segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Corrida do CT Gantuá- 2014


   Mesmo que seja só para juntar os trapos, casar dá um trabalho danado! Principalmente, se um par tiver dois filhos e o outro tiver três. Pra caber todo mundo na mesma casa, é coisa pra fazer que não acaba mais! E esse período de adaptação coincidiu com a chegada da Corrida de Aventura do CT Gantuá, que abriu o calendário 2014 na Bahia.
   Sempre digo que Corrida de Aventura tem muitos encantos. Desde os treinos antes da prova, o encontro com os amigos, o contato com a natureza, o “esquecer da vida”, até a resenha depois da prova. A falta da rotina de treinos e o tanto de coisas pra fazer quase nos fez desistir de aparecer na festa. Mas, nos apegamos aos encantos citados pra levantar da cama cedo e ir até a Praia do Forte pra Corrida do CT.


    É uma maravilha encontrar tanta gente boa de todas as épocas das Aventuras na Bahia! Chegamos, abraçamos um monte de gente (eu abracei, no caso, rsrs!), arrumamos nossas tralhas (que não eram muitas), pegamos o kit prova e sentamos nossos “forévis” no chão para montar a estratégia de prova.
   Era uma prova de múltiplas escolhas. Com os pontos marcados no mapa, você poderia ir a qualquer lugar, do jeito que quisesse, e pegar quantos PCs quisesse. Como cada PC tinha uma pontuação já escrita no mapa. Ganhava quem juntasse mais pontos dentro de quatro horas de prova. Com o detalhe que, chegar depois do tempo limite, subtraia ponto por minuto.
   Na verdade, não estávamos tão animados para elaborar grandes estratégias. Intuitivamente ou pra ficar mais fácil (quem sabe?), decidimos pela sequência de pedalar, remar e depois fazer um trekking até o final da prova! Sem muita certeza, montamos nossa prova. E, cá pra nós, ninguém tinha certeza de nada mesmo. Corrida de Aventura não inspira certeza! O certo é que seria relaxante!

   Setenta equipes é equipe saindo pelo ladrão! A largada foi toda embolada, já que tinha gente saindo pra todos os lados de bike e à pé. Com três barras de cereal, duas bananinhas e três litros de água para cada, pedalamos em direção ao Castelo Garcia D’Ávila para pegar os PCs daquelas bandas. Com vontade de fazer uma boa prova, pretendíamos pegar todos os PCs, embora achássemos o mapa bem recheado de prismas.
   Acho que aquela trilha na volta do Castelo estava mais pra lá. Pedalamos um pouco mais da conta pra dar o corte de caminho pra voltar pra Sapiranga, mas decidimos retornar pelo mesmo lugar pra não perder muito tempo. Pensando bem, nada por ali é perda de tempo. A paisagem compensa muito e o caminho era só descida, sem nenhum esforço, bastava soltar os freios. Sem contar que acho que a outra trilha tinha uma areiazinha para atrapalhar. Ah! E meus freios acabaram...
   Por falar em freios, saí pela tangente no caminho pro PC E3. Não achamos! Olha que somos miseráveis de insistentes! O que atrapalha muito a nossa vida. Não me conformava! Voltamos, contamos a distância, entramos na trilha. Escorreguei nas pedras, me acabei toda em cima do cansanção, quase abracei um cacto e nada. Saí de lá toda estrupiada, jurando voltar para pegar o E3 que, por sinal, só valia 3 pontos. Rsrs! Foram mais de 40 minutos por 3 pontos.
   Enquanto seguíamos, lembrei que não tava pensando em nada que estivesse fora dali. A cabeça estava ocupada com pouca coisa. Só em água, verde, próximo PC, bicicleta com blocagem solta, falta de freios, árvore caída, barulho de rio. É o que esse esporte faz com a gente.
   Então subimos aquele estradão todo pela Reserva da Sapiranga pra pegar os PCs lá de cima, perto das Trilhas Extremas do Running Daventura. Como Vitor que tava navegando (... sem contar com a hora que tentei tomar o mapa da mão dele no E3..), impliquei que tínhamos entrado no lugar errado, rs! Raiai! A pessoa tem que explicar, caso contrário, exijo meus direitos de navegadora na condição de atleta de percurso. Como que vou a um lugar sem saber quanto falta até a próxima referência?? Não! Quero explicações.. Mas, isso não foi muito demorado, não, rs! Foi conversa pouca... Descemos umas pirambeiras, subimos outras e depois fomos para o CT Gantuá para fazer o trecho de remo.

   Depois da remada refrescante, deixamos as bicicletas por lá e descemos correndo pra pegar os PCs do lado direito do mapa... Direito pra quem vai, rsrs! Se é que vocês me entendem... Pelas trilhas afora, seguimos passando por riachos, galhos, troncos caídos, teiús assustados, amigos distraídos. Entre o L6 e o K4, rolou uma leve dificuldade... A trilha seguiria pelo rio... Mas, não seguiu. Mas, o azimute voltou pra direção certa... Hum... Eu e Vitor precisamos fazer o velho revezamento de navegação. Combinamos dele navegar na bike e eu no trekking. Foi muito bom pra mim, porque a gente reclama que o outro tá navegando devagar pra se livrar da culpa. Então, lá estava eu, tomando a frente da navegação... Devagar, rsrsrs!
   O J2 não estava lá. Procuramos como a zorra! Lembrei do E3, que conseguimos pegar quase no apagar das luzes da prova. Parece que o J2 foi roubado mesmo. O E3 não.
   Quando chegamos no AT Largada/Chegada pra pegar os coletes, obrigatórios para atravessar o rio,  faltavam 38 minutos para completarmos as quatro horas de prova. Isso nos fez desistir dos coletes. Optamos por pegar todos os PCs que estivessem do lado de cá. Rio acima, caminhamos até o tempo quase se esgotar. Tentei ir além. Vitor não quis, lembrando que perderíamos pontos caso atrasássemos para chegada. Sempre eu, procurando confusão, falando pelos cotovelos.   
   Não posso negar que chegar sem saber a posição não tem o mesmo glamour, seja qual for a posição, embora concluir uma prova seja sempre muito bom! A prova foi bem distinta das outras que já fiz. Modalidades facultativas, PCs facultativos. Ganha quem fizer mais, perde pontos quem passar do tempo. A novidade trouxe muita gente nova. As Corridas do CT sempre trazem muita gente de todas as épocas. Diana e Alan são excelentes organizadores de prova! Maravilha pra todos nós!
   A gente sempre tem esperança de beliscar uma posição no pódio. Quando Alan chamou a dupla que ficou em terceiro lugar, sussurrei pra Vitor que a gente não tinha mais chance. E ele só confirmou que nem estava achando que ganharíamos nada... Até que, em seguida, tivemos a grata surpresa de sermos chamados para receber o prêmio de *segundo lugar na prova. Levamos o maior susto! Ficou até engraçado...
   Ganhamos um troféu lindo, camisas do CT, barras de cereal, granola, tapioca, toalhas refrescantes... Um monte de brindes dos apoiadores da corrida. Bom demais!


   Lembrei do  amigo Pedro da Gantuá, que sempre dizia: “A corrida só termina quando acaba”.
   Sei que a gente nunca deve desanimar porque não é só a vitória que importa e sobre todo o discurso do tanto de coisas boas que a Corrida de Aventura nos traz, já escrevi horrores. Nesse dia, especificamente, estávamos tão exaustos mentalmente, que tivemos até preguiça de animar. Mas, quando a gente pensa que aprendeu tudo em Corrida de Aventura, vem mais lições:
   A CORRIDA NÃO TERMINA NEM QUANDO ACABA.
Com nosso treinador- Tadeu

   É por isso que amo nosso esporte! Correndo e aprendendo... Aventureiros do Agreste no pódio mais uma vez! Nos veremos na Noite do Perrengue, então.
   Ah! Quer ver por onde a gente andou?? Então veja no GPSTRACK da Adventuremag:
   www.adventuremag.com.br/gpstrack/corridadoct2014/
   Sobre a Gantuá: www.gantua.com.br

* Preferi não mudar o relato porque a emoção do momento da premiação já aconteceu e não pode ser apagada. Depois dessa publicação, a organização da prova entrou em contato com a gente para dizer que a contagem de pontos foi feita de forma errada. Nós empatamos por pontuação com a dupla que ficou em terceiro, mas chegamos 4 minutos depois deles. Resultado: Eles ficaram em segundo e nós em terceiro. Então, na próxima oportunidade, vamos trocar nossos troféus. Nada mais justo! E nós agradecemos aos organizadores pela honestidade.