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Bahia Adventure Festival 130km- Baixio 2026

 

Foto: Rafael Rio Branco

Dessa vez não teve novela. Nenhuma. Zero perrengue pré-prova — o que, convenhamos, já é um sinal estranho em corrida de aventura 😅
A equipe se formou rápido, cada um resolveu suas coisas, e mesmo com a cabeça cheia de trabalho, tudo foi tão tranquilo que fiquei com a sensação clássica de que estava esquecendo alguma coisa.

Mais uma vez, Vitor se envolveu na organização e seguiu antes. Na sexta, depois do almoço, parti com Lucas rumo a Baixio, uma vilazinha de praia no litoral norte da Bahia, pertencente ao município de Esplanada, que mistura simplicidade e beleza natural num cenário de maresia, com ruas tranquilas, coqueirais, dunas, restinga, lagoas e o encontro do rio com o mar. Um verdadeiro parque de diversões pra quem gosta de aventura.

Ficamos na pousada Encantos, cuja dona foi minha professora em Catu. Dona Zezé era muito amiga da minha mãe, puxou assunto das antigas serenatas da roça — aquelas em que os adultos ficavam bêbados e as crianças em total autogestão, brincando até de madrugada. Quando encontrei Dona Zezé, ela nem lembrou da minha fisionomia, mas lembrou das serenatas. Já valeu a hospedagem 😂

Equipe formada: eu, Maurício, Lucas e Scavuzzi.

A prova tinha cerca de 132 km: trekking (12 km), canoagem (14 km), MTB (18 km), modalidade surpresa (100 m), MTB (73 km) e trekking final (15 km). Ou seja: um blocão de bike bem respeitável, com direito a mergulho no meio pra dar uma quebrada.

LARGADA – TREKKING

Largamos bem. O trecho começou gostoso, indo em direção à praia, com aquele visual lindo logo de cara, depois entrando no mangue pra buscar o primeiro PC.

Foto: Rafael Rio Branco

Seguimos encaixando bem: PC 1, PC 2, trilhas afora até o PC 3.
Ali já deu o primeiro sinal de que a prova estava séria: cadê as equipes? Sumiram. Cada um no seu jogo.

Já estávamos atentos ao detalhe de que o PC 3 reapareceria depois como PC 14 na canoagem — informação guardada com sucesso.

Seguimos pelo estradão até o pedacinho de asfalto onde era permitido trafegar, entramos adiante, à esquerda, e achamos os PCs 4, 5 e 6 sem dificuldade.

No PC 6, encontro com Bognini — e eu já tinha avisado que ele podia surgir de uma moita fiscalizando equipamento 😂
Dito e feito. Risadas garantidas.

Esse trecho foi bom demais: trilhas sombreadas, caminháveis, com pequenas subidas, nada agressivo. PCs bem posicionados, sem maldade. Navegação fluindo, equipe encaixando.

Do PC 7 ao 10, já em área urbana, fomos no modo “turismo competitivo”: parquinho, bar, igreja… era tudo PC.

Chegamos na transição da canoagem redondos. Encontramos a equipe Oré — e ali começava uma relação de encontros e desencontros ao longo da prova.

CANOAGEM – 14 km

De nada adiantou escolher barco porque na hora em que colocamos no rio, a água já entrou. Fomos contemplados com um barco com o fundo rasgado.

Scavuzzi e Lucas remavam bem devagar, por conta do alagamento, enquanto eu e Maurício fluíamos melhor. 

No rio foi uma delícia! Muito parecido com o Jacuípe, nosso amigo de longas datas.
Mas sempre com atenção redobrada por causa das cercas (Camila avisou tanto que virou mantra).

Passamos pelo PC 11, fizemos o bate-volta do 12 e seguimos. E foi nesse meio tempo que decidimos trocar de embarcação. Nós pulamos pro barco furado pra equilibrar as duplas. E, surpreendentemente, deu certo. As duas duplas ficaram mais sincronizadas.

Os PCs 13 e 14 foram mais interessantes, em alcinhas: sobe rio, contorna, desce de novo. Canoagem com navegação, do jeito que a gente gosta.

PC 14, mesmo ponto do PC 3, descemos do barco e tudo certo!

Na boca da barra, cena clássica: turistas tranquilos tomando banho e a gente chegando cheio de equipamento, cara de doido e roupa de outro planeta. 😂

Foto: Rafael Rio Branco

Remo bom demais. Fluido, sem sofrimento. Quando vimos, já estávamos no PC 15 e indo pra transição. Com direito a fotos de Rafa, com muitas poses.

MTB + MODALIDADE SURPRESA

Na transição, bermuda de bike, porque 90 km sem almofadinha não é uma escolha muito legal. Joelton decidiu seguir conosco, tendo em vista que o seu parceiro Ramister passou mal e precisou abandonar a prova. E assim fomos até a linha de chegada.

Seguimos pro primeiro destino: a lagoa da modalidade surpresa.

Estradão, poucas ladeiras, e um sol que resolveu brincar de esconde-esconde — ainda bem, porque a menopausa aqui resolveu competir também. Desde que comecei a ter sintomas, nunca estive tão pior. Caprichei no protetor solar, na hidratação, na reposição, pra ver se não desabava no meio do caminho, porque a coisa ficou feia pro meu lado. A sensação térmica interna não estava fácil. Ainda assim, reclamei pouco.

Na lagoa, os meninos foram tão rápidos que mal consegui fazer um xixi e morder um pedaço de salame. Quando vi, já estavam de volta.

Seguimos com tempo de luz ainda favorável, o que ajudou bastante. Pudemos achar uns bons PCs aproveitando o dia.

MTB LONGO – 73 km

Começamos bem: PCs 16, 17 e 18 encaixando direitinho.

O PC 16, da porteira, teve um babado ali, que chegamos pelo fundo. Não entendi nada quando a porteira apareceu no sentido contrário. E foi lá que encontramos a Oré outra vez, e muitas vezes depois. Encontramos o PC 17 e o 18, atravessamos a BA 099, pedalamos um pouquinho por ela, só pra entrar à direita e começar a odisseia dos eucaliptais.

Não foi o terreno. Fomos nós 😅. Os eucaliptos nem atrapalharam, mas entre um letreiro uma ponte e um letreiro, fomos abduzidos antes de chegar ao PC 23.

Já era noite, com azimute meio estranho, desci uma ladeira e vi um trator gigante e uma luz que ofuscava meus zóios. Os meninos desceram avionados e subiram no embalo. Eu desci travada, olhando pra aquele mostro brilhante que se dirigia pra estrada, bem pro lado que eu estava indo. Cena digna de filme. Que medaaa! Comecei a pedalar mais rápido, a luz me seguindo… eu acelerando… parecia perseguição 😂

Que experiência esquisita!

Foi ali que perdi a referência de vez. Devo ter perdido alguma entrada.

Seguimos muito além do previsto. 6 km, 7 km, 8 km… quando era pra encontrar com 5,5. Distraídos, bem serelepes e conversadores, até que caiu a ficha: estávamos quase saindo do mapa.

Enfim, meu povo... Depois do “cara crachá”, azimute x mapa, percebi que, por pouco, estaríamos fora do mapa. E que, voltando, se estivéssemos realmente naquele lugar, entraríamos à direita pra encontrar o PC 23. Foi isso que aconteceu.

Depois disso, achei que ia ser tranquilo.

A gente estava encontrando muito a Oré, e depois desse nosso erro, eles tomaram a dianteira. Inclusive, subestimei o pedal deles e da minha amiga Gê. Mas paguei a minha língua por ali mesmo, porque só fomos nos encontrar no final do pedal.

Ilusão.

Até o PC 26, eu estava me sentindo a própria atleta de MTB.

Aí veio o singletrack, com 12 km de sofrimento organizado: galho na cara, curva fechada, tronco atravessado, árvore caída, lama, mutuca… parecia um teste psicológico.

Demorou. Mas acabou. E quando acabou, parecia que tinha terminado uma prova dentro da prova.

TREKKING FINAL – 15 km

Foto: Rafael Rio Branco

Chegamos na transição de madrugada e decidimos inverter a ordem.

Começamos pelo PC I na beira da estrada, seguimos pela estrada até virar trilha e começar a contornar o charco.

No azimute, partimos. O dia amanheceu, as dunas apareceram à nossa frente e a coisa ficou estranha. Na hora do ataque, dúvida geral. Azimute apontava direto, mas ninguém queria confiar, exceto Maurício. Enquanto a gente pensava em planos B, C e D, ele perguntou a direção, foi e achou.

Simples, objetivo e eficiente.

A partir dali, seguimos bem: H, G, E, C… numa sequência boa, com ritmo mais acelerado. Os meninos voando no trekking. Eu… sobrevivendo para manter a minha dignidade. 😂

No final, Lucas assumiu minha mochila e foi todo orgulhoso cruzar a linha com ela.
E eu não fiz questão nenhuma de recuperar.

Porque, sinceramente… eu estava cansadona.

CHEGADA

Foto: Rafael Rio Branco

Teve erro, teve distração (de todos), teve esculacho, teve risada, teve parceria, teve cansaço.

Agradecimentos à organização da BAF, Arnaldo e toda equipe (Vitor, Diana, Gal, Keu, Lane, Bognini, Mika e demais), especialmente à Camila Nicolau, por um percurso desafiador e bem construído. E que massa ver mulheres ocupando esses espaços com tanta competência!

Aos meus parceiros: obrigada demais. Foi mais uma aventura daquelas.

À minha treinadora, Fernanda Piedade, meu respeito e gratidão.

À minha terapeuta, Verena, minha reverência. Não sei se estou melhor com eles, só sei que estou melhor comigo. 😎

E, no fim das contas, é isso:

Que bom que a gente tem a gente. Que delícia de prova, delícia de esporte!

Vida longa à Corrida de Aventura 🚀

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