domingo, 16 de setembro de 2012

Desafio dos Sertões em setembro de 2012- 140km


   Chegar a Juazeiro e Petrolina sem lembrar a música de autoria do saudoso Luiz Gonzaga é quase um crime!
   “Todas duas eu acho uma coisa linda. Eu gosto de Juazeiro e adoro Petrolina!”.
   Estivemos nas duas durante o Desafio dos Sertões! Gosto do nome! DESAFIO DOS SERTÕES! É desafiador!
   Pra começar a conversa, tivemos dúvida se caberíamos os quatro e toda aquela tralha no carro de Marcelo. Deu certo, na medida do possível! Viramos sardinhas enlatadas, mas deu! Filomena, a minha bicicleta, viajou sem os pneus dentro do carro e as outras ficaram no rack do lado de fora. Os remos também foram por cima do carro... E fizemos uma ótima e divertida viagem!
   Feliz por relembrar nossos velhos tempos de Aventureiros do Agreste! Sempre nos revezamos nas corridas e fazia tempo que tinha corrido com essa formação: eu, Marcelo, Scavuzzi e Mauro. Fazia anos! A última vez foi numa prova cheia de lama em Saubara... Sim, acho que foi! Os meninos são muito tranquilos e aguentam muito bem o tranco de correr com uma mulher que fala o tempo todo e se mete em tudo. Eu, definitivamente, não sou uma mulher igual! Aliás, ninguém é!
   Pegamos Mauro bem cedinho em Feira de Santana e seguimos para Juazeiro...
   As bicicletas foram deixadas em Petrolina, no lugar indicado pela organização, com mais umas coisinhas pra comer e beber quando passássemos durante corrida. Depois fomos à casa dos amigos de Marcelo, que nos deram um suporte em Petrolina. Um agradecimento especial aos amigos dele que, agora, são nossos também.
   Tudo aconteceu no Centro de Cultura de Juazeiro, onde havia fotógrafos, repórteres, atletas, amigos e curiosos. E nós agradecemos ao Organizador do Desafio dos Sertões, Walter Guerra, que sugeriu o rango e emprestou seu nome pra gente pedir uma pizza muito gostosa e comer em plena plateia, com as mãos mesmo e a coca-cola no “gargalo”. Desculpem, mas é assim mesmo! A gente de despe de qualquer padrão quando vai fazer uma corrida! Desde que sai de casa, qualquer tipo de exigência pode parecer frescura. Se der pra lavar as mãos, ótimo! Se não der, ótimo também!
   Largamos às 21h da sexta-feira, numa corrida paralela de 5km que encheu as ruas de Juazeiro de atletas. Misturados, corremos os 5km e seguimos pela noite afora, remando pelo “Velho Chico”, já conhecido nosso de outros carnavais.
   Nosso remo de 16km até que não foi dos piores, tendo em vista que não treinamos a modalidade. Só que eu e Marcelo não acompanhamos muito bem o ritmo de Mauro e Scavuzzi. De qualquer forma, a previsão de tempo foi superada e não ficamos muito atrás das outras equipes.
   A lua veio nos acompanhar por toda a noite estrelada naquele Rio São Francisco que mais parece o mar. Linda lua amarelada, com uma estrelinha pendurada! Parecia diferente do habitual. O Velho Chico tem ondas em alguns lugares e um vento contra que aparece de vez em quando. Mas, ele estava até calmo!
   Em Petrolina, nossa transição no PC4 (chegada do remo para começar a bike) lembrei do meu perrengue no Desafio de 2010, quando tive uma hipotermia em plena natação. Dessa vez, eu e Marcelo sentimos muito frio. Numa tremedeira daquelas que os dentes não param de bater e o corpo fica descontrolado, a gente andava de um lado pro outro e se mexia como podia. Acabei tendo que ajudar Marcelo primeiro, agindo como uma pessoa experiente em hipotermias, RS! E isso até me fez melhorar. Colocamos o anorak e a situação aos poucos foi controlada.
   O trecho de bike para os PCs 5 e 6 foi desconcertante! Um pedal super travado, cheio de areia fofa, onde as equipes se misturaram e tinha gente caindo pra todo lado. Não conseguia acompanhar meus amigos e muitas vezes nem sabia onde estavam. Talvez esteja precisando de óculos, mas, mesmo com uma iluminação boa, era difícil controlar e entender onde começavam e terminavam as caixas de areia. Talvez esteja precisando de técnica... Fiquei pra trás mesmo...
   Com toda lerdeza, não cai nem abracei mandacarus. Mauro quem gosta de abraçar mandacarus, rs! Ninguém nem viu os mandacarus que margeavam a trilha. Ele os abraçou. E cai parecendo uma jaca pra todo lado que vai! A gente acha graça!
   Muitas bicicletas já estavam estacionadas pela fazenda quando chegamos ao PC6, onde deixamos nossas coisas e começamos o trekking. Que, por sinal, foi uma brincadeira de subir morros. Enquanto o pedal era plano e travado de areia, pedrinhas e costela de vaca, o trekking era só subida de morro. Eu gosto de subir!
Modéstia à parte, fizemos um trekking muito bom! Muitas equipes estavam espalhadas no pé do morro, sem encontrar a entrada da trilha. Dava pra ver o mundo de luzes espalhadas na escuridão. Nós chegamos ao ponto de ataque, simplesmente, nos espalhamos os quatro, encontramos a trilha, nos juntamos e subimos sem demora. E lá em cima foi a mesma coisa. Toda vez que a trilha sumia pelos lajedos, nos espalhávamos rapidamente. Assim, fomos o primeiro quarteto a pegar o PC7B.
   Preferimos dar a volta pelo estradão pra pegar o PC8. Essa prova deveria se chamar Desafio dos Setecentos Morros, de tanto morro! Então, chegamos à frente do Morro da Santa ainda de madrugada. Mauro sacou logo que era ali a subida! Descreveu o costume da região e comentou que os fiéis deveriam fazer algum tipo de penitência ao subir até o topo. Confiamos e subimos a escadaria como os devotos. No fim das escadas tinha um começo de trilha com toda sinalização necessária para uma subida segura, indicando distância, altitude, direções, conforme descrição do nosso capitão. Eu subia, imaginando as beatas pagando promessas, coitadinhas, subindo de joelhos, cansadas, parando para respirar. Viajei mesmo! E o PC 8 estava lá, depois da penitência toda, com a cara de descarada dele, RS!
   O sol deslumbrante, lindo de viver e de ver, já começava a aparecer enquanto descíamos do Morro da Santa e atravessávamos a pista de asfalto, em direção ao desafio de número 9... Outro morro. Dessa vez a gente não teve tanta facilidade de encontrar a trilha e, para adiantar, resolvemos bater um azimute e rasgar pelo mato naquela paisagem empoeirada. Os arbustos do sertão se curvavam à nossa passagem. Os galhos, de tão secos, pareciam queimados, enfraquecidos com a falta de chuva. Os mandacarus eram o que havia de mais verde e o que defendia a vegetação de nós, invasores. Machucamos-nos um pouco, só um pouco! Nós também somos agrestes como a vegetação. Somos Aventureiros do Agreste!
   Caímos na estrada que descia para o PC 10, no encontro da trilha para o PC9. A Kaaporas passou em nossa frente e seguiu (Luis Célio e Eduardo estão jogando duro nas Corridas de Aventura!). Depois de nos desvencilhar de toda aquela vegetação, passar por pedras, gravetos secos, espinhos e mandacarus, e subir bastante, é claro, encontramos o PC escondido atrás de uma pedra enorme. (Esse pessoal se esconde mesmo!).
   Dali em diante, a coisa seria mais fácil se o sol não castigasse tanto e a poeira não estivesse entranhada pelos nossos poros. No final de tudo sairia um caldo de caranguejo na hora do banho mas, isso é só um detalhe pós-prova.
   O PC10 era único posto de controle de trekking localizado num lugar plano. Encontramos a pessoa do PC sofrendo com o calor, sem camisa, rodeado de copinhos vazios de água mineral, numa situação tão difícil quanto a nossa, RS! Soube que teve PC pedindo resgate!
   De lá, pegamos a estrada, passamos numa vendinha pra comprar suprimentos e seguimos para o PC11. O sol estava escaldante e fizemos uma estratégia de cortar caminho pelo morro para alcançar o PC mais rápido. Só que acabamos passando da entrada e a coisa demorou mais do que o esperado. Bom que Mauro fez umas triangulações e acabou nos colocando no ponto certo de mapa. E isso nos pôs no caminho certo outra vez. 
   Nosso amigo Paulo Neves estava no PC11 com umas bebidas ultra geladas. E biscoitos também! Outras pessoas também estavam por lá e nos deram um incentivo bem bacana! A fofa da Vanessa veio falar comigo que era minha fã por eu navegar em Corrida de Aventura. Achei tão bonitinho! Mas, Vanessa, pode ter certeza de que, além de ter conquistado espaço e confiança dentro da equipe, corro com pessoas muito especiais, que valorizam e também me chamam atenção quando titubeio. Foi uma conquista lenta! É muito difícil ter segurança no meio de tanto macho, onde já há o paradigma que os homens que navegam e ditam os caminhos da equipe. A gente, hoje em dia, consegue dividir as tarefas e todos sabem o que fazer. De vez em quando a gente faz um monte de besteira, mas, pro tanto de treino, nossos resultados são muito bem vindos! Além disso, acho muito legal quando um deles solta um “E agora Lu? Pra qual lado a gente vai?”.
   Demoramos pra caramba na transição! Tempo suficiente pra chegar um monte de equipes. E ainda ficamos um tempo, decidindo qual trilha seria a opção com menos areia pra gente se lenhar.
   Sei que no caminho para o PC 12, a bicicleta de Scavuzzi estourou o pneu dianteiro. Ninguém entendeu nada! Um pneu de Notubes, sem câmara, um rasgo enorme, longitudinal. A princípio pensamos que a prova terminaria ali. Marcelo esfregou as mãos e agradeceu a Deus, enquanto eu imaginava os quatro chegando ao último PC de bike, empurrando as bicicletas. Só que cada um teve uma ideia para resolver o problema. Colocamos uma câmara normal, forramos o rasgo com a lona da plaquinha da bike (igual a do mapa), tiramos o pito. Depois de encher o pneu, ainda enrolamos a parte rasgada com silvertape, só pra garantir que o rasgo não aumentaria. E continuamos a prova como se nada tivesse acontecido. Criatividade é o que não falta nessa equipe!
   O PC 12 e o 13 foram bem tranquilos de achar. Foram 30km do 11 ao 13. Como nosso pedal já não estava essas coisas todas, o pneu estourado nos atrasou um pouco mais. Também passamos num posto de gasolina depois do PCV 12 para comer misto quente. Aproveitamos pra chupar picolé de uva e ficamos por ali a papear um pouco pra não perder a essência das "viagens" que essa equipe doida faz no meio da prova. 
   As bicicletas ficaram estacionadas no PC13, enquanto subimos mais um morro para fazer o trekking até o 14 e voltar. Era uma subida boa e longa, mas o PC estava depois da subida, no final da descida. Ou seja, do outro lado da montanha. Mas, foi só andar muito, muito mesmo, só 3km, e chegar lá!
   Mauro reclamava que não estava bem desde os dois últimos PCs. Na volta do 14, a coisa começou a piorar. O PC era num restaurante do vilarejo, onde tinha gente da organização, atletas e pessoas comuns. Mauro começou a tossir, o vômito veio e encheu sua boca. Conseguiu prender e correu pra um lugar melhor. Enquanto ele vomitava, as pessoas nos olhavam sem entender porque continuamos fazendo o que estávamos fazendo, sem acudir nosso amigo. Mauro fazia um barulho terrível, vomitando, enquanto eu e Scavuzzi falávamos do conteúdo do vômito (rsrsrs!) e refletíamos que botar pra fora aquelas porcarias todas faria um bem danado pra ele.
   E fez! Sei que, quando o rapaz terminou de vomitar, passou a mão na boca e disse que tínhamos que ir, pois estávamos demorando muito! Obedecemos!
   Nosso pedal de mais 30km do 15 ao 16 entrou pela noite e não me lembro de ter sentido tanto sono nas corridas que fiz, quanto neste dia. Aliás, nesta noite. Chegamos ao PC 16, deixamos as bicicletas, comemos um pouco e fomos remar até a chegada.
   Vixe! Que sono! Dormi remando várias vezes! Coitado de Marcelo! Minha contribuição nessa perna de remo foi medíocre! Tive alucinações e, só pra dar uma ideia da situação, vi um caminhão baú metálico no meio do rio, com uns homens colocando carregamentos. Também passou um homem andando sobre a água em minha frente usando uma túnica branca. E, se tivesse alguma equipe por perto, seríamos ultrapassados, sem dúvida!
   Parecia interminável aquele sofrimento, que não era dor. Era uma luta para manter a postura, para manter os olhos abertos, para remar e ajudar meu amigo a chegar ao final da prova. Mas, terminou, como sempre! Quem faz Corrida de Aventura sabe que uma hora acaba, basta ter paciência.
   Nossa chegada foi comemorada por nós mesmos! O PC dormia naquela madrugada fria. Fiquei imaginando o sofrimento deles. Marcelo e Scavuzzi foram se esconder do vento frio, atrás do balcão do restaurante, enquanto tentávamos achar o PC da chegada em algum daqueles carros, no décimo segundo sono, RS! Achamos, registramos nossa chegada e fomos pra casa dos amigos tomar banho e dormir, com direito a uma paradinha pra comprar um sanduba bem gostoso pra rebater a bagaceira!
   Só para finalizar a conversa, quero dizer umas poucas palavras! Mapa impecável, prova brilhante, glamourosa e elegante. Também agressiva, desgastante, dolorosa e empoeirada do jeito que a gente gosta! E que bom que tem gente nova e tem dinossauros! Que bom ter amigos tão queridos, com os quais posso correr e me divertir muito! Que bom que pude viver mais essa grande aventura! O Grande Desafio dos Sertões! Melhor! No "frigir dos ovos", pegamos um pódium de terceiro lugar, só para compensar o sofrimento. Viva nóis!
   Beijos e até tantas outras!
   Luciana do Agreste
   Retroceder Nunca, Render-se Jamais e Divertir-se Sempre- Esse é o nosso eterno lema! Pode até doer, mas a gente não desiste e dá risada pra caramba!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Orientação- Terceira Etapa


Mais um capítulo da orientação aconteceu no fim de semana de 15 de julho, lá no Distrito de Ipuaçu, perto de Feira de Santana. Nem sonhava pra que lado ficava o Distrito de Ipuaçu e sequer teria acesso à internet naquela tarde de sábado. Só no apagar das luzes, consegui entender como chegar ao local da prova. Ainda bem! E Mauro foi comigo... Ótimo!
A Equipe Caatinga Trekkers que organizou aquela terceira etapa cheia de novidades. Teve o Sicard, um método eletrônico de apuração da prova, que dá seu resultado na hora com todas as parciais de cada passagem nos prismas. Para isso, a pessoa corre com um chip preso no dedo e passa esse chip em todos os dispositivos de checagem colocados nos prismas da pista de orientação. Quem corre as provas do brasileiro já está habituado com a inovação. Eu, ainda não!
Meus resultados, como disse em outras postagens, não foram dos melhores nas últimas provas. Um quarto lugar na primeira etapa, um terceiro na segunda etapa e a gripe me pegou novamente. Brincadeira! Mais uma vez, antes da prova. Que coisa mais desagradável! Parece até que fico nervosa pra correr orientação. Eu, doida pra correr, cheia de energia, ficando doente antes de prova. Mas, dessa vez, a coisa melhorou dois dias antes do grande dia.
Ótimo! Coloquei meu chip no dedinho indicador, fiz um teste para ver se funcionava e fiquei esperando a minha hora de partir. Como sempre, estava largando entre as primeiras. Paciência!
O prisma zero me atrapalhou toda! Como o padrão da corrida era de brasileiro, o zero estava super longe do local da largada. Bem longe! Tão longe que tive dificuldade para entender o que estava acontecendo por falta de costume. Achei que a direção de largada poderia estar errada. Mas, como só eu estaria certa? Então segui o fluxo que não sou tão besta assim..
Reparei que eram apenas 11 prismas, só que bem distantes uns dos outros. Com um relevo bem apetitoso, cheio de ladeiras. A brincadeira prometia!
O primeiro prisma estava bem tranquilo de encontrar. Localizado na pista, só para facilitar as coisas! Então começamos a festa, pulando cerca, pegando uma trilha e achando o prisma 2. O 3 foi o mais difícil pra mim! A vegetação era mais densa no mapa. Fiquei um pouco indecisa na abordagem. Acabei entrando por uma cerca, correndo pela trilha. Mas, demorei! Demorei por achar que talvez pudesse descer pela pista aberta e passar a cerca no ponto exato da trilha. Fiquei com a minha cara de pastel, indo, pensando, voltando, titubeando e perdendo tempo. Sendo que só precisava correr por ali mesmo, trilha adentro, e encontraria a clareira, onde estava o famigerado prisma! Preciso confiar mais em mim. A navegação poderia ter sido perfeita. Demorei 13 minutos nesse vai e vem desnecessário. Fazer o quê? Quem manda ser bocó? O raciocínio era exatamente o que tinha feito quando entrei na trilha.
Dali em diante, só precisei correr! A navegação estava boa, os prismas bem posicionados! Só que distantes uns dos outros. Afe Maria! Pra chegar até o prisma 4 foi uma vida! Ele estava lá no outro canto do mapa, na “casa do chapéu”! Lá no alto! Numa área de pasto, depois de passar pelo gado que me olhava meio de lado, pra lá de um tanque seco. Numa vista bem linda de lá de cima! Será que alguém mais percebeu que a vista era bem bonita lá de cima?!
Pois é! Se a pessoa sobe, tem que descer. A ribanceira que me levava até o 5 era coisa de cinema! Dava vontade de arrumar um tonel e descer rolando. Como não tenho problema nos joelhos, quase desci embolando mesmo. Foi na descida que encontrei a minha amiga Deja. Ela saiu primeiro do que eu e estava indo pro prisma 7.
Depois de uma cerca ali, outra acolá, alcancei os prismas 5 e 6. Deu pra me arranhar um pouco e rasgar a roupa mais um pouquinho. Daqui a pouco a minha camisa de Penélope não vai prestar pra mais nada, exceto pra pano de chão.
Subi pro prisma 7 virada na “zorra” e já encontrei Deja no caminho. Fomos juntas até lá e encontrei meu amigo e irmão Mauroba do Agreste, a quem devo quase todo conhecimento de navegação. A organização avisou que o 7 estava deslocado.. Esquecemos e procuramos por uns segundinhos a mais do que o esperado. Paciência...
No caminho para o prisma 8, encontramos Tatye, outra menina que corre em nossa categoria. Esta saiu depois, por isso, ao nos alcançar, estava em vantagem. Descemos todas “desbandeiradas” para o prisma 9. Como eu disse, tinha ladeira pra não acabar mais. Como aquela era uma descida de pasto, a carreira foi boa!
Subi correndo sem olhar pra trás e acabei me afastando um pouco das outras meninas. (Sobe e desce retado!) A vegetação ficava um pouco mais fechada, com uma trilha bem gostosa e sombreada de árvores naquele trecho. O mapa bem preciso, dava pouca margem de erro... 
No calor na carreira, tinha uma raiz de árvore no meio do caminho, bem em frente ao meu pé. A queda foi tão doida que passei umas 3 semanas com dor na parte da frente da coxa. Tive um estiramento muscular, RS! Senti a dor, mas na hora, só olhei pra trás pra ver se tinha plateia pra dar risada depois e continuei correndo.  
Só sei que achei o prisma 10 bem rapidinho e continuei correndo sem perder a vontade de chegar logo e tirar um pouco da diferença de tempo das meninas. Então fisguei o prisma 11 e fui para a chegada conferir meu tempo. Uau! Saiu na hora! Massa esse Sicard! Tempo de prova: 1:06h. Achei bem legal e fiquei esperando que as meninas chegassem no meu rastro. Mas, elas até que demoraram um pouco e chegaram contando as suas peripécias no mato depois que nos separamos.
Voltei pra casa toda suja e com um troféu de segundo lugar! Toda feliz da vida! Feliz da vida porque minha terapia de ir para a trilha no domingo funciona muito bem! Adoro correr no mato! Pelos matos afora, como sempre digo! Recarrego todas, absolutamente todas as energias! Encontro amigos, esqueço o mundo lá fora, corro, entro em contato com a natureza e ainda ganho troféu por isso. Bom demais!
Então, mais um VIVA para a Corrida de Orientação! Adoro!