Pular para o conteúdo principal

Corrida Solo

Essa foto me trouxe uma lembrança muito boa! Tinha colocado na última postagem pra ilustrar a minha alegria em voltar a treinar com a frequência que me faz bem, seguindo a planilha direitinho.
A foto é de 2006. Na primeira Corrida de Aventura Solo da Bahia, organizada pela Paletada. Já navegava um pouco. Fiquei super animada pra ir. Teria trekking, bike, natação e rappel. Me pelava de medo de rappel, embora já tivesse feito. Acho que foram uns 45km de prova, com previsão de terminar antes do anoitecer.
Marcelo resolveu o primeiro empecílio pré-prova, me emprestando sua bicicleta muito maior do que eu. Márcio me desanimou, dizendo que não fosse porque me perderia no mato e, sozinha, ficaria difícil voltar antes de anoitecer. Tudo bem! Desanimei! Pensei em não ir. Estava começando em Corrida de Aventura e seria muita cara de pau me arriscar, navegando sozinha numa corrida.
Apareci no treinamento de rappel só pra conhecer o pessoal. Voltei pra casa decidida a ir, quando percebi que um monte de menina que, sequer tinha corrido na vida, faria a prova. E fui! Arrumei uma mochila com comida e água e fui!
Concentração em Jacuípe. Entregaram o mapa para planejarmos a prova em uma hora e nos mandaram para um buzú cheio de atletas. Só na categoria feminina eram 17. A largada foi em Jauá. E lá estava eu com dor de barriga na linha de largada. Tudo era novidade! Tinha feito poucas corridas. Algumas de orientação. Tinha várias meninas experientes competindo. Eu era favorita a qualquer lugar bem longe do pódium.
Largamos num trekking naquelas Dunas de Jauá, passamos por trás da Millenium e pegamos um PC no topo das dunas. Àquela altura naquele areal, eu estava bem cansada mas, tentava fazer tudo certinho pra não me perder no caminho. Só via gente correndo pra todos os lados.
Peguei o PC e fui embora. Atravessei a pista e fui para aquelas bandas de Areias. Ali tem muita trilha e muita água também. Tanto que teve um trecho de trekking dentro do rio cheio de junco. Tudo muito molhado! Sei que fui pelas trilhas afora me sentindo muito bem. E livre! E independente! Auto-suficiente também! Tive medo de cobra dentro daquele junco. Tive medo dos bois que estavam no pasto. Tive medo de pular um Portão enorme que dava acesso ao lugar onde estavam as bicicletas.
As meninas estavam meio misturadas! Eu estava bem longe das primeiras posições e longe de ser uma ciclista habilidosa (até hoje ainda não sou.. não fiquem decepcionados!). Fiz a transição para a bike naquela igrejinha de Areias, perto do Posto Policial de Arembepe. Muitos já tinham ido. Peguei a bicicleta e fui bem tranquila pra não me perder. Fiquei sozinha em vários momentos. Os PCs foram aparecendo, um a um, em minha frente. Devagar e sempre!
No emissário da Cetrel, já tinha muita gente fazendo rappel. Lembro da competitividade exagerada de alguns, que até dispensaram os equipamentos de segurança para passar em minha frente. Fiquei um pouco indignada mas, a organização não se importou muito. Meu rappel foi demorado mesmo. Desci com medo! Mesmo assim enfrentei e cheguei até o chão, que não estava muito distante. Conheci melhor o que é um rappel.. rs!
De volta pra bike, preferi pegar o trecho seguinte pelo asfalto. A outra opção me parecia muito arenosa e confusa. E foi melhor mesmo! Minha velocidade não era das melhores, o asfalto estava bem quente e ainda tinha o perigo dos carros na pista. Mesmo assim, ultrapassei um monte de gente.
Fnalmente, o Condomínio onde entraria pra chegar perto da travessia do rio Jacuípe e concluir a prova. Nossa! Já sentia dor de cabeça! O sol fritava meus miolos! Só pensava em terminar. Mas nem imaginava em que posição estava. O último PC antes do rio era Mateus. Lembro como hoje quando ele falou: "Vá embora agora que você está em segundo lugar!". Só de contar, senti a adrenalina daquele momento! Fiquei tão eufórica que queria saber como tinha conseguido chegar ali em segundo lugar. Me embananei toda! Tava perdendo tempo. Larguei a bicicleta e fui atravessar o rio.
Ali que eu vi a situação ficar difícil! Era muito pior na natação do que sou hoje. Coloquei o colete, escolhi um ponto e entrei no rio com tênis e tudo, como sempre. Só que a maré tava enchendo, jogando pra dentro. Meu colete ficou folgado, subia pro pescoço. Perdi meus óculos! O rio começou a me jogar pra cima do mangue. Que desespero horrível! Tinha um cara atravessando também mas, ele levou um palmar, se mandou e estava pouco se lixando pra existência dessa mortal aqui. Que, por sinal, poderia ter ficado presa no mangue, com a pele toda "engiada", até alguém me achar. Boiando com aquele colete me gargelando. Que trágico!
Perdi um tempão nessa agonia. O chão apareceu no momento em que já não aguentava mais bater braço. Pra dificultar mais um pouquinho, saí muito longe da chegada. Corri por um mangue que parecia não ter fim até encontrar o pessoal. E a foto acima retrata minha alegria em chegar tão bem. Pena que perdi o segundo lugar para outra menina, que chegou depois de mim antes da travessia mas, escolheu um ponto melhor para passar o Rio Jacuípe.
De qualquer forma, subi no pódium! Não fiquei perdida no mato! Perdi meus óculos e vários medos!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Italia- Parte 5- Veneza

   De volta à Florença, devolvemos as bicicletas e ficamos sentados numa pracinha, à espera do melhor momento de chegar ao Hotel.    Após mais uma noite, lá estávamos nós, na estação de trem, seguindo para Veneza.    Sempre impressionada com tanta grandiosidade e beleza do Velho Mundo, Veneza superou ainda mais. Você sai da estação de cara com canais, pontes e edificações belíssimas. Veneza fervilhava, tanto de calor quanto de turistas. Tinha gente pra não acabar nunca mais! Acho que tinha até extraterrestres em Veneza.   Parecia carnaval na Bahia.    Nos hospedamos pelo Airbnb no bairro Cannaregio, perto de tudo. Paleteiros que somos, as caminhadas foram constantes. Conhecemos todos os lugares à pé. Foram 3 noites explorando Veneza, entrando em todas as igrejas possíveis e imaginárias, dos pontos turísticos manjados aos museus inusitados, escondidos nas ruelas da cidade.    De tudo o que vi, a vista da Praça San Marco mais impressionou. Do outro la

Itália- Parte 4- San Giminignano

   Essa parte da viagem foi uma experiência bem interessante! Desprendidos de grande parte da bagagem, com uma pequena mochila nas costas, pegamos a estrada com bicicletas alugadas em Florença.  Na bagagem, duas mudas de roupas, produtos de higiene pessoal, papeis do seguro de viagem e passaportes. Sem internet, "printamos" telas dos mapas pra termos ideia do percurso, que já estava quase decorado na cabeça.    Atravessamos a Ponte Vecchio, em direção à Porta Romana para o sul (ou seria sudoeste?) da Toscana. A Porta Romana é uma porta enorme mesmo, por onde passam carros, gente e bicicleta. Tudo ali era murado, antes.    Evitando as vias mais movimentadas, seguimos por Certoza em direção à Tavarnuzze. Num cruzamento, com dúvidas, sentimos dificuldade pra pegar informação com alguém. No interior, é mais complicado encontrar alguém que fale inglês, além disso, o italiano é mais difícil de entender. Por dedução, intuição ou sei lá o quê, escolhemos a estrada da esque

Itália- Parte 3- Florença

   E eu que pensei que toda a lindeza do mundo se resumia a Paris e Roma, não cansava de me impressionar!  Da Estação de trem, a pessoa já dá de cara com a Igreja de Santa Maria Novella. Ah! Falando em trem, não esqueçamos de viajar de trem pela Itália. Rápido, confortável e o preço fica menor se comprar passagens com antecedência.    Florença é linda, vibrante, ensolarada no verão e cheia de turistas. Aliás, turista de tudo que é canto, saindo pelas tabelas. Hordas de turistas mesmo!!    Depois do check-in do hotel, fomos bater perna. Lembrando que fizemos essa viagem de mochilão, com o mínimo de bagagem possível, caminhando ou usando transporte público na maioria das vezes e quase sem comprar nada pra nós nem pra ninguém.    Entramos na Catedral Duomo, que é de graça mas precisa cobrir os ombros, como em quase todas as igrejas da Itália. Sempre com fila pra entrar, a suntuosidade lá de dentro compensa o tempinho de sol quente lá fora.    Todo