segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Aventura no Dia dos Pais


 
Na foto parece limpinha.
    Por conta do bloqueio do tráfego no Polo Petroquímico, tive que voltar de Camaçari, pegar a estrada CIA/Aeroporto para chegar até a roça. Afinal, Dia dos Pais é dia de ver o pai, não se pode desistir no primeiro obstáculo que aparece. E aquele foi só o primeiro...
   Já que mudei de caminho, resolvi ir logo por São Sebastião do Passé, entrando pelo Distrito de Pedras. Talvez a dúvida antes da decisão tenha sido um aviso. Talvez não.
   Alguns trechos da estrada de barro estavam escorregadios. Veio outro pressentimento. Aquele trecho que é sempre escorregadio estaria pior? Hummmm.
   Hora da verdade! Depois do mata-burro, cheguei no lamaçal, escolhi o lado esquerdo porque metade do carro passaria por cima de mato, outra parte passaria pela lama. E fui com vontade. Ui! Poucos metros depois, lá estava eu, atolada como uma vaca (atolada), rs!
   Olha, escolhi uma roupa tão bonitinha pra visitar meu pai. Uma calça saruel caqui, sandálias de tiras e camiseta. Mas, juro, o frio na espinha não foi de preocupação com a roupa, rs! 
   Primeira coisa que fiz foi me enterrar mais ainda, insistindo bastante, acelerando o carro, patinando na lama, sem andar um centímetro. O pneu dianteiro do lado do carona só girava. Ficar dentro do carro de nada serviria. Ao abrir a porta, me deparei com tanta lama, cansanção e espinhos que entrei novamente.
   Lembrei dos tênis de corrida que tinha deixado no carro no meio da semana. Que sorte! Troquei de calçados e saí do carro. Dei a volta para fazer a análise de quem não entende nada de atolar carros, rs!! Olhei para um lado... Para o outro... Nenhuma alma visível. E saí procurando coisas para colocar na parte de trás do pneu. Algo que funcionasse como um calço pra sair de ré, para o carro subir e parar de derrapar. Se fosse pra frente, entraria ainda mais na lama...
   Não tinha uma casa por perto. Ouvia um arrocha bem distante. Também não tinha uma pedra, nem graveto, nem nada por perto. Só lama! Inclusive, na primeira distração, afoguei um pé até uns centímetros da calça. O tênis virou bota. Depois de andar um pouco, achei uma estaca, meio enterrada numa poça. Puxei, voltei e enfiei na parte de trás do pneu atolado. O carro chegava a se mexer enquanto empurrava.
   Depois de uma batidinha no pé, só pra diminuir o estrago de lama, entrei no carro. As mãos?? Na roupa  mesmo! Tenho que providenciar flanela para deixar no carro. Sim, tenho!
   -Vamos lá Luluzinha, você não veio pra Catu no Dia dos Pais, pra ficar atolada! Zé (Zé é o meu anjo da guarda, que me ajuda pra caramba), meu querido, ajuda!
   Sozinha, como é que a pessoa desatola um carro? Alguém tem que dirigir, enquanto o outro empurra o carro, levanta a frente, coloca calço... Sozinha não dá! Dei a partida... Pra frente, pra trás, pro lado, pro outro... Putz! Que coisa! Já sem frio na barriga, pensava num plano “B”.
   Não passava um carro, meus pais nem sonhavam que tinha pegado aquele caminho, celular nem sonha pegar por aquelas bandas. Oh, céus!!
   Saí do carro outra vez para nos dar mais uma chance. Caso não desse certo, ele (o carro) ficaria ali mesmo. Quem mandou fazer charme? Atolado, no cantinho, até o chão secar. Mais tarde, voltaria com ajuda. Seria um trekking de apenas 6km. Nada que nunca tivesse feito antes. Com a maior sorte de ter encontrado o par de tênis, rs! Sortuda demais, eu sou!
   Fui ver a estaca que tinha colocado. O pneu chegou a prendê-la. Decidi arrumar mais uns matinhos. Andei um pouco, achei um galho seco, grande. Posicionei o treco embaixo do pneu e fui tentar sair da lama pela última vez. Caso não conseguisse, estava decidida a fazer o trekking final, até a casa no meu pai.
   Vruummmm, Vrrrummmm, Vrrrummmm, Vruummmm... Na quinta vez o carro pulou pra trás... Consegui sair de ré, mirando entre os mourões do mata-burro pra não fazer mais merda. Uhuu, consegui!
   E agora? O que fazer? Voltar pra casa ou pegar outra estrada? Estava tão perto...
   Dei meia volta, encontrei um motoqueiro morador daquelas bandas. Contei que estava indo pros Varões, ele conhecia meus pais, e disse que os carros estavam passando por ali mesmo. Só atolando de vez em quando, rs!! Sem dúvida, escolhi o lugar errado. Era melhor seguir o caminho marcado pelos outros carros... Quem manda querer mudar, ser mais esperta?!
   Depois de uma conversa com o rapaz, decidi tentar novamente, com o combinado dele me ajudar a desatolar, caso não conseguisse passar. Olha a zorra! Outra manobra para retomar o caminho, caí num pequeno barranco de frente pra cerca da casa do rapaz. Atolada outra vez! Dessa vez, atravessada na pista. Nem acreditei! Será possível uma coisa dessas? Que barbeiragem da zorra, véi!
   Saí do carro pra olhar que bosta estava acontecendo, rsrs! O pneu escorregava para subir. O rapaz, Eduardo, queria pegar uma enxada para tirar o degrau. Que coisa! Calculei mais ou menos e vi que dava pra ir um pouco pra frente e subir pela lateral do barranco, sem bater na cerca. Assim fiz, e a porcaria do carro saiu. Àquela altura, estava “puta” da vida. Virada para o lado da roça de novo. Quanta coisa para um belo dia de domingo. Pensava em meu anjo da guarda, sabia que ele estava ali, rindo de mim. Pensava em escrever sobre isso. E meus pais? Saí de casa 8:15h, já passava das 11h.
   No fim das contas, encarei o atoleiro outra vez. Acreditem! Na cara e na coragem, na maior adrenalina... Consegui entrar no atoleiro, na segunda marcha, num ritmo só... Que bom!
   Cheguei na roça com a roupa podre! Nem dava pra ver a cor verdadeira dos meus tênis. Levei, inicialmente, a maior bronca da minha mãe por ter ido por aquele caminho, porque ela não deixa a pessoa contar a estória toda, antes de falar, rs!!!
   Meu pai, quando chegou dos matos onde estava consertando uma cerca que os bois quebraram, me deu outra bronca, antes de eu terminar a estória, rsrs! Também não espera a pessoa terminar de contar o que aconteceu. Deve ter aprendido a interromper com minha mãe. Ou será que ela quem aprendeu com ele?? Rs!!! Só depois que entendem... 
   No final, ele ainda completou:
   “- Você gosta disso! Ia prestar mais ainda se você tivesse com um bocado de gente. Você gosta mais quando tem um bocado de gente.”
   Pois, é! Gosto quando tem um bocado de gente. Quando não tem um bocado de gente, escrevo pra um bocado de gente ler minhas maluquices.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Resenha da Maratona de MTB de Alagoinhas 2013


   

   Sempre é muito bacana correr a Maratona de Alagoinhas. Primeiro porque aproveito para visitar um pedaço da renca de parentes, depois que a prova é uma beleza!
   Largar às 9h tem um lado bom e um ruim. O bom é que dá pra dormir mais, comer sem pressa, levar a galera pra ver a largada. O lado ruim é correr o risco de pegar aquele sol no meio da cara, perto do meio-dia, quase no fim da prova. Ainda bem que o sol não estava tão forte. E o melhor é que aproveitei muito o chamego da minha tia Licinha, que amo, antes de sair pra prova!
   O planejamento de prova foi super básico, rs! Um gel de carboidrato, uma barra de cereal, duas bananinhas e uma garrafinha com 750ml de água. Tão básico que a minha amiga Fernanda Piedade ficou assustada. Mas, deu certo, Fê! Peguei água em todos os pontos de hidratação, bebi, joguei na cabeça e nas costas. Ainda sobrou um pouco da minha no fim da prova. Sou doida mas, tenho juízo, rsrs! Pouco...

   No comboio, pedalei os 4.4km em direção à BR101. Largada simbólica em plena praça da cidade, para depois sairmos “à vera” na entrada da estrada de barro. Vitor, Silvana e Ney foram me ver, tanto na primeira largada quanto na segunda, e eu fiquei toda animada por eles estarem lá.
   Meu plano era o pódio, rs! Quem não quer? Mas, não contei pra ninguém porque dá azar, rs! Pelo menos pra mim, dá! Sou uma péssima competidora quando fico metida a besta. Deus não me ajuda, Zé, meu anjo da guarda, me abandona, sinto dor em tudo que é lugar, a bicicleta dá problema... Enfim, comigo não funciona! Tenho que ir na boa, com pensamento positivo pra mim e querendo bem a todo mundo.
   
   Tomei um gel de carboidrato logo ali. Dá uma força meio psicológica, tomar gel antes de largar, rsrs!
   Naquela muvuca de mais de 100 bicicletas, larguei cheia de cuidado pra não me bater com alguém. O pessoal sai parecendo que a prova vai terminar na próxima bifurcação. Mas, já parti pensando que, se quisesse uma boa posição, não poderia perder o foco. Aos pouquinhos, fui passando os mais lentos para pedalar com mais conforto.
   Vocês precisavam ver as paisagens! Ave Maria! A prova começava num estradão massa, depois entrava num sigletrack dentro de um eucaliptal. Só aquele cheiro do eucalipto já melhora a respiração, abre os pulmões. As curvas chegavam a quase noventa graus dentro dos eucaliptos. Pro caboclo desavisado se estabacar no meio das árvores, rs!

   Não sabia da minha posição, mas conseguia visualizar minha amiga Raissa à frente. E fui pedalando forte, de um jeito que não ficasse desgastada ao final da prova. Afinal, eram 55km. Depois de uns 14km (não tenho certeza), entramos no primeiro trecho dos eucaliptos. Mais próxima de Raissa, pensei que poderia tentar uma ultrapassagem depois do singletrack. Ultrapassagem onde só passa uma bicicleta é perigoso e, às vezes, até desrespeitoso com o coleguinha. Quem vem atrás tem maior controle da situação do que quem está à frente, que pode levar um susto, desequilibrar e cair. Eu também não tenho esse equilíbrio todo... Nem sou tão calculista. Só pensei. Tinha uns dois ciclistas entre nós. Teve duas ladeiras entre os eucaliptos do tipo “Uhuuuu”, que desci gritando. Coragem, beirando a insanidade. Logo na primeira, voltava pela trilha, um cara com seu pneu dianteiro imprestável. Aliás, nem tinha pneu, era só a jante toda amassada. E eu desci aquele troço! Que doida!
   Ultrapassei Rai, que parou pra ajeitar a corrente da bicicleta, na saída do singletrack. Hum... Aí é que a gente tem que ter preparo psicológico. Tinha muita prova pela frente. Corria risco de levar um bom troco. Mas, não podia me abalar, nem parar pra fazer o meu xixi, nem relaxar com alimentação, nem perder o foco. Não podia perder a inspiração.

   Sem olhar pra trás, nem imagino em que momento Raissa me perdeu de vista. Saí dos eucaliptos pedalando o tanto que podia. Comi uma barra no km 17 e continuei. Com poucas ladeiras íngremes, quase não usei coroinha. Aproveitava cada descida pesando o pé com vontade e, cada subida na coroa do meio, alternando marchas. Xixi nem pensar, rs! Xixi era psicológico. Já pensou se sou ultrapassada porque parei para fazer xixi?? Ia morrer do coração, rs! De olho no odômetro, não me permitia pedalar abaixo de 17km/h, exceto nas raras subidas mais íngremes, curvas acentuadas, areia fofa! Pô, não sou essa ninja toda, rs!
   O sol apareceu poucas vezes. Até choviscou um pouquinho. A prova foi bem fluida. O tempo passou rápido, sem muito sofrimento. A paisagem também ajudou muito. Uma pedalada tão gratificante que pensava no quanto Vitor curtiria se estivesse comigo. E isso me fortalecia... A energia da natureza me fortalecia, os bons pensamentos também.
   Uns galhos se prenderam em minha corrente... Parei para tirar rapidinho... Mas, xixi, nem pensar, rs! Minha corrente soltou, parei pra arrumar mas, xixi, nem pensar, rs! Xixi é psicológico!
   No quilômetro trinta e poucos, apareceu o cruzamento que separava o povo do percurso curto, do povo do longo. Um cara da organização disse que eu estava em segundo e, claro que era Lila que estava na frente. Ela é muito boa e já foi campeã de provas de MTB nem sei quantas vezes. Dali, ainda faltavam mais de vinte quilômetros. Não sabia como estavam minhas “adversárias”, nem onde estavam. O negócio era olhar pra frente e seguir pedalando. Faltava muito chão. O chão que não fez parte dos meus treinos, já que meus pedais das últimas semanas não passaram de 33km. Coragem, Luciana!
   Dali em diante, nos vários trechos de estradão, percebi que meu rendimento caiu um pouco, mas não perdi o foco. Comi, religiosamente, nos horários programados. Não senti fome, sede, nem dor nas pernas. Só nos ombros, já depois dos 40km. Tenho ombros, lembrei!
   Até vi uma camisa vermelha na minha frente. Passou pela minha cabeça que fosse Lila mas, descartei a possibilidade. Só passou pela cabeça.
   Naquelas manilhas esquisitas, preferi carregar a bicicleta nas costas a passar pelo rio e isso lembrou Corrida de Aventura, meu esporte preferido. Dali, faltavam uns 10km. A prova não acabou em 55, não. Foram 58.8km. Chão não divulgado, meu amigo! Tome-lhe pedalar e nada de chegar! Tome-lhe costela de vaca pra chacoalhar o esqueleto. E lá fui eu pela estrada afora...
   Finalmente, chegou a linha de trem, as casas, a cidade, o paralelepípedo pra lembrar que tudo ainda pode balançar mais um pouco. O centro da cidade, o asfalto... Uhuuu... O pórtico! Mas, precisava botar o pórtico lá em cima?? Tudo bem que não era tão íngreme mas, a pessoa pedala 58km sem parar nem pro xixi e ainda tem que subir ladeira pra chegar, rs! Onde é que fui amarrar o meu jegue??

   E cheguei toda feliz, com minha torcida particular: primos, sobrinhos, namorado, filhos, amigos. Poucos minutos depois da primeira colocada... Ai meu Deus, o xixi! Corre! E Rai veio logo depois. Eu que não pedalasse, rs!
   Foi massa! O bom de pedalar entre amigos é que o amor não acaba com a “guerra”. Todo mundo torce por todo mundo, sem falsidade. A gente ganha abraço e parabéns em qualquer colocação.
   Recadinho:
   -Querido treinador, Tadeu, a planilha está sendo cumprida integralmente. Muito obrigada por compreender nossa mudança de planos e a falta de tempo. Acredite: Dosei. Não botei os bofes pra fora, graças aos treinos e porque dosei. Sempre acreditei na planilha! É o que me disciplina.
   Beijos pra todo mundo e valeu muito, pelas vibrações positivas! Joguei duro dessa vez!