domingo, 6 de maio de 2012

A PELEJA de 29 de abril de 2012

   Vamos conjugar o verbo em coro!
   “EU PELEJEI, TU PELEJAIS, ELE PELEJOU, NÓS PELEJAMOS, VÓS PELEJAIS, ELES PELEJARAM.
   Nem sei se está certo... Mas, foi uma peleja mesmo!
   Depois da primeira etapa, precisava voltar a treinar um pouco mais. Dessa vez seriam 50km, ao invés de 33. Faria dupla com Tadeu e acabei correndo com Mauro. Que também me pareceu ótima formação para o momento vivido. Estava com muita vontade de correr no mato e nenhuma vontade de navegar. Que coisa boa! Pra dizer a verdade, nem li os informativos sobre a prova. Tava tão despreocupada que me estranharam.
   Além da correria de resolver onde deixar meninos e cachorro, dormi muito tarde e acordei muito cedo. Fui direto para o local da prova, em Tanquinho. Na BR 324 tive uma ligeira sensação de que não deveria ter ido. Levei a minha bicicleta e a de Rubão no meu carro. Perto da entrada de Terra Nova, ouvi um barulho no teto do carro e fui freando e recuando para o acostamento. Nossa! Foi um susto terrível! A bicicleta de Rubão soltou da blocagem e, literalmente, voou contra a chaparia e a porta do carona, ficando presa apenas pelo pneu traseiro. Putz! Senti pelos arranhões do carro, mas refleti e percebi que nos livramos de um grave acidente. Poderia ter sido muito pior e a parte material é passível de resolução. Enfim, colocamos a bike de Rubão dentro do carro e continuamos a viagem.
   Tanquinho é aquela cidade que fica depois de Feira de Santana e tem uns morros bem grandes. Que lugar quente! Perece meio-dia o tempo todo.
   Chegamos, tiramos as bicicletas dos carros e começamos a organizar as coisas para largar. Adoro o clima de Corrida de Aventura! É tão bom abraçar os amigos, rever todo mundo, pegar o mapa e sentar no chão para navegar! Quem disse que o Sr. Mauro Navegador Oficial apareceu cedo? Fui adiantando, traçando caminho, aferindo distâncias e marcando uns azimutes até ele chegar.
   Olha gente! Quem não foi, perdeu uma salada de frutas muito gostosa oferecida pela organização. O negócio foi muito bem organizado! Fomos muito bem tratados até a largada. Dali em diante, todo mundo já sabe que o sofrimento, o calor, a falta de água, de comida, a dor e outras coisinhas mais é que deixam a prova mais gostosa. Não quero tratamento VIP mesmo!
   Como não naveguei, não sei se vou saber dizer os PCs certinhos, mas, vamos lá!
   Eu e Mauro combinamos de fazer o melhor, respeitando nossas limitações. Mauro garantiu que tomaria o mapa das mãos dele no meio da corrida. Me defendendo, garanti que me controlaria. Rs! Não sou tão neurótica assim!
   Saímos todos correndo por uma trilha dentro de um corredor de cercas para o PC 1, que estava numa porteira no meio do nada. Naquele trecho, já dava pra perceber o que nos esperava. Uma caatinga miserável, um sol escaldante, cactus, espinhos, seca, cerca, porteira e muito sofrimento.
   O PC2 era um prisma na beira de um rio. O rio secou! Era só o buraco. As vaquinhas magricelas nem tinham ânimo de levantar a cabeça. Naquele trecho da corrida, as duplas de Aventureiros corriam juntas. Eu e Mauro, Marcelo e Leandro, Ígor e Rubão. Além de Arnaldo e Marisa da Olhando. No caminho para o PC3, encontramos nosso grande Aventureiro Josemar (vulgo Jojoooó!!!), voltando tudo, RS! A “pessoa” passou direto e foi parar no PC3, sem pegar nenhum antes. Que figura!
   O 3 tava numa Fazenda e, dali, a gente começava a subir o morro para fazer o rappel no PC4. Algumas duplas optaram por pegar a estrada e atacar o PC de frente, outras prefiram subir e chegar direto no rappel. Nós subimos! Subimos e subimos! Entramos pelos matos catando as trilhas que, ora estavam marcadas e visíveis, ora desapareciam na mata e nos espinhos. Até que fomos objetivos. Mauro parecia bem atento e seguro em suas decisões. Eu ajudava pouco, procurando as trilhas, dando poucas opiniões. Àquela altura 5 equipes estavam juntas. Tateamos um pouco, avançando por aqueles espinhos horrorosos, que quase furaram o “zóios” do meu amigo.
    “Ainda bem que tinha uma médica no meio do mato para uma consulta de urgência. Que sorte a nossa que médicos também são malucos e fazem Corrida de Aventura! Obrigada Marisa!”
   Ufa! Depois furar vários lugares das minhas pernocas já cheias de cicatrizes, com aqueles espinhos assassinos, encontramos o PC. Obedecendo a fila, cada um foi se arrumando em suas cadeirinhas de rappel e descendo pela corda. Deu até tempo de me encantar com a vista linda dali de cima. Foi ali que nos separamos dos amigos e seguimos adiante.
   No PC4 que encontramos Marcinha e Evinho, uma das duplas mistas que competia com a gente. Nos vimos muitas outras vezes, depois dali. Acho que tinha umas 22 duplas. Mas, eram poucas mistas. Revezamos a primeira posição em vários PCs seguintes.
   Rs! Correndo até o PC5, eu parecia uma vaca com aqueles ATCs de rappel, balançando na cintura. Os bodes e as vacas me olhavam com um ar familiar. E Mauro não me ajudava a “desengundar” daquele troço!
   As bikes estavam estacionadas numa Fazenda tão seca quanto tudo que a vista alcançasse. Com tantas cercas e porteiras pra pular que precisei de ajuda dos universitários. Apareceu um muro enorme à nossa frente, que nos separava do PC. Ainda tinha estrume por todos os lados.
   Então saímos de bike por aquele mundaréu afora! Um sol de lascar o cano, rachar o juízo e acabar com o caboclo de desidratação! Os PCs 6, 7 e 8 não tinham muito segredo.
   Nas minhas reflexões, ficava pensando em como estava sofrendo com aquele sol quente... Eu, que adoro correr no sol porque agüento o tranco. Uma criatura com 3 provas de 5 dias no curriculum, RS, amarelando com um sol. Sofro muito mais com frio do que com calor.
   Pois é! Pensei que ia morrer de calor umas 3 vezes. Cheguei ao PC9 toda arrepiada! De caruara mesmo! Mas, como já conheço todos os sintomas de quem amarela, sabia que aquela “ziguezira” passaria depois de uma boa e geladésima latinha de coca-cola. E não pode ser PEPSI!
   Depois da coca, jogamos água na cabeça, calçamos os tênis e partimos no trekking. A caruara passou! Num trekking forte, bem forte, entramos por uma Fazenda, pulamos cerca como a zorra. Mauro acenou para um rapaz que parecia o caseiro e nos olhava com cara de mau. Então chegamos à porteira principal e seguimos por um estradão. De lá, de longe, olhamos para trás e avistamos uma placa bem grande na porta da Fazenda de onde saímos, onde estava escrito.
   “PROIBIDO A ENTRADA DE PESSOAS NÃO AUTORIZADAS.”
   Bom! Não dava pra gente adivinhar! Ninguém avisou que era proibido entrar pelos fundos, RS! Não estava escrito que era proibido sair. Ainda bem que saímos vivos de lá! Ufa!
   Voltando à corrida, enquanto me acabava para acompanhar os trekking forte de Mauro, tagarelava e refletia. Se eu estivesse correndo com Fred estava ferrada! Marcinha e Evinho estavam muito perto de nós e ele me faria botar os bofes pra fora. Seria um estresse terrível. Ufa! Respirava aliviada! Melhor não reclamar da vida!
   Pensei também que aquela corrida, provavelmente, terminaria pela “boca da noite”. Minha iluminação estava péssima. Levei um farol que não usa pilhas. Daqueles de manivela, RS! Rimos muito, imaginando como eu faria para pedalar e girar a manivela. De quantas mãos precisaria, RS! Achei que seria uma prova rápida... Quanta audácia a minha!
   Então pegamos o PC10... o 11. O PC11 definiu a prova. Foi ele quem nos separou da nossa dupla “arqui-rival-inimiga-mortal”. RS! Fizemos a volta no morro e procuramos o PC num ponto antes de onde ele estava. Mauro achou que era por ali. Foi a única hora em que peguei o mapa pra dar uma olhadinha, RS! Mas, não me estressei não. Achava que era mais adiante, mas como ele queria ter certeza, aceitei que subisse a mata pra conferir. Enquanto isso, sentei numa pedra e fiquei admirando aquela mata. De vez em quando, passava o olho pelo chão pra ver se tinha alguma cobra me olhando. Acabei encontrando uma casca de caramujo enorme e linda. Tava seca, cheia de terra dentro. Não resisti e trouxe essa lembrança pra casa. Tenho tantas conchas do mar que resolvi guardar uma lembrança da terra no meu vaso. Até hoje admiro aquela casca de caramujo! Foi um presente da natureza para mim.
   Mauro apareceu sem encontrar o PC. Estava mais a frente mesmo. Àquela, a outra dupla já estava longe. Então seguimos rápido! Pegamos mais um PC e chegamos à Fazenda para pegar as bicicletas no PC13. Foi quando recebemos a notícia de que seguiríamos direto para a chegada sem perder a segunda posição, já que Marcinha e Evinho conseguiram passar dali. 
   Assim, chegamos ao fim da Peleja numa peleja retada! Gabi e as crianças nos aguardavam, junto com muitos aventureiros. Sorte que ainda era dia e não precisei usar minha super lanterna de manivela. Alguém pode imaginar a cena? Nunca mais cometo essa gafe.
   Aproveitando a escrita, quero dizer que correr com Mauro é sempre muito bom! Fiz exatamente o que queria e precisava fazer. Corri, pedalei, ri, curti a natureza e encontrei amigos queridos. Seria muito legal se, além de tudo, ficássemos em primeiro. Mas, Marcinha e Evinho foram melhores e mereceram levar o troféu para casa. Muito bom! Ficamos felizes de verdade com a competência de vocês!
   Veio a sensação de que deveria ter ido, sim. Que bom que não perdi a festa!
   Um beijo pra todo mundo, já cheio de saudades! Espero que a próxima corrida não demore muito pra eu não entrar em depressão. Rs!