sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Penélopes na Maratona de Canoagem 2012

   Brasil Wild Maratona de Canoagem de Paulo Afonso de 21 de janeiro, 55km no Rio São Francisco.
Penélopes- Luciana Freitas e Gabriella Carvalho.
   Nos dois meses que antecederam a prova, enrolamos mais do que treinamos! As duas enroladas com filhos, trabalhos, casa, lesão de tornozelo.. Mesmo assim, a ousadia de uma Penélope é muito mais forte do que tudo nessa vida! Fomos mesmo!
   As dificuldades já começaram antes da prova. A dupla masculina (Tadeu e Ígor) que viajaria com a gente, desistiu de última hora. Ficamos sem companhia e sem hospedagem, já que isso seria resolvido pelos rapazes. No final das contas viajamos sozinhas no meio da tarde. Conversamos tanto que nem percebemos o tempo passar. Era quase meia noite quando chegamos a Paulo Afonso, no apagar das luzes da entrega dos kits dos atletas. Sorte que tinha vaga no hotel da organização! Daria tanto trabalho procurar hospedagem àquela hora!
   Éramos a única dupla feminina a fazer os 55 km. Sim! Fomos pra curtir, conversar, encontrar os amigos, fazer terapia... e fazer a prova toda, é claro! Era só completar para ficar em primeiro. Detalhe que havia uma imposição de tempo de corte, onde deveríamos chegar numa tal ilha localizada no km 30, em até 5 horas de prova, dar a volta pela “dita cuja” e retornar pelo mesmo caminho até a chegada. Ou seja, passou da hora estaríamos fora da prova. Então pensamos que, remando a 6 km/h a coisa dava sem sobra mas, dava.
   Lembrei do Brasil Wild Extreme, minha primeira prova de 600km. A largada foi no mesmo lugar e a adrenalina muito parecida. Aquela hidroelétrica do Rio São Francisco é suntuosa! O rio é imponente e exige respeito! Logo na largada, tem uma trama de redemoinhos perseguidores de caiaques que viram quase todos os barcos. Puxam tudo o que aparece pela frente!
   Durante nossa descida para o ponto da largada, avaliamos a melhor maneira de passar pelos redemoinhos e decidimos passar pelo lado direito. Ali no cantinho, ficamos um bom tempo rindo e conversando com amigos queridos de longas datas. O helicóptero resolveu aparecer, com um atraso de mais de 40 minutos, quando foi dada a largada. Aqui pra nós, largada sem um helicóptero não tem a mesma chiquêza!
   Ficou difícil concentrar para não virar o caiaque naquela confusão de barcos se batendo. Muitos atletas já caíam no rio e a gente remava forte pra fugir dos redemoinhos. Era gente gritando por todo lado. Cada vez que nosso caiaque batia com outro, o redemoinho tragava a gente. Gabi gritava muito! O Velho Chico já estava impondo respeito na saída da prova. Pensei que viraríamos o barco várias vezes. Cada segundo parecia muito tempo! O resgate estava ali. Tivemos sorte, força e ajuda Divina pra sair de lá sem tomar um caldo. E os gritos de Gabi ajudaram de verdade, rs! É sério!
   Depois dessa confusão toda, coisas acalmaram um pouco. Naquele começo, tudo estava belezinha! Ficamos no meio do bolo, junto com os atletas que fariam 8 km. Depois, eles foram embora, nós continuamos. O sofrimento estava garantido. Mesmo assim, daríamos tudo de nós pra concluir a prova. Conversamos pouco e cuidamos de imprimir o mesmo ritmo de remada pra manter a velocidade constante. Só que o Velho Chico não é um rio tão fácil de navegar. Dentro daqueles cânions imponentes, o vento vinha com tanta força que formava ondas e empurrava o barco pra trás. Tão forte que virava o barco de lado. Eu tinha que remar e fazer o leme com uma força que me desgastava muito. O lado bom é que estou ficando craque no leme! Imaginem que não deixamos o barco virar no redemoinho e, mesmo fazendo uma força miserável, conseguia manter o barco na rota certa. Gabi me ajudava bastante! Sempre foi a nossa melhor remadora! Mesmo assim, a coisa estava pesada!
   Determinadas a cumprir o tempo de prova, comemos bastante na largada, e combinamos de tomar um gel de carboidrato com 2:30h de prova e só comer um sanduíche quando chegásemos na ilha.
   Quando o vento dava uma trégua, o barco deslizava que era uma beleza! A gente botava mais força pra navegar mais rápido. Só que isso demorava pouco. Era só falar que estava melhor que o Velho Chico mandava o vento soprar outra vez. Eu e Gabi ficamos muito concentradas mesmo. As duplas Maurão e Pugliese e Arnaldo e Hélio nos alcançaram, conversaram pouco e passaram por nós.
   Lá pelo km 10, doíam braços e ombros. No km 15 doíam punhos, mãos e dedos.  No 20 doíam as costas e os calos pipocavam pelos dedos afora. Bom! No km 25, doíam as sobrancelhas, cílios e até mesmo a alma. Sonhávamos com aquela tal ilha, onde faríamos a volta para retornar à chegada. Só que o diacho da ilha parecia que se afastava. Começamos a passar pelas duplas que retornavam e cada um dizia que faltava uma distância diferente.
   Quanto sofrimento! Na virada para fecharmos o km 30, apareceu o barco da organização... O tempo de prova estava esgotado e o catamarã viria recolhendo todas as duplas. Oh! Só 30km! Seríamos recolhidas da prova, rs! Então, eu e Gabi resolvemos dar meia volta e remar até o barco aparecer. Só que minhas lombrigas já estavam desesperadas por comida, esperando o tão sonhado sanduíche. Eu tinha prometido sanduíche pra elas. Pôxa! Já eramos o material de coleta mesmo! Então paramos para o piquenique. O sanduíche de queijo com salame que fizemos no café da manhã do hotel estava inteiro, seco e gostoso!
   Uma lancha massa veio nos resgatar! Lá dentro já estavam vários amigos na mesma situação. O pessoal do programa adrenalina acabou sendo resgatado junto com a gente porque o barco deles quebrou. Todos foram entrevistados. Apareceu quentinha com comida, sanduíche, coca-cola e outros rangos. O detalhe era que a lancha teria que acompanhar quem estivesse remando por último. Então resolveram nos transferir para o catamarã.
   Quando a lancha encostou no catamarã, percebemos uma movimentação danada. Nem percebemos que aquele rebuliço todo era porque estávamos ali. RS! Os repórteres queriam entrevistas. As Penélopes não terminaram a prova, mas fizeram o maior sucesso. Na boa! Eu preferia terminar do que ser celebridade. Aliás, nós preferíamos! Entretanto, na falta de escolha, fomos dar entrevistas.
   No final das contas, fizemos um belo passeio de catamarã pelo Rio São Francisco. De graça, diga-se de passagem, pudemos apreciar aquela maravilha da natureza. E ainda tivemos a oportunidade de dar tchauzinho pra vários amigos no caminho e aplaudir as equipes que chegavam no momento em que o catamarã encostava.
   A lição que aprendemos nessa história toda é que o nosso esporte é muito sofrido, mesmo com treino! Então, se for sem treinar, já sabe! Vai se lenhar e corre o risco de sofrer corte. Fazer o que!? Negar que me diverti muito.. impossível! Ainda jantamos e curtimos com os amigos, aproveitamos o movimento da cidade e fizemos ótima viagem de volta, planejando a Maratona de Canoagem de 2013 de um jeito bem diferente!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sou eu no caminho dos meus Varões.

   Meu Deus! Como eu gosto da natureza! Como é bom andar no mato! Como é bom fazer trilha!
   Aproveitando o fim de semana sem as crianças, fui pra roça para ser filha. Rs! Filha única! (Essa minha irmã tinha que ler!) Meus pais ficaram felizes com a visita e eu, mais ainda! Adoro viajar sozinha, embora nunca esteja sozinha. Ando sempre com Zé, o meu anjo da guarda, e converso com os meus botões. O som do carro pode ficar muito alto de vez em quando e talvez eu cante mais alto ainda. Posso gritar, chorar, sorrir, até ensaiar conversas sérias, rs! Posso ser "sem destino".
   Minha mãe vem rápido abrir a porteira, enquanto buzino sem parar desde a vista mais longe da casa. Por lá tá tudo lindo! Tudo verde! Tudo cuidado com zêlo. Os bons ventos me levaram com muitas notícias boas! A família está crescendo.. tem mais menino pequeno na barriga de gente grande! Ainda bem não nasceu um lá no Rio de Janeiro, a outra já vem com a notícia que tá prenha! Ninguém cabe em si de felicidade! O Ano Novo veio com tudo! Veio feliz! Veio Divino!
   Cheguei na hora do almoço! O lombo chega tava preto na panela! Com aquele caldinho salgado, gostoso! O feijão era daqueles que a gordura pula na sua cara quando você abre a panela. Mas, há quem diga que ele é sequinho e não tem quase nada de gordura. Rs! Quem tem colesterol alto que dê seus pulos!
   O cair da tarde tem um barulho de cigarras ensurdecedor e todas as estrelas nos dão a honra de sua presença. Os patos vem pro terreiro, as galinhas d'angola sobem no pé de acerola. Coitado do pé de acerola! Está todo envergado! Parece até um pé de galinha d'angola.
   O quarto fica muito escuro quando está tudo fechado. Nem dá pra ver a mão na frente do rosto. Mas, é melhor dormir logo porque as galinhas, os gansos e todos os outros bichos acordam muito cedo. E fazem um barulho danado! Sr. Freitas, às 4 da manhã, já está cuidando da vida. Na labuta! De bota, capacete e facão na cintura para qualquer precisão. Dona Conceição já fez o café e o cuscuz. Só esqueceu de colocar o prato pra filha comer mas, está perdoada! Embora tenha o melhor tempeiro do mundo, sempre colocou a gente pra se virar. Por isso que sou assim, meio independente demais da conta. Mais até do que precisa.
   Depois do café, fomos ver o pedaço de terra que meu irmão comprou. A caminhada sempre me faz muito bem! E compartilhar esses momentos com meus pais não tem preço! Fotografei tudo. Diante de todo o verde e toda a vida daquele lugar, meu pai contava seus planos. Dizia que tava tudo muito feio e que ninguém sabia fazer nada. (E eu achando tudo lindo!) E falava dos seus planos de transformar aquele "mambebe" (palavra usada, exclusivamente, pelo Sr. Freitas para dizer que o lugar só tem mato e cobra), numa terra que preste. Caminhava descrevendo e gesticulando onde passará o rumo da nova cerca, que ele mesmo vai fazer com suas próprias mãos. Sempre lembrando que não sabe se estará vivo pra fazer aquela cerca. Aliás, já nasci ouvindo ele dizer não me veria entrar na alfabetização. Quando cheguei na alfabetização ele passou a dizer que não me veria entrar no ginásio e o resto vocês já podem imaginar. Sempre digo: "Pai! Você diz que vai morrer desde que eu nasci! Vai fazer 76 anos e ainda tá fincando morão de porteira, roçando pasto, puxando burro, carregando lenha, abrindo côco numa facada só, fazendo cerca. Ai, ai!! Tô achando que você vai viver mais de 100 anos."
   O pedaço de terra tá acabadinho mesmo! A casa tava fechada mas, deu pra ver que o telhado não tá bom e tem até parede rachada. Mas, o quintal é uma beleza! A terra é bem fértil! Tem água encanada e energia também! Tem siriguela, limão, banana, genipapo e outras árvores frutíferas que não lembro agora.
   Conça quem conversou mais na volta! Falou sobre seus negócios, que vão de vento em popa! As galinhas engordam rápido! As pessoas da cidade gostam muito de galinha de quintal e fazem encomendas toda semana. Os vizinhos compram mais as de granja. Sempre tem freguêses na porta para comprar o almoço do domingo. Voltava apressada! Podia aparecer algum freguês! De vez em quando, compra porcos pequenos e vende depois que crescem. Dá lucro também. O dinheiro da venda das poucas vacas já tem até destino. Vai para os passeios pelo Brasil afora duas vezes ao ano. São uns roceiros ousados! Ousadíssimos!
   Antes do almoço, colhemos laranjas e bebemos água de côco. Além da colheita, outra coisa que dá um bom dedo de prosa é ficar no pomar, tomando água de côco e chupando lima e laranja. É conversa que não acaba mais.
   Lavei os pratos do delicioso almoço e fui embora saudosa! Ô vida boa! Preciso fazer mais isso. Todas as energias são revigoradas, tudo fica melhor! Os pensamentos se organizam, as idéias fluem, a vida fica leve!
   Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Que Deus abençoe aquela terra e dê vida e saúde aos donos dela!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Feliz Ano Bom!

   Começar 2012 com o pé direito era uma questão de honra!
   O pé direito foi aquele da luxação do tornozelo na minha festa de anversário... Nos últimos dias de 2011 ele passou por alguns testes. Apesar do discreto edema persistente, restou apenas uma pequena limitação de movimento, que promete ser resolvida. As trilhas do Capão foram testes importantíssimos! O coitado resistiu bravamente às 5 horas de trekking ao dia e às 6 horas de viagem de carro, tanto na ida, quanto na volta. Mas, o que eu queria mesmo era correr. O que mais me incomodava em tudo isso, era o medo de não poder mais correr. Por isso, até o dia 30 de dezembro, testei o tornozelo na areia da praia, no asfalto, na subida, na descida! Sempre caminhando e correndo pra não sobrecarregar. 
   Tudo, desde que "recomecei" nos 40, gira em torno do pé direito. Então faz todo sentido, começar o ano bem! Passei Reveillon com minha querida amiga, também Penélope, Lucy e os seus. Aliás, passamos com os nossos! Nós todos e nossos filhos. Jantamos, fomos ver os fogos na praia e voltamos pra casa.
   Dali em diante, uma gripe se instalou em "minha pessoa", tentando fazer-me desacreditar no caso do "pé direito". Foram 3 noites sem dormir e sem conseguir fazer nada, a não ser trabalhar. Esporte, nem pensar! E todos os meus planos de voltar a treinar com planilha, entrar na academia e continuar nadando tiveram que ser adiados. Ainda bem que só durou uma semana!
   Entre um ano e outro, perdi as contas das confraternizações.
   Primeiro sábado do ano, gripe indo embora.. Primeiro pedal do ano, com café da manhã de confraternização de Aventureiros e Penélopes do Agreste. Huummm!! Pra pedalar? Só eu e Ítalo tivemos disposição de acordar cedo e fazer uma trilha básica de 38km. Minha primeira trilha, depois do machucado! Não estava bem condicionada mas, foi bem divertido. Eu e Ítalo conversamos horrores durante todo o persurso! Na volta, paramos pra tomar a velha e refrescante água de côco e seguimos pra casa.
   Beirando as 10 na manhã, a turma foi chegando pro café e o ar de reencontro se instalou por inteiro. Faz muito tempo que fizemos uma reunião assim, sem pressa, sem preocupações com corridas. Nos acabamos de comer e fizemos um amigo secreto super engraçado! Só que a coisa não ficou por ali, não! Teve gente que esticou o café e ficou pro almoço. Compramos uma carne, temperamos, jogamos na churrasqueira e rolou um big churrasco de primeira qualidade. Quem ficou, curtiu!! Por pouco, não ficaram pro jantar. Aqui pra nós: "Esse pessoal só sai daqui de casa no lixo! RS!"
   Domingo pela manhã, eu, Gabi e Lucy fomos treinar remo na rua k. Um treino de Penélopes. Preguiça retada mas, fomos! O dia lindíssimo, céu azul vibrante, mar liso e transparente com todas as pedras de Itapuã aparecendo. Passamos uma hora remando e "tricotando". Também foi o primeiro remo do ano.. Estamos treinando os "bracitchos" pro Brasil Wild Maratona de Canoagem. Aquela prova de 55km no Rio São Francisco em 21 de janeiro!!
   A gripe ameaçou voltar e eu contei com todas as forças do universo para resistir. Tive alta da fisioterapia na segunda. Terça foi o primeiro dia em que treinei corrida de verdade, sem intercalar com caminhada. Fiz 5km correndo "pianinho" sem sentir absolutamente nada no danado do tornozelo. Hoje, quarta-feira, fiz a minha primeira aula de natação do ano. As pernas doeram por causa da corrida de ontem. Depois de 2 meses só na fisioterapia e na natação, preciso voltar aos poucos, respeitar o meu corpo. Amanhã, pretendo dar uma volta de bicicleta...
   Perceberam o ar de recomeço?! Alta da fisioterapia, confraternização, natação, primeira corrida, primeira trilha de bike, até a primeira gripe.. Tudo com o pé direito, é claro! Desculpe, Sr. Tornozelo mas, tenho uma dificuldade enorme de ficar deprê! Foi mal aí tá! Dá licença, tô voltando...