segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Trilha das Penélopes







Festa de Penélope










Ao longo dos meus 39 anos cultivei bons e queridos amigos. De infância, de adolescência, de faculdade, de trabalho, de vários trabalhos, os amigos dos amigos. A vida é “A CAMINHADA”! E enquanto a gente caminha os encontros vão rolando. Os amigos vão chegando. E quando você menos espera, ganha de presente um grande amigo novo.

Vamos então compartilhar a festa de aniversário da Penélope Luluzinha do Agreste.

Viajamos no sábado em comboio, de dois carros, para um fim de semana na roça. Se quiser, pode até chamar de Fazenda, mas não é não, é roça mesmo. Depois de muita enrolação, conseguimos pegar a estrada no começo da noite. Mauro e Gabi com as crianças. Eu, Lucy e as minhas sobrinhas queridas. A estrada de barro, que nos leva até lá, já é uma atração à parte. Você encontra mata-burro, porteira, boi, jegue e um verde indescritível. Os Deuses nos presentearam com uma lua sem precedentes, de uma claridade que nos permitia até enxergar sem faróis. No meio do caminho paramos os carros e ficamos em silêncio, de faróis apagados, vendo as estrelas e ouvindo barulho dos bichos.

Ao chegarmos na Fazenda, meus filhos lindos, Xuxu e meus pais nos esperavam. Meu pai dorme no mesmo horário das galinhas, ao anoitecer... não sei como agüentou ficar acordado até tão tarde. As crianças pequenas(Felipe e Lara) foram imediatamente acolhidas pelas maiores(Tiago, Tila, Shantal e Shaina). Já os adultos, que chegaram famintos, se esbaldaram com uma panela de aipim cozido com carne de sertão frita. Muito bom! E depois disso, teve vinho e muita conversa boa.

No domingo, acordamos cedo para a trilha de bike. Vale comentar que teve gente que nem dormiu... rs. Na cidade as pessoas não dormem por causa do barulho dos carros. Já na roça tem o barulho dos bichos. Parece que eles fazem uma reunião no meio da noite e combinam de rodar a Fazenda toda conversando. Daí, passam pelas janelas dos quartos e vão acordando todo mundo. E, quanto mais perto do amanhecer, pior. Acho que é por isso que meu pai acorda tão cedo.

Antes de sair teve um café da manhã maravilhoso! Muito gostoso mesmo! Com direito a cuscuz de tapioca e outro de carimã, café com leite da mamãe e muito mais.

A trilha de bike foi um passeio muito agradável! Xuxu foi o nosso guia, fotógrafo, mecânico e assistente para assuntos aleatórios. Aliás, se ele não fosse acho que estaríamos perdidas até hoje no meio do mato. Brincadeirinha! Eu saberia voltar! Mas muita coisa mudou por lá. Algumas trilhas foram destruídas pela chuva e a vegetação também mudou, embora continue tudo lindo!

Já saímos encontrando uma boiada que deixou as corajosas Penélopes- Eu, Lucy e Gabi- espremidas na cerca atrás das bicicletas. Descemos umas ladeiras bacanas, subimos outras bem longas, conversamos bastante. Gabi caiu e, sem se contentar em cair sozinha, aproveitou pra derrubar Lucy. Lucy se superou, descendo uma ladeira imensa e cheia de valas. Passamos na casa da vovó, que não estava. E assim foram os trinta quilômetros de trilha.

Na volta, a família toda já estava reunida, nos esperando. O caruru estava uma delícia! O amigo Mauroba pendurou umas bolas rosas naquela jaqueira de 100 anos. As crianças já estavam totalmente intimas dos bichos. O primo violeiro chegou pra colocar um som na festa. Cantei e desafinei tanto que nem eu agüentei e parei. Cantamos parabéns e ainda ficamos enrolando até de tardezinha pra ir embora. Cada um com sua sacolinha de coisas da roça. Fomos embora depois de um fim de semana maravilhoso!

Dancei, pulei, cantei, festejei. Não sei quando vou sentir o peso da idade. Só sei que sou muito feliz por ter cultivado bons amigos. E espero viver mais que o dobro pra ter mais encontros felizes.

sábado, 23 de outubro de 2010

CORRIDA DE ORIENTAÇÃO É O MAIOR BARATO!

A Corrida de Orientação é uma caça ao tesouro de gente grande. O atleta recebe o mapa na hora de largar e sai à procura dos prismas que estão sinalizados no mapa. Tem até umas fotos dos prismas numa postagem dessas por aí. O melhor da história é que é uma diversão barata e reune muitos participantes em diversas categorias.
Depois de fazer um treinamento de navegação na Corrida anterior, a Penélope Lucy, se embrenhou sozinha pelos matos na Corrida de Orientação do fim de semana passado. Já Fred, que tinha corrido sozinho na última, formou uma dupla comigo pra pegar um pouco de experiência em navegação, do pouco que tenho, rs.
Foi uma viagem bem bacana até Feira de Santana! Local de largada na beira do Rio Jacuípe, lugar muito bonito, dentro de uma Fazenda cheia de pastos, charcos, riachos, moitas, estradinhas e cercas pra gente pular.
Encontrar o prisma é uma grande emoção! Dá vontade de ir mais longe, dá vontade de avançar sempre mais. Amo muito tudo isso! E amo ainda mais ver a carinha de satisfação dos meus amigos, que estão aprendendo a navegar, encontrarem o prisma. Nossa! Eles ficam numa empolgação gratificante. Ainda mais quando ganham medalhas.
No final das contas, conseguimos até pegar pódium. Eu e Fred ficamos em terceiro na categoria Duplas e Lucy abocanhou um segundo lugar na categoria D21N.
E voltamos pra casa felizes da vida!

sábado, 16 de outubro de 2010

MEU ANJO DA GUARDA FAZ HORA EXTRA


   Depois de um reflexivo último lugar na quarta etapa do Campeonato Bahiano, saímos para pedalar numa linda manhã de sábado. Afinal, precisávamos treinar!
   Chega Mauro com o carro cheio de tralhas para um “treino técnico”. Bolas coloridas murchas, bolas cheias, baldinhos de praia, pedaços de madeira, etc. O cara viaja! O que será que ele pensou em fazer?? Como seria esse treino técnico?
   Nem precisa dizer que nos recusamos a participar daquela coisa doida e fomos pedalar na trilha, conforme combinado. Mesmo assim, a pessoa reflexiva, acabou nos levando pra uma trilha desconhecida, até dele mesmo. “Nada como ter amigos loucos!” No começo estava tudo lindo! Muito verde, mata fechada, subidas técnicas. Dali a pouco a gente começou a se embrenhar nos matos, a fazer silêncio pra não despertar as abelhas, a descer cada ladeirão retado!
   Enquanto Mauro parava pra desempenar a gancheira de Ítalo, eu e Gabi íamos tagarelando mais adiante. Acabamos perdendo a queda fantástica que Ítalo tomou. Soube que ficou dentro de um buraco embaixo da bicicleta e precisou de ajuda para sair de lá. Tudo isso faz parte do treino.
   Quando saímos da trilha encontramos uma estrada de barro. O detalhe é que ninguém sabia pra qual lado ir. Uni duni tê... votação... intuição... pra esquerda! Chegando perto de uma estrada de asfalto, paramos pra perguntar a um Senhor de nome Santinho. “Vixe! Cês tão perto da estrada pra Camaçari. A Ceasa é logo ali!” Pronto! Sr. Santinho deu todas as dicas para voltarmos pra casa.
   Dica para a vida: Se perca de vez em quando! Faz um bem danado!
   Perguntamos ao Sr. Santinho se ele fazia sempre aquele caminho. Ele disse que só ia naquele dia, no outro e no outro... Um homem de 58 anos, pedalando uma barra forte sem marchas, subia as ladeiras empurrando a bicicleta numa velocidade quase igual a nossa, pedalando. E nos acompanhou até mudarmos de rumo.
   Bastante reflexivo! Precisamos pedalar nesse dia, no outro e no outro. Isso é treinar! Igual ao Sr. Santinho.
   De volta ao velho e conhecido estradão de Abrantes. Animadamente, pegamos velocidade numa descida, embalando muito mesmo. Entramos na curva com tudo. Mauro logo a minha frente e um caminhão apareceu, vindo ao nosso encontro com tudo. Quero acreditar que o motorista não fez de propósito! Mas ele jogou o carro em nossa direção. Mauro conseguiu reduzir, eu tinha que parar de qualquer jeito, mas ia bater.
   Meu grande sonho de ciclista era, um dia, dar um cavalo de pau como os meninos da minha rua, lá em Catu, davam! Mas, nunca nem tentei por medo do quedão. A situação me forçou. Foi um 180° super radical! Fiquei com o pé direito clipado, freei, botei o outro pé no chão e irrrrrrrrrr... joguei a traseira e a poeira subiu! Ahhhhhhhh! Já parei no sentido de volta, dizendo “Vocês viram o que eu fiz?!”.
   Foi um êxtase de felicidade! Primeiro que nos salvamos de um acidente grave, depois que consegui dar um cavalo de pau. Ou será que foi o meu anjo da guarda quem deu?? Eu acho que ele dá hora extra aos sábados e plantões noturnos em provas de Corrida de Aventura.

NAVEGAR É PRECISO







segunda-feira, 11 de outubro de 2010

AS AVENTURAS DA LUCY PENÉOLPE DO AGRESTE

Decidi escrever logo meu release enquanto os arranhões e as marcas de cansanção estão bem vivas na memória.. e na pele!
A prova foi linda. De todas, a que eu mais curti até agora. Não tanto pelo pódio, porque isso a gente só sabe no final. Mas por cada etapa, cada superação, cada dificuldade que tivemos que resolver.
Igor e eu queríamos correr a prova de 100 km. Tentamos montar um quarteto, mas nossos convidados tinham compromissos de trabalho no feriado.
Conformada com a frustração atendi a um telefonema do Mauro, sexta à noite perguntando se eu topava correr a prova de 55km. Meu bom senso levou menos de um minuto para ser convencido por minha insanidade a correr a prova. Sem planejamento, sem apoio, sem nada pronto.
- OK. Eu topo! Vou ligar pro Igor. A insanidade dele também estava de plantão e ele topou sem perguntar como!
A ideia era compartilhar o apoio da turma da Makaíras 2, o que foi muito importante especialmente nos trechos mais difíceis de navegar, logo no início da prova.
No sábado, eu joguei tudo o que achei importante levar no carro e lá fomos nós. Peguei Igor em casa e saímos, rumo a Feira de Santana. Só pudemos sair as 18h porcausa dos nossos compromissos. Fizemos a inscrição na hora, na maior correria. Conhecemos a turma do nosso apoio compartilhado, arrumamos as coisas e entramos no clima. Enquanto a turma estudava os mapas, a gente engolia o jantar. Enquanto a turma curtia o show, a gente tentava entender o mapa!!!
Pontualmente, as 22h, começou a corrida. 5.2k de asfalto. Só pra aquecer! O jantar conversando conosco a corrida toda. Que delícia!!! Chegamos ao PC1. Nossa primeira dificuldade foi entender como sair da cidade. Nada fazia sentido. Como bons novatos, pedimos apoio... Nesse momento a navegação do Mateus (Makaíras 2) nos salvou. Sem ele a gente estaria procurando o PC2 até agora. Trechinho curto de bike, mas muito escuro. A trilha ficava bem escondida.
Tinha uma pequena descida de cascalho, no escuro, que passava por numa ponte sem proteção lateral. Meu primeiro grito:
- IGOR!!! Eu tenho medo de ladeira!!!!
Eu só via o que o farolete da bike mostrava, o que era nada! Igor foi. Eu também fui!! Nada de mais para quem pedala, mas para mim, foi a primeira superação. A coisa melhorou um pouco quando os carros de apoio começaram a chegar. A luz dos faróis me mostravam o caminho e aí eu vi onde tinha me metido!
Dali partimos para o PC3 para acompanhar a prova e esperar a galera que voltava do remo. Ficamos alí com os apoios e deu pra tirar um cochilo. Deu pra ver a Aventureiros chegando e até dei uma forcinha na transição. Aliás, Fred se saiu muito bem no apoio. Dedicado, concentrado. Preocupado em não deixar faltar nada. Entre um cochilo e outro, conversamos bastante.
Fred - ainda quero correr com você. Quero ver se vc é essa brabeza toda, mesmo!! A gente vai rasgar muito mato!!!
Lá pelas 4h da manhã, fomos direto para o PC11 junto com a Makaíras 2 de onde partiríamos as 5:15. Como ninguém aparecia, dormimos mais um pouco. Finalmente, chegam Paulinho e Marcia e autorizam a Re-largada: 5:50!!!
Vamos escalar aquele morro ali. Pensei: fichinha!!! Perto do morro do castelo, aquele parecia uma leve ondulação!! Beleza. A subida foi mole. Batemos o PC12 a 180m de altura e curtimos o belíssimo visual do lugar. A descida foi punk!!! Tinha que ir de rala-bunda mesmo, pra não se estabacar no precipício. Aí, minha gente, foi rasgar mato! Os pés de espinho nos abraçavam com tanto amor, que não queriam mais largar! Em uma das equipes tinha um pobre rapaz que resolveu fazer a prova de bermuda. Não preciso dizer que ele deu o sangue pela prova!
A Giramundo nos encontrou e rasgamos mato juntos até achar a trilha para o PC 13, que encontramos graças a um gentil nativo que com toda delicadeza nos mostrou o melhor caminho:
- Vocês é doido!! Quer ir por aí, vai, problema seu, mas tá errado. O caminho é por ali, por dentro da fazenda! Agradeci a gentileza, mas o moço me ignorou solenemente!!
Quando achamos a trilha principal, Igor e eu entramos de fato na competição. Começamos um trekking forte e rolou até uma corridinha. Abrimos uma boa distância com relação às outras duplas e à nossa frente, só havia a Giramundo. Passaram por nós a Gantois e a Raso da Cata também. E toma treking... anda... anda...
No PC 13 a diversão começou pra valer. Chegamos 9:15. O corte era 9:30. Conseguimos sair antes do primeiro corte. Animados, pegamos as bikes e saímos com sangue no olho. Vendo que não tínhamos mais ajuda na navegação, tivemos que nos virar sozinhos. Igor deu um show!!!
Cada PC batido aumentava nossa disposição. Estamos na briga!!! Era como competir com as equipes de ponta. Batemos todos os PCs entre os 4 primeiros. Toda hora eu via a Gantois, a Makaíras 1 e a Raso da Cata. Estávamos na cola da Giramundo. Batemos quase todos os PCs do trecho de bike junto com eles. O capitão da Giramundo me deu parabéns! Disse que eu estava indo muito bem! Aí mesmo que pedalei. Subi e desci todas as ladeiras daí em diante! Eu estava me achando o máximo!
Turma, vocês tinham que ver Igor navegando e pedalando! Dava gosto! Além de bom na bike, ele é muito inteligente. Tem intuição e pensa rápido. Escolhemos navegar pelo caminho mais longo, porém, mais pedalável. Com isso, pude aumentar minha velocidade. Foi o que nos ajudou a bater todos os PCs rapidamente, enquanto outras equipes se atrasavam em trilhas estreitas e ladeiras de cascalho! Quem precisa de ladeiras de cascalho?
Felizes e motivados chegamos na zona de transição. PC 19. Era para encontrar o apoio, reabastecer água e comida, pegar os coletes e seguir de trilha até o remo
... Apoio.... Onde estará o nosso apoio?.....
Complicou!! Como o carro estava apoiando outras duas duplas, acabaram se desencontrando da gente. Com pouca comida, a água acabando e sem coletes, aquele poderia ter sido o fim da prova para a Aventureiros 2.
Mas eu não me conformei. Igor, chegamos até aqui. Vamos chegar até o final. Não vou desistir agora! Paulinho, precisamos de coletes, nos ajude!!! Paulinho ficou comovido. Viu que a gente não ia desistir mesmo e se ofereceu para levar nossas bikes para a outra transição.
Paulinho nos orientou a fazer o trekking até a beira do rio, esperar a lancha da organização e ver se conseguia coletes com eles.
Lá encontamos a Aventureiros 1 atravessando. Pedi ao Mauro pra avisar lá no outro trecho e mandar a lancha nos dar apoio. Comemos o que nos restava e lá ficamos, dependendo da sorte... Ao nosso lado, dois integrantes da Calangos se preparavam para atravessar. Um deles com cãimbras até na sobrancelha, não conseguia nadar. Entrava no rio. Saía do rio.. nada. E a gente ali. Quietinhos, rezando pra chover colete!
Meu anjo da guarda, (pra quem não conhece, é menina e se chama Luiza) ouviu minhas preces. A gentil dupla nos ofereceu os coletes. Estavam abandonando a prova. É claro que não desejei que eles abandonassem. Mas os coletes foram muito bem vindos! Agradecemos e nos jogamos! Amarrei meu tênis cuidadosamente na mochila e lá fui eu. Nunca tinha feito travessia antes! Foi uma delícia. Nadamos uns 700m e quase no final da percebi que não sei dar nó!!! Cadê meu tênis!!!!! f¨&*%!
Fiz um rápido cálculo de probabilidades e concluí que era mais fácil chover tênis que eu encontrar o meu naquele rio. Vamos em frente Igor!Vou descalça mesmo!
Chegando na margem calcei os dois pares de meia que restaram e seguimos por uns 3 km pelo mato. Tava até gostoso. Brinquei com Igor: Não tô sentindo nada! Não tô sentindo meus dedinhos, meus pezinhos.... Ai KCT, o chão tá quente. Tem espinhos. Não dá pra correr!!!
Daí eu tirei a lição número 1: Quando você achar que está cheio de problemas, abrace-se a um cansanção! É milagroso! Tudo o mais se torna relativo após um breve contato com essa adorável espécie nativa! Igor só escutou meu grito: P%¨& que P%$¨&*&!!! P##$$$. M@!#$!
O que foi, Lucy? Respondi quase chorando: Cansanção! Mas tudo bem, vamos embora que agora é que não estou sentindo nada mesmo! Esqueci a fome, os pés molhados queimando na trilha, a sede... Só sentia o banho de pimenta nas pernas!
Saindo da trilha encontramos um bar e resolvi pedir apoio:
- Moça, é o seguinte: não temos dinheiro, não temos água, eu perdi meu tênis e ainda temos uma prova para terminar.
Os meninos da casa encheram nossos skeezes com água quente da bica e nós pagamos com o que restava de amendoins!! Na realidade, o amendoim estava dentro de um dos skeezes pra não molhar. Acabamos dividindo com eles pra liberar o skeeze. Isso tudo no maior bom humor!! Eles se admiraram de como alguém poderia estar tão feliz numa situação dessas! A turma do bar nos ofereceu um mocotó que estava até bonito. Mas achamos melhor não abusar da hospitalidade...
Seguimos para os remos. Lá estava o barquinho que a ´Olhando´ emprestou pra nossa equipe. Lá estavam nossos remos, gentilmente alugados pelo Reizinho. Estávamos muito felizes! Tudo o que a gente queria era remar!
Igor nunca tinha feito leme na vida! Dei a ele algumas dicas teóricas e ele foi se ajustando. Aprendeu ´natora´! Parece que nasceu pra fazer leme. Remamos por quase quarenta minutos e eu perguntei se faltava muito. Igor disse que faltava um pouquinho. Pedi pra ver o mapa.....
-CARACA!!! A gente vai remar isso tudo!!! - Disse eu apontando para o primeiro PC que vi, que era o 3.
- Não, Lucy
- Ah, bom!
- A gente vai remar até aquele alí ó. O PC 21, lá em cima!!!
- P$%%¨¨¨##@@!!!!
Oito quilômetros de remo. Quase duas horas da tarde. Céu azul. Sol castigando!!!
- Tá ótimo!!! É pra remar, né? Então, tá! Você ´lema´ que eu remo!!!
Decidimos quebrar os 8km de remo em referências e celebramos cada pequena chegada. Agora, é até aquela curva. Agora, até a península, até aquela pedra, etc. Vamos remar até aquela casa bonita ali na frente. Lá deve ter uma feijoada nos esperando....
O visual do remo foi um show à parte. Eu vi um carcará, tinha gaivotas e Igor viu um tatu enorme. Foi lindo.
Igor, tô com fome! Dividimos as últimas balas de mel e isso foi suficiente para me reanimar. Rema, Rema, Rema...
Igor ficou quieto. Um bom tempo. Não ouvíamos nada. Só o barulho dos remos. De vez em quando passava um barco, um jetski, um boi mugia. Nada de equipes. Nenhum caiaque sequer! Estamos sós no mundo. Todos nos esqueceram..
De repente, Igor fala baixinho... Estou vendo uma estrada... ela é alta.... é a ponte. A PONTE!!!! A PONTE!!!!
A gente começou a gritar feito náufragos quando avistam a praia. Que alegria!! Quase duas horas remando com o sol quente na moleira, água de beber mais quente ainda e praticamente sem comida!! Foi lindo!
Cadê o PC 21? Onde estará o apoio? O que foi feito das nossas bikes?
????????????
OK. Entendido. Escapamos do primeiro corte, mas tivemos que engolir o segundo!! Mais dois quilômetros de remo até a chegada...
Chegamos, estacionamos o caiaque e corremos pro abraço. Marcinha nos recpcionou, deu os parabéns e trouxe os troféus. Parabéns, vcs ficaram em segundo lugar!!!!Igor e eu nos abraçamos e comemoramos muito!!!
Mas então, curiosa como sou, quis saber pra quem tínhamos perdido. Marcinha começou a explicar sobre os cortes, como funciona, etc, etc....
- Péra aí!!! Um momento!!! Vocês NÂO tomaram o primeiro corte!!! Devolve aqui esses troféus... Ela foi lá, conferiu suas anotações e voltou.
- Desculpa, gente! Vocês ganharam! O primeiro lugar é de vocês!! E é bem merecido! Podem se abraçar de novo!!
Aí comemoramos muito de novo!!! Inesquecível!
Bom gente, essa foi a nossa prova.
O que todo mundo também já sabe é que Igor e eu corremos duas provas de aventura em paralelo. Quando desencontramos do apoio, ficamos sem dinheiro, sem chave do carro, sem celular e sem roupa pra trocar. Paulinho, Marcinha, a turma dos gêmeos e Arnaldo, nos ajudaram como puderam. Até o dono do bar do PC da chegada deu uma forcinha.
A nossa volta para casa merecia um release à parte. No final, tudo se resolveu bem e chegamos em casa sãos e salvos.
Eu sempre aprendo muito nessas corridas de aventura.
Aprendi que tudo, tudo tem solução. Aprendi que mantendo o bom humor, a cabeça fria e vontade de se divertir acima de tudo, a gente consegue superar qualquer obstáculo!
Aventureiros do Agreste: Desistir - nunca. Divertir-se sempre!
Igor, foi muito bom correr com você. Nos entrosamos muito bem e vc é um navegador nato e um remador nato também! Você 'lema' como ninguém!!!
Adorei e já quero saber quando é a próxima!!
Bom feriado para todos!

Lucy.