quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Itália- Parte 4- San Giminignano

   Essa parte da viagem foi uma experiência bem interessante! Desprendidos de grande parte da bagagem, com uma pequena mochila nas costas, pegamos a estrada com bicicletas alugadas em Florença.  Na bagagem, duas mudas de roupas, produtos de higiene pessoal, papeis do seguro de viagem e passaportes. Sem internet, "printamos" telas dos mapas pra termos ideia do percurso, que já estava quase decorado na cabeça.


   Atravessamos a Ponte Vecchio, em direção à Porta Romana para o sul (ou seria sudoeste?) da Toscana. A Porta Romana é uma porta enorme mesmo, por onde passam carros, gente e bicicleta. Tudo ali era murado, antes.
   Evitando as vias mais movimentadas, seguimos por Certoza em direção à Tavarnuzze. Num cruzamento, com dúvidas, sentimos dificuldade pra pegar informação com alguém. No interior, é mais complicado encontrar alguém que fale inglês, além disso, o italiano é mais difícil de entender. Por dedução, intuição ou sei lá o quê, escolhemos a estrada da esquerda, por uma subida de 6km. Tiramos foto, sofremos um pouco, curtimos a paisagem e chegamos num lugar chamado Bagnolo-Cantagallo (que só soubemos o nome depois). Bem charmoso com uma pracinha linda, aquela igreja de praxe, sorveteria, café... Cheios de dúvidas, decidimos saber onde estávamos e pra onde iríamos. Depois de meia hora de conversa, percebemos que tomamos a via errada, tendo que voltar quase tudo. Mas havemos de convir que na descida todo Santo ajuda. Na Itália deve ter mais Santos do que em qualquer canto.
   Pra relaxar, tomamos um delicioso sorvete, antes de retornar. Descemos até perder a vontade de descer, pegamos um desvio à esquerda e caímos direitinho na Via Scopeti, onde deveríamos estar a mais tempo.


   Na Itália, a todo momento a gente se encontra com ciclistas. Os motoristas tem um bom nível de respeito por quem pedala, inclusive, mantêm aquela sonhada distância de 1,5m que a gente queria que acontecesse aqui no Brasil. Apesar de achar que já melhoramos bastante, tem uma evolução danada pela frente!
   No caminho, os cipestres, os rios, a vegetação encantadora e muitas ladeiras. Como não pegamos bicicletas elétricas, as subidas foram na base dos “cambitos” mesmo. Subidas sem fim, cidades pequenas com belezas também sem fim.
   Depois do perdidão, boa parte do percurso pela via Scopeti, passamos por San Andrea In Percussina, San Cassiano Val di Pesa e várias outras pequenas cidades. Apesar das inúmeras ladeiras, a viagem de bicicleta foi extremamente agradável. Lembro que cortamos um caminho, por indicação do Google Maps, entrando numa área rural, com placa de sinalização contendo nome da rua e tudo. As casas de campo lindíssimas chamavam atenção a todo momento!




   Numa dessas ladeiras sem fim, dessa vez descendo, fui à frente numa boa velocidade. Antes de entrar numa curva, olhei rapidamente pra trás e não vi Vitor. A rua estava vazia... Depois de alguns minutos, que me pareceram horas, vi um caminhão enorme descendo. Nossa! Aquilo me assustou tanto! Continuei descendo um pouco mais devagar, nada de Vitor, até que parei. Eita que o pensamento divagou negativamente na velocidade da luz! Nem sei quanto tempo durou mas deu tempo até de pensar no funeral. Ufa! Ele apareceu, contando que o caminhão atrapalhou a descida, que precisou recuar, mas deu tudo certo. Ô susto!


   Em San Giminignano mesmo, só fomos chegar no final da tarde, depois de subirmos uma serra sem fim. Um sacrifício totalmente recompensado com a chegada naquela cidade medieval incrível! Pelo Airbnb, alugamos um apartamento num prédio que um dia foi um Castelo cheio de história. A dona do apartamento arrumou um lugar para as bicicletas  e nos acomodou confortavelmente. Ao abrirmos a janela, uma vista de cair o queixo!


   Nem vou contar sobre os pontos turísticos porque isso vocês encontram em todo canto na internet. Foram duas noites em San Giminignano, caminhando pelas ruas, visitando museus e igrejas, subindo torres, tomando sorvete (não só o considerado melhor do mundo) e comendo comida gostosa, tanto de restaurante, quanto feitas por nós mesmos. Como gostamos de provar as delícias do lugar, no mercado, compramos carne de caças e fizemos assados deliciosos. Nossas viagens ficam com um custo menor com as visitas aos supermercados. Algumas vezes, nem precisamos ir a restaurantes e comemos muito bem.









   Então foi isso! No dia 23 de junho, nos despedimos da cidade Medieval, de bicicleta, com as mochilas minimalistas, bem cedinho, ladeira abaixo. Tão cedo chegamos em Florença, que tivemos que ficar sentados numa praça, tomando sorvete, até chegar perto da hora do check-in do hotel.
   Na próxima postagem eu conto como foi em Veneza.
   Até loguinho!



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