quinta-feira, 6 de junho de 2019

Arca Sport Night 80km- Etapa II CBCA


   Tem gente que consegue resumir uma prova de 80km numa postagem de Instagram. Eu, prolixa e complexa, preciso de um blog e não escrevo tudo, senão ninguém aguenta ler.
   Nossa equipe está se virando nos 30 pra participar de todas as etapas do Campeonato Baiano. Prioridades, tempo e dinheiro. Como não somos atletas profissionais, é bastante compreensível. Entretanto, o fato é que Corrida de Aventura é nossa terapia, nossa meditação, o esvaziamento de mente, a nossa forma de reforçar os laços de amizade. A cada corrida, nosso pacto de amor eterno se renova. ❤❤❤❤ Precisamos disso! Eu preciso muito disso. Por isso que sou fominha, por isso que parecemos um grupo fechado. A gente quer ficar junto. Pena que só pode quarteto, senão a gente ia em “trinteto”.
   Sobramos eu, Gabi e Vitor pra levar o quarteto pra Juazeiro. Depois da Escola, o compromisso em fomentar o esporte, além das razões amorosas que já citei, passou a fazer parte das nossas vidas. Precisamos aparecer, nem que seja pra “meter dança”, como dizem as meninas da Turma 7. 💃💃
   Falando nisso, decidimos mudar de ares, convidando Fred (da Turma 7) pra compor o quarteto. A gente não tem um texto pronto pra dizer porque pensou nele, mas imaginem um cara “boa praça” e bem humorado?
   Quando fiz o convite, ele demonstrou lisonjeio e dúvida ao mesmo tempo. Disse que tinha atletas mais fortes no grupo e perguntou se eu achava que ele conseguiria completar 80km. Claro que só faltou eu dizer que ele faria 120, fácil!!!! 😉😎 Fred formou na Escola, fez a Batalha dos Capitães e a Noite do Perrengue, ambas de 40km. Dobramos a quilometragem dele. ☠☠


   Juazeiro é um dos nossos lugares preferidos de provas imperdíveis. A vegetação cor de barro, a força do povo de lá, o sotaque, as cabras no caminho, os mandacarus, o Rio São Francisco... Os amigos... Felipe Pikety, nosso anfitrião, aguentou 7 atletas- eu, Vitor, Gabi, Fred, Glad, Mau e Babi- todos juntos e embolados em sua casa.
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   A viagem foi uma farra à parte! Chegamos direto pro local de entrega das bikes. Como o trecho de água era um atrás do outro, com pouca coisa de trekking, deixamos os tênis na transição e decidimos correr de sandálias havaianas e papetes.
   O briefing aconteceu na Caiaqueria, onde Rodrigo, o organizador da prova, junto com sua equipe, distribuía os kits da prova e dava as últimas instruções. Nossa, que impressão ótima que tive daquele rapaz! Uma energia boa, uma simplicidade. Orgulho, prepotência e vaidade pareceram passar longe dele. Fiquei feliz por estar ali, entre os atletas que foram prestigiar a prova.
   Por volta das 20h do sábado, estávamos no Vaporzinho, todos lindos com aquelas camisas amarelas feitas pela TecMalhas, que também é parceira da Escola. Os bombeiros checaram nossos equipamentos obrigatórios com muito cuidado e atenção. Uma fofura total! E acho que nunca me senti tão mimada numa corrida, como nessa. Gente, todos os PCs presenciais é coisa muito chique! E o saco de mantimentos do PC 5, que podia largar o que quisesse?? 🤗
   Rodrigo, com seu super megafone, nos convidou a pegar um buzu, que seguiu até o estádio de Juazeiro, todo iluminado pra nos receber. Lá, nos demos as mãos para uma oração. Pra tudo dar certo, sabe?! 
   Na hora do mapa, 10 minutos antes da largada, eu quase dei um custipio. Não conseguia enxergar, não dava pra marcar nada e o caminho até o PC 1 só estava fácil pra quem morasse por lá, e olhe lá. Então, às 21:30h, largamos no bolo e seguimos o fluxo com nossas enormes boias de caminhão na mão.


   Só faltou treinar a melhor posição pra descer o Rio São Francisco, dois em cada boia, sem cair.😂😂😂 Na correria, a distração, quando vimos, tinha uns e outros procurando o caminho, junto com a gente. Nesse titubeio todo, nos perdemos da galera e quando chegamos ao PC 1, éramos os derradeiros. Eu e Vitor subimos na boia sem nenhum jeito de que a coisa daria certo. Simplesmente, não conseguíamos nos equilibrar. Imagina mais de 1km nesse desequilíbrio? Claro que ia dar merda! Naquele balaio de gato, testamos várias posições. Começamos lado a lado, depois ele ficou por cima de mim, depois eu subi nele... Eu não consigo nem escrever sem dar risada porque foi uma cena hilária pra rir até 2030... mas, finalmente, resolvi pular na água, segurar nas pernas dele (e na boia) e bater pernas. Aí me senti o Flexa, dos Incríveis, quando o avião caiu na ilha. Batia perna de um jeito que chegava a empurrar Vitor. 🐟🐟 E  Fred e Gabi resolveram fazer o mesmo porque também estavam num perrengue retado. No final das contas, conseguimos chegar ao PC 2 do lado certinho da Ilha do Fogo, sem sermos os últimos.
   Atravessamos pro outro lado, andamos em direção à subida do rio pra começar a natação de um jeito que caíssemos no local correto do PC 3, na orla de Juazeiro. Que natação foi aquela, bicho? O rio nos levava pra ponte e a gente nadava subindo o rio. O bom é que sem tênis ficou bem melhor pra nadar. Acabei chegando num dos pilares da ponte, onde a correnteza implacável me grudava no concreto. Parecia uma lagartixa grudada na parede. O salva-vidas disse que eu ficasse do lado da pilastra e empurrasse com os pés, no sentido da outra. Consegui me agarrar na outra, brigando com o rio e depois dei outro impulso pra beira, indo parar mais abaixo, onde, finalmente, deu pé. Vitor já estava lá, eu cheguei e os outros em seguida. A papete de Fred soltou uma tira nesse trecho, mas não andaríamos muita coisa mais.
   Ok para o PC 3. Pegamos o caiaque para os 15km, subindo o Rio São Francisco, que estava super tranquilo naquela noite escura, como nunca vi. Fred, que só fez um treino de canoagem com a equipe, se saiu muito bem. Encontramos o PC 4 do lado de Petrolina, onde rolava o maior pagodão, depois seguimos para passar pela Ilha do Rodeadouro, por outra ilha e encostar do lado de Juazeiro. Eu dei uma vacilada ridícula na navegação, pensando que a segunda ilha era menor. Atrasou nossa chegada um pouquinho, porque paramos pra conversar sobre o mapa. E depois demoramos mais um pouco pra achar a entrada do PC 5, já pelas 4h da manhã. Mas, nem foi esse o pior momento... Horrível mesmo foi carregar os barcos até lá em cima... sei lá... uns 300m, sem ter uma corda pra puxar. Deu um trabalho tão grande! Sorte que Mau e Glad apareceram pra dar aquela força.
   Merecida e necessariamente, demoramos na transição. Precisávamos daquele momento pra retomar. Depois disso, tudo ficou mais tranquilo e seco. A ideia das havaianas foi excelente!
   No mapa, todas as trilhas por onde teríamos que passar estavam bem definidas, as demais eram muito claras para uma pessoa com 47 anos, sem óculos. Não enxergava nada além.
   Começamos o mountain bike para o PC 6, tirando as medidas na hora mesmo. 🚴‍♀️🚴‍♂️🚴‍♀️🚴‍♂️ Nem lembrava mais do tanto de pedra e “costela de vaca” que tem nas trilhas de Juazeiro. Boa lembrança!😂 Tudo tremia loucamente!
   O dia não demorou a amanhecer e toda aquela parafernália de iluminação que levamos não foi usada nem um terço do tempo previsto. Mas foi melhor do que faltar. Para o PC 7, entramos pela estrada de barro, viramos à direita depois das casinhas e seguimos em frente, passando um pouco da entrada correta. Mas isso foi bem rápido de resolver. Encontramos Pezão, Malena, Glad e Mau pelo caminho, seguindo quase juntos pro PC. E ainda bem que colocamos líquido em nossas câmaras, porque Glad, que estava em dupla com Maurício, furou o pneu nem sei quantas vezes.
   Para o PC 8, reparei que o estradão começou mais cedo do que o previsto e o canal que cruzava a pista não estava exatamente onde deveria estar. Isso nos fez ficar mais atentos à alguns pequenos detalhes do mapa e aproveitar o que ele tinha de fidedignidade com a realidade. A distância, por exemplo, batia certinha. 
   Localizei a entrada do 9, enquanto passávamos, e logo chegamos ao objetivo. Na volta, Fred começou a conversar alegremente, sem perceber uma pedra no caminho. Deu uma cabriola com a bicicleta, que empenou alguma coisa por ali, além de amassar o capacete. Vocês já sabem mas não custa lembrar: Capacete salva vidas! Um viva ao capacete de Fred!
   O nosso guerreiro se estropiou todo, continuou sem reclamar, mas a bicicleta dele deu o piripaque quase chegando no 9. A corrente soltou pra dentro da parte que fica o raio, onde um de seus gomos encaixou num troço lá e não quis sair nunca mais. Sacamos nossas ferramentas, esticamos de um lado, esticamos do outro, catamos um parafuso no chão pra fazer alavanca... nada... Daí passou um sertanejo de bicicleta, cheio de boa vontade, que sacou uma peixeira... Foram mais de 40 minutos, até que a corrente desentalasse e Vitor pudesse desempenar o câmbio de forma que pudéssemos continuar.
  No sertão, o sol de 8h da manhã anuncia meio dia, de boa! Desânimo? Nada disso! Nada nos abalava! O PC 9 estava num lago, ao lado do canal que eu não enxergava no mapa.
   Ô singletrack delícia pro PC 10!!! Pista lisa, sem a trepidação da estrada. Podia fazer aquilo o dia todo. Só não tinha sombra. Juazeiro não tem uma sombra. As árvores são magras e cheias de espinhos. Até pra se esbarrar é desvantagem! Se um esbarrar e o galho bater no coleguinha, enfraquece a amizade legal!
   Depois de alcançar o PC 10, seguimos pro 11, transição pro trekking. Deixamos as bikes bem rapidinho pra fazer nosso trekking matutino na maior felicidade. Eita sertaozão, sem porteira! Encontramos os PCs 12, 13 e 14 sem nenhuma dificuldade. Havia muita trilha que não estava no mapa, mas isso realmente não causou problema algum. Aproveitamos aquele tempo pra botar o papo em dia, rir muito e dar todos os peidos possíveis e imaginários. Gente, esse pessoal perdeu a compostura completamente!! Que alimentação nociva, viu?! 😂😂
   De volta à transição, PC 15, pedalamos mais de 10km até o PC 16, onde mais uma vez, mudamos de modalidade, seguindo de trekking para os PCs 17 e 18, que foram “beleza de Creuza” pra encontrar.
   Não canso de dizer que a paisagem do sertão me encanta demais! Tudo é muito seco, inclusive os rios. Mas, basta aparecer uma gota de água que tem verde. Dá até pra localizar o rio pelo verde que se aproxima.
   Viva nós que já estávamos no fim da prova, fechando os 80km. Seguimos pedalando pela estrada até a entrada à esquerda, anunciada em voz alta pelo forró “pé de serra” que aguardava os atletas na maior animação. Acho que o local era a fazenda de Rodrigo, em plena festa, com trio de forrozeiros, bode cozido pro almoço, muita água de coco, cerveja, refri e alegria pra dar e vender.
   Por fim, depois de 15 horas de prova, a chegada, o abraço coletivo, a gratidão por aqueles momentos com os amigos.




   Vamos agradecer mais?
   Glad, Mau, Babi e equipe, que companheiros de viagem!! É sempre uma alegria nossos encontros! Aos Aventureiros que não foram dessa vez, valeu pela vibração positiva por nós!
   Gabi, como você é guerreira, forte e divertida! Nem dá pra falar muito de você aqui pra não crescer demais o texto, minha capitã Penélope do Agreste.
   Fred, não foi uma surpresa seu desempenho e tranquilidade. Você tem diversas qualidade que lhe tornam um Aventureiro do Agreste genuíno e a experiência vai lhe deixar cada vez mais "nós". Que ótimo companheiro de prova que arrumamos! Que sorte a nossa, hein?!
   Vitor, bonito, muito obrigada por estarmos juntos, vivendo essas loucuras todas!
   Muitos agradecimentos aos atletas de Juazeiro, pelo acolhimento sem restrições, especialmente, à Felipe, pessoa que amo de coração!
   Obrigada, Rodrigo, pela humildade, coragem e boa vontade. Saber ouvir críticas sem se melindrar é qualidade para poucos! Ainda vivemos dias de escassez de provas de Corrida de Aventura na Bahia. Precisamos de gente como você e que outros mais possam vir agregar para que nosso esporte não morra. Aliás, que cresça cada vez mais, porque dá pra ver o quanto estamos crescendo juntos, cada um com seu papel e do seu jeito. E a FBCA tem sido um pilar importantíssimo para que a Corrida de Aventura alavanque, sendo um esporte reconhecido pelos governantes como qualquer outro. Nosso Campeonato tem muito valor, cabe muitos atletas e muitos organizadores.
   Parabéns à todos que estiveram lá! Sabemos que a linha de largada já é uma vitória! 
   Minha dupla campeã, Glad e Mau, afff, que orgulho! E nossa Babi, gente? Primeiro lugar na Dupla Mista com Felipe! Arrasaram!
   Pois então, fico por aqui que já escrevi demais e essa prosa não tem fim! Em julho, tem mais! Tem Desafio Ecotrail!

   Beijos e até mais vê!