando cerca, pegando uma trilha e achando o prisma 2. O 3 foi o mais difícil pra mim! A vegetação era mais densa no mapa. Fiquei um pouco indecisa na abordagem. Acabei entrando por uma cerca, correndo pela trilha. Mas, demorei! Demorei por achar que talvez pudesse descer pela pista aberta e passar a cerca no ponto exato da trilha. Fiquei com a minha cara de pastel, indo, pensando, voltando, titubeando e perdendo tempo. Sendo que só precisava correr por ali mesmo, trilha adentro, e encontraria a clareira, onde estava o famigerado prisma! Preciso confiar mais em mim. A navegação poderia ter sido perfeita. Demorei 13 minutos nesse vai e vem desnecessário. Fazer o quê? Quem manda ser bocó? O raciocínio era exatamente o que tinha feito quando entrei na trilha.
Dali em diante, só precisei correr! A navegação estava boa, os prismas bem posicionados! Só que distantes uns dos outros. Afe Maria! Pra chegar até o prisma 4 foi uma vida! Ele estava lá no outro canto do mapa, na “casa do chapéu”! Lá no alto! Numa área de pasto, depois de passar pelo gado que me olhava meio de lado, pra lá de um tanque seco. Numa vista bem linda de lá de cima! Será que alguém mais percebeu que a vista era bem bonita lá de cima?!
Pois é! Se a pessoa sobe, tem que descer. A ribanceira que me levava até o 5 era coisa de cinema! Dava vontade de arrumar um tonel e descer rolando. Como não tenho problema nos joelhos, quase desci embolando mesmo. Foi na descida que encontrei a minha amiga Deja. Ela saiu primeiro do que eu e estava indo pro prisma 7.
Depois de uma cerca ali, outra acolá, alcancei os prismas 5 e 6. Deu pra me arranhar um pouco e rasgar a roupa mais um pouquinho. Daqui a pouco a minha camisa de Penélope não vai prestar pra mais nada, exceto pra pano de chão.
Subi pro prisma 7 virada na “zorra” e já encontrei Deja no caminho. Fomos juntas até lá e encontrei meu amigo e irmão Mauroba do Agreste, a quem devo quase todo conhecimento de navegação. A organização avisou que o 7 estava deslocado.. Esquecemos e procuramos por uns segundinhos a mais do que o esperado. Paciência...
No caminho para o prisma 8, encontramos Tatye, outra menina que corre em nossa categoria. Esta saiu depois, por isso, ao nos alcançar, estava em vantagem. Descemos todas “desbandeiradas” para o prisma 9. Como eu disse, tinha ladeira pra não acabar mais. Como aquela era uma descida de pasto, a carreira foi boa!
Subi correndo sem olhar pra trás e acabei me afastando um pouco das outras meninas. (Sobe e desce retado!) A vegetação ficava um pouco mais fechada, com uma trilha bem gostosa e sombreada de árvores naquele trecho. O mapa bem preciso, dava pouca margem de erro... 
No calor na carreira, tinha uma raiz de árvore no meio do caminho, bem em frente ao meu pé. A queda foi tão doida que passei umas 3 semanas com dor na parte da frente da coxa. Tive um estiramento muscular, RS! Senti a dor, mas na hora, só olhei pra trás pra ver se tinha plateia pra dar risada depois e continuei correndo.  
Só sei que achei o prisma 10 bem rapidinho e continuei correndo sem perder a vontade de chegar logo e tirar um pouco da diferença de tempo das meninas. Então fisguei o prisma 11 e fui para a chegada conferir meu tempo. Uau! Saiu na hora! Massa esse Sicard! Tempo de prova: 1:06h. Achei bem legal e fiquei esperando que as meninas chegassem no meu rastro. Mas, elas até que demoraram um pouco e chegaram contando as suas peripécias no mato depois que nos separamos.
Voltei pra casa toda suja e com um troféu de segundo lugar! Toda feliz da vida! Feliz da vida porque minha terapia de ir para a trilha no domingo funciona muito bem! Adoro correr no mato! Pelos matos afora, como sempre digo! Recarrego todas, absolutamente todas as energias! Encontro amigos, esqueço o mundo lá fora, corro, entro em contato com a natureza e ainda ganho troféu por isso. Bom demais!
Então, mais um VIVA para a Corrida de Orientação! Adoro! 


domingo, 19 de agosto de 2012

Carrasco Fast 2012


Finalmente, o Campeonato Baiano de Corrida de Aventura começou! Finalmente... nos dias 4 e 5 de agosto.
Formamos uma equipe de destreinados, porém, com o espírito Aventureiros do Agreste mais forte do que nunca. Eu, Marcelo, Mauro e Gabi... Cheios de vontade de passar a noite no mato para relembrar os velhos tempos. Eu, particularmente, estava necessitada, desesperada! Precisando sumir do mundo sem avisar... Aliás, avisando.  Pelo menos, avisando!
E, para a felicidade de todos e o bem geral da nação aventureira, a prova era noturna! Massa! Viva a Carrasco!
No grande dia, logo de manhã, Mauro ligou avisando que acabara de demitir a babá e teríamos que arrumar um atleta para correr no lugar de Gabi. Eu, cá com meus botões, refletia sobre as nossas provas e lembrava que sempre fora assim. Vixe Maria! Nossa Corrida de Aventura é a doidisse da nossa vida! São as mil atividades, o stress do dia-a-dia, as crianças pra cuidar, a funcionária que foi embora ou não apareceu, a escola pra pagar, as contas... todas as contas, a manutenção do carro... E quem vai ficar com as crianças?? Bom! Depois de mil ligações, viajamos para Feira sem um substituto para Gabi. Daríamos um jeito!
As minhas crianças e o cachorro foram para a casa da minha irmã, em Feira. Larguei todo mundo lá e fui pro mato me esconder e esquecer a vida. Corrigindo, fui me encontrar no mato. Onde gosto de ir uma vez ao mês (ou mais).
A arrumação dos equipamentos aconteceu no meio das crianças de Gabi e Mauro pra lá e pra cá. Felipe queria porque queria meu mucilon, alegando que estava com fome. Depois achou meu Nescau. Ai.. ai! Será que esqueceram de dar comida pra Felipe ou ele sentiu fome porque viu as comidas??
Fomos para a largada para adiantar as coisas! Marcelo brincava que estava cansado quando pedalávamos até o local, enquanto Mauro e Gabi ficaram para resolver as pendências finais e levar as crianças para um lugar seguro, RS!
O mapa estava ótimo! Percorreríamos o leste, o norte, o oeste e o sul da cidade, numa volta em torno do anel rodoviário de Feira, por trilhas. Uma largada dentro da cidade, em plena Avenida Getúlio Vargas, às 18:20h, em direção ao Povoado de São Roque.
Já preparados para uma prova light, contrariando o slogan da prova (Carrasco Fast “Adrenalizado”), pedalamos num ritmo confortável, respeitando quem estivesse mais lento. Só pra vocês terem uma ideia, Gabi não pedalava havia um mês e ninguém estava preocupado com isso.
No caminho para São Roque (PC1) pegamos uma trilha para cortar caminho que não adiantou absolutamente nada e nos colocou exatamente em última posição logo no começo da prova.
Uma estradinha de terra nos levava até o PC2. Além de termos caprichado na iluminação, a lua e uma fresquinha boa nos acompanharam por toda a noite. Já valeu todo o esforço que fizemos para chegar até ali.
Não sei o que Mauro conseguiu fazer com a bicicleta! Tínhamos até ultrapassado algumas equipes quando paramos por causa do câmbio empenado. Tava tudo enganchado! Ninguém sabia onde terminava o câmbio e começava a corrente. As roldanas também se misturaram. A gancheira nem se fala! Sorte que parou assim que travou tudo!
A bicicleta quebrada foi razão para várias resenhas e risadas. Uma verdadeira cirurgia até darmos um paliativo e retomarmos a prova. Ao som de uma reza alta pra Zé (meu anjo da guarda) nos ajudar, Mauro desempenava a gancheira. As motos da organização passaram, perguntando se precisávamos de ajuda... Não precisamos! Nós não pararíamos, mesmo que estivesse tudo quebrado! Só imaginei que terminaríamos os mais de 50km de Mountain Bike, empurrando bicicleta. Desculpem, mas passa longe da minha cabeça a palavra desistir. Estava amando aquilo ali! Até a bicicleta de rodas pra cima estava me divertindo.
Mauroba que me perdoe, mas a bicicleta dele está um caos! Tudo empenado, gente! Precisa se aposentar por tempo de serviço! Só que ele diz que está muito satisfeito com o que tem e não vai trocar nada. Pior! Nem faz revisão antes de correr.
Graças a Deus, deu tudo certo! Subimos uma ladeira bem gostosa para chegar ao PC2. E, lá de cima, dava pra ver a cidade toda iluminada para compensar o esforço. Depois descemos por um leve downhill entre eucaliptos até o 3, onde deixamos as bicicletas e seguimos para a pista de orientação.
(Só pra vocês terem ideia da lerdeza, a gente atrasou tanto que, quando chegamos ao PC2, a Makaíra estava passando por lá de trekking, já voltando pro 5. E quando a gente chegou ao 5, eles já estavam no 12.)
Uma pista de orientação deliciosa nos esperava, dentro de um eucaliptal com um cheirinho de desentupir nariz. Não tem rinite alérgica que resista aquele cheiro! (Adoro cheiro de eucalipto!) Mauro me entregou o mapa, dizendo que eu fazia orientação melhor do que ele. Marcelo ficou responsável por contar a distância e Gabi, por semear discórdia, RS! Foi muito engraçado! Depois que encontramos o prisma F, começou a “briga”. Mauro mudou de ideia! Puxou rudemente o mapa da minha mão, dizendo que estava muito lenta. Gabi disse que era um absurdo eu o deixar fazer aquilo. Então tomei coragem pra tomar o mapa da mão dele outra vez e saí rápido, navegando, RS! E a estória continuou até encontrarmos os cinco prismas e voltarmos ao PC5 para pegar as bicicletas.
Que delícia de prova! Nunca curti tanto pegar as bicicletas de volta. E olha que fazer trekking é comigo! Um percurso de mountain bike fluido, tranquilo de pedalar, sem precisar descer da bike toda hora. Talvez tenha subido alguma ladeira casca grossa, só que estava tão divertido que nem percebia. A lua continuava ali, linda, clareando nossa noite esplêndida! E a brisa no rosto!! Ah! Que coisa boa é fazer Corrida de Aventura! Não tem preço passar a noite no mato, curtindo com os amigos!
Do PC5 até o PC10 foram mais de 30km por trilha. Gabi sentia um pouco e nos revezamos em ajudá-la, carregando sua mochila e empurrando-a sempre que dava. Além disso, estávamos sempre pertinho dela para não desanimar. Marcelo estava virado na “zorra”! Pedalando na frente, navegando por todo o trecho de bike. Aquele treino de duas semanas foram importantíssimos na vida dele, RS!
Do PC10 até o 12, tivemos que passar pelo anel rodoviário. Eu e Marcelo estávamos conferindo a distância para confirmar a entrada da trilha, enquanto Mauro empurrava Gabi. Quando levantamos a cabeça, os dois já estavam descendo o ladeirão para a BR116 no maior embalo. Não ouviram nossos gritos... Ficamos os dois, ali, parados, com cara de “tacho”. Esperamos um tempão até vermos os faroizinhos, voltando em nossa direção.
Que merda, heim?!! A entrada era aquela, estava à nossa frente!!
Deixamos as bikes no PC12 e descemos para o rio de trekking. Ao invés de fazermos o tradicional "feijão com arroz" do mapa, tive a brilhante ideia de pegar um atalho, me achando a esperteza em pessoa. Sim! Eu mesma!!! A navegação seria perfeita se a gente tivesse de colete salva vidas para atravessar o rio nadando. Chegamos exatamente onde queríamos! Só que era água ou vegetação. A noite nos dava a desvantagem de enxergar poucos metros à frente. Decidimos então voltar e consertar a porcaria que fizemos. Voltamos para a trilha que todas as equipes fizeram, só que bem atrasadinhos, RS! Tanto que a pessoa que estava no PC15 foi embora. Não tinha mais PC! E o sol já clareava o dia!
Pegamos a trilha para o PC16 ao lado de um pescador que informou, com cara de ironia, que as vacas passavam de um lado para o outro do rio pelo junco e não afundavam. Pois é! Estávamos de frente para o PC, do outro lado do rio e não atravessamos. Putz! Melhor não ficar perguntando demais!  Perdemos um tempão voltando tudo!
Não entendi, logo de cara, porque os caiaques estavam na beira do rio, com uma tábua ao lado. Depois de enterrar o pé na lama até os joelhos, entendi. O barco ficou em cima da tábua e eu fiquei atolada, com um pé na tábua e outro preso na lama. Uma verdadeira vaca atolada! E o maior problema quando essas coisas acontecem é que ninguém resolve nada escorregando e rindo ao mesmo tempo. É preciso concentração para tirar o pé da lama na Corrida de Aventura (e na vida!), meus amigos! É preciso foco! Mas, uma câmera fotográfica seria muito bom também!
Então entramos no barco e remamos até o outro lado do rio para pegar comidinhas para uns 20km no rio e o equipamento de rappel pro meio do caminho. Demorou uma vida pra esse povo pegar essas coisas... Não sei como o pessoal da organização não perde a paciência com a gente! É muita calma nessa hora!
Os aventureiros de Feira são muito bem servidos no esporte! Além das trilhas iradas, o rio Paraguaçu passa no quintal deles. Que lugar bacana para remar! Pegamos o PC17 e estava tudo certo pra eu fazer a ascensão no PC18, até avistarmos aquela pedra enorme. Enorme mesmo! Uma subida super técnica, aonde a pessoa ia ascendendo e se esfregando nas pedras, se ralando nos cactos e se esbagaçando toda. Um trabalho para Super Mauroba do Agreste! O “cara” em técnicas verticais! Euuuu!? Só iria se não tivesse jeito!
Enquanto Mauro se acabava todo pra subir, prendemos os caiaques a um tronco para um delicioso piquenique e um soninho gostoso. Só deu certo o piquenique...
De volta aos barcos, concluímos nossa prova às 11 da manhã, felizes, contentes, serelepes e com um despretensioso terceiro lugar. Despretensioso mesmo! E muito legal! Depois de tudo de bom que vivemos naquela noite, subimos no pódium!
Desejo é que a Corrida de Aventura volte aos velhos tempos e as pessoas não achem que precisam ser “super” para correr uma prova. Já tivemos provas com mais de dez quartetos, além das duplas. Agora, ao invés de crescer, estamos encolhendo. Quero acreditar que é uma pausa e vamos crescer. Teremos provas para iniciantes para atrair a turma nova e a galera das antigas que está meio sumida. Que venham todos os atletas e todas as provas!
Parabéns à Caatinga Trekkers, pela prova linda! Que bom que não teve um tornozelo torcido para atrapalhar nosso encontro esse ano!
Beijos em todos e até muito breve!

sábado, 14 de julho de 2012

Dez anos de Orientação

   A Corrida de Orientação faz aniversário de 10 anos. Me apaixonei por esse esporte há 7 e sempre escrevo minhas aventuras por aqui. Até contei como foi a primeira prova que fiz em dupla com Gabi no texto "Tudo começou com a Corrida de Orientação". Adoro!
   O nosso amigo Américo Sam fez uns versos em homenagem aos 10 anos de Corrida de Orientação na Bahia. Vale a pena conferir!


"Olá orientistas,
amigos participantes do esporte Orientação;
Saúdo a todos com a paz do Senhor,
ao passo que peço a vossa atenção.

Em 2012,
a Bahia completa 10 anos de competição;
É desde 2003 que temos a oportunidade
de participar de um campeonato de orientação.

E nessa oportunidade
não poderia deixar de agradecer ,
a todos que participam, e principalmente
àqueles que fizeram esse campeonato acontecer.

Tudo começou quando três nobres amigos
resolveram o esporte emancipar;
Transcenderam os muros dos quartéis
e para os baianos, o CamBO começaram organizar.

Reginaldo, Esteves e Moreno,
em conversas visualizaram o campeonato;
Depois chegou Augusto
e um tal de Véio do Mato.

Todos contribuíram e o CamBO veio a surgir.
Tem homem e mulher, menino e menina;
gente de todas as idades que se pode ter por aqui.

Tem gente empolgada
pelo seu primeiro prisma encontrar;
Tem cabra chateado
por ter errado a rota na hora de atacar.

São tantas histórias
que nesses 10 anos “aconteceu”;
Pois bem, vou contar umas duas
pra não dizerem que é invento meu.

Lembro-me do amigo
que um lago a nado atravessou;
Dizendo ser mais perto
que a trilha que o contornou.

Esse fato se sucedeu
na região de Alagoinhas;
o ano foi em 2004 e nome do atleta
não escrevo nem com pena de galinha.

Teve outro artista
que de uma falsa-baiana se utilizou;
achando ser a oportunidade
que ele tanto desejou.

Depois da travessia,
ele viu a razão que lhe faltou;
E como prêmio de recompensa,
Não foi o último, mas a aventura que ficou.

Teve aquela ainda que disse:
- Vejo o seu pupilo na chegada;
Só sei que a moça demorou tanto
que quase precisou ser resgatada.

Ah, foram tantas pistas
que não daria pra citar aqui;
teve Arembepe, Abaeté, 19º BC, PE,
Simões Filho, Cruz das Almas, Berimbau e Camaçari;
teve ainda Tiquaruçu, Tanquinho, Santa Bárbara,
Jorrinho, Cabrita, sem esquecer do 35º BI.

Temos disputas boas,
que fazem a rivalidade aflorar;
Foi assim no inicio, com Tio Regi e Moreno,
E é agora com Paulinho, Célio, Sampaio e Gilmar.

Tivemos e temos clubes e equipes
que deram e dão a maior contribuição;
Iniciou com o CLOFS, ROTA, CAOS, COAMA
e os PAPALÉGUAS da orientação;
Hoje tem o CBM, CAATINGA trekkers, KAAPORAS,
CARCARÁ, CCAA, CABRAS DA PESTE, sem esquecer do LITÃO.

Não podemos esquecer de Tio Freitas,
um cara que na Bahia veio morar;
Assim que se estabeleceu,
diversas provas começou a organizar.

Prezados, são dez anos de alegria
que valoriza a nossa AssBO/Associação;
Porém, fico a pensar
que tá na hora de parturiarmos a Federação.

Precisamos regulamentar o nosso esporte
para mais forte ele se tornar;
Tem bolsa atleta, SUDESB, prefeituras
e outros órgãos para parceriar.

É preciso também, às escolas retornar;
Em 2009 e 2010 era estudante pra todo lado,
andando, correndo. Todos a navegar.

É triste perceber que o estudantil se acabou.
Êta, chegamos a ter 150 meninos e meninas
correndo com mapas que a gente mapeou;
Não me perguntem por que ele veio ao fim;
Pergunte o que é que pode ser feito
para termos de volta o nosso festim.

Alguém já disse: “...não chore pelo passado”;
O fato é que precisamos nos unir,
pois se quisermos ver o esporte crescer,
Juntos, temos que agir.

Esse é meu relato que aqui deixo para reflexão;
Peço a todos que me desculpem,
se disse algo sem permissão;
Ah, deixo também os parabéns
para todos os praticantes do Esporte Orientação."

Grande Abraço,


Américo Sam

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Release Running Daventura 2012

   Castelo Garcia D’ávila, Praia do Forte, no maior clima de corrida, música estimulante, atletas aquecendo, gente dando entrevista, organizadores, clubes de corrida. E eu ali, outra vez, na linha de largada...
   Ôxente! Claro que abracei os meus amigos primeiro! Tinha uma galera de Corrida de Aventura lá e nossos encontros são sempre muito especiais. Além disso, encontrei vários amigos corredores de rua e outros que nem imaginava que estavam no esporte. Até a minha vizinha "cheinha" estava lá, correndo “cinquinho”, como ela mesma disse... Olha só que bacana! A Running Daventura está atraindo muita gente pro “outside”.
   De Penélope, só eu. Tinha um ponto rosa no meio das meninas. Umas fariam 5km, outras 8, outras 14km e nós, 21km. Claro que não ia me despencar pra Praia do Forte pra correr menos de 21km. Uma pessoa que faz Corrida de Aventura perde completamente os limites de distância. Às vezes, até fica sem noção, como é o meu caso, RS! Pessoa sem noção de distância! Depois que você passa dos 80km de trekking num só trecho de prova... Aaahhh... Vamos lá! Vamos fazer 21km!
   Fui perguntar a um amigo de Corrida de Aventura se ele ia fazer 21km e a resposta positiva foi dada da seguinte maneira:
“-Me respeeeeite!”
   Tá vendo que não sou eu só, a doida! Que figura!
   Corrida é a minha modalidade preferida! Se treinei?? Bom! Treinei distâncias menores no meio da semana e fiz treinos mais longos nos fins de semana. Cheguei aos 16km no maior longão. Os 5km que faltaram, faria lá mesmo, RS!
   Como a largada era descida, segui o conselho do meu treinador e fã número 1- Tadeu- e peguei logo o embalo...
   Ah! Se você quiser um bom treinador, posso indicá-lo. Ele vive dizendo que sou a melhor, que tenho uma capacidade de recuperação impressionante, que corro horrores, que navego muito bem e que preciso treinar sempre, RS! Tem treinador melhor? Acabo acreditando, mas, só ele vendo a minha situação quando estou com o mapa na mão nas orientações da vida, perdida no mato, falando sozinha, contando passos e rindo de mim mesma. Em Corrida de Aventura nem se fala... A verdade maior é que preciso treinar mais mesmo!
   Voltando ao assunto... Fui passando para frente do bolo de garotas pra correr mais livre no primeiro trecho de areia fofa em direção ao estradão de terra batida de acesso ao Castelo, no sentido de saída, é claro! Da estrada de terra, entramos à esquerda para Reserva da Sapiranga. Areia fofa pra que te quero?! Ó céus! Mas, ali era só o começo! Estava com fôlego e já sabia que, depois da ponte que passa embaixo da pista da Linha Verde, a estrada ficava batida outra vez... E depois areia fofa, depois batida... E assim sucessivamente. Ah! E também tinha subida, depois descida, depois subida... (É pra rir mesmo! Me lenhei!)
   A previsão de conclusão da prova, segundo alguns “infiltrados” da organização, era de 2:30h. As mulheres largaram 5 minutos antes dos homens e nesse trecho da prova eles começaram a passar aos montes. Não sabia quantas meninas correriam 21km mas, imaginava que não estava tão mal. Na verdade, fui para correr o máximo que pudesse! Meu batimento cardíaco que o diga! Sorte que o dia começou chuvoso e deixou a temperatura amena. As árvores da Reserva também ajudaram muito!
   Depois de muito subir, descer e subir, já lá em cima, voltamos, entrando na área mais fechada de mata que faz a costeira pelo rio. Esse trecho era um pouco mais perigoso para quem não tem hábito de correr pelo mato. Primeiro que o caminho só dá para uma pessoa, na maior parte do tempo, depois que tinha obstáculos de todo tipo como raiz de árvore, pedras molhadas altas e baixas, galhos baixos, riachos, lama pra escorregar. Mais do que nunca, me sentia em casa. A respiração deu um upgrade interessante, as pernas aumentaram o passo para aumentar a velocidade.
   Durante a corrida, tomei um gel e meio de carboidrato. Não sei onde caiu a outra metade mas, acho que foi na hora em que o bocó me empurrou. Também aproveitei bastante os pontos de água. Tanto para beber, quanto para refrescar o corpo. A organização distribuiu gatorade também. Uma chiquêza só! Usufrui toda regalia para manter o ritmo!
   Ah! Tenho uma queixa! Um bocó me empurrou na trilha. Isso não é certo! Não impedi ninguém, que estivesse mais rápido do que eu, de passar. E penso que numa prova dessas, se você tiver num ritmo constante e levar um empurrão, mesmo que leve, pode ser motivo de uma boa queda. Fiquei muito chateada e reclamei mesmo! Me retei!
   As vozes femininas me estimularam a continuar correndo forte. Quando percebi que duas garotas estavam por perto, tratei de manter o ritmo. Só que não podia exagerar se quisesse continuar perto delas. Fatalmente, não conseguiria dar um sprint no final. Acabamos nos conhecendo ali mesmo. Isso só acontece com as mulheres e acho muito legal! Quando saímos do singletrek, corremos lado a lado, nos apresentamos, trocamos amabilidades sinceras (sério!) e continuamos no nosso ritmo. Eram Fernanda Piedade e Patrícia. Muito simpáticas e correm muito bem!

   Areia fofa, areia fofa e areia fofa até que subimos na direção do Castelo outra vez, passamos ao lado dele e descemos em direção à praia. Ali já eram mais ou menos 15km, não lembro. Só sei que ia começar a correr os quilômetros que não treinei. As árvores desapareceram, o sol resolveu esquentar e a areia fofa já parecia areia movediça. “Deuzemais!” Eu sabia que isso aconteceria! O batimento tava na casa do chapéu e a foto acima flagrou o meu momento mais ofegante de prova!
   Saímos pelas dunas até a praia e voltamos para as dunas outra vez. Patrícia deu um sprint por aquelas bandas que não vi nem o rastro. A menina sumiu! Fernanda estava logo atrás de mim. Preferi não olhar para trás. Achei melhor ficar concentrada, dar o máximo de mim e esperar até o final para ver qual era a nossa.

   Até a chegada era só subida com muita areia e meus bofes estavam a pular pela boca. Ufa! O estradão até o Castelo chegou! Tinha uma menina correndo em minha frente... Mais um estímulo! Nem sabia a categoria dela, mas, acho que foi quem me salvou de ser ultrapassada por Fernanda. Aumentei o ritmo e ultrapassei a garota sem olhar pro lado, fui em direção a chegada, tinha mais areia fofa, mais subida, uma curva e, finalmente, o pórtico apareceu. Uhuuuuuu! Cheguei! E Fernanda deve ter cruzado a linha de chegada uns 15segundos depois de mim. Imaginem! Eu nem sabia onde ela estava. Precisamos conversar pra eu saber da sua impressão sobre a prova! Ela é forte pra caramba!
   Bom! Como já me conheço, para evitar dor de cabeça ou outra caruara semelhante, fui andando devagar, peguei o lanchinho, a medalha, mais água e fui relaxar com as pernas pra cima. Ali, os amigos foram chegando, ficamos resenhando um pouco, depois fomos pra casa.
   Tempo de prova de 2h10m e tantos segundos. Fiquei surpresa quando avistei o relógio e achei que a prova passou muito rápido! Foi uma corrida descontraída e bem dosada.
   Resultado: Primeiro lugar na categoria e sétimo no geral! Bom! Muito bom! Só preciso pegar meu troféu.
   Ano que vem tem mais Running Daventura! Excelente prova, estrutura impecável!