quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Itália- Parte 4- San Giminignano

   Essa parte da viagem foi uma experiência bem interessante! Desprendidos de grande parte da bagagem, com uma pequena mochila nas costas, pegamos a estrada com bicicletas alugadas em Florença.  Na bagagem, duas mudas de roupas, produtos de higiene pessoal, papeis do seguro de viagem e passaportes. Sem internet, "printamos" telas dos mapas pra termos ideia do percurso, que já estava quase decorado na cabeça.


   Atravessamos a Ponte Vecchio, em direção à Porta Romana para o sul (ou seria sudoeste?) da Toscana. A Porta Romana é uma porta enorme mesmo, por onde passam carros, gente e bicicleta. Tudo ali era murado, antes.
   Evitando as vias mais movimentadas, seguimos por Certoza em direção à Tavarnuzze. Num cruzamento, com dúvidas, sentimos dificuldade pra pegar informação com alguém. No interior, é mais complicado encontrar alguém que fale inglês, além disso, o italiano é mais difícil de entender. Por dedução, intuição ou sei lá o quê, escolhemos a estrada da esquerda, por uma subida de 6km. Tiramos foto, sofremos um pouco, curtimos a paisagem e chegamos num lugar chamado Bagnolo-Cantagallo (que só soubemos o nome depois). Bem charmoso com uma pracinha linda, aquela igreja de praxe, sorveteria, café... Cheios de dúvidas, decidimos saber onde estávamos e pra onde iríamos. Depois de meia hora de conversa, percebemos que tomamos a via errada, tendo que voltar quase tudo. Mas havemos de convir que na descida todo Santo ajuda. Na Itália deve ter mais Santos do que em qualquer canto.
   Pra relaxar, tomamos um delicioso sorvete, antes de retornar. Descemos até perder a vontade de descer, pegamos um desvio à esquerda e caímos direitinho na Via Scopeti, onde deveríamos estar a mais tempo.


   Na Itália, a todo momento a gente se encontra com ciclistas. Os motoristas tem um bom nível de respeito por quem pedala, inclusive, mantêm aquela sonhada distância de 1,5m que a gente queria que acontecesse aqui no Brasil. Apesar de achar que já melhoramos bastante, tem uma evolução danada pela frente!
   No caminho, os cipestres, os rios, a vegetação encantadora e muitas ladeiras. Como não pegamos bicicletas elétricas, as subidas foram na base dos “cambitos” mesmo. Subidas sem fim, cidades pequenas com belezas também sem fim.
   Depois do perdidão, boa parte do percurso pela via Scopeti, passamos por San Andrea In Percussina, San Cassiano Val di Pesa e várias outras pequenas cidades. Apesar das inúmeras ladeiras, a viagem de bicicleta foi extremamente agradável. Lembro que cortamos um caminho, por indicação do Google Maps, entrando numa área rural, com placa de sinalização contendo nome da rua e tudo. As casas de campo lindíssimas chamavam atenção a todo momento!




   Numa dessas ladeiras sem fim, dessa vez descendo, fui à frente numa boa velocidade. Antes de entrar numa curva, olhei rapidamente pra trás e não vi Vitor. A rua estava vazia... Depois de alguns minutos, que me pareceram horas, vi um caminhão enorme descendo. Nossa! Aquilo me assustou tanto! Continuei descendo um pouco mais devagar, nada de Vitor, até que parei. Eita que o pensamento divagou negativamente na velocidade da luz! Nem sei quanto tempo durou mas deu tempo até de pensar no funeral. Ufa! Ele apareceu, contando que o caminhão atrapalhou a descida, que precisou recuar, mas deu tudo certo. Ô susto!


   Em San Giminignano mesmo, só fomos chegar no final da tarde, depois de subirmos uma serra sem fim. Um sacrifício totalmente recompensado com a chegada naquela cidade medieval incrível! Pelo Airbnb, alugamos um apartamento num prédio que um dia foi um Castelo cheio de história. A dona do apartamento arrumou um lugar para as bicicletas  e nos acomodou confortavelmente. Ao abrirmos a janela, uma vista de cair o queixo!


   Nem vou contar sobre os pontos turísticos porque isso vocês encontram em todo canto na internet. Foram duas noites em San Giminignano, caminhando pelas ruas, visitando museus e igrejas, subindo torres, tomando sorvete (não só o considerado melhor do mundo) e comendo comida gostosa, tanto de restaurante, quanto feitas por nós mesmos. Como gostamos de provar as delícias do lugar, no mercado, compramos carne de caças e fizemos assados deliciosos. Nossas viagens ficam com um custo menor com as visitas aos supermercados. Algumas vezes, nem precisamos ir a restaurantes e comemos muito bem.









   Então foi isso! No dia 23 de junho, nos despedimos da cidade Medieval, de bicicleta, com as mochilas minimalistas, bem cedinho, ladeira abaixo. Tão cedo chegamos em Florença, que tivemos que ficar sentados numa praça, tomando sorvete, até chegar perto da hora do check-in do hotel.
   Na próxima postagem eu conto como foi em Veneza.
   Até loguinho!



terça-feira, 17 de setembro de 2019

Desafio dos Sertões 2019- 120km

Um pouco de NÓS pra vocês!
Corrida de Aventura Desafio dos Sertões
Local: Sobradinho
Data: 14 e 15 de setembro
Percurso: 120km
Categoria: Quarteto Misto
Atletas: Luciana, Freitas, Gabriella Carvalho, Vitor Hugo Moreau e Paulo Neves

   Esse ano, o perrengue pra fechar o quarteto, treinar, correr, administrar questões pessoais e outras coisitas mais, se estendeu até o apagar das luzes do Campeonato. Nosso clube tem atleta pra caramba, mas nunca acho justo desmontar um grupo já formado pra fechar outro que demorou a se resolver. 
   Sim, somos o Clube Esportivo Aventureiros do Agreste, com Estatuto e Ata de fundação registrados em cartório, onde várias atividades em contato com a natureza são estimuladas e praticadas, dentre elas, Orientação, Corrida de Aventura, Corrida em Trilha, Trekkings e ainda temos a nossa "menina dos olhos": a Escola de Aventura do Agreste, importante ferramenta de fomento ao esporte Corrida de Aventura, por onde já passaram cerca de 150 alunos, muitos deles praticantes do esporte até hoje. Por isso essa primeira foto com tanta gente, e tem mais ainda. 😃 A energia demandada na realização dos projetos do Clube é enorme, mas os benefícios são compensadores. Os detalhes dariam umas duas páginas de prosa, portanto, paro por aqui. O fato é que muitos dos que terminam a Escola, optam por continuar na equipe, embora não seja obrigatório. Ao mesmo tempo que queremos mais atletas para nossa equipe, queremos novas equipes para o esporte. Então o aluno pode usar até o artigo da Constituição Federal, onde tem escrito que a pessoa tem direito de ir e vir. Maturidade, temos! 🤗😉
   Como sempre, administrar a logística pra uma prova a 600km de casa é punk! Ano passado, nossa equipe organizou o ônibus, conseguindo gente suficiente pra viajar. Esse ano, a Federação Baiana de Corrida de Aventura (FBCA) providenciou. Entretanto, a falta de adesão dos atletas, por razões diversas, transformou o ônibus em Van, que foi melhor do que ir de carro próprio, apesar do desconforto. Afinal, voltar pra casa depois de uma noite inteira sem dormir, pode ser uma escolha trágica pra equipe.

A van.

   Por volta de 14h da sexta-feira, partíamos do Summer Bistrô, antiga Vitadiva Gourmet, de Salvador pra Sobradinho. O eixo da carretinha com as bikes quebrou nas imediações de Amélia Rodrigues, começando ali a nossa aventura. Por cerca de três horas, aguardamos a substituição, transferindo as 18 bicicletas para seguir viagem. Dessa forma, só nos acomodamos no quarto do hotel às 4 da manhã do dia 14, deitados já com a roupa de ir, para não perdermos tempo na hora de levantar.
   Sufoco à parte, muitos dos nossos Aventureiros tomavam café da manhã no hotel, então aproveitamos para fazer a terapia do abraço. Com pouco tempo pra muita conversa, adiantamos nossas vidas pra levar as bikes pra largada e preparar pra partir.
   Impressionada com a quantidade de gente dentro daquele barco Vapor do Vinho! Rapazzz, parecia não ter um buraco mais pra colocar bicicleta. Talvez tenhamos tido sorte de chegar um pouco depois, porque o lugar foi até bom. Tinha um mundo de atletas tomando café da manhã, jornalistas, fotógrafos, drones.
   Feliz com a repercussão da prova por todo país, com várias equipes de fora da Bahia, o que não é novidade no DS. Na verdade, teve tanta gente (mais de 200 atletas) que nem pude cumprimentar todos os amigos. Parecendo festa em estádio, que a gente só sabe que o amigo foi quando vê as fotos nas redes sociais.
   Nossa! Já escrevi tanta coisa e nem comecei a falar da prova!! Viuxi! 😅
   A largada seria assim: a gente ia pular da embarcação no meio do lago, nadar até a beira por 1km e pegar os caiaques pra remar até os PCs 1, A e B. Mudou para uma corrida até os caiaques e partiu Desafio dos Sertões. Algumas intercorrências jogaram a largada de 10h para mais de meio dia. Tinha gente demais pra descer do barco com as bicicletas, gente demais pra embarcar de volta pra cair no Lago, a embarcação encalhou, o vento não deixava nada quieto, a ponte de passagem pra terra mudava de lugar.


   Àquela altura, o café da manhã já tinha descido todinho nas minhas tripas. Mas quem faz corrida de aventura sabe que pode nem encontrar café da manhã. Já vem preparado pra guerra!
   Como a organização forneceu dois caiaques simples e um duplo para os quartetos, eu e Gabi remamos juntas. Decidimos também, por sugestão de Gabi, pegar apenas o PC 1, que era obrigatório. Os demais, A e B, deixamos para os atletas de ponta, pois sabíamos que seria um trecho muito sofrido. Na verdade, os PCs facultativos não tinham pesos diferentes, então preferimos voltar da canoagem de dia para que fosse possível encontrar os PCs em terra com mais tempo. 😎
   Confesso que nunca sofri tanto num trecho de canoagem! O barco pesava toneladas, arrastava água demais e tinha dois buracos enormes que, quando a onda batia, entrava água. Foram vários grandes goles, mas não o suficiente para afundar. Meus braços doíam demais! Enquanto os dois moçoilos, Vitor e Paulo, remavam na maior curtição, todas as equipes nos ultrapassavam. Gabi falava, “Lu, a gente está em último, todo mundo já foi”, e eu não conseguia fazer nada. O Lago do Sobradinho é tão inclemente quanto todo o Rio São Francisco, tem ondas altas e ventos fortes, como se fosse mar. Até a cor da água parece mar! As distâncias parecem mar!




   Vistos de longe, os atletas na pequena ilha de pedras pareciam leões marinhos. Um aglomerado tão grande de gente que ficou até engraçado. Chegando lá, convidei as beldades a trocar a embarcação. Vitor e Paulo provaram do caiaque envenenado no Lago revolto. 😏👿 Enquanto isso, passávamos por alguns atletas com embarcações afundadas. Por sorte não passamos pela mesma coisa. Mas ouvi dizer que a organização resolveu os problemas com planos B, recolhendo as pessoas do Lago e deixando que metade da equipe fosse até os PCs.


   Eu só digo uma coisa: o que sofri na ida, sofri na volta. No começo pareceu fácil, depois os braços disseram não, mil vezes não. Gabi já estava lá na frente quando os meninos me propuseram ir no duplo para que Paulo pudesse remar comigo. Até hoje agradeço. Aquela beira de rio nunca foi tão distante! Um barco pequeno lá na frente que não aumentava de tamanho nunca, umas antenas eólicas que pareciam ficar sempre no mesmo lugar, o vento que batia na pá reta do remo como um freio, as ondas que levantavam o barco enquanto eu remava no ar. Aquilo não acabava nunca, mas acabou. Tudo acaba, minha gente! Tudo!
   Enquanto me reerguia das cinzas, conversava com Patrícia Abreu sobre sua prova. Ela tinha aceitado fazer os 120km com os meninos da Selváticos, porque a menina da equipe deles não pôde comparecer. Por conta da embarcação furada e de outras intercorrências, eles não continuaram a prova. Pena que não deu certo mas, de qualquer maneira, sigo admirando a energia daqueles meninos. São muito guerreiros, sem dúvida!
   Pegamos as bicicletas, seguindo pela estrada para alcançar os PCs 3 e 4, já anoitecendo. Aquelas estradas transbordando de areia e pedras me causam grandes reflexões. O rio tão perto, a vegetação toda da mesma cor, não tem nada verde, tudo é cor de barro, algumas folhas secas ficam penduradas nas árvores. Todos os pequenos rios são completamente secos! Não tem uma gota d’água em lugar nenhum. A poeira sobe da bicicleta como num filme de faroeste.





   Do PC 3, passamos pro outro lado da estrada, pedalamos poucos metros de estrada boa só pra dar um gostinho de liberdade da pedalada, em seguida caímos no suplício da caatinga de novo. Não demorou a passarmos pelo PC 4 e chegarmos no 5.
   Dali seguimos no trekking. Logo na saída, dava pra perceber o paredão de pedras que nos cercava. Em outros tempos, aquilo deveria ser um rio lindo, com cachoeira e tudo. Quase no final do cânion, encontramos os dois quartetos da Aventureiros do Agreste (50km), animados com a prova. Entre eles, estavam 3 pessoas “pequenas” com coragem de grandes guerreiros, Rafa, Júlia e Dudu, com 18, 14 e 15 anos, respectivamente. De todas as conversas doidas que tivemos, lembro de Julia dizendo:
- Lu, venha navegar pra gente, rodamos tanto!!
   Eu ri e fui embora. Achei que eles estavam ótimos! Àquela altura, já me descuidava da navegação. Só perguntava as distâncias, procurava trilhas... e quantas trilhas. Não encontramos a trilha pro PC 6, que era nosso primeiro objetivo. Seguimos para o C, orientados por Vitor, enquanto Paulinho checava. Depois fomos ao PC D, também simples de encontrar. E dali em diante foi um miserê! Tentamos, e muito, encontrar a trilha para o PC I. Por falta de sucesso e consenso em decidir se vai ou se fica, perdemos ao menos uma hora naquela ladainha. No fim das contas, voltamos pelo D, fizemos as contas de distâncias, passamos pelas áreas antropizadas, que eu não conseguia mais pronunciar a palavra, pra chegar até o PC 6.


   Batemos cabeça um pouquinho mas achamos. E depois do 6, encontramos o E. Pelo caminho, muita areia fofa, pedras, galhos espinhosos, brilhos de olhos de bichos, sinos de cabras e vacas, misturavam-se com conversas e lanternas dos atletas. No caminho pro F, muita gente passava, indo ou voltando, com dúvidas e certezas, ânimo e desânimo. Encontramos junto com vários amigos. Tudo tomado de pedras soltas e areia mas, depois do PC 7, percebemos que tinha como piorar. Não sei como ninguém torceu o pé naquelas subidas de pedras. Tinha até gente chorando no caminho, provavelmente de exaustão. Que prova foi aquela?
   Conseguimos alcançar o PC G sem grandes dificuldades e descemos pro H. Como perdemos a bifurcação à direita, voltamos ao mesmo ponto na base. Àquela altura, o mapa já estava comigo porque os meninos caiam pelas tabelas de tanto sono. Afinal, estávamos na segunda noite sem dormir, por conta da viagem na Van. Não achamos a trilha logo de cara, decidimos voltar ao ponto de partida para contar novamente a distância. Ali encontramos um monte de equipes relatando que tinham horas procurando a passagem, desistindo da procura. Como sabia exatamente onde estava, comentei que voltaria para a referência para recomeçar e todos resolveram fazer o mesmo. Desistiram de desistir do PC. No fim das contas, encontramos o caminho todos juntos. Mas o nosso ritmo não estava nada bom. O sono, o cansaço... Apenas uma dupla ficou por perto. Um atleta de outra equipe gritava Gilson em voz alta, loucamente. Na verdade, Gilson e todo o grupo, antes perdido, já tinha se mandado pra bem longe. Mas, decidimos seguir juntos até certo ponto.


As caras de sono.

   Encontramos o PC H, com dia amanhecendo, depois de mais de 10 horas de trekking. O corpo obedecia pouco. Gabi, sonolenta, levava mil lapeadas dos espinhos, até nos olhos. Paulinho, pelo caminho, deu uma cabriola que pensei que tinha quebrado algum osso, sem contar com as trezentas topadas. E Vitor andava como um Zumbi. Tanto que o cara (Acho que o nome dele era Leo, de Alagoas) da equipe que estava conosco veio me dizer que um dos nossos estava muito mal, que achava que não aguentaria. Só respondi que eles aguentariam. Esse povo aguenta! 
   Então, dali em diante, era só descer até o PC 8. Passamos por Plínio e Pana, tentando encontrar a subida para o PC I e seguimos no azimute pra transição. Olha que coisa? Encontrei umas trilhas de bode e fomos abduzidos, entrando por uma, por outra.... outra e outra. Falei do cansaço dos meninos, não foi? 😫😖 Pois o meu se mostrou de um jeito bem mais cruel, afetando toda a equipe! Quando percebi, não tinha a menor ideia de onde estava. Demoramos mais de duas horas pra sair do labirinto. Vitor acordou pra prova, resolveu raciocinar. Começamos a procurar alguma referência, encontramos uma trilha bem marcada, seguimos em direção ao morro, com o mapa orientado e, finalmente, encontramos o PC D. Afff! Que coisa! Até pra Zé (meu anjo da guarda) pedi ajuda. E eu só pensava nas palavras de Jujuba, reverberando em minha mente. Já pensou se estivesse navegando pra ela? E também lembrava da nossa torcida organizada pelos Aventureiros que ficaram no EAD- parafraseando nossa atleta Mônica Farias-, quando vissem os zigue-zagues do nosso Spot àquela altura da prova. Coitados!
   Gente, o mal do navegador é a confiança em excesso! Aliás, tudo demais são sobras, como dizia a minha avó. Duvide, conte distância, preste atenção às referências. Não vacile não!
   De todos os erros que cometemos, acho que esse custou a nossa prova, custou todo o que planejamos. Acredito que, mesmo sabendo do nosso ritmo leve, conseguiríamos chegar no PC 11 antes do corte. Enfim, paciência, resiliência, coragem, ânimo, maturidade. Tivemos que resignificar nossa prova, descontruir planos e mudar o objetivo. O desafio ali era administrar o estrago.
   Apesar do esforço do trekking, depois que nos localizamos, confirmamos no PC 8 que não escaparíamos do corte. Daniel veio me dizer que as equipes boas estavam fazendo em mais de uma hora e meia. Sacanagem dizer na cara da pessoa que a gente não é equipe boa, mas tudo bem! Enfim, não dava mesmo! 😂😂😂
   E ainda tive alucinações durante a madrugada. Vi pessoas me cumprimentando, rindo, gente encolhida nas pedras, vultos passando. E o dono da casa do AT 8, enquanto tomávamos um café preto, quentinho, feito por sua esposa, fez relatos dos antepassados que guardam a mata. Disse que o que eram os guardiões que tomavam diversas formas para cuidar do lugar. Saiu rapidamente e voltou com uma mochila cheia de apetrechos antigos, como pedaços de cerâmica, pedras, vasos, instrumentos de caça que, segundo ele, pertenceu aos índios que habitavam o lugar. Olha só que riqueza dele, guardar essa memória dos seus!!
 Então, depois dessa conversa histórica, seguimos de bike por entre pedras e areia fofa, pra variar, para alcançar os PCs seguintes e a transição no 11. Perdi as contas de quantas vezes desci da bicicleta para empurrar. E também perdi as contas de quantas vezes enfrentei o areal revestida de coragem. As pedras rolavam pra todo lado, os espinhos tentavam nos nocautear a todo instante. O sol inclemente, avisava que estava na hora de almoçar. Aliás, desde 8h da manhã, parecia meio dia. Que calor dos infernos!





   Pronto, minha gente, passamos pelos PCs 9, 10 e alcançamos o 11. Foi lá que comemoramos o quase final da prova com uma última garrafa de água mineral hiper gelada, que Henrique, irmão do meu amigo Felipe Pikety, tinha deixado pra sua filhota linda. Como éramos os últimos atletas, fomos presenteados com água, comemorando o fechamento do PC. Finalmente, poderia ir para casa com a família.
   Segundo Henrique, o caminho não tinha mais pedras nem areia, apenas costelas de vaca. Olha, eu vou te contar, viu!? Não sei não... Costela de vaca é o Ó do Borogodó! 



   Apesar da pequena distância que teríamos que percorrer, o sol escaldante ameaçava nosso final feliz. Tínhamos apenas uma hora até a chegada, sem extravasarmos o tempo limite de prova. O plano de pegar todos os PCs mudou. A nova meta era fugir da desclassificação e administrar a exaustão.
   Enquanto isso, o bafo quente que subia do chão para nosso corpo, secava rapidamente as roupas molhadas pelo banho de chuveirão no PC 11. Secavam na velocidade da luz. Quando Paulinho estava com 30% de suas forças, começamos a operação salvamento. Ele precisava só de uns mimos, como um gel de carboidrato de chocolate, alguém que carregasse sua mochila, uma breve pausa pra respirar e água na cabeça.
   Por fim, completamos o Desafio dos Sertões à nossa maneira, não como queríamos mas do jeito como foi possível, com maturidade para administrar as frustrações dos erros cometidos e comemorar as vitórias alcançadas. Nem lembro da última vez em que não estivemos entre as melhores equipes da Bahia nos resultados finais dos tantos Campeonatos dos quais participamos. É legal quando os atletas se preocupam com isso. Também gosto desse glamour, e gosto também quando se faz o melhor proveito dele, mas esse ano não fizemos uma boa campanha no quarteto. Entretanto, nossa dupla masculina fechou o Campeonato entre os três melhores mais uma vez. Sem contar que comemoramos junto com os amigos as suas vitórias.
   Finalizando, os agradecimentos e congratulations.
- Aventureiros do Agreste que foram, que coisa linda a nossa equipe! Que coisa linda que somos NÓS, espalhados por aquela caatinga miserável e linda, juntos, separados e misturados em pensamentos e vibração! Andréa, Jana, Adriano, João, Dudu, Rafa, Fred, Júlia, Maurício, Déa Ulm, Ramon... Que energia massa!
- Meus Aventureiros do Quarteto, Paulinho, Vitor e Gabi, muito obrigada pela companhia, paciência e superação. Como é bom compartilhar essas aventuras com vocês!
- E os Aventureiros que ficaram, gente? Sentimos de lá! É muito amor e muita gratidão!
- Companheiros de Van, não lembro da última vez que passei mal de tanto rir. Foi uma viagem muito cansativa e desconfortável, mas a companhia de vocês compensou qualquer intercorrência. Valeu pela farra!
- Não posso esquecer de comemorar o fortalecimento da nossa FBCA, que conseguiu cumprir suas pendências financeiras, regularizar documentação e se reorganizar de forma a se estabelecer como uma entidade confiável junto aos órgãos do governo, a ponto de obtermos recursos pra financiar nossas provas. Temos muito a crescer e vamos todos ajudar.
- Organizadores do Desafio dos Sertões, vocês foram incríveis- elogio extensivo à toda equipe! Mapa e Racebook em lona impecáveis, percurso desafiador, planos A, B e C pras intercorrências, distribuição de modalidades massa. Boné, camisa, caneca, adesivo... Prova de primeira! Nossa galera voltou pra casa em êxtase de felicidade, elogiando tanto a prova quanto os organizadores. Eu concordei dizendo:
“Sem dúvida, na minha opinião, Waltinho é um dos melhores organizadores de provas do Brasil. Ele pegou toda sua experiência como atleta, tornou-se organizador sendo atleta, ressignificou os conflitos internos e externos, e o resultado é o que temos todo mês de setembro: Um Grande Desafio dos Sertões! Walter Guerra cresceu como pessoa e como organizador, isso é notório. Todos os problemas que já aconteceram nas provas dele, tanto nessa como nas outras, resolveu com generosidade, inteligência e empatia. Daniel não, sempre foi evoluído.” 😂😂😂😂

   No mais, minha gente, eu amo vocês! 

domingo, 8 de setembro de 2019

Itália- Parte 3- Florença

   E eu que pensei que toda a lindeza do mundo se resumia a Paris e Roma, não cansava de me impressionar! Da Estação de trem, a pessoa já dá de cara com a Igreja de Santa Maria Novella. Ah! Falando em trem, não esqueçamos de viajar de trem pela Itália. Rápido, confortável e o preço fica menor se comprar passagens com antecedência.
   Florença é linda, vibrante, ensolarada no verão e cheia de turistas. Aliás, turista de tudo que é canto, saindo pelas tabelas. Hordas de turistas mesmo!!


   Depois do check-in do hotel, fomos bater perna. Lembrando que fizemos essa viagem de mochilão, com o mínimo de bagagem possível, caminhando ou usando transporte público na maioria das vezes e quase sem comprar nada pra nós nem pra ninguém.
   Entramos na Catedral Duomo, que é de graça mas precisa cobrir os ombros, como em quase todas as igrejas da Itália. Sempre com fila pra entrar, a suntuosidade lá de dentro compensa o tempinho de sol quente lá fora.


   Todo canto em Florença tem obra de arte! Se você não conseguir entrar nos museus, a cidade é o próprio museu, o berço do Renascimento. Conhecemos tudo andando, subimos até a Piazza Michelangelo, entramos em não sei quantas igrejas, atravessamos a Ponte Vecchio, demos uma chegadinha em frente ao Palazzo Pitti.






   No dia seguinte, bem cedinho, visitamos a Galeria Uffizi. Em Florença, os ingressos para as atrações mais famosas precisam ser compradas com antecedência também. Coisa mais linda a Galeria! Valeu a pena demais!


   Do almocinho no Mercado San Lorenzo, saímos para encontrar as lojas de aluguel de bicicletas. Mesmo tendo pesquisado do Brasil, deixamos pra ver tudo em Florença por termos achado os preços muito altos. Das três lojas próximas, duas eram completamente impossíveis de ter o que queríamos. Aliás, as bicicletas eram indecentes para fazer um percurso até San Giminignano. Achei até cara de pau do dono da loja, dizer que serviam perfeitamente. Enfim, encontramos uma loja massa, a Florence by Bike, onde alugamos duas bikes bem legais, do jeito que queríamos, sem motor elétrico.


   Gente, em Florença tem lojas de aluguel de bike demais! Tem gente pedalando pra todo lado, pelas ruas estreitas, disputando espaço amigavelmente com os carros.
   “Beleza de Creuza!” Arrumamos uma bagagem minimalista para passarmos três dias em San Giminignano, indo e voltando de bicicleta. As mochilas grandes ficaram no hotel, onde passaríamos a noite na volta.
   Na manhã de 21 de junho, depois do café, seguimos para a loja de bike, pegamos as magrelas, passamos na Decathlon de Florença e pegamos a estrada para a cidade medieval.
   Na próxima postagem eu conto dos três dias de bike pela Toscana.