quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Aventureiros do Agreste no Brasileiro de Corrida de Aventura 2013- 175km


   A formação do quarteto ficou por conta de Gabi, Mauro, Marcelo e Scavuzzi. Nós, eu e Vitor, ficamos com tanta vontade de ficar no meio do bolo, que arrumamos um jeito de ir em dupla para a Final do Espírito Santo. Seis Aventureiros do Agreste nos matos do Espírito Santo daria muita estória pra contar.
   Uma luta até embarcar! Totó pro hotel (uma chiquêza só, esse Totó!), crianças enbarcando pra Sampa e lá estávamos nós, no aeroporto, rumo ao Espírito Santo. Uma caixa, duas bicicletas, muitos amigos queridos (Arnaldo, Plínio, Ricardo, Ana Paula e Kassiele) no mesmo voo e muita expectativa.
   A chuva estava tão forte que avião não pôde descer. Sem “teto” para aterrissagem. Que saco esse negócio de “teto”! Não era pra ser o contrário? Com teto o avião bate no teto, sem teto está aberto... Ah! Deixa isso pra lá! Só sei que ficamos voando nos céus do Espírito Santo, o aeroporto fechou e fomos parar em Campinas. Só depois, resolveram nos devolver pra Vitória, no mesmo avião. Pelo menos isso!
   O atraso nos fez perder o ônibus que levara os atletas ao alojamento e nos obrigou a percorrer 60km socados numa Kombi socada de equipamentos, sem lugar nem para os pés. Uma chuva retada, a estrada super sinuosa, uma serra miserável... Ou seja, a aventura começou muito antes, como sempre. Sorte que o quarteto da Aventureiros chegou antes e providenciou nossas pequenas pendências.
   Teve mais! O alojamento deu errado, nos transportaram para o quinto dos infernos depois do briefing, dormimos no máximo 3 horas, para fazer uma prova de 175km no dia seguinte. Então vou parar de escrever as coisas que deram errado pra começar a contar da prova. Ainda bem que, nada de tão errado aconteceu mesmo. Melhor agradecer!
   O mapa, quase do meu tamanho, tinha tanta curva de nível que dava medo só de olhar. É sério, tinha mais de metro! Tô reclamando, não! Rsrs! No dia seguinte a gente tava lá na Estância do Vale do Moxuara, no pórtico de largada, pegando o GPS e esperando a hora de sair. Nós seis! Aff Maria, como eu amo esses Aventureiros!
 
   De bike, começamos subindo, subindo, subindo... e subindo. Não parávamos de subir. O que foi aquilo, meu Deus!? Passamos pelo PC1 e continuamos subindo. De vez em quando a gente descia, mas era mais subida do que descida. E essa luta seria de 40km até o PC8, quando pegaríamos nossos tênis pra mais uns poucos km de bike e descansar o forévis com míseros 7km de trekking.
   Gente! Rezava pra chegar no trekking! Hora subia pedalando, hora empurrando a bicicleta. E nós estávamos num ritmo tão parecido com nosso quarteto, que sempre nos encontrávamos, vez ou outra, até que o pedal de Scavuzzi soltou. Tivemos que continuar, porque, afinal, a prova não era em sexteto e tinha muito macho pra ajudar. Mas, fui preocupada, pensando em como eles resolveriam aquele problema que parecia sem solução. Não dava pra subir e descer tantas ladeiras pedalando com uma perna só...
   O sol começou a esquentar e precisamos fazer umas paradas estratégicas, como a da casa do Sr. Amarildo. Aquela mangueira tinha uma água gelada deliciosa! Meu corpo agradeceu dez vezes. E a esposa dele arrumou vários cubos de gelo pra nossos camelbacks. É muita gente boa que tem nesse mundo!
   Continuamos ladeira acima até o PC8, na pracinha da pequena cidade de Domingos Martins que, por sinal, era lá no alto da montanha. Rapaz!... Meus cambitos estavam em chamas!
   Uma pena que fomos cortados por 40 minutos! A corrida atrasou uma hora e meia e o tempo de corte foi estendido por meia hora. Pouquíssimo justo! Pior do que ser cortado era saber que teríamos que concluir os cento e tantos quilômetros de pedal sem trégua. Nem uma perninha de trekking pra aliviar. Minha reza não deu certo.
   Então tá! Fomos pegar nossa caixa no caminhão para o piquenique da pracinha, na companhia mais do que agradável das amigas Ana Paula e Kassiele, além dos meninos da Gantuá e outros atletas que conhecemos por lá. Rolou suco, sardinha, pêssego em caldas, coca-cola, bananinha... Maior farra!
   Muito lugar lindo pelas serras do Espírito Santo! Cascatas, rios, pontes, barragens. Ainda era dia quando saímos de Domingos Martins. Pedalávamos, interminavelmente, desde as 10h da manhã. Decidi não respeitar tanto as ladeiras sem fim, empurrando a bike só quando o bumbum doía mais do que os braços, rsrs! Raiai...
   As ladeiras eram muito cruéis nas subidas, verdade! Mas, nada foi mais louco nessa prova do que a ladeira da Rota Imperial, depois do PC21. O que foi aquilo?? Àquela altura minhas pastilhas de freio nem prestavam mais, meus braços estavam doloridos de tanta trepidação, as pernas eu nem conto, rs! Ao final do primeiro trecho da ladeira, parei pra arrumar alguma coisa e Vitor comentou que a ladeira deu medo. Era medo de ter descido a ladeira errada e ter que voltar. Só que entendi que foi medo de descer e fiquei até surpresa, por não ter achado o trecho tão ruim. Aí, gente, começamos a descer o segundo trecho e... A bicicleta não parava de descer loucamente, os freios só funcionavam numa certa pressão, uns pequenos buracos apareciam para tornar a coisa emocionante, um buraco enorme apareceu para tornar a coisa mais perigosa... Meu bumbum estava posicionado atrás do banco (quem pedala sabe bem do que estou falando), tive ímpeto de parar no caminho para respirar, mas era impossível, até que acabasse aquela ladeira alucinante. Que medo, que adrenalina!
   Só sei que cheguei lá embaixo gritando “UHUUU”, amarradona! Foi a melhor descida da minha vida!
   Bom... Como todo sofrimento pra corno é bobagem, chegando ao PC23, rapel do Véu da Noiva cancelado, pedal não. Foram 9km só subindo até o PC24. NOVE! Chegando lá, assinamos o PC e voltamos no maior “Uhuuu” outra vez. Mas não o mesmo “uhuuu” da ladeira da Rota Imperial. Não sei se vai ter igual.
   Relaxamos um pouco no PC25, antes de sair pra canoagem. Deu pra comer uma quentinha, dançar ao som de Shakira, conversar com a turma, arrumar as tralhas e, o melhor, ver a Aventureiros chegando, depois de muito perrengue. Fico tão orgulhosa do meu povo! Mauro prendeu o pedal de Scavuzzi com um adaptador de pito, não sei de que maneira. Perderam muito tempo, com certeza, mas estavam ali à nossa frente, já planejando a subida para o Véu da Noiva.
   Que belo passeio pelo rio Santa Maria! Não sei fazer leme em duck, Vitor também não. Remamos de uma margem a outra, em zigue-zague, nos enganchamos em vários galhos de árvore, reclamei até esgotar minha cota de queixas da vida dos próximos cinco anos... Tinha horas em que a gente parava de remar pra concentrar, pra ver se conseguia seguir reto. Dava certo até o galho seguinte. Se eu avisasse que tinha uma pedra na frente, Vitor ia pro lado da pedra, rsrs! Enfim, foi trágico. Só agora que pode ser cômico. Demoramos cinco horas pra terminar o percurso de 27km num remo arrastado até não poder mais. Tinha horas em que nem parecia que estávamos rio abaixo. Mas, como, graças ao bom Deus, tudo tem um fim, conseguimos concluir o remo às 3 da manhã.
   Pra variar, as pernas não queriam obedecer pra sair do barco. Trava tudo! Com força e coragem a gente se esquiva do desconforto e sai. Daí vem o frio. Então a gente tem que pegar o anorack o mais rápido que puder, antes que os dentes quebrem. Ufa, conseguimos mais essa! E pernas pra que te quero! Só faltavam pouco mais de 20km para acabar a prova.
   Gente, nunca vi um lugar pra passar tanto trem na minha vida. Era de minuto em minuto. E, como estava escuro, a gente só ouvia o barulho bem alto e ficava imaginando o quão desconfortável deveria ser morar ali perto. Mas, bucólico também.
   O dia amanheceu enquanto corríamos pelo pequeno trecho de asfalto. Quando pegamos a estrada de barro, o sono foi chegando de mansinho. Comecei a falar embolado. Meus olhos não se seguravam e eu não tinha dois palitos para segurá-los. Vitor também começou a sentir sono. Mas, nada como tomar uma carreira de boi pra acordar, rsrs! Carreira de cachorro também tira sono. Os cachorros do Espírito Santo são criados com sustagem. Enormes, valentes, de voz grossa e aparecem em turma grande! Vitor é sempre o Salvador da Pátria. Ele se joga na frente e grita com a cachorrada toda. Tenho mais medo de cachorro do que de boi, rs!
   De certa forma, os cachorros nos mantiveram acordados. E o café com leite que pedi naquela vendinha também. Sou tão cara de pau que peço logo café com leite. O moço disse que o leite não servia não, porque estava na geladeira. Aí eu disse que servia sim, rsrs! Que a gente gostava quando o leite esfriava o café um pouquinho, rsrs! Bato meus próprios recordes de cara de pauzisse!
   Finalmente, chegamos ao nosso destino: A CHEGADA! Em exatas 24 horas de prova, às 10h da manhã no domingo, cruzamos o pórtico de chegada.
   Pena que não soubemos em qual posição ficamos, porque levamos o GPS para rastreamento, não tinha um PC nos esperando nos pontos de passagem. Achamos que, de 25 duplas, entre masculinas e mistas, ficamos em sétimo ou oitavo, não sei. Mas, exceto pelo trágico remo, fizemos uma ótima prova. Com fluidez, perdemos pouco tempo nas transições e fizemos o melhor que pudemos em todas as modalidades. Nossos Aventureiros também conseguiram cruzar o pórtico de chegada sem desistir, apesar de todas as dificuldades.
   Então só nos restou passar o resto da manhã dormindo no bagageiro do ônibus, até que chegasse a hora de ir. Banho só à noite, no hotel em Vitória. E foi tanta coisa que a gente passou até chegar lá que daria outra resenha.
   Que bom viver mais essa aventura! Que venham muitas outras, muitos treinos, muitos encontros e muitos amigos! Será que não tem mais uma provinha esse ano pra gente correr? Só mais uma...

Ação Social do Running Daventura 2013


   Nunca é tarde para fazer o bem. A Ação Social Daventura geralmente acontece no mesmo mês da corrida, com a parceria de sempre da Daventura, Floresta Sustentável e Equipe de Corrida de Aventura Aventureiros do Agreste. Esse ano o negócio quase não sai por conta de dificuldades na agenda dos “atores” envolvidos. Meses depois... fechamos para novembro. Ufa!
   Dei a maior sorte de receber a visita da representante da Colgate, Eliane Campos, no consultório. Posso até dizer que sou uma "cagona" de marca maior. Sabe aquele ditado “Chorei no pé do caboco certo na hora certa”? Caiu bem pra mim naquele dia. Consegui até sabonete para a turminha do Barro Branco. Comprei o resto e ainda tive uma contribuição especial da minha amiga/irmã Lucy Penélope do Agreste com umas escovinhas que completaram a encomenda.
   Nos encontramos na Sede da Floresta Sustentável dentro da Reserva da Sapiranga, com as bicicletas, claro! Seria mais um treino para a Final do Brasileiro no Espirito Santo e o bom exemplo para as crianças praticarem esporte.





   Cinquenta crianças na Escola Isaac Marambaia no Distrito de Barro Branco, perto de Imbassai. Cinquenta kits de saúde bucal com escovinhas, creme dental, sabonete, folheto educativo, um filminho do Dr. Dentuço pra descontrair...

   
   Carol, uma figura ímpar, sempre chega, organiza tudo e faz aquele suspense para nossa chegada. Eu e Vitor entramos na sala com bicicletas e todos os acessórios... 
   Por falar em sala, a Prefeitura de Mata de São João está de parabéns! Todas as escolas que fizemos Ação Social são super organizadas e tem um padrão igual. São lindas e as crianças parecem tão bem cuidadas, arrumadinhas e felizes que dá gosto de ver. Sem contar que a criançada ficou num encantamento danado com nossa chegada! 
   Conversamos sobre vida saudável, preservação da natureza e assistimos ao filminho... Perguntas, brincadeiras, brindes e chegou a hora de voltar pra casa. Primeiro pedalando de volta pra Sapiranga, depois de carro até Lauro de Freitas.

   
   Agradecimentos:
   
   Vitor, aquele cara que nem pestaneja quando invento uma arte. Nem eu confio tanto em mim, quanto ele, rsrs! Então ele foi, curtiu muito e descobriu mais doidices a meu respeito.
   Agradeço muito à minha Equipe Aventureiros do Agreste, porque faço tudo isso e sou muito do que sou por andar com eles por tantos matos desse mundão véio sem porteira.
   À ONG Floresta Sustentável, em nome de Vanessa, que conseguiu, num custo danado, arrumar um dia, uma tarde, duas horas... que desse todo mundo, rsrs! Quem bom!
   E, especialmente, à DAVENTURA, em nome de Carol, aquela moça que sabe falar de um jeito que todas as crianças ficam olhando sem piscar e resolve qualquer problema com um sorriso no rosto.
   Pena que Tadeu, meu parceirão e treinador de vários anos não pôde ir, por conta das tantas mudanças no horário... Espero que tenhamos a sua companhia na próxima oportunidade.   
   É sempre tão gratificante que vou apenas repetir as palavras de Carol Chagas:
   “Que tenhamos vida longa pra fazer isso por muito tempo!”
   Agradeço!

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

CAMPEONATO BRASILEIRO DE CORRIDA DE AVENTURA- FINAL CBCA 2013


   Aventureiros do Agreste, sempre entre as melhores equipes da Bahia desde os primórdios da Corrida de Aventura por essas bandas. Agora nós vamos pro Brasileiro nas Montanhas Capixabas, dias 15, 16 e 17 de Novembro de 2013 - Espírito Santo - Brasil. 
  
Quarteto- Gabriella Carvalho, Mauro Abram, Fernando Scavuzzi e Marcelo Azoubel.

Dupla- Vitor Hugo Moreau e Luciana Freitas.

Claro que não conseguiria ficar de fora dessa festa. Eu e Vitor conseguimos inscrição gratuita, compramos passagens de milhagem, os treinos estão super em dia e nós vamos pro Espírito Santo de mala e cuia, junto com o quarteto.


Abaixo, alguns detalhes da prova, extraídos do site da CBCA...



   PERCURSO

   Os atletas enfrentarão um percurso montanhoso e pouco explorado dentro do ambiente de Mata Atlântica, onde a navegação para atingir os Postos de Controles obrigatórios exigirá experiência em orientação com mapa e bússola, especialmente que alguns PC ́s não serão mais presenciais, pois também utilizaremos apuração eletrônica por GPS. Cada equipe receberá um aparelho com bateria suficientes para 30 h de prova.
   O percurso da prova terá 175 km divididos em 109 km Mountain Bike pedalando por estradas de terra e trilhas. Canoagem de 27 km em rio com leve correnteza e mais 39 km correndo por estradinhas e caminhos, sendo alguns trechos em trilhas na mata. Durante o percurso todos os atletas também terão que fazer um rapel noturno descendo por dentro de uma cachoeira muito bonita.

   TÉCNICAS VERTICAIS

   Todos os atletas farão o Rapel na cachoeira. Todos os atletas deverão ter seus equipamentos próprios dentro das normas da ABNT, veja na lista de equipamentos. Todos os atletas vão se molhar na cachoeira, ao final do Rapel. A maioria das equipes vai fazer o Rapel molhado durante a noite, então não esqueçam as roupas e equipamentos necessários para evitar a hipotermia. Após o Rapel as equipes farão um Trekking/Canyoning de 9 km até o AT onde inicia a canoagem.

   CANOAGEM

   A canoagem será feitas em barcos de inflar do modelo Duck, com dois atletas por embarcação. A organização fornecerá remos iguais para todos os atletas, sendo proibido o uso de remos próprios. Será obrigatório o uso de capacete e colete salva vidas devidamente fechados e afivelados durante todo o percurso, inclusive nas portagens opcionais.O rio não terá corredeiras fortes, é um rio sinuoso com alguns trechos de baixo nível d água e trechos com interdição pontual de galhos e árvores onde será necessária boa iluminação para achar o ponto certo de passagem.

   CELULAR

  Cada equipe deverá levar um celular lacrado durante a prova e apresentá-lo antes no checkin. Operadoras VIVO, OI ou TIM.

   ÔNIBUS E CAMINHÃO – AEROPORTO / ALOJAMENTO

   Os atletas devem se programar para chegar ao aeroporto de Vitória no dia 15 de novembro, até as 17h45m. O último ônibus e caminhão para o alojamento deverá partir por volta das 18h00min. Para a organização planejar melhor o fluxo de saída dos ônibus do aeroporto para o alojamento gostaríamos que TODAS as equipes/atletas nos informassem os vôos, data e horário de chegada em Vitória (antes da prova) e também horário de saída de Vitória (após a prova).Para traslados fora dos horários acima, as equipes devem entrar em contato e combinar o preço do transporte direto com Giumar (Kombi) por e-mail giumar.souza@hotmail.com, fone (27)9719-5125, parceiro do evento e informando vôo e horário de chegada, sob risco de ter que alugar um veículo apropriado para levar a equipe ao alojamento que fica a 50 km de Vitória.
   
   ALOJAMENTO GRATUITO

   Todos os atletas terão alojamento gratuito na noite de 15 de novembro, véspera da largada. O alojamento gratuito será no mesmo local do checkin, entrega de mapas, cerimônias de abertura, premiação e encerramento. Paróquia de Santa Isabel (Verbitas), município de Domingos Martins, a 50 km de Vitória. Todos os atletas devem agendar horário no ônibus que sai do aeroporto para o alojamento.

   LARGADA E CHEGADA

   A largada e a chegada da prova serão no Vale do Moxuara, que fica 60 km distantes do alojamento. O local da largada/chegada é um Parque com restaurante self service, lanchonete, vestiário com banheiros, chalés de aluguel e área para churrasco.Os deslocamentos de ida e volta para o alojamento serão feitos de ônibus. No sábado, os ônibus dos atletas sairão juntos para a largada às 6 horas, do estacionamento da igreja. No domingo, o retorno para o alojamento se iniciará às 7 horas, conforme lotação e com previsão de saída do último ônibus a para premiação às 13h, com os últimos atletas.

   PREMIAÇÃO E ENCERRAMENTO

   Premiação e Encerramento (mesmo local do alojamento) – 17/11 – 14h.

   ÔNIBUS E CAMINHÃO COM AS BIKES – ALOJAMENTO / AEROPORTO

   Traslado de retorno após premiação e encerramento do evento, domingo, 17/11, a partir das 15h30min, do alojamento para o aeroporto de Vitória, com chegada prevista para 17h. Não se esqueçam de agendar os horários para o aeroporto.

   AJUSTES NO CRONOGRAMA DO EVENTO:

   15/11 – 10h às 18h - Deslocamento do aeroporto/rodoviária para o alojamento na Paróquia Santa Isabel; 
   15/11 – 14h às 19h - Checkin das equipes e entrega do kit/mapas, Paróquia Santa Isabel; 
   15/11 – 19h às 20h30m - Abertura do Evento e Briefing, Paróquia Santa Isabel;
   16/11 – 06h - Deslocamento para local de Largada; 
   16/11 – 08h – Largada, Vale do Moxura; 
 17/11 – 12h – Encerramento de prova, Vale do Moxura em local com infra-estrutura, lanchonete/restaurante e vestiário com banheiro; 
  17/11 – 07h – os ônibus disponíveis do local da chegada para o alojamento da Paróquia sairá de acordo com agendamento dos atletas na chegada. A previsão de saída do último ônibus é às 13h; 
   17/11 – 14h – Premiação e Cerimônia de Encerramento, Paróquia Santa Isabel; 
   17/11 – 15h30m - Traslado de retorno após evento para o aeroporto de Vitória, com chegada prevista para 17h.   

  Depois eu conto como foi... Vou arrumar minha mala!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Trote de Aventura 2013


     Por Vitor Hugo Moreau

   Aceitei novamente fazer este release porque o mesmo precisaria render elogios especiais a uma pessoa que, se ela mesma escrevesse, sua modéstia não permitiria se elogiar. Luciana foi a peça chave da nossa vitória no Trote de Aventura. Digo vitória porque ficar atrás da Makaira numa prova dessa nem pode ser considerado derrota. Hehehehe...
   Lulu foi guerreira e responsável pelo principal ato de habilidade que nos rendeu o segundo lugar, o vice-campeonato baiano e a classificação para a final do Brasileiro. Quando bateu aquele azimute em direção à luzinha minguada do fifó de Luiz Célio no PC3 e disse: “Tão vendo aquelas três luzes no alto do morro? Tão vendo uma luzinha ali embaixo, a esquerda, na margem do lago? O PC tá ali”. Dito e feito, remamos em direção à luzinha que insistia em sumir e reaparecer e lá estava ele, o famigerado PC3.
   Mas peraí, eu estou me adiantando. Vamos começar do começo... Hehehehe...

   Saímos de Feira, do Centro Casademauroba de Corrida de Aventura, onde tivemos uma bela noite de três horas e meia de sono. O primeiro desafio, esquecemos os sanduíches de salame que tínhamos preparado pra corrida. Sem estresse – sem estresse? – é, tá bom, com estresse, fui até a padaria comprar mais pão e queijo para fazer novos sanduíches. Tudo resolvido. Nada que não seja normal no improviso nosso de cada corrida.
Foto: Flavyo Lima

   O briefing foi bem divertido. Dudu é um cara muito alto astral e o povo da CA dá o tom de gozação pré-prova que faz do esporte o meu preferido. Logo na primeira explicação do mapa, deu pra ter uma ideia do que nos esperava. O mapa projetado na tela tinha tanta curva de nível que mal dava pra ver os PCs. O PC1 era no topo de um morro tão alto que só de olhar já dava vertigem.
   Achei ótima a ideia das fotos com o logo da prova, chupada do Ecomotion. As fotos ficaram ótimas. Mais um ponto pra Dudu.
   Pedimos três mapas. Ousadia minha. Por um momento, decidi que ia navegar junto com Mauroba e Lulu do Agreste!!!! Abusado!!! Hehe... Lu e Mauro foram logo marcando o mapa e, como senti que teríamos pouco tempo pra analisar os mapas, tive intuitivamente a iniciativa de ir logo marcando os trechos de bike se não desse tempo de marcar tudo.
   Traçamos as estratégias, comparamos os mapas, preparamos os equipamentos e pronto. Pronto pra largar. Um suquinho geladinho antes... delícia. Todas as provas poderiam ter uns patrocínios assim, dando suquinhos no início. Hehehe...
   Contagem regressiva, saída! Todo mundo correndo como se a prova fosse de cem metros rasos... nada de diferente. Corre, corre, corre. O pessoal dos 50 km saiu de bike e logo se distanciou. Eu, como sempre, morri três vezes nos primeiros cinco quilômetros. Eu sempre morro três vezes nos primeiros 40 minutos de prova, hehehe. Sorte que ressuscito depois. A subida era desgraçada. Precisei tomar uns empurrões de Mauro e Lu pra andar mais rápido. Pegamos uma trilha rente ao duto que descia o morro e chegamos ao PC1, onde estariam os mapas da prova de orientação. Eu estava tão morto nessa hora que nem olhei os mapas. Mauroba e Lu deram conta de marcar os prismas e saímos. Na descida todo santo me ajudou e recuperei o fôlego. Fora uma perdida no mato, nada de mais grave na orientação. Pegamos os prismas um a um e fomos pela estrada até o PC2, onde pegaríamos os caiaques.
   Transição rápida, comidinha e saímos remando do PC2, no lago da represa de Pedra do Cavalo. Foi menos sofrido pra mim pois não fiz leme dessa vez. Deixei a cargo do meu amigo Scavuzzi sofrer com essa tarefa. No início, o lago estava sereno. Muito bonito! Foi um remo muito agradável. Com quase uma hora de remo, o vento ficou forte e as ondas começaram a bater. Parecia mar! Uma ondas que subiam pelo barco e espirravam na nossa cara; principalmente quando tivemos que cruzar o lago pra outra margem. O vento castigou e o esforço teve que ser maior. Com mais de uma hora de remo, Mauroba grita lá de trás: “Peraêêê!!!!”. Paramos... “Lu mareou!”. Putz! Luciana passou mal com o sacolejo e vomitou. Olha, já passei mal mareado e sei como é ruim. Não é só vomitar, é sua alma que parece escorrer corpo à fora. Mas fomos lá. Lu suspirou fundo e continuou remando. Daí minha afirmação no começo deste release que ela foi guerreira. Remar vomitando é F... Coisa de gente agreste. Hehehe... Ainda mais, mareada, passando mal, ela chegou na ponta do lago – a terceira ponta – e bateu o azimute do relato acima. Certinho. Toda escalifada, a danada ainda navegou e achou o PC que nenhum marmanjo achou.
   Quando batemos o PC, a folha estava em branco e Scavuzzi – no bom e velho estilo Aventureiros do Agreste perguntou pra Luiz Célio: “Virou pra segunda página” KKKKK! Ele respondeu: “Não, vocês abriram o PC”. OPA!!! Isso deu o maior gás pra todos. Dei minha lanterna pra Luiz Célio pra facilitar a sinalização pras outras equipes e saímos. Aliás, deixa eu frisar aqui: as equipes que bateram o PC3 depois da gente tiveram ainda essa facilidade da lanterna... Ponto pra Lulu navegadora!
   Na segunda parte do remo, o lago deu uma trégua e as ondas ficaram mais mansas. Ainda assim, Luciana continuou passando mal, hehehe... Quando avistamos as luzes da barragem... que alívio! Tá chegando! Doce ilusão. Quanto mais remávamos, mais as luzes se afastavam, hehehe. No desespero de final de remo, eu e Scavuzzi gritávamos pra Lu e Mauro: “É essa a entrada! Vamo entrar aqui mesmo!” KKKKK! Não, não entramos. Continuamos certinho, até a enseada onde estavam os PCs 4 e 5. Entramos e as ondas sumiram. O espelho do lago parecia sólido. Nenhuma ondulação. Liso. Passamos pelo PC5 que gritou que o 4 era mais a frente. Remando para o PC4 tive noção da distância da natação e pensei: “Fu...”. A sorte que trouxemos nadadeiras, o que ajudou muito na natação, já que somos todos nadadores exímios... KKKK. Batemos o PC4. Esticar o corpo, espantar as câimbras, ensacar o equipamento, por as nadadeiras e sair. O nado foi super tranquilo. Com nadadeira deu até pra rebocar Mauroba – que não trouxe a dele. O cara-de-pau ainda abriu a boca pra dizer: “Esse é o nado mais fácil que eu já fiz...” KKKK. Nem uma batidinha de perna pra ajudar!
   A essa altura, sabíamos que a equipe mais próxima de nós que tinha batido o PC3 era a Pelaskdo, que chegou no PC4 quando a gente estava saindo. Vimos que eles demoraram no nado, então nos adiantamos no trekking rumo ao PC6 onde pegaríamos as bikes e deixaríamos os coletes e nadadeiras. A partir do PC5, ficamos colados na Kaaporas até o final da corrida mas como sabíamos que eles haviam perdido o PC3, nossas preocupações permaneceram na Pelaskdo que supostamente vinha na nossa cola.
   Um pequeno intercurso pra achar a trilha que uma escavação tinha destruído e fomos, seguindo a cerca e, depois, a própria trilha em direção ao PC6. Pegamos as bikes e saímos. Ficamos sabendo que o trekking entre os PCs 7 e 10 teria sido cancelado, o que pra mim foi um alívio.  Nem peguei no mapa que a essa altura estava guardado no fundo da mochila. Quem sou eu pra navegar quando tenho Mauroba e Lu na equipe.
   Nesse trecho, enquanto subíamos uma ladeira forte, eu na frente, ouvi o som de uma bike chegando... nenhum dos meus companheiros a essa altura estava com disposição pra subir essa ladeira tão rápido... quem seria? Quando foi me ultrapassando, antes de entrar no foco do farol, percebi que era uma mulher... a manga da camisa azul... Makaira! Era Gabi. Logo atrás, Naru emparelhou comigo e com a cara mais cínica, falou: “E aí... tudo bem?” KKKK!! Desgraçados, perderam o PC3, voltaram pra pegar, perderam um tempão e ainda foram buscar o prejuízo! Achei que ainda dava pra fugir deles mas eles nos pegaram ainda no primeiro trecho de bike. KKKK. Fazer o que, né? Continuar e buscar o segundo lugar!
   Bike é a modalidade que mais gosto e cresço quando ela chega. Lu sempre fala que o navegador deve ser um dos atletas fortes da equipe porque navegar cansado é uma M. Acho que isso foi minha deixa na hora. Como estava bem na bike, após o PC10 assumi a navegação. Como navego rápido de bike – acho que tenho bom raciocínio pra isso – Lu e Mauroba foram meio que deixando rolar e confiando. Embora em alguns momentos eu sentisse que rolava uma certa desconfiança: “Peraí, deixa eu ver...”. Em alguns momentos de hesitação, Mauroba dava o veredito: “Pode ir, é aqui mesmo”. Achei ótimo revezar a navegação. De preferencia com o atleta que estiver melhor na modalidade. Dessa forma, Mauro navegou no trekking, Lu no remo e eu na bike. Foi 10!
   Entre o PC10 e o 11, o cabo do câmbio traseiro da bike de Mauroba soltou. Perdemos um tempo tentando concertar mas no final, ele teve que fichar o câmbio na 2 e trabalhar só com o dianteiro. Isso deu um baque na moral mas seguimos na guerra.
   Pegamos o PC11 e descemos a famigerada ladeira de Muritiba pra Cachoeira – ou será São Félix? Muita propaganda. A ladeira nem era tão miserável assim. Pelo menos não sem os carros passando nela. Atravessamos a ponte pra São Félix – ou será Cachoeira? Hehehe. E batemos o PC12.
   Nesse momento, eu gostaria de retirar todos os elogios que fiz a Dudu. Aquele desgraçado, miserável, sacana fez a gente subir uma ladeira que se eu tivesse fôlego pra gritar quando cheguei lá em cima, eu teria batido um papinho com Deus. Que ladeira miserável. Qualquer dia, quero voltar lá pra fazer uns treinos naquela ladeira. Obrigado Dudu. A gente gosta muito de você. #soquenaoporisso. Hehehe... Um passarinho de meia idade me contou que Naru zerou a ladeira mas eu só acredito vendo com meus próprios olhos. Ou se ele mesmo me contar... Hehehe.
   Daí até quase o PC13 foi só ladeira. A maioria subindo, claro. Empurrando mais que pedalando. Hehehe. Destaque para um down hill em single track antes da linha do trem. Muuuuuito legal! Principalmente a noite. Valeu muito a pena encarar as subidas pra descer esse trecho.
   Batemos o PC14 e o 15 sem maiores intercorrências; uns trechos de estradões bons de se pedalar, quase planos. Muito legal! Chegamos ao PC16 e partimos para mais um trekking. Dessa vez, em direção ao rapel. Era hora de eu voltar a sofrer. Algumas vezes, fui de novo rebocado por Mauroba e Lu, enfim... CA é isso... Hehehe.
   O rapel era outro bicho papão da corrida pra mim. Outro que não foi nada demais. Fiquei até com vontade de fazer. Pensei até em pedir pra Dudu pra ir também mas o fantasma da Pelaskdo atrás de nós não deixou. Mauroba e Scavuzzi desceram e voltamos pro PC19. Na ida pro rapel encontramos várias duplas que estavam na nossa frente e percebemos que, na volta, poderíamos ter noção se havia alguma equipe ameaçando nosso segundo lugar. Feito. Não encontramos nenhuma equipe. Isso significava que estávamos longe do terceiro colocado. Relaxamos. Chegando de volta ao PC20, tivemos a confirmação que todas as outras equipes, incluindo os até então ameaçadores da Pelaskado, tinham sido cortadas. Ufa! Daí a corrida virou passeio. Pegamos as bikes e fomos brincando, rindo, sacaneando uns aos outros, como bons amigos Aventureiros do Agreste. KKKKK... Até paramos pra comprar uns geladinhos na entrada da cidade. Discutir se era melhor de acerola ou de guaraná... kkkkk. Bater papo com o moleque que tentava nos acompanhar de Barra Circular na ladeira... Hehehe...
   Chegamos na praça onde estava o pórtico como quem chega de um passeio na orla de Villas do Atlântico... rindo, brincando... Nem parece que estávamos todos estropiados. Foi ótimo! Adorei! De novo! Meu tendão não doeu nada! Morri três vezes mas ressuscitei todas as três! Quase perdi a sola do pé numa bolha! Ótimo! E ainda pegamos a flâmula de liderança no PC6!!!! Valeu Aventureiros! Valeu Lu, Mauroba e Scavuzzi! Segundo lugar, Vice-campeões Baianos de Corrida de Aventura, classificados pra final do CBCA...
   Assim que acabou a corrida, pensei. Não! Não vou pro CBCA, quero dar um tempo pra descansar. Hoje... talvez... Até 15 de novembro, quem sabe. Hehehehe...

P.S.: Corrida de Aventura é um esporte que exige inteligência, resistência e brutalidade. Um tripé. Se qualquer um desses falta, a equipe se prejudica. Quero parabenizar a Makaira que foi inteligente pra voltar e pegar o PC3 mesmo sabendo que perderia muito tempo; bruta pra correr atrás e chegar duas horas antes da segunda colocada e resistente... bem, será que precisou de resistência? Os caras chegaram tão inteiros no final que parece que o Trote foi, também pra eles, um grande passeio;

P.S.2: Terminar uma prova de CA significa cumprir todas as etapas. Ninguém é capaz de prever o que uma perdida a mais, uma perna de remo a mais, uma intercorrência a mais podem fazer no resultado da prova. Um pequeno atraso pode abalar tanto o psicológico de uma equipe a ponto de fazê-la desistir de uma prova inteira. Como Lulu sempre diz: “Quando passa de cem, o buraco é mais embaixo”.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Penélopes no CAMBO IV


   
   Fazenda Pedra da Égua em Santo Amaro, quarta etapa da Corrida de Orientação 2013, Penélopes e Aventureiros reunidos. Duas duplas do barulho: Vitor e Joaquim, Luciana (eu) e Tila. Filhotes na brincadeira.
   Minha filhinha faz aventuras desde pequena, junto com as primas e irmão Tiagão. Mas, competir mesmo... Delicada demais, tchutchuquinha demais... Só que irmão viajou e sobrou a vaga, rsrs!
   -Como assim mãe? Quer que eu vá mesmo? Tá, eu vou!



   E lá estávamos nós, posando pra a câmera de Kassiele Kaiper.
   Fazia tanto tempo que só corria na Elite que nem sabia que a categoria dupla era misturada. Só dupla. Não é mais dupla feminina, masculina e mista. Também não sabia que dupla tinha 20 prismas. Disse pra Tiloca que eram 10. Vixe!
   Ficou linda de Penélope e toda feliz vendo tanta gente na largada. Mauro estava lá e mais um monte de amigos que não via há tempos. Chegou nossa vez de largar. Olhei um pouco o mapa, esqueci que podíamos levar dois. Deveria ter pegado um pra minha pequena acompanhar. Logo no primeiro prisma, já passei direto. Mas, voltei rapidinho.


   Preocupada de não entrar em muito mato, fiquei um pouco embaratinada para pegar o prisma 2.   À medida que a prova foi fluindo, fui relaxando. Devagar pra menina não se assustar.
   Para achar o prisma 3 seguimos pela mesma cerca do 2. Filhinha quase não reclamou. E o 4 estava bem adiante, seguindo outra trilha, já perto da estrada. Dali começou um sobe e desce. Descemos para o 5. Percebi minha pequena um pouco desengonçada, embora disfarçasse bem, rs! A ribanceira era boa.
   Subidão no caminho para o prisma 6. Tome-lhe pular cerca. Rapidinho seguimos para o prisma 7. Ali estava mais plano, Tiloca toda animada, correndo, principalmente porque a mamãe estava acertando tudo.
   Correndo para o prisma 8, debaixo de uma árvore, na área da sede da fazenda. Beirando uma cerca, pulamos a porteira e encontramos o prisma 9.
   Ribanceira danada, Tiloca começou a perguntar se estava acabando, rs! E foi ali, ladeira abaixo, que contei que faltavam APENAS 11 prismas, rsrs!
   - Mãe!!! É sério! - Exclamou a filhinha.
   - É filha. Faltam só 11 e tá tudo bem tranquilo, tá vendo?
   - Não! - Ela não estava achando tranquilo, rs!
   Era sério mesmo, rs! Sem brincadeira... O 10 estava logo adiante, numa moita, numa cerca. E o 11, fácil, fácil!
   Inventei de cortar caminho do 11 pro 12. Aí deu merda! Junto com a plantação de bananas cresceu um matagal enorme. Fiquei com pena no começo da prova e, naquela hora, sabia que poderia voltar e pegar a trilha para descer direto, mas não o fiz. Decidindo ir direto, nem sonhava o que encontraria. No mapa parecia tudo bem, juro!
   A medida que entrávamos em direção ao prisma 12 o mato ia crescendo e Tiloca reclamando. A coisa  foi apertando até que nem dava pra andar, rs! O mato segurava a gente. Ia pisando e mandando ela pisar em cima da minha pegada, imediatamente.
   - Mãe, está difícil de andar! Não vai chegar em lugar nenhum! Como é que a gente vai sair daqui? Tá horrível aqui! Tem espinho! Tá calor! – Reclamava a mocinha, desesperada.
   - Vamos encontrar a trilha daqui a pouco, filha, calma! Isso é pra você ver como sua mãe “sofre”.
   - Mas você gosta disso! - (sem comentários, rs!)
   ...


    ...
   Finalmente, conseguimos encontrar a trilha. Prisma 12 naquela bendita moita. Realmente, perdemos um tempo ali. Mas, Tiloca ficou sabendo o significado de rasgar mato. Filha estressada, mãe realizada.
   Então pegamos a trilha até o prisma 13, só pra começar a sujar o tênis de lama. Uma trilha bonitinha no meio das bananeiras. Molhada! Pegamos o prisma, pulamos mais uma cerca e seguimos para o prisma 14, que estava bem depois daquela ponte de madeira. A ponte estava baixa ou a água estava alta. Prisma, ok!
   O caminho para o prisma 15 deve ter sido o mais emocionante. Tiloca reclamava um pouco menos. Precisou de ajuda para passar em alguns lugares. Trilha escorregadia pela beira do rio. Perigava cair, rs!  Encontramos o prisma no final da trilha.
   Pegamos o 16, o 17... Tiloca já estava tão animada que corria na minha frente. Eu ia falando onde estavam os prismas seguintes e ela corria pra pegar. Prismas 18, 19 e 20. Chegada!

   Minha bebezoca estava toda vermelha, parecendo um pimentão. Cansada, animada, eufórica. Fomos beber água, esperar os garotos. Olhamos nossa classificação. Hummm! Quinto lugar! A mocinha ficou toda feliz, pediu um mapa da categoria dela, pensando, talvez, em ir sozinha. Que fofa! Ela reclama mas, gosta de aventura, sempre gostou.
   Filha de doida, doidinha é! Filha de Penélope, Penélope é!

domingo, 8 de setembro de 2013

NOITE DO PERRENGUE- A RESENHA- 40km



 “Artista tem que ter seu tempo pra criar.” Assim diz a minha filha, Tila.


   Ave Maria, correria retada! Quase não consigo escrever uma resenha de corrida. Só agora terminei... Então, vou contar pra vocês como foi nosso Perrengue.
   Minha Noite do Perrengue seria antecipada com uma participação especial, como validadora de prova. Faria o percurso uma semana antes pra confirmar com Arnaldo e Gaia que estava tudo em riba. Que bom e que ruim! Seria meu consolo porque estaria numa viagem a trabalho, não fosse pela mudança de data.
   Que sorte! Perder o Perrengue seria como perder a festa do pijama da melhor amiga. Tipo: Todo mundo ia, menos eu. Buaaaaaá! Fiquei toda importante porque ia validar a prova. E queria ir sozinha... Mas, preferia correr a validar prova. Queria o Perrengue certo no dia certo!

   Dupla Mista: Luluzinha do Agreste e Vitor Hugo. Ops! Deveria ter colocado esse nome, rs!
   Concentração naquele Condomínio bonitão, o Quintas Pivate, da Odebrecht. Cheio de sofá pra gente se espojar! Novos atletas, outros nem tanto. Velha guarda reunida...

   Chegamos bem cedinho para evitar aquela afobação de cima da hora. Deu pra jantar, se jogar nos sofás, trocar de roupa, arrumar o que faltava, namorar o mapa, conversar com os amigos.

   Confesso minha tensão. Naquela cobrança interna por ser responsável pela navegação, por ter viajado, ficado sem treinar... Só comendo fondue e postando fotos no Facebook. Pensei que ia voltar rolando da viagem, de tanto que comi. Sem contar com o resfriado chato que não me deixava respirar bem. Inclusive, antes do briefing, estive febril. Mas, a gente sabe que esse negócio de ficar dando desculpa antes da hora é coisa que quem não sabe perder. Portanto, controlei a vontade de me desculpar e encarei o trampo. Já tava lá mesmo... E nem queria estar em outro lugar. Queria a Noite do Perrengue.
   
   No briefing, Gaia foi logo dizendo que alguns PCs seriam facultativos para facilitar a vida de quem estava começando. Nos prismas B e A, até ele se perdeu na hora de fazer a marcação. E deu várias outras dicas e alertas pra nós. Nem me senti no direito de pensar em não ir a algum lugar. Essas “ziguiziras” até rolam mas, meu anjo da guarda me enche de bolacha pra eu deixar de ser mole. Então, me recomponho e deixo esses pensamentos pra lá. Vá entender! A pessoa é convidada pra validar a prova e ainda se acha com direito de pensar que... Não, não pensei nada!
   Pontualmente, à meia noite, estava todo mundo saindo debaixo do pórtico, correndo pra pegar os primeiros cinco prismas em ordem aleatória. Programamos de passar pelas sequências de C, E, B, A e D.
   Vitor tá ficando retado nesse negócio de contar passos. Não demoramos muito pra pegar o E e o C. Dali, fomos pra o B. Só que a jegulina aqui implicou em pegar logo o D porque achava que poderia ter algum corte de caminho na volta dos PCs perto do mar. Impliquei mesmo, saindo do planejamento inicial de deixá-lo por último. Sem comentários! Depois digo o que aconteceu.
   Fizemos o trecho de trekking todo correndo. O pé de Vitor está uma belezura! Minha respiração que não tava boa, não. Mas, modéstia à parte, tenho tanta facilidade de correr que não foi tão sofrido. A bike que foi.
   Lá embaixo, na bifurcação pegamos a direita, corremos 550m e nos deparamos  com o prisma B. Saímos um pouco da trilha, voltamos, entramos no mangue pra seguir pro A. Sim, pelo mangue! E, com a maré cheia, a água chegava até o quadril pelo caminho entre aquelas árvores típicas de manguezal. Depois, o mangue virou apicum. 
   Gostei daquele momento de prova! Meus super faróis ficaram ótimos! Dava pra ver bem a vegetação e as árvores, o descampado. 
   E aquele mangue até que foi gentil com a gente. Já fiz umas provas de afundar até os joelhos, de ter que apertar bem os tênis para não perdê-los. Desta vez, pegamos a parte de chão duro. É bom que Vitor vai se acostumando aos poucos com as adversidades da Corrida de Aventura. Se ficasse procurando o tênis no buraco do caranguejo logo nas primeiras provas, ia assustar o rapaz.
   Na volta do prisma A, só tinha aquele caminho mesmo. Tivemos então que passar pelo D outra vez. Foi isso que aconteceu. Putz, que teimosia a minha! E essas coisas fazem a gente perder tempo.
   Ao passarmos no D, a trilha que beirava a cerca terminava. Seguimos no azimute, só que o ziguezague entre as árvores deixou Tico e Teco tontos, rsrs! Quando percebi, já estávamos andando em sentido contrário. Nos embrenhamos pelos matos naquele “breu” danado. Manu e Ítalo estavam com a gente, coitados, rs! Encontramos Lucy Penélope e logo nos dispersamos. Ela foi embora a viagem dela, rs! Nós ficamos a dar voltas. Possivelmente, perdemos meia hora naquele vai e vem. O que faz muita diferença numa prova curta assim.
   Vitor começou a ficar agoniado, perguntando se eu sabia onde estávamos. Rsrs! Bommm... Onde estaaaávamos, exatamente... Não! Não sabia, rs! Mas, o bom navegador sabe orientar seu mapa. E, cá pra nós, posso garantir que saio de qualquer buraco com um mapa e uma bússola na mão. Sou “rodada”. Perdi a conta de quantas provas de mais de 100km já fiz. Perdi a contas de quantas noites passei no mato. Já fiz 3 provas de cinco dias. Dormi no chão trocentas vezes. Já fiz prova com nosso quarteto feminino, incluindo um CNA em Alagoas. Naveguei em, pelo menos, metade de um Ecomotion. Perdi as contas do tanto que já me perdi. E sei que o máximo que pode acontecer é a gente ter que rasgar mato pra sair do perrengue. Eu adoro Perrengue!
   Finalmente, achamos o estradão com destino ao PC1.
   Só dessa parte da estória já dá pra perceber quanto tempo perdemos...
   Notando que muita gente já tinha ido embora, pegamos as bicicletas e partimos para nosso pedal noturno. Um pouco de asfalto pra começar... Estradão, ponte, PC2 numa trilhinha curta e discreta... Ui! A Ladeira do Perrengue! Íngreme, cheia de valas, pedras soltas. Esse pessoal gosta mesmo de botar dificuldade nas coisas, rs! Mas, se você tem medo ou não tem perna ou não tem técnica ou todas as alternativas anteriores, desce da bike e empurra. Desço, sempre que acho necessário, sem vergonha nenhuma. Ou então, se a coragem estiver comigo, me jogo. À noite o buraco é mais embaixo, literalmente. E pode ser bem fundo também! Mas, a super-mega-power iluminação instalada pelo meu super-mega-power namorado estava uma “beleza de creuza”!


   Isso serve de dica pra galera que tá começando. O capricho na iluminação ajuda muito nas provas noturnas. Diminui o índice de acidentes, aumenta a autoconfiança e melhora desempenho.
   Lá na frente, chegou a passagem esquisita pelo portão. Atravessamos a pista, entramos na Vila, chegamos ao PC 3, onde meu amigo Paulinho estava. Acho que só eu o chamo de Paulinho. Depois daquela prova lá no Recôncavo que fizemos juntos em 2006 (eu acho), peguei intimidade. Nunca mais deixo de ter chamego com a pessoa, rs!
   Fizemos a opção de pegar os PCs na ordem contrária. Fomos ao PC7... Preferimos atacar a Trilha do Perrengue de trás pra frente, no sentido de quem vem, rsrs! Entenderam?
   Por falar em Trilha do Perrengue, o bestão do Gaia nos deu um susto. Ouviu minha voz, ficou escondido, depois pulou à nossa frente com aquela cara de bocó. É outra figura que gosto como irmão. Depois daquele Ecomotion que fizemos juntos, acabei ficando meio “aMakaírada”. Mas, bem pouquinho, rs!
   Vitor desceu a Trilha do Perrengue desbandeirado. Pensei que nem esperaria por mim. O tanto que gritei pra ele esperar, ninguém nem sabe, nem ouviu. A pessoa nem tem mapa na mão e sai doido na frente. Quem tem habilidade, tem. Batemos e voltamos pelo mesmo caminho. Não sei se a gente pegou a Trilha do Perrengue do lado melhor, mas achei bem tranquilo.
   Cá pra nós, pedalei mal pra caramba nessa prova. Tinha tanta desculpa que dava pra fazer uma lista. Dor de cabeça, dor nas pernas, garganta inflamada, falta de ar... 

   Então pedalamos pela estrada afora, encontrando um monte de amigos fazendo o percurso contrário... Alan e Diana, Lucy e Vande, a Comitiva BB, Maurão, Lene e meio mundo de gente.  
   Ficamos imaginando aquela estrada de dia, se já era bonita à noite. Pegamos o PC6 na bifurcação do estradão, passamos por um eucaliptal, pegamos a trilha da cachoeirinha... Dava até para ouvir o barulho da água. Subimos aquela ladeira “de ver Deus” que passava na torre. Pegamos o PC4, até que terminamos a volta e encontramos Paulinho outra vez.   
   A lua estava muito linda! Pela Vila, saímos até o asfalto, atravessamos para o estradão. Que era reto e, se não fosse ruim de pedalar, até ganharíamos um tempinho. Rsrsrs! Raiai... Não tinha uma marca de bicicleta naquele areal horroroso. Na verdade, eu naveguei certinho, encontrei a estrada, mas foi uma questão de azar, não de sorte. Arnaldinho e Gaia (que deveria estar com aquela máscara horrorosa) mandaram jogar caminhões de areia na estrada. Um empurra-bike miserável. E ainda teve uma dupla masculina que deu o azar de nos acompanhar quando encontramos a estrada. Hahaha! Provavelmente, ninguém nem soube que teve um trecho de areia na corrida. Que coisa viu!? Só nós.
   Pronto! Passou a areia, a estrada melhorou, chegou o PC9. Volta rapidinho, entra à esquerda, segue paralelo à praia... Transição para o remo. Lá, tivemos que esperar um pouco, enquanto os barcos chegavam. Saímos com o raiar do dia. Depois de uma lua linda vem um dia lindo!


   O vento contra fazia meus braços, completamente destreinados, arderem. Mas, fiquei tão concentrada que não dei um pio. Maurão e Lene remavam bem à nossa frente. Não dava pra perder o ritmo com amiguinhos por perto, rs! Dois quilômetros depois, terra firme, PCs (Carol e Tiago) animadíssimos, tomando uma cervejinha, dando boas vindas na maior musicalidade.
   Navegação objetiva, trekking curto, PCs encontrados rapidamente, voltamos para o barco e braço pra dentro. Faltava pouco! Dessa vez o vento deu uma ajudinha massa. Entregamos os barcos, deixamos as mochilas nas bicicletas, corremos até o fim da estrada, para azimutar e atacar o ponto de nadar.
   Duas pedras com colete salva-vidas, rs! O que foi aquilo, meu Deus? O píer parecia se afastar a cada vez que olhava. Não chegava nunca! E nem tinha correnteza! Lene e Maurão tinham ficado pra trás lá no final do trekking da lagoa e já estavam praticamente do nosso lado, rs! Vitor sumiu do meu lado e não ouvia mais sua respiração ofegante. Levei o maior susto, pensei que tinha morrido.
   Olhei para o píer que se aproximava e notei sua imponência, rsrs! Pressenti que meus braços exaustos não resistiriam àquela subida. Segurei na borda e dei impulso. Quem disse que consegui subir? Que nada! Fui segurando pela lateral, dando impulso, até dar pé. Vitor, tadinho, saiu verde da água, tonto, não conseguia nem ficar de pé, imaginem dar um Sprint final entre as duplas. Nem cogitamos. Apenas seguimos, nos recompondo até o pórtico de chegada, lá pelas 6 da manhã.

   Quinto lugar entre as duplas mistas, grama pra se jogar, banheiro pra tirar o bodum. Uma chiquêza da zorra! Até o cabelo eu lavei. Saí toda ariada do banheiro e fui tomar o super café da manhã que a Odebrecht ofereceu pra gente.

   Arnaldo e Gaia, a prova foi impecável! Tudo escolhido a dedo, staff de primeira, lugar lindo! Imagino que o mapa deve ter sido conferido umas vinte vezes, porque as distâncias batiam certinho com o mapa. Obrigada pelo convite pra validar a prova mas, preferia correr mesmo. Melhor é sentir na pele o que todo mundo sente, e ao mesmo tempo, rs!! Que bom que não perdi a festa!
   Quero mais Noite do Perrengue. Quero Dia e Noite do Perrengue.

OBS: As fotos estão na página do evento.
Visitem: https://www.facebook.com/events/400025753443604/?fref=ts
Corrida de Aventura é bom demais!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Aventura no Dia dos Pais


 
Na foto parece limpinha.
    Por conta do bloqueio do tráfego no Polo Petroquímico, tive que voltar de Camaçari, pegar a estrada CIA/Aeroporto para chegar até a roça. Afinal, Dia dos Pais é dia de ver o pai, não se pode desistir no primeiro obstáculo que aparece. E aquele foi só o primeiro...
   Já que mudei de caminho, resolvi ir logo por São Sebastião do Passé, entrando pelo Distrito de Pedras. Talvez a dúvida antes da decisão tenha sido um aviso. Talvez não.
   Alguns trechos da estrada de barro estavam escorregadios. Veio outro pressentimento. Aquele trecho que é sempre escorregadio estaria pior? Hummmm.
   Hora da verdade! Depois do mata-burro, cheguei no lamaçal, escolhi o lado esquerdo porque metade do carro passaria por cima de mato, outra parte passaria pela lama. E fui com vontade. Ui! Poucos metros depois, lá estava eu, atolada como uma vaca (atolada), rs!
   Olha, escolhi uma roupa tão bonitinha pra visitar meu pai. Uma calça saruel caqui, sandálias de tiras e camiseta. Mas, juro, o frio na espinha não foi de preocupação com a roupa, rs! 
   Primeira coisa que fiz foi me enterrar mais ainda, insistindo bastante, acelerando o carro, patinando na lama, sem andar um centímetro. O pneu dianteiro do lado do carona só girava. Ficar dentro do carro de nada serviria. Ao abrir a porta, me deparei com tanta lama, cansanção e espinhos que entrei novamente.
   Lembrei dos tênis de corrida que tinha deixado no carro no meio da semana. Que sorte! Troquei de calçados e saí do carro. Dei a volta para fazer a análise de quem não entende nada de atolar carros, rs!! Olhei para um lado... Para o outro... Nenhuma alma visível. E saí procurando coisas para colocar na parte de trás do pneu. Algo que funcionasse como um calço pra sair de ré, para o carro subir e parar de derrapar. Se fosse pra frente, entraria ainda mais na lama...
   Não tinha uma casa por perto. Ouvia um arrocha bem distante. Também não tinha uma pedra, nem graveto, nem nada por perto. Só lama! Inclusive, na primeira distração, afoguei um pé até uns centímetros da calça. O tênis virou bota. Depois de andar um pouco, achei uma estaca, meio enterrada numa poça. Puxei, voltei e enfiei na parte de trás do pneu atolado. O carro chegava a se mexer enquanto empurrava.
   Depois de uma batidinha no pé, só pra diminuir o estrago de lama, entrei no carro. As mãos?? Na roupa  mesmo! Tenho que providenciar flanela para deixar no carro. Sim, tenho!
   -Vamos lá Luluzinha, você não veio pra Catu no Dia dos Pais, pra ficar atolada! Zé (Zé é o meu anjo da guarda, que me ajuda pra caramba), meu querido, ajuda!
   Sozinha, como é que a pessoa desatola um carro? Alguém tem que dirigir, enquanto o outro empurra o carro, levanta a frente, coloca calço... Sozinha não dá! Dei a partida... Pra frente, pra trás, pro lado, pro outro... Putz! Que coisa! Já sem frio na barriga, pensava num plano “B”.
   Não passava um carro, meus pais nem sonhavam que tinha pegado aquele caminho, celular nem sonha pegar por aquelas bandas. Oh, céus!!
   Saí do carro outra vez para nos dar mais uma chance. Caso não desse certo, ele (o carro) ficaria ali mesmo. Quem mandou fazer charme? Atolado, no cantinho, até o chão secar. Mais tarde, voltaria com ajuda. Seria um trekking de apenas 6km. Nada que nunca tivesse feito antes. Com a maior sorte de ter encontrado o par de tênis, rs! Sortuda demais, eu sou!
   Fui ver a estaca que tinha colocado. O pneu chegou a prendê-la. Decidi arrumar mais uns matinhos. Andei um pouco, achei um galho seco, grande. Posicionei o treco embaixo do pneu e fui tentar sair da lama pela última vez. Caso não conseguisse, estava decidida a fazer o trekking final, até a casa no meu pai.
   Vruummmm, Vrrrummmm, Vrrrummmm, Vruummmm... Na quinta vez o carro pulou pra trás... Consegui sair de ré, mirando entre os mourões do mata-burro pra não fazer mais merda. Uhuu, consegui!
   E agora? O que fazer? Voltar pra casa ou pegar outra estrada? Estava tão perto...
   Dei meia volta, encontrei um motoqueiro morador daquelas bandas. Contei que estava indo pros Varões, ele conhecia meus pais, e disse que os carros estavam passando por ali mesmo. Só atolando de vez em quando, rs!! Sem dúvida, escolhi o lugar errado. Era melhor seguir o caminho marcado pelos outros carros... Quem manda querer mudar, ser mais esperta?!
   Depois de uma conversa com o rapaz, decidi tentar novamente, com o combinado dele me ajudar a desatolar, caso não conseguisse passar. Olha a zorra! Outra manobra para retomar o caminho, caí num pequeno barranco de frente pra cerca da casa do rapaz. Atolada outra vez! Dessa vez, atravessada na pista. Nem acreditei! Será possível uma coisa dessas? Que barbeiragem da zorra, véi!
   Saí do carro pra olhar que bosta estava acontecendo, rsrs! O pneu escorregava para subir. O rapaz, Eduardo, queria pegar uma enxada para tirar o degrau. Que coisa! Calculei mais ou menos e vi que dava pra ir um pouco pra frente e subir pela lateral do barranco, sem bater na cerca. Assim fiz, e a porcaria do carro saiu. Àquela altura, estava “puta” da vida. Virada para o lado da roça de novo. Quanta coisa para um belo dia de domingo. Pensava em meu anjo da guarda, sabia que ele estava ali, rindo de mim. Pensava em escrever sobre isso. E meus pais? Saí de casa 8:15h, já passava das 11h.
   No fim das contas, encarei o atoleiro outra vez. Acreditem! Na cara e na coragem, na maior adrenalina... Consegui entrar no atoleiro, na segunda marcha, num ritmo só... Que bom!
   Cheguei na roça com a roupa podre! Nem dava pra ver a cor verdadeira dos meus tênis. Levei, inicialmente, a maior bronca da minha mãe por ter ido por aquele caminho, porque ela não deixa a pessoa contar a estória toda, antes de falar, rs!!!
   Meu pai, quando chegou dos matos onde estava consertando uma cerca que os bois quebraram, me deu outra bronca, antes de eu terminar a estória, rsrs! Também não espera a pessoa terminar de contar o que aconteceu. Deve ter aprendido a interromper com minha mãe. Ou será que ela quem aprendeu com ele?? Rs!!! Só depois que entendem... 
   No final, ele ainda completou:
   “- Você gosta disso! Ia prestar mais ainda se você tivesse com um bocado de gente. Você gosta mais quando tem um bocado de gente.”
   Pois, é! Gosto quando tem um bocado de gente. Quando não tem um bocado de gente, escrevo pra um bocado de gente ler minhas maluquices.