quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Desafio Ecotrail 73km- Campeonato Baiano 2018 Etapa 2

Foto: Eber Paz


   Quase não consigo escrever... Correria retada!
   Nem lembro em qual prova de Corrida de Aventura nossa equipe esteve ausente. Presente desde sempre, desde a primeira. Gabi, Mauro e Scavuzzi estiveram na primeira Corrida de Aventura da Bahia. Nossa equipe, que agora é um clube esportivo, tem mais de 20 atletas na ativa. Eu mesma sou fruto desses convites malucos que eles saiam fazendo pras pessoas participarem das provas. E aqui estamos nós, participando de tudo e chamando gente pra vir com a gente.
   No Desafio Ecotrail não foi diferente. Foram 16 atletas distribuídos por todas as categorias e percursos. A turma está boa, animada, entrosada e motivada. Fazendo sucesso nas corridas e presente nos pódios, tanto na Aventura quanto na Orientação. Coisa que nos orgulha muito porque, mesmo sabendo que é facultativo representar a Aventureiros do Agreste nas provas, a maioria prefere fazer parte do nosso time. Poderiam montar uma equipe com outros nomes, mas estão conosco. Muito fofo!
   Formação do quarteto no mesmo modelo da última prova: eu, Vand, Scavuzzi e Mauro.
   Com um regulamento diferentoso e contagem de pontos de duas provas em dois dias de corrida, acabou que, por falta de tempo, fui ler os informativos na última hora. Só peguei o último briefing que a organização soltou três dias antes da prova. Escala de mapa, informações sobre os horários da prova, detalhes do percurso, essas coisas que a gente precisa ficar ligado.
   O local da largada foi cuidadosamente escolhido pela organização. Um hotel bem legal, com diversas opções de acomodação, perto da vila de Subaúma. Dava até pra hospedar fora de lá, e ficava mais em conta, mas preferimos ficar amontoados pra ficar mais perto de tudo. Um apartamento bem grande, que coube todo mundo, incluindo Lairton, coitado, que ainda não está totalmente acostumado com as maluquices da gente. O pessoal peida a noite toda e, pra quem não está acostumado, pode estranhar no começo.  
   A primeira etapa aconteceu no sábado pela tarde. Uma Corrida de Orientação com 8km, depois de um briefing pontual de meia hora. Tão rápido que quem chegou atrasado perdeu informações, entretanto, não prejudicou ninguém não.
   Largamos vestidos de azul em direção à praia, onde Mauro pegou o mapa logo no começo da faixa de areia. Negociamos e decidimos que ele navegaria nessa primeira etapa. Porém, ficamos sapateando no meio da rua por alguns minutos até ele perceber que, quando Scavuzzi dizia que o Cruzeiro estava ali, era porque tínhamos que ir para o Cruzeiro, e não que o Cruzeiro era uma referência, rs! E não se preocupem que não estou me gabando não, viu!? Não sei se faria melhor.

O Cruzeiro

   Fizemos nossa self no PC do Cruzeiro e descemos para o 3, que foi aquela novela pra achar. Não sei o que aconteceu... Seguíamos na trilha e abríamos varrendo o lugar, mas não achávamos o PC. Enfim, encontramos depois de muitas idas e vindas, em meio a uma mistura de atletas igualmente perdidos.
   A partir daí que engatamos a marcha certa. Como a ordem de pegar os PCs era aleatória, Mauro fez uma estratégia ótima de navegação e nós corremos por quase todo o tempo. A parte de correr ficou por minha conta... Não deixei ninguém sossegado. Fizemos um lado inteiro do mapa e depois o outro lado inteiro até a chegada. O tempo limite deu de sobra. Ainda dava pra gente dar outra volta, se quisesse. Mentira, mas sobrou tempo mesmo.
   Tinha PCs em dunas, em coqueiros, em ruína, casa, porteira, moita, cerca, em tudo que foi canto. Muita areia fofa pra malhar as pernocas e treinar pra Terra de Gigantes! Cada PC era um flash e só depois de muitos deles que fui perceber que tinha nome de equipes das antigas. No 10 tinha o nosso nome bem grande. Massa!

Foto: Eber Paz


Foto: Eber Paz

Foto: Eber Paz

   Uma homenagem bem bacana!
   Ao final da tarde, os atletas batiam papo sentados na grama, num clima super descontraído, tomando até cerveja para hidratar, enquanto esperavam até os últimos chegarem.

Foto: Eber Paz

   O briefing do segundo dia foi naquela noite mesmo, no horário combinado, pontualmente. Tava todo mundo cheiroso e tomado banho no restaurante do hotel. Um ambiente bem descontraído, com mesas e cadeiras para o jantar de massas e exposição de fotos antigas de Cassio Nagato, fotógrafo e também organizador da Paletada Adventure, onde tudo começou.
   Tadeu falou sobre sua trajetória na Corrida de Aventura, informou que era a sua primeira e última prova de Corrida de Aventura como organizador e fez uma cerimônia de penduramento de bússola (igual a penduramento de chuteira de jogador de futebol depois do milésimo gol), despedindo-se das provas de Corrida de Aventura como atleta também. Lucy recebeu a bússola pendurada, que por sua vez, também estava se despedindo (por um tempo) das Corridas pelas bandas da Bahia. E foi uma despedidaiada danada! A seguir, o mapa e suas peculiaridades foi a bola da vez.
   Um jantar dos Deuses foi servido aos presentes! Eu não queria ir pra corrida pra dormir porque achava que seria uma mão de obra danada. Estava meio que impossibilitada de me ausentar por uma noite de casa, mas foi muito legal! Valeu muito a pena! O contato com os amigos, aquele clima que o esporte nos proporciona, o local da prova... Era tudo realmente compensador. E o jantar estava gostosíssimo!
   Amanhecemos organizando coisas. Tive vontade de dar uma surra em Mauro porque a bicicleta de Gabi estava com o pneu furado e ele não resolveu logo. Gabi corre em dupla mista com Vitor e a gente “pagou o pato”. Podia ter dado uma surra em Vitor também por não fazer nada.
   Engolimos o café da manhã, enquanto navegava no mapa, que foi entregue de manhã cedo. Mapa bonito, colorido, bem detalhado, mas como estou meio cegueta, não conseguia enxergar todas as trilhas. Pontualmente (não lembro dos horários), largamos vestidos de verde pela praia por uns 2km até a travessia. Conversando horrores, encontramos Waltinho com a Insanos e nosso atleta Claudio, que debandou pra o lado deles nessa prova. Depois que atravessamos a boca da barra do rio, nos separamos e só fomos nos encontrar lá adiante. Uma equipe fica sacaneando a outra e eu ainda fico falando que precisa ter muito preparo psicológico pra ficar encontrando a gente nas corridas. Aliás, precisa ter preparo psicológico pra correr comigo, pessoal. Eu sou histérica, grito, falo besteiras e coisas desnecessárias, pergunto se está perto 50 vezes se não estiver navegando, fico doidinha na corrida. Por isso que tenho que navegar pra distrair.

Foto: Eber Paz

   Por ali, até encontrar o PC1, nos embolamos com vários atletas, inclusive vários dos nossos Aventureiros. Comecei a me desentender com a escala do mapa. Mauro teve que tomar a frente da navegação porque Tico e Teco não compreendiam o que estava acontecendo. Eu, por minha vez, reclamava que Mauro estava muito barata tonta. Enfim, o PC1 estava na beira do rio, perto do mangue. Não fosse Mauro, eu nem sei...
   Pra encontrar o 2 a gente fez tudo certinho. Eu voltei a navegar, mas as referências apareciam bem antes do previsto. Resultou que passamos direto da entrada do PC2 e perdemos um tempo até perceber que realmente o mapa estava com diferença na escala. Por conta disso, Scavuzzi e Vand já iam fechando as contas na hora em que dizíamos as distâncias e a coisa começou a dar certo. Achamos o PC e descemos rumo aos seguintes.
   Seguimos para o PC3 por uma estrada para a esquerda. Parecia que teríamos que rasgar mato para alcançarmos a lagoa, mas não precisou não. Não tinha a vegetação densa que esperávamos, demos a volta, subimos as dunas e tiramos uma foto bem bonita do PC. Na volta, Mauro até queria voltar por uma estrada que não estava no mapa, então eu dei um esporro nele e ficou tudo resolvido. Kkkk!

Foto: Eber Paz

Foto: Eber Paz

   Voltamos  pelo mesmo caminho até chegar no local indicado para a travessia. Uma delícia de banho de rio! Enquanto nadávamos, o fotógrafo Eber Paz fazia vários clicks maravilhosos. Do outro lado estava a organização, socorristas e até um representante da prefeitura de Entre Rios. Tiramos foto com eles nos sentindo meio artistas, sabe?
   Meu mapa molhou todo porque fiz de nadadeira pra chegar mais rápido. Ficou difícil de enxergar tudo.
   Poderíamos seguir pela praia ou pela estrada. Mauro fez aquela chantagem, dizendo que pela praia teria que tirar o tênis. Não sei porque Mauro está com essas coisas... Ele nunca foi disso. Mas aí a gente foi pela estrada e quando olhou pra trás, lá estava ele descalço... ... ... Sem co-men-tários!
   Foi um trekking até rápido até ao PC4, a transição para a bike no hotel. Na primeira parte da corrida levamos duas mochilas, daí, na bike decidimos levar apenas duas também. E isso foi ótimo porque cada um descansava um pouco, revezando o peso.

Foto: Eber Paz

   Pra achar o PC5, a gente teve que atravessar a vila de Subaúma. Depois a gente pegou uma trilha para o PC6, que não foi muito difícil de achar também não. A gente preferiu pegar o PC9 primeiro, mas saiu daquele emaranhado de trilhas dos infernos, optando por ir um pouquinho no asfalto sem risco de quebrar muito a cabeça. Sim, foi bem tranquilo. Do 9, que ficava logo ali, atrás da moita, seguimos para o 7. Depois do 7, a gente optou por seguir direto por uma trilha beeeem apagadinha. Primeiro passando por cima de muitos galhos e troncos, depois, pedalando por mato seco sem trilha. Enfim, seguimos no azimute até encontrarmos uma sisterna, onde estava o prisma 8. Mas até chegar lá pulamos algumas cercas.


   Nossos meninos da Pro, Glad e Lairton, estavam sempre por ali, compartilhando momentos com a gente. Dá gosto de ver a energia boa dos dois fazendo a prova. Glad é super forte e elétrico e Lairton é bem tranquilão, forte e navega muito bem. Estão fazendo uma parceria massa!
   No caminho pra o PC10 teve parada pra chupar picolé porque todo mundo aqui é filho de Deus. Um picolezinho na corrida é Top das Galáxias!
   Seguimos por um trecho de asfalto, então. Para a nossa surpresa, Scavuzzi pegou o retão da estrada e foi embora a viagem dele, sem olhar pra trás. A entrada pra estrada que nos levava ao PC ficou ali junto com a gente, que só viu aquele pontinho indo, indo, indo. Não teve grito que ele ouvisse. Não sei o que deu nele... Lá na frente, acho que ouviu algum ruído (ou não), olhou pra trás e voltou.
   Enfim, seguimos a trilha sem nenhum estresse por conta do ocorrido, muito pelo contrário. Depois de subir e descer, pedalar bastante, lá longe, estava o PC10, perto de um charco. Eu falei com Mauro que não era pra tentar pegar aquele caminho pra ir pro 11. Ninguém queria ir. Mas a teimosia da pessoa é insuportável. Tivemos que ficar parados, aguardando desatolar. Ele caiu na pequena ponte de madeira, afundando até a cintura. Resultado: se fosse eu, tinha me afogado e tudo. Vand que é uma figura calma, faz uns comentários leves, do tipo: “Mauro caiu, olha! Agora vamos ter que ficar esperando aqui.”. 
   Olha, eu me divirto tanto com esses meninos!... Vand se mudou para o Pará e vai fazer muita falta no quarteto! Um atleta com qualidades fundamentais para o esporte. Ele parece que está sempre em estado de meditação. E se fosse parar pra falar dele aqui gastaria umas duas folhas, frente e verso.
   Eu sei que o PC11 estava bem longe do 10. E foi aí que a gente teve que dar aquela pedalada que Scavuzzi tentou antes do 10. Hummm, ele queria ir para o 11, agora entendi. Era no fim da trilha, perto do rio, numa árvore. E Mauro queria cortar caminho de novo, que talvez até fosse bom dessa vez, mas a gente quis ir pelo trivial mesmo. Já estava chegando no PC12, que era transição pra o trekking. Os nossos 2 últimos prismas foram cancelados, mas tivemos a oportunidade de ir pegar os 13, 14 e 15. Beleza, então! Corremos pra não levar punição por extrapolar o tempo limite de prova.
   Aquela coisa de fim de jogo que a gente não sabe quem está na frente de quem, mas que continua dando o ânimo pra seguir em frente fazendo a força que dá. Foi muito divertido! Mais dunas, lagoas, matinhas, vegetação de restinga... Areia no pé pra não acabar mais. Num instante a gente fez aquele trecho e voltou pra chegada!


   Foi uma corrida super bacana! Mesmo iniciantes em organização de provas, a equipe do Desafio Ecotrail é composta de pessoas do bem, centradas, com um senso de responsabilidade enorme, com uma energia ótima e muita vontade de acertar! E foram acertos por cima de acertos! O local da prova, que anos atrás foi palco de uma prova da Paletada, nos trouxe bastante nostalgia. A natureza exuberante e a super estrutura do hotel deram o maior tcham. Organização impecável. Uma prova massa, que poderia se repetir muitas vezes. Mesmo em edição única, foi marcante!

Foto: Eber Paz

   Olha minha gente, me divirto tanto com essa galera que não quero deixar de fazer isso nunca. Pra isso, eu me dedico à Escola de Aventura do Agreste, junto com essa galera da Aventureiros do Agreste, com amor e afinco, sem querer nada em troca. Nem glamour, que está na moda, eu quero! Eu quero é ter provas cheias de atletas, me divertir pelos matos e esvaziar a mente por algumas horas. Isso sim é terapia!
   Parabéns aos atletas que sempre fazem aquela festa nas provas, principalmente a galera da Aventureiros! 
   No mais, só gratidão!
   Resultado: 2 lugar na categoria 

Foto: Eber Paz


Galera boa na foto de Eber Paz



Um comentário:

Unknown disse...

Lu, vc como sempre o coração da aventureiros! Seus relatos são perfeitos! Parabéns pela prova e pela equipe!!!!! Avante, aventureiros do agreste!!!!