sexta-feira, 25 de novembro de 2011

As Férias de Zé...

   Humm.. Quem sabe a minha pausa de licença médica não tenha sido provocada por Zé, o meu anjo da guarda. Cansado de tantas aventuras, resolveu tirar férias de mim. Trinta dias, certinho, hoje! Imagino ele dizendo: "Meu Deus! Alguém precisa parar essa mulher!"
   Bom! Depois que decidi ir para a Carrasco para ajudar meus atletas preferidos da Aventureiros do Agreste, confesso que facilitei bastante a vida de todos eles. Amo cuidar desses meninos e meninas! Adoro ser "mãezona" deles! Providenciei o kit de primeiros socorros, dei pitaco na alimentação, arrumei os equipamentos que faltavam, levei os remos ali, peguei os óculos aqui. Na bagagem, além das minhas coisas, tem um par de meias sequinhas para aquele mais precisado e uma muda de roupa para Gabi. Ou seja, tem uma bagagem extra com aquelas coisas que alguém pode esquecer de levar.
   Estarei sem carro. Impossível fazer apoio integral e posso ter limitações de mobilidade durante algum trecho da prova. Mesmo assim, pretendo pegar carona com os amigos que estiverem por lá e estar presente em todas as transições. Sou assim mesmo! Me envolvo até o pescoço. 
   Desculpe Zé! O médico já me liberou para andar, me apresentei ao RH e suas férias acabaram. Pode chamar seus amigos para mais uma aventura no mato, porque mesmo que eu não esteja correndo na equipe, estaremos (eu e Você) junto com eles dia e noite, até a Carrasco acabar. Sinta-se convocado! Não posso perder essa festa!
   Atenção Senhoras e Senhores! As férias de Zé acabaram! Vamos para a Carrasco Cravo e Canela!

domingo, 20 de novembro de 2011

Carrasco Cravo e Canela

   Os atletas de Corrida de Aventura preparam-se para a última Etapa do Campeonato Baiano- A Carrasco, uma das mais duras do Brasil. Serão 150km de adrenalina pelas terras da Gabriela. Mas, não é a nossa Gabi não! É a Gabriela do Jorge Amado. A prova será de 25 a 27 de novembro em Ilhéus, a terra do Cacau e da Gabriela.
   Pra variar, sinto aquele gostinho de quem vai perder uma festa de arromba. A Carrasco está em sua oitava edição. Foi uma prova que marcou profundamente minha iniciação no esporte. Numa hora dessas, vou parar para escrever o que me aconteceu naquela prova de Santa Terezinha. Lembro de tudo! Principalmente, do sacrifício de subir e descer as escadas da minha casa depois da prova, rs! Até a minha alma doía.
   Serão 68km de mountain bike divididos em duas pernas. O trekking de 40km vai ser dividido em 3 pernas (é assim que se chama cada pedaço da prova). Já a canoagem será feita em rios, lagos e mar por deliciosos 34km. E não acaba por aí não! Tem um trekking de 8km na praia, cujo nome é costeira, além dos 2km de natação e da atividade de técnicas verticais num desnível de 60m.
   A organização avisa:
   "O levantamento do percurso da Carrasco foi  feito sob boas condições climáticas, clima agradável, com sol e pouca chuva. A conferência da prova está sendo feita nos horários prováveis da competição o que revela o tamanho do desafio que aguardam os homens e as mulheres que resolveram encarar o Carrasco. Chuva, frio, escuridão, Mata Atlântica, umidade, calor, sol, praia, rios e lagos.
   O percurso pode sofrer alguma alteração após a sua conferência."
   Além da categoria mais tradicional- o quarteto-, tem a categoria dupla com dois percursos diferentes: um de 150km, e outro menor, de 74km, para quem quiser enfrentar uma aventura mais compacta.
   Como minhas passagens estavam compradas mesmo, decidi viajar com a equipe. Na verdade, estava em dúvida, rs, mas rolou uma pressão emocional fortíssima para que eu fosse. E, não vou mentir, que fico lisonjeada por ter um papel importante dentro do grupo. Ficar de fora estava me deixando meio deprimida. Tentarei ajudá-los no que for possível nos preparativos antes da largada e durante a prova. Quero fazer uma transmissão dos acontecimentos enquanto estiver lá e se houver sinal de internet.
   Para saber mais sobre a prova acesse: 

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O RECOMEÇO!

   A vida nos prega ótimas peças! Tentei fazer umas reflexões sobre minha vida antes do meu aniversário e tomar algumas iniciativas de mudança. Achava que fazer 40 anos era tão mágico, maduro e diferente que algo mudaria radicalmente. No grande dia, uma grande amiga perguntou como me sentia. Respondi que nada de diferente estava acontecendo.
   Naquele dia, abasteci a casa com comida para mais de uma semana. Parecia um preparo para a pausa reflexiva! Pulava numa cama elástica com meus queridos amigos, no auge da felicidade. Lembro que cheguei a me bater com Mauro num daqueles pulos. Senti uma dor de cabeça repentina que me fez pensar em sair. Acho que fui avisada mas, não dei atenção ao sinal. Dois minutos depois, lá estava eu, jogada na cama elástica de tornozelo luxado. Um acontecimento, que parece bobo, me deixou de muletas por muitos dias. A felicidade distrai a gente.
   Treino, só em janeiro. "Repouso, paciência e gelo" foram as recomendações médicas para a cura. A cortical óssea avantajada, devido às provas de Corrida de Aventura, evitou que quebrasse a perna. Sorte a minha! Viva a Corrida de Aventura! 
  O primeiro desafio foi colocar o pé no chão, depois vieram os passinhos logo após cada sessão de fisioterapia. E cada dia era um tantinho melhor do que o outro. A muletas me seguravam nos meus pequenos passos, na minha suave evolução. O humor foi se aquietando, meu coração também. Qualquer evolução era comemorada com um grito, um viva ou uma dança das muletas, rs! 
   Também comemorava a maturidade dos meus filhos e a dedicação da minha querida funcionária. Vibrava com cada atitude deles! Os cafés na cama, os transportes das muletas enquanto descia as escadas, o abrir da porta do carro para eu entrar, o lanche da tarde, o cachorro levado para fora todas as noites, as portas que foram fechadas antes de dormir, o copo d'água. E ainda comemoro porque não acabou. 
   Meus amigos foram extremamente solicitos. Além das inúmeras mensagens e telefonemas, teve os que me levaram ao médico, à pizzaria, ao trabalho, ao banco, à fisioterapia.. (Os táxis também, é claro!) Não sei se algum dia vou ter oportunidade de retribuir tamanha dedicação e lealdade. Tenho a impressão de que OBRIGADA é pouquíssimo! Mas, vou fazer um juramento.. "Prometo abraçá-los e beijá-los todas as vezes que nos encontrarmos e ser uma amiga carinhosa e leal pelo resto da minha vida... até que a morte nos separe."
   A fisioterapia virou um divã para todos os participantes, incluindo os outros pacientes. Lorena é uma criatura  ímpar e esse encontro também não foi por acaso. O que eu tenho rido e conversado nas minhas sessões de fisioterapia "não está no gibi"! É praticamente uma sessão de cura interior.. Um viva ao tornozelo luxado!
   Hoje, dezesseis dias depois, ainda tenho um edema bem localizado. Andei sem muletas pelo quarto, desci as escadas devagar e chorei de emoção quando pisei no chão da sala. Liguei para Lorena, pedindo permissão para ficar sem muletas. Ela foi mais ousada do que eu, me permitindo dirigir pequenos trechos, com recomendações de atenção e que deixasse as muletas dentro do carro para qualquer necessidade. Mas, o dia terminou sem que precisasse delas. Andando como uma velhinha; devagar e sempre. Mas, evoluindo.
   Embora sempre ache que aprendo muito com qualquer sofrimento, o meu dia de hoje foi o "clarear das vistas". A pausa está me proporcionando a verdadeira reflexão dos 40 anos. Aquela que comentei lá em cima e que nunca faria se não tivesse realmente parado. Possivelmente, estaria na minha vida de afazeres de sempre, sem prestar tanta atenção em mim e nem nos meus sentimentos. Muitos afazeres nos deixa desatentos também!
   Entendi que zerei a quilometragem para iniciar um novo ciclo, uma nova caminhada e isso ficará marcado para todo o sempre!
   Agora estou aqui, planejando o feriadão com cinema, pipoquinha, guaraná, pá, pá, pá! Pausa para tomar um café e descansar as pernocas. Se o sol der o ar da graça, arrisco uma chegadinha na praia, com direito a sombra e água de côco. Com as pernas para cima, por favor! E a passos de tartaruga. Mas, tá valendo!
   Amigos! Perdoem se parecer desfeita! Mas, de todos os presentes que recebi de aniversário, sem sombra de dúvidas, esse foi o meu melhor: O recomeço...

sábado, 5 de novembro de 2011

"O sofrimento é passageiro, desistir é para sempre!"

   Conheci essa frase em Corrida de Aventura.. Tá valendo agora!
   Já dá pra apostar uma corrida com a minha Vó Sinhá, de 97 anos. Correndo o risco dela ganhar, é claro! Nada que mais uns dias de treino não resolvam. A fase aguda está passando.. Sabe aquele passinho "um na frente do outro", bem devagarinho?! Tô reaprendendo a andar, fazendo reabilitação de tornozelo com fisioterapia. Cama elástica é, praticamente, um brinquedo assassino! Corrida de Aventura é muito mais seguro, rs!
   Resolver minhas dores com medicação natural e homeopatia foi uma escolha muito feliz! Até floral está rolando pra ver se fico menos elétrica e controlo a vontade de sair correndo. Na verdade, nem sei se estou tranquila mesmo ou o floral está funcionando. Não há muita opção mesmo. Cada dia é melhor do que o outro, embora tenha tido noites terríveis no começo. O caminho, sem dúvida, é de paz!
   As sessões de fisioterapia parecem milagrosas. Será que aquela Lorena, fisioterapêuta, é uma bruxa?! Não.. não! Uma fada! Será que ela tem poderes?? Sempre termino as consultas muito animada.
   A pausa está bastante reflexiva (Como se eu já não fosse reflexiva..). Tá sobrando tempo para ouvir música, estudar inglês, estudar a minha disciplina preferida- a Endodontia-, ver filmes, organizar a vida das crianças, relaxar. Os treinos foram substituídos por aulas de alongamento e relaxamento. Devo começar a remar assim que estiver andando, já que não posso fazer nada que force meu tornozelo até o final do ano.
   Olha! Táxis são ótimos meios de transportes, além de pontuais! A portaria do meu condomínio é um ótimo lugar para deixar documentos. Pelo telefone, quase tudo se resolve. Meus filhos são ainda mais capazes do que eu pensava. Minha funcionária é muito sabida, além de dedicada. E meus amigos são muito leais! Massa!
   Enquanto isso, na sala de justiça.., está rolando o Mundial de Corrida de Aventura lá na Tasmânia. A única Equipe brasileira é a Oskalunga. O quarteto levou a vaga quando venceu o Ecomotion de abril. Aquela prova de 600km que corri com a Aventureiros do Agreste! Foi uma classificatória para o Mundial. Agora eles estão lá, correndo 730km, entre os melhores do mundo, entre os 20 primeiros (de 80 equipes), mandando muito bem. E toda a comunidade aventureira está online, acompanhando essa galera pelo Spot, que localiza a equipe via satélite em 3 tipos de mapa diferentes! O negócio é tão interessante que só indo lá para pra conferir todos os artifícios.

http://www.trackmelive.com.au/xpd2011/Course.aspx

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Um dia daqueles!

   Espero que tenha sido o meu pior dia no meio dessas intercorrências! Gabi se despencou cedo da Pituba para me pegar em Lauro de Freitas e me deixar no Hospital em Pau da Lima. Alguém tem idéia da viagem?? ... Amigos são pra todas as horas mesmo! 
   A simpática recepcionista adiantou-se dizendo para eu não reparar na demora. Esclareci que não estava preocupada pois, precisava daquela consulta do super médico do esporte. Era um Ortopedista de confiança indicado por outra querida amiga, Caíssa.
   Aquela enchente de gente na sala de espera me assustou um pouco. Gabi ficou comigo o tempo que deu, foi embora depois das 10h. Sozinha, me acomodei num cantinho e comecei a contar as pessoas. Eram 42 sentados, mais um punhado de gente em cadeiras de rodas e muletas pra todo lado... para diversos médicos.
   É muito mais fácil fazer uma corrida de 600km do que ficar de muletas pra cima e pra baixo. Preferi nem sair pra comer. Corria o risco de ser chamada. Meu deslocamento de tartaruga complicaria qualquer coisa, rs! Pude ter uma noção, mesmo que pequena, de como um deficiente sofre! Aliás, finalmente, experimentei a fundamental importância daquelas barras de apoio nos sanitários para deficientes. O que seria de mim se elas não estivessem ali para eu não me sapecar toda naquele banheiro sujo. Nem queiram imaginar o desconsertante malabarismo para se fazer um simples e básico xixi. E o banheiro estava muito sujo mesmo! Meio vergonhoso para um Hospital daquele porte.
  Naquela espera interminável de mais de 3 horas, via gente entrando e saindo em cadeiras de rodas e de muletas. E de macas também! À propósito, não sei se é uma boa idéia que o trânsito de pacientes com macas seja feito pela recepção de um ambulatório. Deprime os pacientes que esperam. O choque maior veio quando entrou um menino sem pernas de uns 16 anos numa cadeira de rodas, empurrado pela mãe. Ele me olhava meio de lado, como se não quisesse a retribuição do olhar. Preferi desviar o olhar.. Aquilo me doeu o coração profundamente e não tenho dúvidas de que precisava muito estar ali naquele momento para sentir aquela dor emocional. Pensei em mim, nos meus filhos, em minha família.
   Na recepção, só sobramos eu e uma sorridente e traiçoeira senhora. RS! Desculpem pelo 'traiçoeira' mas, ela invadiu o consultório do médico na minha vez. Podia andar livremente, eu não! Quando minha senha apareceu no visor, saiu muito rápido. Só entendi a correria quando cheguei à porta do consultório e lá estava a criatura sorrindo pra mim. Procurei disfarçar a minha indignação porque o médico gentilmente a pôs no corredor, sentadinha, aguardando a seu momento. Sem comentários!
   No fim das contas, está confirmado que ficarei de molho por dois meses. Vou precisar de fisioterapia para tomar coragem de colocar o meu pezinho no chão. Talvez consiga andar daqui a duas semanas, três, não sei. O médico só disse que eu esquecesse qualquer corrida e tivesse paciência.
   Resolvi ir até a junta médica para terminar o dia com chave de ouro. Aproveitei que o motorista da minha querida ex-sogra estava levando Tiago ao dentista e passaria por ali. Aliás, o cara virou meu motorista por um dia. Resolvi um monte de coisas. Mas, a junta médica estava com o sistema fora do ar. Bom.. não entendi muito bem porque um médico não pode fazer uma consulta devido ao sistema fora do ar mas, tudo bem! Vejam o que a tecnologia tem feito! Nesse caso, atrapalhou.
   Ao final do dia, em casa! Fui almoçar e jantar.. Cansadona, com uma dor de cabeça danada e o pé mais inchado do que todos os dias mas, refletindo sobre tudo o que me aconteceu. Planejando como vou administrar a minha vida sem poder andar com as minhas próprias pernas. Sem dúvida serão dois meses de grande aprendizado e só tenho a agradecer pelos amigos que tenho, pela família (a de Xuxu também!), pelos filhos, pela minha funcionária (a Neusinha, lembram!?) e pela Providência Divina.

   Boa Sorte Luciana!
Eu e Taty no pedal da Cachoeira do Urubu. Ótima lembrança!